Search

Paulo Gonet representará PGR em julgamento sobre caso Moraes no STF

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, representará a PGR (Procuradoria-Geral da República) no julgamento desta terça-feira (15) que pode determinar a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes.

A CNN mostrou que Gonet decidiu evitar assinar pareceres e manifestações relacionados ao caso Master no STF (Supremo Tribunal Federal) até que o Conselho Superior do Ministério Público Federal analisasse as explicações dele sobre mensagens trocadas por meio de interlocutores com Daniel Vorcaro.

Relatório da Polícia Federal que foi tornado público há duas semanas pelo ministro André Mendonça, do STF, aponta que o advogado Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, teria intermediado conversas entre Gonet e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Em conversas entre Ciro Soares e Vorcaro, de 14 de abril de 2024, o advogado diz que “Gonet é firme” e que “amizade é tudo”. Na sequência, pede para o empresário ler uma mensagem encaminhada.

Quase um ano depois dessa conversa, em 15 de março de 2025, Ciro Soares enviou ao Vorcaro uma foto com Gonet. O advogado disse em seguida ao banqueiro para que Vorcaro ligasse para Ciro porque “ele [Gonet] quer falar com você [Vorcaro].”

Os dois entraram em quatro chamadas de voz que duraram, cada uma, entre 17 e 57 segundos, além de ter uma ligação de Vorcaro que foi perdida. Depois, eles falaram por três minutos e 49 segundos no telefone.

Algumas semanas depois, no dia 28 de março daquele ano, Soares encaminhou a Vorcaro mensagens de Gonet desejando felicitações e afirmando estar com saudades. “Que bom! Estou na torcida por vocês! Já com saudade de você! Estou embarcando para Roma. Manda essa mensagem para ele”, teria dito Gonet nas mensagens encaminhadas pelo advogado a Vorcaro.

Interlocutores de Gonet dizem que o procurador-geral “mal conhecia Vorcaro” e esteve com ele uma única vez, e sustentam haver distorção e “suposições absurdas” no relatório policial. Essas fontes afirmam que Gonet deve prestar as explicações necessárias em breve ao Conselho Superior do MPF.

PF pediu aval de Mendonça para obter repasses de Vorcaro a pessoas com foro

Em março deste ano, a PF (Polícia Federal) enviou ofício ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), pedindo que ele autorizasse o acesso da corporação aos pagamentos feitos por Daniel Vorcaro, do Banco Master, e outros investigados a pessoas com foro privilegiado.

Até o momento, não há registro de que o ministro tenha dado esse aval.

A informação consta em uma das peças tornadas públicas pelo ministro nesta segunda-feira (14), após determinação do presidente da Corte, Edson Fachin.

A petição, assinada por um dos delegados que conduz a investigação, comunica o ministro de que, com objetivo de dar andamento às apurações do Caso Master e rastrear a possível movimentação de dinheiro ilícito por parte de Vorcaro e outros alvos das apurações, a PF solicitou ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) a disponibilização de RIFs (Relatórios de Inteligência Financeira) das pessoas investigadas.

Segundo o delegado, porém, o Coaf atendeu somente a parte do pedido. Isso porque, ao analisar os relatórios, o conselho identificou movimentações financeiras entre pessoas investigadas e autoridades que teriam foro privilegiado. Assim, o Coaf afirmou que só poderia enviar os dados com autorização expressa do STF.

Ele solicita então que o ministro interceda diante do Coaf e dê essa autorização: “Com efeito, a cautela do COAF em não compartilhar automaticamente dados que envolvam autoridades com foro por prerrogativa de função alinha-se ao respeito às regras de competência jurisdicional. Todavia, considerando que a presente investigação criminal já tramita regularmente perante este Supremo Tribunal Federal, o juízo competente para supervisionar a higidez das provas e autorizar o acesso a dados sigilosos é, indubitavelmente, Vossa Excelência“, afirma. Mendonça não respondeu.

Ao realizar o pedido, a PF anexa no processo a resposta parcial que recebeu do Coaf. Nele é possível encontrar movimentações financeiras dos investigados no Caso Master.

Dentre os destaques, está a movimentação de mais de R$ 57 milhões da Igreja Batista da Lagoinha entre dezembro de 2024 e de 2025. A instituição foi alvo de apuração na CPMI do INSS e de suspeitas de desvio de emendas parlamentares. O cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, atuava como pastor na instituição e, no período analisado pela Coaf, transferiu mais de R$19 milhões à igreja.

A publicização desse processo foi pedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, no domingo (13). De acordo com ele, o levantamento de sigilo de todas as petições envolvendo o Caso Master são importantes para embasar o voto dos magistrados no julgamento de terça-feira (15), no qual será analisada eventual abertura de investigação contra Moraes por causa das mensagens trocadas com Vorcaro.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) foi favorável ao levantamento do sigilo.

Real Time: 64% aprovam trabalho de Tarcísio; 33% desaprovam

Segundo pesquisa Real Time Big Data divulgada neste sábado (14), o trabalho do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) é aprovado por 64% dos eleitores paulistas.

Aqueles que desaprovam somam 33%, enquanto os indecisos, 3%.

O instituto também perguntou aos eleitores sobre a avaliação do mandato. Para 42%, o trabalho pode ser classificado como ótimo ou bom; regular para 34%; e ruim ou péssimo para 23%; aqueles que não souberam responder são 1%.

Metodologia

A pesquisa Real Time Big Data entrevistou 2.000 pessoas, entre os dias 9 e 12 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o índice de confiança é de 95%.

O levantamento foi realizado com financiamento do próprio instituto e está registrado no TSE sob o protocolo SP-02794/2026.

Ex-ministros e sociedade civil divulgam carta em apoio a Fachin

Edson Fachin/ AFP

Um grupo de ex-ministros de Estado, economistas, empresários e integrantes da sociedade civil divulgaram uma carta neste domingo (13) em apoio ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin.

A carta fala em apoio às medidas tomadas por Fachin até o momento, “com o objetivo de preservar a autoridade do Supremo Tribunal Federal” e defendem “a mais rigorosa e imparcial apuração dos fatos e das gravíssimas acusações que vieram a público nas últimas semanas”.

Na carta, defendem a apuração dos fatos e a devida responsabilização e vinculam essas providências à preservação da democracia.

A apuração dos fatos e a responsabilização daqueles que eventualmente violaram a lei e a dignidade de seus cargos são indispensáveis para que possamos recobrar a confiança nas instituições e preservar nossa democracia”.

A carta também defende reformas urgentes no STF, para garantir a imparcialidade nos julgamentos e evitar conflitos de interesse entre os ministros integrantes da Corte.

Entendemos, ainda, que a superação dessa crise exigirá reformas institucionais urgentes, capazes de fortalecer a colegialidade, assegurar a imparcialidade dos julgamentos, prevenir conflitos de interesse, estabelecer padrões rigorosos de conduta e ampliar a transparência e o controle social sobre a Corte e seus integrantes”.

A carta é assinada por nomes como os ex-ministros Pedro Malan, Armínio Fraga, Miguel Reale Jr e José Eduardo Cardozo; o economista Pérsio Árida e o jornalista Eugênio Bucci.

Crise no STF

O STF está mergulhado em uma crise interna há cerca de duas semanas. A revelação das conversas envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso sob acusação de fraudes financeiras, com o ministro Alexandre de Moraes, desencadeou uma crise na Corte.

Em resposta, Moraes incluiu acusações contra Mendonça no âmbito do inquérito das Fake News. O relatório dizia que Mendonça teria, em tese, praticado uma série de condutas tipificadas como improbidade administrativa, abuso de autoridade e favorecimento a determinados grupos políticos.

Como efeito imediato da troca de farpas entre Mendonça e Moraes, Fachin decidiu tirar de Moraes a relatoria do inquérito das fake news.

Na próxima terça-feira (15), está marcada uma sessão plenária extraordinária para decidir sobre a abertura de uma possível investigação a respeito das supostas relações de Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Além disso, está marcada para o dia 23 de setembro a sessão para analisar o pedido de investigação contra André Mendonça. Segundo Fachin, o procedimento envolvendo o ministro ainda está em fase de instrução e não reúne, neste momento, todos os elementos necessários para ser levado ao plenário.

Leia abaixo a carta na íntegra:

A S. Ex.ª o Ministro Edson Fachin
Presidente do Supremo Tribunal Federal

Brasília, 13 de setembro de 2026

Senhor Ministro Presidente,

Os cidadãos e representantes da sociedade civil abaixo assinados vêm manifestar seu integral apoio às medidas adotadas por V. Ex.ª, com o objetivo de preservar a autoridade do Supremo Tribunal Federal e promover, sob a estrita observância do devido processo legal, a mais rigorosa e imparcial apuração dos fatos e das gravíssimas acusações que vieram a público nas últimas semanas.

Para isso, é fundamental assegurar ampla transparência às investigações e à sessão plenária marcada para o próximo dia 15 de setembro, que deve ocorrer de forma pública, nos termos do artigo 93, IX, da Constituição Federal.

Estamos vivendo a mais grave crise da história do Supremo Tribunal Federal e certamente uma das mais graves de nossa acidentada história republicana. A apuração dos fatos e a responsabilização daqueles que eventualmente violaram a lei e a dignidade de seus cargos são indispensáveis para que possamos recobrar a confiança nas instituições e preservar nossa democracia.

Entendemos, ainda, que a superação dessa crise exigirá reformas institucionais urgentes, capazes de fortalecer a colegialidade, assegurar a imparcialidade dos julgamentos, prevenir conflitos de interesse, estabelecer padrões rigorosos de conduta e ampliar a transparência e o controle social sobre a Corte e seus integrantes.

O Supremo Tribunal Federal não pode deixar que sua jurisdição seja capturada por interesses escusos, de natureza pessoal, política ou econômica, que atentem contra nossa democracia constitucional.

‘Dark Horse’: ao retirar sigilo de investigação, Dino cita suspeita de que Frias liderou esquema criminoso de desvios

Mario Frias, deputado federal, em imagem de arquivo — Foto: Reprodução

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que investigações em curso reúnem indícios de que o deputado federal Mario Frias (PL-SP) pode ter exercido papel de liderança e centralidade em um esquema criminoso de desvio de recursos.

Dino fez a afirmação na decisão deste domingo (13) que retirou o sigilo de documentos remetidos pela Justiça do Estado de São Paulo e unificou sob sua relatoria inquéritos que apuram um possível esquema de desvios e ocultação de verbas públicas.

Há a alusão reiterada, no itinerário delituoso, a um deputado federal, o Sr. Mario Frias, que no terreno hipotético da investigação ocuparia um papel de liderança na suposta arquitetura criminosa“, escreveu Dino no despacho deste domingo.
A apuração cujo sigilo foi retirado por Dino engloba recursos federais originários de emendas parlamentares e verbas municipais oriundas de termos celebrados com a Prefeitura de São Paulo.

Entre os pontos sob suspeita da Polícia Federal, está a possibilidade da destinação de recursos para o financiamento da cinebiografia “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na última quinta-feira (10), o deputado classificou a operação policial como uma “cortina de fumaça”. Em publicação em suas redes sociais, Frias negou quaisquer irregularidades, declarou-se à disposição para colaborar com a entrega de documentos e afirmou confiar no arquivamento do processo.

De acordo com a decisão de Flávio Dino, que transcreve representações da Polícia Federal, a manutenção de investigações paralelas na esfera estadual e na federal trazia prejuízos à elucidação dos fatos.

A PF afirma que as investigações não apuram esquemas isolados, mas, sim, um contexto único articulado para captar, circular e ocultar verbas públicas.

Conforme apontado pelos investigadores e reproduzido na decisão, a empresa Complexsys Soluções Integradas Ltda., contratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) para executar projetos custeados com recursos públicos, recebeu repasses diretos do próprio deputado Mário Frias.

Paralelamente, a empresa devolvia recursos ao ICB e transferia quantias à Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade do terceiro setor gerida pela mesma administradora do ICB, a empresária Karina Ferreira da Gama. Karina também atuou como produtora da cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Para a PF, o trânsito dos recursos configurava um “circuito financeiro fechado”.

Essa circulação de recursos entre o parlamentar, a entidade executora, a empresa contratada e outra organização beneficiária não se compatibiliza com relações negociais independentes e economicamente justificadas“, diz a PF.

Ao contrário, evidencia um circuito financeiro fechado, característico de estruturas destinadas à circulação, fragmentação e reintrodução de valores entre integrantes de um mesmo núcleo de atuação“, completam os investigadores.

Confusão patrimonial

Os dados de inteligência financeira detalhados na decisão de Dino revelam ainda que Mário Frias efetuou remessas financeiras à empresa Go Up Entertainment Ltda., de propriedade de Karina Gama, em patamar expressivamente incompatível com os seus rendimentos declarados e com as receitas normais de suas contas bancárias.

Segundo a PF, tal fator afasta o parlamentar do papel de mero autor das emendas orçamentárias.

Essa circunstância faz com que ele transcenda a condição de mero autor de emendas parlamentares posteriormente desviadas por terceiros, e coloca o parlamentar federal como participante ativo da engrenagem financeira sob investigação, realizando movimentações incompatíveis com sua capacidade econômica conhecida (…)“, afirma a PF.

A investigação da Polícia Civil de São Paulo (Operação Wi-Fi) também indicou severa confusão patrimonial. O ICB, a Go Up Entertainment e a G07 Assessoria funcionavam formalmente no mesmo endereço comercial na Avenida Paulista.

Além disso, peritos e delegados apontaram a identificação de faturas emitidas em sequência numérica na mesma data e com vencimentos idênticos, sem comprovação da efetiva prestação de serviços por empresas subcontratadas, além de notas fiscais de R$ 2 milhões canceladas logo após a emissão perante a Fazenda municipal.

Mendonça diz que retirar sigilo do celular de Vorcaro tumultua julgamento

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou em ofício neste domingo (13) que a possível retirada do sigilo das informações do celular de Daniel Vorcaro “contribuiria para tumultuar o julgamento”.

No documento, o magistrado pede que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, determine que quatro delegados prestem informações sobre “eventuais constrangimentos sofridos ao longo das investigações”.

Mendonça reitera que “todo o material utilizado para o julgamento da próxima terça-feira encontra-se disponível, na íntegra, a todos os Ministros deste Tribunal” e diz que “dispõe exatamente do mesmo conjunto de elementos de informação franqueado aos demais pares que irão participar da referida sessão”

Por último, o ministro afirma que “a inserção de elementos adicionais, que não constam dos autos até o presente momento, o que inclui a abertura de todas as informações contidas no celular do senhor Daniel Vorcaro” poderia “contribuir para tumultuar o julgamento, bem como colocaria em risco todo o seguimento e êxito das investigações, dando ensejo à suscitação de questionamentos de toda ordem, para desviar o feito especificamente apregoado para julgamento de seu caminho natural”.

Mendonça também cita uma frase de Edson Fachin ao final do documento. “Nesse sentido, como bem enfatizou o eminente Presidente, ‘A gravidade dos fatos não autoriza atalhos’, mas também não tolera subterfúgios ou desvios de rotas, rumo a outros interesses que não os da Justiça”.

Em atualização.

Defesa de Vorcaro pede que Fachin filtre dados e não divulgue informações íntimas

Edson Fachin/Gustavo Moreno/SCO/STF

A defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que filtre o material apreendido pela Polícia Federal (PF) no celular do banqueiro antes de torná-lo público.

No documento, protocolado na noite de sábado (12) os advogados Sérgio Leonardo e Engels Muniz mencionam o vazamento de mensagens íntimas de Vorcaro com sua então namorada, Martha Graeff, como justificativa para o pedido.

A experiência demonstra que o risco de exposição indevida não é meramente hipotético e recomenda que a abertura dos autos seja implementada de modo a conciliar a publicidade processual com a preservação de direitos fundamentais tutelados pela Constituição Federal”, afirmam.

Entre os conteúdos que a defesa quer preservar estão imagens e informações sobre familiares, especialmente os filhos de Vorcaro além de conversas e documentos protegidos pelo sigilo profissional, inclusive comunicações com seus advogados. A defesa argumenta que a publicidade processual não pode resultar na exposição de informações privadas sem interesse investigativo.

O pedido foi feito após Fachin assumir a relatoria do julgamento sobre as conversas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes, marcado para terça-feira (15). O presidente do STF também determinou que a PF informasse quem mantém a custódia do celular do banqueiro e qual o estado do material extraído do aparelho. Isso porque, na sexta-feira (11) os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes pediram acesso à cópia integral dos dados para embasar a análise do caso.

Datafolha: 76% afirmam que há poder excessivo no STF; maioria diz que não mudou voto após crise

 /Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Para 76% dos brasileiros, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) possuem poderes excessivos, mostra pesquisa Datafolha. O levantamento ouviu 2002 eleitores de 125 cidades entre terça-feira, 8, e quinta-feira, 10, ou seja, em meio a maior crise institucional da história da Corte e seus desdobramentos, que ainda estão vindo à tona.

Outros 18% ouvidos pela pesquisa disseram que discordam que os ministros tenham poderes demais no País. Já 3% afirmaram não concordar nem discordar da frase, enquanto outros 4% não souberam responder.

A mesma pesquisa constatou, porém, que 71% dos eleitores avaliam o Supremo como essencial para a democracia. Para 77% dos eleitores, contudo, a população acredita menos na Corte hoje do que no passado.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. O índice de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-01833/2026.

MUDANÇA DE VOTO

O levantamento do Datafolha também revelou que a maioria dos eleitores do País não mudou ou não irá mudar seu voto nas eleições presidenciais após os recentes escândalos envolvendo ministros do Supremo.

Questionados sobre se a revelação de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, poderia mudar a escolha para presidente, 85% responderam que não. Outros 7% disseram que não mudaram a escolha, mas deixaram dúvida sobre em quem votar para presidente. Apenas 4% disseram que as revelações contra Moraes fizeram mudar o voto, mesma proporção daqueles que não souberam responder à pergunta.

O Datafolha também questionou os eleitores sobre o impacto do pedido de investigação contra outro ministro da Corte, André Mendonça, por supostos vazamentos seletivos das investigações sobre o Master. Para 86% dos respondentes, o pedido de investigação não alterou ou irá alterar o voto. Outros 7% afirmaram que o episódio não mudou a preferência eleitoral, mas deixou dúvida sobre em quem votar, enquanto apenas 2% disseram que mudaram de voto. Outros 4% não souberam responder.

PF detalha viagens pagas por Vorcaro para Ciro com hospedagem “royal”

PF detalha viagens pagas por Vorcaro para Ciro com hospedagem "royal" | CNN  Brasil

Relatório da PF (Polícia Federal) que teve sigilo retirado na última sexta-feira (11) após determinação do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), mostra destalhes de viagens pagas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

A primeira viagem foi para Nova York, em maio de 2024. Foram reservadas suítes no hotel Park Hyatt New York entre os dias 11 e 15, para Vorcaro e convidados, incluindo Ciro e o ex-ministro Fábio Faria.

Os custos de hospedagens na suíte “royal” foi de US$ 47,7 mil, o equivalente a R$ 245,1 mil. As diárias unitárias eram de US$ 4,7 mil.

Além da estadia, os documentos detalham gastos com eventos privados, como uma degustação de uísque e charutos no The Carnegie Club, no valor total de cerca de US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 5,25 milhões), sendo que apenas a aquisição de bebidas foi de US$ 674,7 mil.

Viagem aos Alpes Franceses

A segunda viagem aconteceu em janeiro de 2025, no período entre os dias 11 e 26. Ciro e sua mulher se hospederam na estação de esqui dos Alpes Franceses, inicialmente no Hotel K2 e depois no Chalet Grand Charlot.

Vorcaro custeou integralmente os serviços de aluguel de equipamentos, instrutores, motoristas e pagamentos diários em restaurantes de luxo, segundo a PF.

Foram identificadas despesas específicas de R$ 63 mil e de R$ 58,5 mil.

Mensagens mostam que Vorcaro ordeu a manutenção do pagamento das contas do casal mesmo após sua própria partida do local. Os gastos totais no período somaram aproximadamente R$ 1,8 milhão.

Jaques Wagner se recusou a fornecer senhas de celulares, diz PF

Wagner recusou fornecer senhas de celulares apreendidos, diz PF | Se Ligue  Bahia

O senador Jaques Wagner (PT-BA) e ex-líder do governo Lula (PT) no Senado se recusou a fornecer à PF (Polícia Federal) as senhas de dois celulares apreendidos durante uma operação realizada em sua casa, em Salvador, em 18 de junho, segundo relatório da corporação.

O documento foi tornado público nesta sexta-feira (11), após o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), ampliar a retirada de sigilo de processos relacionados ao caso Master. A medida atendeu a um pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Segundo o relatório da diligência, os agentes recolheram logo no início da busca um celular Samsung preto e outro aparelho branco. “O investigado negou o fornecimento de senhas dos aparelhos”, registrou a PF.

A busca foi cumprida no âmbito da 9ª fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro.

No caso de Wagner, a PF investiga a relação do senador com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, e apura se o parlamentar recebeu vantagens indevidas de empresários e estruturas ligadas ao banco. Entre os episódios investigados estão viagens em aeronaves particulares, ingressos para shows e a negociação de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador.

Durante a diligência, a PF também apreendeu R$ 16,5 mil, US$ 16.795 e € 39.675 em espécie, além de diversos relógios de luxo. Parte do dinheiro foi encontrada em uma mala atribuída ao senador e outra parte em um cofre no closet de sua mulher.

Segundo a PF, Wagner afirmou que os valores eram usados em viagens. Sobre os relógios, disse que os adquiriu ao longo dos anos. O relatório registra que ele não apresentou notas fiscais dos bens durante a busca.

Chamou ainda a atenção a grande quantidade de relógios de alto valor na residência do investigado. Questionado sobre as suas aquisições, informou que adquiriu ao longo dos anos, contudo, não apresentou nota fiscal de qualquer bem. Assim, foram arrecadados e posteriormente apreendidos os bens referidos no presente Relatório, cujo valor econômico somente poderá ser aferido com precisão após a realização das perícias cabíveis“, escreveu a PF.

A CNN procurou a defesa de Jaques Wagner para comentar as informações, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

Datafolha: governo Lula é desaprovado por 50% dos eleitores; 47% aprovam

O presidente Lula (PT)

A pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (11) mostra que 50% dos eleitores desaprovam o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto 47% aprovam.

O instituto também questionou aos eleitores sobre suas avaliações do atual mandato, ao que 42% avaliaram o governo do presidente Lula negativamente (como “ruim” ou “péssimo”). Já aqueles que veem a gestão do petista de forma positiva (“boa” ou “ótima”) formam 32%.

Outros 25% dos entrevistados avaliam o terceiro mandato de Lula como “regular”, enquanto 1% dos eleitores está indeciso.

Metodologia

A pesquisa Datafolha entrevistou 1.610 eleitores de São Paulo entre os dias 18 e 21 de agosto, por meio de entrevista presencial. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

O levantamento foi contratado pelo jornal Folha de S.Paulo e Grupo Globo e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo SP-01806/2026.

Mário Frias critica operação da PF e fala em “cortina de fumaça”

Mario Frias e produtora de "Dark Horse" são alvos de operação da PF

O deputado federal Mário Frias (PL-SP) chamou de “cortina de fumaça” a operação da PF (Polícia Federal) que cumpriu um mandado de busca e apreensão em sua casa nesta quinta-feira (10).

A investigação apura suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares apresentadas pelo deputado e tenta identificar se dinheiro público foi usado na produção de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em vídeo publicado nas redes sociais, Frias afirmou que vai colaborar com a investigação, entregar os documentos solicitados e disse acreditar que o caso será arquivado. “Se há alguma nota que a CGU quer ver, isso se resolve com documento, não com operação em ano de eleição, cortina de fumaça”, afirmou.

Frias confirmou que agentes da PF estiveram em sua casa pela manhã e apreenderam celular, documentos e computador. Ele disse ainda que não houve mandados de prisão contra ele ou outros investigados.

A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), em decisão assinada em 3 de setembro.

O deputado destinou R$ 2 milhões em duas emendas ao ICB (Instituto Conhecer Brasil), presidido por Karina Gama. Os recursos foram destinados a projetos nas áreas de educação e esporte.

A PF investiga se parte desses recursos pode ter chegado à Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse. Karina também é dona da empresa.

Segundo a investigação, a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional receberam R$ 700 mil do ICB com recursos de uma emenda de Mário Frias. Meses depois, a NTT Brasil, ligada ao mesmo grupo empresarial, transferiu R$ 750 mil para a Go Up Entertainment. Como mostrou a CNN, a PF investiga se os dois repasses estão relacionados.

No vídeo, Frias afirmou que emendas parlamentares não passam diretamente pelas mãos dos deputados e disse que os recursos são transferidos pelo Tesouro ao órgão responsável pela execução e fiscalização dos projetos.

O parlamentar também reclamou da falta de acesso da defesa ao inquérito. Segundo ele, seus advogados pedem acesso à investigação “há meses”.

Vou colaborar com tudo que for pedido, vou entregar cada documento e vou seguir na rua, mantendo a minha agenda, representando São Paulo”, disse.

Andrei Rodrigues é da minha total confiança, diz Lula

Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rasgou elogios nesta quinta-feira (10) a Andrei Rodrigues e afirmou que o diretor-geral da Polícia Federal (PF) tem sua “total confiança”.

Ele fez um trabalho extraordinário. Aliás, acho que o que incomoda muita gente é porque a PF nunca trabalhou tanto, nunca prendeu tanto, nunca resgatou tanto dinheiro e tanta droga como no mandato do Andrei”, disse o presidente em entrevista ao SBT.

Por isso, quero dizer em alto e bom som: Andrei é de minha total confiança, é um companheiro perito como poucos delegados na história desse país. E, se ele cometeu erro, que ele seja julgado“, afirmou.

Andrei Rodrigues ganhou destaque ao longo desta semana, após o ministro do STF André Mendonça ter determinado seu afastamento do cargo. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino decidiu reintegrá-lo à corporação. Posteriormente, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as decisões de Mendonça e Dino.

Antes da decisão de Dino, a AGU (Advocacia-Geral da União), sob o comando de Jorge Messias, já havia solicitado a suspensão do afastamento de Rodrigues. Na avaliação do presidente, Messias “agiu corretamente” sob sua orientação.

É papel da AGU defender os membros do governo. Andrei é um policial federal muito competente, tem mais de 30 anos de carreira, o companheiro que possivelmente fez a maior busca e apreensão da história do crime organizado deste país, é o companheiro que fiscalizou o Banco Master e que prendeu [Daniel] Vorcaro“, afirmou.

Questionado pelas jornalistas sobre a proximidade entre Messias e Mendonça, Lula justificou que se trata de uma “relação institucional”, comum pelo fato de os dois serem funcionários do Estado.

Dark Horse: CNN obtém documento em que produtora relata pressão por delação

A CNN teve acesso ao documento registrado em cartório no qual a empresária Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, detalha as pressões que diz ter sofrido para levar adiante uma delação premiada contra o candidato Flávio Bolsonaro (PL).

O documento tem sete páginas e foi registrado em 4 de setembro em um cartório de São Paulo. Nele, Karina afirma que tem interesse em colaborar com as investigações e pretende seguir fazendo isso por meio de sua defesa técnica. Na sequência, relata três contatos que recebeu para tratar de uma colaboração premiada.

O primeiro teria partido de Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney e dirigente da CBF. Segundo o relato dela, Fernando Sarney a procurou em 20 de maio de 2026, mas a conversa só ocorreu no dia 22, às 9h07.

Na ocasião, diz ela, Sarney “ofereceu-me apoio jurídico e afirmou possuir grande proximidade com o Ministro Flávio Dino” e declarou que poderia apoiá-la caso tivesse interesse em fazer uma delação. Karina afirma que não manifestou interesse, por não ver razão para a medida, e ressalva que a menção a Dino partiu apenas de Sarney: “Não presenciei qualquer conversa entre ambos e não possuo elementos próprios que me permitam afirmar que o Ministro tivesse conhecimento, participação ou envolvimento nesse contato.”

O empresário Fernando Sarney negou ter mantido contato com Karina Gama. “Não conheço a Sra. Karina Gama e jamais mantive contato com ela ou com qualquer outra pessoa sobre suposta delação premiada envolvendo a produção audiovisual ‘Dark Horse’”, afirmou.

O segundo contato, em 27 de agosto, às 11h22, teria vindo de um pastor e amigo de longa data, que afirmou ter proximidade com integrantes do governo federal e com ministros do Supremo Tribunal Federal. Ele teria dito que pessoas ligadas a essas autoridades pediram que transmitisse a ela a possibilidade de uma delação, apresentada como forma de retirá-la do risco de uma “complicação”.

Segundo o interlocutor, se eu fizesse uma ‘delação premiada’, nada ocorreria comigo e eu não seria alvo de nenhuma operação policial”, escreve. Ela diz ter agradecido a preocupação, mas respondido que a cadeia de produção do filme foi conduzida dentro da legalidade e que não cometeu crime.

O terceiro é atribuído a um jornalista da revista Piauí, em 3 de setembro. Karina afirma que ele já havia questionado antes sobre uma eventual delação e que, nesse novo contato, disse que ela estaria “servindo de bucha de canhão para o candidato”, dando a entender que poderia ser alvo de medidas judiciais caso não colaborasse. A CNN procurou a revista Piauí, que disse que não vai se manifestar.

Ao final, a empresária afirma que “a proximidade temporal e a convergência temática entre esses contatos” lhe causaram preocupação e receio de interferências políticas em sua situação jurídica. E conclui: “tenho receio de que alguma operação policial possa ser realizada contra a minha pessoa por retaliação política e não porque cometi algum ilícito”.

Ela diz ter registrado em cartório o que lhe foi comunicado por terceiros para preservar os fatos e permitir verificação posterior pelas autoridades, e também para documentar que, antes de qualquer medida futura que pudesse atingir sua liberdade, já havia sido procurada com a proposta de delação.

Leia abaixo a íntegra do documento registrado pela produtora Karina Gama:

DECLARAÇÃO CIRCUNSTANCIADA DE FATOS

1 – DO CONTEXTO

Declaro que estou relacionada às apurações atualmente realizadas no âmbito do Inquérito nº 5.070, em tramitação perante o Supremo Tribunal Federal, e ao procedimento policial correlato referente à produção cinematográfica The Dark Horse. Também estou relacionada às apurações atualmente realizadas no âmbito da Petição nº 16.070, em tramitação perante o Supremo Tribunal Federal.

Desde que tomei conhecimento das apurações, minha postura has sido de integral cooperação com as autoridades competentes, inclusive mediante apresentação de documentos e esclarecimentos relacionados à produção cinematográfica e às atividades empresariais envolvidas.

Registro que pretendo continuar colaborando regularmente com as autoridades, sempre por intermédio e orientação de minha defesa técnica e com preservação integral das garantias constitucionais que me são asseguradas.

II – DO CONTATO RECEBIDO DO DR. FERNANDO SARNEY EM MAIO DE 2026

No dia 20 de maio de 2026, fui procurada pelo Dr. Fernando Sarney. Não o atendi naquela oportunidade, tendo o contato efetivamente ocorrido apenas no dia 22 de maio de 2026, às 9h07.

Durante a conversa, o Dr. Fernando Sarney ofereceu-me apoio jurídico e afirmou possuir grande proximidade com o Ministro Flávio Dino. Na mesma ocasião, declarou que poderia me apoiar caso eu tivesse interesse em realizar uma “delação premiada”.

Diante da abordagem, não manifestei interesse em realizar colaboração premiada, pois não identificava — e continuo não identificando — qualquer razão para adotar tal medida. Minha posição sempre foi a de esclarecer os fatos mediante a apresentação dos documentos pertinentes e o regular exercício do direito de defesa.

Registro que a referência à proximidade com o Ministro Flávio Dino partiu exclusivamente do próprio Dr. Fernando Sarney. Não presenciei qualquer conversa entre ambos e não possuo elementos próprios que me permitam afirmar que o Ministro tivesse conhecimento, participação ou envolvimento nesse contato.

III – DO CONTATO RECEBIDO EM 27 DE AGOSTO DE 2026

No dia 27 de agosto de 2026, às 11h22, recebi ligação telefônica de um pastor e amigo de longa data, que demonstrou preocupação com minha situação.

Durante a conversa, ele me afirmou possuir proximidade com pessoas integrantes do Governo Federal e com Ministros do Supremo Tribunal Federal. Relatou-me que teria conversado com pessoas ligadas a essas autoridades e que lhe teriam solicitado que entrasse em contato comigo para transmitir a possibilidade de realização de uma “delação premiada”, apresentada, segundo suas palavras, como uma forma de me retirar do risco de uma possível “complicação”. Segundo o interlocutor, se eu fizesse uma “delação premiada”, nada ocorreria comigo e eu não seria alvo de nenhuma operação policial.

Diante dessa afirmação, agradeci sua preocupação, mas respondi que não identificava razão para realizar colaboração premiada, uma vez que minha postura sempre foi e continua sendo a de cooperar integralmente com os esclarecimentos solicitados pelas autoridades.

Também manifestei minha convicção de que os projetos empresariais e a cadeia de produção cinematográfica da qual participei foram conduzidos dentro da legalidade, razão pela qual entendo que os fatos devem ser esclarecidos mediante a apresentação da documentação pertinente e o regular exercício do direito de defesa, não havendo motivo para qualquer delação premiada, afinal, não cometi nenhum crime.

IV – DO CONTATO POSTERIOR DO JORNALISTA

Posteriormente, em 3 de setembro de 2026, recebi novo contato do jornalista Breno Pires, da Revista Piauí.

O referido jornalista já havia anteriormente formulado questionamentos relacionados à possibilidade de eu realizar uma delação premiada, no sentido de me incentivar a realizar tal procedimento.

Nesse novo contato, afirmou que eu estaria “servindo de bucha de canhão para o candidato”, em aparente referência ao contexto político relacionado aos fatos atualmente investigados, dando a entender que, se eu não fizesse nenhuma colaboração premiada, eu poderia ser alvo de medidas judiciais.

Registro esta afirmação exatamente pela relevância que adquiriu quando considerada em conjunto com o contato recebido em 27 de agosto e diante da matéria jornalística feita por Breno Pires, com insinuações de irregularidades (que nunca existiram) com relação à produção do filme Dark Horse.

V – DO RECEIO GERADO PELOS ACONTECIMENTOS

A proximidade temporal e a convergência temática entre esses contatos causaram-me preocupação e fundado receio quanto à possibilidade de que minha situação jurídica venha a sofrer interferências ou pressões externas de natureza política, especialmente diante da referência feita à celebração de colaboração premiada como meio para evitar uma possível “complicação”.

Segundo o contexto que me foi apresentado por tais interlocutores, se eu não fizesse uma delação premiada, assumindo que alguma irregularidade teria ocorrido na produção do filme, o que seria equivalente a dizer mentiras, eu poderia ser alvo de operações policiais contra a minha pessoa. Como não cometi nenhuma irregularidade e como não fiz nenhuma delação premiada, tenho receio de que alguma operação policial possa ser realizada contra a minha pessoa por retaliação política e não porque cometi algum ilícito.

E estou registrando aqui aquilo que efetivamente me foi comunicado por terceiros, justamente para preservar contemporaneamente os fatos e permitir sua posterior verificação pelas autoridades competentes, caso necessário.

VI – DA MINHA POSTURA PERANTE O INQUÉRITO

Reafirmo que não tenho intenção de me furtar à investigação.
Tenho residência conhecida, atividades profissionais e empresariais identificadas e permaneço à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos legalmente cabíveis.
Não tenho intenção de fugir, ocultar documentos, destruir provas, interferir em depoimentos, constranger testemunhas ou praticar qualquer ato destinado a prejudicar a investigação.
Ao contrário, venho providenciando, com minha defesa, documentos destinados ao esclarecimento dos fatos.

VII – DA FINALIDADE DESTA DECLARAÇÃO

Faço a presente declaração de maneira livre, consciente e espontânea, com a finalidade de produzir registro contemporâneo dos acontecimentos acima narrados e preservar meus direitos.

O registro também objetiva documentar que, antes de qualquer eventual medida futura que possa atingir minha liberdade, já havia recebido comunicação de terceiro relacionando a possibilidade dessa medida futura (uma “complicação”) ocorrer, caso eu não realizasse uma delação premiada à proposta de realização de delação premiada.

Não pretendo, por meio desta declaração, acusar qualquer autoridade ou pessoa da prática de ilícito sem provas.
Pretendo exclusivamente registrar fatos, datas, comunicações recebidas e minha própria resposta, para que exista documentação formal e cronologicamente anterior a qualquer eventual acontecimento posterior.

Reafirmo, finalmente, minha disposição de cooperar integralmente com as autoridades competentes para o esclarecimento dos fatos relacionados ao Inquérito nº 5.070, observadas as garantias constitucionais e legais inerentes a qualquer pessoa submetida a investigação.

Por ser esta a expressão fiel dos fatos conforme por mim vivenciados e das comunicações que me foram transmitidas, firmo a presente declaração para todos os fins de direito, autorizando seu registro perante o competente Cartório de Títulos e Documentos e sua eventual apresentação às autoridades judiciais, policiais ou ministeriais, caso se mostre necessária.

São Paulo, 3 de setembro de 2026.
KARINA FERREIRA DA GAMA

PF indica que documentos foram manipulados após operação

Dark Horse: valor do filme sobre Bolsonaro, com produtora alvo da PF,  supera o orçamento de ganhadores do Oscar

A PF (Polícia Federal) indicou que houve indícios de manipulação de documentos após a Operação WiFi Livre, da Polícia Civil do Estado de São Paulo, deflagrada em junho deste ano.

Na época, a investigação das autoridades mirou a relação entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB (Instituto Conhecer Brasil), de Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up, responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL).

A informação consta no despacho de Flávio Dino, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a operação da PF realizada nesta quinta-feira (10). A decisão foi tomada após serem identificadas conexões entre o caso e investigações já em tramitação no STF sobre o suposto desvio de emendas parlamentares para a produção do filme.

“Os indícios de manipulação documental surgiram justamente após a deflagração da operação policial e durante o desenvolvimento das atividades de auditoria, revelando dinâmica investigativa em evolução e sugerindo a existência de comunicações, arquivos eletrônicos, versões de documentos, registros de edição e armazenamentos em nuvem produzidos posteriormente à primeira diligência”, diz trecho do despacho.

E completa: “Em outras palavras, parte relevante da prova procurada sequer existia ou não era conhecida quando da busca realizada em junho de 2026”.

Dino ainda escreve que a operação desta quinta-feira (10) — que foi autorizada antes do afastamento de Andrei Rodrigues, da PF — mira provas de fatos novos, já que há “fundado receio de que documentos digitais, mensagens, registros de edição, arquivos em nuvem e elementos contábeis relevantes possam ser ocultados, alterados ou destruídos caso a medida não seja prontamente executada”.

Um dos alvos foi o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que tem foro por prerrogativa de função na Corte. Segundo a investigação, o parlamentar retardou a prestação de informações sobre emendas parlamentares suspeitas.

Como havia suspeitas de fraude envolvendo o contrato do ICB, o ministro retirou a investigação da Polícia Civil de São Paulo e determinou a centralização da apuração na Polícia Federal, sob supervisão do Supremo.

A Prefeitura de São Paulo disse, em nota enviada à CNN Brasil, que “repudia qualquer tentativa de criar relações entre projetos e programas do Município e a produção cinematográfica do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.”

“A administração municipal reitera que a obra não recebeu recursos municipais. A assinatura e execução do termo de colaboração firmado com o Instituto Conhecer Brasil (ICB) não têm qualquer irregularidade identificada. O Programa Wifi Livre segue em pleno funcionamento na cidade com 3.200 pontos instalados e mais de 760 milhões de acessos registrados”, afirma.

Atualmente, o custo de manutenção de cada ponto de Wi-Fi é de R$ 1.280,80, valor menor do que os praticados na gestão Haddad, quando cada ponto chegou a custar R$ 8.899,13. Vale destacar que o Tribunal de Contas do Município (TCM-SP) julgou irregular a execução do contrato de 2014 por falhas de autenticação, monitoramento e qualidade do serviço. Em relação à parceria com o ICB, a Controladoria Geral do Município (CGM) acompanha as investigações desde as primeiras denúncias e instaurou procedimento em maio de 2026, que segue andamento“, conclui.

A CNN Brasil tentou contato com Mario Frias, a produtora Karina Gama e o PL para posicionamento do ex-presidente, mas ainda não teve retorno.

Entenda operação WiFi Livre

A Polícia Civil realizou, em junho, a Operação Wi-Fi Livre para investigar uma possível relação entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB.

A apuração verificava fraudes em licitação da prefeitura no valor de R$ 108 milhões. A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital analisava eventuais irregularidades na implantação, operação e manutenção de 5.000 pontos de acesso à rede de wi-fi pública em comunidades do município, no contexto do programa WiFi Livre SP.

As investigações apontaram “possível cenário de grave comprometimento da lisura administrativa e financeira desde a origem da contratação da organização parceira”. Isso porque o cronograma original visava à entrega de 5.000 pontos de conectividade até junho de 2025, mas houve a instalação de apenas 3.200 pontos.

Para ocultar a mora e legitimar o atraso reiterado, foram celebrados três termos aditivos em curtíssimos intervalos de dias. Paralelamente, constatou-se que a administração municipal realizou a antecipação de pagamentos na vultosa quantia de R$ 26.000.000,00 sem a devida contraprestação, incluindo repasses superiores a R$ 11.000.000,00 nos meses de julho e agosto de 2024 relativos a 3.200 pontos quando somente seis deles de fato funcionavam no período“, dizia trecho do comunicado ao qual a CNN Brasil teve acesso na época.

Ainda segundo a nota enviada à reportagem, as investigações mostram que o ICB não tem experiência ou histórico no setor de telecomunicações, “limitando seu histórico operacional a feiras de livros e eventos de natureza literária ou religiosa”.

À prefeitura disse à CNN Brasil, na época, que colabora com as investigações e que “segue à disposição das autoridades, tendo já prestado informações“. Em nota, a administração também afirmou que o material requisitado na ocasião já havia sido encaminhado às autoridades.