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O vírus que destrói câncer e pode revolucionar tratamento de tumores avançados, segundo cientistas

Um novo tipo de tratamento contra o câncer que usa um vírus comum para infectar e destruir células nocivas está se mostrando bastante promissor nos primeiros testes em humanos, dizem cientistas do Reino Unido.

O câncer de um paciente desapareceu, enquanto outros viram seus tumores encolherem.

A droga é uma forma enfraquecida do vírus da herpes — herpes simplex — que foi modificado para matar tumores.

Estudos maiores e mais prolongados são necessários, mas especialistas dizem que a injeção pode, por fim, oferecer uma tábua de salvação para mais pacientes com câncer avançado.

Krzysztof Wojkowski, um construtor de 39 anos do oeste de Londres, é um dos pacientes que participaram da fase 1 do teste de segurança em andamento, administrado pelo Instituto de Pesquisa do Câncer do Royal Marsden NHS Foundation Trust.

Ele foi diagnosticado em 2017 com câncer nas glândulas salivares, perto da boca. Apesar da cirurgia e de outros tratamentos na época, seu câncer continuou a crescer.

“Me disseram que não havia mais opções para mim, e que eu estava recebendo cuidados de fim de vida. Foi devastador, então foi incrível ter a chance de participar do estudo”.

Um curto curso da terapia baseada no vírus — que é uma versão especialmente modificada do vírus da herpes que normalmente causa herpes labial — parece ter eliminado o tumor.

“Tomei injeções a cada duas semanas durante cinco semanas que erradicaram completamente meu câncer. Estou livre do câncer há dois anos.”

As injeções, aplicadas diretamente no tumor, atacam o câncer de duas maneiras — invadindo as células cancerosas e fazendo-as romper, e ativando o sistema imunológico.

Cerca de 40 pacientes tentaram o tratamento como parte do estudo. Alguns tomaram apenas a injeção de vírus, chamada RP2. Outros tomaram ainda outro medicamento contra o câncer — chamado nivolumab.

Os resultados, apresentados em uma conferência médica em Paris, na França, mostram que:

Três em cada nove pacientes que tomaram apenas RP2, incluindo Krzysztof, viram seus tumores encolherem;

Sete em cada 30 que receberam tratamento combinado também pareceram se beneficiar;

Os efeitos colaterais, como cansaço, foram leves em geral.

O principal pesquisador do estudo, Kevin Harrington, disse à BBC que as respostas ao tratamento observadas foram “verdadeiramente impressionantes” em uma variedade de cânceres avançados, incluindo câncer de esôfago e um tipo raro de câncer de olho.

“É raro ver taxas de resposta tão boas no estágio inicial de ensaios clínicos, pois seu objetivo principal é testar a segurança do tratamento, e envolve pacientes com câncer muito avançado para os quais os tratamentos atuais pararam de funcionar”, afirmou.

“Estou ansioso para ver se vamos continuar a ver benefícios à medida que tratamos um número maior de pacientes”.

Não é a primeira vez que cientistas usam um vírus para combater o câncer. O NHS, sistema de saúde público do Reino Unido, aprovou um tratamento baseado no vírus do resfriado, chamado T-Vec, para câncer de pele avançado há alguns anos.

Harrington chama o RP2 de uma versão turbinada do T-Vec.

“Teve outras modificações no vírus para que, ao entrar nas células cancerígenas, efetivamente assine sua sentença de morte”.

Marianne Baker, da organização Cancer Research UK, disse que as descobertas encorajadoras podem mudar o curso do tratamento do câncer.

“Os cientistas descobriram que os vírus podem ajudar a tratar o câncer há 100 anos, mas tem sido um desafio aproveitá-los com segurança e eficácia.”

“Esta nova terapia viral se mostrou promissora em um teste inicial de pequena escala — agora precisamos de mais estudos para descobrir como funciona.”

“A pesquisa sugere que combinar vários tratamentos é uma estratégia poderosa, e terapias de vírus como esta podem se tornar parte do nosso kit de ferramentas para vencer o câncer”.

Alta rejeição de Bolsonaro amplia desânimo na campanha, que passa a culpar o próprio presidente

Apesar das declarações de aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL), colocando em dúvida os resultados das pesquisas eleitorais, o mais recente levantamento do Datafolha aumentou o clima de desânimo na campanha do candidato à reeleição.

Isso porque a pesquisa mostrou que a rejeição a Bolsonaro se consolidou em 52% dos eleitores. Além disso, o levantamento mostrou que o atual presidente se manteve com 33% das intenções de voto, enquanto Lula (PT) passou de 45% para 47%, chegando a 50% dos votos válidos (o que elevou as chances de o petista vencer já no primeiro turno).

Reservadamente, aliados já culpam Bolsonaro por erros recentes.

Toda a estratégia da campanha era de diminuir a rejeição a Bolsonaro e, assim, torná-lo mais competitivo.

Porém, episódios recentes consolidaram a rejeição ao presidente, como os ataques a jornalistas mulheres e a candidatas, o uso eleitoral do funeral da rainha Elisabeth II, e a apropriação política das comemorações do Bicentenário da Independência, quando fez um discurso se declarando “imbrochável”.

Integrantes da campanha avaliam que o episódio que mais prejudicou Bolsonaro foi o fato de ele ter levantado nova suspeita sobre o sistema eleitoral brasileiro, quando estava em Londres (Inglaterra).

Interlocutores próximos de Jair Bolsonaro avaliam que ele deu um “tiro no pé” ao levantar nova suspeição contra a eleição. O presidente costuma atacar as urnas e repetir acusações já desmentidas por órgãos oficiais.

A declaração em Londres, em tom golpista, gerou efeito colateral para a campanha de Bolsonaro, pois estimulou intensa mobilização em torno do voto útil em Lula, sob o argumento de que isso é necessário para defesa da democracia.

Até então, coordenadores políticos da campanha de Bolsonaro aconselhavam o presidente a não retomar declarações levantando a suspeição da urna eletrônica e do sistema eleitoral brasileiro. Isso porque essa estratégia afasta de Bolsonaro o eleitor moderado, que teme um retrocesso institucional no Brasil.

Gás de cozinha fica 6% mais barato para as distribuidoras a partir de hoje

O GLP vendido pela Petrobras às distribuidoras fica 6% mais barato a partir desta sexta-feira (23). O gás liquefeito de petróleo é o gás de cozinha vendido em botijão.

Com a redução, o preço médio cobrado das distribuidoras pela estatal passa de R$ 4,0265 por quilo para R$ 3,7842/kg a partir de sexta-feira (23) – equivalente a R$ 49,19 por 13 quilos (o peso do conteúdo do botijão comum). É a segunda queda no preço do gás este mês.

“Essa redução acompanha a evolução dos preços de referência e é coerente com a prática de preços da Petrobras, que busca o equilíbrio dos seus preços com o mercado, mas sem o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações e da taxa de câmbio”, diz a estatal em nota.

Histórico de preço
O preço do GLP havia sido alterado pela última vez no dia 13 de setembro, quando o quilo passou de R$ 4,23 para R$ 4,03, equivalente a R$ 52,34 por 13 kg. Em abril, já havia sido reduzido de R$ 4,48 para R$ 4,23 por kg.

Antes, no entanto, vinha em trajetória de alta: em março, o gás de cozinha vendido pela Petrobras havia sido reajustado em 16,1%. Em outubro do ano passado, a alta havia sido de 7,2%. E em julho do mesmo ano, de 6%.

Preço ao consumidor
Na semana encerrada em 17 de setembro, o botijão foi vendido, em média, a R$ 113,25 no país, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Desse valor, R$ 54,34 referem-se à Petrobras.

A distribuição e a revenda respondem pela segunda maior parcela do custo ao consumidor, de R$ 43,8. Já o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), representa R$ 11,34%. Os impostos federais sobre o gás de botijão estão zerados até o final deste ano.

1 a cada 5 deputados duplica patrimônio em 4 anos; 69% estão melhores hoje que em 2018

Um em cada cinco deputados federais que tenta um novo mandato este ano dobrou o patrimônio em relação à última eleição, em 2018, mostram dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao todo, 69% declararam ganhos patrimoniais nos últimos quatro anos – um deles passou de R$ 7,8 milhões para R$ 48,5 milhões, uma variação de mais de 500%.

O avanço patrimonial dos parlamentares ocorreu enquanto a população brasileira ficou mais pobre, segundo diversas métricas. O rendimento médio mensal mensurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo, atingiu em 2021 o menor valor em 10 anos. Em 2018, ano da eleição, o rendimento era de R$ 2.472 e agora é de R$ 2.265, quase 10% a menos.

O número de pessoas que não tem o que comer também avançou no período. Segundo dados do IBGE de 2018, 10,2 milhões de brasileiros passavam fome no país naquele ano, número que chegou a 33,1 milhões em 2021, de acordo com o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN).

Além do salário de R$ 33,8 mil mensais e de uma série de benefícios, que incluem a cota parlamentar (de R$ 30 mil a R$ 45 mil, dependendo do estado do congressista), deputados também podem ser sócios de empresas e ter outros investimentos.

O salário, por si só, já é suficiente para distanciar os deputados federais do restante do país. Eles recebem mais de 4 vezes a mais que a renda média brasileira.

Deputados também perdem patrimônio
Alguns parlamentares registraram redução do patrimônio, em alguns casos milionários. O número de deputados que dizem ter perdido patrimônio no período é de 139, equivalente a 30% dos congressistas eleitos em 2018 que tentam se eleger a algum cargo em 2022. Há ainda quinze casos em que a pessoa declarou a mesma quantia que 2018.

Os dados de 2018 não foram corrigidos pela inflação, uma vez que parte relevante dos patrimônios é em propriedades, que não tem o valor reajustado nas declarações.

Especialista em direito eleitoral, o advogado Flávio Henrique Costa Pereira explica que uma evolução patrimonial elevada não é, necessariamente, indício de irregularidades, uma vez que os parlamentares podem ter outros negócios, como serem sócios de empresas.

‘Deslocamento de realidades’
Para o cientista político e professor do Insper Leandro Consentino, o principal problema desse “descolamento” entre a realidade dos deputados e da população é que isso pode provocar uma “miopia” na hora da tomada de decisões na Câmara.

“Eu percebo que há essa dificuldade, esse descolamento, isso se reflete sobretudo nas condutas dos parlamentares quando vão arbitrar sobre algumas questões”, diz, citando como exemplo eventuais decisões de aumentar o próprio salário ou sobre restrições orçamentárias na área da saúde pública — deputados têm plano de saúde pagos pela Câmara.

“Será que se eles estivessem numa situação parecida com a da população eles estariam tomando as mesmas decisões que estão tomando?”, questiona.

Na mesma linha Marco Antônio Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e cientista político, diz que essa diferença entre a realidade dos deputados e a da sociedade é “paradoxal” e passa uma mensagem ruim para a população, da política como algo indevidamente vantajoso.

“Os dados que você apresenta vão na contramão da realidade da sociedade”, diz sobre a evolução patrimonial de deputados.

Consentido acredita que uma forma de tornar esses gastos menos descolados da realidade é por meio da transparência, com uma fiscalização maior da população. “[Os gastos] Estarem disponibilizados de uma forma completamente amigável, desde uma pequena coisa gasta, isso deve ser mais acessível”, disse.

Governo Bolsonaro anuncia bloqueio de R$ 2,6 bilhões no Orçamento a dez dias da eleição

A dez dias das eleições, o governo Jair Bolsonaro anunciou, nesta quinta-feira (22), o bloqueio de R$ 2,6 bilhões em despesas no Orçamento federal deste ano. Ao mesmo tempo, o Ministério da Economia passou a prever oficialmente o primeiro resultado positivo para as contas públicas no ano desde 2013.

Atualmente, há R$ 7,9 bilhões bloqueados, e esse valor subirá para R$ 10,5 bilhões.

O bloqueio anunciado nesta quinta-feira ocorre porque a equipe econômica precisa apresentar a cada dois meses estimativas de receitas e despesas, que servem para bloquear ou desbloquear despesas ao longo do ano.

Os cálculos do Ministério da Economia apontaram para a necessidade de um bloqueio por conta do teto de gastos, a regra que trava as despesas federais ao crescimento da inflação. O detalhamento só será divulgado no fim do mês.

O novo bloqueio é decorrente de um aumento na previsão de gastos com aposentadorias do INSS. Os gastos com a Previdência são despesas obrigatórias. Como há um limite imposto pelo teto, quando essas despesas sobem, é preciso bloquear gastos não obrigatórios (como investimentos e custeio da máquina).

Os gastos com a Previdência subiram R$ 5,6 bilhões principalmente por conta da redução da fila de pessoas a espera de um benefício.

Instabilidade
Até este mês, haviam bloqueados R$ 12,7 bilhões em despesas. Um decreto publicado por Bolsonaro permitiu a liberação de R$ 5,6 bilhões, após o adiamento de despesas destinadas para a Ciência e a Cultura.

Há uma instabilidade no processo orçamentário por conta do decreto editado por Bolsonaro. Esse texto permitiu incorporar antecipadamente às projeções os efeitos fiscais de medidas legais adotadas pelo governo. Sem o decreto, as regras orçamentárias obrigavam o governo a aguardar a elaboração deste relatório que será divulgado no dia 22.

O decreto foi uma maneira encontrada de liberar principalmente emendas parlamentares, cujo bloqueio vinha gerando insatisfação na base aliada. Em 29 de agosto, o presidente editou duas medidas provisórias. Uma delas limitar os gastos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) em 2022. A outra adiou os repasses das leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc, de auxílio à cultura em estados e municípios.

Resultado positivo
Por outro lado, o governo anunciou pela primeira vez a previsão oficial de que haverá um superávit nas contas públicas neste ano, mesmo com todos os gastos extras feitos ao longo do segundo semestre, como o Auxílio Brasil de R$ 600.

A estimativa é de uma folga de R$ 13,5 bilhões. Será a primeira vez que as contas fecham no azul desde 2013 — desde então, o governo vem acumulando déficit fiscal.

Baleia-jubarte é encontrada morta na praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho

Uma baleia-jubarte foi encontrada morta na praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, no Litoral Sul de Pernambuco, na última terça-feira (20). O animal estava em estado de decomposição, segundo contou à reportagem o ambientalista voluntário Adriano Artoni.-

“Ela vinha em decomposição avançada entre três e cinco dias. Pedaços dela foram parar nas praias de Candeias, de Barra de Jangada, até ela encalhar no Paiva. Ali tem muitas dunas de areia no mar, e como o mar secou, facilitou para ela encalhar”, explicou o funcionário da Secretaria de Meio Ambiente de Jaboatão dos Guararapes.

Ainda de acordo com Artoni, a baleia, provavelmente, é uma fêmea adulta, com 12,7 metros e aproximadamente dez toneladas. Não foi possível saber a causa da morte. No entanto, amostras da baleia como tecido, músculo e gordura foram coletados para estudos de especialistas do Centro de Conservação de Mamíferos Aquáticos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (CMA-ICMBio) e para o Laboratório de Estudos Herpetológicos e Paleoherpetológicos (LEHP) da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Como o animal de grande porte foi encontrado em uma praia de seu território, a prefeitura do Cabo de Santo Agostinho foi acionada para fazer o procedimento de retirada da baleia e destiná-la a um local correto. Artoni explica que nessas ocasiões, os animais são em valas na praia, onde podem ser facilmente encontrados para outros estudos, além de virar alimento para as demais espécies marinhas.

Instagram testa filtro contra nudes na DM; entenda como deve funcionar

O Instagram começou a testar um filtro contra nudes enviadas por meio das DMs (sigla para “Mensagens Diretas”, traduzida do inglês).

O filtro deve borrar as imagens que tenham tido nudez detectada. Os usuários conseguirão visualizar as fotos caso queiram e o filtro será opcional.

A informação foi confirmada pelo site especializado The Verge, depois que o programador Alessandro Paluzzi publicou uma imagem do que seria a explicação da plataforma aos usuários sobre a nova funcionalidade.

“Essa tecnologia não permite que a Meta veja as mensagens privadas de ninguém, nem que elas sejam compartilhadas com a gente ou com qualquer outra pessoa”, afirmou o Instagram ao g1.

Esforço por moderação
Nos últimos meses, o Instagram tem investido em ferramentas para que usuários possam moderar e filtrar o conteúdo dentro da plataforma.

Em agosto do ano passado, a rede social anunciou atualizações para limitar comentários e mensagens ofensivos na rede social.

Neste ano, a plataforma começou a limitar conteúdo sensível para adolescentes e criou a “Central da Família”, onde pais podem monitorar quanto tempo os filhos gastam e quais páginas e publicações eles denunciam.

No Brasil, enviar nudes sem permissão pode ser enquadrado no crime de importunação sexual, que tem pena de até cinco anos de prisão.

STF decide que é dever do Estado garantir vaga em creche e pré-escola

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (22) que é dever do Estado garantir vagas em creches e pré-escolas a crianças de 0 a 5 anos de idade.

Essa garantia já é prevista na Constituição. No caso julgado, no entanto, o município de Criciúma (SC) defendia que o poder público deveria cumprir esse papel na medida de suas possibilidades, já que nem sempre há recursos suficientes. Além disso, dizia que o Poder Judiciário não poderia interferir nos planos e metas municipais.

O plenário fixou a tese de que a educação básica é direito fundamental assegurado por normas constitucionais de “eficácia plena e aplicabilidade imediata” e declarou que vagas em creches e pré-escolas podem ser exigidas individualmente por meio de ações na Justiça.

“O poder público tem o dever jurídico de dar efetividade integral às normas constitucionais sobre acesso à educação básica”, entendeu o plenário.

O recurso tem repercussão geral, ou seja, a decisão do STF deverá ser seguida pelas demais instâncias do Judiciário do país.

Na sessão desta quarta (21), seis ministros já haviam votado a favor de confirmar a garantia constitucional – mas ainda havia divergência sobre o estabelecimento, ou não, de condições para o cumprimento da regra. Nesta quinta, o plenário decidiu não estabelecer condicionantes.

Votos
O relator do caso, ministro Luiz Fux, votou para que a administração pública seja obrigada a matricular crianças de 0 a 5 anos em pré-escola ou creche, desde que ficasse comprovado que houve pedido administrativo prévio não atendido em prazo razoável e a incapacidade financeira de arcar com o custo. Ao final, o ministro concordou com a tese sem a inclusão de condições.

Segundo Fux, a incapacidade financeira do estado não pode custar o direito à educação básica. Além disso, uma decisão do STF serviria para vincular outros juízes a seguir esse mesmo entendimento e não negar as vagas. “A educação representa prerrogativa constitucional indisponível”, afirmou o ministro.

O ministro André Mendonça acompanhou o relator, mas argumentou que devem ser garantidas as vagas de forma imediata para crianças a partir de quatro anos e, de forma gradual para crianças de até 3 anos, garantindo um percentual mínimo de 50% da demanda até 2024, com base no plano nacional de educação.

Nunes Marques também acompanhou Fux, argumentando que “a ausência dessa assistência [nessa fase da vida da criança] implica danos irreparáveis para o desenvolvimento futuro do indivíduo e, consequentemente, do país”.

Alexandre de Moraes defendeu que a garantia de educação infantil é dever do Estado, mas ponderou que a situação financeira dos governos poderia inviabilizar a efetividade de uma decisão mais extrema. O ministro afirmou que não se pode tratar da mesma maneira a inércia do estado e a impossibilidade financeira de arcar com as vagas. “O prefeito não pode nem abrir licitação porque não tem dinheiro para isso”, disse.

Média móvel de mortes por Covid no Brasil volta a estabilidade após 18 dias em queda

O Brasil registrou nesta quinta-feira (22) 69 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, totalizando 685.725 desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias é de 65. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de -15%, indicando tendência de estabilidade após 18 dias seguidos em queda.

Brasil, 22 de setembro
Total de mortes: 685.725
Registro de mortes em 24 horas: 69
Média de mortes nos últimos 7 dias: 65 (variação em 14 dias: -15%)
Total de casos conhecidos confirmados: 34.659.526
Registro de casos conhecidos confirmados em 24 horas: 7.784
Média de novos casos nos últimos 7 dias: 6.592 (variação em 14 dias: -21%)

No total, o país registrou 7.784 novos diagnósticos de Covid-19 em 24 horas, completando 34.659.526 casos conhecidos desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de casos nos últimos 7 dias foi de 6.592 –a menor registrada desde 29 de dezembro (quando estava em 6.022). A variação foi de -21% em relação a duas semanas atrás.

Em seu pior momento, a média móvel superou a marca de 188 mil casos conhecidos diários, no dia 31 de janeiro deste ano.

Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Sergipe e Tocantins não registraram qualquer morte pela doença no período de 24 horas. Piauí, Rio Grande do Norte e Roraima não divulgaram atualização de casos e mortes até o fechamento deste boletim.

Em alta (3 estados): AP, MA, SP
Em estabilidade (7 estados e o DF): AC, RO, TO, DF, PB, RS, MG, PR
Em queda (13 estados): MT, BA, PE, GO, SC, RJ, MS, ES, AM, CE, PA, SE, AL
Não divulgaram (3 estados): PI, RN, RR

Urnas eletrônicas serão distribuídas para os locais de votação em Pernambuco a partir do dia 30

As 24.105 urnas eletrônicas que serão utilizadas no Estado nas eleições do próximo dia 2 de outubro começarão a ser distribuídas para os locais de votação a partir do dia 30. O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), que já tem 26 anos de experiência em voto eletrônico, iniciou nesta quarta-feira o processo de preparação desses equipamentos. Os trabalhos seguem até o dia 27, em 18 polos.

De acordo com o cronograma, a preparação, que teve início na Seção de Gestão de Eleições Informatizadas, no bairro do Bongi, Zona Oeste do Recife, contemplou primeiro as zonas eleitorais 4ª, 10ª e 138ª.

A quarta zona, na capital, é a que tem o maior número de urnas. São 342, incluindo as nove do Arquipélago de Fernando de Noronha. A décima zona, em Bairro Novo, Olinda, tem 307 urnas e a 138ª zona eleitoral, em Camaragibe, no Grande Recife, reúne 160 equipamentos.

Segundo Cynara Casé, servidora do tribunal e suporte tecnológico na Região Metropolitana, as urnas são alimentadas através de um pendrive carregado com todas as informações sobre as seções, os eleitores e os candidatos.

“Aí fazemos todos os testes e a urna é lacrada com dados dos juízes eleitorais e do Ministério Público e estará pronta para o dia da eleição”, ressalta Cynara Casé. Cada equipamento recebe oito lacres.

Uma equipe de 557 técnicos está responsável por inserir as informações e testar os equipamentos. Das 24.105 urnas preparadas no Estado, 1.690 são de contingência, utilizadas apenas em caso de necessidade de substituição. Depois de prontas, elas ficam armazenadas sob escolta policial.

“Não há nenhum risco de a urna ser violada. Não tem ligação com internet, não tem bluetooth. Hackers de todo o país tentaram vulnerabilizar e não conseguiram. Então, o eleitor pode ficar tranquilo”, garante o secretário de tecnologia da informação do TRE-PE, George Maciel. “O eleitor só deve se preocupar em analisar as propostas e escolher bem seus candidatos”, alertou.

O presidente do TRE-PE, desembargador André Guimarães, assegurou que todo o processo de preparação e execução das urnas é cercado de transparência, confiabilidade e segurança que os 7.018.098 eleitores de Pernambuco não devem ter qualquer preocupação,

“A responsabilidade do eleitor é cívica, é a de votar no dia da eleição. Não há motivo para temer. O povo pode ter a convicção de que o resultado a ser divulgado será, sem qualquer sombra de dúvida, o resultado da soberania popular”, destaca o presidente do tribunal..

A preparação das urnas é realizada simultaneamente em todo o País, seguindo o calendário determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O procedimento é aberto ao público e pode ser acompanhado por juízes eleitorais, promotores de justiça, integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), representantes de partidos, coligações, federações e candidatos.

Em carta, criança de 9 anos relata ter sido estuprada pelo pai e avô: ‘Doía muito, mas ele continuava’

Uma criança de 9 anos denunciou ter sofrido abuso sexual do próprio pai e do avô em São José dos Campos, no interior de São Paulo. O caso foi denunciado em junho deste ano e segue em investigação, sem ninguém ter sido preso. A criança faz acompanhamento psicológico e relatou o abuso em uma carta.

Os abusos foram descobertos pela mãe da menina, enquanto ela lavava roupas. Até então, a mãe nunca desconfiou que a criança estivesse sendo violentada.

“Eu estava lavando roupa, quando encontrei uma calcinha dela com manchas de sangue. Estranhei, porque ela ainda não menstrua e conversando ela revelou que o sangue era dos machucados que o pai e o avô haviam causado na região íntima dela, ao estuprá-la”, contou a mãe.

A criança narrou que o pai abusava dela desde os cinco anos de idade, já o avô teria iniciado a violência há cerca de dois anos.

“Durante muito tempo trabalhei em shopping e por isso o pai ficava cuidando das crianças aos finais de semana. Os abusos aconteciam justamente quando eu estava trabalhando e ele ficava em casa. Já com o avô, os abusos aconteciam quando eu precisava que ele buscasse ela na escola”, disse.

O caso foi denunciado na Delegacia da Mulher de São José dos Campos e é investigado pela Polícia Civil. O pai da menina fugiu após a denúncia.

“Assim que descobri corri com ela para a delegacia e prestei queixa contra o pai dela e o avô. Mesmo com provas e o exames que compravam o abuso, por telefone o pai dela me chamou de louca, dizia que não tinha feito nada e antes que eu voltasse da delegacia ele já havia fugido. Foi embora levando só a roupa do corpo e a habilitação. Foi muito chocante e doloroso descobrir isso, porque eram duas pessoas que eu confiava e que nunca desconfiei que pudessem fazer algo assim”, afirmou.

A Justiça expediu uma medida protetiva para a criança, para que o pai e o avô não se aproximem da menina. Agora ela faz acompanhamento psicológico e também tratamento médico, para se recuperar das lesões físicas e prevenir doenças sexualmente transmissíveis que ela possa ter tido contato.

“Eu não tive nem coragem de olhar na cara do avô da minha filha. Ele é meu pai, eu o admirava. Também amava meu marido. É revoltante. Quero que os dois paguem pelo que fizeram, os dois são culpados. É uma coisa que não tem explicação”, contou.

De acordo com a Polícia Civil, o pai da menina tem 33 anos e trabalhava como gesseiro. Ele está sendo investigado pelo crime, mas ainda não foi localizado para prestar depoimento. Uma medida protetiva foi expedida, que proíbe a aproximação dele com a filha.

O avô tem 78 anos, é um pedreiro aposentado e também é investigado pelo crime. Ele já prestou depoimento sobre o caso e nega os abusos.

Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que a caso segue sendo investigado, sob sigilo, na Delegacia da Mulher de São José dos Campos. A equipe da unidade ouviu a representante da vítima e aguarda o resultado dos laudos periciais para análises e esclarecimentos dos fatos.

Novo terremoto sacode a Cidade do México

Um terremoto de magnitude 6,8 atingiu o México nesta quinta-feira (22), sacudindo prédios na Cidade do México, poucos dias depois de outro forte tremor matar duas pessoas e danificar centenas de prédios no país.

Moradores da Cidade do México saíram às pressas de suas casas quando o alarme do terremoto soou e os prédios estremeceram.

O governo da cidade confirmou a morte de uma mulher que perdeu a vida ao bater a cabeça quando descia as escadas de seu prédio tentando chegar à rua.

A prefeita da Cidade do México, Claudia Sheinbaum, disse no Twitter pouco depois que não havia relatos iniciais de danos na cidade.

O terremoto, que o Serviço Geológico dos EUA (USGS) mediu pela primeira vez em magnitude 7,0, foi registrado a uma profundidade de 20,7 km, um pouco mais profundo do que o tremor de segunda-feira (19).

Na segunda-feira, aniversário dos terremotos mortais em 1985 e 2017, um terremoto de magnitude 7,6 atingiu o oeste do México, matando duas pessoas no porto de Manzanillo, no Pacífico.

Governo reduz tributação sobre viagens de brasileiros ao exterior

O presidente Jair Bolsonaro (PL), que é candidato à reeleição, editou uma medida provisória (MP) para reduzir alíquotas de Imposto de Renda (IR) retido na fonte para pagamentos relacionados a viagens de brasileiros ao exterior, informou a Secretaria-Geral da Presidência da República nesta quarta-feira (21). O governo não divulgou a íntegra da MP, que sai a menos de duas semanas da eleição.

A lei determina o pagamento de Imposto de Renda sobre os valores remetidos para pessoa física ou jurídica residente no exterior, quando esse recurso é destinado à cobertura de gastos pessoais, fora do país, de pessoas residentes no Brasil. Isso faz com que uma empresa de turismo que pague a um estrangeiro para atender brasileiro em viagem, por exemplo, tenha que descontar Imposto de Renda sobre esse gasto. É a alíquota desse imposto que está sendo reduzida.

De acordo com o comunicado, a redução valerá para os pagamentos de até o limite de R$ 20 mil por mês.

A alíquota cairá de 25% para 6% em 2023 e 2024. Nos anos seguintes, haverá um crescimento escalonado da cobrança, passando para 7% em 2025, 8% em 2026 e 9% em 2027. O governo não informou a renúncia fiscal prevista.

Segundo a Secretaria-Geral, a medida vai gerar uma maior dinamização das atividades do setor de turismo, melhorando a competitividade das agências com sede no Brasil para que possam concorrer com as agências online sediadas no exterior.

“A medida institui benefício que permite a concorrência justa entre as empresas de turismo que atuam no setor de viagens, fortemente impactado pela pandemia, a fim de, com isso, evitar o fechamento de empresas com sede no país e também manter e gerar empregos”, disse a pasta em nota.

Benefícios para empresas
Uma outra medida provisória isenta estrangeiros do pagamento de Imposto de Renda nos ganhos com investimentos em títulos privados. Esse é um desejo antigo do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Atualmente, investidores estrangeiros pagam imposto de 15% sobre ganhos de capital em títulos emitidos por empresas, mas estão isentos do imposto para investimentos no mercado de ações brasileiras e também em títulos públicos. Agora, o pagamento fica zerado.

Para o governo, é preciso dar um tratamento equânime e não faria sentido manter a cobrança de imposto apenas para títulos privados. Técnicos citam constantemente que os investimentos previstos nas concessões, como rodovias e ferrovias, precisam ser financiados — e isso pode ser feito por meio de títulos privados.

Os brasileiros pagam de 15% a 22,5% de alíquota de imposto de renda sobre retornos de títulos privados, dependendo do prazo de resgate.

“A urgência também decorre do tempo e planejamento necessários à emissão de títulos de dívida pelas empresas. A partir da publicação da medida provisória, com a sinalização da mudança de tratamento tributário para os investidores não residentes, as companhias começarão a se preparar para emitir títulos de modo a se valer dessa nova fonte de recursos”, afirma o governo.

A redução das alíquotas só começa em 2023. A implementação da medida implica renúncia de receita da ordem de R$ 1,2 bilhões em 2023; R$ 1,4 bilhões para 2024; e de R$ 1.6 bilhões para 2025.

Brasil corre risco muito alto de reintrodução da poliomielite, diz Opas

A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) disse nesta quarta-feira (21) que Brasil, República Dominicana, Haiti e Peru correm um risco muito alto de reintrodução da poliomielite, em meio à queda na cobertura regional de vacinação contra a doença para cerca de 79%, o menor desde 1994.

Atualmente, o Brasil está em campanha de vacinação contra a doença e, diante da baixa adesão, o Ministério da Saúde prorrogou a iniciativa até 30 de setembro. O prazo inicial da campanha que começou em 8 de agosto era até a sexta-feira (9).

A campanha nacional contra a pólio busca alcançar crianças menores de 5 anos que ainda não foram vacinadas com as primeiras doses do imunizante (que é aplicado as 2, 4 e 6 meses de idade, via injeção intramuscular) e incentivar a aplicação da dose de reforço, que acontece por meio da conhecida gotinha.

A doença, também chamada de paralisia infantil, tem certificado de erradicação no país desde 1994, mas a baixa cobertura vacinal nos últimos anos preocupa especialistas.

Irã restringe acesso à internet após quinto dia de protestos

O governo restringiu o aceso à internet no país nesta quarta-feira (21), de acordo com relatos de residentes e do observatório de atividade da rede de computadores NetBlocks. Esse é o quinto dia de protestos por causa que uma mulher morreu após ser presa pela polícia dos costumes.

As manifestações começaram depois da morte de Mahsa Amini, de 22 anos, uma curda que foi presa por não estar vestida adequadamente (ou seja, ela não estava cobrindo o rosto).

Restrições à internet
De acordo com a NetBlocks e com moradores do país, o acesso foi restrito ao Instagram, a única grande rede social que o Irã permite e que tem milhões de usuários.

Os usuários do WhatsApp disseram que só conseguem enviar texto, mas não imagens.

Há relatos de que na província onde há mais curdos, a internet inteira foi cortada.

A Meta Platforms, dona do Instagram e do WhatsApp, não respondeu imediatamente a um pedido de informações.

Mulheres queimam os véus
A morte de Amini desencadeou manifestações em que se reclama da falta de liberdades no país.

Mulheres queimaram seus véus durante os protestos, e algumas delas cortaram o cabelo em público.

A primeira manifestação aconteceu no enterro de Amini, na região curda do país. Depois disso, se espalharam pelo Irã —foi então que as forças de segurança começaram a reprimir os atos públicos.

Mortes nos protestos
O grupo de direitos humanos curdo Hengaw afirma que 7 manifestantes foram mortos pelas forças de segurança nos cinco dias de protestos. Na terça-feira, forma 3 mortos. Autoridades negaram que as forças de segurança tenham matado manifestantes.

Dados oficiais sobre os protestos
A agência de notícias oficial IRNA disse que um assistente de polícia morreu por causa de ferimentos na cidade de Shiraz. Um funcionário citado pela IRNA disse que 15 manifestantes foram presos na cidade.

Na cidade de Kermanshah, o promotor Shahram Karami disse que 2 pessoas foram mortas na terça-feira em distúrbios. Ele culpou dissidentes armados, porque as vítimas foram “mortas por armas não usadas pelo aparato de segurança”, disse a agência de notícias semi-oficial Fars.

O chefe de polícia do Curdistão, em comentários à agência de notícias semi-oficial Tasnim, confirmou 4 mortes no início desta semana na província. Ele disse que as vítimas foram baleadas com um tipo de bala não usada pelas forças de segurança, e que “gangues” queriam culpar a polícia e as autoridades de segurança.

Governo pediu desculpas pela morte
Amini entrou em coma e morreu enquanto esperava com outras mulheres detidas pela polícia moral, que impõe regras rígidas no Irã exigindo que as mulheres cubram os cabelos e usem roupas folgadas em público.

Seu pai disse que ela não tinha problemas de saúde e que ela sofreu contusões nas pernas sob custódia. Ele responsabiliza a polícia pela morte dela. A polícia negou ter feito mal a ela.

O comissário da ONU para os Direitos Humanos pediu uma investigação imparcial sobre sua morte e alegações de tortura e maus-tratos.

Um assessor do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, prestou condolências à família de Amini nesta semana. Ele prometeu acompanhar o caso e disse que Khamenei estava magoado com a morte.