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Ministro anuncia Recife como base da Força Nacional do SUS contra impactos do El Niño

O ministro da Saúde, Alexndre Padrilha, apresentou nesta quarta-feira (16), em entrevista coletiva, um plano nacional de preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) contra os impactos do El Niño. O fenômeno climático deve atingir intensidade “muito forte” neste mês de setembro, com janela crítica prevista entre outubro de 2026 e março de 2027.

Recife será uma das nove novas bases regionais da Força Nacional do SUS no país, com meta de resposta rápida a emergências de saúde. A cidade integra a estratégia do ministério para o Nordeste, região sob risco de estiagem severa e calor extremo, que também vai receber 968 novas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e 18,7 mil cisternas como parte do enfrentamento aos impactos climáticos.

O modelo das bases regionais prevê deslocamento inicial para áreas afetadas em até 12 horas, com mobilização escalonada de equipamentos e profissionais adicionais nas primeiras 72 horas.

As bases descentralizadas da Força Nacional do SUS não só aumentam a nossa capacidade quantitativa de responder, porque a gente faz com que em 12 horas cheguem mais profissionais a um local de emergência sanitária para apoiar a manutenção da rede, mas também são mais qualitativas, porque os profissionais ficam permanentemente ali no território, com mais relação com o gestor local e estadual“, afirmou o ministro da Saúde.

Em setembro, na inauguração da base do Rio de Janeiro, Padilha já havia afirmado que que a estrutura “aumenta em até 20 vezes a capacidade de pronta resposta da Força Nacional do SUS quando acionada pelos estados e municípios”.

As ações fazem parte do AdaptaSUS, plano de adaptação do Ministério da Saúde às mudanças climáticas, que prevê R$ 9,8 bilhões em investimentos até 2035, distribuídos em 27 metas e 93 ações. Entre os riscos à saúde associados ao El Niño no Nordeste, o ministério cita insegurança hídrica, doenças respiratórias e cardiovasculares ligadas ao calor, insegurança alimentar e risco de proliferação da dengue.

Além do ministro, participaram da coletiva o diretor de programa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, Nilton Pereira Júnior; a coordenadora-geral da Coordenação de Vigilância em Saúde Ambiental (CGVAM) do Ministério da Saúde, responsável pela coordenação do AdaptaSUS, Agnes Soares; o diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stabeli; a assessora técnica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Mariele Barbosa; e o pesquisador e ex-presidente da Fiocruz, hoje à frente do grupo Clima e Saúde da instituição, Paulo Gadelha.

Ministério da Saúde prevê alta de casos de dengue no segundo semestre por causa do El Niño

O Brasil registrou queda de 75% na incidência de dengue no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, segundo o Ministério da Saúde. A pasta, porém, projeta reversão da tendência nos próximos meses por causa do El Niño. “Provavelmente este segundo semestre nós teremos um aumento da incidência e da prevalência de dengue e outras arboviroses“, afirmou o ministro Alexandre Padilha durante coletiva de imprensa desta quarta-feira (16).

Diante do cenário, o ministério afirma estar organizando, junto a estados e municípios, um plano de contingência mais robusto para o enfrentamento das arboviroses. Entre os riscos à saúde associados ao fenômeno climático no Nordeste, a pasta cita a proliferação da dengue ao lado de doenças respiratórias, cardiovasculares e ligadas à insegurança hídrica e alimentar.

O alerta brasileiro acompanha um movimento observado em outras partes do mundo. Segundo o ministro Alexandre Padilha, o mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue, foi identificado recentemente no Reino Unido e já há registro de transmissão de chikungunya na França.

Para Padilha, o fenômeno mostra como o aumento da temperatura média global “leva doenças para lugares onde elas não existiam“. Ele citou o exemplo do Rio Grande do Sul, que registrou surto de dengue associado ao El Niño em 2024, ano também marcado pelas enchentes históricas no estado.

Eleições 2026: Julgamento de Moraes no STF mobiliza redes com 2,5 milhões de menções

O julgamento envolvendo o ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) pautou o debate político nas redes sociais entre esta terça-feira (15) e quarta-feira (16). Segundo relatório divulgado pela consultoria Bites, a sessão plenária manteve a Corte no centro da discussão pública digital na reta final da campanha presidencial.

Dados divulgados nesta quarta-feira mostram que, de 4,8 milhões de publicações monitoradas no ambiente digital entre terça-feira e as 13h desta quarta-feira, 2,5 milhões fizeram referência ao embate entre ministros do Supremo ocorrido durante a sessão.

Segundo a Bites, as críticas ao STF estão entre os conteúdos de maior engajamento nas redes sociais no País. A consultoria avalia que o fluxo pode diminuir nos próximos dias e voltar a ganhar força na véspera e no dia da sessão sobre o ministro André Mendonça, marcada para a próxima quarta-feira (23).

A sessão desta terça-feira também levou o canal oficial do STF no YouTube a registrar seu maior volume de audiência. Até as 13h desta quarta-feira, o vídeo acumulava 3,2 milhões de visualizações. O número também foi registrado em levantamentos sobre a audiência da Corte e superou com ampla margem os vídeos de sessões anteriores do Supremo.

O interesse se repetiu nas buscas. Segundo a Bites, as pesquisas pelo STF no Google alcançaram o maior nível desde 2004, quando a série histórica da plataforma começou no Brasil. Nas últimas 24 horas, de acordo com a consultoria, a crise envolvendo Moraes despertou mais interesse nas buscas do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entrevistado pela TV Record, e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Os embates entre ministros durante a sessão também fizeram circular novamente vídeos antigos de julgamentos do Supremo, incluindo discussões envolvendo Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso e Joaquim Barbosa.

Mendonça pode renovar mobilização

A sessão marcada para o dia 23, que deve analisar questionamentos sobre a atuação de André Mendonça na condução das investigações do caso Master, tende a abrir um novo ciclo de atenção sobre o Supremo.

A mobilização nas redes já começou. Segundo a Bites, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou vídeos criticando o STF e convocando manifestações para o dia 23. Um dos conteúdos somava 29 milhões de visualizações no levantamento da consultoria.

Para a Bites, a oscilação observada nas redes é compatível com um ciclo de atenção que pode se intensificar conforme a próxima sessão se aproxima, embora a evolução do debate dependa da reação dos usuários e da cobertura jornalística.

Tema impacta disputa presidencial

O episódio também entrou na disputa digital entre os candidatos à Presidência. Segundo a Bites, Romeu Zema (Novo) buscou explorar de forma mais ativa a agenda crítica ao STF, mas registrou menos interações em seus perfis oficiais do que Lula e Flávio nas últimas 24 horas.

Lula somou 1,2 milhão de interações em suas publicações no período, enquanto Flávio alcançou 1 milhão. Zema aparece em seguida, com 814 mil.

De acordo com o levantamento, Flávio obteve seu melhor desempenho no Facebook em uma publicação relacionada à crise no Supremo. Lula, por sua vez, concentrou suas publicações em temas como fome e desemprego.

Anvisa determina recolhimento do produto NotShake Protein

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento do produto NotShake Protein, fabricado pela NotCo Brasil Distribuição e Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. A resolução foi publicada nesta quarta-feira (16) no Diário Oficial da União.

Em nota, a Anvisa informou que a medida atinge todos os lotes dos seguintes produtos:

NotShake Protein Morango com Tâmara
NotShake Protein Baunilha com Coco
NotShake Protein Chocolate
NotShake Protein Café Caramelo

Os produtos não são notificados junto à Anvisa como suplementos alimentares. Além disso, há insuficiência dos estudos apresentados para demonstrar a manutenção das características dos produtos durante todo o prazo de validade e a inadequação da alegação zero lactose”, destacou a agência.

Além do recolhimento, a Anvisa proibiu ainda a fabricação, a venda, a distribuição, a propaganda e o uso dos produtos.

A reportagem da Agência Brasil entrou em contato com a NotCo Brasil Distribuição e Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. e aguarda posicionamento.

Aloe vera

A Anvisa também determinou o recolhimento do produto Aloe Care – Cranberry Flavored Aloe Vera Gel, da Biodis Industrial Ltda. Segundo a agência, o produto não poder ser fabricado, distribuído, comercializado, divulgado nem utilizado. A resolução consta no Diário Oficial da União.

O item é vendido com produto que contém Aloe vera para consumo oral sem prévia avaliação de segurança e autorização de uso pela Anvisa. A medida também aponta outras irregularidades: rotulagem com informações obrigatórias do produto em língua estrangeira e divulgação de alegações de saúde e terapêuticas não autorizadas”, detalhou a agência.

Trump diz que Brasil falhou no combate ao PCC e CV e pede ‘medidas enérgicas’ com urgência

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o Brasil de ter falhado no combate às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). As afirmações estão em um documento divulgado pelo Departamento de Estado nesta quarta-feira (16).

No relatório enviado ao Congresso dos EUA na terça-feira (15), o presidente pede que o governo Lula adote, “com urgência, medidas enérgicas para enfrentar” os grupos. PCC e CV foram incluídos recentemente pelos EUA na lista de organizações terroristas.

O documento diz ainda que, enquanto outros governos do Hemisfério Ocidental estão tomando “medidas corajosas” para erradicar cartéis, o Brasil não está enfrentando o PCC e o CV.

Segundo o relatório, as facções criminosas brasileiras “transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína”.

Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente adotar medidas firmes para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam“, diz.

No documento, Trump afirma ainda que as duas facções constituem uma “ameaça à segurança mundial”.

Nos bastidores, o repórter Ricardo Abreu, da GloboNews, apurou que diplomatas brasileiros têm a leitura de que o documento só reforça o claro viés da política externa de Trump na América Latina.

O relatório é entregue anualmente pelo governo dos EUA ao Congresso e apresenta um panorama da situação do tráfico de drogas no mundo.

Outros países

O mesmo documento assinado por Trump listou países classificados pelos EUA como locais de trânsito ou produção de drogas e fez críticas. O Brasil não está nessa relação. Veja a seguir:

Afeganistão;
Bahamas;
Belize;
Bolívia;
China;
Colômbia;
Costa Rica;
República Dominicana;
Equador;
El Salvador;
Guatemala;
Haiti;
Honduras;
Índia;
Jamaica;
Laos;
México;
Mianmar;
Nicarágua;
Paquistão;
Panamá;
Peru;
Venezuela.

O relatório do presidente afirma que, no último ano, Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia também falharam em cumprir as obrigações previstas em acordos internacionais de combate ao narcotráfico.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos pediram que México e Canadá se esforcem mais para impedir a entrada de drogas no país.

Em relação ao Canadá, os EUA querem que o governo local adote medidas para acabar com laboratórios clandestinos de drogas.

Sobre o México, a Casa Branca pede medidas contra organizações narcoterroristas que dominam territórios no país.

Trump também fez críticas à China. No documento ele afirma que, apesar de ter conversado com o presidente Xi Jinping sobre o combate à entrada de fentanil ilegal nos EUA, o país precisa reduzir o fluxo de substâncias usadas na produção da droga.

O presidente norte-americano aproveitou o relatório para citar mudanças políticas em países da América do Sul. Segundo o documento, mudanças recentes de governo em alguns países “criaram oportunidades históricas para a cooperação dos Estados Unidos”.

Entre os exemplos citados de forma positiva estão Venezuela, Bolívia e Colômbia. Segundo o relatório, houve avanços nesses países, mas novas medidas ainda são necessárias.

Imprensa internacional repercute sessão do STF sobre Moraes

Os principais jornais do mundo repercutiram a sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) desta terça-feira (15), que analisa o relatório da PF (Polícia Federal) sobre mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Durantea sessão, os ministros votaram uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes.

Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes se posicionaram a favor da análise conjunta dos casos envolvendo Moraes e André Mendonça.

Os votos divergiram do presidente da Corte, Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia, que defenderam que os dois casos sejam analisados separadamente.

Nunes Marques e Dias Toffoli optaram por não votar na sessão extraodrinária após a leitura do relatório inicial de Fachin. Marques se declarou impedido, enquanto Toffoli declarou suspeição de foro íntimo.

O ministro Flávio Dino pediu vista e suspendeu a sessão com o placar parcial de 4 a 3 pela manutenção dos processos separados, sem decisão definitiva sobre a questão.

ABC News

A emissora americana ABC News afirmou que o STF está imerso em uma “crise sem precedentes”.

Segundo a emissora, ministros estão anulando decisões uns dos outros, enquanto suspeitas de corrupção, parcialidade política e interferência policial pairam sobre integrantes da corte às vésperas da eleição presidencial brasileira, marcada para outubro.

Reuters

A agência Reuters afirmou que a sessão ocorre em meio a uma “crise crescente” no Supremo Tribunal Federal, semanas antes de uma eleição presidencial que classificou como acirrada.

A agência de notícias Reuters afirmou que a sessão do Supremo Tribunal Federal alimenta uma “crise crescente semanas antes de uma eleição presidencial acirrada”.

Washington Post

O jornal americano Washington Post também descreveu o momento como uma “crise sem precedentes na mais alta corte do país”.

Segundo a publicação, Moraes e Mendonça estão no centro das movimentações desta terça-feira e são vistos como extremos opostos do espectro político polarizado do Brasil.

No título da matéria, o Post classifica Moraes como “o juiz que condenou o ex-presidente Bolsonaro à prisão“.

El País

Já o jornal espanhol El País afirmou que as expectativas em torno da sessão são altas.

Segundo o veículo, o tribunal nunca havia investigado um de seus próprios membros nos 135 anos de história, em um episódio ocorre a poucas semanas das eleições.

Clarín

Já o argentino Clarín, que fez a publicação após o término da sessão, afirmou que o evento com “gritos entre juízes” terminou sem resultados imediatos.

A reportagem diz que a crise está contaminando o Tribunal, que, segundo o Clarín, “opera de mandeira extremamente politizada em vista das eleições presidenciais de outubro, com juízes que se inclinam para um ou outro candidato“.

André Mendonça retira sigilo de rede de pagamentos do Banco Master

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo de dados de pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso em Brasília, e do Banco Master. A queda do sigilo torna público um relatório de inteligência financeira.

Durante as investigações, a Polícia Federal (PF) solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) a disponibilização de relatórios de inteligência financeira (RIF) vinculados a pessoas físicas e jurídicas relacionadas com a apuração.

O RIF é um relatório técnico que aponta movimentações financeiras atípicas ou suspeitas. O Coaf elabora o documento após receber alertas de bancos, seguradoras e outras instituições obrigadas por lei. Ele reúne dados sobre valores globais, partes envolvidas e indícios de crimes como lavagem de dinheiro.

O STF já tornou públicos 53 procedimentos de apurações relacionados ao caso Master. A retirada dos sigilos foi concluída após pedido do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

A PGR se manifestou a favor da retirada do sigilo, em pedido feito pelo ministro Alexandre de Moraes, nesse domingo (13). Moraes pediu a Fachin o levantamento do sigilo do inquérito antes do julgamento desta terça-feira (15), marcado para discutir se a Corte deve apurar a relação dele com o banqueiro.

O presidente do STF enviou o pedido para manifestação da PGR, que defendeu a retirada do sigilo. Após essa manifestação, Fachin solicitou a Mendonça o levantamento do sigilo.

O que diz a PGR

A manifestação favorável da PGR é assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateabriand Filho.

Ele diz que a PGR não tinha se manifestado a favor dessa retirada de sigilo anteriormente porque não tinha ciência de que o documento existia. A procuradoria tem se manifestado a favor de todos os pedidos de retirada de sigilo.

Como se trata de documento tido como relevante para que Ministro desse Tribunal possa compreender a totalidade dos fatores que o tema a ser debatido envolve, em coerência com as premissas do parecer anterior, a Procuradoria-Geral da República entende que também deve ser retirado o sigilo“, diz.

Está previsto para esta terça-feira (15) o julgamento pelo STF sobre as mensagens reveladas pela PF entre Moraes e Daniel Vorcaro.

Na semana passada, Fachin convocou uma sessão do plenário da Corte para discutir no plenário o relatório da Polícia Federal (PF) que apontou uma suposta relação entre o ministro e o ex-banqueiro preso.

O material foi produzido por determinação de André Mendonça e provocou uma crise sem precedentes no Supremo por conta das investigações do Master.

Relatório da PF

A Procuradoria-Geral da República já se manifestou, no Supremo, a favor de que o relatório produzido por Mendonça seja arquivado sob o argumento de que a sua produção foi irregular.

Isso porque, conforme a PGR, a elaboração foi determinada pelo ministro, dentro das investigações do caso Master, sem comunicação prévia à Presidência, sem submissão ao plenário e com suposto direcionamento.

Um vício, ou seja, uma falha na origem do relatório, poderia fazer com que os ministros sequer discutissem se as mensagens justificam a abertura de uma investigação, ou se seria necessário ter acesso às mensagens de Moraes em resposta a Vorcaro para a apuração ser aberta.

Ao longo das investigações, a PF localizou 52 mensagens de 21 de dezembro de 2023 a 17 de novembro de 2025 – data em que o banqueiro Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez.

O relatório da PF afirma que o ministro atuou diretamente na análise e na edição de um contrato de R$ 130 milhões, assinado entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, de Viviane Barci, esposa do ministro.

Dino diz que Cezinha se utilizava da função parlamentar para venda de suposta influência sobre ministros de tribunais superiores

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou em decisão divulgada nesta segunda-feira (14) que o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) aparenta utilizar a ascendência da função parlamentar para passar a terceiros a percepção de influência sobre ministros de tribunais superiores.

E que Cezinha teria negociado essa suposta influência sobre magistrados, que, conforme as investigações da Polícia Federal, seriam do Supremo Tribunal Federal (STF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral.

A apuração fundamentou a autorização de mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF nesta segunda contra o deputado federal Cezinha e a advogada Valéria Rodrigues Linhares, apontada como mulher do parlamentar.

Em nota, a defesa do deputado afirmou que ele está seguro de que “os fatos serão devidamente esclarecidos no devido processo legal, com a demonstração de que nenhuma irregularidade foi cometida”.

Após a realização da operação pelos agentes, Flávio Dino retirou o sigilo da decisão que autorizou os mandados de busca e apreensão.

Parece-me claro que os fatos investigados podem implicar, em tese, um deputado federal que não tem habilitação para atuar como advogado, mas aparenta utilizar a ascendência de sua função parlamentar para incutir em terceiros a percepção de influência sobre magistrados de Tribunais Superiores. Friso que a percepção de elevada remuneração parece afastar a hipótese de se cuidar de mero ‘ato político’“, disse Dino.

A ação é um desdobramento da Operação Transparência de dezembro de 2025, da PF, que apura supostos crimes de tráfico de influência, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo a tramitação de processos em cortes superiores. Esse caso é relatado por Flávio Dino no STF.

A finalidade [da investigação] é elucidar a existência, a extensão e a estabilidade de estrutura destinada à comercialização de influência junto a ministros do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior Eleitoral, mediante remuneração vultosa e ajustada por meio de contratos de honorários e de cessão de crédito celebrados por advogadas ligadas ao representado [Cezinha] — uma delas é sua própria esposa“, declara a PF em trecho de relatório destacado por Flávio Dino.

Estrutura e divisão de tarefas, segundo a PF

Segundo a representação da Polícia Federal acolhida pelo ministro, os indícios apontam para a existência de uma estrutura articulada entre o parlamentar e advogadas para negociar atuações em processos judiciais mediante pagamento de expressivos honorários de êxito:

Captação e peças técnicas: a advogada Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, que atuava na Câmara dos Deputados e teve o celular periciado na primeira fase da operação, seria responsável por captar as causas e elaborar memoriais e peças jurídicas.

Contratos de honorários: a advogada Valéria Rodrigues Linhares, apontada como mulher do deputado, ficava encarregada de redigir, revisar e firmar instrumentos contratuais de prestação de serviços e cessões de créditos milionários.

Contatos ‘institucionais’: cabia a Cezinha de Madureira o papel de realizar “despachos” e contatos diretos com ministros, valendo-se do trânsito institucional decorrente de seu mandato.

Mensagens obtidas pelos investigadores mostram tratativas sobre casos

específicos em tramitação no STF. Em um deles, relacionado à defesa da prefeita de Beberibe (CE), contratos estipulavam R$ 500 mil em caso de decisão favorável.

Em outro episódio, relativo à defesa de um ex-secretário de Belford Roxo (RJ), termos previam repasses de R$ 1 milhão e aditivos que chegavam a R$ 2 milhões condicionados à revogação de prisão preventiva.

Nas conversas extraídas do celular da Tuca pela PF, o parlamentar prestava contas sobre encontros e audiências com magistrados, usando expressões como “já falei”, “despachei sim”, “assunto reforçado agora” e menções a contatos com ministros da Corte.

Nas mensagens extraídas pela PF do celular de Tuca, Cezinha menciona “André”, “ministro Kassio” e “Antônio Carlos”. A polícia apura se são menções aos ministros André Mendonça, Kassio Nunes Marques, do STF, e Antônio Carlos Ferreira, do STJ – que não são investigados.

O parlamentar não se limitava a encaminhar peças: comprometia-se a formular pedido pessoal e direto ao julgador, em favor de partes representadas por advogadas a ele ligadas por vínculo conjugal e por interesse econômico”, diz trecho de relatório da PF constante da decisão de Dino desta segunda-feira.

Magistrados não são investigados

Tanto a representação da PF quanto a decisão de Dino deixam claro que os ministros e juízes citados nos diálogos não são alvos da investigação nem suspeitos de irregularidades.

De acordo com o inquérito, os nomes das autoridades aparecem unicamente como vítimas da exploração de prestígio ou como destinatários da suposta influência prometida pelos investigados.

O documento reforça que receber advogados e parlamentares em audiências ou despachos é prática rotineira e lícita da atividade jurisdicional.

Impõe-se, desde logo, delimitação negativa e expressa do objeto: não constituem objeto desta apuração, nem da medida ora requerida, a conduta de Ministros do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior Eleitoral ou de quaisquer outros magistrados”, diz trecho do relatório da PF que está na decisão de Dino.

Não há, nos elementos reunidos, notícia de solicitação, de aceitação ou de recebimento de vantagem indevida por integrante do Poder Judiciário, tampouco de prolação de ato jurisdicional em desconformidade com o direito“, completa o documento.

O ministro do STF também frisa que, conforme a PF, o que se “apura é a mercancia da influência por quem a ofereceu e a precificou, e não o comportamento de quem foi apresentado a terceiros como influenciável”.

Dinheiro em espécie e celulares

Entre os fatos que subsidiaram a decisão, Flávio Dino determinou a transferência de apurações sobre a apreensão de R$ 510 mil em dinheiro vivo com Valéria Rodrigues Linhares no Aeroporto de Congonhas (SP), ocorrida em 25 de agosto de 2026.

Para os investigadores, a movimentação expressiva de recursos em espécie sugere o pagamento de honorários à margem do sistema bancário tradicional para dificultar o rastreamento financeiro.

No despacho, Dino autorizou buscas nos endereços residenciais e profissionais do parlamentar e da advogada em Brasília e em São Paulo, além do recolhimento de bens de valor, veículos e quantias em espécie acima de R$ 10 mil.

O ministro, porém, indeferiu o pedido da PF para realizar buscas no gabinete do parlamentar na Câmara dos Deputados, avaliando não haver elementos concretos que justificassem a medida no local de trabalho legislativo.

Celular furtado antes da operação

Três dias antes de ser alvo das buscas, no sábado (12), o deputado Cezinha de Madureira divulgou um vídeo nas redes sociais afirmando que teve o aparelho celular furtado na Avenida Paulista, em São Paulo, na sexta-feira (11).

No relato, o parlamentar declarou que os criminosos conseguiram invadir suas contas bancárias e trocar senhas de aplicativos minutos após o furto. A decisão judicial que autorizou a ação da Polícia Federal, no entanto, havia sido assinada por Flávio Dino uma semana antes, no dia 5 de setembro.

O que diz o deputado

Leia a nota na íntegra:

Com a tranquilidade de quem confia plenamente na Justiça e certo de sua conduta sempre ilibada, o deputado federal Cezinha de Madureira está à disposição das autoridades e prestará todos os esclarecimentos necessários.

O deputado está certo de que, assegurados o contraditório e o amplo acesso da defesa aos elementos da investigação e à integra do processo, os fatos serão devidamente esclarecidos no devido processo legal, com a demonstração de que nenhuma irregularidade foi cometida.

Importante ressaltar que, conforme a jurisprudência do STF estabelece, medidas de tamanha repercussão deveriam ter sido conduzidas com a devida distância de qualquer circunstância política ou eleitoral”.

Nexus/BTG: Lula é desaprovado por 49%; aprovação é de 47%

Conforme nova rodada do levantamento Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira (14), o trabalho do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do governo federal é desaprovado por 49% do eleitorado brasileiro. Ao mesmo tempo, outros 47% aprovam a gestão petista.

Neste cenário, 4% dos entrevistados não sabem ou não responderam à questão.

Considerando a série histórica da pesquisa, há um cenário de estabilidade entre os índices. As variações desde março, quando foi feita a primeira rodada do levantamento, estão concentradas dentro da margem de erro.

Em comparação com a rodada divulgada na última semana, a desaprovação do mandatário oscilou um ponto percentual para baixo, enquanto a aprovação variou dois pontos para cima.

Avaliação do governo Lula

Ainda no mesmo levantamento, o instituto questionou como os eleitores avaliam o governo do presidente Lula. Do total dos entrevistados, 44% julgam que o desempenho do governo petista é ruim ou péssimo. Já para 37%, a administração é boa ou ótima.

Outros 18% consideram a gestão regular e 1% não sabe ou não respondeu.

Metodologia

A pesquisa Nexus entrevistou 2.003 eleitores, entre os dias 11 e 13 de setembro, por meio de entrevista por telefone. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

O levantamento foi contratado pelo Banco BTG Pactual e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-04076/2026.

Nexus/BTG: avaliação negativa de Lula é de 44%; positiva, 33%

Para 44% do eleitorado brasileiro, o governo do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem sendo ruim ou péssimo. Por outro lado, 37% consideram a gestão boa ou ótima. Os dados foram aferidos pelo instituto Nexus/BTG e divulgados nesta segunda-feira (14).

Nesta rodada, 18% classificam o governo como regular e 1% não sabe ou não respondeu.

Considerando a série histórica, iniciada em março deste ano, as variações nos índices se concentram dentro da margem de erro, que é de dois pontos. Em relação a rodada anterior, divulgada na última semana, o indicador negativo oscilou dois pontos percentuais para baixo.

Em direção contrária, a avaliação positiva variou um ponto percentual para cima. O percentual daqueles que julgam o governo como regular é o mesmo das duas rodadas anteriores.

Aprovação do governo Lula

Ainda no mesmo levantamento, o instituto testou se o eleitorado aprova o trabalho que Lula vem fazendo à frente do governo federal. Destes, 49% dizem desaprovar a gestão do petista, enquanto 47% aprovam. Do total dos entrevistados, 4% não sabem ou não responderam.

Metodologia

A pesquisa Nexus entrevistou 2.003 eleitores, entre os dias 11 e 13 de setembro, por meio de entrevista por telefone. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

O levantamento foi contratado pelo Banco BTG Pactual e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-04076/2026.

Cezinha de Madureira é alvo de operação da PF sobre tráfico de influência

A PF (Polícia Federal) realiza nesta segunda-feira (14) a terceira fase da Operação Transparência e tem como um dos alvos o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP). A ação mira possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares e possível tráfico de influência.

Os policiais federais cumprem quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, STF (Supremo Tribunal Federal).

A operação ocorre em meio à crise no Supremo. Cezinha de Madureira é próximo do ministro André Mendonça. Em 2025, o parlamentar teria atuado como intermediador de um encontro entre o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

De acordo com a força policial, os alvos investigados teriam negociado o “pagamento de valores expressivos, condicionados ao resultado de processos em curso, a pretexto de influir em decisões judiciais”.

A CNN apurou que a advogada Valéria Rodrigues Linhares também é alvo da operação. Ela é filiada ao PSD, partido anterior de Cezinha da Madureira.

Em 25 de agosto, ela teve quantia de R$ 510 mil apreendida pela PF em uma mala no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Na ocasião, a defesa de Valéria declarou não haver ilegalidade e que o valor apreendido teria sido todo declarado.

A PF suspeita que esse montante seria parte do caso apurado. Na operação desta quarta, a PF investiga possíveis práticas dos crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A CNN procurou o deputado Cezinha de Madureira e a defesa de Valéria Linhares sobre a operação e aguarda resposta.

‘Precisamos excluir a data’: Banco Master usou Word, PDFs e códigos para fabricar documentos falsos, diz PF

A fraude investigada pela Polícia Federal no Banco Master funcionava como uma espécie de linha de montagem digital.

A PF identificou:

-Dados reais de clientes extraídos de sistemas internos;
-Documentos produzidos em massa com ferramentas do Microsoft Office;
-Páginas de assinaturas separadas por programas desenvolvidos pela área de tecnologia; e
-Peças reunidas em novos arquivos PDF para formar dossiês de contratos que seriam apresentados como créditos legítimos da Tirreno Consultoria ao Banco de Brasília (BRB).

Quando os documentos carregavam informações que poderiam revelar sua origem ou a verdadeira data de formalização, funcionários também atuavam para apagá-las ou alterá-las.

Em um dos casos analisados pela perícia, um Termo de Consentimento que trazia originalmente a data de 24 de fevereiro de 2023 teve esse registro removido em julho de 2025.

A relação triangular entre a Tirreno, o Master e o BRB funcionou como um esquema de simulação e repasse de ativos ilíquidos. A Tirreno atuou como uma empresa de fachada, criada para formalizar R$ 7,15 bilhões em cessões fictícias de crédito consignado com o Banco Master que, por sua vez, utilizou essas carteiras sem lastro para vendê-las ao BRB. A equipe do Master montou uma “linha de montagem” para forjar amostras e simular a legitimidade das operações.

A Tirreno, segundo a PF, funcionava sem sede nem funcionários, e foi criada com apenas R$ 100 de capital social.

A estrutura foi descrita em relatório técnico-pericial da Polícia Federal, elaborado a partir de uma apresentação interna apreendida na área de tecnologia do Banco Master.

O arquivo, intitulado “Investigações internas – Banco Master”, tinha 30 slides e documentava atividades realizadas entre 18 de junho e 24 de outubro de 2025 para a produção de documentos relacionados à cessão de créditos consignados ao BRB.

O material mostra que a operação combinava ferramentas comuns de escritório, programação e edição de documentos. O objetivo era transformar dados de operações reais e antigas em uma documentação que desse aparência de existência a uma carteira de créditos atribuída à Tirreno.

De dados reais a contratos que não existiam

O primeiro passo era obter dados de clientes que já haviam realizado operações legítimas. Segundo a investigação, funcionários recorreram a informações armazenadas nos sistemas internos do banco, inclusive relacionadas ao CredCesta – um produto de crédito consignado voltado a servidores públicos, aposentados e pensionistas.

Em 2 de julho de 2025, às 14h05, Fabrizio Pereira Alencar, coordenador de Controles do Back Office, pediu a Vinicius Lucas Trentino, analista de Projetos Sênior da área de TI, o levantamento de CPFs por meio do Microsoft Teams.

Vinicius reuniu os CPFs no arquivo cpf_cessao.csv e, no dia seguinte, executou a consulta Contratos_Henrique_Dados.sql no banco de dados interno. O resultado foi exportado para a planilha Dados_cessão.xlsx, que acabou enviada por e-mail a Fabrizio e à equipe em 3 de julho, às 16h57.

A planilha reunia informações cadastrais dos clientes, como nome, CPF, data de nascimento e nome da mãe. Esses dados passaram a servir de matéria-prima para a montagem dos documentos.

As próprias conversas entre integrantes da área de tecnologia mostram que havia problemas na base utilizada.

Em 20 de junho, Rafael Manfrin da Silva e Thiago Ramalho discutiram a filtragem dos dados. Rafael observou que havia CPF de uma pessoa com apenas uma proposta de 2019 e afirmou que a lista estava “meio furada”.

Thiago Ramalho: “filtrando formalizacao só tem 328 credcesta-refin…. nao deveria ser a maioria”. Rafael Manfrin: “ai deu merda então / pq tem um cpf nesse meio aqui que so teve 1 proposta em 2019 / ta meio furado essa lista ai”.

A troca mostra que os próprios responsáveis pela parte tecnológica identificavam incompatibilidades nos dados que estavam sendo utilizados.

2.700 procurações produzidas de uma vez

Com os dados reunidos, uma das etapas era produzir as procurações. Para isso, Allan da Silva Machado, gerente de Operações I do Back Office, utilizou uma função comum do Microsoft Word: a mala direta.

A ferramenta permite vincular um modelo de documento a uma planilha e preencher automaticamente campos diferentes para cada registro. No caso investigado, Allan vinculou o arquivo PROCURACAO Master.docx à planilha Base de Geração CCBS AMANHA 1.xlsx, armazenada na pasta de trabalho Demanda BRB-Tirreno 2700 amostras.

O procedimento permitiu gerar 2.700 procurações em lote em 20 de junho de 2025.

A tecnologia, portanto, não era usada apenas para armazenar os documentos. Ela permitia reproduzir rapidamente a mesma estrutura documental para centenas ou milhares de pessoas.

Código para separar páginas de assinaturas

A produção dos documentos também envolveu a área de tecnologia. Thiago Ramalho, Rafael Manfrin da Silva e Renato M. participaram do desenvolvimento de aplicações em C# registradas no repositório GitHub do Banco Master.

Uma das funções criadas tinha uma finalidade específica: extrair de arquivos PDF apenas a segunda página, justamente a página de assinatura dos documentos originais.

A perícia também identificou um arquivo compactado chamado erros-whatsapp.zip, enviado por Anderson Juliano Caspinelli Garcia a Moacir Lourenço da Silva Junior, que continha 1.833 arquivos PDF com páginas de assinatura isoladas dos Termos de Consentimento.

Essas páginas podiam, assim, ser reaproveitadas na montagem de novos conjuntos de documentos.

A assinatura digital não escondia quando os documentos foram produzidos
Outra etapa envolvia as Cédulas de Crédito Bancário, as CCBs. Henrique Pupo e Henrique Gonçalves Silva extraíram lotes de documentos do sistema idtrust, com arquivos identificados pela raiz CCB_credcesta_….

Em 20 de junho, Fabrizio organizou pelo Teams uma força-tarefa para assinar os documentos. Foram separados 675 CCBs para cada um de quatro operadores: Fabrizio, Henrique, Allan e Daniel Guscuma.

As assinaturas foram aplicadas pelo Adobe Acrobat Reader usando o certificado digital corporativo do Banco Master e o certificado individual de Allan Machado. Foi justamente nessa etapa que a perícia encontrou uma das evidências mais fortes da manipulação.

Em determinados documentos, a data escrita no corpo da CCB indicava uma data anterior — por exemplo, 21 de janeiro de 2025. Já o registro criptográfico da assinatura digital mostrava que aquele arquivo havia sido assinado em 20 de junho de 2025, às 14h02min39s.

Ou seja, mesmo quando a data apresentada no documento apontava para meses antes, o registro da assinatura digital indicava quando aquela peça havia efetivamente sido assinada.

O apagamento das datas

A diferença entre as datas também aparecia nos Termos de Consentimento. Para evitar que os documentos exibissem registros capazes de revelar sua origem, Allan Machado pediu a Moacir Lourenço da Silva Junior que removesse as informações de data e hora.

A ordem aparece em uma conversa no Teams de 20 de junho:

-Allan da Silva Machado: “e o termo de consentimento”.
-Allan da Silva Machado: “e precisamos excluir a data”.

A perícia identificou um exemplo concreto no Termo de Consentimento de Genilson Lima Leal. O documento originalmente apresentava o registro 24/02/2023 13:05. Em uma edição realizada em 3 de julho de 2025, às 15h26, esse campo foi apagado visualmente.

A alteração não eliminava, porém, todos os vestígios analisáveis pela perícia digital. O documento podia deixar de mostrar a data original na imagem, mas outros registros do arquivo e da assinatura digital permitiam reconstruir a cronologia.

Os documentos eram reunidos em um único arquivo

Depois de produzidas e alteradas as diferentes peças, elas precisavam ser apresentadas como um conjunto documental.

Allan utilizou o PDF24 para juntar os arquivos em um único PDF por operação. A montagem reunia documentos como a CCB, a procuração e o Termo de Consentimento com a informação de data retirada.

Os arquivos finais eram organizados em pastas de rede chamadas Demanda BRB-Tirreno 2700 amostras, Demanda BRB-Tirreno 299 amostras e Demanda BRB-Tirreno 119 amostras.

Assim, diferentes documentos produzidos ou modificados separadamente eram transformados em um único dossiê.

Até os comprovantes de transferência foram alvo de alteração
A tentativa de apagar rastros chegou também aos comprovantes bancários.

Em 25 de junho de 2025, Allan Machado discutiu com Romy Goerck Gentina Klenquen a alteração de comprovantes de transferências realizadas por SPB e PIX. O problema era que os documentos apresentavam informações que vinculavam as operações ao histórico original.

Allan queria retirar três elementos:

-O evento;
-O número do contrato; e
-O histórico.

Entre as informações que apareciam no histórico estava a expressão “LIBERAÇÃO CREDCESTA VIA PIX”.

A conversa mostra que a dificuldade era fazer isso em escala. Romy explicou que conseguia alterar um ou outro documento, mas que seria impossível fazer o mesmo manualmente em 2.700 comprovantes.

Allan da Silva Machado: “nao da para aparecer o evento”.
Romy Klenquen: “entao esse é o melhor”.
Allan da Silva Machado: “porra… este aparece o numero de contrato… nao quero o numero de contrato nem o histórico”.
Romy Klenquen: “entao nao tem oq fazer / um ou outro eu consigo ajustar daquela outra forma, mas impossível em 2700 comprovantes no editor”.
Allan da Silva Machado: “tem q dar um jeito”.

A conversa mostra um dos limites encontrados na própria linha de montagem: enquanto procurações e outros documentos podiam ser produzidos em massa por ferramentas automatizadas, a alteração gráfica dos comprovantes bancários encontrava dificuldades quando precisava ser repetida milhares de vezes.

A auditoria também entrou na mira do esquema

As mensagens reunidas pela investigação mostram ainda que a preocupação não era apenas produzir os documentos, mas explicar as inconsistências caso fossem questionadas.

Em 23 de junho, Fabrizio comunicou a Alberto Felix de Oliveira Neto que a auditoria da Deloitte estava cobrando informações. A resposta de Alberto foi direta:

Alberto Felix de Oliveira Neto: “esse tem que falar que foi erro operacional na selecao”.

Dois dias antes, Fabrizio e Alberto haviam discutido o envio à Deloitte de documentos referentes à carteira da Tirreno entre dezembro de 2024 e março de 2025.

Fabrizio afirmou que a base já havia sido enviada anteriormente, mas apresentava um erro que precisaria ser corrigido. Alberto perguntou quais documentos seriam solicitados pela auditoria. Fabrizio respondeu que seriam CCBs e termos.

Os documentos chegaram à cúpula do banco

A investigação também identificou o repasse de amostras da documentação falsificada.

Em 12 de junho de 2025, Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, pediu a Alberto Felix um “kit dos 300 com assinatura digital”.

Alberto respondeu que providenciaria. Minutos depois, informou que naquele momento tinha acesso apenas à CCB e que Allan enviaria os links das procurações e da assinatura. Na sequência, foram enviados arquivos contendo o conjunto de documentos.

Ou seja, a documentação produzida na operação não ficava restrita aos funcionários responsáveis por sua montagem.

Uma cadeia que começava no banco e terminava em um dossiê
O conjunto de evidências descrito pela Polícia Federal revela uma cadeia organizada em etapas:

-Primeiro, dados de clientes eram extraídos dos sistemas internos;
-Depois, esses dados alimentavam documentos produzidos em escala;
-Páginas de assinaturas eram separadas;
-CCBs eram assinadas digitalmente;
-Datas e informações que poderiam revelar a origem dos documentos eram removidas;

Por fim, as diferentes peças eram reunidas em arquivos únicos.
A tecnologia permitia acelerar praticamente todas essas etapas.

A mala direta do Word produzia procurações em lote. As consultas aos bancos de dados reuniam informações cadastrais. Os programas em C# automatizavam o tratamento dos PDFs. O Acrobat era utilizado para as assinaturas digitais. E o PDF24 reunia os documentos finais.

O objetivo, segundo o material pericial, era sustentar documentalmente a existência de uma carteira de créditos consignados atribuída à Tirreno Consultoria. O problema é que, mesmo depois da retirada de datas e da alteração de documentos, a própria estrutura digital deixava vestígios.

O choque entre as datas escritas nas CCBs e os registros das assinaturas digitais é um dos exemplos. A perícia conseguiu identificar que documentos apresentados com datas anteriores haviam sido assinados apenas posteriormente.

A operação, portanto, não dependia apenas da criação de documentos falsos. Havia também uma segunda frente: apagar ou modificar informações que poderiam revelar como e quando aqueles documentos haviam sido produzidos. Era uma tentativa de fazer com que uma sequência de arquivos fabricados em 2025 parecesse a documentação de operações realizadas anteriormente.

Papa Leão XIV expressa solidariedade às vítimas do 11 de setembro em oração

Neste domingo (13), durante a oração semanal do Angelus, realizada da janela do Palácio Apostólico do Vaticano, o papa Leão XIV expressou sua solidariedade às vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001.

A última sexta-feira (11) marcou o 25º aniversário do dia em que quase 3.000 pessoas perderam a vida quando dois aviões foram lançados contra o World Trade Center, em Nova York.

O papa, nascido em Chicago e o primeiro pontífice dos EUA da história, afirmou que renova suas “orações por aqueles que perderam a vida e por aqueles que continuam a carregar as feridas daquele dia trágico”.

Além disso, convidou todos a rezar “em um momento em que conflitos e violência afligem tantos de nossos irmãos e irmãs”.

O papa Leão celebrará seu 71º aniversário na segunda-feira (14). Será o seu segundo aniversário como líder da Igreja Católica.

Avião com cantor Rey Vaqueiro pega fogo após sair da pista em pouso no interior do RN

Um avião com o cantor Rey Vaqueiro pegou fogo após sair da pista de pouso particular em Parelhas, na região do Seridó, no Rio Grande do Norte, na madrugada deste domingo (13). Segundo o Corpo de Bombeiros, havia oito pessoas na aeronave, sendo dois tripulantes e seis passageiros, incluindo o artista e sua equipe.

A corporação informou que ninguém ficou ferido gravemente. Imagens mostram o momento em que as chamas tomam conta da aeronave.

O tenente-coronel Lima Verde, que atendeu a ocorrência, disse à CNN Brasil que o avião estava pousando na pista quando perdeu o freio e saiu da área delimitada. O superior das operações do Corpo de Bombeiros informou que, até o momento, não há informações sobre o que teria causado a perda de controle da aeronave.

Quando chegaram no local, os bombeiros localizaram as duas turbinas do avião, de matrícula PP-WMO, em chamas. A aeronave estava caída em uma área próxima à mata. Após cinco horas de trabalho para extinguir o fogo, as turbinas foram resfriadas e o combustível que restava no tanque da aeronave foi consumido.

Defesa de Flávio tentou 4 vezes tirar Dark Horse de Dino e levar a Mendonça

Os advogados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, tentaram ao menos quatro vezes, em poucas semanas, concentrar no ministro André Mendonça as investigações que dizem respeito ao financiamento do filme Dark Horse no STF (Supremo Tribunal Federal).

O início da ofensiva da defesa de Flávio Bolsonaro foi revelado pela CNN no início de julho. Entre os dias 3 e 28 daquele mês foram enviados quatro pedidos ao ministro Edson Fachin, presidente do STF, solicitando que Mendonça concentrasse todos as frentes de investigação sobre o caso.

O primeiro pedido dos advogados do candidato foi feito após o ministro Flávio Dino autorizar a Polícia Federal a investigar o repasse de emendas parlamentares a empresas vinculadas à produtora do filme.

Naquele momento, não havia investigação aberta contra o candidato no STF sobre Dark Horse. O inquérito contra Flávio Bolsonaro foi aberto em 22 de julho por Mendonça e a decisão que autorizou a investigação foi tornada pública nesta sexta-feira (11).

O candidato do PL à Presidência é investigado pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos no âmbito do financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL).

Os advogados do candidato sustentaram no primeiro pedido feito a Fachin que Mendonça já relatava outras duas petições que tratavam do caso Dark Horse no STF e que, por isso, demais casos deveriam ficar concentrados em seu gabinete. O argumento foi reforçado nas demais solicitações.

Dino concentra no STF a relatoria de uma série de processos que investigam suspeitas em repasses de emendas parlamentares a empresas, entidades e ONGs. Mendonça é responsável por conduzir as investigações sobre as fraudes do Banco Master e de Daniel Vorcaro.

Demonstrou-se que o protocolo das petições no âmbito da ADPF nº 854 [de relatoria de Dino] não se deu por acaso, mas se tratou de verdadeira manipulação das regras de competência, a fim de criar uma prevenção artificial e inexistente do Exmo. Min. Flávio Dino para os fatos”, afirmaram os advogados em outro pedido.

Antes mesmo de direcionar a ofensiva contra Fachin para tirar de Dino qualquer investigação sobre Dark Horse e concentrar em Mendonça, a defesa de Flávio atuou para que o candidato não fosse investigado pelo ministro Alexandre de Moraes.