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Colômbia denuncia suposto bombardeio do Equador em plena crise diplomática

Gustavo Petro, presidente da Colômbia, e Daniel Noboa, presidente do Equador/RAUL ARBOLEDA / AFP

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, denunciou, nesta terça-feira (17), que uma “bomba” não detonada foi encontrada em território colombiano, muito perto da fronteira com o Equador. Moradores da região afirmaram à AFP que estão “apavorados”.

A “bomba (…) caiu a cem metros da casa de uma família camponesa empobrecida“, disse Petro no X, incluindo em sua publicação imagens do explosivo em meio a plantações de folhas de coca.

Camponeses da região confirmaram à AFP esta versão, em meio a uma guerra comercial e tarifária entre os dois países, que escala dia a dia.

Noboa, por sua vez, diz que essas acusações são “falsas” e acusa a Colômbia de não fazer o suficiente no combate aos grupos armados na fronteira, que depois cruzam para o Equador, onde a violência do narcotráfico atinge níveis históricos.

“Estávamos todos apavorados, quer dizer, assustados, e preocupados que, de repente, esses aparelhos fossem explodir e pudessem tirar nossas vidas”, disse o camponês Julián Imbacuán em conversa por telefone com a AFP.

O morador do pequeno povoado de El Amarradero, no município de Ipiales, disse que a bomba caiu “pertinho da casa, a cerca de 50 a 60 metros” e que mais tarde encontrou o artefato sem explodir.

Imagens compartilhadas com a AFP mostram camponeses ao redor da bomba de aviação de 250 quilos e, bem perto, a cratera que ela deixou após a queda.

Especialistas consultados consideram que se trata de uma “bomba de queda livre” tipo MK, geralmente fabricada no Brasil e nos Estados Unidos. Estas bombas não são teleguiadas e caem por efeito da gravidade.

O ministro da Defesa da Colômbia, Pedro Sánchez, pediu que os moradores se mantenham afastados da área.

“Não é plausível”

O suposto ataque ocorre no momento em que o Equador lança uma dura ofensiva de duas semanas com estritos toques de recolher para tentar subjugar os cartéis com o apoio dos Estados Unidos.

O Equador está “bombardeando os locais que serviam de esconderijo” para grupos criminosos “em grande parte colombianos, que o próprio governo deles permitiu que se infiltrassem em nosso país por descuido com sua fronteira”, afirmou Noboa no X, em alusão ao presidente colombiano.

Aliado fiel de Washington na região, o governo equatoriano atacou na semana passada um campo de treinamento de uma dissidência das Farc na província equatoriana fronteiriça de Sucumbíos (nordeste).

“Presidente Petro, suas declarações são falsas; estamos atuando em nosso território, não no seu”, escreveu Noboa sobre a denúncia de Petro.

O Equador faz parte do “Escudo das Américas”, uma aliança de 17 países do continente criada pelo presidente americano, Donald Trump, para enfrentar ameaças à segurança.

Equador e Colômbia compartilham uma fronteira de cerca de 600 quilômetros por onde circulam guerrilhas colombianas e organizações criminosas de ambos os países dedicadas ao tráfico de drogas, armas e pessoas, além do garimpo ilegal.

“Há 27 corpos carbonizados e a explicação não é plausível”, respondeu Petro, sem especificar se se tratam de pessoas que morreram recentemente.

A AFP entrou em contato com o Exército, que não pôde responder sobre a origem dos corpos mencionados pelo presidente.

Em 2008, Equador e Colômbia estiveram à beira de um conflito após um bombardeio do então presidente colombiano Álvaro Uribe em território equatoriano, no qual morreu um dos comandantes da extinta guerrilha das Farc.

Que “não volte a acontecer”

Segundo Imbacuán, tudo ocorreu em 3 de março e “de uma hora pra outra”.

“Chegaram (…) uns três aviões, mais ou menos, do lado do Equador, e soltaram esses artefatos, e alguns conseguiram sim explodir, mas do lado do Equador”, contou.

Em campos políticos opostos, Petro e Noboa elevam o tom em meio à disputa tarifária que começou em fevereiro por iniciativa do Equador e afeta as importações, a cooperação energética e o transporte de petróleo entre os dois países.

Mais cedo, a chanceler equatoriana, Gabriela Sommerfeld, disse que Equador e Colômbia participarão em breve de “uma mesa de diálogo por meio da Comunidade Andina” de Nações, visando “retomar as conversas”.

“Estamos pedindo à Colômbia que aumente suas capacidades de controle de fronteira (…) para poder reduzir o nível de violência e insegurança”, insistiu Sommerfeld em entrevista ao canal Teleamazonas. Essa é a condição do Equador para pôr fim à guerra tarifária.

Por sua vez, o camponês só pede que “essas coisas não voltem a acontecer”.

“Como é que vão vir aqui atentar contra a vida de civis que estão trabalhando tranquilamente?”, pergunta.

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Prefeitos aprovam teto de R$ 350 mil para cachês de artistas e MPPE reforça monitoramento de gastos com festas

Prefeitos de Pernambuco aprovam teto de R$ 350 mil para cachês de artistas/Foto: Lu Rocha/ Amupe

Os prefeitos presentes na assembleia da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), nesta terça-feira (17), aprovaram a criação de um teto de R$ 350 mil para cachês de artistas contratados para festas públicas em 2026. A proposta foi apresentada após consulta com gestores municipais e recebeu amplo apoio entre os participantes.

De acordo com levantamento da Amupe, 149 prefeitos participaram da pesquisa e 143 concordaram com o tabelamento como referência para as contratações. O valor, no entanto, não será obrigatório, funcionando apenas como orientação para evitar aumentos excessivos nos cachês pagos pelas prefeituras.

A entidade também informou que, em 2025, apenas 1% dos cachês pagos foram superiores a R$ 600 mil, enquanto a média geral ficou entre R$ 200 mil e R$ 250 mil.

Durante a assembleia, os prefeitos votaram primeiro a criação de um teto e, em seguida, o valor sugerido. O então presidente da Amupe, prefeito Marcelo Gouveia (Podemos), explicou a lógica da decisão aos gestores. Ele reforçou que a medida busca criar um parâmetro para conter a escalada dos cachês sem retirar a autonomia das prefeituras.

Isso vai ser um parâmetro para a gente tentar frear isso, organizar isso e ao mesmo tempo não cortar também a liberdade de quem tem condições”, afirmou.

Durante a reunião, prefeitos também reconheceram que a própria concorrência entre municípios contribui para elevar os valores cobrados pelos artistas.

Monitoramento do MPPE

A discussão sobre os gastos com festas ocorre em meio ao acompanhamento feito pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE). O órgão mantém uma plataforma pública que permite acompanhar os gastos das prefeituras com eventos e festividades, ferramenta criada para aumentar a transparência e permitir o controle dos investimentos realizados pelas gestões municipais.

Dados divulgados anteriormente mostram que algumas cidades chegaram a gastar mais de R$ 2 milhões em festas, o que intensificou o debate sobre limites e critérios para a contratação de artistas.

Presente na reunião, o procurador-geral de Justiça de Pernambuco, José Paulo Cavalcante Xavier, afirmou que o objetivo do Ministério Público não é impor restrições, mas orientar as gestões.

Não significa que aqueles que pegar em condições e eventualmente ultrapassar esse valor e depender a depender da festa do tamanho do município e da saúde financeira do município, pode ser feito e se justifica nesse sentido”, disse.

Xavier ressaltou ainda que o processo é resultado de uma construção conjunta entre o MPPE e os prefeitos. “Esse é o primeiro passo e possivelmente mais à frente nós faremos alguns ajustes derivado da prática”.

Além do teto para cachês, os prefeitos também aprovaram outra recomendação: que os gastos com festas e os valores pagos aos artistas sejam reajustados apenas com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Segundo Marcelo Gouveia, a regra pode ajudar a conter o aumento acelerado dos valores cobrados pelos artistas.

Se a gente não reajustar acima do IPCA, a gente já vai dar uma travada grande nessa nos próximos, para que não continue crescendo de forma exorbitante. Isso é muito importante, talvez até mais importante do que o próprio teto”, afirmou.

Ele explicou que o critério também deve ser aplicado ao orçamento geral das festas. Alguns gestores ressaltaram que o teto não pode comprometer eventos culturais tradicionais do estado, como grandes festas juninas, carnavais e manifestações culturais.

Contratos já firmados serão respeitados

Marcelo Gouveia também tranquilizou os gestores que já possuem negociações avançadas ou contratos assinados para eventos próximos.

Quem já tava com tratativa, a gente entende. Essa é a orientação da Amupe”, explicou.

Ele destacou que as recomendações foram aprovadas como diretrizes e poderão passar por ajustes ao longo do tempo, conforme a experiência prática das prefeituras.

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“A relação com o governo é extraordinária, mas tem espaço para melhorar”, diz novo presidente da Amupe

Posse de Pedro Freitas como presidente da Amupe/Foto: Lu Rocha/ Amupe

O prefeito de Aliança, Pedro Freitas (PP), assumiu nesta terça-feira (17) a presidência da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe). Ele sucede o prefeito de Paudalho, Marcelo Gouveia (Podemos), que deixa o cargo para disputar uma vaga de deputado federal nas eleições de outubro. A solenidade contou com a presença da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), além de prefeitos, parlamentares e representantes de instituições públicas.

Em seu primeiro discurso como presidente da Amupe, Pedro Freitas ressaltou a importância da parceria institucional com o governo estadual, mas disse que ainda há espaço para avançar.

Quando eu digo, governadora, que a relação com o governo do estado é extraordinária, que em todas as portas que a gente bate, a gente é bem recebido, a gente sente o envolvimento no problema”, disse. Em seguida, acrescentou: “A relação com o governo é extraordinária, mas tem espaço para melhorar”.

Freitas destacou que pretende manter o diálogo entre os municípios, reforçando o caráter suprapartidário da entidade.

A todas as prefeitas, todos os prefeitos que tão aqui que nos escutam que eu vou a partir de hoje me dedicar para ser o melhor presidente que eu puder ser. E a gente só vai conseguir isso, se vocês acreditarem no que a gente tá se propondo”, afirmou.

Freitas, que até então ocupava o cargo de vice-presidente do órgão, agora deverá fazer a gestão da Amupe até 2027, quando termina o biênio iniciado por Gouveia. O agora presidente também defendeu que a Amupe continue sendo um espaço de diálogo entre municípios de diferentes regiões e realidades. “Se a gente não tiver esse espaço de diálogo, essa franqueza, essa transparência, a gente não vai conseguir avançar”, afirmou.

Ao deixar a presidência da entidade, Marcelo Gouveia desejou sucesso a seu sucessor. “Queria desejar ao meu amigo Pedro Freitas muita sorte, sucesso e eu tenho certeza que o nível da Amupe continuará o mesmo, se não melhor, porque eu sei da sua capacidade, da sua competência”, disse.

Gouveia também fez um balanço da gestão e destacou conquistas obtidas durante o período em que esteve à frente da associação. “Gostaria aqui de registrar os agradecimentos a todos os prefeitos e prefeitas e colaboradores que contribuíram conosco ao longo desse período que tivemos da instituição”, declarou.

Entre os avanços citados, ele destacou o acordo com o Governo do Estado para a redistribuição do ICMS entre os municípios. “Em um município aqui que recebia R$ 100.000, passou a receber R$ 300.000. Isso de fato foi muito impactante”, afirmou.

Durante a cerimônia, a governadora Raquel Lyra destacou a parceria entre o Governo do Estado e os municípios, além de reconhecer a atuação de Marcelo Gouveia à frente da entidade.

Marcelo, você foi fundamental em inúmeras conquistas que nós tivemos juntos”, afirmou.
A governadora também comentou a chegada de Pedro Freitas à presidência da Amupe e destacou sua capacidade de liderança. “Você lidera um time de prefeitos extraordinário, extraordinário, e o que precisa ter é convergência”, disse.

Raquel Lyra ainda ressaltou que o trabalho conjunto entre governo e municípios é essencial. “Aqui nós não estamos falando de cor de bandeira partidária. Não importa o número do nosso partido, a cor da nossa bandeira”, concluiu.

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Governo reúne mais de 100 Procons para fiscalizar combustíveis

Combustíveis. Foto: Arquivo/Agência Brasil/

A Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senacon) reuniu nesta terça-feira (17) mais de 100 Procons estaduais e municipais para organizar a ampliação das ações de fiscalização do mercado de combustíveis. De acordo com a secretaria, a mobilização está focada na coleta de preços em postos de combustíveis para análise sobre possíveis valores abusivos.

A ação será concentrada em cidades em foram registradas elevações expressivas nos preços do diesel e da gasolina, com base em dados consolidados pelo Ministério das Minas e Energia (MME). As informações abrangem cerca de 19 mil postos de combustíveis em 459 municípios brasileiros.

Segundo o ministério, na cidade de Ourinhos (SP), por exemplo, foi registrada a comercialização do Diesel S10 a R$ 9,99 por litro, representando aumento de 36% nos últimos sete dias. Em Caldas Novas (GO), assim como em Itabuna (BA), houve aumentos similares.

Já Feira de Santana (BA) lidera os aumentos de gasolina entre as cidades do Nordeste, com alta de quase 20%, seguida por Belém (PA), na região Norte, e Guarapuava (PR), no Sul do País.

A Senacon informou que já acionou a Polícia Federal, a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e o Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp), com análise preliminar dos casos em que houve aumentos abruptos e generalizados dos preços, “muitas vezes sem correspondência com variações identificáveis de custos”.

Impostos

Na última quinta-feira (12) o governo federal anunciou que zerou as alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre o diesel, o que representa redução de R$ 0,32 por litro. Também autorizou o pagamento de subvenção a produtores e importadores de diesel, no valor de R$ 0,32 por litro.

Somadas, as medidas têm potencial de reduzir em R$ 0,64 por litro o preço do diesel nas bombas, criando condições para alívio ao consumidor e reforçando a necessidade de transparência na formação dos preços”, disse o governo, em nota.

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Flávio diz que conversou com Moraes sobre prisão domiciliar para Bolsonaro

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) / Foto: EVARISTO SA / AFP

O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira, 17, que se reuniu com o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, a conversa “foi bastante tranquila e objetiva e ele num momento oportuno ficou de avaliar o pedido (de prisão domiciliar). (Moraes) não deu prazo para a decisão, tem o tempo que achar necessário”.

Na ocasião, Flávio, que agora também está registrado como um dos advogados do ex-presidente, destacou o argumento de que a falta de acompanhamento constante no presídio pode acarretar o óbito do presidente. Para ele, o ex-presidente estaria melhor amparado em reclusão domiciliar.

Jair Bolsonaro está internado no hospital DFStar, em Brasília, após sofrer com febre alta, queda da stuação de oxigênio, sudorese e calafrios enquanto cumpria pena na Papudinha, também na capital federal.

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Raquel Lyra: “Muita gente está pensando só em eleição e faz de tudo para que as coisas não aconteçam”

A governadora Raquel Lyra (PSD) encerrou a entrevista coletiva, nesta terça-feira (17), ao ser questionada sobre as conversas com o ministro Silvio Costa Filho (Republicanos) e a ex-deputada Marília Arraes (que se filiará ao PDT). Entre os aliados, porém, a tríplice aliança já é dada como certa. Diante de vários prefeitos presentes na Amupe, Raquel fez um discurso no qual incluiu críticas à oposição, destacando que não podem atrapalhar Pernambuco por conta do momento eleitoral.

Tem muita gente que está pensando só em eleição e faz de tudo para que as coisas não aconteçam. Eu tenho feito sempre um apelo a todos aqueles que têm um mandato delegado pelo povo de Pernambuco: me deixem trabalhar que eu sei fazer. Me permitam poder entregar tudo aquilo com minha energia, a capacidade de união e de trabalho. Permitam que a gente entregue agora, porque Pernambuco tem pressa e não dá para pensar que se trata meramente de um jogo eleitoral. Não é. É o nosso destino, é o destino dos nossos filhos”, ressaltou Raquel.

A governadora salientou que “a eleição vai acontecer e todos que vão ser candidatos vão disputar o voto e aí é essa a beleza da democracia”. “Mas atrapalhar Pernambuco não tem a ver com nos ajudar. Não tem a ver comigo, porque, quando eu vou para o chão, as pessoas não querem saber. O interesse nas eleições não existe, basta perguntar a quem não tem o dinheiro para comer, para quem está desempregado”, acrescentou.

POSSE

Raquel Lyra prestigiou a posse do prefeito de Aliança, Pedro Freitas (PP) na presidência da Amupe. Ele sucede Marcelo Gouveia, que renunciou ao mandato para ser candidato a deputado federal pelo Podemos. A governadora destacou a importância da Associação Municipalista e o trabalho conjunto com os prefeitos.

A vida se dá nas ruas, nas cidades e trabalhar de mãos dadas com os prefeitos tem conseguido fazer uma transformação extraordinária no nosso Estado. Compreendendo de perto as suas dores e garanto que o Estado constroi políticas públicas para entregar serviços que, verdadeiramente, permitam à população ser mais feliz no seu chão. Venho também agradecer a parceria da Amupe em nome do presidente que agora sai, Marcelo Gouveia, que foi prefeito de Paudalho,e que nos ajudou na discussão de redistribuição do ICMS, na concessão da Compesa e tantos outros temas que o nosso governo enfrentou junto com os municípios”, assinalou.

Em relação ao novo presidente, Raquel Lyra também falou do trabalho conjunto quando Pedro Freitas era superintendente da Caixa Econômica, citando a solução para os prédios caixão. Cerca de 200 prédios já foram demolidos e os proprietários receberam indenização de R$ 120 mil.

A gente construiu muita coisa boa junto em muito pouco tempo. Você nos deu o caminho. E a gente também discutiu e construiu outras soluções que pareciam impossíveis de serem realizadas e foram, Pedro. Então, você tem capacidade de inovação, mas tem coragem de enfrentar temas difíceis”, afirmou Raquel Lyra.

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Deslocados pela ofensiva israelense no Líbano ultrapassam um milhão

Beirute, Líbano/IBRAHIM AMRO / AFP

As autoridades libanesas comunicaram que o número de pessoas deslocadas no país por causa da ofensiva de Israel ultrapassou a marca de um milhão. No total, já são 1.049.329 pessoas registradas, sendo que uma parte fugiu para norte enquanto outras ou buscam abrigo em centros sobrelotados. Muitos são já obrigados a dormir em carros ou ao relento na capital à medida que a capacidade de resposta governamental se esgota.

Também segundo revelou os dados mais recentes do Ministério da Saúde pelo menos 886 morreram e 2.141 foram feridos desde o início do conflito.

Hoje novos bombardeios israelenses atingem os subúrbios sul de Beirute e vários edifícios foram destruídos, enquanto bombeiros combatem os incêndios e moradores removem destroços das ruas. Os ataques a sul da capital pressionam os serviços locais, que coincidem com o agravamento dos confrontos entre Israel e o Hezbollah, grupo xiita libanês, apoiado pelo Irã. As forças israelenses bombardeiam posições do grupo, que por sua vez responde com o lançamento de mísseis contra o norte de Israel.

Israel também anunciou recentemente ter dado início a uma operação terrestre limitada e direcionada contra alvos do Hezbollah, no sul do território libanês, que alimentam receios de uma escalada ainda mais ampla.

Segundo ainda publicação das agências de noticias internacionais, os Estados Unidos instaram a Síria a considerar o envio de forças para o leste do Líbano para ajudar a desarmar o Hezbollah. No entanto, o governo de Damasco, se mostra relutante sobre o pedido, principalmente por receio de ser arrastado para a guerra no Oriente Médio e de inflamar tensões sectárias.

Por outro lado, o gabinete de direitos humanos das Nações Unidas declarou que as ofensivas aéreas israelenses a prédios residenciais no Líbano levantam preocupações de direito internacional. “Os ataques israelenses destruíram edifícios residenciais em ambientes urbanos densos, onde vários membros da mesma família, incluindo mulheres e crianças, muitas vezes foram mortos juntos. Tais ataques levantam preocupações ao abrigo do direito internacional humanitário“, afirmou Thameen Al-Kheetan, porta-voz do gabinete.

ONU alerta sobre colapso econômico e humanitário no Líbano

As Nações Unidas têm emitido alertas severos sobre o colapso econômico e humanitário no Líbano, agravado intensamente pelos conflitos recentes. O contexto descrito pelos relatórios da ONU aponta ainda o impacto no PIB, a pobreza generalizada, crise humanitária, deslocados, insegurança alimentar e destruição de infraestrutura públicas.

O organismo avisou que um colapso contínuo seria catastrófico para a população e destacam o trauma psicológico em crianças e adolescentes devido à violência constante. A situação é monitorada como uma emergência de alta prioridade, com apelos urgentes de ajuda financeira para prestar auxílio humanitário.

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Moraes determina que Rio envie à PF vídeos da Operação Contenção

Conteúdo gráfico / Uma mulher chora ao lado de um homem morto, em meio a uma fileira de corpos, na Praça São Lucas, na favela Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, Rio de Janeiro, Brasil, em 29 de outubro de 2025, após a Operação Contenção. (Foto de Pablo Porciúncula / AFP)/ AFP

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (17) que o governo do estado do Rio de Janeiro envie à Polícia Federal (PF), em mídia física, as imagens capturadas durante a Operação Contenção, deflagrada no ano passado.

A operação foi deflagrada em outubro do ano passado pelas polícias civil e militar e terminou com a morte de 121 pessoas que seriam ligadas à organização criminosa Comando Vermelho (CV), além de quatro policiais.

A decisão foi tomada após a PF informar ao Supremo que não conseguiu acessar os links dos 945 vídeos que já foram enviados para a corporação, que será responsável pela perícia do material.

No mês passado, Moraes deu prazo de 15 dias para o governo estadual enviar as imagens para a PF. A determinação foi cumprida, mas os peritos não conseguiram acessar os arquivos.

Na decisão proferida hoje, o ministro disse que a análise das imagens é crucial para as investigações sobre a legalidade da operação.

Diante desses entraves mostra-se necessário que o material seja disponibilizado de forma a permitir o trabalho pericial em sua integralidade e com a devida segurança técnica”, afirmou.

A decisão do ministro foi tomada no processo conhecido como ADPF das Favelas – Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635. Na ação, a Corte já determinou diversas medidas para redução da letalidade durante operações em comunidades do Rio de Janeiro.

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Inmet alerta para risco de chuvas intensas em grande parte do estado; veja cidades

Inmet prevê chuva em dez municípios de Pernambuco, no extremo norte do estado/REPRODUÇÃO/INMET

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou um alerta de chuvas intensas para grande parte das cidades pernambucanas.

O aviso de “perigo em potencial” saiu nesta terça (17) e vale até o fim da noite de quarta (18).

Segundo o Inmet, há os seguintes riscos:

Chuva entre 20 e 30 mm/h ou até 50 mm/dia, ventos intensos (40-60 km/h). Baixo risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas.

Dante disso, o instituto recomenda:

Em caso de rajadas de vento: (não se abrigue debaixo de árvores, pois há leve risco de queda e descargas elétricas e não estacione veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda).

Evite usar aparelhos eletrônicos ligados à tomada.

Obtenha mais informações junto à Defesa Civil (telefone 199) e ao Corpo de Bombeiros (telefone 193).

Veja as cidades

Abreu e Lima
Afogados da Ingazeira
Afrânio
Aliança
Araçoiaba
Araripina
Belém do São Francisco
Belo Jardim
Betânia
Bezerros
Bodocó
Bom Jardim
Brejinho
Brejo da Madre de Deus
Buenos Aires
Cabrobó
Calumbi
Camutanga
Carnaíba
Carnaubeira da Penha
Carpina
Caruaru
Casinhas
Cedro
Condado
Cumaru
Custódia
Dormentes
Exu
Feira Nova
Ferreiros
Flores
Floresta
Frei Miguelinho
Goiana
Granito
Ibimirim
Igarassu
Iguaracy
Inajá
Ingazeira
Ipubi
Itacuruba
Itambé
Itapetim
Itaquitinga
Jataúba
João Alfredo
Lagoa de Itaenga
Lagoa do Carro
Lagoa Grande
Limoeiro
Macaparana
Machados
Mirandiba
Moreilândia

Nazaré da Mata

Orobó
Orocó
Parnamirim
Passira
Paudalho
Pesqueira
Petrolândia
Petrolina
Poção
Quixaba
Riacho das Almas
Salgadinho
Salgueiro
Santa Cruz
Santa Cruz da Baixa Verde
Santa Cruz do Capibaribe
Santa Filomena
Santa Maria da Boa Vista
Santa Maria do Cambucá
Santa Terezinha
São Caetano
São José do Belmonte
São José do Egito
São Vicente Férrer
Serra Talhada
Serrita
Sertânia
Solidão
Surubim

Terra Nova
Timbaúba
Toritama
Tracunhaém
Trindade
Triunfo
Tuparetama
Verdejante
Vertente do Lério
Vertentes
Vicência

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Afeganistão acusa o Paquistão de ataque a hospital que causou 400 mortes

Ataque a hospital de reabilitação de dependentes químicos/ AFP

O governo do Afeganistão anunciou que um ataque aéreo do Paquistão atingiu um hospital de reabilitação de dependentes químicos na capital, Cabul, na noite de segunda-feira, que matou pelo menos 400 pessoas e deixou cerca de 250 feridos. O bombardeio ainda deflagrou um incêndio de grandes dimensões no local.

O ataque aéreo atingiu o hospital em Cabul, destruindo partes significativas das instalações, que contam com dois mil leitos”, disse o porta-voz adjunto do governo afegão, Hamdullah Fitrat.

O incidente ocorreu depois das autoridades do Afeganistão terem avançado que os dois lados trocaram tiros ao longo da fronteira, provocando a morte de quatro pessoas no território afegão.

O incidente também aconteceu horas após o Conselho de Segurança da ONU ter apelado aos governantes do regime talibã do Afeganistão para que intensificassem os esforços de combate ao terrorismo. Por sua vez, Islamabad denunciou Cabul de dar abrigo a grupos militantes, em particular aos talibãs paquistaneses, que, segundo o governo afirma cometem ataques no interior do Paquistão.

Já o Paquistão rejeitou a acusação do ataque ao hospital e que a ofensiva realizada pelas suas forças armadas no leste do Afeganistão não atingiram alvos civis. “As forças armadas paquistanesas efetuaram ataques aéreos de precisão contra instalações militares em Cabul e na província oriental de Nangarhar. Foram destruídas infraestruturas de apoio técnico ao terrorismo e instalações de armazenamento de munições em dois locais em Cabul”, disse o ministro da Comunicação paquistanês, Attaullah Tarar.

Este último episódio acentua uma escalada do conflito que teve início entre os dois países no final do mês passado e que tem sido marcado por inúmeros confrontos nas fronteiras, para além de ataques aéreos no interior do Afeganistão. Os combates começaram depois do Afeganistão lançar ataques transfronteiriços em resposta aos ataques aéreos paquistaneses no interior do país, que Cabul alegou terem matado civis.

As hostilidades entre as partes interromperam um cessar-fogo que tinha sido mediado pelo Catar em outubro de 2025, após uma série de combates anteriores terem matado dezenas de soldados, civis e supostos militantes.

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Irã desiste de abandonar a Copa e abre negociação com a Fifa para mandar seus jogos no México

Seleção do Irã em ação/ATTA KENARE / AFP

Uma semana após decretar que não estaria na Copa do Mundo de 2026 por causa dos ataques dos Estados Unidos, a seleção iraniana mudou de opinião e ainda tentará disputar o torneio. Os asiáticos abriram negociação com a Fifa para mandarem suas partidas no México, que divide com Canadá e os norte-americanos a organização da competição.

A mudança de opinião em disputar a Copa do Mundo veio pelas redes sociais. A embaixada do Irã no México anunciou nesta terça-feira pelo X, antigo Twitter, que ainda sonha em estar na principal competição de futebol do planeta.

O tweet assinado por Mehdi Taj, presidente da Federação Iraniana de Futebol, insiste que a seleção nacional do país “certamente não viajará para os Estados Unidos” porque os norte-americanos não podem garantir sua segurança. Mas mostram uma saída encontrada por eles.

Quando Trump (presidente dos Estados Unidos) declarou explicitamente que não pode garantir a segurança da equipe nacional iraniana, certamente não viajaremos para os Estados Unidos“, escreveu Mehdi Taj, com o importante complemento. “Estamos negociando com a Fifa para que os jogos da Copa do Mundo do Irã sejam realizados no México.”

Há uma semana, Ahmad Donyamali, ministro dos Esportes do Irã, havia anunciado que o país não participaria da Copa do Mundo, preservando pela segurança dos cidadãos iranianos. O anúncio veio após Trump dizer que “embora os jogadores iranianos sejam bem-vindos à competição, seria inapropriado que participassem para sua própria segurança e bem-estar.

Os três jogos sorteados do Irã na Copa do Mundo caíram em estádios dos Estados Unidos, com o qual vive um intenso conflito com mais de duas semanas de ataques. Pelo Grupo G, encararia Nova Zelândia (dia 15 de junho) e Bélgica (21, ambos em Inglewood, na Califórnia) e o Egito (27, em Seattle).

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Polícia indicia vereador Eduardo Moura por injúria e difamação contra colega Chico Kiko e esposa após gesto de chifre

Vereador do Recife Eduardo Moura (Novo) — Foto: Reprodução/TV Globo

A Polícia Civil indiciou, na segunda-feira (16), o vereador Eduardo Moura (Novo) por agressão à honra do colega parlamentar Chico Kiko (PSB) e da sua esposa, Maria José da Silva. De acordo com o inquérito policial, ao qual o g1 teve acesso, Moura foi indiciado pelos crimes de injúria qualificada (natureza aviltante) e difamação, “ambos majorados em razão de praticado na presença de várias pessoas e divulgados em redes sociais”.

O inquérito, assinado pelo delegado Mário de Oliveira Melo Júnior, da Delegacia de Boa Viagem, foi instaurado após Kiko denunciar Moura por ter colocado “chifres” na sua cabeça durante uma sessão na Câmara Municipal do Recife, no dia 10 de fevereiro. Na ocasião, Moura foi filmado fazendo o gesto. O momento foi registrado pelo canal de transmissão da plenária no YouTube.

Na denúncia, Kiko alega que o gesto é “amplamente entendido” como um ato para chamar alguém de “corno”. “Os gestos feriram covardemente sua esposa de 65 anos que é mãe e avó, causando indignação e motivando Chico a acionar a Justiça e representar contra Eduardo Moura no Conselho de Ética da Câmara, podendo levá-lo à perda do mandato“, diz uma nota divulgada na data pela assessoria do parlamentar.

O inquérito aponta que, “apesar de não citada diretamente, o gesto realizado acaba por imputar fato ofensivo à honra da querelante Maria José Da Silva, uma vez que se na cabeça do seu marido cabe ‘chifres’, é porque ela o traiu“.

A investigação também afirma que “a ampla propagação do fato nas redes sociais e na imprensa potencializou exponencialmente o dano à honra objetiva da declarante, atingindo sua reputação”, concluindo que as consequências foram um “profundo abalo psicológico, constrangimento, vergonha e humilhação“.

A polícia afirma, ainda, que Moura “confessou os fatos” e disse ter se retratado “logo após cientificado que o querelante se sentira ofendido, tanto de forma privada, quanto de forma pública”.

O inquérito diz ainda que o investigado afirmou “categoricamente que não houve dolo, intenção de caluniar ou injuriar“, e que, quando soube que o colega havia se sentido ofendido, pediu desculpas pelo WhatsApp e na tribuna da Câmara.

Respostas

Em nota enviada na madrugada desta terça-feira (17), Eduardo Moura disse que:

  • “não recebeu qualquer comunicado da Polícia Civil de Pernambuco”;
  • “a suposta decisão é completamente diferente do que foi dito pelo delegado de Boa Viagem, que afirmou que os fatos não justificariam um procedimento feito pela delegacia”;
  • está “sendo vítima de perseguição orquestrada pelo prefeito João Campos, na tentativa de manchar sua imagem e descredibilizar as denúncias feitas contra a gestão“.

Líder do governo na Câmara Municipal, o vereador Samuel Salazar (MDB) negou perseguição política.

Não existe perseguição. O que existe é um fato objetivo: houve uma denúncia apresentada por um parlamentar que se sentiu ofendido em decorrência de uma atitude absurda e desnecessária cometida pelo vereador Eduardo Moura. A denúncia apresentada pelo vereador Chico Kiko é uma decisão pessoal, legítima e amparada pelo direito de qualquer pessoa que se sinta ofendida“, disse Samuel Salazar em nota.

Ainda no texto, o líder do governo na Câmara afirmou que:

  • está se tentando criar uma narrativa de inversão dos fatos: o vereador Eduardo Moura está tentando se vitimizar, quando, na verdade, ele é o ofensor“;
  • sobre o processo instaurado na Comissão de Ética, trata-se “de um procedimento interno da Câmara Municipal do Recife, iniciado a partir de denúncia formal e conduzido dentro das regras regimentais da Casa José Mariano“;
  • é preciso trazer clareza aos fatos para que não se confunda a atuação institucional da Comissão de Ética com qualquer narrativa de eventual perseguição“.

Entenda o caso

No vídeo em questão, o vereador Samuel Salazar (MDB) aparece discursando, no dia 10 de fevereiro, enquanto Moura, ao fundo, faz gestos de discordância. Em seguida, Chico Kiko se posiciona ao lado de Samuel Salazar, tentando “tampar” os gestos feitos pelo colega, que passa a fazer o sinal de “chifres” acima da cabeça do parlamentar.

Kiko registrou um boletim de ocorrência no dia seguinte, na Delegacia do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife.

Na mesma data, Moura divulgou uma nota em que diz que não teve a intenção de ofender Chico Kiko. Segundo ele, o gesto foi “infeliz e inadequado para o mandato e para a Casa José Mariano”.

O texto diz ainda que o vereador pediu oficialmente desculpas a Chico Kiko, aos familiares dele e a qualquer pessoa que tenha se sentido ofendida pelo gesto. Ele também pediu desculpas ao povo recifense e afirmou que essa não deve ser a postura de um parlamentar.

Moura denuncia Kiko

No dia 23 de fevereiro, 12 dias depois do episódio dos chifres, Moura denunciou Kiko por ameaça de morte. Em pronunciamento na Câmara, Moura disse que Kiko afirmou, na frente de outros vereadores, que ‘daria um tiro nele’.

Fiquei sabendo dois dias depois que, ao me ausentar dessa plenária, fui ameaçado de morte pelo vereador Chico Kiko no gabinete especial conhecido como buraco frio e também em várias dependências desta Casa, com dizeres como: ‘vou dar um tiro nele’, ‘vou matá-lo‘”, disse, na ocasião.

Moura registrou boletim de ocorrência e protocolou denúncia no Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Procurado pelo g1 na época, Chico Kiko disse que não havia sido notificado. “Se realmente falei o que o citado vereador alega, cabe a ele apresentar as provas“, afirmou em nota.

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Entenda a mudança na Constituição que retirou a possibilidade de aposentadoria compulsória como punição a juízes

Ministro Flávio Dino durante sessão de julgamento da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal — Foto: Antonio Augusto/STF

Uma mudança na Constituição feita pelo Congresso em 2019 retirou a possibilidade de aplicação da aposentadoria compulsória como uma forma de punição a magistrados por violações disciplinares.

É a partir deste entendimento que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou a alteração na forma de aplicação de penalidades a integrantes do Poder Judiciário.

Na decisão, o ministro cita as modificações realizadas pela reforma da Previdência, o novo modelo aplicado para as aposentadorias nos setores público e privado.

Alterações na Constituição

Antes de 2019, a Constituição previa a aposentadoria do magistrado por “interesse público”. Pelas regras, ela seria aplicável por decisão da maioria absoluta de um tribunal ou do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) após processo disciplinar em que o magistrado teria amplo direito de defesa.

Era uma forma de punição por irregularidades: o juiz era afastado das funções, mas mantinha o ganho proporcional ao tempo de serviço.

Naquele ano, a reforma no sistema previdenciário suprimiu os trechos da Constituição que faziam referência à aposentadoria compulsória. O tema, no entanto, continua na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), a norma que regulamenta a carreira, os direitos e deveres dos magistrados.

A Loman, que foi editada antes da Constituição, prevê a aposentadoria compulsória como uma das mais graves penas disciplinares aplicáveis aos juízes.

Ela é usada em situações como:

  • manifesta negligência no cumprimento das deveres;
  • atuação incompatível com a dignidade, a honra e o decoro de suas funções;
  • demonstração de “escassa e insuficiente capacidade de trabalho” ou
    “comportamento funcional incompatível com o bom desempenho das atividades do Poder Judiciário”.

O Conselho Nacional de Justiça informou que, em processos disciplinares nos quais são determinadas a aposentadoria compulsória, a corregedoria do órgão tem acionado a Advocacia-Geral da União e as procuradorias-gerais dos estados para promoverem ações na Justiça com o objetivo de obter as perdas dos cargos.

A Advocacia-Geral da União é acionada quando o caso envolve magistrados federais. Já as procuradorias nos estados são chamadas quando o caso trata de magistrado da Justiça estadual.

Até a decisão do ministro, o conselho não tinha sido instado a alterar seus procedimentos, que seguem o que está previsto na Loman e em resolução do próprio CNJ.

Decisão de Dino

Ao determinar o fim da aplicação da aposentadoria como penalidade, Dino apontou que a reforma da Previdência retirou a aposentadoria compulsória do texto constitucional. Com isso, o mecanismo perdeu seu fundamento de validade.

A Emenda Constitucional nº 103/2019 [a reforma da Previdência}, ao promover significativas modificações no sistema previdenciário brasileiro, também alcançou o regime jurídico aplicável aos magistrados e as competências do Conselho Nacional de Justiça, revogando a sanção de ‘aposentadoria compulsória’, ao eliminar o seu fundamento constitucional“, disse.
O magistrado pontuou que houve “vontade legislativa” no sentido de “retirar do ordenamento jurídico o fundamento de validade da “aposentadoria compulsória ou da ‘aposentadoria com subsídios ou proventos proporcionais ao tempo de serviço’ como sanção administrativa”.

Perda do cargo e vitaliciedade

Dino também fixou que “casos graves, à luz da Constituição, devem ser punidos com a perda do cargo“, que depende de uma decisão judicial para qual não caiba mais recursos.

Isso ocorre por conta da chamada vitaliciedade, ou seja, uma garantia conferida à magistratura. Ou seja, a única via para que um juiz deixe de vez o cargo é a judicial.

Dino fixou que o processo para a perda do cargo deve começar com uma ação apresentada diretamente ao STF por dois caminhos:

com um pedido da Advocacia-Geral da União, quando a iniciativa for do Conselho Nacional de Justiça;
se a conclusão pela perda do cargo vem de um tribunal, o processo vai primeiro ao CNJ e, na sequência, ao STF.

Proposta no Congresso

Em 2024, quando senador, o hoje ministro chegou a propor mudança na Constituição para proibir o uso da aposentadoria compulsória como sanção quando há infrações disciplinares.

A proposta prevê que a proibição fique expressa no texto constitucional: “é vedada a concessão de aposentadoria compulsória aos magistrados como sanção pelo cometimento de infração disciplinar, devendo ser aplicada, em face de faltas graves, a penalidade de perda do cargo ou demissão, ou equivalente, conforme lei disciplinadora da carreira“.

A PEC está na pauta da Comissão de Constituição e Justiça do Senado desta quarta-feira (18). Se for aprovada, ainda precisa passar pelo plenário do Senado e seguir para a Câmara dos Deputados.

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Gustavo Petro acusa Equador de bombardear a Colômbia

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou na segunda-feira (16) que o país teria sido bombardeado a partir do Equador. A acusação foi feita a partir da descoberta de uma bomba perto da fronteira entre os países.

Petro pediu por uma investigação do caso, mas alegou que a ação não seria de responsabilidade de grupos armados.

“Foi encontrada uma bomba lançada de um avião. Vamos investigar melhor as circunstâncias, muito perto da fronteira com o Equador, o que reforça um pouco minha suspeita, mas é preciso apurar bem que estão nos bombardeando a partir do Equador e não são grupos armados”, disse o presidente durante uma reunião ministerial.

A acusação de Gustavo Petro é feita em meio a uma crise com o Equador, após o líder do país vizinho, Daniel Noboa, ter anunciado a imposição de uma “taxa de segurança” de 30% sobre os produtos colombianos, a partir de 1º de fevereiro.

O governo equatoriano justificou a medida citando um déficit comercial e a falta de cooperação no combate ao tráfico de drogas, algo que a administração de Petro nega.

Em resposta, a Colômbia anunciou que suspenderia as vendas de eletricidade para o Equador. Além disso, também declarou a imposição de uma tarifa de 30% sobre 20 produtos do país vizinho.

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PF deflagra nova fase contra fraudes no INSS; deputada do CE é um dos alvos

Prédio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em Brasília

A PF (Polícia Federal) deflagrou nesta terça-feira (17), em parceria com a CGU (Controladoria-Geral da União), nova fase da operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.

A CNN apurou que a deputada Maria Gorete Pereira (MDB-CE) é um dos alvos da operação desta terça. Ela passou a usar tornozeleira eletrônica.

Além da parlamentar, Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente da Aapen (Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional) e da AAPB (Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil), foi alvo de mandado de busca e prisão.

A CNN tenta contato com todos os citados. O espaço está aberto.

Ao todo, são cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão e outras medidas cautelares diversas, no estado do Ceará e no Distrito Federal.

Os mandados foram autorizados pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), e têm como objetivo esclarecer a prática de diversos crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial.

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