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Presidente do TSE manda Lula retirar do ar vídeo sobre Banco Master gravado no Alvorada

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)/ Ricardo Stuckert/Divulgação

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou, em decisão publicada na terça-feira (22) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) remova de suas redes sociais, em até 24 horas, um vídeo gravado no Palácio da Alvorada em que o petista fala sobre o escândalo do Banco Master.

A decisão atende a um pedido do candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro. Ele argumentou que a publicação tem natureza mista ao “combinar manifestação institucional sobre fato de repercussão nacional com conteúdo de promoção pessoal da candidatura à reeleição“. O presidenciável sustentou ainda que o material foi “produzido em ambiente identificado com o exercício da Presidência da República”, o que é proibido pela legislação eleitoral.

Em seu despacho, Nunes Marques afirmou que a manifestação de conteúdo eleitoral na residência oficial não é, por si só, proibida. Entretanto, isso deve ser feito em ambiente neutro, em que não haja elementos associados ao poder público ou cargo ocupado pelo candidato, o que, para o ministro, não teria ocorrido no vídeo gravado por Lula.

As imagens juntadas aos autos mostram o primeiro representado (Lula) com a bandeira nacional ao fundo, estandarte de caráter institucional, além de outros elementos visuais associados ao exercício do cargo“, descreve.

Diante disso, Nunes Marques deu 24 horas para que o petista remova a peça de suas redes sociais e o proibiu de utilizar o material, integral ou parcialmente, inclusive na propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Além disso, o presidente do TSE também determinou que, em até cinco dias, a Presidência da República, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) apresentem:

  • cópia dos registros de acesso, autorização de entrada e identificação funcional e civil da equipe técnica que participou da gravação no Palácio da Alvorada;
  • identificação dos servidores, equipamentos e serviços eventualmente empregados na produção, edição e legendagem do material;
  • comprovação documental do pagamento e da origem do custeio das despesas de produção, edição, gravação e difusão do material, informando se foram pagas pelo comitê de campanha ou pelo governo federal.
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Vídeo de Porchat sobre Vorcaro, Flávio e Nikolas é top 1 no YouTube

Fábio Porchat em vídeo da série "Revelando" que detalha as conexões entre Daniel Vorcaro, Nikolas e Flávio Bolsonaro/YouTube/Reprodução

O ator e humorista Fábio Porchat alcançou o primeiro lugar do ranking Hype do YouTube no Brasil com uma análise detalhada sobre as conexões entre o empresário Daniel Vorcaro, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O conteúdo, parte da série “Revelando”, do podcast “Calma Urgente”, explora uma complexa rede de relações mediada, em parte, pela Igreja Batista da Lagoinha.

O episódio, intitulado “Grandes Igrejas, Master Negócios”, que investiga o caso Banco Master, alcançou o topo do ranking em menos de 24 horas e ultrapassou a marca de 1 milhão de visualizações, levantando discussões sobre a influência de figuras do mercado financeiro na política nacional.

Quem é Daniel Vorcaro?

Daniel Vorcaro é um ex-banqueiro e empresário, conhecido por ter sido proprietário do Banco Master. Ele se tornou uma figura central na análise de Porchat por sua crescente influência e por ser apontado como o elo financeiro que conecta diferentes esferas de poder, incluindo a política e a religiosa.

Qual a ligação entre Vorcaro, Nikolas Ferreira e a família Bolsonaro?

O vídeo de Fábio Porchat detalha como as relações entre Daniel Vorcaro, Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro se constroem a partir de interesses mútuos e de intermediários estratégicos. A principal tese apresentada é que Vorcaro atua como um financiador e apoiador de figuras alinhadas ao bolsonarismo, utilizando sua estrutura empresarial e religiosa para fortalecer essas conexões.

A análise se baseia em uma série de pontos que, juntos, formam a rede de influência descrita por Porchat, que também aponta Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e ex-pastor da Lagoinha, como uma figura central na investigação:

  • Apoio a figuras políticas: o material aponta que Vorcaro teria se aproximado e apoiado financeiramente figuras da direita conservadora, com Nikolas Ferreira sendo um dos principais beneficiados dessa relação.
  • O papel da Igreja Lagoinha: a Igreja Batista da Lagoinha, frequentada tanto por Vorcaro quanto por Nikolas, é apresentada como um espaço de mediação e fortalecimento desses laços, servindo como ponto de encontro e articulação política.
  • Uso de aeronave: o vídeo menciona que Nikolas Ferreira utilizou, em 2022, um jato que pertenceria a Daniel Vorcaro durante campanha política para se encontrar com o então presidente Jair Bolsonaro, ilustrando as conexões existentes.
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Na Assembleia Geral da ONU o Irã diz ser vítima de terrorismo dos EUA

Presidente iraniano, Masoud Pezeskhian/TIMOTHY A. CLARY / AFP

Nesta quarta-feira (23), em seu discursou na Assembleia Geral da ONU, o presidente iraniano, Masoud Pezeskhian, respondeu às acusações de Donald Trump no dia anterior.

O presidente norte-americano descreveu-nos como terroristas. Temos sido vítimas de terrorismo. Crianças morreram em uma escola sob as bombas dos Estados Unidos e Israel. Nós apenas nos defendemos. Não somos terroristas. O Irã não curvou a cabeça. Precisamos ser fortes e poderosos para resistir aos Estados Unidos, que não respeitam as leis internacionais“, afirmou Pezeskhian.

Por outro lado, o chefe de Estado do Irã discursou sem a presença dos representantes dos EUA, que abandonaram o local.

Em relação às armas nucleares, Pezeshkian reiterou que o governo de Teerã não irá desistir do que é seu. “Dizemos claramente que não queremos armas nucleares e não queremos limitações à tecnologia nuclear pacífica. O país precisa de energia nuclear, não de bomba nuclear”, enfatizou.

O presidente iraniano também garantiu que o Irã não irá se render e que acredita na diplomacia.

Enquanto isso, o Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, reconheceu que o Estreito de Ormuz é “um problema”, mas que os EUA vão continuar a lutar e manter o estreito aberto. “Trump tem diversas opções à disposição, incluindo militares. Se faremos um acordo com o Irã, isso envolverá trabalho duro durante um período de tempo“, indicou o chefe da diplomacia.

Conversações sobre reabertura de Ormuz

As agências de notícias internacionais revelaram que a delegação iraniana teve conversas indiretas com Washington na terça-feira sobre a abertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio marítimo imposto pelos norte-americanos aos portos iranianos.

Segundo ainda a mídia estatal iraniana, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, se reuniu, em Nova Iorque, com o enviado norte-americano Steve Witkoff. “Araghchi disse a Witkoff que as condições de Teerã para a reabertura do Estreito de Ormuz incluíam a suspensão imediata do bloqueio naval dos EUA, a rápida liberação de todos os bens iranianos congelados, assim como o fim da guerra em todas as frentes“, reportou o canal estatal iraniana IRIB.

Já Trump havia descrito antes como “muito bom” o encontro realizado entre representantes norte-americanos e iranianos, pouco depois de ter ameaçado “aniquilar” o Irã durante o seu discurso na Assembleia-Geral da ONU.

Por sua vez, a alta representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, divulgou na rede social X que se reuniu com Abbas Araghchi, à margem da Assembleia Geral da ONU, onde abordaram as perspectivas diplomáticas para pôr fim à guerra entre os EUA e o Irã e reabrir totalmente o Estreito de Ormuz.

Não havia portagens ou taxas de passagem antes da guerra, e não deve haver nenhuma após o conflito. A navegação deve ser livre e desimpedida, tanto no estreito de Ormuz como no estreito de Bab el-Mandeb“, sublinhou a chefe da diplomacia da UE.

Kallas acrescentou que conversou com Araghchi a questão da repressão interna no Irã, incluindo o aumento acentuado das execuções e das sentenças de morte.

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Zambelli pede ao STF salvo-conduto para vir ao Brasil votar na mãe

Carla Zambelli/Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

A ex-deputada Carla Zambelli pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) um salvo-conduto para que possa retornar ao Brasil com o objetivo de votar em sua mãe, Rita Luzia Zambelli Salgado, candidata a deputada federal pelo PL de São Paulo.

Na peça protocolada na segunda-feira (22), a defesa afirma haver mandados de prisão em aberto contra a Zambelli e que a Justiça italiana negou a extradição dela para o Brasil, tendo considerado duvidosa a imparcialidade da Primeira Turma do STF, colegiado responsável por duas condenações contra a ex-deputada.

A defesa também apontou para o pedido de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes no caso do Banco Master, que ainda não foi votado pela plenário do STF, o que coloca em dúvida a idoneidade do magistrado, relator dos casos de Zambelli.

Circunstâncias que recomendam a preservação cautelar da liberdade até a conclusão da apuração judicial em curso”, escreveram os advogados.

A peça sustenta que, diante de todo esse quadro, Zambelli tem o direito de vir ao Brasil exercer o direito ao voto sem ser presa. “O risco de prisão no ingresso, na permanência ou na saída do País inviabiliza o exercício dessa finalidade e torna necessária a tutela preventiva da liberdade de locomoção”, disse a defesa.

A ação foi enviada ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, relator do pedido de investigação contra Moraes.

Zambelli quer autorização para chegar ao Brasil no 3 de outubro, votar em 4 de outubro e embarcar de volta para a Itália no dia seguinte.

Entenda

A ex-deputada Carla Zambelli, ainda filiada ao PL de São Paulo, foi condenada a 10 anos de prisão pela Primeira Turma do Supremo, em 2025, pelos crimes de invasão de sistema informático e falsidade ideológica.

Ela foi considerada culpada por encabeçar uma invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) realizada em 2022, com o objetivo de inserir neles um mandado de prisão falso contra o próprio Moraes. A motivação, segundo a condenação, foi desmoralizar o Poder Judiciário diante das eleições presidenciais iminentes.

Ainda em 2025, ela foi condenada de novo pelo STF, dessa vez a 5 anos e 3 meses de prisão, com regime inicial semiaberto, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O caso está relacionado à perseguição do jornalista Luan Araújo pelas ruas de São Paulo, dias antes do segundo das eleições presidenciais de 2022.

Fuga

Após a primeira condenação, antes que fosse expedida a ordem para o cumprimento da pena, Zambelli se valeu do passaporte europeu para embarcar rumo aos Estados Unidos e depois para a Itália, onde pediu refúgio por perseguição política.

Ela chegou a ser presa em Roma a pedido do STF, por intermédio do governo brasileiro, que pediu sua extradição imediata. A primeira instância da Justiça italiana chegou a conceder a extradição, mas a decisão acabou cassada por um tribunal de apelação, que considerou duvidosa a atuação de Moraes, por figurar como juiz e vítima no mesmo processo.

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Renan aponta ao TSE interferência estrangeira na eleição em favor de Flávio

Candidato à Presidência pelo Missão, Renan Santos, participa de evento do partido em São Paulo

O candidato a presidente Renan Santos (Missão) acionou, na tarde desta quarta-feira (23), o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) apontando possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras por meio do impulsionamento de perfis pagos que demonstraram apoio ao candidato Flávio Bolsonaro (PL).

A representação foi distribuída ao ministro relator André Mendonça.

No documento, Renan aponta que “diversas publicações estão sendo realizadas na plataforma X em manifesta desconformidade com a legislação eleitoral, porque perfis estrangeiros estão, de forma reiterada e massiva, veiculando conteúdos de inequívoco caráter político-eleitoral destinados a promover a candidatura de Flávio Bolsonaro perante o eleitorado brasileiro”.

O documento exibe cinco desses perfis.Um deles, relata, “conta com 1,1 milhão de seguidores e posta sobre a política dos EUA, sendo curioso o fato de a única publicação tratar do Brasil, versar sobre eleições e ter sido realizada de forma paga” e “atingiu quase 64 mil visualizações, observando que há comentários em português, o que demonstra o alcance direcionado ao Brasil”.

A petição diz ainda haver estímulo para a realização de apostas na vitória de Flávio em sites vedados no Brasil, como o Polymarket.

Ao final, pede que sejam retiradas as publicações desses perfis e que o X (antigo Twitter) bloqueie o acesso no Brasil a publicidades da plataforma Polymarket a respeito das eleições brasileiras.

A tese defendida por Renan é compartilhada pelo governo e pelo PT, que entendem já estar em curso uma interferência americana nas eleições brasileiras, como mostrou a CNN.

A CNN procurou a campanha de Flávio e a Polymarket para posicionamento e ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto.

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Fux dá 10 dias para Senado explicar acesso de Vorcaro e Viviane Moraes

O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta quarta-feira (23) que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), preste informações, no prazo de dez dias, sobre os registros de entrada e saída de oito pessoas nas dependências da Casa desde fevereiro de 2019.

Entre os nomes estão a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A determinação também abrange Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente; e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Após a manifestação de Alcolumbre, o Ministério Público terá dez dias para emitir parecer sobre o caso.

A decisão foi tomada em um mandado de segurança apresentado pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo), que questiona a negativa do Senado em fornecer os dados solicitados por meio da Lei de Acesso à Informação. A Casa havia recusado o pedido sob a justificativa de proteção de dados pessoais.

O processo foi inicialmente distribuído a Alexandre de Moraes, que se declarou impedido de atuar no caso na segunda-feira (21), por envolver sua esposa. Após a redistribuição, Fux foi sorteado como novo relator na terça-feira (22).

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Flávio Bolsonaro pede ao TSE que proíba Lula de usar discurso na ONU em propaganda eleitoral

Flávio e seu vice também destacam que Lula mencionou diretamente as eleições de 4 de outubro durante o discurso/Reprodução / Campanha Eleitoral

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), acionaram na terça-feira (22), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) por suposta prática de conduta vedada no discurso de Lula na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Na representação, os candidatos afirmam que Lula teria utilizado o pronunciamento oficial como “palanque político” ao abordar temas presentes em sua campanha, como bets, fim da escala 6×1, soberania nacional, terras raras e Pix. Os autores também destacam que Lula mencionou diretamente as eleições de 4 de outubro durante o discurso.

Flávio e Gaspar pedem, em caráter liminar, que Lula e Alckmin sejam proibidos de utilizar em propaganda eleitoral imagens do discurso na ONU ou de atos relacionados à viagem e ao evento. A representação prevê multa de R$ 50 mil por peça ou postagem que descumpra a eventual decisão.

Os candidatos também citam precedente de 2022, quando o TSE proibiu o então presidente Jair Bolsonaro de utilizar em propaganda eleitoral imagens de seu discurso na Assembleia Geral da ONU daquele ano. Segundo a representação, a decisão considerou o risco de uso eleitoral de um pronunciamento realizado no exercício da função de chefe de Estado.

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Alckmin sanciona lei com penas mais severas para furto e roubo de combustíveis

O vice-presidente Geraldo Alckmin, no cargo devido à viagem do presidente Lula para a Assembleia Geral da Onu, sancionou a lei 15.517/Cadu Gomes/VPR

O vice-presidente Geraldo Alckmin sancionou a lei 15.517 que altera o Código Penal para aumentar as penas para os crimes de roubo e furto de petróleo e combustíveis. O texto foi publicado no Diário Oficial da União (DOU).

A lei prevê pena de reclusão, de quatro a dez anos, e multa, se a subtração for de petróleo e derivados, gás natural e suas frações recuperáveis, álcool etílico hidratado carburante e demais combustíveis fluidos carburantes, inclusive biocombustíveis, e óleos lubrificantes, removidos dos estabelecimentos de produção ou de quaisquer instalações de armazenamento e de transporte de combustíveis, incluídos dutos e unidades de transporte em qualquer modal.

“A pena é aumentada de dois terços se do crime resulta: suspensão ou paralisação das atividades do estabelecimento; desabastecimento; incêndio; poluição efetiva ou potencial ao meio ambiente; lesão corporal grave; ou morte.”

A lei também classifica como crime contra a ordem econômica “adquirir, receber, transportar ou contratar serviço de transporte, conduzir, ocultar, armazenas, vender, distribuir ou de qualquer forma utilizar” combustíveis que se sabe ser produto de crime. A pena é de reclusão de três a oito anos, e multa.

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Gilmar Mendes intensifica ofensiva contra Nunes Marques

Jurisprudência Nunes Marques" não deve se manter, diz Gilmar

O ministro Gilmar Mendes propôs, na terça-feira (22), levar ao plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) a discussão sobre indenizações a usinas de açúcar e álcool. Segundo apuração do analista de Política da CNN Teo Cury, ao CNN Novo Dia, com a proposta, o decano intensifica a ofensiva contra o ministro Kassio Nunes Marques.

A iniciativa ocorre após a divulgação de mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, nas quais uma advogada comemora um voto de Nunes Marques sobre a questão.

A proposta de Gilmar Mendes consiste em uma questão de ordem para que o caso saia da Segunda Turma e seja submetido à análise de todos os ministros do Supremo.

Segundo a avaliação, o objetivo seria promover uma padronização e uniformização do entendimento sobre o tema, que envolve especificamente a perícia para indenização a empresas do setor sucroalcooleiro.

Mensagens e o voto de Kassio Nunes Marques

As mensagens tornadas públicas foram obtidas a partir do acesso ao material bruto do celular de Daniel Vorcaro, uma solicitação feita por vários ministros do Supremo.

O conteúdo revelou que havia uma expectativa muito grande do Banco Master por um voto favorável no julgamento. Kassio Nunes Marques havia votado a favor dos interesses das empresas do setor sucroalcooleiro naquele julgamento.

Também foram reveladas conversas entre Vorcaro e Gilmar Mendes, nas quais o ex-banqueiro e seus advogados buscavam um voto favorável do ministro — voto que, no entanto, não veio, já que Gilmar Mendes votou a favor dos interesses da União, contra as empresas do setor.

Crise no STF se aprofunda

Segundo Teo Cury, a ofensiva de Gilmar Mendes é interpretada como uma tentativa de expor o colega em meio ao avanço da crise no Supremo Tribunal Federal. Em mensagens anteriormente divulgadas, Gilmar Mendes afirmou que determinados ministros agiam como “servos” e “reféns” de André Mendonça.

Além disso, Gilmar teria pedido, por mensagem, que Kassio Nunes Marques deixasse o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), desejo que também renovou por meio de publicações nas redes sociais.

No julgamento em questão, apenas Gilmar Mendes e André Mendonça votaram contra os interesses do Banco Master. Outros ministros, como Kassio Nunes Marques, Edson Fachin e Dias Toffoli, votaram a favor das indenizações voltadas para as empresas do setor sucroalcooleiro.

Há ainda a informação de que um contrato de honorários advocatícios de R$ 427 milhões chegaria a esse valor em caso de vitória em um julgamento como esse, o que, segundo a apuração, estabelece uma correlação com o que a Polícia Federal chamou de “turma do KN” — grupo que teria atuado nos bastidores para garantir um voto favorável no Supremo.

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Zanin nega pedido para determinar a instalação da CPI do Master no Senado

Zanin durante julgamento dos acusados de mandar matar Marielle Franco — Foto: Gustavo Moreno/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin negou um pedido de liminar (decisão provisória) para determinar a instalação da CPI do Master no Senado. O pedido foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE).

Zanin entendeu que não ficou devidamente comprovada uma omissão do presidente do Senado em relação à instalação da comissão.

Segundo o ministro, o pedido não esclareceu como ocorreu a tramitação nem qual foi a atuação da Presidência do Senado diante de um conjunto de requerimentos relacionados ao caso Master.

Zanin destacou ainda que o próprio senador reconheceu a existência de um requerimento anterior para a criação da CPI.

Para o ministro, essas informações são necessárias para avaliar se houve, de fato, uma omissão ilegal que justificasse a intervenção do Judiciário para determinar a instalação da comissão.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) criticou a decisão e afirmou que apresentará novas informações ao STF para tentar garantir a instalação da CPI do Banco Master. O parlamentar disse que a decisão não encerra a discussão e afirmou que a omissão do Senado em instalar a CPI é “fato notório”.

CPI do Master

A defesa da instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para investigar o Banco Master está no centro da disputa política e de narrativa no Congresso entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a oposição bolsonarista.

Às vésperas da eleição, o cenário se intensificou após a crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Os embates entre ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça começaram após a revelação do envio de pelo menos 52 mensagens de Vorcaro para Moraes.

Enquanto no Supremo a questão está paralisada após a suspensão dos julgamentos que iam analisar o relatório que cita Moraes e o pedido de investigação contra Mendonça, no Legislativo deputados e senadores querem explorar o tema politicamente.

No entanto, a cúpula do Congresso é contra a instalação de um colegiado para investigar o escândalo do banco de Daniel Vorcaro e, diante desse cenário, governistas e oposicionistas utilizam o tema de olho nas eleições deste ano.

Ao todo, o Congresso conta com sete iniciativas diferentes para criar comissões destinadas a investigar o Banco Master.

Para que uma Comissão Parlamentar de Inquérito seja criada, é necessário o apoio mínimo de um terço dos integrantes da respectiva Casa Legislativa. Para a Comissão ser instalada, é preciso que o requerimento seja lido em uma sessão.

Além do número mínimo de assinaturas, o requerimento precisa indicar um fato determinado a ser investigado e estabelecer prazo certo para funcionamento da comissão.

Critérios

Na Câmara dos Deputados, uma CPI depende da assinatura de ao menos 171 deputados.
No Senado, são necessárias 27 assinaturas de senadores.
Já uma CPMI — comissão mista formada por deputados e senadores — exige simultaneamente os dois quóruns: 171 deputados e 27 senadores.

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Alexandre Pires é alvo da PF em operação que investiga venda ilegal de cassiterita da Terra Yanomami

Alexandre Pires. — Foto: Érico Andrade/g1/Arquivo

O cantor Alexandre Pires e os empresários Diego Possebon e Matheus Possebon foram alvos de buscas da Polícia Federal nesta quarta-feira (23) durante uma operação que investiga a atuação de uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. O grupo é suspeito de comercializar cassiterita extraída ilegalmente da Terra Indígena Yanomami, em Roraima.

O g1 tenta contato com a defesa de Alexandre Pires.

Ao todo são cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens judiciais para o sequestro de bens e valores, expedidos pela Justiça Federal. Não há mandados de prisão.

A Rede Amazônica apurou que os mandados de busca e apreensão contra o cantor são cumpridos em uma casa e na produtora musical dele, em Uberlândia (MG), para recolhimento de mídias, documentos e bens.

A investigação aponta que Alexandre Pires era empresariado por Matheus Possebon, irmão de Diego Possebon, apontado como o operador central e líder da organização. Alexandre Pires e a empresa foram incluídos no Núcleo Financeiro da organização investigada. Segundo a investigação, o cantor e a empresa teriam sido utilizados para fracionar, ocultar e dissimular valores obtidos com a fraude envolvendo o minério.

As investigações apontam que mais de US$ 48 milhões foram movimentados e ocultados por meio de empresas nacionais e estrangeiras, operações financeiras internacionais, contas de terceiros e mecanismos informais de transferência de dinheiro conhecidos como dólar-cabo.

Segundo a investigação, o esquema usava pessoas físicas e empresas para dividir os recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro.

A investigação é um desdobramento da primeira fase da Operação Disco de Ouro, que apura crimes relacionados à comercialização e à exportação de minério. A operação também investiga o uso de documentos falsos para dar aparência de regularidade a determinadas transações.

Os investigados poderão responder, de acordo com a participação de cada um, por lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade ideológica, operação irregular de instituição financeira e outros crimes que sejam identificados durante as investigações.

*Essa reportagem está em atualização

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Corpo do cantor Rick vai ser velado e enterrado em Sorocaba, SP

O corpo do cantor Rick, da dupla com Renner, será velado e enterrado em Sorocaba (SP). Rick Sollo foi uma das cinco vítimas do acidente com helicóptero na Serra de Santa Catarina.

Todos os corpos foram resgatados no fim da tarde desta terça-feira (22) e levados para o Instituto Médico Legal (IML) de Florianópolis, que liberou nesta manhã os corpos para velório e enterro.

O corpo de Rick será levado até Sorocaba por meio de táxi aéreo. A assessoria da dupla informou que o velório para família e amigos acontecerá nesta quinta-feira (24). Até a última atualização desta reportagem, não havia detalhes como local e horário do velório e do enterro.

Rick estava no helicóptero que caiu em Urubici, na Serra de Santa Catarina, na segunda-feira (21). Além do cantor, estava no helicóptero o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antonio Roberto Nobrega de Araujo e o copiloto Leopoldo de Barros Teixeira.

O prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (sem partido), postou em suas redes sociais, na noite de terça-feira, que fez contato com representantes da família e que estava colocando a estrutura na cidade à disposição para velar o corpo do cantor.

Nós falamos com o representante da família, coloquei à disposição a prefeitura, a Arena Multiuso, o ginásio. Falei que falaria com o presidente da Câmara, para a Câmara Municipal também. O Rick tem um convívio aqui na nossa região, então nós vamos receber ele de braços abertos aqui, porque ele é amado não só pelo sorocabano, como todo o Brasil. Meus sentimentos também aos outros familiares, às outras pessoas que morreram também“, disse Manga, que vive o luto pela morte do irmão, o também prefeito de Votorantim (SP), Weber Manga, após um infarto. Ele foi enterrado nesta terça-feira.

O acidente

A aeronave, um modelo Bell 430, perdeu o sinal na segunda-feira e foi localizada nesta terça. Além do cantor Rick e do empresário Bruno Avelar, os outros três ocupantes eram o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.

A Força Aérea Brasileira sobrevoou regiões de Urubici por 13 horas, até encontrar os destroços na localidade de Santa Bárbara, uma área de mata de difícil acesso no interior do município.

Segundo a Polícia Científica, os corpos dos cinco ocupantes foram resgatados na tarde desta terça-feira (22). Aeronaves dos bombeiros e da Polícia Militar (PM) ajudaram na operação.

Em razão da região de difícil acesso, a retirada foi feita por via aérea, com uso de cordas. Os corpos foram levados para o Instituto Médico Legal (IML) de Florianópolis, onde passaram pelos exames periciais.

A aeronave decolou de Porto Belo, no Litoral Norte, na manhã de segunda-feira (21), com destino a São Joaquim, na Serra, e não chegou ao local previsto. A região tinha previsão de fortes tempestades, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

A operação contou com uma aeronave que encontrou os destroços, aproximadamente 40 bombeiros, dois cães farejadores, mais de 10 viaturas e drones com capacidade de identificação térmica.

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“Pernambuco jamais será terra de ‘faz sem ela saber'”, dispara João Campos

O candidato ao governo de Pernambuco João Campos (PSB) criticou um vídeo de 2025 que circula nas redes sociais onde a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), sugere uma laqueadura em uma paciente sem a autorização dela.

A declaração foi dada nesta terça-feira (22), durante encontro com o segmento de mulheres, realizado no comitê da Frente Popular, na Zona Norte do Recife.

O que Pernambuco, a mídia nacional e o povo brasileiro estão vendo ser dito, o que a atual governadora falou não representa o sentimento do povo e das mulheres pernambucanas. Pernambuco jamais será terra de ‘faz sem ela saber’”, disparou.

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Em Pernambuco, 35 candidatos usam nomes evangélicos na urna; apenas 2 estão no campo da esquerda

Para especialista, grupo social evangélico não é homogêneo no Brasil/Igreja Universal/divulgação

Segundo levantamento realizado pelo Diario de Pernambuco, 35 dos 961 candidatos pernambucanos nas eleições deste ano utilizam títulos evangélicos na urna. Outros 35 nomes aproveitam cargos militares ou patentes policiais para nomear suas candidaturas.

Dentre elas, apenas duas estão situadas no campo da esquerda, no caso de Irmão Bob do Táxi (candidato a deputado federal) e Irmã Lalá (candidata a deputada estadual), ambos filiados ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). No pleito deste ano, todos os pernambucanos que nomeiam suas candidaturas com patentes militares ou cargos policiais ocupam o espectro político da direita.

As informações foram apurados a partir dos dados abertos fornecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), levando em consideração títulos como “pastor”, “missionário” e “irmão”, no caso dos evangélicos, e “policial”, “cabo” e “delegado”, filiados às candidaturas de militares ou agentes policiais em geral. De acordo com pesquisador e doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Mário Veras, ao destacar uma característica no nome de urna, como “pastor”, “missionário” ou uma patente militar, o candidato pode sinalizar ao eleitor que pertence ou está associado a determinado grupo.

No caso dos títulos religiosos, trata-se de uma forma de comunicar uma identidade e estabelecer uma conexão com eleitores que compartilham daquela característica. “Na ciência política, a gente tem um termo chamado heurística, que é basicamente quando candidatos tentam mostrar, num cenário de baixa informação, que ele está alinhado ao eleitor. A heurística pode ser de sexo, raça, religião e trabalho, por exemplo”, explica Veras.

De acordo com o pesquisador, o mecanismo permite que o candidato comunique, em poucas palavras, características que podem ser associadas a determinado segmento do eleitorado, sem que o eleitor precise conhecer previamente sua trajetória ou suas propostas. A estratégia, porém, não significa necessariamente que o candidato terá maior votação.

“Um apontamento que a literatura faz é o de que, em geral, esses nomes de urna são utilizados por candidatos fracos, sem grande atratividade eleitoral e que não tem muito como se destacar nos seus partidos. É claro que, em Pernambuco, temos exceções, como a missionária Michelle e o pastor Cleiton Collins, que usam esses nomes na urna”, afirma Veras.

Para Veras, porém, o nome de urna não é suficiente para dimensionar a influência das igrejas nas eleições. Segundo ele, parte do apoio religioso a candidatos ocorre de maneira informal e não é necessariamente publicizada.

“Muito do apoio que as igrejas dão a candidatos evangélicos não são apoios públicos. Então, a gente não tem, talvez, vários candidatos que são fortes, que estão ligados à esquerda ou à direita, que podem ter o apoio de igrejas evangélicas e serem apoiados dentro das igrejas, mas a gente não sabe disso, porque são informações que não são publicitadas”, afirma.

O pesquisador cita como exemplo a participação da governadora Raquel Lyra em cultos ligados a grupos religiosos, mas ressalta que uma eventual relação de apoio não significa que a identidade religiosa precise aparecer no nome de urna. “Então, pode existir alguma movimentação dentro da igreja de apoio a Raquel Lyra, mas nem por isso ela vai colocar nome de urna ‘Irmã Raquel Lyra’, porque ela não precisa disso, ela é forte por si só. Então, a gente tem que pensar nisso. Muito do que é feito de apoio institucional das igrejas, nós não temos contato”, diz.

A presença de apenas dois candidatos que utilizam títulos evangélicos e estão filiados ao PSB também deve ser analisada, segundo Veras, dentro de um processo mais amplo de aproximação entre partidos de esquerda e comunidades religiosas. Para o pesquisador, as igrejas possuem redes de atuação nas periferias que passaram a despertar o interesse dessas siglas.

“Sobre os partidos de esquerda não estarem conseguindo acessar essa periferia, eu acho que é um processo, eu acho que isso varia muito de estado para estado, e realmente é algo que a esquerda está tentando melhorar sua situação. Mas eu acho que a esquerda reconheceu que os evangélicos conseguem fazer um trabalho nas periferias que nem os católicos conseguem e nem eles estão conseguindo chegar”, afirma.

Para Veras, contudo, o nome de urna não é suficiente para dimensionar a influência das igrejas nas eleições. Ele destaca que parte do apoio religioso a candidatos ocorre de maneira informal e não necessariamente pública.

“Muito do apoio que as igrejas dão a candidatos evangélicos não são apoios públicos. Então, a gente não tem, talvez, vários candidatos que são fortes, que estão ligados à esquerda ou à direita, que podem ter o apoio de igrejas evangélicas e serem apoiados dentro das igrejas, mas a gente não sabe disso, porque são informações que não são publicitadas”, afirma.

À direita

Em Pernambuco, o PL é o partido que reúne o maior número de candidatos que utilizam títulos militares ou policiais na urna, com nove postulantes encontrados no levantamento. O ranking é acompanhado por Podemos (6), Novo (4), Avante (4), PSD (4), Republicanos (3), PP (2), MDB (2), União (2), Missão (1).

Dentre os candidatos com nomes eleitorais evangélicos, a lista é capitaneada pelo Partido Novo (6), seguido por PP (5), PL (3), Solidariedade (3), Republicanos (3), PSD (3), Democratas (3), Mobiliza (2), Missão (2), PSB (2), MDB (2) e PSDB (1). A predominância de candidaturas masculinas também chama a atenção tanto entre militares (75,7%) quanto entre evangélicos (68,6%).

Para o pesquisador Mário Veras, a concentração dos candidatos que utilizam referências militares ou policiais em partidos de direita acompanha uma aproximação histórica entre setores militares e esse campo político, mas o número de candidatos não permite concluir, isoladamente, qual é o peso eleitoral desse segmento. “O ideológico militar naturalmente vai se aproximar a partidos de direita no Brasil, principalmente partidos de extrema-direita. O que não dá para saber pelo levantamento é quantos deles são realmente relevantes na disputa eleitoral”, comenta.

“Irmão vota em irmão”

Segundo Veras, a associação entre evangélicos e a direita também precisa ser observada dentro de uma perspectiva histórica. Ele ressalta que os evangélicos não constituem um grupo político homogêneo e que a aproximação de parte desse eleitorado com candidaturas de direita é resultado de um processo histórico, e não uma característica inerente à religião.

Nos anos 1934, a Confederação Evangélica Brasileira (CEB) foi criada com o objetivo de construir uma identidade evangélica nacional. Documentos produzidos pela instituição influenciaram a formulação da Constituição de 1946, que teve em sua assembleia constituinte a presença do pastor metodista Guaracy Silveira, à época único evangélico eleito para a Câmara Federal.

Nos anos 1950, a CEB criou a Comissão de Igreja e Sociedade e também promoveu conferências, com destaque para a Conferência do Nordeste- Cristo e o Processo Revolucionário, em 1962. Do evento, participaram intelectuais como Gilberto Freyre, Celso Furtado e Paul Singer. Com o golpe militar de 1964, a postura progressista da CEB foi fortemente combatida pelo regime e pelos setores mais conservadores do protestantismo, levando lideranças e pastores à tortura nos porões do regime, segundo documentos divulgados pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI) em 2011.

Por outro lado, outros evangélicos se aliaram ao regime e passaram a se identificar com a pauta anticomunista, inclusive entregando “irmãos” que era opositores da ditadura. Os protestantes também tiveram atuação importante na redemocratização, atuando em campanhas como Evangélicos Pró-Diretas Já (1984) e Evangélicos pela Constituinte (1986), cuja assembleia contou com 32 deputados federais protestantes. Ao mesmo tempo, Igrejas como a Assembleia de Deus passaram a lançar seus próprios candidatos, sob o lema “Irmão vota em Irmão”.

“Os evangélicos no Brasil não necessariamente tiveram essa ligação com a direita. Não é histórico. De 2014 para cá, a gente teve uma mudança, principalmente por causa da agenda de costumes”, ressalta Veras.

O pesquisador também destaca a pluralidade do grupo religioso. “A gente não pode generalizar. Acredito que a esquerda reconheceu que os evangélicos conseguem fazer um trabalho que ela não consegue nas periferias. Há um movimento de aproximação dos partidos de esquerda em direção a esse grupo”, conclui.

Confira a lista de candidatos com nomes evangélicos em Pernambuco:

NOVO – 6 candidatos

Pastor Esdras Noberto (Deputado Estadual – 30080)

Pastor Leonardo Galvão (Deputado Estadual – 30177)

Pastor Gilberto (Deputado Federal – 3020)

Missionária Patrícia Macena (Deputado Estadual – 30444)

Irmão Nado (Deputado Estadual – 30210)

Pastor Ícaro Tabosa (Deputado Estadual – 30233)

PP (Progressistas) – 5 candidatos

Missionária Michele Collins (Deputado Federal – 1161)

Pastor Júnior Tércio (Deputado Estadual – 11222)

Irmã Roselma (Deputado Estadual – 11121)

Pastor Cleiton Collins (Deputado Estadual – 11611)

Irmã Rose (Deputado Estadual – 11432)

PL (Partido Liberal) – 3 candidatos

Pastor Capelao Jorge (Deputado Estadual – 22345)

Irmão Moises Popeye (Deputado Estadual – 22889)

Irmão Fabinho (Deputado Estadual)

SOLIDARIEDADE – 3 candidatos

Pastor Hildeberto Júnior (Deputado Estadual – 77577)

Pastor Pedro (Deputado Federal – 7722)

Pastor Amaro (Deputado Federal – 7756)

REPUBLICANOS – 3 candidatos

Pastor Cabral Silva (Deputado Estadual – 10333)

Irmã Iolanda (Deputado Estadual – 10444)

Pastor Fabianni Felix (Deputado Estadual – 10373)

PSD – 3 candidatos

Irmã Juninha (Deputado Estadual – 55025)

Terezinha de Irmão Naldinho (Deputado Federal – 5556)

Zé de Irmã Teca (Deputado Estadual – 55333)

DEMOCRATA – 3 candidatos

Pastor Gilvan Costa (Senador – 355)

Irmã Claudia (Deputado Estadual – 35222)

Pastora Simea Carvalho (2º Suplente – 355)

MOBILIZA – 2 candidatos

Pastor Rodrigo Otavio (Deputado Estadual – 33622)

Pastor Luiz Eduardo (Deputado Estadual – 33133)

MISSÃO – 2 candidatos
Irmão Jean Carlos (Deputado Federal – 1433)

Irmão Fernando (Deputado Federal – 1425)

PSB – 2 candidatos

Irmão Bob do Taxi (Deputado Federal – 4055)

Missionária Lala (Deputado Estadual – 40877)

MDB – 2 candidatos

Pastor André Oliveira (Deputado Estadual – 15456)

Irmã Jailza (Deputado Estadual – 15140)

PSDB – 1 candidato

Pastor Eurico (Deputado Federal – 4522)

Confira a lista de candidatos com nomes ligados a forças de segurança em Pernambuco:

PL (Partido Liberal) – 9 candidatos

Coronel Alberto Feitosa (Deputado Estadual)

Coronel Meira (Deputado Federal)

Delegado Lessa (Deputado Estadual)

Delegada Patricia (Deputado Federal)

Cabo Bebeto (Deputado Estadual)

Sargento Neto (Deputado Estadual)

Major Crispim (Deputado Estadual)

Tenente Lucena (Deputado Estadual)

Capitão André (Deputado Federal)

PODEMOS – 6 candidatos

Delegado Resende (Deputado Estadual)

Cabo Diego (Deputado Federal)

Sargento Salazar (Deputado Estadual)

Policial Rinaldo (Deputado Estadual)

Tenente Nascimento (Deputado Estadual)

Agente Silva (Deputado Federal)

NOVO – 4 candidatos

Coronel Rossini (Deputado Estadual)

Capitão Franklin (Deputado Federal)

Sargento Ramos (Deputado Estadual)

Delegado Thiago (Deputado Estadual)

AVANTE – 4 candidatos

Cabo Santos (Deputado Estadual)

Delegado Bruno (Deputado Federal)

Sargento Lima (Deputado Estadual)

Bombeiro Luciano (Deputado Estadual)

PSD – 4 candidatos

Coronel Basílio (Deputado Estadual)

Delegado Rossine (Deputado Federal)

Tenente Feitosa (Deputado Estadual)

Sargento Eduardo (Deputado Estadual)

REPUBLICANOS – 3 candidatos

Delegado Mario Melo (Deputado Federal)

Cabo Valdir (Deputado Estadual)

Sargento Geraldo (Deputado Estadual)

PP (Progressistas) – 2 candidatos

Delegado Erick Lessa (Deputado Estadual)

Capitão Alistair (Deputado Federal)

MDB – 2 candidatos

Coronel Kleyton (Deputado Estadual)

Cabo Henrique (Deputado Federal)

UNIÃO BRASIL – 2 candidatos

Delegado Joao Ribeiro (Deputado Federal)

Tenente Souza (Deputado Estadual)

MISSÃO – 1 candidato

Capitão Ferreira (Deputado Estadual)

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João Campos promete ampliar monitoramento de agressores e rede de delegacias da mulher

O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) apresentou, nesta terça-feira (22), propostas voltadas às políticas de proteção às mulheres durante encontro realizado no Recife. Entre as medidas anunciadas estão a aquisição de mais de 20 mil tornozeleiras eletrônicas e a ampliação da rede de delegacias especializadas.

O encontro aconteceu no Comitê 40, em Casa Forte, e reuniu mulheres de diferentes áreas, além de candidatas e lideranças políticas da Frente Popular.

Segundo João Campos, caso seja eleito, a proposta é iniciar, em janeiro de 2027, a aquisição de mais de 20 mil tornozeleiras eletrônicas para ampliar o monitoramento de agressores submetidos a medidas judiciais.

De acordo com dados apresentados pela campanha, Pernambuco possui atualmente cerca de 26 mil medidas protetivas e 8 mil tornozeleiras eletrônicas disponíveis. A intenção anunciada é disponibilizar os novos equipamentos ao Tribunal de Justiça de Pernambuco.

Outra proposta apresentada pelo candidato é duplicar o número de delegacias da mulher no Estado e garantir atendimento durante 24 horas nas unidades.

João também citou políticas relacionadas à geração de renda, educação, emprego e ampliação de vagas em creches como parte das ações direcionadas às mulheres. Durante o encontro, voltou a cobrar a promessa da atual gestão estadual de construir 250 creches em Pernambuco.

O candidato ainda comentou a repercussão do vídeo em que a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) aparece sugerindo uma laqueadura “sem ela saber”. O episódio veio a público no último domingo (20) e levou a governadora a pedir desculpas pela declaração.

Ao abordar o caso, João defendeu que decisões relacionadas a procedimentos de esterilização devem respeitar a autonomia e o consentimento das mulheres.

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