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Quaest: 49% não consideram Lula honesto; 42% dizem o mesmo sobre Flávio Bolsonaro

Dados de pesquisa Quaest divulgados nesta quarta-feira (16) mostram que 49% dos brasileiros não consideram o presidente Lula (PT) honesto, e 42% pensam o mesmo sobre Flávio Bolsonaro (PL). Para outros 28%, Lula é honesto. E 23% diz que Flávio é honesto.

A Quaest foi contratada pela Globo e por O Globo e entrevistou 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em todo o país, entre 10 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como BR-03607/2026.

A pesquisa fez a pergunta sobre honestidade em relação a seis candidatos à Presidência da República: Lula, Flávio, Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).

Pelo que você tem visto ou ouvido falar, o candidato é um político honesto, desonesto ou você não o conhece suficientemente para opinar?

Lula

Sim, é honesto: 28%
Não conhece o suficiente, não sabe ou não respondeu: 23%
Não, não é honesto: 49%

Flávio Bolsonaro

Sim, é honesto: 23%
Não conhece o suficiente, não sabe ou não respondeu: 35%
Não, não é honesto: 42%

Augusto Cury

Sim, é honesto: 17%
Não conhece o suficiente, não sabe ou não respondeu: 77%
Não, não é honesto: 6%

Ronaldo Caiado

Sim, é honesto: 14%
Não conhece o suficiente, não sabe ou não respondeu: 77%
Não, não é honesto: 9%

Romeu Zema

Sim, é honesto: 13%
Não conhece o suficiente, não sabe ou não respondeu: 77%
Não, não é honesto: 10%

Renan Santos

Sim, é honesto: 6%
Não conhece o suficiente, não sabe ou não respondeu: 86%
Não, não é honesto: 8%

Percepção de acordo com perfil do entrevistado

A percepção de que Lula é honesto é maior entre entrevistados do Nordeste (45%), homens (29%), com mais de 60 anos (34%), Ensino Fundamental (36%), renda até 2 salários mínimos (33%), católicos (32%), pretos (36%) e lulistas (69%).

Já a percepção de que o presidente não é honesto é maior entre moradores do Sudeste (61%), homens (50%), com idade entre 16 e 34 anos (55%), Ensino Médio (59%), evangélicos (59%), brancos (56%) e entre pessoas da direita não bolsonarista (85%). Em relação à renda, a maior percepção de que Lula não é honesto se dá nos estratos de quem ganha entre 2 e 5 salários mínimos e de quem ganha mais de 5 salários, com 54% em cada grupo.

Quando o avaliado é Flávio Bolsonaro, a percepção de que ele é honesto é maior entre entrevistados do Sudeste (29%), homens (26%), pessoas com de 35 a 59 anos (26%), Ensino Superior (30%), que ganham entre 2 e 5 salários mínimos (28%), evangélicos (30%), brancos (28%) e bolsonaristas (60%).

A maior percepção de que Flávio não é honesto se dá entre quem vive no Nordeste (55%), homens (43%), quem ganha até 2 salários mínimos (44%), católicos (45%), pretos (48%) e quem é da esquerda não lulista (73%). Em relação à idade, o percentual de quem não considera Flávio honesto é de 42% em todos os estratos. Em escolaridade, tanto entre quem tem Fundamental quanto quem tem Superior completo, 43% apontam que o candidato do PL não é honesto.

‘Me respeite, Gilmar’, ‘assumam que estão ferrados’: ministros do STF têm embate no celular antes de sessão

Ministros do Supremo Tribunal Federal tiveram embates em sessão ao vivo para todo o Brasil nesta terça-feira (15), quando abordaram a suposta relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, mas os conflitos tiveram início antes mesmo de o presidente Edson Fachin começar a sessão.

O blog teve acesso a mensagens trocadas por parte dos ministros via aplicativo de celular — caso revelado pelo portal Metrópoles. Gilmar Mendes, Nunes Marques e Luiz Fux protagonizaram os desentendimentos em conversas reservadas. A troca de conversas ocorreu na semana do afastamento de diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

O clima já começou quente, com Gilmar questionando as supostas relações que parentes de Nunes Marques teriam com Daniel Vorcaro.

Assumam que estão ferrados“, disse o decano do STF a Nunes Marques, que cobrou respeito. “Me respeite, Gilmar. Isso não é postura“.

Para Fux, Gilmar questionou a condução do ministro à frente da 2ª Turma da Corte e afirmou que algumas ações do ministro André Mendonça revelavam “qualquer coisa, menos postura institucional” ao julgar com mais velocidade pedidos da Polícia Federal contra aliados do governo Lula (PT), como Jaques Wagner, do que aliados de Flávio Bolsonaro (PL), ao citar Cláudio Castro, segundo Mendes.

Veja a sequência de mensagens entre Nunes Marques e Gilmar Mendes:

Kassio Nunes Marques: “Me respeite Gilmar. Isso não é postura”.
Gilmar Mendes: “Não julguem porra“.
Gilmar: “Não respeito a quem nao se daH respeito
Gilmar: “Vc tem de sair do tse tambem
Kassio: “Então não me tecle pois não falo com que não me respeita
Gilmar: “Abra as suas contas antes de julgar qualquer coisa desse caso na turma
Kassio: “Abro com o maior prazer“.
Kassio: “Há 15 anos que presto contas de tudo“.
Kassio: “Como juiz”
Kassio: “Tramoias ….
Gilmar: “Verdade! E de sua família

As acusações não foram bem recebidas. Tanto Kassio quanto Fux cobraram que Mendes tivesse postura e os respeitasse. “Cuide de não encher meu saco”, rebateu Fux.

Veja a sequência de mensagens entre Gilmar Mendes e Fux:

Gilmar Mendes: “Isto revela qq coisa menos postura institucional. Espero que nao se repita”
Luiz Fux: “Gilmar você deve dizer espero que não se repita pra quem você quiser. Pra cima de mim não. Ninguém nesse mundo diz pra mim como agir. Boa Noite por ora”
Gilmar: “Fux, soh cuide de atuar como Presidente da turma”.
Fux: “Bom Dia. Cuide de não encher meu saco!

O que se seguiu foi similar ao embate no Supremo, quando Gilmar Mendes afirmou para André Mendonça, durante a sessão, que não respeita quem não se dá o respeito. O clima ficou ainda pior.

Entre as cobranças no WhatsApp para Nunes Marques, Gilmar falou para o ministro deixar o Tribunal Superior Eleitoral, argumento que ele usaria depois para se retirar da sessão que terminou sem decisão sobre investigar — ou não — a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Nesta terça, a sessão terminou sem definição. Os próximos capítulos prometem ser igualmente tensos, seja em discussões públicas ou em conversas reservadas entre os próprios ministros.

Nunes Marques bloqueia Gilmar Mendes no WhatsApp após desentendimento

O ministro Nunes Marques, do (STF) Supremo Tribunal Federal, bloqueou o decano Gilmar Mendes no aplicativo de mensagem WhatsApp.

O bloqueio ocorreu na terça-feira (8) da semana passada, após um desentendimento entre os ministros que começou a partir da formação de maioria da Segunda Turma pelo afastamento do delegado-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Na análise em sessão virtual do colegiado, Nunes Marques votou pelo afastamento do delegado, referendando a decisão de André Mendonça.

O voto de Nunes Marques foi dado menos de cinco minutos depois do de Luiz Fux e resultou em maioria pela manutenção do afastamento de Andrei Rodrigues.

Os votos foram inseridos no sistema do STF poucos minutos após Gilmar pedir vista e adiar a conclusão do julgamento.

O decano viu um movimento orquestrado entre os colegas e enviou mensagem a Nunes Marques criticando a postura dele.

As citações a familiares dos dois ministros em mensagens no celular de Daniel Vorcaro embasaram as cobranças do decano. A informação foi revelada pelo portal “Metrópoles” e confirmada pela CNN.

O tom da conversa subiu. Gilmar Mendes afirmou que os colegas parecem servos e submissos a Mendonça e que deveriam abrir suas contas bancárias.

Assumam q estao ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”, afirmou Gilmar Mendes.

Nunes Marques pediu que Gilmar o respeitasse e afirmou ao colega que aquilo não era postura adequada.

O decano afirmou que não respeitava quem não se dava ao respeito. E reiterou a sugestão para que o colega e Fux não participassem do julgamento e defendeu que o ministro deixasse o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), do qual é presidente.

Então não me tecle pois não falo com quem não me respeita”, rebateu Nunes Marques.

Gilmar finalizou dizendo que o ministro deveria dar transparência às contas dele antes de julgar processos do Master na Segunda Turma.

“Abro com o maior prazer. Há 15 anos que presto contas de tudo. Como juiz”, afirmou.

A relação piorou ainda mais em meio à sessão sobre o prosseguimento da investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

Nos bastidores, Nunes Marques chegou a acenar que votaria a favor do avanço da investigação. A sinalização irritou o entorno de Moraes, incluindo Gilmar.

Nesta terça-feira (15), se declarou impedido da análise do episódio. Ele argumentou que, como presidente do TSE, queria evitar a contaminação política do episódio.

Mais cedo, a CNN mostrou que mensagens obtidas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelam diálogos sobre pagamentos que seriam destinados a Kevin Marques, filho do ministro.

O conteúdo integral do celular de Vorcaro havia sido disponibilizado aos gabinetes dos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.

Em diálogo com Vorcaro, Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, menciona pagamentos mensais de R$ 500 mil para Kevin Nunes.

A CNN procurou a assessoria de Kevin Marques e aguarda retorno. Em sessão no STF, Nunes Marques negou que seu filho tenha prestado serviços ao Banco Master.

O ministro também disse que “nunca” trocou mensagens com Vorcaro.

Moraes rebate Mendonça sobre “PF paralela” e diz que alegação é “patética”

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), rebateu as alegações do ministro André Mendonça sobre a existência de uma PF (Polícia Federal) “paralela” voltada ao monitoramento de ministros da Corte.

Durante a sessão histórica do STF que ocorre nesta terça-feira (15), Mendonça votou para a separação da análise dos casos que envolvem ele [com relação ao relatório do caso Master] e Moraes [na relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro].

Sua Excelência, o ministro André Mendonça foi ministro da Justiça, assim como o ministro Flávio Dino. Ele sabe […] que todas as polícias têm relatórios de inteligência que são oficiais. Não houve monitoramento algum. Com todo respeito, chega a ser patética essa alegação“, rebateu Moraes após o voto de Mendonça.

Votação no plenário

O voto de Mendonça vai no mesmo sentido do que fez o presidente da Suprema Corte, ministro Edson Fachin. O placar é de 4×2.

No sentido oposto, pedindo que os casos sejam analisados em conjunto, votaram Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.

Os ministros votam uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. O pedido prevê a junção dos casos, o adiamento da análise para o dia 23 de setembro e um novo sorteio da relatoria, atualmente sob a responsabilidade de Fachin.

Sessão histórica

A sessão do STF, considerada histórica, ocorre para analisar o relatório da PF (Polícia Federal) que reúne mensagens e outros registros usados pela corporação para apontar uma relação próxima entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Antes de discutir se o conteúdo justifica a abertura de uma investigação contra Moraes, o plenário deverá se manifestar sobre o pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para anular o relatório da Polícia Federal.

A Procuradoria argumenta que André Mendonça determinou a produção do documento sem que houvesse pedido prévio do Ministério Público ou da própria PF e sem submeter a medida anteriormente ao plenário.

Mesmo se a nulidade for acolhida, há ministros que avaliam que o STF poderá encerrar o caso sem avançar sobre o mérito das mensagens. Outros, porém, entendem que, mesmo nessa hipótese, os elementos já conhecidos podem ser discutidos para decidir se uma nova investigação deve ou não ser aberta.

A sessão desta terça ocorre em meio a uma tensão na Corte, com trocas de ofícios entre ministros, disputa pelo acesso às provas e questionamentos sobre a condução das investigações feitas pelo ministro André Mendonça.

Antes da sessão, ministros debateram, internamente, sobre quais documentos deveriam estar disponíveis para análise prévia.

Na segunda (14), a PF informou que entregou cópias dos dados extraídos do aparelho celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.

Também na segunda, Mendonça também retirou o sigilo de um processo que reúne detalhes sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do Banco Master.

Gilmar sai em defesa de Gonet e bate boca com Mendonça: ‘Desfaçatez’

Os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça bateram boca durante a sessão do Supremo Tribunal Federal desta terça-feira (15), que analisa a crise do Banco Master que atinge a Corte.

O bate-boca começou quando Gilmar Mendes saiu em defesa de Paulo Gonet, procurador-geral da República, que havia acabado de dizer que não teve relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.

Nesse momento, Gilmar disse que Mendonça age com “desfaçatez” e “leviandade”.

É impressionante, senhor presidente, que uma pessoa da estatura do senhor Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isso, sim, é leviandade [de Mendonça]. Um sujeito investido de um sentimento policialesco junto com os seus delegados. É impressionante a desfaçatez desse sujeito [Mendonça]“, esbravejou Gilmar.

A desfaçatez de vossa excelência! Me respeite, me respeite. Isso aqui não é brincadeira!”, gritou André Mendonça.
Pode chorar, pode chorar“, disse Gilmar Mendes.

Não estou chorando não. Aqui não tem choro não. Respeite!“, declarou Mendonça.

Na sequência, o ministro Flávio Dino anunciou que estava pedindo vista do julgamento, cobrando providências por parte do presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, sobre o bate-boca que acabara de ocorrer entre Gilmar e Mendonça.

O ministro também fez menções a mensagens sobre ministros do STF que estão em celular de Daniel Vorcaro.

Nesse momento, Fux declarou: “Mensagem comigo não tem”.

Dino, então, respondeu: “Tem, ministro Fux. Tem”.

Fux reafirmou: “Comigo não tem. Nunca vi esse sujeito na minha vida. Só se vossa excelência está se baseando nesses inquéritos que surgem do nada“.

Ministro Fux, vossa excelência terá que esclarecer isso num momento próprio. Infelizmente“, respondeu Dino.

Entenda a crise no STF

A crise se intensificou após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de relatórios da Polícia Federal sobre as investigações do Banco Master.

Um dos documentos apontou 52 mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, além de encontros presenciais entre os dois e de um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes.

A divulgação dos documentos provocou um confronto entre Moraes e André Mendonça, relator das investigações do caso Master.

Moraes acusou o colega de fazer uma liberação “seletiva” dos autos e de omitir documentos. Mendonça negou e afirmou que manteve sob sigilo apenas informações necessárias para preservar investigações em andamento e dados de terceiros.

A disputa também envolveu o acesso às provas extraídas do celular de Vorcaro. Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes pediram acesso integral ao material.

Após determinação de Zanin, a PF confirmou, na segunda-feira (14), ter entregue cópias do acervo digital aos três gabinetes. A PGR também se manifestou a favor da ampliação do acesso aos documentos.

Diante do conflito, o presidente do STF, Edson Fachin, decidiu separar os processos. O caso que envolve as mensagens entre Vorcaro e Moraes será analisado pelo Plenário nesta terça-feira (15).

‘Profunda consternação e tristeza’: Cármen Lúcia pede desculpas ao povo brasileiro em julgamento sobre Moraes

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse na sessão plenária desta terça-feira (15) estar em estado de “profunda consternação e tristeza”. O julgamento foi covocado para discutir o relatório que aponta a relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

Eu não tenho o hábito de antecipar voto quando há um pedido de vista, e por isso eu peço licença ao ministro Flávio Dino. Mas é uma questão de ordem nem é o voto que eu tinha sobre a questão, mas eu me encontro, como talvez muitos de meus colegas, em estado de profunda consternação e tristeza. Hoje um dos colegas me dizia se eu estava contrariada com alguma coisa, não, eu disse eu estou triste não apenas pelo tema que nos traz aqui que você teria sido o aquele ato decidido, mas porque este Supremo Tribunal Federal guarda da Constituição por determinação nela expressa provocou um mal estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos brasileiros nesses últimos dias”, disse a ministra.

A ministra também pediu desculpas ao povo brasileiro porque queria ter contribuído para “acalmar” a crise do STF. A crise na Corte teve início no começo de setembro de 2026, com o levantamento do sigilo de relatórios da PF elaborados no âmbito das apurações sobre fraudes financeiras no Banco Master.

Entre os documentos, um relatório da PF identificou 52 mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes entre dezembro de 2023 e novembro de 2025 — data em que o empresário foi preso pela primeira vez.

“Eu peço desculpa ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente. Mas acho que todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que era tentar resolver, e as questões não foram resolvidas e foram crescendo demais. Portanto, estou pedindo desculpas ao presidente do Supremo, a todos os colegas, mas ao povo brasileiro, porque realmente queria ter sido melhor e poder ter ajudado a acalmar as coisas e não consegui”, afirmou.

Julgamento interrompido

A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) sobre crise que atinge a Corte terminou com 4 votos a 3 para manter separadas as análises pelo Supremo das condutas de Alexandre de Moraes, na relação com Daniel Vorcaro, e de André Mendonça, na condução do relatório do caso Master.

Presidente do STF e relator da sessão desta terça, Edson Fachin votou para manter a separação dos casos após uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes.

Fachin foi acompanhado pelos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia.

Já Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram para que as análises sejam conjuntas.

O ministro Flávio Dino, que havia votado com essa corrente, mudou o voto para um pedido de vista, o que suspendeu o julgamento.

Entenda a crise no STF

A crise se intensificou após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de relatórios da Polícia Federal sobre as investigações do Banco Master.

Um dos documentos apontou 52 mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, além de encontros presenciais entre os dois e de um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes.

A divulgação dos documentos provocou um confronto entre Moraes e André Mendonça, relator das investigações do caso Master.

Moraes acusou o colega de fazer uma liberação “seletiva” dos autos e de omitir documentos. Mendonça negou e afirmou que manteve sob sigilo apenas informações necessárias para preservar investigações em andamento e dados de terceiros.

A disputa também envolveu o acesso às provas extraídas do celular de Vorcaro. Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes pediram acesso integral ao material.

Após determinação de Zanin, a PF confirmou, na segunda-feira (14), ter entregue cópias do acervo digital aos três gabinetes. A PGR também se manifestou a favor da ampliação do acesso aos documentos.

Diante do conflito, o presidente do STF, Edson Fachin, decidiu separar os processos. O caso que envolve as mensagens entre Vorcaro e Moraes será analisado pelo Plenário nesta terça-feira (15).

Já as acusações de Moraes contra Mendonça ficaram para 23 de setembro.

Após pedido de vista, STF interrompe sessão sem definir se junta ou mantém separados casos de Moraes e Mendonça

A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15), a primeira sobre crise Master que atinge a Corte, terminou com 4 votos a 3 para manter separadas as análises pelo Supremo das condutas de Alexandre de Moraes, na relação com Daniel Vorcaro, e de André Mendonça, na condução do relatório do caso Master.

Presidente do STF e relator da sessão desta terça, Edson Fachin votou para manter a separação dos casos após uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. Fachin foi acompanhado pelos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia.

Já Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram para que as análises sejam conjuntas. O ministro Flávio Dino, que havia votado com essa corrente, mudou o voto para um pedido de vista (mais tempo para análise), o que suspendeu o julgamento.

O prazo do pedido de vista é de até 90 dias corridos. Se Dino não se posicionar dentro desse prazo, o caso é liberado automaticamente para voltar à pauta.

Com o pedido de vista, o julgamento foi interrompido sem uma decisão sobre como a Corte vai julgar os casos de Moraes e Mendonça.

Fachin foi o primeiro a votar

Na tarde desta terça, após a retomada do julgamento iniciado na manhã, o presidente do STF se posicionou contra uma questão de ordem, um questionamento, apresentado pelo ministro Gilmar Mendes, que defendeu o julgamento conjunto dos relatórios com informações da Polícia Federal sobre Moraes e Mendonça.

Fachin também foi contra a redistribuição do relatório sobre Alexandre de Moraes, que puxou para o gabinete da Presidência do STF.

Gilmar defendeu que houvesse um sorteio para a definição de um novo relator, alegando que é isto que está previsto no Regimento Interno da Corte.

Quero, desde logo, me manifestar no sentido de manter não apenas a separação entre os julgamentos. Portanto, voto no sentido de prosseguir o julgamento de hoje, bem como, de não levar a efeito o apensamento [reunião] dos feitos mencionados e, por via de consequência, fica prejudicada a redistribuição na forma regimental”, disse Fachin.

O ministro André Mendonça acompanhou o voto de Fachin.

Entendo não haver as mesmas bases fáticas. O que há, em relação a mim, é um suposto relatório de inteligência, um relatório ilegal, com monitoramento e coleta seletiva de dados de ministros do STF e de outras autoridades, em uma atividade própria de uma PF paralela. Documento ilegal, que o próprio documento fala que é sem valor probatório. São questões fáticas e jurídicas totalmente distintas”, disse Mendonça.

Fux e Cármen Lúcia também acompanharam Fachin e Mendonça.

Dino abriu divergência

Fachin foi o primeiro a votar sobre a questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes, contra a proposta de Gilmar.

Na sequência, ministro Flávio Dino abriu divergência e votou pela conexão dos dois casos, acompanhando o entendimento de Gilmar Mendes.

Presidente, me parece que o encaminhamento é de respeitar a conexão, que nos trouxe até aqui. E por isso eu considero que o encaminhamento contido na questão de ordem do ministro Gilmar é aquela que preserva melhor o nosso papel de provedores de justiça e de segurança jurídica“, disse Dino.

O ministro Cristiano Zanin acompanhou Dino na divergência, votando a favor da questão de ordem de Gilmar.

“Para não ser repetitivo, eu vou adiantar, pedindo vênia a Vossa Excelência, que eu estou acompanhando o eminente ministro Gilmar Mendes na questão de ordem trazida e faço apenas algumas anotações complementares”, disse Zanin.
Na sequência, Zanin disse que, na avaliação dele, o ministro André Mendonça não deveria votar na análise do relatório das mensagens de Vorcaro a Alexandre de Moraes.

Posteriormente, Moraes se posicionou pela análise conjunta da sua situação com a do ministro André Mendonça.

Nós estamos com um risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual, julgando as mesmas coisas, só que com o sinal invertido, os mesmos fundamentos, cada qual de um lado, com sinal invertido hoje [caso Moraes] e na próxima quarta-feira [sobre Mendonça]. Então presidente com essas com essas considerações, pedindo todas as vênias a Vossa Excelência, acompanho a questão de ordem do ministro Gilmar”, disse Moraes.

Ocorre que, posteriormente, após um bate-boca entre Gilmar Mendes e André Mendonça, Flávio Dino mudou sua posição, dizendo que estava passando a pedir vista.

Com isso, o placar ficou 4 a 3 para manter separadas as questões dos dois ministros. Só haverá uma definição após Flávio Dino liberar a retomada da análise.

Entenda a crise no STF

A crise se intensificou após o ministro André Mendonça levantar o sigilo de relatórios da Polícia Federal sobre as investigações do Banco Master.

Um dos documentos apontou 52 mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, além de encontros presenciais entre os dois e de um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes.

A divulgação dos documentos provocou um confronto entre Moraes e André Mendonça, relator das investigações do caso Master.

Moraes acusou o colega de fazer uma liberação “seletiva” dos autos e de omitir documentos. Mendonça negou e afirmou que manteve sob sigilo apenas informações necessárias para preservar investigações em andamento e dados de terceiros.

A disputa também envolveu o acesso às provas extraídas do celular de Vorcaro. Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes pediram acesso integral ao material.

Após determinação de Zanin, a PF confirmou, na segunda-feira (14), ter entregue cópias do acervo digital aos três gabinetes. A PGR também se manifestou a favor da ampliação do acesso aos documentos.

Diante do conflito, o presidente do STF, Edson Fachin, decidiu separar os processos. O caso que envolve as mensagens entre Vorcaro e Moraes será analisado pelo Plenário nesta terça-feira (15).

Já as acusações de Moraes contra Mendonça ficaram para 23 de setembro.

Após bate-boca, Dino diz a Fachin que falas em sessão não foram “pessoais”

O ministro Flávio Dino procurou o presidente do STF, ministro Edson Fachin, no intervalo da sessão desta terça-feira (15) para esclarecer ao colega que não teve a intenção pessoal ao rebatê-lo durante a primeira parte da sessão da Corte.

Na sessão, que teve início às 10 horas, os ministros do STF analisam um relatório da PF (Polícia Federal) que reúne mensagens atribuidas a Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo bastidores, a relação entre os dois está estremecida há dias. Em duas ocasiões durante o julgamento, Flávio Dino fez críticas a Edson Fachin sobre decisões tomadas por ele como presidente da Corte.

Em uma delas, Dino interrompeu a fala do ministro Dias Toffoli e, em seguida, o presidente da Corte chamou a atenção de Dino, dizendo que, antes de interromper, era preciso pedir a palavra ao presidente do Supremo.

Os dois divergiram sobre entendimento do Regimento Interno do STF que trata das regras para que um ministro possa ter direito à palavra durante uma sessão.

Na sequência, Dino fez provocação a Fachin, ao elogiar o ministro Kassio Nunes Marques, que se declarou impedido de julgar o caso.

Como Vossa Excelência disse no início, é preciso preservar ponderação, temperança, equilíbrio“, afirmou. O presidente da Corte rebateu: “Exatamente, inclusive para seguir o Regimento“.

Em um segundo momento, Flávio Dino disse a Fachin, que “em nenhum tribunal do país, nenhum, não é só no Supremo, um presidente pode destituir um relator”, se referindo à decisao do presidente da Corte de avocar para si a relatoria de inquéritos envolvidos nas investigações da PF sobre o Master e INSS, um deles de Flávio Dino.

Vossa Excelência avocou cinco processos. Um meu, três do André e um do Alexandre.”

Dino argumentou que a estabilidade dos relatores serve como barreira de proteção contra ingerências administrativas, ressaltando que a atuação dos magistrados deve se ater estritamente aos ditames do devido processo legal. “A capa de Vossa Excelência é igual à minha. […] Por que é igual? Porque esse é um Tribunal de iguais.”

“Quem é o vazador-geral da República?”, questiona Gilmar em sessão do STF

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), questionou nesta terça-feira (15) quem seria o “vazador-geral da República”, durante julgamento da Corte.

Há um relatório da Polícia Federal submetido ao relator ainda em abril que detalha justamente o vazamento que gerou, ainda em março, essas suspeitas divulgadas pela imprensa“, disse na sessão que analisa o relatório da PF (Polícia Federal) que reuniu mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Beira a desfaçatez sustentar que, ao ordenar a elaboração do relatório que originou o presente feito, o então relator não sabia exatamente que tipo de achados poderiam ser encontrados. (…) Quem é o vazador-geral da República? Interessante que nos nossos gabinetes não vaza nada“, complementou, se referindo ao ministro André Mendonça.

Em resposta, Mendonça afirmou que “todos os vazamentos tem determinação de instalação de inquérito”.

As investigações serão feitas. Não pode ocorrer nos termos de alguém que vem desprezando a colegialidade, ainda mais em período eleitoral. É evidente que se trata de um boneco eleitoral”, rebateu Gilmar.

Sessão histórica

A sessão do STF, considerada histórica, ocorre para analisar o relatório da PF (Polícia Federal) que reúne mensagens e outros registros usados pela corporação para apontar uma relação próxima entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Antes de discutir se o conteúdo justifica a abertura de uma investigação contra Moraes, o plenário deverá se manifestar sobre o pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para anular o relatório da Polícia Federal.

A Procuradoria argumenta que André Mendonça determinou a produção do documento sem que houvesse pedido prévio do Ministério Público ou da própria PF e sem submeter a medida anteriormente ao plenário.

Mesmo se a nulidade for acolhida, há ministros que avaliam que o STF poderá encerrar o caso sem avançar sobre o mérito das mensagens. Outros, porém, entendem que, mesmo nessa hipótese, os elementos já conhecidos podem ser discutidos para decidir se uma nova investigação deve ou não ser aberta.

A sessão desta terça ocorre em meio a uma tensão na Corte, com trocas de ofícios entre ministros, disputa pelo acesso às provas e questionamentos sobre a condução das investigações feitas pelo ministro André Mendonça.

Antes da sessão, ministros debateram, internamente, sobre quais documentos deveriam estar disponíveis para análise prévia.

Na segunda (14), a PF informou que entregou cópias dos dados extraídos do aparelho celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.

Também na segunda, Mendonça retirou o sigilo de um processo que reúne detalhes sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do Banco Master.

Moraes diz ter provas de pressão por delação; Mendonça rebate: “Mentira”

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta terça-feira (15) ter provas de que o ministro André Mendonça tentou influenciar delações premiadas para incluir o nome de Moraes entre os delatados. Em resposta, Mendonça disse se tratar de uma “mentira” e afirmou que em seu momento de voto se manifestaria sobre as acusações.

As declarações ocorreram durante a sessão da Corte que analisa o relatório da PF (Polícia Federal) sobre mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O plenário deverá decidir se o relatório da PF é válido e se deve ser aberta uma investigação contra Moraes. O documento foi elaborado a pedido de Mendonça.

Veja o que disseram os ministros na sessão:

Alexandre de Moraes: “Não há como julgar hoje, sem julgar terça, porque eu pergunto: quem tem medo da Polícia Federal?

André Mendonça: “Não é questão de medo, não”

Alexandre de Moraes: “Não estou pergunto a Vossa Excelência”

André Mendonça: “Mas eu estou lhe respondendo”.

Alexandre de Moraes: “Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na colaboração premiada? E vamos trazer aqui, presidente, testemunhas que eu vou indicar. Vou chamar aqui advogados. Eu tenho testemunhas de que o ministro André disse, em reunião…”

André Mendonça: “Mentira, isso é mentira”.

Alexandre de Moraes: “Vamos chamar? Não há como julgar hoje sem julgar terça-feira”.

André Mendonça: “Podem chamar quem quiser, vão mentir”.

Alexandre de Mores: “O ministro André chamou: incluam o ministro Alexandre. Por que? Porque está a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país”.

André Mendonça: “Ah, presidente….eu não vou responder, no meu momento de fala, eu falo“.

Sessão histórica

A sessão do STF, considerada histórica, ocorre para analisar o relatório da PF (Polícia Federal) que reúne mensagens e outros registros usados pela corporação para apontar uma relação próxima entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Antes de discutir se o conteúdo justifica a abertura de uma investigação contra Moraes, o plenário deverá se manifestar sobre o pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para anular o relatório da Polícia Federal.

A Procuradoria argumenta que André Mendonça determinou a produção do documento sem que houvesse pedido prévio do Ministério Público ou da própria PF e sem submeter a medida anteriormente ao plenário.

Mesmo se a nulidade for acolhida, há ministros que avaliam que o STF poderá encerrar o caso sem avançar sobre o mérito das mensagens. Outros, porém, entendem que, mesmo nessa hipótese, os elementos já conhecidos podem ser discutidos para decidir se uma nova investigação deve ou não ser aberta.

A sessão desta terça ocorre em meio a uma tensão na Corte, com trocas de ofícios entre ministros, disputa pelo acesso às provas e questionamentos sobre a condução das investigações feitas pelo ministro André Mendonça.

Antes da sessão, ministros debateram, internamente, sobre quais documentos deveriam estar disponíveis para análise prévia.

Na segunda (14), a PF informou que entregou cópias dos dados extraídos do aparelho celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.

Também na segunda, Mendonça retirou o sigilo de um processo que reúne detalhes sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do Banco Master.

Celular de Vorcaro cita R$ 500 mil para filho de Nunes Marques

Conversas extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro relacionam o advogado Kevin Marques ao valor de R$ 500 mil. Ao lado do nome do advogado aparece um número de telefone do filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques. À coluna, o ministro disse que o filho nunca trabalhou para o Master e, portanto, não recebeu valor algum do Master. Ele afirmou ainda que não teve acesso ao conjunto de mensagens.

Em mensagem enviada a Vorcaro às 10h41 do dia 4 de julho de 2025, o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, encaminha ao chefe um arquivo contendo o nome “Kevin Marques”, um número de telefone acompanhado do texto: “Esse aqui — 500 mil mês — mantém?”.

Na sequência, o executivo envia duas risadas e comenta em referência a Kevin: “Esse aqui já era, né?”.

Vorcaro responde também com “kkkk”.

Em outra mensagem, em 8 de agosto de 2025, Rennó reenvia a mesma planilha com o valor e o nome do advogado e escreve três mensagens para Vorcaro: “esse aí”, “único meu que faltou” e “foi pago”.

Em nova troca de mensagem via WhatsApp, o executivo informa Vorcaro que “ganhamos Alcídia”, uma referência à destilaria Alcídia, em Teodoro Sampaio (SP), que ganhou causa de repercussão bilionária no Supremo com os votos de Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. O julgamento foi concluído em 1º de outubro de 2024. 

Filho de Fux ofereceu tapete vermelho a Vorcaro

Conversas extraídas do celular do ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro mostram uma relação de proximidade entre ele e o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os diálogos, que se estendem de maio de 2024 a pelo menos agosto de 2025, misturam assuntos profissionais, encontros, festas, Carnaval e convites para programas pessoais.

O tratamento entre os dois é informal e recorrente. “Irmão”, “meu amigo” e “meu caro” aparecem diversas vezes nas conversas. Logo no início dos diálogos, em maio de 2024, Vorcaro pergunta a Rodrigo se ele iria a um encontro. O advogado responde: “Me fudi aqui. Não vou conseguir. Patroa na cola” e pergunta: “Tá o fervo aí?”. Vorcaro responde: “Pqp” e “Perdeu”.

Dias depois, Rodrigo propõe um novo encontro: “Quando estiver em SP te dou um toque pra almoçarmos ou fumarmos um charuto”. Vorcaro aceita e informa quando estaria em Brasília e São Paulo. Os dois combinam de fazer algo juntos na capital paulista.

A proximidade também se estendia ao campo profissional. Em novembro de 2024, Vorcaro procurou Rodrigo dizendo que queria sua ajuda em um caso: “Quero te chamar pra me ajudar num caso”. O filho de Fux se colocou à disposição, marcou uma videoconferência para o dia seguinte e respondeu: “Será um prazer, se eu puder ajudar”. Vorcaro agradeceu: “Valeu irmão”.

Na sequência, Vorcaro enviou ao advogado um documento identificado nas mensagens como “SLAT TABU”. Rodrigo respondeu “Vou ler” e, no dia seguinte, informou que conseguiria analisar o material em detalhes no fim de semana.

CNT/MDA: Lula tem 10 pontos de vantagem sobre Flávio no 1º turno; diferença é de 7,3 no 2º

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera a disputa pela Presidência da República com 40,5% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 30,4%, segundo a nova rodada da Pesquisa CNT de Opinião, realizada pelo Instituto MDA. A diferença entre os dois é de cerca de 10 pontos percentuais na pesquisa estimulada de primeiro turno.

Na sequência aparecem Augusto Cury, com 6%, Ronaldo Caiado, com 3%, e Renan Santos, com 2,7%. Os demais candidatos ficam abaixo dos 2%.

Na comparação com a rodada de agosto, a CNT/MDA mostra Lula oscilando de 42% para 40,5%, enquanto Flávio passou de 29% para 30,4%. Com isso, a distância entre os dois no primeiro turno diminuiu. Em abril, Lula aparecia com 39% e Flávio, com 30%; em junho, os percentuais eram de 42% e 28%, respectivamente.

A pesquisa espontânea, na qual os entrevistados não recebem uma lista de candidatos, também coloca Lula na liderança. O presidente é citado por 36,6%, contra 26,7% de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury tem 4,4%, Ronaldo Caiado, 1,6%, e Renan Santos, 1,6%. Nesse cenário, 20,8% ainda se dizem indecisos.

A avaliação negativa do governo federal é de 39,4%, enquanto a positiva registra 33,8%. Outros 25,4% consideram o governo regular. Na avaliação pessoal do presidente, 49,7% desaprovam o desempenho de Lula e 45,9% aprovam.

Vantagem de Lula sobre Flávio cai no segundo turno
A CNT/MDA também simulou confrontos de segundo turno. No principal deles, entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 47,3%, enquanto o senador registra 40%. Brancos e nulos representam 10,2% e outros 2,5% não souberam responder.

Apesar da liderança de Lula, a diferença diminuiu. Em agosto, o petista tinha 48% contra 39% de Flávio, uma vantagem de nove pontos. Agora, a distância é de 7,3 pontos percentuais.

Lula também lidera todos os demais cenários de segundo turno testados. Contra Augusto Cury, marca 45,3%, ante 38,4%. Diante de Ronaldo Caiado, são 46,4% contra 37,3%. Contra Renan Santos, o placar é de 47,3% a 33,9%, e, diante de Romeu Zema, de 47,7% a 34,5%.

Outro dado mostra que a eleição chega à reta final com o voto mais consolidado. Entre os entrevistados que escolheram um candidato, 79,8% afirmam que a decisão é definitiva, enquanto 20,2% admitem que ainda podem mudar de opinião. Em agosto, 71,2% consideravam o voto definitivo.

Ao mesmo tempo, os dois líderes concentram as maiores rejeições. No levantamento sobre potencial de voto, 53,6% afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro, enquanto 46,4% descartam votar em Lula. O potencial de voto, soma de quem diz que votaria com certeza com quem admite votar, chega a 51,9% para Lula e 42,7% para Flávio.

A polarização também aparece quando os entrevistados são questionados sobre seus receios em relação ao resultado. 35,5% dizem temer a volta de alguém da família Bolsonaro ao governo, enquanto 34,7% apontam como maior receio a continuidade do governo Lula. Considerando também os 9,4% que dizem temer tanto uma vitória de Lula quanto de Flávio, a pesquisa calcula que 44,9% manifestam medo relacionado ao retorno dos Bolsonaro e 44,1%, à continuidade de Lula.

A 170ª rodada da Pesquisa CNT de Opinião foi realizada pelo Instituto MDA entre 9 e 13 de setembro, com 2.002 entrevistas presenciais em todas as regiões do país. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06902/2026.

Dino pede a Fachin investigação sobre elo entre Banco Master e instituto ligado a André Mendonça

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu nesta terça-feira (15) ao presidente da Corte, Edson Fachin, que seja investigada uma possível relação entre o Banco Master, o Instituto Iter — ligado ao ministro André Mendonça —, e contratos firmados pelo município de São Paulo.

A decisão de Dino é relacionada a uma ação que discute regras para o funcionamento de cemitérios privados no estado. O ministro cita uma série de circunstâncias que, na avaliação dele, precisam ser esclarecidas.

O caso envolve a apuração aberta pelo Ministério Público do Estado de São Paulo que envolve possíveis irregularidades na concessão dos serviços cemiteriais e eventual vínculo entre a Cortel, a empresa concessionária, e o Banco Master.

O primeiro ponto envolve a atuação de André Mendonça em um processo sobre os cemitérios privados de São Paulo.

Quando o julgamento foi retomado, em abril de 2025, Mendonça apresentou um voto contrário à manutenção de uma decisão individual de Dino que afetava os cemitérios privados. Com isso, ficou alinhado aos pedidos dessas empresas.

Ao analisar o caso, Dino chamou atenção para o fato de que Alexandre de Almeida Mendonça, irmão de André Mendonça, trabalha na SP Regula, agência responsável pela regulação de serviços públicos de São Paulo. O irmão atua justamente na área funerária e cemiterial.

A preocupação apontada por Dino é verificar se havia alguma relação entre esses fatos que pudesse indicar conflito de interesses, favorecimento ou atuação indevida.

Encontro com Vorcaro

Dino também cita um encontro entre André Mendonça e Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.

Segundo a decisão, a reunião ocorreu em 14 de março de 2025, na sede do Instituto Iter, entidade fundada por Mendonça.

Flávio Dino aponta que Mendonça suspendeu o julgamento sobre a “privatização” dos cemitérios um dia depois, portanto, 15 de março daquele ano.

O caso foi devolvido por Mendonça para julgamento no dia 4 de abril. Ele abriu divergência “votando, portanto, de acordo com os pleitos dos cemitérios privados“, afirmou Dino.

Outro ponto reforçado pelo magistrado é que, em julho de 2024, Alexandre Mendonça, irmão do ministro, foi nomeado superintendente da agência e, “em 26 de maio de 2026, já no curso desta ação e enquanto ainda pendente a conclusão do julgamento da medida cautelar, foi promovido a Secretário-Executivo da SP Regula”.

Instituto ligado a Mendonça

Mendonça era um dos sócios do Instituto Iter, instituição criada em 2024 e voltada para atividades educacionais e acadêmicas.

Segundo a decisão, o Instituto Iter passou a prestar serviços para o município de São Paulo. A prefeitura, por sua vez, é responsável pela contratação de empresas privadas que atuam no setor funerário, como a Cortel.

Na decisão, Dino cita ainda Fabiano Zettel — cunhado de Vorcaro e também investigado na Operação Compliance Zero —, que trabalhava na Cortel.

Além desse contrato, o ministro afirma que o Instituto Iter também teria firmado, sem licitação, um contrato de aproximadamente R$ 1,63 milhão com a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), ligada ao governo de São Paulo.
O contrato seria para a prestação de serviços técnicos na área de formação e gestão educacional.

Em nota divulgada em 3 de setembro, Mendonça afirmou que nunca obteve lucro com o instituto e comunicou a saída da sociedade da organização.

A partir desses fatos, o ministro diz que o objetivo da decisão é esclarecer se existe alguma relação entre o encontro de Vorcaro com Mendonça, o Instituto Iter, os contratos mantidos pela entidade e a atuação de Mendonça no processo que envolve os cemitérios privados de São Paulo.

Dino ressalta que cabe ao plenário do Supremo decidir sobre uma abertura de investigação ou não. Em meio à guerra de liminares do caso do afastamento de Andrei Rodriges da chefia da PF, Fachin suspendeu qualquer abertura de apuração de integrante da Corte sem comunicação à Presidência.

A decisão não afirma que esses fatos, por si só, comprovem irregularidade ou favorecimento por parte de Mendonça.O pedido de Dino é para que as possíveis conexões sejam apuradas.

Moraes afirma que vai intimar testemunhas para atestar relatório da PF contra Mendonça

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou na sua peça de defesa que vai intimar testemunhas para corroborar as acusações dos relatórios de inteligência da Polícia Federal sobre suposta parcialidade e direcionamento das investigações por seu colega André Mendonça.

Moraes usou os relatórios de inteligência da PF para incluir Mendonça no inquérito das fake news e acusá-lo de abuso de autoridade. Os relatórios eram apócrifos e se classificavam como sem valor probatório.

Na sua defesa, o ministro admitiu que os relatórios não tinham valor de prova, mas afirmou que poderiam ser usados como “meios de obtenção de prova” da mesma forma como um acordo de delação premiada. Os próprios relatórios, porém, afirmam que servem apenas para informar a direção da PF para adotar medidas de gestão e que não podem ser usados como instrumento de acusação.

Com base nesse raciocínio, Moraes afirmou que vai intimar testemunhas para corroborar as acusações contra André Mendonça.

Moraes classificou de “patética” a afirmação de que os relatórios demonstravam o monitoramento de ministros do STF e disse que tomou conhecimento dos documentos “por indagações de vários jornalistas sobre minha eventual ciência de que estaria sendo investigado pelo ministro relator, André Mendonça”.

“Importante salientar que Relatórios de Inteligência tem a mesma força probante de Colaborações Premiadas, ou seja, são meios de obtenção de prova, que devem ser comprovados por outras provas. Exatamente por isso, em relação a essa conduta absurda do Ministro relator, irei solicitar ao Presidente do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL que intime diversas testemunhas que presenciaram, em várias reuniões, os diversos pedidos do Ministro André Mendonça para a Polícia Federal solicitar medidas contra o Ministro Alexandre de Moraes, bem como, incluí-lo, juntamente com o Presidente do Senado Davi Alcolumbre, na colaboração premiada, mesmo sempre sendo informado que não havia nenhum mínimo indício para isso, por total ausência de prática de infração penal de ambos. As testemunhas serão indicadas no momento adequado”, escreveu.