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Dino cita suspeita de elo de investigado com PCC em decisão

Em decisão envolvendo a investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), citou que há indícios de “um só sistema delitivo, alimentado inclusive por emendas parlamentares federais” e “menção a atos interligados até com a facção criminosa PCC, o que pode significar uma dimensão interestadual”. Diante disso, o magistrado recomendou a atuação da PF (Polícia Federal) na investigação.

Dino menciona o nome de Alex Leandro Bispo dos Santos, ex-sócio da Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda, que teria recebido repasses do ICB (Instituto Conhecer Brasil) no projeto “Wifi Livre SP”. O ICB pertence à Karina Gama, que também é dona produtora do filme Dark Horse.

No documento divulgado na tarde desta quinta-feira (10), o ministro do STF ressalta que notícias amplamente divulgadas apontam que, “segundo órgãos de inteligência da polícia, o empresário é membro relevante da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no estado” de São Paulo. O homem estaria preso desde fevereiro deste ano em virtude de acusação de feminicídio, vindo a ser solto somente em agosto.

A decisão teve o sigilo retirado após a PF cumprir 49 mandados de busca e apreensão contra nomes ligados ao financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Karina Gama e o deputado Mario Frias (PL-SP) foram alvos.

Segundo a PF, as investigações apontam a existência de uma “organização criminosa formada por agentes públicos e privados“, que é suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular e sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados.

De acordo com a corporação, levantamentos financeiros identificaram movimentação de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado. A operação investiga crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

A Prefeitura de São Paulo disse, em nota enviada à CNN Brasil, que “repudia qualquer tentativa de criar relações entre projetos e programas do Município e a produção cinematográfica do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A administração municipal reitera que a obra não recebeu recursos municipais. A assinatura e execução do termo de colaboração firmado com o Instituto Conhecer Brasil (ICB) não têm qualquer irregularidade identificada. O Programa Wifi Livre segue em pleno funcionamento na cidade com 3.200 pontos instalados e mais de 760 milhões de acessos registrados“, afirma.

Atualmente, o custo de manutenção de cada ponto de Wi-Fi é de R$ 1.280,80, valor menor do que os praticados na gestão Haddad, quando cada ponto chegou a custar R$ 8.899,13. Vale destacar que o Tribunal de Contas do Município (TCM-SP) julgou irregular a execução do contrato de 2014 por falhas de autenticação, monitoramento e qualidade do serviço. Em relação à parceria com o ICB, a Controladoria Geral do Município (CGM) acompanha as investigações desde as primeiras denúncias e instaurou procedimento em maio de 2026, que segue andamento“, conclui.

A CNN Brasil também tenta contato com Mario Frias, a produtora Karina Gama e com o PL (Partido Liberal) para um posicionamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Operação Make Up

A PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão contra nomes ligados ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Karina Gama, dona da produtora responsável pela produção do filme, e o deputado Mario Frias foram alvos.

A operação, autorizada por Flávio Dino, apura suposto desvio de emendas parlamentares repassadas a organização da sociedade civil.

Os mandados da operação Make Up, realizada em parceria com a CGU (Controladoria-Geral da União), foram cumpridos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.

O financiamento do filme “Dark Horse” é alvo de dois inquéritos no STF. Um deles é relatado pelo ministro André Mendonça e o outro, que mira o possível direcionamento de emendas, tem Dino como relator.

Em março, Dino determinou que Mario Frias prestasse esclarecimentos sobre uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões destinada ao Instituto Conhecer Brasil, ONG ligada à produtora do filme “Dark Horse”. Dino mandou o deputado prestar informações sobre “possíveis irregularidades” na execução dos recursos.

O parlamentar é produtor executivo do longa e ex-secretário de Cultura na gestão Bolsonaro. Em manifestação enviada ao Supremo, em maio, Frias negou irregularidades e afirmou que os recursos tiveram fim social.

Moraes cancela pronunciamento que havia marcado para hoje

Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e André Mendonça durante sessão plenária na Cote, em 17 de outubro de 2024

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), cancelou o pronunciamento previsto para às 11h desta quinta-feira (10) cerca de uma hora após anunciar que faria a declaração. Segundo a assessoria do Supremo, uma nova data será marcada.

O ministro não informou o que seria anunciado, nem o motivo do cancelamento.

A fala se daria um dia após o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, anunciar sessão plenária para discutir a eventual abertura de investigação contra Moraes por sua relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master, e retirar o ministro da relatoria do Inquérito das Fake News.

O julgamento em plenário está marcado para o próximo dia 15 de setembro, às 10h, e deve reunir todos os magistrados do STF. Eles deverão analisar se o relatório da Polícia Federal que traz mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro apresenta indícios suficientes de irregularidades para justificar a abertura de um inquérito contra o ministro.

As mensagens indicam que o banqueiro pedia a Moraes que atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter o avanço das investigações sobre o banco.

Ainda na quarta-feira (10), Fachin também retirou Moraes da relatoria do Inquérito das Fake News e assumiu as investigações. A decisão preserva os atos praticados por Moraes durante o período em que esteve à frente do caso, mas tranfere todas as investigações em curso para o presidente do STF. Ações penais ligadas ao inquérito que já tiveram denúncia recebida, porém, continuam com Moraes.

O STF possui sessão plenária de julgamentos às 14h desta quinta-feira (10). Até o momento, ela está mantida.

Ministério da Justiça diz que PF seguirá com ‘independência’, AGU que Fachin ‘restaura a ordem pública’; a reação à decisão do STF

Ministro Edson Fachin em sessão plenária do STF — Foto: Gustavo Moreno/STF

A Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgaram notas em reação à decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que suspendeu as decisões dos ministros André Mendonça, que afastou o diretor da Polícia Federal (PF), e Flávio Dino, que reintegrou Andrei Rodrigues.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou manter confiança nas instituições e declarou que a Polícia Federal continuará cumprindo suas funções.

A pasta afirmou que todas as investigações conduzidas pela Polícia Federal deverão prosseguir com “absoluta independência, rigor técnico e estrita observância da lei”. De acordo com a nota, as apurações devem alcançar todos os fatos e todos os envolvidos, sem exceções.

Todas as investigações conduzidas pela Polícia Federal deverão prosseguir com absoluta independência, rigor técnico e estrita observância da lei, alcançando todos os fatos e todos os envolvidos, sem exceções”, declarou o ministério.
A Advocacia-Geral da União afirmou ter recebido a decisão “com satisfação, respeito e esperança”, que a medida “restaura a ordem pública e administrativa” e reafirma a atribuição do presidente da República para nomear e afastar ocupantes dos cargos de direção da PF.

A decisão restaura a ordem pública e administrativa e, sobretudo, reafirma a prerrogativa constitucional privativa do presidente da República para prover e desprover os cargos de direção da Polícia Federal”, afirmou o órgão.

Ainda de acordo com a AGU, a suspensão dos efeitos da decisão monocrática restabelece as condições para o funcionamento das atividades da PF.

A Advocacia-Geral da União também declarou que a decisão contribui para “restaurar a institucionalidade” no Supremo e favorece a harmonia entre os Poderes ao reconhecer as competências atribuídas pela Constituição a cada um deles.

O Ministério da Justiça também afirmou que a autonomia investigativa da Polícia Federal é uma garantia do Estado Democrático de Direito e que as investigações em andamento não poderão ter sua continuidade, profundidade ou integridade comprometidas.

Cabe à Polícia Federal investigar, com plena liberdade e responsabilidade, onde quer que os fatos a conduzam, para que a verdade seja integralmente esclarecida e as responsabilidades, quaisquer que sejam, devidamente apuradas”, afirmou a pasta.

Leia a íntegra da nota da AGU:

A Advocacia-Geral da União (AGU) recebe com satisfação, respeito e esperança a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que acolheu, nesta quarta-feira (17/09), o pedido liminar formulado ontem pela AGU, na Suspensão de Liminar nº 1.946, e suspendeu os efeitos da decisão monocrática proferida no âmbito da PET nº 16.662/DF.

A decisão restaura a ordem pública e administrativa e, sobretudo, reafirma a prerrogativa constitucional privativa do presidente da República para prover e desprover os cargos de direção da Polícia Federal, nos termos do artigo 84, incisos I e II, da Constituição Federal.

Com isso, também são restabelecidas as condições necessárias ao regular funcionamento das atividades da Polícia Federal, instituição essencial à segurança pública e ao Estado Democrático de Direito.

Para além da solução do caso concreto, a decisão do ministro Edson Fachin contribui para restaurar a institucionalidade no âmbito da Suprema Corte e fortalecer a confiança da sociedade no Poder Judiciário.

A medida também milita em favor da harmonia entre os Poderes da República, ao reafirmar e respeitar as competências que a Constituição Federal atribui a cada um deles. Em última análise, contribui para a preservação da paz social e da estabilidade institucional.

A decisão de um ministro reconhecidamente sóbrio e prudente, como Edson Fachin, demonstra ainda o acerto da estratégia processual adotada pela AGU. Ao contrário de narrativas plantadas na imprensa, a Advocacia-Geral da União, desde o primeiro momento, optou pelo diálogo institucional, pela prudência e pelo respeito às prerrogativas constitucionais dos Poderes da República, atuando, como sempre o fez, nos limites das balizas de suas atribuições e em defesa dos interesses da União.

Leia a íntegra da nota do Ministério da Justiça:

O Ministério da Justiça e Segurança Pública renova a mais absoluta confiança nas instituições republicanas que prestigiam a Constituição Federal e as leis do nosso país.

A Polícia Federal continuará contando com o elevado prestígio e a credibilidade conquistados perante a sociedade brasileira, bem como cumprindo suas missões institucionais com dedicação e compromisso, por meio do trabalho de todos os seus integrantes, da direção superior aos servidores mais recentemente incorporados aos seus quadros.

Da mesma forma, o Ministério da Justiça e Segurança Pública reafirma que todas as investigações conduzidas pela Polícia Federal deverão prosseguir com absoluta independência, rigor técnico e estrita observância da lei, alcançando todos os fatos e todos os envolvidos, sem exceções.

A preservação da autonomia investigativa da Polícia Federal constitui garantia indispensável ao Estado Democrático de Direito, e nenhuma circunstância poderá comprometer a continuidade, a profundidade ou a integridade das apurações em curso. Cabe à Polícia Federal investigar, com plena liberdade e responsabilidade, onde quer que os fatos a conduzam, para que a verdade seja integralmente esclarecida e as responsabilidades, quaisquer que sejam, devidamente apuradas.”

Flávio faz campanha onde o pai foi esfaqueado e diz que Dino age para defender Lula

Em visita a Juiz de Fora nesta quarta-feira (9), o candidato do PL à presidência, Flávio Bolsonaro, criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, de reintegrar Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF). Ele cumpre agenda na cidade, onde o pai e ex-presidente Jair Bolsonaro levou uma facada em 2018 durante campanha eleitoral.

Eu não sou parte do processo, mas está todo mundo vendo que o ex-ministro do Lula, que é o Flávio Dino, ele não tem processo para julgar, ele tem causa para defender que é a causa do Lula. O Brasil virou a várzea com o que está acontecendo, perderam qualquer pudor de tomar decisões contra o Supremo, contra a Constituição para se protegerem, né? “, declarou.

Flávio ainda afirmou que as decisões do ministro Flávio Dino são para interferir nas eleições. “Então é obviamente que todas as decisões que são tomadas, ainda mais essa do Flávio Dino da forma que foi, é claro que é para interferir nas eleições. Não adianta a gente estar aqui fazendo a nossa parte, por isso que eu digo que o Brasil hoje está sem comando, o Brasil está sem presidente.”

Até o momento, além do candidato do PL, Lula (PT), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) comentaram a decisão do ministro Flávio Dino.

Crise no STF

Flávio Dino, ministro do STF, determinou nesta quarta (9) a reintegração imediata de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada da Costa à chefia da Diretoria de Inteligência Policial. A liminar suspende a decisão tomada no dia anterior por André Mendonça, que havia afastado preventivamente os dois delegados e interrompido a produção de relatórios de inteligência da PF, após pedido do Partido Novo.

Mendonça justificou os afastamentos afirmando que a cúpula da PF teria realizado monitoramento ilegal e “arapongagem” contra ele e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias. Dino, porém, questionou tanto a legitimidade do Partido Novo para solicitar medidas cautelares em processo penal quanto o alcance da decisão de Mendonça.

Para Flavio Dino, não seria aceitável paralisar a atividade de inteligência da Polícia Federal “como se houvesse um único julgador a envergar a toga do STF”, sobretudo porque isso poderia prejudicar investigações urgentes conduzidas sob a supervisão de outros ministros.

A decisão foi provocada por recurso de Andrei Rodrigues, que alegou que seu afastamento comprometia apurações em andamento, entre elas investigações relacionadas ao filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

Dino também mencionou investigações relevantes, como a do assassinato da vereadora Marielle Franco, para sustentar os riscos da paralisação da inteligência policial. Além de ordenar ao presidente da República o restabelecimento integral dos dois delegados em suas funções, Dino determinou proteção contra novas medidas cautelares decorrentes do cumprimento regular de ordens judiciais.

‘Quem ganha em Minas, ganha no Brasil’, diz Flávio Bolsonaro em Juiz de Fora
Um dia após a pesquisa Quaest mostrar empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) em Minas Gerais num eventual segundo turno das eleições 2026, o candidato da direita mostrou confiança com os votos do eleitorado mineiro.

Em visita a Juiz de Fora nesta quarta-feira (9), cidade onde o pai e ex-presidente Jair Bolsonaro levou uma facada em 2018, Flávio destacou a relevância de Minas Gerais, estado com o segundo maior eleitorado (16,3 milhões) do país.

Tradicionalmente, quem ganha em Minas ganha no Brasil”, disse. Pesquisas encomendadas pela Globo, divulgadas na terça-feira (8), mostram que Flávio Bolsonaro tem 40% das intenções de voto no estado, e Lula tem 37%. A margem de erro é de três pontos percentuais. O nível de confiança é de 95%. Votos brancos, nulos e eleitores que declararam que não vão votar nas eleições somam 15%. Já os indecisos, 8. As pesquisas foram realizadas entre os dias 4 e 7 de setembro.

Flávio Bolsonaro fala sobre as chuvas de fevereiro em Juiz de Fora

Flávio Bolsonaro também falou sobre as propostas para Juiz de Fora após as fortes chuvas que atingiram a cidade em fevereiro deste ano. “Já existe um fundo, e precisa de verdade ser colocado em prática, que tem fonte de receita para queem momentos como esse de tragédia, imediatamente os recursos possam ser liberados para os itens de primeira necessidade.”

Para ele, as cidades precisam ter planos diretores que incluam estruturas para emergências locais para onde possam ir pessoas desalojadas e desabrigadas. “Temos que continuar investindo em tecnologia para prever com mais segurança e previsibilidade chuvas fortes.”

Ele acrescenta que a responsabilidade é compartilhada.”Tem que haver um trabalho, aí municipal também, para retirar pessoas que moram em áreas de alto risco de deslizamento. Vai ser um trabalho conjunto da defesa civil, essa é uma área com certeza tem que ser pensada com a principal palavra que é integração entre municípios, estado, federal. Da minha parte será assim.

Dino diz que decisão de Mendonça se sobrepõe ao procedimento da presidência do STF

O ministro do STF Flávio Dino/Foto: Marina Torres/DP Foto

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que o colega André Mendonça interferiu nas competências de outros ministros da Corte e do plenário ao determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues – ordem que foi revertida em liminar proferida por Dino nesta quarta-feira, 9.

Dino ressaltou que a “interferência” se torna mais “grave” com a revelação de que Mendonça teria recebido o ex-banqueiro Daniel Vorcaro na sede do instituto educacional do magistrado em São Paulo. Vorcaro é investigado em inquérito relatado por Mendonça sobre as fraudes no Banco Master.

Friso que não há aqui qualquer juízo de valor antecipado sobre o que se passou nessa reunião privada, realizada em ambiente particular. Cuida-se, contudo, de situação complexa, que demanda o exercício de virtudes republicanas inerentes à magistratura: moderação, equilíbrio e prudência“, afirmou Dino.

Dino destacou ainda que o presidente do Supremo, Edson Fachin, reconheceu a competência do plenário para analisar tanto a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro quanto a suposta atuação irregular de Mendonça na condução das investigações. Fachin abriu prazo, ainda em curso, para que os dois ministros se manifestem.

A decisão do ministro André Mendonça, portanto, sobrepõe-se ao procedimento instaurado pela Presidência da Corte, no qual Sua Excelência figura como parte. Indaga-se: uma parte pode ser juiz de si mesma e antecipar juízos de valor sobre relatórios da Polícia Federal que expressamente a mencionam?“, questiona o ministro.

O ministro ainda deu razão à carta divulgada na última terça-feira (8) por dez ex-presidentes do STF pedindo que os relatórios da PF que embasaram as decisões controversas dos últimos dias sejam analisados pelo plenário.

Enquanto o Plenário não se manifestar, ressalta Dino, as investigações em curso sobre o repasse de emendas parlamentares para financiar o filme Dark Horse não podem ser “interrompidas em face de caos administrativo imposto externamente à Polícia Federal, com a demissão de todo o seu corpo diretivo”.

E, o que é pior, com a determinação de suspensão de atividades de inteligência da Polícia Federal do Brasil, como se houvesse um único Inquérito e um único julgador a envergar a toga do STF” acrescentou.

Lula: “O povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas”

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)/EVARISTO SA / AFP

Diante da escalada da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) com o afastamento e reintegração ao cargo do diretor-geral Andrei Rodrigues, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se pronunciou nesta quarta-feira (9). Segundo o mandatário, “o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”.

Em postagem nas redes sociais, Lula ressaltou que o país está “diante da gravidade do maior crime financeiro da história”. “Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral”, afirmou.

A divulgação da verdade, como aconteceu na Operação Spoofing, conduzida pelo então ministro Lewandowski, é um exemplo a ser seguido. Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, encerrou na postagem.

Empresários e personalidades lançam manifesto por apuração no STF

O apresentador Luciano Huck, a empresária Luiza Helena Trajano, o ex-presidente do BC (Banco Central) Armínio Fraga e outros 154 cidadãos brasileiros tornaram público, nesta quarta-feira (9), o manifesto “Pela Lei e pelo Brasil”.

O texto é acompanhado de uma petição pública aberta à adesão de qualquer cidadão e tem como objetivo cobrar apuração completa do STF (Supremo Tribunal Federal) diante da crise institucional.

A iniciativa dá continuidade à manifestação tornada pública em 16 de dezembro de 2025, quando um grupo semelhante defendeu a adoção de um código de conduta para a Corte e concluiu com três afirmações: “É oportuno, é necessário e não se pode mais esperar”.

As notícias que vieram a público nos últimos dias não constituem um episódio isolado. São a consequência de um sistema doente, que deixou de aplicar a si mesmo os freios que impõe a todos os demais”, escreveram no manifesto.

A iniciativa pede urgência às instituições para apurar os fatos, uma vez que “estamos a poucas semanas das eleições”. O documento afirma que a situação alcança ministros do Supremo e as cúpulas da Polícia Federal e do Ministério Público, do Congresso Nacional, o núcleo próximo do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) e do atual Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O que já se tornou público em relação à investigação do caso Master indigna os brasileiros e mina a confiança da população na Justiça. Quando se instala a suspeita de que decisões dos sistemas judiciário, policial e de controle possam ser afetadas pela proximidade, interesses ou possam ser objeto de negociação, não é a reputação de um ou outro nome que está em jogo. É a garantia de que a lei vale igualmente para todos.

Diante disso, o conjunto amplo e plural de cidadãos brasileiros subscreveu as seguintes demandas:

  • Apuração completa, célere e independente dos fatos e responsabilidades.
  • Afastamento cautelar de quem for formalmente investigado.
  • Adoção de código de conduta vinculante para as cortes superiores e os órgãos de investigação e acusação.

O documento reúne assinaturas de empresários, representantes da sociedade civil, juristas e acadêmicos, entre eles as economistas Ana Carla Abrão, Ana Paula Vescovi e Elena Landau; o ex-presidente do BC Gustavo Franco; o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega; o compositor Nelson Motta; e o ex-ministro da Casa Civil Pedro Parente.

Veja a lista completa

Aldemir Drummond
Alexandra S. de Vasconcelos Segatin
Aloísio Araújo Álvaro de Souza
Amaury G. Bier
Ana Beatriz Macedo da Costa
Ana Carla Abrão
Ana Couto
Ana Fontes
Ana Maria Diniz
Ana Paula Machado Pessoa
Ana Paula Vescovi
André Lara Resende
Anelise Lara
Antônio Angelo Faragone
Antônio Carlos Pipponzi
Antônio Kandir
Antônio Matias
Arminio Fraga
Betânia Tanure
Candido Botelho Bracher
Carla Schmitzberger
Carolina Etlin
Clarissa Lins
Cláudio Coutinho Mendes
Cláudio L. S. Haddad
Cláudio Manoel
Clóvis Carvalho
Conrado Hübner Mendes
Corrado Varoli
Cristina Pinotti
Daniel Slaviero
Daniella Raimundo
David Zylbersztajn
Denis Mizne
Diego Barreto
Eduardo Bartolomeo
Eduardo de Almeida Pires Filho
Eduardo Mufarej
Eduardo Muylaert
Eduardo Sirotsky Melzer
Eduardo Vassimon
Elena Landau
Eliane Aleixo Lustosa
Eloise Torres Amado
Eugênio Mattar
Fábio C. Barbosa
Fábio Magalhães
Fábio Penteado Rodrigues
Fernando Reinach
Fersen Lambranho
Flávio Martins Rodrigues
Francisco de Costa e Silva
Frederico Trajano
Georges Grego
Gerald Reiss
Grupo “Mulheres do Brasil”
Guilherme Leal
Guilherme Passos
Gustavo Franco
Gustavo Ioschpe
Helena Barros
Hélio Mattar
Hélio Zylberstajn
Henri Philippe Reichstul
Horácio Lafer Piva
Irina Bullara
Jackson Schneider
Jacow Grajew
Jair Ribeiro
Jayme Garfinkel
Jean-Marc Etlin
Jessika Moreira
João Amoêdo
João Fernando G. Oliveira
João Laudo de Camargo
João Roberto Teixeira
Jorge Forbes
José César (Zeca) Martins
José Galló
José Luiz Alquéres
José Luiz Freire
José Márcio Camargo
José Pio Borges
José Roberto Ópice
José Vicente
Levindo O. Coelho Santos
Lourdes Sola
Luciano Huck
Luiz Chrysostomo
Luiza Helena Trajano
Lygia Pereira
Mailson da Nóbrega
Manuel Thedim
Marcello Brito
Marcelo André Lajchter
Marcelo Barbará
Marcelo Costa de Oliveira
Marcelo Kayath
Marcelo Madureira
Marcelo Mesquita
Marcelo P. L. Medeiros
Marcelo Silva
Marcos da Veiga Pereira
Marcos Knobel
Maria Helena Guimarães de Castro
Maria Isabel Bocater
Maria Silvia Bastos Marques
Martus Tavares
Maurício Lafer Chaves
Maurizio Mauro
Mauro Guizelini
Mayana Zatz
Mônica Rennó
Nelson Motta
Nildemar Secches
Oded Grajew
Oscar Ferreira da Silva
Oskar Metsavaht
Patrice Etlin
Paulo Hartung
Paulo Kakinoff
Paulo Niemeyer
Paulo Paiva
Paulo Sérgio Galvão
Pedro Bueno Pedro de Camargo Neto
Pedro Luiz Barreiros Passos
Pedro Parente
Pedro Wongtschowski
Persio Arida
Raul Cutait
Raul Trejos
Regina Esteves
Renato Fragelli Cardoso
Renato Klarnet
Ricardo Piquet
Ricardo Steinbruch
Roberto Castello Branco
Roberto Luiz Leme Klabin
Rodrigo Galindo
Sérgio Mindlin
Sérgio Ribeiro da Costa Werlang
Sílvio Meira
Sônia Hess
Tanit Galdeano
Teresa R. Bracher
Teresa Vendramini
Tomás da Veiga Pereira
Verena Alves Peixoto
Verônica Rezende Coelho
Vicky Bloch
Vinícius Carrasco
Walter Schalka
Wanda Engel
Wilson Ferreira Junior
Wolff Klabin

Leia carta na íntegra

PELA LEI E PELO BRASIL
Manifesto pela integridade das instituições e dos 3 Poderes

Em dezembro de 2025, uma manifestação que recebeu amplo apoio da sociedade, exigia urgência na adoção de um Código de Conduta para o STF e concluía com três afirmações: é oportuno, é necessário e não se pode mais esperar.

As notícias que vieram a público nos últimos dias não constituem um episódio isolado. São a consequência de um sistema doente, que deixou de aplicar a si mesmo os freios que impõe a todos os demais.

As menções alcançam ministros do Supremo, as cúpulas da Polícia Federal e do Ministério Público, do Congresso Nacional, o núcleo próximo do ex-Presidente da República e do atual — os dois polos que disputam o poder. Cabe às instituições, com urgência, apurar os fatos e responsabilidades, com todas as garantias do devido processo.

O que já se tornou público em relação à investigação do caso Master, indigna os brasileiros e mina a confiança da população na Justiça. Quando se instala a suspeita de que decisões dos sistemas judiciário, policial e de controle possam ser afetadas pela proximidade, interesses ou possam ser objeto de negociação, não é a reputação de um ou outro nome que está em jogo. É a garantia de que a lei vale igualmente para todos.

Por isso subscrevemos as demandas abaixo, dirigidas às instituições:

Apuração completa, célere e independente dos fatos e responsabilidades.
Afastamento cautelar de quem for formalmente investigado.
Adoção de código de conduta vinculante para as cortes superiores e os órgãos de investigação e acusação.

Estamos a poucas semanas das eleições presidencial, legislativa e do executivo estadual.

Não assinamos contra pessoas.

Assinamos em favor das instituições, em favor do Brasil e da regra de ouro que sustenta uma república e a democracia: ninguém pode estar acima da lei.

Brasil, setembro de 2026″

Mendonça diz ter sido alvo de “monitoramento ilegal” da PF

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta terça-feira (8) ter sido alvo de “monitoramento sistemático” e ilegal pela inteligência da Polícia Federal durante cerca de um mês. A acusação consta da decisão em que Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada.

Segundo o ministro, a PF produziu ao menos seis relatórios de inteligência entre os dias 3 e 31 de agosto deste ano com análises sobre sua atuação à frente das investigações dos casos Banco Master e fraudes no INSS.

Ao menos há mais de 30 dias este relator tem sido monitorado pela Polícia Federal. Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação”, escreveu Mendonça.

O que Mendonça chama de monitoramento

Os documentos não descrevem, por exemplo, interceptações telefônicas ou vigilância física do ministro. O que Mendonça chama de “monitoramento” é a produção de relatórios que analisavam suas decisões judiciais, a relação dele com outras autoridades e possíveis motivações políticas para atos praticados no exercício do cargo.

Como já mostrou a CNN, os textos também examinavam o tempo gasto pelo ministro para decidir pedidos da PF, os critérios usados nas investigações e sua relação com integrantes do Supremo e atores políticos.

Um dos documentos, por exemplo, analisou a relação de Mendonça com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e levantou hipóteses para explicar decisões tomadas pela AGU em processos relatados pelo ministro.

Outro trecho tratava de uma possível estratégia de “recomposição de forças” dentro do Supremo e fazia inferências sobre as motivações de Mendonça. O próprio relatório, porém, classificava parte dessa cadeia de raciocínio como de baixa confiança.

Para Mendonça, a confirmação de que houve monitoramento está também em um trecho de um dos relatórios que afirma que determinada hipótese não autorizaria uma manifestação institucional ou providência formal, mas permitiria “monitoramento e coleta dirigida”.

“Se evidencia a efetiva realização de MONITORAMENTO e COLETA DIRIGIDA sobre a pessoa deste Ministro do Supremo Tribunal Federal e sobre a pessoa do Advogado-Geral da União”, afirmou.

Relatórios não tinham valor probatório

Mendonça também questionou a validade dos documentos. Na decisão, classificou os relatórios como apócrifos, por não apresentarem elementos como identificação clara de autoria e data de produção, e afirmou haver problemas técnicos na forma como foram elaborados.

Os próprios documentos registram que são materiais de trabalho “sem valor probatório”. Também afirmam que não imputam infrações a magistrados ou outras autoridades, não constituem representação e não substituem uma peça processual própria.

Mendonça sustenta, por isso, que o material não poderia ter sido usado para fundamentar acusações criminais contra ele.

Como os documentos chegaram a Moraes

Os relatórios vieram a público na semana passada.

Depois de Mendonça retirar, em 1º de setembro, o sigilo de documentos da investigação do Banco Master com informações sobre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, o ministro tornou públicos relatórios de inteligência da PF sobre o colega e os utilizou para apontar “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero.

Mendonça afirma, porém, que Moraes já sabia da existência dos relatórios antes de recebê-los formalmente.

Isso significa que, ademais da produção ilícita dos ‘documentos’, foi dada ciência das suas existências a outro Ministro para que este subscritor fosse incluído no Inquérito das Fake News”, escreveu.

A decisão de hoje, porém, não afirma que Moraes tenha determinado a produção dos relatórios nem que tenha participado do suposto monitoramento.

Relatórios são diferentes do documento sobre Vorcaro

Os seis relatórios questionados por Mendonça não são o mesmo documento da PF que analisou o celular de Daniel Vorcaro.

O relatório sobre o ex-banqueiro tem 218 páginas e foi entregue a Mendonça depois que o ministro determinou à PF que identificasse integrantes de uma suposta rede de influência e monitoramento atribuída ao fundador do Banco Master.

Esse documento reúne mensagens, registros de chamadas, arquivos e contratos extraídos do celular de Vorcaro e traz referências a Moraes, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao próprio Andrei Rodrigues. Já os seis relatórios de inteligência questionados agora analisavam a atuação de Mendonça e de outras autoridades.

Afastamentos na PF

Diante do que chamou de gravidade dos fatos, Mendonça determinou nesta terça o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do comando da PF e de Leandro Almada da Costa da Diretoria de Inteligência Policial.

O ministro afirmou haver, em análise preliminar, indícios de omissão, participação ou conhecimento sobre a elaboração dos relatórios por integrantes da cúpula responsável pela área de inteligência da corporação.

Segundo Mendonça, a permanência dos dois nos cargos poderia permitir acesso antecipado a diligências, influência sobre pessoas chamadas a depor ou interferência na coleta e preservação de provas.

O ministro também mandou a Corregedoria da PF abrir procedimentos de natureza penal e administrativo-disciplinar.

A investigação deverá esclarecer quem determinou a produção dos relatórios, quem os elaborou, quando e em quais circunstâncias foram produzidos e se existem outros documentos com a mesma finalidade.

Mendonça ainda suspendeu a produção e o compartilhamento, mesmo internamente, de relatórios de inteligência destinados a analisar atos praticados por magistrados, integrantes da advocacia pública e policiais no exercício de suas funções.

A decisão foi submetida à Segunda Turma do STF para referendo em sessão virtual extraordinária nesta terça-feira. Em poucos minutos, formou-se maioria pelo afastamento temporário, mas um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes suspendeu a conclusão do julgamento. O decano defendeu que a medida contra Andrei Rodrigues seja analisada pelo plenário do STF.

OABs e entidades cobram “discussão livre, pública e presencial” para crise

A OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil seccional de São Paulo) e outras entidades lançaram o manifesto “Em Defesa da Justiça e pela Reforma do Judiciário”.

O documento pede a “apuração transparente” dos episódios recentes envolvendo a crise no STF (Supremo Tribunal Federal) e reforça a urgência de reforma do Judiciário para preservar a confiança da população no sistema de Justiça e fortalecimento das instituições.

Segundo o presidente da OAB-SP Leonardo Sica, “a defesa da Justiça não pode significar a defesa de tudo o que existe hoje no sistema de Justiça”.

Defender as instituições, inclusive o Supremo Tribunal Federal, é ter a coragem de discutir seus problemas e propor mudanças que ampliem a transparência, o equilíbrio e a confiança da sociedade. Instituições fortes não são instituições intocáveis; são instituições capazes de se aperfeiçoar”, prosseguiu.

A crise no Supremo se intensificou na última semana após o ministro André Mendonça quebrar sigilo de um relatório da PF (Polícia Federal) que continha troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

O relatório foi formulado a partir de dados obtidos do celular de Vorcaro. Conversas divulgadas entre o ministro e o ex-banqueiro mostram suposta proximidade entre eles. Em uma delas, Vorcaro chegou a questionar Moraes se deveria sair do país às vésperas de ser preso. A investigação ainda mapeou ao menos seis encontros entre eles.

Após a divulgação do documento, Moraes acusou Mendonça, por meio do inquérito das Fake News, de improbidade administrativa e abuso de autoridade durante a relatoria do caso Master. O ministro ainda pediu ao presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, a abertura de uma ação contra o colega.

Em pronunciamento, Fachin declarou que a resposta institucional à crise da Corte será “firme, proporcional e rigorosa” e deu um prazo de cinco dias para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, se manifestem sobre a crise envolvendo o caso Master.

Não haverá precipitação, mas tampouco omissão. A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa”, disse Fachin, que ainda defendeu a adoção de um código de ética dentro do tribunal e o fim do inquérito das Fake News.

Veja a íntegra do documento da OAB:

EM DEFESA DA JUSTIÇA E PELA REFORMA DO JUDICIÁRIO

“Nossa República enfrenta um teste inédito de integridade. As sucessivas crises que ocorrem em Brasília, em especial no Supremo Tribunal Federal, colocam em risco as instituições.

Os episódios recentes podem lançar o Brasil num momento de especial gravidade, pois a confiança da população na Justiça é alicerce da democracia.

A convivência social pacífica depende da certeza de que as instituições judiciais atuam de forma imparcial, ética e equilibrada.

Neste momento crítico não há espaço para soluções obscuras, casuísticas ou revanchistas: cabe ao Plenário do Supremo Tribunal Federal, em discussão livre, pública e presencial, examinar as suspeitas e acusações existentes. Autoridades suspeitas, acusadas ou diretamente interessadas devem ser afastadas desse processo decisório, com ampla oportunidade de esclarecer os fatos à luz do devido processo legal.

A democracia exige transparência e procedimentos públicos imunes a parcialidade e ao favorecimento.

Mas a resposta à crise não pode se limitar aos episódios atuais. Para fortalecer nossa Justiça e proteger o STF, precisamos discutir uma ampla reforma do Judiciário: Código de Conduta, a ampliação das hipóteses de impedimento e suspeição, mandato para os Ministros do STF, redução da competência criminal dos Tribunais Superiores, limitação dos julgamentos virtuais e das decisões monocráticas, entre outras medidas necessárias.

Fortalecer o Supremo significa preservar sua autoridade por meio da transparência e da confiança pública. É disso que o Brasil precisa agora.”

Veja as entidades signatárias:

Ordem dos Advogados do Brasil Seção São Paulo (OAB SP)
Ordem dos Advogados do Brasil Seção Rio de Janeiro (OAB RJ)
Ordem dos Advogados do Brasil Seção Paraná (OAB PR)
União Nacional dos Estudantes (UNE)
Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD)
Comissão Arns
Transparência Brasil
Educafro
Associação dos Advogados de São Paulo (AASP)
Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP)
Sindicato das Sociedades de Advogados de São Paulo e Rio de Janeiro (SINSA)
Movimento de Defesa da Advocacia (MDA)
Federação Nacional dos Institutos dos Advogados do Brasil (FENIA)
Centro de Estudos das Sociedades de Advogados (CESA)
Movimento Ninguém Acima da Lei
Associação Brasileira de Direito Financeiro (ABDF)
Academia Brasileira de Educação
Academia Carioca de Letras
Centro Acadêmico XVI de Abril – Direito PUC-Campinas
Centro Acadêmico João Mendes Júnior – Mackenzie
Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT)
Centro Acadêmico 22 de Agosto – PUC-SP
Associação Comercial de São Paulo (ACSP)
Confederação Nacional de Serviços (CNS)
Sindicato do Comércio Varejista de Autopeças do Estado de São Paulo (Sincopeças-SP)
Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB)

Justiça brasileira não faltará à legalidade constitucional, diz Fachin

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, afirmou nesta terça-feira (8) que a Justiça brasileira “não faltará à legalidade constitucional” nem aos deveres previstos na Constituição.

A declaração foi feita no encerramento do encontro Diálogos entre o CNJ e o Colégio de Corregedores e Corregedoras da Justiça do Brasil, realizado na sede do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), em Brasília. O evento reuniu representantes das corregedorias de tribunais de todo o país.

Os dias de hoje reclamam esse diálogo permanente, reclamam que tenhamos uma resposta à altura dos desafios”, disse Fachin.

Eu estou plenamente convencido de que o Poder Judiciário brasileiro está à altura dos desafios que se lhe apresentam no momento contemporâneo, e a Justiça brasileira não faltará à legalidade constitucional, por certo, e aos seus deveres que decorrem da própria Constituição”, acrescentou.

A manifestação ocorre em meio ao agravamento da crise no Supremo envolvendo os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes e os desdobramentos das investigações sobre o Banco Master.

Nesta terça, Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa.

Ministro das Relações Institucionais diz que decisão de Mendonça sobre Andrei é “descabida”

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, foi um dos primeiros integrantes da equipe ministerial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a se manifestar diretamente contra o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Para Guimarães, a decisão “é descabida” é “cheira como eleitoral”, já que pode desgastar o governo.

Ninguém está acima da lei. Com base nessa referência, a decisão do ministro André Mendonça, no que tange o pedido de afastamento do diretor geral da Polícia Federal, é descabida e uma intromissão onde não lhe cabe“, disse o ministro nesta terça-feira, 8.

Apurar eventuais indícios de delitos está correto. Mas essa medida me cheira como eleitoral. Isso não pode. O STF precisa tomar providências“, cobrou Guimarães.

Nesta terça, Mendonça ordenou que a Polícia Federal, por meio de sua Corregedoria, abra procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar para apurar os “graves fatos identificados” na produção de relatórios de inteligência. O ministro também determinou o afastamento do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa.

Em seguida, em votação relâmpago, a Segunda Turma do Supremo referendou o afastamento de Andrei e Almada em menos de dez minutos. O decano da Corte, Gilmar Mendes, pediu vista com 11 segundos de apreciação no plenário virtual. Nunes Marques e Luiz Fux anteciparam seus votos e acompanharam integralmente André Mendonça.

A Advocacia-Geral da União (AGU) vai recorrer ainda nesta terça-feira da decisão. Segundo apurou o Estadão/Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o órgão vai argumentar que a ordem monocrática do ministro viola a competência privativa do presidente da República para nomear o diretor-geral da PF.

Fachin recebe Messias e ministro da Justiça após afastamento de Andrei

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, se reúne na tarde desta terça-feira (8) com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva.

O encontro se dá após o ministro André Mendonça, do STF, determinar o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A CNN apurou que a AGU pretende recorrer da decisão de Mendonça e ainda está decidindo qual será a estratégia jurídica mais adequada. Segundo fontes do PT, o governo avalia alegar violação da competência da Presidência da República.

Próximo de André Mendonça e também alvo dos relatórios elaborados pela PF, Messias se encontra em uma situação delicada para tentar defender a autonomia do governo Lula.

Mendonça determinou nesta terça (8) o afastamento preventivo de Andrei e do delegado Leandro Almada, então diretor de Inteligência Policial da PF.

A decisão ocorre após o ministro Alexandre de Moraes ter utilizado relatórios de inteligência da Polícia Federal para apontar possíveis crimes de abuso de autoridade atribuídos a Mendonça na condução da relatoria do Banco Master e das fraudes do INSS.

Segundo Mendonça, os relatórios revelam um “monitoramento sistemático e ilegal”, realizado por mais de 30 dias, sobre sua atuação e a de outras autoridades, como prórpio Jorge Messias.

A decisão aponta ainda que os relatórios teriam exposto a Moraes e a terceiros detalhes de processos que tramitavam sob segredo de Justiça.

O ministro Edson Fachin ainda não se manifestou publicamente sobre a situação.

Em carta a Fachin, ministros aposentados pedem apuração de ‘gravíssimos fatos’ no STF

Ministro Fachin afirmou que os penduricalhos são uma

Treze ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo a ex-presidente do plenário Rosa Weber, enviaram uma carta ao atual presidente da Corte, Edson Fachin, nesta segunda-feira (7). No documento, divulgado no Dia da Independência do Brasil, os juristas afirmam que o tribunal enfrenta a “mais aguda crise de sua história” e pedem uma “rigorosa apuração” dos fatos, sugerindo a convocação de uma sessão pública para debater as suspeitas que envolvem integrantes do STF.

“Os ministros aposentados e ex-presidentes, abaixo-assinados, vêm manifestar plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza de Vossa Excelência na condução dessa Suprema Corte, na mais aguda crise de sua história”, diz um trecho do documento, publicado pelo jornal O Globo.

Os ex-integrantes do tribunal expressaram “absoluta convicção” de que Fachin convocará uma sessão pública para que a Corte determine uma “imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal“.

Leia a íntegra da carta

A S. Exª o Ministro Edson Fachin,

Presidente do Supremo Tribunal Federal.

Sr. Ministro Presidente, Os ministros aposentados e ex-presidentes, abaixo assinados, vêm manifestar plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza de V. Exª na condução dessa Suprema Corte, na mais aguda crise de sua história, e a absoluta convicção de que V. Exª designará, com toda a urgência, sessão pública para que o Pleno determine imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse Tribunal, a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas.

Confira os ex-ministros que assinaram o documento:

Rosa Weber
Nelson Jobim
Ellen Gracie
Cezar Peluso
Ayres Britto
Joaquim Barbosa
Eros Grau
Néri da Silveira
Francisco Rezek
Sydney Sanches
Celso de Mello
Carlos Velloso
Ilmar Galvão

Resposta institucional à crise no STF será proporcional e rigorosa, diz Fachin

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, disse na última sexta-feira (4), que os fatos da crise deflagrada entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes na última semana estão sendo apurados. Segundo ele, “não haverá precipitação, mas tampouco omissão”. O ministro destacou ainda que a resposta da Corte “será firme, proporcional e rigorosa”.

Faremos o que é certo, no tempo e pela forma que a ordem jurídica exige. Instituições precisam ser preservadas, sobretudo nos momentos de maior tensão“, destacou, em discurso feito no Palácio do Planalto em cerimônia de sanção de medidas relacionadas a fundos do sistema de Justiça. O evento tem também a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nenhuma autoridade está acima da Constituição Federal. Nenhum Poder está acima da lei e nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado democrático de direito. A gravidade dos fatos não autoriza atalhos. Ao contrário, quanto maior o desafio, maior deve ser compromisso com a legalidade, o devido processo e as garantias constitucionais“, afirmou.

Ele ainda ressaltou que os acontecimentos recentes demonstram o “acerto e a urgência” das metas da sua gestão: a adoção de um código de ética, o fim do inquérito das fake news e a modernização do sistema de Justiça.

Lula, Alcolumbre e Fachin mostram descontração durante desfile do 7/9

O tradicional desfile de 7 de Setembro em Brasília ficou marcado por conversas “ao pé do ouvido” entre autoridades dos Três Poderes, em meio à crise no STF (Supremo Tribunal Federal).

Lula e Alcolumbre conversaram em tom descontraído uma série de vezes ao longo da cerimônia. Logo após o mandatário autorizar o início do desfile, por exemplo, falaram “ao pé do ouvido” e trocaram risadas.

Apesar disso, durante parte da cerimônia, a plateia presente gritou em favor da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da escala 6×1 no Senado Federal. O texto foi aprovado na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania), mas ainda precisa passar pelo plenário.

Uma das presenças mais marcantes da cerimônia foi a de Edson Fachin, presidente do STF — que tenta tomar as rédeas de crise que atinge a instituição. Todos os ministros da Corte foram convidados, mas ele foi o único presente.

Fachin circulou na tribuna de honra, trocou palavras rapidamente com Alcolumbre e conversou também com o advogado-geral da União, Jorge Messias.

Messias, que vem sendo cobrado pela PF (Polícia Federal) após não atender pedidos da corporação no âmbito do caso Master, também conversou “ao pé do ouvido” com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva.

A reunião de autoridades acontece enquanto o STF é palco de uma disputa entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Lula atuou pelas presenças de Alcolumbre e Fachin por uma demonstração de alinhamento institucional.

A cerimônia institucional teve, além da tradicional apresentação das Forças Armadas, um desfile em três eixos: soberania nacional, proteção à mulheres e Copa do Mundo Feminina. Parte dos temas abordados são também bandeiras do presidente Lula em sua campanha à reeleição, contudo.

Confira abaixo a lista de presentes

Chefia de Poderes
Vice-Presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB);
Presidente do Congresso Nacional e do Senado Federal, Senador Davi Alcolumbre (União-AP);
Presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Federal Hugo Motta (Republicanos-PB);
Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Edson Fachin.
Ministras e Ministros de Estado
Casa Civil da Presidência da República, Miriam Belchior;
Defesa, José Mucio Monteiro;
Relações Exteriores, substituta, Embaixadora Maria Laura;
Fazenda, Dario Durigan;
Transportes, George Santoro;
Portos e Aeroportos, Tomé Franca;
Educação, Leonardo Barchini;
Trabalho e Emprego, Luiz Marinho;
Previdência Social, Wolney Queiroz;
Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias;
Saúde, Alexandre Padilha;
Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa;
Empreendedorismo, Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Pereira;
Minas e Energia, Alexandre Silveira;
Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck;
Comunicações, Frederico de Siqueira Filho;
Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos;
Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco;
Esporte, Paulo Henrique Cordeiro;
Turismo, Gustavo Feliciano;
Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiavelli;
Cidades, Vladimir Lima;
Pesca e Aquicultura substituto, Lázaro Medeiros;
Mulheres, Márcia Helena Lopes;
Igualdade Racial, Rachel Barros;
Povos Indígenas, Luiz Henrique Eloy;
Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, General Marcos Amaro;
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Sidônio Palmeira;
Advocacia-Geral da União, Jorge Messias.
Outras autoridades
Diretor-Geral da Polícia Rodoviária Federal, Antônio Fernando Souza;
Diretor-Geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues;
Presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros;
Presidente da Caixa, Carlos Vieira.

Lula: não quero depender da China e dos EUA, queremos inteligência artificial em português

Lula defende maior autonomia tecnológica do Brasil e investimentos em inteligência artificial/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou neste sábado, 5, que o Brasil não quer depender da China ou dos Estados Unidos no desenvolvimento de inteligência artificial e defendeu uma tecnologia produzida em português.

Durante comício em São José do Rio Preto (SP), Lula também destacou o uso do gov.br e afirmou que 178 milhões de pessoas se conectam ao governo pela plataforma.

O petista vinculou esse avanço à estratégia de ampliar a infraestrutura tecnológica no País. Segundo ele, a aprovação do Redata pelo Senado abre possibilidade de atrair R$ 500 bilhões em investimentos para data centers no Brasil.

Quem vier produzir aqui data center vai ter que produzir sua própria energia“, afirmou. Ele disse ainda que o objetivo é aproveitar a disponibilidade de energia barata no País para atrair novos projetos e ampliar a capacidade tecnológica brasileira.

‘Pensar o futuro é aumentar o salário mínimo acima da inflação’

Lula também afirmou neste sábado que “pensar o futuro” passa por aumentar o salário mínimo acima da inflação e rebateu críticas do adversário Flávio Bolsonaro sobre o custo de vida no País.

Pensar no futuro é acabar com a fila do INSS. Pensar no futuro é ter o menor índice de desemprego na história desse país“, complementou Lula durante comício em São José do Rio Preto (SP).

O petista afirmou que a inflação de alimentos foi de 56,17% nos quatro anos do governo anterior, ante 13,6% durante os quatro anos de sua gestão.

O IPCA, índice oficial de inflação do País, acumulava alta de 4 64% em 12 meses até junho de 2026. No mês, o grupo Alimentação e Bebidas recuou 0,24%, segundo o IBGE.

Lula também afirmou que não pretende entrar em uma disputa eleitoral baseada apenas em acusações. “Se a gente for entrar na briga política das mentiras, ficar acusando, a gente vai se igualar a eles“, disse.

As declarações ocorreram durante comício, ao lado do candidato a governador de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, e das candidatas ao Senado Federal pela chapa governista, Marina Silva e Simone Tebet.

Após o ato, Lula realiza uma visita ao campus da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) no município. Mais cedo, o candidato esteve no Hospital de Amor de Barretos (SP). No fim da tarde, o petista volta a Brasília.