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Dino proíbe que PF mire Mendonça em investigação sobre Master e cemitérios

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nessa quinta-feira (17) a ampliação da investigação sobre a relação do Banco Master com empresas que atuavam na administração de cemitérios via concessão da Prefeitura de São Paulo. Ele vedou, no entanto, investigações diretas ao ministro André Mendonça.

O magistrado afirma que o Grupo Maya, empresa que não figurava na primeira decisão, também pode ter envolvimento com o caso e mandou a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) priorizar o levantamento desses dados.

Foi no âmbito deste caso que Dino avaliou haver indícios de conflito de interesses na atuação de Mendonça.

Determino à CVM que contemple a concessionária Cemitérios e Crematórios SP, vinculada ao Grupo Maya e as demais sociedades a ela relacionadas no levantamento prioritário das informações requisitadas no item III da decisão do eDOC 305, especialmente sobre as relações de fundos de investimentos e todas as empresas privadas concessionárias de cemitérios de São Paulo. Prazo: 15 (quinze) dias”, disse.

Na terça-feira (15), horas antes do julgamento contra o ministro Alexandre de Moraes, Dino havia enviado ao presidente da Corte, Edson Fachin, elementos que, segundo ele, são indícios de conflito de interesses na atuação de Mendonça em um processo sobre a concessão de cemitérios em São Paulo.

Nesta quinta, porém, ele reforçou que Mendonça não pode ser investigado no caso. Antes, ele havia apontado possíveis conexões entre Mendonça, o setor de cemitérios privados e o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Desde logo, esclareço ser vedado qualquer ato investigativo, que possa atingir o Exmo. Ministro André Mendonça, pois este encaminhamento compete exclusivamente ao Presidente do STF junto ao Colegiado. O escopo do inquérito requisitado limita-se às relações entre Banco Master, empresas concessionárias de cemitérios da Prefeitura de São Paulo e, eventualmente, agentes dos Poderes Executivo e Legislativo.

A decisão foi tomada em um processo que discute a fiscalização e as condições das concessões dos serviços funerários, cemiteriais e de cremação de São Paulo à iniciativa privada.

Em decisões anteriores, Dino havia determinado medidas de fiscalização e estabelecido um limite para os preços cobrados pelas concessionárias, diante de indícios de valores abusivos.

Vorcaro bancou hospedagem em mansão para ministro “KN” em 2025

Banco Master: Defesa nega a Toffoli que Vorcaro esteja por trás de ataques  ao BC nas redes sociais | Finanças | Valor Econômico

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro revelam tratativas para garantir a hospedagem de um ministro identificado como “KN” durante o Carnaval de 2025, no Rio de Janeiro.

A suspeita de investigadores da PF (Polícia Federal) indica que o beneficiado seria o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Kassio Nunes Marques.

Vorcaro teria reservado uma casa luxuosa em Joá, bairro do Rio, para “KN” e para o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

A CNN procurou Nunes Marques e Newton Ramos sobre o assunto e aguarda resposta.

Em 19 de fevereiro de 2025, Giunchetti afirma em mensagem que Newton Ramos pediu detalhes sobre a hospedagem porque “precisava passar pro ministro”. Em conversa com o empresário, ele também afirma que Vorcaro havia dito que “essa casa ficaria pro ministro”.

As mensagens foram reveladas pelo portal Metrópoles e confirmadas pela CNN.

As conversas de Vorcaro indicam que a semana de hospedagem no Carnaval custou cerca de R$ 1,45 milhão. A logística teria sido acordada por Vorcaro com Leo Serrano Giunchetti. Newton Ramos fazia a interlocução com a equipe do ministro.

A reserva da casa teria incluído a contratação de chef de cozinha, garçons e motoristas, além de um cardápio de bebidas alcoólicas disponível.

Também foram mencionadas tratativas sobre camarote, kits, passeio de helicóptero e uma pulseira para área Vip em evento. Segundo ele, o desembargador teria pedido uma forma de “KN” entrar em um camarote “sem passar no normal”, dispensando cadastro.

Pastores questionam André Mendonça por exercer funções no STF e na Igreja

Mendonça atua como pastor adjunto na Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP), em São Paulo, desde 2025/Rosinei Coutinho/STF

Um grupo de pastores, em sua maioria presbiterianos, apresentou uma interpelação de interesse público a André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), questionando o ministro sobre suas atuações simultâneas na Justiça e na Igreja.

O documento conta com 24 assinaturas e aponta para a incompatibilidade teológica de, além de ministro, André Mendonça atuar como pastor adjunto na Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP), em São Paulo, desde 2025.

Segundo o texto, não se trata de um caso de “animosidade pessoal”, mas de “dever de consciência, zelo da pureza da Igreja e a convicção, também confessional, da separação entre a Igreja e o Estado”.

Falamos como irmãos, mas com o respeito que lhe é devido — alguns de nós encanecidos no ministério — que recordam a um pastor mais moço o que a vocação exige de todos nós”, escrevem.

O documento cita o vídeo divulgado pelo ministro em meio à crise no STF, em que agradece os fiéis da igreja pelo apoio. A fala ocorreu no dia 4 de setembro, após receber ataques pela sua atuação na condução do processo do caso Master.

Naquela semana, o ministro retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) contendo mensagens que ligam o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Converteu-se o pastor em fiador do juiz e o rebanho em base de apoio — precisamente a confusão que a Confissão veda”, critica o documento, ao se referir a Confissão de Fé de Westminster, adotada e seguida pela Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB).

Os pastores defendem que a mesma mão que “empunha a espada que o Estado confiou” não pode ser a mesma que detém as “chaves que só à Igreja pertencem”. Ou seja, um magistrado não poderia atuar como líder religioso, ou o contrário.

Quem recebeu e adotou sinceramente a Confissão como fiel exposição do sistema de doutrina não pode invocá-la quando lhe convém e desconhecê-la quando lhe pesa”, apontam.

Eles sustentam ainda que a magistratura não apenas disputa tempo do ministério, como compromete a “transparência do pastor”, prejudicando seus fiéis. “Por isso dizemos sem rodeios: pastor deve ser pastor”, pontuam.

Diante desse cenário, a interpelação questiona o ministro sobre, entre outras medidas, como ele concilia as duas funções, tendo em vista a Confissão seguida pela Igreja.

Como poderá ser tido por árbitro imparcial das liberdades religiosas de todas as confissões quem é, ao mesmo tempo, pastor de uma delas? E como poderá um presbitério exercer com independência a disciplina eclesiástica sobre membro da Suprema Corte?

OAB critica fala de Dino sobre advogados e venda de sentenças

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) se manifestou nesta quarta-feira (16) contra declarações do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), durante a sessão que discutiu a possibilidade de abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Ao questionar a mudança na relatoria do procedimento — que deixou o gabinete de André Mendonça e passou à Presidência da Corte, sob Edson Fachin —, Dino afirmou que permitir a presidentes de tribunais retirar processos de seus relatores poderia abrir espaço para distorções no Judiciário. Nesse contexto, disse que “não existe venda de sentença sem um advogado comprando”.

Em nota assinada pelo Conselho Federal e pelas 27 seccionais, a OAB afirmou que a declaração representa uma generalização sobre a categoria e lança uma “suspeita genérica e indevida” sobre advogados. A entidade sustentou que eventuais irregularidades devem ser apuradas e punidas individualmente, sem responsabilização coletiva da advocacia.

A advocacia brasileira não pode ser responsabilizada coletivamente por condutas individuais“, afirmou a Ordem. A entidade também destacou que possui mecanismos próprios para apurar infrações éticas e aplicar sanções aos profissionais que descumprirem as regras da profissão.

A fala de Dino ocorreu durante um longo debate entre os ministros sobre a condução dos processos relacionados ao Banco Master e seu ex-controlador. O ministro questionou decisões de Fachin, como assumir a relatoria de procedimentos que estavam com outros integrantes da Corte e defendeu que os casos envolvendo Moraes e Mendonça fossem analisados em uma sessão conjunta, no dia 23 de setembro.

O julgamento, porém, terminou sem definição. Dino pediu vista e suspendeu a análise da questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes sobre a reunião dos processos. Até a interrupção, o placar estava em 4 a 3 pela manutenção dos casos separados, com Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia nesse sentido, e Gilmar, Cristiano Zanin e Moraes pela análise conjunta.

Sem ministros de Lula no STF, democracia vive, diz Flávio

O senador e candidato à Presidência pelo PL (Partido Liberal), Flávio Bolsonaro

O senador do Rio de Janeiro e candidato à Presidência da Republica, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), participou nesta quarta-feira (16) de uma motociata em Juazeiro do Norte (CE) e falou sobre a sessão que ocorreu na terça-feira (15) no STF (Supremo Tribunal Federal), que analisou o relatório da PF (Polícia Federal) com mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro supostamente enviadas ao ministro Alexandre de Moraes.

Ninguém aguenta mais o Lula, ninguém aguenta mais quatro anos do atual governo, ninguém aguenta mais os ministros do Lula no Supremo, melando o Brasil, atrapalhando a nossa democracia”, declarou Flávio.

A conclusão do julgamento de ontem foi adiada após pedido de vista (mais tempo para análise) feito pelo ministro Flávio Dino, que tem até 90 dias para devolver o processo ao colegiado.

O que nós vimos ontem, no meu ponto de vista, é a esperança do povo brasileiro que ainda está viva, porque, sem os ministros do Lula no Supremo, a democracia vive, o Brasil vive, o Judiciário vive!”, acrescentou o presidenciável.

“Quem está votando em Lula está votando em Alexandre de Moraes”, destacou Flávio.

Flávio Bolsonaro diz que Dino e ‘tropa de choque de Lula no STF’ protegeram Moraes

Candidato à presidência Flávio Bolsonaro/Lula Marques/Agência Brasil

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, criticou nesta terça-feira (15), o adiamento da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. O candidato culpou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e voltou a associar Moraes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ministro Alexandre de Moraes vai ser investigado pelos crimes que ele cometeu, em tese. A tropa de choque do Lula no Supremo apenas adiou o início disso, o fim da impunidade“, declarou, durante comício em Fortaleza (CE), ao lado do deputado André Fernandes (PL-CE). Dino foi quem pediu mais tempo para analisar o caso.

Há esperança no Brasil sem os ministros de Lula no Supremo. Foi o Flávio Dino, o ex-ministro da injustiça de Lula, que adiou e protegeu o Alexandre de Moraes”, continuou.

Sem citar a investigação sobre o filme Dark Horse, Flávio afirmou que as pessoas têm tentado parar sua candidatura e voltou a pedir apoio a seus candidatos ao Senado para a aprovação de impeachment de ministros do STF e de propostas como a redução da maioridade penal.

Gonet diz que se encontrou com Vorcaro em Londres, mas nega amizade com o banqueiro

Gonet não admite ter cometido erro e informou que continuará atuando nos procedimentos envolvendo o Banco Master/Rosinei Coutinho/STF

O procurador-geral da República Paulo Gonet admitiu ter se encontrado com Daniel Vorcaro em Londres, em abril de 2024, mas afirma que não mantém relações de amizade com o banqueiro. Em manifestação de 37 páginas que encaminhou ao Conselho Superior do Ministério Público Federal, Gonet foi enfático.”Em termos bastante diretos e simples posso afirmar que não tenho com o sr. Daniel Vorcaro relação de amizade alguma, nem muito menos tenho interesse pessoal nos processos em que ele conste como parte ou investigado.

A declaração de Gonet acolheu solicitação do subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino, relator de um procedimento no Conselho Superior que analisa representação do partido Novo para eventual impedimento do procurador-geral no caso Master. O Conselho marcou para o próximo dia 25 sessão para apreciar suspeita de ligação de Gonet com Vorcaro a partir de um documento produzido pela Polícia Federal e levado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, nos autos da Operação Compliance Zero.

Mensagens de Gonet para o advogado Ciro Soares indicam, segundo a PF, que o procurador disse, certa vez, que estava com ‘saudade’ de Vorcaro, a quem teria chamado de ‘máquina’. As mensagens extraídas do celular de Vorcaro e reveladas pelo Estadão indicam que o banqueiro pediu reiteradamente ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que interviesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, delegado Andrei Rodrigues, e ao próprio Gonet em relação às investigações sobre negócios fraudulentos do Master.

Não é crível que se impute à minha frase “saudade de você” como direcionada ao Sr. Vorcaro, pessoa com a qual eu mal havia me encontrado. Não me cabe, entretanto, comentar sobre como, em conversas de terceiros, mensagens a mim atribuídas são utilizadas“, diz Gonet.

Menciona-se, ainda, em outro contexto, que eu teria dirigido – sempre por meio de mensagens encaminhadas pelo Sr. Ciro ao Sr. Vorcaro – a expressão “você é uma máquina”. Isso não era dirigido ao Sr. Vorcaro. Em verdade, referia-me, seguindo o meu estilo afetuoso, ao Sr. Ciro, sem que a frase tenha qualquer relevância, a não ser que se queira ceder a impulso de maledicência e difamação. Mais uma vez, não está no meu controle o que terceiros conversam entre si e como fazem uso de mensagens dirigidas a um deles“, argumenta o PGR.

O Conselho Superior é um colegiado de cúpula que atua como instância máxima administrativa do Ministério Público Federal. Ele é formado por dez integrantes, sob a presidência do próprio procurador-geral, membro nato ao lado do vice-PGR. Além deles, fazem parte do grupo quatro subprocuradores-gerais da República eleitos pelo Colégio de Procuradores para mandato de dois anos, e mais quatro eleitos pelos próprios pares.

A sessão marcada para o dia 25 será presidida pelo vice-presidente do Conselho, Nicolao Dino – irmão do ministro Flávio Dino, do STF – que foi eleito por todo o colegiado. O grupo irá apreciar as razões da agremiação política e os argumentos do PGR em uma sessão específica.

Gonet diz que as imputações a eles são ‘descabidas e estapafúrdias’. Ele dividiu em dois blocos suas explicações. O primeiro para esclarecer a interlocução que teve com Vorcaro, referida pelo advogado. Ciro Soares, e ‘participação em evento social’. O segundo, ‘para demonstrar como se deu sua atuação no contexto da Operação Compliance Zero’.

Ele enfatizou que sua ‘única interação presencial’ com Vorcaro se deu em abril de 2024, em Londres, em um evento composto por painéis de assuntos jurídicos e de atualidade política, inclusive internacional.

Gonet não admite ter cometido erro. Ele informou ao Conselho Superior que continuará atuando nos procedimentos envolvendo o Banco Master. Sustenta que não há elemento que comprometa sua atuação nem motivo para abertura de investigação criminal sobre sua conduta.

É, enfim, com a descrição de tais fatos e do meu agir que venho renovando o compromisso dos últimos 39 anos como membro do Ministério Público Federal, trazer ao conhecimento do Conselho Superior os motivos pelos quais não hesitei em me considerar juridicamente plenamente apto para a atuação desinibida e livre nos procedimentos envolvendo o Banco Master e o seu antigo gestor, o sr. Daniel Vorcaro, nada existindo que justifique a abertura de uma apuração criminal sobre o meu agir“, escreveu.

Para ele, ‘eventual propósito de constranger o procurador-geral da República não pode conduzir ao afastamento da sua atuação nesse mesmo processo, sobretudo quando ao titular da Procuradoria-Geral da República se mostra flagrante a ilegalidade da própria abertura da investigação’.

Gonet negou ter atuado para barrar investigações sobre o Master. Segundo ele, as anotações de Vorcaro em que aparece o nome “Paulo”, produzidas em 30 de outubro e em 5 e 15 de novembro de 2025, tratavam de medidas que o banqueiro temia na primeira instância.

O fato é que não recebi interferência nenhuma para obstar investigações”, afirma Gonet. “O que houve foi o contrário: respeito total às atividades dos colegas e apoio ao que precisassem. Cuidei, antes, foi de garantir que todo o suporte institucional e material lhes fosse assegurado para a correta apuração dos fatos“, escreveu.

Sobre o encontro em Londres, o procurador esclareceu que foi convidado para falar no no painel ‘O papel do Judiciário para a estabilidade democrática’. Segundo Gonet também estavam no evento os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do ministro da Justiça à época, Ricardo Lewandowski, o advogado-geral União, Jorge Messias, o diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues, os ministros do Superior Tribunal de Justiça Luiz Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques e Benedito Gonçalves, além do ex-presidente da República Michel Temer, ‘entre outras personalidades’.

Até aquele momento, o sr. Daniel Vorcaro me era pessoa desconhecida“, afirma Paulo Gonet. “O Banco Master, que não constava como patrocinador do evento, até então, era, para mim, apenas uma instituição financeira em atividade aparentemente regular.”

Segundo ele, foram realizadas intervenções das autoridades convidadas em painéis ao longo dos dias do encontro. “Houve também momentos de convívio dos presentes“, disse. “Somente aí, estive, e juntamente com diversos outros convidados, com o sr. Daniel Vorcaro. Foi em tal contexto único que me encontrei pessoalmente com ele,única vez até então e até hoje. Repito, à época, nada havia de público sobre atividades ilícitas do Banco Master nem do seu dirigente. Nada parecido me havia chegado ao conhecimento. O que se tinha era a figura de um empresário muito bem relacionado com diversas personalidades do mundo político, empresarial e jurídico, a quem fui apresentado e com quem estive sempre com outros convidados, sem haver entabulado nenhuma conversa de ordem profissional“, declarou.

“Não existe, nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro”, diz Gonet

Minitro Paulo Gonet na sessão desta terça-feira (15)/Rosinei Coutinho/STF

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que não teve proximidade com o dono do extinto Banco Master, Daniel Vorcaro, e que só esteve com o empresário em ocasião com outras autoridades no mês de abril de 2024. As declarações ocorreram durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa uma petição que trata da possibilidade de que seja aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

Antes de tratar sobre o mérito, os ministros analisam uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes. O magistrado aponta que o presidente do STF, Edson Fachin, não deveria ter tomado a relatoria do ministro André Mendonça sobre o caso. Além disso, questiona que o processo sobre Mendonça deve ser associado ao de Moraes.

Gonet disse que só pode ser investigado com autorização de órgão próprio do Ministério Público Federal (MPF). Além disso, disse ficar “feliz” por, segundo ele, haver reconhecimento do ministro André Mendonça, do STF, de que “não havia nada que pudesse induzir a alguma prática de ilícito por parte do procurador-geral da República”.

Gonet pontuou: “Não existe, nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que eu tive com o senhor Vorcaro se deu com várias autoridades, em abril de 2024. A única ligação, intermediada por advogada, foi brevíssima e banal”.

O procurador disse ainda que a atuação do MPF “sempre foi pelo total esclarecimento dos fatos e pelo sucesso da persecução penal“. Ele salientou: “Quem analisa os fatos, sem viés, verá que o Ministério Público, no exercício do papel de titular da ação penal, foi preciso e foi correto“.

Acredito que STF fará o que sociedade deseja: abrir investigação contra Moraes, diz Caiado

O candidato à presidência Ronaldo Caiado (PSD)/Paulo Pinto/Agência Brasil

O candidato pelo PSD à presidência, Ronaldo Caiado, disse nesta terça-feira (15), que espera que o Supremo Tribunal Federal (STF) faça “o que a sociedade espera” e abra um processo de investigação contra o ministro da Corte Alexandre de Moraes, após revelações das trocas de mensagens entre o magistrado e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Eu acredito que o Supremo Tribunal Federal fará o que toda a sociedade brasileira deseja neste momento, que é a autorização dada para que haja investigação ao ministro Alexandre Moraes“, afirmou Caiado em coletiva de imprensa, após evento de campanha em Aparecida de Goiânia (GO). Caiado havia sido questionado se ele estava acompanhando a sessão do STF desta terça-feira.

Na sessão, a Corte avaliou a petição que aponta supostas mensagens entre Moraes e Vorcaro. Antes de entrar no mérito, porém, o decano do tribunal, Gilmar Mendes, propôs uma questão de ordem para que a abertura de investigação de Moraes seja analisada em conjunto com a ação que aponta irregularidades na atuação do ministro André Mendonça – caso que está pautado para a próxima semana. O STF formou placar de 4 a 3 para negar a questão de ordem. Como houve pedido de vista, por parte do ministro Flávio Dino, o julgamento foi suspenso.

Ainda segundo Caiado, há um processo de “degradação moral” da política do Brasil, que não se restringe ao Supremo. “Você não vê um líder no País assumindo uma posição política capaz de poder fazer um comunicado à nação. Um presidente Lula envolvido em bandidagem, outro candidato envolvido e também, o Flávio, já está sendo arrastado para o processo, intimado por causa do filme Dark Horse”, disse.

Ao comentar sobre possíveis mudanças pelas quais o STF precisa passar, Caiado voltou a defender a proposta de que precisa haver idade mínima de 60 anos para ser indicado à Corte. Ele também pontuou que os nomes, antes de indicados pelo presidente da República, precisariam passar pelo crivo de órgãos como Coaf, Receita Federal e Polícia Federal.

Indexa: desconfiança no STF é de 45%; 10% dizem que confiam muito na Corte

A pesquisa Indexa/Broadcast divulgada nesta terça-feira (14) mostra que 45% dos eleitores brasileiros desconfiam dos trabalhos do STF (Supremo Tribunal Federal), em meio à crise que aflige a Corte.

Em contrapartida, o índice dos eleitores que “confiam muito” corresponde a 10% dos entrevistados. Ao mesmo tempo, 32% “confiam pouco” na instituição.

Do total de entrevistados, 5% não sabem ou não responderam, e outros 8% disseram não ter conhecimento para responder a avaliação.

Responsável pela crise no STF

Segundo o levantamento, 46% atribuem a responsabilidade da crise da Corte ao ministro Alexandre de Moraes, ante 16% que veem André Mendonça como o principal responsável.

Outros 6%, acreditam que a responsabilidade seja do ministro Dias Toffoli, que foi o primeiro relator do caso Master antes de os trabalhos serem assumidos por Mendonça. No último fim de semana, o processo passou para a relatoria do ministro Edson Fachin, presidente da Suprema Corte.

A pesquisa também aponta que 4% atribuem a responsabilidade a Flávio Dino; e 3% a Fachin. Uma parcela de 2% dos entrevistados acredita que a crise pode ser atribuída a outro ministro, sem especificar qual.

Eleitores que não conhecem o assunto o suficiente para responderem a a aparecem em 10%, ante 5% que não acham que há uma crise na Corte, e 5% que afirmam que nenhum deles são responsáveis.

Outros 3% aparecem como não sabem/não responderam.

Critérios usados por Mendonça e Moraes no STF

A sondagem mediu a percepção do eleitorado sobre os critérios usados pelos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça para basearem suas decisões no Supremo.

Para 45% dos entrevistados, Moraes age baseado em critérios políticos, 16% acreditam que o ministro age por critérios técnicos e jurídicos e outros 24% apontam que as duas alternativas são usadas pelo magistrado.

Uma parcela de 11% dos eleitores dizem que não conhecem o assunto o suficiente para avaliar a questão. Já os indecisos marcam 4% no levantamento.

Sobre a atuação de Mendonça, 33% acreditam que o ministro utiliza critérios técnicos e políticos, ante 28% que apontam o uso de critérios políticos. Já os que acreditam ser os dois tipos de critério somam 17% dos entrevistados.

Os eleitores que afirmam não conhecer o assunto o suficiente para avaliar totalizam 20%. Já os indecisos marcam 2% no levantamento.

Análise sobre um eventual impeachment

Quando perguntados se são mais favoráveis à abertura de um processo de impeachment contra os ministros envolvidos na crise do Supremo, 68% afirmam ser totalmente a favor.

Outros 9% dizem ser mais a favor do que contra, ante 4% que dizem ser mais contra do que a favor e 15% que dizem ser totalmente contra o afastamento dos magistrados.

Os eleitores que afirmam não conhecer o assunto o suficiente para avaliar totalizam 3%. Já os que não sabem ou não responderam marcam 1% no levantamento.

Metodologia

O Indexa/Broadcast ouviu 2.000 entrevistados entre os dias 10 a 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com o nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03482/2026.

A pesquisa foi contratada pela Agência Estado e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-03482/2026.

Drone que sobrevoava STF é derrubado durante julgamento de caso Moraes

A Polícia Judiciária derrubou nesta terça-feira (15) um drone que sobrevoava o STF (Supremo Tribunal Federal) sem autorização.

O perímetro aéreo está fechado por conta do julgamento no plenário do STF para definir se haverá ou não abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes sobre sua relação com Daniel Vorcaro.

O equipamento ficará em posse da polícia até a localização do dono.

A Polícia Militar do DF usa três drones para segurança da região desde a noite de segunda-feira. Outros equipamentos eletrônicos de segurança também são usados.

A Secretaria de Segurança Pública do DF montou um esquema reforçado de segurança para a data e ativou uma célula de inteligência. Cavalaria, BOPE e BPChoque estão na Praça dos Três Poderes.

Antes do início do julgamento, houve varredura com cães farejadores no plenário da Suprema Corte e na parte de fora, onde estava a imprensa reunida.

O plano de ação também conta com aumento do efetivo policial na rodoviária do Plano Piloto, na área central de Brasília, e no Aeroporto Internacional JK.

Sessão histórica

A sessão do STF, considerada histórica, ocorre para analisar o relatório da PF (Polícia Federal) que reúne mensagens e outros registros usados pela corporação para apontar uma relação próxima entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Antes de discutir se o conteúdo justifica a abertura de uma investigação contra Moraes, o plenário deverá se manifestar sobre o pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para anular o relatório da Polícia Federal.

A Procuradoria argumenta que André Mendonça determinou a produção do documento sem que houvesse pedido prévio do Ministério Público ou da própria PF e sem submeter a medida anteriormente ao plenário.

Mesmo se a nulidade for acolhida, há ministros que avaliam que o STF poderá encerrar o caso sem avançar sobre o mérito das mensagens. Outros, porém, entendem que, mesmo nessa hipótese, os elementos já conhecidos podem ser discutidos para decidir se uma nova investigação deve ou não ser aberta.

A sessão desta terça ocorre em meio a uma tensão na Corte, com trocas de ofícios entre ministros, disputa pelo acesso às provas e questionamentos sobre a condução das investigações feitas pelo ministro André Mendonça.

Antes da sessão, ministros debateram, internamente, sobre quais documentos deveriam estar disponíveis para análise prévia.

Nesta segunda-feira (14), a PF informou que entregou cópias dos dados extraídos do aparelho celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.

Também na segunda, Mendonça também retirou o sigilo de um processo que reúne detalhes sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do Banco Master.

Impedimento de Kassio surpreende campanha de Flávio Bolsonaro

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, e o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro

A decisão de Kassio Nunes Marques de se declarar suspeito na sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o caso Moraes surpreendeu integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A preocupação vai além do voto de Kassio. O entorno de Flávio tinha a expectativa de que a crise mantivesse a pressão concentrada em Alexandre de Moraes e ajudasse a alimentar o discurso de desgaste do Supremo. A suspeição de Nunes coloca um fato novo no cenário e amplia o número de ministros atingidos pelo caso.

Aliados de Flávio também acompanham com atenção a estratégia da ala pró-Alexandre de Moraes. A avaliação é de que o grupo tem conseguido ampliar o foco da sessão, levando para o centro do debate a atuação de André Mendonça, a condução da Polícia Federal e agora os efeitos das novas revelações sobre outros ministros.

Para a campanha, esse movimento reduz a margem de explorar politicamente a crise como um episódio concentrado em Moraes. Quanto mais o caso se espalha dentro do Supremo, mais difícil fica sustentar um confronto direto apenas com o algoz de Bolsonaro.

A suspeição de Kassio pesa ainda mais porque ele preside o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), logo é uma peça importante no ambiente institucional da disputa de 2026.

Sessão histórica

A sessão do STF, considerada histórica, ocorre para analisar o relatório da PF (Polícia Federal) que reúne mensagens e outros registros usados pela corporação para apontar uma relação próxima entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Antes de discutir se o conteúdo justifica a abertura de uma investigação contra Moraes, o plenário deverá se manifestar sobre o pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para anular o relatório da Polícia Federal.

A Procuradoria argumenta que André Mendonça determinou a produção do documento sem que houvesse pedido prévio do Ministério Público ou da própria PF e sem submeter a medida anteriormente ao plenário.

Mesmo se a nulidade for acolhida, há ministros que avaliam que o STF poderá encerrar o caso sem avançar sobre o mérito das mensagens. Outros, porém, entendem que, mesmo nessa hipótese, os elementos já conhecidos podem ser discutidos para decidir se uma nova investigação deve ou não ser aberta.

A sessão desta terça ocorre em meio a uma tensão na Corte, com trocas de ofícios entre ministros, disputa pelo acesso às provas e questionamentos sobre a condução das investigações feitas pelo ministro André Mendonça.

Antes da sessão, ministros debateram, internamente, sobre quais documentos deveriam estar disponíveis para análise prévia.

Nesta segunda-feira (14), a PF informou que entregou cópias dos dados extraídos do aparelho celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.

Também na segunda, Mendonça também retirou o sigilo de um processo que reúne detalhes sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do Banco Master.

Fux e Mendonça indicam existência de PF “paralela” em julgamento do STF

Durante julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) nesta terça-feira (15), os ministros Luiz Fux e André Mendonça apontaram a existência de uma PF (Polícia Federal) “paralela” voltada ao monitoramento de ministros da Corte.

Fux afirmou que é preciso ter responsabilidade judicial e “que não pode é a Polícia Federal trabalhar contra o Poder Judiciário“. Também declarou que a “remessa desse documento apócrifo já é um exemplo significativo desses desvios praticados pela Polícia Federal”.

O magistrado ainda disse que o ministro e na época relator do caso, André Mendonça, tinha ido ao Planalto “dizer que eles eram responsáveis por isso, porque deixou a crise da Polícia Federal com o Supremo ocorrer. Nunca se imaginou a Polícia Federal peitar um ministro do Supremo Tribunal Federal“, destacou.

Na sessão, Mendonça concordou com o ministro e afirmou que uma “PF paralela foi instituída”. Fux endossou a declaração, afirmando que “nós estamos vendo hoje uma PF paralela“.

O ministro André ainda reforçou que a corporação estaria atuando no monitoramento de ministros do STF e disse “não pense que vossa excelência esta a salvo não”.

Mendonça, que era o relator do caso, determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência, Leandro Almada da Costa, após apontar monitoramento irregular.

Em sessão virtual, os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques anteciparam seus votos e acompanharam decisão do ministro relator e o ministro Gilmar Mendes pediu vista para análise do caso.

No plenário do STF que analisa relatório da PF, Fux aproveitou para justificar a antecipação do voto para “manter a coerência da nossa posição”. E ainda alegou que a decisão de Gilmar foi para “para estancar o julgamento”.

Sessão histórica

A sessão do STF, considerada histórica, ocorre para analisar o relatório da PF (Polícia Federal) que reúne mensagens e outros registros usados pela corporação para apontar uma relação próxima entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Antes de discutir se o conteúdo justifica a abertura de uma investigação contra Moraes, o plenário deverá se manifestar sobre o pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para anular o relatório da Polícia Federal.

A Procuradoria argumenta que André Mendonça determinou a produção do documento sem que houvesse pedido prévio do Ministério Público ou da própria PF e sem submeter a medida anteriormente ao plenário.

Mesmo se a nulidade for acolhida, há ministros que avaliam que o STF poderá encerrar o caso sem avançar sobre o mérito das mensagens. Outros, porém, entendem que, mesmo nessa hipótese, os elementos já conhecidos podem ser discutidos para decidir se uma nova investigação deve ou não ser aberta.

A sessão desta terça ocorre em meio a uma tensão na Corte, com trocas de ofícios entre ministros, disputa pelo acesso às provas e questionamentos sobre a condução das investigações feitas pelo ministro André Mendonça.

Antes da sessão, ministros debateram, internamente, sobre quais documentos deveriam estar disponíveis para análise prévia.

Na segunda (14), a PF informou que entregou cópias dos dados extraídos do aparelho celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.

Também na segunda, Mendonça também retirou o sigilo de um processo que reúne detalhes sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do Banco Master.

Cármen, Kassio e Toffoli serão “fiéis da balança” em sessão sobre Moraes

Com a percepção de que se formaram duas alas opostas no STF (Supremo Tribunal Federal), os ministros Cármen Lúcia, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli são vistos como determinantes para o desfecho de uma sessão histórica que expõe a divisão entre os integrantes da mais alta Corte do país.

Nesta terça-feira (15), o Supremo vai analisar um relatório da PF (Polícia Federal) que reúne mensagens e outros registros usados pela corporação para apontar uma relação próxima entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A sessão foi marcada após dias de tensão na Corte, com trocas de ofícios entre ministros, disputa pelo acesso às provas e questionamentos sobre a condução das investigações, até então sob responsabilidade do ministro André Mendonça. A guerra de ofícios teve continuidade no fim de semana, quando o presidente do STF, Edson Fachin, tomou para si a relatoria do caso envolvendo Moraes.

A expectativa é que os ministros decidam sobre uma possível abertura de investigação contra Moraes. Antes de discutir se o conteúdo justifica a abertura de um processo contra Moraes, o plenário deverá se manifestar sobre o pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para anular o relatório da Polícia Federal.

A Procuradoria argumenta que André Mendonça determinou a produção do documento sem que houvesse pedido prévio do Ministério Público ou da própria PF e sem submeter a medida anteriormente ao plenário.

Mesmo se a nulidade for acolhida, há ministros que avaliam que o STF poderá encerrar o caso sem avançar sobre o mérito das mensagens. Outros, porém, entendem que, mesmo nessa hipótese, os elementos já conhecidos podem ser discutidos para decidir se uma nova investigação deve ou não ser aberta.

Como a CNN tem mostrado, a maioria dos ministros se divide em duas alas. De um lado, Moraes teria o apoio de Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. Esse grupo tem acompanhado Moraes em casos de grande repercussão. O de maior destaque foi o que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado.

Do outro lado, Mendonça contaria com o voto de Luiz Fux, que acompanhou a decisão do ministro de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, na semana passada.

Posteriormente, a decisão foi derrubada por Fachin, que reintegrou Andrei ao cargo. Apesar de ter revertido a decisão de Mendonça, o presidente do STF tem dado sinais de que votará em desfavor de Moraes.

De acordo com apuração da CNN, Fachin também tende a propor que, caso o pedido de abertura de investigação seja aprovado, Moraes seja afastado da Corte enquanto durarem as investigações sobre as relações do ministro com Daniel Vorcaro.

A dúvida recai sobre os votos de Cármen Lúcia, Nunes Marques e Toffoli – este último pode se declarar suspeito e deixar de participar do julgamento, a exemplo do que fez em decisões envolvendo o caso Master.

Já Nunes Marques, que é próximo de Mendonça e acompanhou o ministro na decisão que afastou o diretor-geral da PF, tem um perfil mais garantista, o que torna incerto seu posicionamento durante a sessão.

No último fim de semana, a ministra Cármen Lúcia se dedicou a conversar com assessores de seu gabinete para preparar o voto desta terça. A interlocutores, ela tem ressaltado seu histórico de independência e afirmado que não se submeterá a pressões dos colegas.

Segundo apurou a CNN, a ala pró-Mendonça está confiante de que Cármen Lúcia votará pela abertura de uma investigação contra Moraes.

Entenda como será o rito do julgamento do caso Moraes e Vorcaro no STF

Entenda como será o rito do julgamento do caso Alexandre de Moraes e Daniel  Vorcaro no Supremo - Jornal O Sul

O STF (Supremo Tribunal Federal) divulgou nesta segunda (14) o rito que será seguido na sessão plenária extraordinária desta terça-feira (15), que envolve a discussão sobre as mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A sessão está marcada para começar às 10h e será transmitida ao vivo pela TV Justiça, pela Rádio Justiça e pelo canal do Supremo no YouTube.

Após a abertura dos trabalhos, os ministros farão a leitura e a aprovação da ata da sessão anterior e as saudações de praxe. Em seguida, será feito o pregão do processo, etapa que marca formalmente o início do julgamento.

O relator, presidente do STF, Edson Fachin, fará então a leitura do relatório e delimitará quais questões serão analisadas pelo plenário. Na sequência, a PGR (Procuradoria-Geral da República) poderá se manifestar. Também haverá espaço para eventuais sustentações orais.

Depois das manifestações, Fachin apresentará seu voto. Os demais ministros votarão na sequência prevista pelo regimento da Corte.

Ao final, caberá ao presidente do Supremo proclamar o resultado do julgamento. A sessão ocorre após Fachin assumir, no sábado (12), a relatoria do caso, que estava sob responsabilidade de André Mendonça. Por isso, além de ler o relatório, ele será o primeiro a votar.

Acesso ao STF

O acesso ao plenário será restrito às pessoas que tiveram a inscrição confirmada pelo Cerimonial do Supremo. A entrada será feita pelos locais indicados pela Polícia Judicial, e todos passarão por detectores de metais e equipamentos de raio X.

Os jornalistas terão acesso apenas à marquise do edifício sede do Supremo, onde será montada uma estrutura com telões, cadeiras e mesas para acompanhamento da sessão.

No plenário, os celulares deverão permanecer desligados e guardados em sacolas de segurança lacradas durante toda a sessão. O rompimento do lacre poderá levar à retirada da pessoa do local. Também serão proibidos alimentos, bebidas e manifestações durante o julgamento.

A segurança será coordenada pelo STF em conjunto com órgãos federais e do Distrito Federal. O planejamento prevê compartilhamento de informações de inteligência, revistas, bloqueios, restrições no espaço aéreo e monitoramento de drones.

A Praça dos Três Poderes será fechada nesta terça-feira e não será permitido estacionar ou parar veículos a partir da região do Itamaraty.