
A campanha da governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), acionou o TRE-PE (Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco) e a PRE-PE (Procuradoria Regional Eleitoral em Pernambuco) com documentos que apontam a suposta disseminação de fake news, criação de perfis falsos em redes sociais e uso de robôs em ataques coordenados.
Nas peças encaminhadas aos órgãos, o PSD de Pernambuco afirma que os conteúdos foram disparados para promover o principal adversário na disputa ao governo estadual, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), e atacar Raquel Lyra.
A campanha da governadora afirma ter verificado 535 perfis e alega que, em quase 100% deles, havia atuação contra Raquel e favorável a João.
Segundo o PSD, as supostas irregularidades foram detectadas pelas próprias plataformas, que suspenderam, apagaram ou removeram quase 90% dos perfis catalogados.
A queda em série dos perfis é vista como indício de que eles eram falsos. Entre os elementos que a campanha afirma ter verificado estão a replicação literal do mesmo texto em contas diferentes, estrutura de contas descartáveis, resíduos identificáveis de geração automática e sincronismo no disparo de comentários em postagens.
Também geraram suspeitas a criação de perfis no mesmo dia e que reagiram aos mesmos eventos, o que levanta a hipótese de ativação em lote de um conjunto de contas previamente preparadas.
Em um segundo levantamento, a campanha de Raquel afirma ter identificado pessoas ligadas ao ex-prefeito do Recife como responsáveis pela criação de uma rede profissional de disseminação de conteúdo contra a governadora.
O PSD sustenta que por trás dos ataques estão pessoas ligadas ao PSB, nos poderes Executivo e Legislativo, e um escritório de advocacia que seria responsável por fazer a defesa jurídica dos perfis suspeitos. Levantamentos que a campanha afirma ter feito também indicam que números de celular com linhas registradas no nome de laranjas podem ter sido utilizados no cadastro de perfis nas redes sociais.
Entre os perfis citados estão contas que teriam sido registradas com o número de telefone de Wladmir Quirino e que foram usadas na campanha de 2022 e que já foram alvo de contestações na justiça. Quirino ocupou cargos em Pernambuco em gestões municipais do PSB.
A campanha de Raquel afirma que em 2026 o mesmo número de celular foi usado no perfil @joaocamposplatinado (inativo no momento). O acesso à conta era feito por um IP vinculado ao telefone de Rosineide Maria da Silva, que o PSD afirma também está ligada à rede de ataques. O partido alega, no entanto, que ela seria uma laranja.
A reportagem acionou Wladmir Quirino, que não comentou o assunto.
A ação apresentada ao TRE-PE pede, em caráter emergencial, que o Facebook e a operadora Claro sejam oficiados para fornecer dados e preservar informações sobre os perfis e linhas de celulares indicados para evitar que as provas recolhidas ao longo da investigação feita pela campanha possam ser destruídas.
“O que se encontra em risco é a própria possibilidade de verificar se o pleito de 2026 está sendo influenciado por uma estrutura organizada de atuação digital anônima, coordenada e eventualmente financiada. A impossibilidade de identificar seus responsáveis, reconstruir seu funcionamento e apurar eventual custeio compromete diretamente a normalidade e a legitimidade das eleições“, afirma a peça.
À PRE-PE, o PSD apresentou um pedido de instauração de um procedimento investigatório, com apuração sobre possíveis vínculos do PSB de Pernambuco.
O que diz o PSB de Pernambuco
Em nota à CNN, o PSB em Pernambuco afirma que “antes de tentar assumir o papel de vítima, o grupo da governadora precisa esclarecer as investigações que já alcançam sua própria estrutura“.
O partido alega que a justiça concedeu 57 liminares em ações apresentadas pela sigla e que apontam violação da legislação eleitoral e crimes contra a honra.
“Quem ainda precisa explicar à sociedade as graves suspeitas que recaem sobre sua estrutura não tem autoridade para se apresentar como vítima nem para desviar o foco das investigações em curso“, afirma o partido.
O PSB afirma que há uma investigação da PF em curso para apurar ataques coordenados a adversários políticos e a instituições.
O PSB alega que, segundo denúncias apuradas pelos investigadores, há suspeita de envolvimento de pessoas ligadas ao governo de Raquel Lyra, com uso indevido de recursos públicos destinados à publicidade e produção clandestina de conteúdos contra adversários políticos.
A PF apura a denúncia de que mais de 300 perfis em redes sociais atuariam de forma orquestrada, utilizando a ferramenta de “collabs”, para amplificar conteúdos negativos contra figuras da oposição e promover a imagem de Raquel.
“Análises de dados mostram que perfis anteriormente voltados para gastronomia mudaram drasticamente sua linha editorial para a defesa intransigente da governadora e ataques sistemáticos a opositores. Servidores comissionados do estado foram identificados como operadores ou articuladores dessa rede“, afirma o PSB sobre as denúncias.
O PSB alega que as denúncias trazem suspeitas sobre a atuação de Waldemiro Ferreira Teixeira, conhecido como Dódi, primo da governadora Raquel Lyra.
O partido também lembra outro episódio incorporado à denúncia e que envolve Manoel Pires Medeiros Neto, que integrava a secretaria-executiva de Informações Estratégicas do Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo de Pernambuco.
De acordo com os documentos apresentados, Medeiros utilizou uma lan house de um shopping do Recife, em agosto de 2025, para preparar e encaminhar uma denúncia anônima contra a deputada que articulou a CPI da Publicidade na Alepe (Assembleia Legislativa de Pernambuco) para investigar o caso.