Search

Tropas da Dinamarca desembarcam na Groenlândia em meio a ameaças de Trump

Tropas da Dinamarca desembarcam na Groenlândia em meio a ameaças de Trump |  CNN Brasil

Um avião da Força Aérea Real Dinamarquesa pousou no aeroporto de Nuuk, capital da Groenlândia, no fim da noite de quarta-feira (14), e militares em trajes de combate desembarcaram, conforme relatado por uma testemunha da agência de notícias Reuters.

Segundo o Comando Conjunto do Ártico, as Forças Armadas Dinamarquesas apoiarão a preparação de exercícios militares.

A Dinamarca e a Groenlândia anunciaram na quarta-feira (14) que começaram a aumentar sua presença militar na Groenlândia e arredores, em estreita cooperação com seus aliados.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou na quarta-feira que os EUA precisam da Groenlândia e que não se pode contar com a Dinamarca para proteger a ilha, embora tenha afirmado que “algo será resolvido” em relação à futura governança do território ultramarino dinamarquês.

Alemanha, Suécia, França e Noruega confirmaram o envio de militares para a Groenlândia esta semana para um exercício conjunto com tropas dinamarquesas. Canadá e França também anunciaram planos para abrir consulados em Nuuk, capital da Groenlândia, nas próximas semanas.

Não é incomum que países da Otan enviem tropas para treinar em outros países-membros, e há anos existe uma pressão por parte dos aliados, incluindo os EUA, para intensificar os exercícios conjuntos no Círculo Ártico.

Os EUA têm cerca de 150 soldados estacionados na Base Espacial de Pituffik, no noroeste da Groenlândia.

Mas tanto o momento quanto o simbolismo dos últimos anúncios das nações europeias representam uma demonstração significativa de solidariedade em um momento de tensão sem precedentes dentro da Otan.

Venezuelano é baleado por agente de imigração nos EUA

Agentes federais da lei e policiais com equipamento antimotim confrontam manifestantes após o assassinato de um venezuelano por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em Minneapolis, Minnesota, em 14 de janeiro de 2026.  (Foto de Octavio Jones / AFP)/ AFP

Um agente federal de imigração atirou em um venezuelano na quarta-feira (14) em Mineápolis, informaram autoridades locais, que pediram para população“manter a calma”. O ataque acontece uma semana após a morte de uma mulher nessa mesma cidade dos Estados Unidos, também assassinada a tiros por um agente federal.

Enquanto o indivíduo e o agente policial lutavam no chão, duas pessoas saíram de um apartamento próximo e também atacaram o agente com uma pá de neve e um cabo de vassoura”, informou o DHS.

O agente “efetuou um disparo defensivo para proteger sua vida” e feriu na perna o primeiro indivíduo.

Esse fato ocorre após Renee Nicole Good, uma americana de 37 anos, ter sido morta em seu carro em 7 de janeiro por tiros de um agente do ICE durante uma operação contra migrantes em Mineápolis.

Desde que voltou à Casa Branca em janeiro de 2025, Trump tem impulsionado uma onda de deportações em massa, uma de suas promessas de campanha.

Autoridades de Mineápolis e do estado de Minnesota criticam as ações dos agentes do DHS, incluindo os do ICE.

Em um vídeo publicado na quarta-feira nas redes sociais, o governador de Minnesota, Tim Walz, denunciou “o caos, a interferência e o trauma que o governo federal está despejando sobre nossa comunidade”, descrevendo interrogatórios de porta em porta realizados por agentes do ICE “armados, mascarados e com pouca capacitação”.

Irã nega que manifestante Erfan Soltani será executado

Erfan Soltani, manifestante preso e condenado à morte no Irã/Reprodução/Redes sociais

Erfan Soltani, detido durante os recentes protestos no Irã e que, segundo várias ONGs e o governo dos Estados Unidos, enfrentava uma execução iminente, não foi condenado à pena capital nem está sujeito a ela, informou o Poder Judiciário nesta quinta-feira(15).

A República Islâmica é palco de manifestações que começaram devido ao aumento do custo de vida, mas se ampliaram em um movimento contra o regime teocrático que governa o país desde a revolução de 1979.

Grupos de direitos humanos denunciaram que as autoridades iranianas vêm conduzindo a repressão mais severa em anos no país, aproveitando um corte de internet de mais de cinco dias.

Soltani está preso em Karaj, perto de Teerã, sob acusações de propaganda contra o regime islâmico iraniano e de agir contra a segurança nacional, informou o órgão judiciário em comunicado divulgado pela televisão estatal.

O jovem “não foi condenado à morte” e, em caso de condenação, “a punição, de acordo com a lei, será uma pena de prisão, pois a pena de morte não se aplica a tais acusações”, afirma o texto.

Tanto a Anistia Internacional quanto o Departamento de Estado americano haviam declarado dispor de informações sobre o que seria a primeira execução de um manifestante e disseram que se tratava de Soltani.

O grupo de direitos humanos Hengaw, com sede na Noruega, informou que a execução por enforcamento do jovem estava marcada para quarta-feira, mas acabou sendo adiada.

Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), também sediada na Noruega, as forças de segurança iranianas mataram, durante os recentes protestos, pelo menos 3.428 manifestantes e prenderam mais de 10.000 pessoas, embora o balanço real provavelmente seja muito maior.

O Poder Judiciário do Irã havia anunciado na quarta-feira que implementaria julgamentos “rápidos” para os detidos nas mobilizações contra o regime.

EUA: suspensão de vistos a 75 países não se aplicará a trabalho ou turismo

Detalhe de visto dos Estados Unidos
/kstudio/Freepik

A suspensão pelo Departamento de Estado dos EUA de vistos de imigração para cidadãos de 75 países começará a valer a partir de 21 de janeiro e não se aplicará a candidatos que buscam vistos de não-imigrante, categoria que inclui vistos temporários de turismo ou negócios e compõe a grande maioria dos solicitantes.

O secretário de Estado, Marco Rubio, disse que instruiu os oficiais consulares a interromper as aplicações de vistos de imigração dos países afetados – como Brasil, Afeganistão, Irã, Rússia e Somália. A orientação segue uma ordem mais ampla, emitida em novembro de 2025, que endureceu as regras em torno de potenciais imigrantes que possam se tornar “encargos públicos” nos EUA.

O departamento suspenderá o processamento de vistos de imigrantes de 75 países cujos migrantes recorrem a programas de assistência social pagos pelo povo americano em “taxas inaceitáveis”, afirmou a embaixada dos EUA no Brasil na rede X.

“O congelamento deve ficar em vigor até que os EUA possam garantir que os novos imigrantes não extrairão riqueza do povo americano”, acrescentou.

A embaixada ainda pontuou que Washington está trabalhando para garantir que a generosidade do povo norte-americano “não seja mais abusada” e que a administração Trump sempre colocará os “EUA em primeiro lugar”.

‘Não haverá enforcamentos hoje nem amanhã’, afirma chanceler do Irã

Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi/Foto: Reprodução/X

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou nesta quarta-feira (14) que não haverá execuções “nem hoje nem amanhã”, apesar de promessas anteriores de Teerã de acelerar os julgamentos contra manifestantes antigovernamentais.

Em entrevista à emissora americana Fox News, Araghchi insistiu que, após dez dias de protestos contra o custo de vida no Irã, houve três dias de violência orquestrada por Israel, e que a calma já havia sido restabelecida.

“Tenho certeza de que não há nenhum plano para realizar enforcamentos”, afirmou Araghchi.

Irã fecha espaço aéreo para todos os voos internacionais

Captura de imagem do site FlightRadar24 mostra espaço aéreo do Irã esvaziado em 14 de janeiro de 2025 — Foto: Reprodução/FlightRadar24

Autoridades do Irã comunicaram às companhias aéreas nesta quarta (14) o fechamento de seu espaço aéreo para todos os voos internacionais, exceto aqueles com origem ou destino a Teerã. Por volta das 18h30 no horário de Brasília, os sites de monitoramento aéreo mostravam poucos voos no espaço aéreo controlado por Teerã.

A medida foi adotada em meio às tensões entre o Irã e os Estados Unidos. O presidente Donald Trump tem sugerido que pode autorizar uma intervenção militar durante a onda de protestos no país.

Mais cedo, as autoridades da Alemanha emitiram uma diretiva alertando as companhias aéreas do país para que evitassem entrar no espaço aéreo iraniano, informou o site Flightradar24, especializado em monitoramento de tráfego de aeronaves.

Situação perigosa no Irã “É recomendado que os operadores aéreos civis alemães não entrem na FIR Teerã (OIIX)“, diz o comunicado, em referência ao código do espaço aéreo iraniano. “Risco potencial à aviação devido à escalada de conflitos e armamento antiaéreo.”

FIR (“Flight Information Region”, ou Região de Informação de Voo) é uma região do espaço aéreo sob o controle de uma determinada entidade, responsável pelo serviço de controle de tráfego no local.

Alguns voos chegaram a dar meia volta para sair da FIR Teerã, como o UAE325, da Emirates, que vinha de Seul com destino a Dubai, mas passou a fazer a rota contrária sobre o Turcomenistão.

O voo AUV7742, da FlyOne, entre Medina e Tashkent, pareceu retornar sobre o Golfo Pérsico.

‘Últimos dias e semanas’

Na terça, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, disse achar que o regime dos aiatolás, que governam o Irã, está em seus “últimos dias e semanas“.

Presumo que agora estejamos testemunhando os últimos dias e semanas desse regime“.

Em visita à Índia, Merz disse ainda que a repressão violenta por parte das forças de segurança a manifestantes no país mostram a perda de confiança do regime dos aiatolás. “Quando um regime só consegue manter o poder por meio da violência, então ele está efetivamente no fim. A população agora está se levantando contra esse regime“.

Merz afirmou também que a Alemanha está em contato próximo com os Estados Unidos e governos europeus sobre a situação no Irã, e pediu a Teerã que acabe com a repressão mortal aos manifestantes.

Número de mortes supera 3.000

O número de mortos nos protestos contra o regime Khamenei no Irã subiu para mais de 3.400 pessoas, segundo atualização desta quarta-feira de uma ONG de direitos humanos que acompanha a situação no país.

O novo balanço dos protestos no Irã, que escalaram em dimensão e violência nos últimos dias e já ocorrem por todo o país, foi divulgado pela ONG Direitos Humanos no Irã (IHR, na sigla em inglês), baseada na Noruega, mas que monitora os protestos por meio de fontes dentro do território iraniano.

Segundo a ONG, o total de mortos apurado até o momento é de pelo menos 3.428 pessoas, sendo 3.379 manifestantes. O balanço foi obtido pela organização por meio de fontes no Ministério da Saúde iraniano e se refere ao dias 8 a 12 de janeiro, apenas.

O número real de mortes, no entanto, deve ser ainda maior, segundo ONGs, porém a apuração está sendo dificultada por conta de um bloqueio à internet no Irã imposto pelo regime Khamenei.

Diversos relatos de testemunhas veiculados por ONGs, agências de notícias e pela imprensa internacional descreveram a violência adotada pelas forças de segurança iranianas e falam que um massacre e execuções extrajudiciais estariam ocorrendo no país. Além dos mortos, mais de 18 mil manifestantes foram presos pelo regime Khamenei, segundo a ONG norte-americana HRANA, que também monitora a situação.

Trump ameaça intervir militarmente no Irã por conta das mortes de manifestantes pelas forças de segurança de Khamenei, e disse na terça-feira que “a ajuda está a caminho”. Atualmente, ele avalia opções militares contra o país e a mídia dos EUA acredita que um ataque ao Irã é iminente. Em resposta, Teerã denunciou os EUA à ONU e acusou Washington de forjar um pretexto para buscar uma mudança de regime no país.

O Irã afirmou nesta quarta que atacará bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio caso seja bombardeado e já avisou os países vizinhos sobre a decisão, afirmou um oficial iraniano de alto escalão à agência de notícias Reuters. Já os EUA começaram a evacuar soldados de algumas de suas principais bases militares no Oriente Médio, segundo a Reuters.

O presidente dos EUA, Donald Trump, dirigiu-se diretamente aos manifestantes antirregime do Irã na terça-feira (13), pedindo para que eles guardassem os nomes “dos assassinos e dos que estão maltratando vocês”.

“E, aliás, a todos os patriotas iranianos, continuem protestando, tomem as instituições se vocês puderem, e guardem os nomes dos assassinos e dos que estão maltratando vocês“, disse Trump, durante um discurso em Detroit. “Eles vão pagar um preço muito alto“, concluiu o presidente, que disse que “uma morte [de manifestante] já é demais“.

Foi a segunda vez no dia em que ele mandou uma mensagem aos iranianos que estão nas ruas contra a ditadura liderada pelo aiatolá Ali Khamenei. Mais cedo, ele pediu que eles seguissem protestando e afirmou que a “ajuda” dos EUA “está a caminho”.

Patriotas iranianos, continuem protestando. Derrubem suas instituições. (…) A ajuda está a caminho“, declarou.

Foi a primeira mensagem direta aos manifestantes feita pelo presidente norte-americano, que vem ameaçando intervir no país do Oriente Médio caso as repressões aos protestos sigam sendo feitas de forma violenta.

Pouco depois, ao ser indagado por uma repórter sobreo o que ele quis dizer com “ajuda“, Trump respondeu: “Você vai ter que adivinhar depois, me desculpe”.

Trump também voltou a utilizar o slogan MIGA, em referência a seu lema “Make America Great Again” (MAGA), só que trocando os EUA pelo Irã.

Trump vem dizendo que pode voltar a fazer ataques diretos ao território iraniano como represália, retomando uma escalada de tensões entre os dois países. O presidente norte-americano receberá nesta terça-feira de sua equipe um relatório de possíveis ações militares que ele pode tomar contra o Irã.

Questionado nesta terça sobre se fará ataques ao Irã, o presidente norte-americano respondeu: “Vocês terão que descobrir”.

Nesta terça, uma fonte do governo iraniano disse à agência de notícias Reuters que cerca de 2.000 pessoas já morreram nos protestos. O país está isolado do mundo após o regime Khamenei ter cortado a internet. Moradores do país relataram que forças de segurança estão atirando diretamente contra os manifestantes.

As manifestações no Irã evoluíram queixas sobre a crise econômica do país para pedidos de queda da chamada República Islâmica, ou o regime dos aiatolás, que governam o Irã desde 1979.

‘Venezuela se abre a um novo momento político’, diz presidente interina após queda de Maduro

Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez/JUAN BARRETO / AFP

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta quarta-feira (14) que seu país “se abre para um novo momento político“, em pleno processo de excarcerações após a derrubada de Nicolás Maduro em um bombardeio americano.

O governo interino de Rodríguez anunciou em 8 de janeiro um processo de excarceração de um número “importante” de presos políticos sob pressão dos Estados Unidos, após a captura de Maduro em 3 de janeiro, em uma incursão militar.

A mensagem é uma Venezuela que se abre para um novo momento político, que permita o entendimento a partir da divergência e da diversidade político-ideológica“, disse Rodríguez a jornalistas no Palácio Presidencial de Miraflores.

Rodríguez informou 406 libertações de presos políticos desde dezembro, em um processo que, segundo ela, foi iniciado por Maduro.

Mas a ONG especializada Foro Penal contabiliza cerca de 180 excarcerações desde então, ao somar duas rodadas de dezembro e os libertados no processo atual, que avança a conta-gotas.

Uma nova rodada de excarcerações ocorreu nesta quarta-feira, na qual 17 jornalistas e trabalhadores da imprensa foram libertados, entre eles o renomado ativista opositor Roland Carreño.

“Queremos informar que esse processo ainda não foi concluído, ele permanece aberto”, afirmou a mandatária interina.

Rodríguez detalhou que o processo de excarcerações inclui crimes relacionados à “ordem constitucional”, assim como ao “ódio, à violência e à intolerância“, e não “crimes graves” como homicídio e narcotráfico.

Centenas de pessoas foram detidas e processadas sob acusações de “incitação ao ódio” e “traição à pátria“, especialmente em contextos eleitorais e de protestos da oposição.

Alemanha, França, Suécia e Noruega enviarão militares a Groenlândia

Groenlândia /Olivier MORIN/AFP

A Alemanha e a França anunciaram hoje que participarão de uma missão militar europeia na Groenlândia, juntamente com a Noruega e Suécia.

O Ministério alemão da Defesa comunicou que o país enviará na quinta-feira (15) uma equipe de reconhecimento formada por 13 militares à ilha ártica para uma missão de exploração que acontecerá a partir de amanhã até o dia 17 de janeiro. “A convite da Dinamarca, a Alemanha participará de uma missão de exploração na Groenlândia, de 15 a 17 de janeiro de 2026, juntamente com outras nações européias. O objetivo é explorar as condições estruturais para possíveis contribuições militares em apoio à Dinamarca na garantia da segurança na região, por exemplo, no que diz respeito às capacidades de vigilância marítima”, explica a nota.

O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, já adiantou que vários oficiais das Forças Armadas suecas chegam ainda hoje à Groenlândia. “Fazem parte de um grupo de diversos países aliados. Juntos, vão se preparar para os próximos elementos do exercício dinamarquês chamado Operação Arctic Endurance“, explicou Kristersson, assinalando que o envio ocorre a pedido do governo de Copenhagen.

Já o ministro norueguês da Defesa, Tore Sandvik, confirmou o destacamento de dois militares das Forças Armadas do país a Groenlândia para planejar a cooperação futura entre os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Sandvik admitiu que existe um diálogo em curso dentro da OTAN a respeito de como reforçar a segurança no Ártico, incluindo na Groenlândia e nos seus arredores.

Ministros da Dinamarca e Groenlândia em Washington

Na Casa Branca, a reunião do secretário de Estado norte-americano Marco Rubio e do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, com os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, e da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, que durou pouco mais de uma hora não alterou as pretensões dos EUA em controlar a ilha do Ártico.

Não conseguimos mudar a posição dos EUA. É evidente que o presidente tem esse desejo de conquistar a Groenlândia e deixamos muito, muito claro que isso não é do interesse do Reino da Dinamarca. Se trataria de uma violação inaceitável da soberania. A Dinamarca deseja trabalhar em estreita colaboração com os Estados Unidos, mas esta cooperação deve, naturalmente, ser respeitosa”, declarou Rasmcussen.

O chanceler dinamarquês ainda afirmou que destacou no encontro que não há ameaças imediatas da China e da Rússia que a Dinamarca e a Groenlândia, e seus aliados, não possam gerir por si próprios, rejeitando, assim, os argumentos dados por Trump para justificar a sua ambição de anexar o território autônomo da Dinamarca.

No entanto, apesar das divergências, Rasmcussen ressaltou que os EUA, a Dinamarca e a Groenlândia decidiram formar um grupo de trabalho de alto nível para explorar se podemos encontrar um caminho comum a seguir.

Concordamos que faz sentido tentar uma reunião de alto nível para explorar se existem possibilidades de atender às preocupações do presidente Trump, respeitando, ao mesmo tempo, as linhas vermelhas do Reino da Dinamarca. Portanto, este é o trabalho que iniciaremos. Ainda temos uma discordância fundamental, mas também concordamos em discordar e, por isso, continuaremos a conversar. O grupo de trabalho deverá se reunir pela primeira vez dentro de algumas semanas”, indicou Rasmussen.

Acordamos que devemos olhar para o futuro e trabalhar para um acordo mais sólido entre os países“, acrescentou Vivian Motzfeldt.

Trump diz que teve conversa “muito boa” com Rodríguez

Delcy Rodríguez e Donald Trump/JUAN BARRETO / AFP

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que teve uma conversa “muito boa” na manhã desta quarta-feira, 14, com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.

Estamos fazendo um progresso tremendo, enquanto ajudamos a Venezuela a se estabilizar e se recuperar“, disse ele na Truth Social.

Segundo o republicano, muitos tópicos foram discutidos, incluindo petróleo, minerais, comércio e segurança nacional.

Esta parceria entre os Estados Unidos da América e a Venezuela será espetacular PARA TODOS. A Venezuela em breve será grande e próspera novamente, talvez mais do que nunca!“, acrescentou.

Irã avisa países vizinhos que pode atacar bases dos EUA se sofrer ofensiva

O Irã alertou os países vizinhos que abrigam tropas americanas de que retaliará bases dos Estados Unidos caso Washington cumpra as ameaças de intervir nos protestos no país, disse um alto funcionário iraniano à agência de notícias Reuters nesta quarta-feira (14).

Três diplomatas afirmaram que alguns militares foram aconselhados a deixar a principal base aérea americana na região, embora não haja indícios imediatos de uma retirada de tropas em larga escala, como a que ocorreu horas antes do ataque com mísseis iranianos no ano passado.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou intervir em apoio aos manifestantes no Irã, onde um grupo de direitos humanos afirmou que mais de 2.500 pessoas foram mortas nos últimos dias em uma repressão a um dos maiores movimentos de protesto contra o regime teocrático.

Segundo uma avaliação israelense, Trump decidiu intervir, embora o alcance e o momento dessa ação permaneçam incertos, afirmou um oficial israelense.

Três diplomatas disseram à Reuters que alguns militares foram aconselhados a deixar a Base Aérea de Al Udeid, no Catar, até a noite desta quarta-feira.

Um dos diplomatas descreveu a medida como uma “mudança de postura” em vez de uma “retirada ordenada“.

Não havia indícios de uma movimentação em larga escala de tropas da base para um estádio de futebol e um shopping center próximos, como ocorreu no ano passado, horas antes de o Irã atacar a base com mísseis em retaliação aos ataques aéreos americanos contra alvos nucleares iranianos.

A embaixada dos americana em Doha não se pronunciou imediatamente e o Ministério das Relações Exteriores do Catar não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

Trump vem ameaçando abertamente intervir no Irã há dias, embora sem dar detalhes.

Em entrevista à CBS News na terça-feira (13), o presidente americano prometeu “ações muito fortes” caso o Irã execute manifestantes.

Se eles os enforcarem, vocês verão o que acontece“, disse o republicano. Ele também incentivou os iranianos na terça-feira a continuarem protestando e a tomarem o controle das instituições, declarando que “a ajuda está a caminho“.

Uma fonte iraniana, que falou sob condição de anonimato, afirmou que Teerã pediu aos aliados dos EUA na região que “impeçam Washington de atacar o Irã“.

“Teerã informou aos países da região, da Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos à Turquia, que as bases americanas nesses países serão atacadas” caso os EUA ataquem o Irã, afirmou a fonte.

A fonte acrescentou que os contatos diretos entre o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, foram suspensos, refletindo o aumento das tensões.

Uma segunda fonte israelense, funcionário do governo, afirmou que o gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi informado na noite de terça-feira sobre as chances de colapso do regime ou de intervenção dos EUA no Irã.

Israel travou um conflito de 12 dias contra seu arqui-inimigo no ano passado, na qual os Estados Unidos entraram no final.

Os EUA mantêm forças em toda a região, incluindo o quartel-general avançado do Comando Central em Al Udeid, no Catar, e o quartel-general da Quinta Frota da Marinha dos EUA no Bahrein.

Irã mantém contato com Turquia, Emirados Árabes Unidos e Catar

A mídia estatal iraniana informou que o chefe do principal órgão de segurança do Irã, Ali Larijani, conversou com o ministro das Relações Exteriores do Catar e que Araqchi conversou com seus homólogos dos Emirados Árabes Unidos e da Turquia.

Araqchi disse ao ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Abdullah bin Zayed, que “a calma prevaleceu” e que os iranianos estão determinados a defender sua soberania e segurança contra qualquer interferência estrangeira, informou a mídia estatal.

O fluxo de informações do interior do Irã tem sido prejudicado por um bloqueio da internet.

A organização de direitos humanos HRANA, sediada nos EUA, afirmou ter verificado até o momento a morte de 2.403 manifestantes e 147 indivíduos ligados ao governo.

As autoridades iranianas acusaram os Estados Unidos e Israel de fomentar os protestos, realizados por pessoas que consideram terroristas.

Justiça do Irã exige ações rápidas

Ao visitar uma prisão em Teerã onde manifestantes presos estão detidos, o presidente da justiça iraniana afirmou que a celeridade no julgamento e na punição daqueles “que decapitaram ou queimaram pessoas” é crucial para garantir que tais eventos não se repitam.

A HRANA reportou 18.137 prisões até o momento.

O Hengaw, um grupo iraniano de direitos humanos curdo, noticiou que Erfan Soltani, de 26 anos, preso em conexão com os protestos na cidade de Karaj, seria executado nesta quarta-feira (14).

O grupo disse à agência de notícias Reuters nesta quarta-feira que não conseguiu confirmar se a sentença foi cumprida. A Reuters não conseguiu confirmar a informação de forma independente.

Manifestações pró-governo foram realizadas no Irã na segunda-feira (12), demonstrando o apoio de seguidores ao regime teocrático iraniano. Até o momento, não há sinais de ruptura nas forças de segurança que reprimiram outros protestos ao longo dos anos.

Embora as autoridades iranianas tenham resistido a protestos anteriores, a onda atual ocorre em um momento em que Teerã ainda se recupera do conflito de junho de 2025 e com sua posição regional enfraquecida por golpes sofridos por aliados como o Hezbollah, do Líbano, desde os ataques liderados pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.

Questionado sobre o que quis dizer com “a ajuda está a caminho“, Trump disse a repórteres na terça-feira (13) que eles teriam que descobrir. Trump afirmou que a ação militar está entre as opções que ele está considerando para punir o Irã pela repressão.

O assassinato parece ser significativo, mas ainda não sabemos ao certo“, disse o líder americano ao retornar da região de Detroit para Washington, acrescentando que saberia mais após receber um relatório na noite de terça-feira.

Na segunda-feira, Trump anunciou tarifas de importação de 25% sobre produtos de qualquer país que faça negócios com o Irã — um dos principais exportadores de petróleo.

O Departamento de Estado dos EUA recomendou na terça-feira que os cidadãos americanos deixem o Irã imediatamente.

Venezuela deve enviar representante para conversas com EUA, diz site

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, planeja enviar um representante a Washington para se reunir com altos funcionários dos Estados Unidos nesta quinta-feira (15), de acordo com a Bloomberg. No mesmo dia, a líder da oposição venezuelana María Corina Machado visita a capital americana.

O embaixador Félix Plasencia, chefe da missão da embaixada da Venezuela no Reino Unido deve visitar Washington a pedido da presidente interina Delcy Rodríguez, disseram fontes que pediram para não ser identificadas à agência.

Às vésperas da visita do diplomata, a Venezuela soltou pelo menos quatro americanos que estavam detidos no país. A liberação foi a primeira conhecida de cidadãos dos EUA após a captura do ditador Nicolás Maduro. O Departamento de Estado classificou a libertação como “um passo importante na direção certa por parte das autoridades interinas.”

Também nesta quinta-feira, a líder da oposição venezuelana e vencedora do Nobel da Paz, María Corina Machado deve visitar Washington. A expectativa é que ela se reúna com o presidente americano Donald Trump, segundo fontes da Casa Branca.

A visita dela à Casa Branca ocorre depois de Trump ter se recusado a endossá-la para governar a Venezuela diante do ataque que terminou com a captura de Maduro em Caracas.

Pouco depois da operação de 3 de janeiro, Trump disse que seria difícil para Machado liderar a Venezuela, afirmando que ela não tem o apoio nem o respeito do povo.

A vice do regime Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina.

Rede social X volta a ficar acessível na Venezuela após bloqueio de um ano por Maduro

Rede social X / AFP

A Venezuela voltou a ter acesso à rede social X a partir da noite desta terça-feira (13), após o bloqueio ordenado há mais de um ano pelo presidente deposto Nicolás Maduro, na esteira de sua questionada reeleição em julho de 2024.

Maduro suspendeu a plataforma em 9 de agosto de 2024, pouco depois de ser proclamado vencedor das eleições presidenciais em meio a denúncias de fraude.

Ministros, parlamentares e instituições do governo interromperam imediatamente o uso dessa rede social, que era o principal canal de informação do país. Desde então, seu acesso dentro de Venezuela só era possível mediante o uso de uma rede privada, também conhecida como VPN.

A AFP constatou que usuários da operadora telefônica Digitel tinham acesso ao X. Em outras companhias, como Movistar e a estatal Cantv, o acesso à plataforma ainda era parcial.

Altos dirigentes do chavismo – como a presidente interina Delcy Rodríguez e o ministro de Interior Diosdado Cabello – publicaram mensagens mais cedo para informar que estavam retomando o uso do X.

“Retomamos contato por esta via. A Venezuela segue de pé, com força e consciência histórica. Permaneçamos unidos, avançando rumo à estabilidade econômica, à justiça social e ao estado de bem-estar social que merecemos!”, publicou Delcy Rodríguez.

A presidente interina assumiu o poder após a captura de Maduro em 3 de janeiro, durante ataques de forças americanas que deixaram mais de 100 mortos na Venezuela, segundo dados oficiais.

No perfil de Maduro no X também foi publicada uma mensagem com uma fotografia sua ao lado de sua esposa, Cilia Flores. “Queremos eles de volta”, diz o texto da publicação. Ambos estão sendo processados pela Justiça americana por supostas acusações de tráfico de drogas.

Trump é filmado fazendo gesto obsceno durante visita a uma fábrica

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump /MANDEL NGAN / AFP

O presidente Donald Trump foi filmado nesta terça-feira (13) fazendo um gesto obsceno para alguém que o recriminava durante uma visita a uma fábrica, uma resposta considerada “apropriada” pela Casa Branca.

“Um lunático gritava impropérios desaforadamente em um ataque de ira, e o presidente respondeu de forma apropriada e inequívoca”, disse o diretor de comunicações da Casa Branca, Steven Cheung, em uma declaração enviada à AFP.

O vídeo, que circulou nas redes TikTok e X, e foi publicado pelo site de notícias sobre celebridades TMZ, mostra o presidente americano caminhando por uma passarela durante sua visita a uma fábrica da Ford em Detroit, na região dos Grandes Lagos.

No começo da gravação, é possível ouvir uma voz que grita algo inaudível, e Trump então ergue o dedo médio de sua mão direita na direção de onde vinham os gritos.

Segundo o TMZ, a pessoa que confrontou o bilionário republicano supostamente pronunciou as palavras “defensor de pedófilos”.

Isso poderia ser uma referência ao caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein, que foi próximo de Trump no passado.

O presidente americano manteve uma relação amistosa com o financista nova-iorquino, que morreu na prisão em 2019 antes de ser julgado por comandar um esquema de exploração sexual de menores.

O Congresso votou a favor de obrigar o governo Trump a divulgar os documentos relacionados com o caso que estão em poder do sistema de justiça federal, algo que só foi feito parcialmente até agora.

EUA acusam a Rússia de uma perigosa e inexplicável escalada na guerra contra a Ucrânia

Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Tammy Bruce/foto: AFP

Na reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a embaixadora adjunta dos Estados Unidos na ONU, Tammy Bruce, acusou a Rússia de uma perigosa e inexplicável escalada da guerra na Ucrânia.

Bruce também destacou o recente lançamento pela Rússia do míssil balístico russo Oreshnik, com capacidade nuclear, perto da fronteira da Ucrânia com a Polônia, um aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). “Os ataques aconteceram num momento de tremendo potencial devido apenas ao compromisso sem paralelo do presidente Donald Trump com a paz em todo o mundo. Os EUA lamentam o número surpreendente de vítimas no conflito e condena a intensificação dos ataques da Rússia às infraestruturas energéticas e outras”, disse a diplomata norte-americana.

Apesar das conversações de paz que se arrastam há meses entre Washington e Moscou, o Kremlin não sinalizou estar disposto a ceder nas suas exigências em relação ao território ucraniano, sobretudo na anexação de quatro regiões ocupadas pelas suas forças.

Por outro lado, o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, culpou exclusivamente Kiev pelo impasse diplomático e afirmou no Conselho de Segurança que, até que o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelenskyy volte a si e aceite condições realistas para as negociações, o problema persistirá a ser resolvido por meios militares. “Há muito que Zelenskyy foi avisado de que, a cada dia que passa, a cada dia que desperdiça, as condições para as negociações só vão piorar para ele. Da mesma forma, cada ataque vil contra civis russos provocará uma resposta dura”, garantiu Nebenzia.

Em resposta, o embaixador ucraniano nas Nações Unidas, Andriy Melnyk, apontou que a Rússia está mais vulnerável agora do que em qualquer outro momento, uma vez que sua economia desacelera e as receitas do petróleo diminuíram. “A Rússia quer vender a este Conselho e a toda a família das Nações Unidas à impressão de que é invencível, mas isso é outra ilusão. A imagem de força cuidadosamente encenada não passa de fumaça e espelhos, completamente desligada da realidade”, argumentou Melnyk.

Enquanto isso, o Ministério da Defesa da Rússia confirmou hoje que foi lançada uma nova grande ofensiva contra as instalações energéticas e militares ucranianas. “As forças armadas russas lançaram um ataque massivo com armas terrestres de precisão e drones contra instalações de infraestruturas energéticas usadas nos interesses das forças armadas da Ucrânia e empresas do complexo militar-industrial”, diz o comunicado do ministério.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse nesta terça-feira (13), que a intensa onda de ataques a Kiev deixaram milhares de pessoas sem luz enquanto as temperaturas estão abaixo de zero. “A Rússia lançou mais de 300 drones contra a Ucrânia durante a noite, assim como 18 mísseis balísticos e sete mísseis de cruzeiro. No total, oito regiões foram atacadas, incluindo Kiev, onde a situação na região não é fácil. Mais uma vez, o principal alvo do ataque foram as nossas instalações de geração de energia e subestações”, acusou.

A Ukrenergo, operadora estatal da rede elétrica ucraniana, informou que cerca de 70% da capital do país está sem eletricidade em decorrência do ataque. “Os russos estão tentando isolar a cidade e obrigar as pessoas a se mudarem de Kiev”, afirmou Vitaliy Zaichenko, CEO da Ukrenergo, acrescentando que diversas subestações foram atingidas durante a noite.

“Cerca de 500 edifícios estão sem aquecimento e há uma grave escassez de eletricidade, mesmo para infraestruturas críticas”, relataram as autoridades da capital.

Nos arredores de Kharkiv, no noroeste da Ucrânia, os bombardeios na também atingiam uma clínica pediátrica. Na região, quatro pessoas morreram e seis pessoas estão feridas em estado grave.
A Rússia tem repetidamente atacado a infraestrutura energética da Ucrânia visando causar o máximo de perturbação no fornecimento de aquecimento no inverno e provocar apagões no país.

Israel rompe com sete agências das Nações Unidas

Sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York/Daniel Slim/AFP

O Ministério das Relações Exteriores de Israel anunciou hoje o rompimento imediato com sete instituições da Organização das Nações Unidas.

Após os Estados Unidos terem saído recentemente de mais de 60 instituições, o governo israelense também adotou a medida de se desvincular de várias agências da ONU. A chancelaria cita em seu comunicado que a decisão foi tomada depois do ministro responsável pela pasta, Gideon Sa’ar, examinar e discutir a saída dos EUA de dezenas de organizações internacionais.

Entre as organizações que o governo de Tel Aviv menciona que foram cortadas estão a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e o Gabinete do representante especial do secretário-geral da ONU para as Crianças e os Conflitos Armados. Assim como a ONU Mulheres, que argumentou ter ignorado os casos de violência sexual ocorridos durante os ataques do Hamas contra Israel, em outubro de 2023, e a Aliança das Civilizações, que qualifica como uma plataforma de ataques contra Israel.

Além destas a lista ainda incluiu à Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia Ocidental, que a diplomacia israelense acusa de publicar relatórios anti-Israel severos todos os anos, a ONU Energia, que considera um reflexo da burocracia excessiva e ineficiência das Nações Unidas e o Fórum Global sobre Migração e Desenvolvimento, que, de acordo com Tel Aviv, mina a capacidade dos países soberanos de fazerem cumprir as suas próprias leis de imigração.

No entanto, o ministro Gideon Sa’ar também ressaltou que o país poderá em breve se retirar de outras organizações, mas a deliberação ainda se encontra pendente de uma análise profunda por parte das autoridades israelenses.

O Parlamento de Israel já havia anteriormente determinado, em 30 de dezembro de 2024, declarar ilegal no país a agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA, na sigla em inglês), que classificou como sendo um braço do Hamas. A decisão acarretou na perda da UNRWA de imunidade e a expropriação das suas instalações em Jerusalém Oriental, com a apreensão dos seus bens.

As relações entre Israel e a ONU se deterioraram a partir da guerra na Faixa de Gaza, com as autoridades das agências das Nações Unidas terem declarado situação de fome da população, genocídio em curso no enclave palestino pelas forças israelenses, ataques a civis, sobretudo crianças, mulheres e idosos, bloqueio de itens essenciais, como medicamentos e alimentos, bombardeios e invasões a unidades de saúde e instalações da ONU na região, mortes de funcionários das Nações Unidas entre outras denúncias. As autoridades locais controladas pela ONU afirmam que a ofensiva provocou cerca de 70 mil mortos e milhares de feridos, além de um desastre humanitário, a destruição quase que completa do território e a deslocação forçada frequente de praticamente a maioria da população. Desde então, Israel foi incluído em 2024 na lista de países que violam gravemente os direitos das crianças nos conflitos armados.