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Trump diz que o Irã deve escolher entre “acordo” ou “rendição total”

Presidente dos EUA, Donald Trump/ MANDEL NGAN / AFP

O presidente americano, Donald Trump, anunciou, nesta segunda-feira (3), que o Irã deve escolher entre um “acordo” ou a “rendição total”, depois que Teerã negou que esteja negociando com os Estados Unidos.

“Nada chega ao Irã, a menos que queiramos que chegue, e nada chegará, a menos que se alcance um Acordo ou uma Rendição Total”, anunciou Trump em sua plataforma, Truth Social.

Trump também chamou a liderança iraniana de “duas caras” ao comentar os pedidos, seguidos pela rejeição, de Teerã para negociações.

Eles pedem uma reunião, alguns diriam ‘imploram’, as conversas começam, com mais agendadas para o futuro imediato, e eles dizem abertamente e com orgulho, que não estão tendo nenhuma discussão e que estão lidando apenas com Omã“, reclamou Trump na Truth Social.

O Irã reagiu nesta segunda-feira à declaração de Trump de que novas conversas seriam iniciadas para reduzir o conflito no Oriente Médio, após ele anunciar que, por ora, adiará novos ataques em larga escala que havia ameaçado lançar contra o país.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, disse que as únicas tratativas em andamento ocorrem com Omã e estão focadas apenas em estabelecer uma rota temporária para garantir a navegação segura pelo Estreito de Ormuz.

Controle de Ormuz

Donald Trump também comentou ser falsa a retórica de que o Estreito de Ormuz está sendo controlado pelo regime islâmico e que “nada passa para o Irã” sem o aval dos EUA – a menos que um acordo, ou “rendição total”, seja alcançado. Segundo ele, Ormuz está sendo controlado pela Marinha americana.

Quer o Irã queira admitir ou não, estamos, de fato, falando de uma solução para um problema que eles causaram, por décadas. É muito simples, O IRÃ NUNCA TERÁ UMA ARMA NUCLEAR!“, acrescentou.

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Eleições 2026: TSE e AGU vão lançar guia para orientar uso da inteligência artificial

Fachada da sede da AGU, em Brasília/Divulgação/AGU

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai anunciar nesta segunda-feira (3) um acordo de cooperação com o Observatório da Democracia, da Advocacia-Geral da União (AGU), para elaborar um conjunto de orientações voltadas ao emprego responsável da tecnologia durante as eleições de 2026.

A iniciativa será desenvolvida em parceria com a Escola Judiciária Eleitoral e resultará em uma cartilha destinada a órgãos públicos, partidos políticos, candidatos e plataformas digitais sobre o uso da inteligência artificial no processo eleitoral brasileiro.

A publicação, cuja divulgação é esperada ainda neste mês, reunirá recomendações práticas para ampliar a transparência no uso de ferramentas de IA e reduzir os riscos de manipulação da informação durante a campanha.

O acordo é firmado em um momento em que a Justiça Eleitoral busca transformar em ações concretas as normas aprovadas para disciplinar o uso da inteligência artificial nas campanhas. O tema ganhou ainda mais relevância após a divulgação, durante a convenção que oficializou a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de um vídeo produzido por inteligência artificial que reproduzia a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro em manifestação de apoio ao filho.

O episódio reacendeu o debate sobre os chamados “deepfakes positivos” que são conteúdos sintéticos que não atacam adversários nem têm, em tese, a intenção de enganar o eleitorado mas utilizam a imagem ou a voz de terceiros para fins eleitorais. A resolução do TSE proíbe materiais manipulados com o objetivo de induzir o eleitor ao erro ou promover campanhas negativas.

Debate internacional reforça preocupação

O avanço das tecnologias de IA também esteve no centro das discussões do 2º Seminário Regional sobre Inteligência Artificial e Gestão Eleitoral na América Latina e Caribe, realizado nos dias 29 e 30 de julho, na República Dominicana. Representando o TSE, o ministro Dias Toffoli afirmou que o cenário exige respostas rápidas das autoridades eleitorais diante da velocidade das transformações tecnológicas.

Quando se fala de inteligência artificial, é como falar da viagem de Cristóvão Colombo. Ele sabia de onde partia, mas não sabia onde chegaria. Estamos aqui começando uma légua desta viagem. O mundo que está diante de nós é um mundo totalmente desconhecido. É um novíssimo mundo“, afirmou.

Durante a apresentação, Toffoli ressaltou que a estrutura tecnológica da Justiça Eleitoral brasileira permitiu que o País construísse mecanismos de segurança reconhecidos internacionalmente. Segundo ele, o cadastro eleitoral é informatizado desde 1986, as urnas eletrônicas funcionam sem conexão à internet desde 1996 e a biometria já alcança cerca de 95% do eleitorado.

Embora reconheça que a inteligência artificial passou a integrar a realidade das campanhas, a Corte afirma que o uso da ferramenta deverá respeitar limites rigorosos. Entre eles está a obrigatoriedade de informar quando um conteúdo foi produzido com auxílio de IA, além da proibição do impulsionamento automatizado por robôs ou chatbots, independentemente de a informação divulgada ser verdadeira ou falsa.

Segundo Toffoli, a responsabilização poderá alcançar candidatos que utilizarem a tecnologia de forma abusiva, inclusive com sanções eleitorais previstas na legislação.

Outra restrição destacada pelo ministro é o chamado “silêncio tecnológico”. Pelas regras estabelecidas pelo TSE, fica proibida a divulgação de conteúdos produzidos ou modificados por inteligência artificial nas 72 horas que antecedem a votação e nas 24 horas posteriores ao encerramento das eleições. A medida busca reduzir o risco de circulação de materiais enganosos em um dos períodos mais sensíveis do processo eleitoral.

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Onda de calor extremo na Europa causa crise energética

Produção de energia nuclear caiu drasticamente devido aos níveis recorde de baixa da água ao longo do rio Danúbio/Foto: DANIEL MIHAILESCU / AFP

Os níveis extremamente baixos dos principais rios da Europa estão afetando a produção de energia, os transportes e os lucros das empresas. O cenário alimenta receios sobre o impacto econômico do calor intenso, da seca e das chuvas irregulares.

A produção de energia nuclear na Hungria e de energia hidroelétrica na Sérvia caiu drasticamente devido aos níveis recorde de baixa da água ao longo do rio Danúbio, que atravessa grandes cidades como Viena, Budapeste e Belgrado no seu percurso da Alemanha até o Mar Negro.

A central nuclear de Paks, que gera quase metade da eletricidade do país, será desligada hoje por causa dos baixos níveis de água no rio Danúbio. Uma situação inédita em 44 anos. Mas, os cinco dias mais difíceis ainda estão por vir“, disse Péter Magyar, primeiro-ministro húngaro.

Na Sérvia, a produção da maior central hidroelétrica do país, Djerdap 1, caiu para 20% da capacidade, uma vez que o canal de navegação junto à central retraiu, expondo bancos de areia e cascalho. A falta de água também afetou os sistemas de refrigeração das centrais termoelétricas a carvão de Kostolac, obrigando a interrupção da produção. “Ao longo dos meses de maio, junho e julho, tivemos a menor produção nas centrais de Djerdap desde que entraram em funcionamento, na década de 1970”, apontou a ministra da Economia sérvia, Dubravka Djedovic Handanovic.

Na Romênia, a empresa estatal de energia nuclear relatou que teve de desligar um dos seus dois reatores no início desta semana pelo mesmo motivo, e é esperado que o segundo siga o mesmo caminho em breve, o que poderá privar o país de um quinto das suas necessidades de eletricidade. As forças navais romenas fizeram uma explosão controlada para desviar um grande volume de água para o Velho Danúbio e para a central nuclear de Cernavod, de forma a ajudar no seu arrefecimento.

A intensa seca no rio Danúbio revelou ainda ossos de um mamute na Bulgária.

A onda de calor que atingiu a Europa Ocidental na semana passada agora se deslocou para o leste, onde os meteorologistas preveem que as temperaturas extremas cheguem a 40°C.

Enquanto isso, as autoridades do Reino Unido declararam que mais de metade de Inglaterra está em situação de seca, após níveis de precipitação mínimos e temperaturas excepcionalmente altas. O Reino Unido enfrenta atualmente a quarta onda de calor generalizada de 2026. “Os rios estão com níveis baixos, os agricultores recolhem as colheitas mais cedo, o risco de incêndio aumenta e milhões vivem sob restrições ao uso da água”, afirmou a Agência do Ambiente britânica.

A França também já precisou reduzir a geração de energia nuclear por causa dos baixos níveis de água e pelo aumento da temperatura dos rios. Além disso, Espanha, França e a Grécia ainda foram atingidas por grandes incêndios florestais, que devastaram milhares de hectares.

De acordo com o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia, a Europa é o continente que mais rapidamente aquece no mundo, aquecendo a mais do dobro da média global. “No mês passado, a Europa Ocidental registrou as suas temperaturas mais altas, com o calor extremo e a seca generalizada a contribuírem para a propagação e intensificação de incêndios no território francês e espanhol”, comunicou o Copernicus.

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Incêndios florestais mantêm região de Atenas sob ameaça

 Bombeiro tenta conter as chamas na região de Megara, na Grécia/Aris Oikonomou/AFP

Os incêndios que devastaram a região de Atenas há quatro dias continuaram representando uma ameaça nesta segunda-feira (3), apesar da diminuição das rajadas de vento e da intervenção de mais de dez aviões-tanque.

Embora os bombeiros tenham apontado uma ligeira melhoria da situação na manhã desta segunda-feira, o prefeito da cidade de Megara — 30 km a Oeste da capital e um dos principais focos de incêndios — informou sobre uma “reativação do fogo que ocorreu à tarde”.

Apesar de o vento ter enfraquecido na região, em Kandyli ainda há rajadas e correntes geradas pelo ar quente que sobe, e observar-se uma reativação do fogo”, declarou o prefeito de Megara, Panagiotis Margetis, à AFP.

Os principais focos situam-se nas localidades de Kandyli e Agia Skepi, 50 km ao Noroeste de Atenas. Mas “o fogo muda constantemente de direção” e está se aproximando da zona industrial de Megara, o que é “muito perigoso”, acrescentou o prefeito à emissora estatal Ertnews.

A assessoria de imprensa do corpo de bombeiros confirmou na tarde desta segunda-feira à AFP que “o incêndio se intensificou”. No entanto, “isso é normal, já que ainda há focos ativos”, ponderou a mesma fonte.

O fogo fez várias vítimas na Grécia: três bombeiros morreram na semana passada e um piloto e o copiloto de um presidente morreram neste domingo (2) ao colidir com outro aparelho enquanto tentavam apagar o fogo nos arredores de Psatha.

“Uma das piores crises”

Afetada todo o verão por incêndios devido às frequentes ondas de calor e à seca, a Grécia esteve, até então, relativamente a salvo dos grandes incêndios que atingiram, no início da temporada de verão, na França e na Espanha.

Mas em uma semana, mais de 12 mil hectares de florestas e terras agrícolas queimaram neste país que, assim como todo o litoral mediterrâneo, foi duramente afetado pela crise climática, segundos dados publicados pela imprensa, que citam uma análise do observatório europeu Copernicus.

Combate às chamas

Diante do recrudescimento das chamas perto de Megara, que tem mais de 20 mil habitantes e é uma das cidades industriais do oeste de Atenas, os bombeiros continuam “em alerta”.

Graças à diminuição dos ventos, que chegaram a superar os 100 km/h nos últimos dias, treze aviões-tanque puderam decolar cedo nesta segunda-feira para apoiar os 12 helicópteros e os 450 efetivos mobilizados em terra.

“Eu diria que se trata, sem dúvida, de uma das piores crises relacionadas aos incêndios que ocorreram nos últimos 8 ou 10 anos”, declarou à AFP Théodore Giannaros, pesquisador do Observatório Nacional da Grécia.

E o aumento das temperaturas previstas para quarta-feira (5), de até 37 ºC, poderá complicar a situação. “Os combustíveis vão secar ainda mais rapidamente” e “isso os tornarão mais inflamáveis”, anunciou Giannaros.

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Fachin diz “ser natural que decisões do STF com repercussão social sejam debatidas e contestadas”

Ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF)/CARLOS ALVES MOURA

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, classificou como “natural” que as decisões da Corte sejam debatidas e contestadas pela opinião pública. Na abertura dos trabalhos da Corte no segundo semestre, nesta segunda-feira (3) Fachin disse que a força da Corte “não reside na ausência de crítica, mas na capacidade de conviver com ela sem perder a serenidade”.

Um Tribunal constitucional que decide sobre temas de grande repercussão social há de aceitar, como natural, que suas decisões sejam debatidas, analisadas e, por vezes, contestadas pela opinião pública. Essa tensão, quando exercida dentro dos limites republicanos, não fragiliza a instituição. Fortalece a democracia“, declarou.

Fachin ainda voltou a dizer que a Corte tem “desafios a superar” e que a função exige “humildade”. “A duração dos processos, a clareza na comunicação de nossas decisões, o diálogo permanente com a sociedade e com os demais Poderes são tarefas que não se esgotam nunca, e que continuarão a orientar nossos esforços neste segundo semestre“, afirmou.

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PF pede abertura de terceiro inquérito contra Lulinha ao STF

A PF (Polícia Federal) pediu a abertura de um terceiro inquérito contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O pedido foi feito na semana passada ao STF (Supremo Tribunal Federal) para ser distribuído a um ministro relator.

A apuração se dá com base em suspeita de tráfico de influência do filho de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no governo federal em favor de empresas parceiras dele.

Na semana passada, a PF pediu e o ministro André Mendonça autorizou a abertura de dois inquéritos contra Lulinha, como é conhecido. Ambos por tráfico de influência e corrupção, sendo, em tese, um no Ministério da Saúde e outro no Dataprev. Neste terceiro, a CNN apurou que não foi distribuído a Mendonça.

O advogado Marco Aurélio Carvalho, que representa Lulinha, disse que “estão fazendo uma espécie de ‘melhor de 3’. Uma piada”, sobre as investigações.

No centro da segunda investigação aberta contra o filho mais velho do presidente Lula está a empresa 3Structure It LTDA, que atua na área de tecnologia e que tem contratos de R$ 55.721.051,62 com o governo federal em vigência. Houve ainda repasses de R$ 49 milhões, segundo o Portal da Transparência, como mostrou a CNN.

O primeiro inquérito envolve regulamentação de produtos medicinais à base de cannabis e a atuação de Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, que custeou passagens de Lulinha à Europa.

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Primeira semana de agosto terá frente fria, ciclone e ventos de 90 km/h

A primeira semana de agosto será marcada por dois cenários distintos no Brasil. No início da semana, o predomínio é de tempo firme, baixa umidade relativa do ar e temperaturas elevadas em grande parte das regiões Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste. Já na segunda metade da semana, a atenção se volta para a Região Sul, onde a previsão indica a formação de um ciclone extratropical entre quinta (6) e sexta-feira (7), com potencial para provocar ventos intensos, principalmente no Rio Grande do Sul.

Nesta segunda-feira (3), segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), as chuvas permanecem concentradas no Sul do país, especialmente no centro-sul do Rio Grande do Sul, além de áreas próximas à divisa entre Santa Catarina, Paraná e Argentina. Nas demais regiões, o destaque continua sendo o tempo seco e os baixos índices de umidade do ar.

Ciclone deve se formar entre quinta e sexta

Segundo o meteorologista e consultor climático Francisco de Assis, a mudança mais significativa da semana deve ocorrer a partir de quinta-feira (6), quando um ciclone extratropical deve se formar entre a Argentina, o Uruguai e o Rio Grande do Sul. De acordo com o especialista, o sistema deve se deslocar para o Oceano Atlântico no início da sexta-feira (7), mantendo influência sobre o litoral gaúcho.

Vai se formar um ciclone extratropical pela Argentina com Rio Grande do Sul e Uruguai, na quinta-feira (6). Depois vai deslocar-se para o Oceano Atlântico e pegar o litoral do Rio Grande do Sul no início do dia 7. Ventos fortes de 80 km/h a 90 km/h devem ocorrer em grande parte do Rio Grande do Sul”, explicou Francisco de Assis à CNN.

Ainda segundo o meteorologista, a frente fria associada ao ciclone também deve favorecer uma frente de rajadas, com ventos próximos de 80 km/h entre o sul de Mato Grosso do Sul, o oeste e sul do Paraná e áreas de Santa Catarina.

Sul já registra instabilidades

O avanço do ciclone ocorre após dias de instabilidade na região Sul. Segundo o Inmet, a aproximação de uma frente fria pelo Oceano Atlântico e a atuação de um centro de baixa pressão sobre o Paraguai favoreceram, entre sábado (1º) e esta segunda-feira (3), a ocorrência de chuva, trovoadas, rajadas de vento e possibilidade de granizo, principalmente no Rio Grande do Sul.

No fim de semana, o instituto chegou a emitir avisos de perigo para tempestades, vendavais e ventos costeiros em diferentes áreas da região.

Baixa umidade predomina em boa parte do país

Enquanto o Sul concentra as instabilidades, o restante do país segue sob influência de uma massa de ar seco.

Segundo o Inmet, agosto começou com baixa umidade relativa do ar em diversos estados das regiões Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste. Há alertas para índices inferiores a 20% em áreas do Tocantins, sudeste do Pará, oeste da Bahia e sul do Piauí. Em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal, os avisos também indicam condições críticas durante as tardes.

O cenário favorece o aumento do risco de queimadas, piora da qualidade do ar e problemas respiratórios, além de exigir maior atenção com hidratação e exposição prolongada ao sol.

Chuva fica restrita a poucas áreas

Na região Norte, a previsão desta segunda-feira concentra as chuvas entre Roraima, norte do Amazonas, litoral do Pará e Amapá, com possibilidade de trovoadas isoladas. Já Rondônia, Tocantins, centro-sul do Pará e parte do Acre permanecem com tempo firme.

No Nordeste, a chuva deve ocorrer principalmente na faixa litorânea, com maior intensidade prevista para o litoral da Bahia. No interior da região, predomina o tempo seco.

No Centro-Oeste, apenas o sul e sudoeste de Mato Grosso do Sul têm previsão de chuva isolada nesta segunda-feira, enquanto o restante da região segue com céu aberto e baixa umidade. No Sudeste, a instabilidade fica restrita ao Espírito Santo, ao leste de Minas Gerais e a trechos do litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro. Nas demais áreas, o tempo continua seco, com possibilidade de geada nas áreas serranas do sul de Minas Gerais durante as madrugadas.

Válido lembrar que a intensificação do El Niño deve marcar o clima de agosto no Brasil, com um cenário de contrastes entre as regiões.

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Milei reitera acusações contra Lula: “é um ladrão, é um corrupto”

Presidente da Argentina, Javier Milei/LUIS ROBAYO / AFP

O presidente da Argentina, Javier Milei, reiterou no domingo (2) as acusações sem evidências contra o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de “ladrão” e “corrupto”, uma semana depois de suas declarações provocarem uma crise diplomática entre as duas maiores economias da América do Sul.

Ele é um ladrão, é um corrupto, foi condenado por roubo e corrupção, esteve preso, por isso também é verdade chamá-lo de presidiário. E não só isso: ele foi solto por uma falha administrativa no procedimento, não por ser inocente“, disse o presidente ultraliberal em entrevista à emissora LN+.

A pergunta é: eu menti?“, afirmou Milei ao ser questionado sobre ter chamado Lula de “ladrão”, embora sem citá-lo nominalmente, durante o evento de oficialização da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para enfrentar o petista nas eleições de outubro.

As declarações de Milei em São Paulo desencadearam uma crise diplomática que começou com a convocação para consultas do embaixador do Brasil na Argentina, em razão “das ofensas proferidas” pelo presidente argentino.

O Brasil também convocou o embaixador argentino para manifestar seu “repúdio” e pedir explicações pelas “agressões” do presidente Milei contra Lula e contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Ao longo da semana, a Argentina tentou reduzir a tensão provocada pelo incidente diplomático.

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, ressaltou que, da parte de seu governo, não há qualquer possibilidade de romper relações com o país vizinho e principal parceiro comercial.

Neste domingo, porém, Milei reafirmou suas declarações de forma direta e enfática, chamando Lula de “ladrão” três vezes seguidas antes de desenvolver críticas e acusações que já havia feito contra o presidente brasileiro em uma entrevista de rádio, sete dias antes.

Milei voltou a acusar, sem apresentar provas, Lula de promover “interferência política” em seu país e na região.

Aos 80 anos, Lula declarou neste domingo estar muito bem ao oficializar sua candidatura a um quarto e último mandato nas eleições de outubro.

Já Milei, embora ainda não tenha lançado oficialmente sua candidatura, intensificou seu discurso de confronto tendo em vista a disputa presidencial de outubro de 2027.

Durante a entrevista, ele repetiu em várias ocasiões que, a respeito de uma possível reeleição, só compete consigo mesmo, ao destacar as conquistas de seu governo.

Milei aplicou fortes cortes nos gastos públicos, que permitiram reduzir a inflação — 161% interanual quando ele assumiu o poder, contra os atuais 33,5% —, mas que afetaram o emprego, a atividade industrial e o consumo.

Socialismo no alvo

Fiel ao seu estilo, o presidente argentino criticou o fato de suas declarações provocarem indignação e defendeu a veracidade de suas palavras. Ele lembrou que, quando é criticado pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, ou pelo presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, não há as mesmas reações de reprovação.

Quando me insultam, tudo bem. Agora, se eu respondo, está errado“, afirmou.

Em outro trecho da entrevista, ele fez duras críticas ao socialismo, em especial às decisões políticas adotadas em parte da Europa em temas como a imigração.

Milei criticou o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, ao ser questionado sobre a crise na cidade autônoma de Ceuta, após uma onda migratória sem precedentes no enclave espanhol no norte da África.

Ele também acusou, sem apresentar evidências, Sánchez de nacionalizar imigrantes para “que votem nele e, digamos, perpetuar sua tirania”.

Na Espanha, os cidadãos votam para eleger os congressistas. Uma vez formado o Parlamento, os deputados escolhem o presidente do Governo.

A Espanha informou no domingo que pelo menos 72 pessoas morreram ao tentar atravessar a fronteira a partir do Marrocos.

A onda migratória em Ceuta abriu uma crise internacional para a Espanha. Os aliados europeus criticam Madri por suas políticas favoráveis à regularização dos migrantes.

Do outro lado do oceano, Milei aproveitou o tema para reiterar sua posição de que os imigrantes deveriam pagar por alguns serviços públicos no país de acolhida.

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Flávio minimiza críticas ao uso de vídeo feito por IA com seu pai em convenção do PL

Trecho do vídeo de Jair Bolsonaro feito com IA/Reprodução/YouTube

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, minimizou as críticas que recebeu após a exibição de um vídeo feito por inteligência artificial (IA) com seu pai, Jair Bolsonaro, referindo-se a ele como “herdeiro do bolsonarismo”. O vídeo foi exibido durante a convenção nacional do PL que confirmou a candidatura de Flávio ao Executivo federal.

“Se uma inteligência artificial já causa essa apreensão no sistema, imagina se o presidente Bolsonaro estivesse aqui pessoalmente falando, defendendo o Brasil junto com a gente“, afirmou Flávio em entrevista ao programa Canal Livre, da Rede Bandeirantes.

Para Flávio Bolsonaro, a reação das instituições à peça publicitária transmitida na convenção do partido é desproporcional.

Segundo ele, o uso da tecnologia não configura deepfake. Flávio disse que o vídeo não teve intenção de ludibriar o eleitor, lembrando que a própria imagem gerada por IA começava a fala informando sua natureza artificial.

O candidato do PL aproveitou a polêmica em torno do vídeo para reforçar o discurso de perseguição política sofrida por seu pai.

Para ele, o uso da IA tem um “simbolismo gigantesco” por evidenciar que o Brasil não vive uma “democracia plena”.

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Em convenção que confirmou sua candidatura, Lula indica Haddad como seu sucessor na Presidência

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e Fernando Haddad durante convenção Federação Brasil da Esperança/Ricardo Stuckert

No discurso que fez na Convenção Nacional do PT neste domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição nas eleições gerais de outubro deste ano, lançou o ex-ministro Fernando Haddad (PT), candidato ao governo der São Paulo neste pleito, como seu sucessor na Presidência da República. O discurso aposta na sua vitória para mais um mandato consecutivo no Palácio do Planalto e também na conquista do Palácio dos Bandeirantes por Haddad.

Agora é hora de pensar nesse País. Qual é o país do futuro que eu vou entregar quando você, Haddad, depois de governar São Paulo por oito anos, estiver sendo presidente da República“, disse Lula em seu discurso, emendando depois, num afago aos outros correligionários: “Ou você, Rafael Fonteles? Quem sabe sai do Piauí o próximo? Ou quem sabe do Ceará. Ou quem sabe de Pernambuco. De algum lugar vai sair. E da Bahia? Essa eleição de agora é para definir que país a gente vai deixar do ponto de vista das coisas que ainda não fizemos.

Na Convenção Nacional do PT que oficializou a candidatura da chapa de Lula e Geraldo Alckmin para o Executivo Nacional, Haddad discursou. “O Brasil está sendo reconstruído e vai continuar seguindo em frente. De cabeça erguida, sem abaixar a cabeça diante do presidente de nenhum outro país, sem colocar boné de presidente de nenhum outro país“, salientou o ex-ministro.

O presidente Lula, em seu discurso, defendeu a definição de prioridades nacionais em um planejamento de longo prazo e afirmou que o País precisa estabelecer um projeto com horizonte de 10 a 15 anos. “Precisamos decidir o que é prioridade no País” frisou ele.

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Nexus/BTG: Lula empata com Flávio e Caiado no 2º turno

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em empate técnico em um eventual segundo turno da disputa ao Palácio do Planalto contra dois pré-candidatos da direita: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), segundo a pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira (03).

Na simulação contra Flávio, Lula aparece com 46% das intenções de voto contra 45% do senador. Brancos, nulos e os que não escolheriam nenhum dos nomes somam 8%, enquanto 2% dos eleitores não soube ou não respondeu. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Lula x Ronaldo Caiado

No cenário contra Caiado, o atual presidente soma 46% das intenções, ante 42% do ex-governador. Os que disseram votar em branco, nulo e os que não escolheriam nenhum dos nomes somam 10%, enquanto 3% dos eleitores não soube ou não respondeu.

Lula x Romeu Zema

Já em uma eventual disputa direta com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), o atual presidente vai a 46% contra 40% de Zema.

Do total de entrevistados 10% disseram votar em branco, nulo ou em nenhuma das opções, enquanto 3% não souberam ou não responderam ao levantamento.

Lula x Renan Santos

Em uma última simulação apresentada, Lula pontua 47% contra o coordenador do MBL, Renan Santos (Missão), que aparece com 37%. O cenário representa vitória do petista fora da margem de erro.

Os eleitores que declaram voto em branco, nulo ou em nenhum dos nome representam 13% nesta hipótese. Aqueles que não souberam ou não responderam somam 3%.

Metodologia

A Nexus/BTG entrevistou 2.002 eleitores, entre os dias 31 de julho e 02 de agosto, por meio de entrevista por telefone. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

O levantamento foi contratado pelo BTG Pactual e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-02874/2026.

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Boletim aponta El Niño “muito forte” e maior risco de desastres no Brasil

O fenômeno El Niño deve se intensificar ao longo do segundo semestre de 2026 e alcançar intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão, aumentando a probabilidade de eventos extremos em diferentes regiões do Brasil.

A avaliação consta no Boletim nº 2 do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) em conjunto com outros órgãos federais, que alerta para possíveis impactos sobre o regime de chuvas, temperaturas, recursos hídricos, agricultura e risco de desastres naturais.

O documento é resultado de uma ação conjunta entre Inmet, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). Segundo o boletim, há 100% de probabilidade de o El Niño permanecer ativo pelo menos até o início de 2027, com possibilidade elevada de atingir a categoria de muito forte, quando o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial supera 2°C.

Embora o fenômeno ocorra no Oceano Pacífico, a milhares de quilômetros do Brasil, seus efeitos alteram a circulação atmosférica em escala global. Na prática, isso modifica o comportamento dos ventos, o transporte de umidade e a formação de sistemas de chuva, favorecendo extremos climáticos, como enchentes, estiagens prolongadas, ondas de calor, queimadas e temporais.

Os especialistas ressaltam, porém, que o El Niño não determina sozinho as condições do tempo. Cada episódio possui características próprias e seus efeitos podem ser intensificados ou amenizados pela atuação de outros sistemas meteorológicos.

Sul deve concentrar os maiores impactos das chuva

Historicamente, a região Sul é a que mais sente os efeitos do El Niño, principalmente durante a primavera e o verão.

A previsão indica maior frequência de chuvas acima da média, temporais, cheias de rios, enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra. Segundo a Climatempo, os grandes acumulados registrados no Rio Grande do Sul durante julho, que provocaram enchentes em diferentes municípios, já representam os primeiros impactos do fenômeno neste ano.

O boletim do Painel El Niño reforça que a situação exige atenção especial porque, diferentemente do cenário observado em 2023, a região não apresenta déficit hídrico expressivo. Isso significa que o solo já possui maior disponibilidade de água, favorecendo o transbordamento de rios diante de novos episódios de chuva intensa.

Na agricultura, a maior disponibilidade de umidade pode beneficiar culturas de inverno em determinadas fases de desenvolvimento. Em contrapartida, o excesso de chuva aumenta o risco de doenças fúngicas, dificulta a entrada de máquinas nas lavouras e pode atrasar operações de manejo e colheita.

Norte pode enfrentar seca prolongada e rios mais baixos

Na região Norte, especialmente na Amazônia, o cenário esperado é praticamente o oposto.

A tendência é de redução das chuvas, temperaturas acima da média e atraso no estabelecimento da estação chuvosa em parte da Amazônia Legal. O boletim destaca que esse padrão favorece a persistência da estiagem, reduz a disponibilidade hídrica, aumenta o ressecamento da vegetação e amplia significativamente o risco de incêndios florestais.

Outro efeito esperado é a diminuição gradual dos níveis dos rios. Embora boa parte das bacias ainda apresente condições próximas da normalidade, os indicadores mostram avanço da estiagem em diferentes sub-bacias da Amazônia. Segundo os órgãos responsáveis pelo monitoramento, caso não haja reposição significativa das chuvas nas próximas semanas, a resposta hidrológica tende a se intensificar, afetando a navegação, o abastecimento de água e atividades econômicas dependentes dos rios.

A Climatempo também aponta que o Norte deverá registrar temperaturas elevadas e chuvas abaixo da média principalmente em Roraima e no norte do Amazonas.

Nordeste deve ter menos chuva e maior pressão sobre reservatórios

No Nordeste, os principais impactos tendem a ocorrer durante o verão e o outono, especialmente na porção norte da região. A expectativa é de redução da duração da estação chuvosa, prolongamento da estiagem, temperaturas acima da média e menor disponibilidade de água em rios e reservatórios.

O Painel El Niño mostra que a situação atual da seca na região já é mais preocupante do que a observada em junho de 2023. Enquanto naquele ano a seca moderada atingia cerca de 10% da região, atualmente essa condição alcança aproximadamente 40%, indicando maior vulnerabilidade diante da intensificação do fenômeno. Além disso, muitas áreas ainda não recuperaram completamente suas reservas hídricas, o que pode agravar problemas de abastecimento e aumentar as perdas na agricultura dependente da chuva.

Centro-Oeste pode registrar calor intenso e aumento das queimadas

No Centro-Oeste, o El Niño costuma atrasar o início da estação chuvosa, prolongando o período seco. O cenário previsto inclui temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar e maior risco de queimadas e incêndios florestais.

Segundo o boletim técnico, a combinação entre chuva abaixo da média e calor acima do normal favorece ondas de calor e amplia o potencial de propagação do fogo, principalmente em áreas de vegetação nativa e produção agropecuária. Apesar disso, a colheita do milho e do algodão de segunda safra tende a ser favorecida pelo predomínio do tempo seco.

Sudeste deve enfrentar calor acima da média

Na região Sudeste, os efeitos mais frequentes envolvem temperaturas elevadas, ondas de calor mais duradouras e irregularidade das chuvas, sobretudo no início da estação chuvosa.

Embora o El Niño não tenha relação direta com o volume de precipitação na região, o aumento das temperaturas eleva a evaporação e reduz a umidade do solo. Caso as chuvas da primavera atrasem, o quadro de seca pode se intensificar rapidamente, segundo o Painel El Niño.

A Climatempo acrescenta que o calor persistente também deve aumentar a demanda por água e energia elétrica durante os próximos meses.

Órgãos reforçam monitoramento e medidas preventivas

Diante da possibilidade de um episódio muito forte, os órgãos que integram o Painel El Niño recomendam acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas, hidrológicas e geológicas, além da atenção aos avisos e alertas oficiais.

À população, a orientação é manter atualizado o cadastro para recebimento de alertas da Defesa Civil, conhecer as áreas de risco e as rotas de fuga da própria região e adotar medidas de autoproteção sempre que houver previsão de eventos extremos. As instituições informaram que continuarão divulgando boletins periódicos para subsidiar ações de prevenção, preparação e gestão de riscos ao longo da evolução do fenômeno.

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Sobe para 72 o número de mortos em caos de migrantes na fronteira de Ceuta

O número de mortos na confusão envolvendo a migração em massa de pessoas na última quinta-feira (30) na fronteira de Ceuta, território espanhol no norte ​da África, com o Marrocos chegou a pelo menos ​72 neste domingo (2).

Mais cinco corpos foram encontrados ao longo da costa de Ceuta, disseram as autoridades.

Mais de 50 mil pessoas entraram em Ceuta por terra e mar num fluxo sem precedentes que começou na semana passada, numa das duas únicas fronteiras terrestres da União Europeia com África, causando alarme em todo o bloco.

Mais de 48 mil pessoas voltaram a Marrocos em 48 horas e outras tantas durante o fim de semana, disseram as ​autoridades espanholas.

O representante do governo espanhol em Ceuta, Miguel Ángel Pérez, disse a jornalistas neste ​domingo que, além das 72 mortes, mais de mil pessoas foram atendidas pelos serviços de saúde ⁠desde quinta-feira.

A situação na cidade melhorou consideravelmente, segundo ele, mas ainda há muito a ser feito para restabelecer a normalidade.

Alguns migrantes se ​afogaram ‌e outros foram esmagados ao tentar escalar um quebra-mar e a cerca da fronteira. Muitos foram forçados ⁠a migrar por dificuldades econômicas e incentivados por boatos nas redes sociais.

Patrulhas reforçadas na fronteira

Dói-me profundamente que jovens estejam morrendo no mar. Não é justo que, em 2026, mulheres com crianças de apenas dois meses de idade estejam atravessando ‌o ⁠mar apenas para ‌morrer“, disse Karima Abenaz, uma cidadã francesa em Ceuta com família no Marrocos, contendo as lágrimas.

Em Marrocos, há comida, há tudo o que precisamos“, acrescentou. “Se não tivermos um emprego decente, devemos entrar em greve e exigir ⁠nossos direitos do governo. Não deveríamos estar morrendo no ⁠mar, isso não está certo.

O líder de Ceuta, Juan Jesús Vivas, disse ao jornal El País que o necrotério da cidade ‌recebeu 88 cadáveres, incluindo alguns de pessoas que morreram em tentativas anteriores, menores, de chegar ao território em perigosas travessias noturnas a nado nas últimas duas semanas. Ele afirmou que as autoridades marroquinas também estavam recuperando corpos do mar, mas nenhuma informação oficial estava disponível.

As autoridades reforçaram o patrulhamento policial ‌e militar e, no sábado, instalaram uma barreira flutuante de 500 metros ao largo de Ceuta.

Vinte e dois Estados-membros da UE escreveram uma carta solicitando uma ação coordenada para proteger as fronteiras ⁠externas e outras medidas após o incidente de Ceuta. A Itália suspendeu por um mês o acordo de livre circulação de pessoas com a Espanha dentro do Espaço Schengen.

A Espanha adotou uma postura mais aberta em ​relação aos migrantes do que a maioria dos outros países da UE, introduzindo um programa para conceder residência ​a mais de meio milhão de pessoas sem documentos.

O governo rejeitou as sugestões de que o programa incentivou a entrada descontrolada em Ceuta, afirmando que aqueles que entraram em Ceuta de forma irregular não podiam viajar para a Espanha continental ou para qualquer outro ‌lugar na zona Schengen.

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Em meio a cerco de Moraes, PL volta a usar vídeo de Bolsonaro em convenção

Em meio a cerco de Moraes, PL volta a usar vídeo de Bolsonaro em convenção  | CNN Brasil

O PL (Partido Liberal) voltou a utilizar uma gravação de Jair Messias Bolsonaro durante a convenção que lançou, neste sábado (1º), as candidaturas da sigla em Santa Catarina e contou com a presença de Flávio Bolsonaro, candidato do partido à presidência da República.

O material uniu áudios e imagens antigas do ex-presidente, além de vídeos em que Jair Bolsonaro aparece em um campo abraçado com outras pessoas em uma paisagem com montanhas. Ainda não foi possível confirmar a utilização de inteligência artificial em algum momento desta gravação.

A ação ocorre em meio a questionamentos do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), após o partido usar um vídeo de Jair Bolsonaro produzido por inteligência artificial na convenção do PL que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República, no dia 25 de julho.

No evento deste sábado (1º), Flávio discursou logo após a inserção da gravação com as imagens do pai. Na presença dos irmãos, Carlos e Renan, reclamou que não podem se comunicar com o ex-presidente. O candidato chegou a gravar um vídeo pelas redes sociais para que o Jair Bolsonaro possa ver em algum momento posteriormente.

Imaginem mais um governo, como o que nós temos hoje, indicando quatro ‘Alexandres de Moraes’ para o STF. A política vai ser perseguida. A direita vai ser perseguida. A perseguição vai continuar. Talvez teremos mais comunistas no STF, como o atual presidente se orgulha de ter colocado ultimamente, mas nós não vamos permitir porque o Brasil vai voltar a normalidade. Nós vamos voltar a ter democracia. Nós vamos libertar o presidente Jair Bolsonaro“, disse o político.

Em sua fala, Flávio também fez críticas à atuação de ministros do STF, disse que vai precisar de parlamentares para reduzir a maioridade penal para 14 anos e garantiu que vai fazer a “maior redução de carga tributária que a história já viu”.

Defesa de Bolsonaro alegou desconhecimento

A defesa de Jair Bolsonaro informou a Moraes que o ex-presidente não autorizou o uso de sua imagem em um vídeo produzido por inteligência artificial. Em declaração durante uma live, Flávio Bolsonaro afirmou que o pai não tinha qualquer conhecimento prévio sobre a exibição do vídeo.

É óbvio que o presidente Bolsonaro não tinha a menor ideia de que ia passar um vídeo de IA dele na nossa convenção. E, obviamente, nós estudamos a legislação e não tem absolutamente nada de errado“, afirmou o candidato do PL no vídeo.

Moraes afirmou na decisão que os esclarecimentos da defesa do ex-presidente seriam cruciais para verificar se houve “flagrante desrespeito à legislação eleitoral por Flávio Nantes Bolsonaro e pelo Partido Liberal”.

Outro caso

Em outra decisão recente, Moraes determinou que a Procuradoria-Geral Eleitoral avaliasse a carta escrita por Bolsonaro e lida por Flávio por suposta propaganda eleitoral antecipada ao senador.

Para Moraes, o conteúdo tem “carga semântica equivalente a pedido explícito de voto” e pode configurar propaganda eleitoral antecipada. O ministro enviou cópias da decisão e dos vídeos ao procurador-geral eleitoral.

A abertura de um inquérito para investigar se o pré-candidato bolsonarista cometeu o crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também é citada no pacote de atuações do STF de impacto eleitoral.

Moraes comandou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nas eleições de 2022, mas deixou de integrar a corte em junho de 2024. Apesar de não estar mais no TSE, o ministro tem preservado influência sobre o cenário eleitoral com a relatoria de processos que o mantêm como um ator relevante na disputa política.

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Após cancelar ataque, Trump diz que negociará com o Irã na segunda (3)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as negociações com o Irã serão retomadas na segunda-feira (3), apenas um dia depois de dizer que cancelou um “ataque maciço” contra o país.

Eles sabiam a dimensão do ataque porque o viram sendo preparado. Agora, o que estamos fazendo é conversar com eles por meio de uma negociação. Ela começa amanhã à tarde, e veremos“, disse Trump a jornalistas a bordo do Air Force One neste domingo (2), após passar o fim de semana em seu clube de golfe em Bedminster, Nova Jersey.

Trump afirmou que aliados, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, além do próprio Irã, pediram que ele cancelasse o ataque planejado.

“Estávamos prontos para agir, mas, quando os aliados pediram que cancelássemos, isso nos fez dizer: ‘Bem, vamos ver’. E a razão pela qual eles pediram isso é que acreditam que há um acordo“, disse Trump. “Há um acordo sobre Ormuz, e depois haverá um acordo sobre a questão nuclear, ou o que se pode chamar de desnuclearização do Irã. Eu chamo isso de desnuclearização do Irã.”

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, conversou por telefone com Trump e defendeu uma redução da escalada da guerra, informou a agência estatal saudita neste domingo. Mais cedo, fontes disseram à CNN que o príncipe herdeiro manifestou preocupação com os planos de um possível ataque ao Irã durante a ligação.

Trump se recusou a responder a uma pergunta sobre se o ataque teria como alvo instalações do setor de energia. Ainda assim, reforçou em uma publicação feita no sábado (1º) na Truth Social que os Estados Unidos continuam “armados, preparados e prontos para agir” contra o Irã.

A mídia estatal iraniana negou que o país tenha pedido a Trump que suspendesse os ataques planejados.

“Trump, o tolo, perdeu o fôlego!”, publicou neste domingo a agência semioficial iraniana Fars.

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