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Lula, Alcolumbre e Fachin mostram descontração durante desfile do 7/9

O tradicional desfile de 7 de Setembro em Brasília ficou marcado por conversas “ao pé do ouvido” entre autoridades dos Três Poderes, em meio à crise no STF (Supremo Tribunal Federal).

Lula e Alcolumbre conversaram em tom descontraído uma série de vezes ao longo da cerimônia. Logo após o mandatário autorizar o início do desfile, por exemplo, falaram “ao pé do ouvido” e trocaram risadas.

Apesar disso, durante parte da cerimônia, a plateia presente gritou em favor da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do fim da escala 6×1 no Senado Federal. O texto foi aprovado na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania), mas ainda precisa passar pelo plenário.

Uma das presenças mais marcantes da cerimônia foi a de Edson Fachin, presidente do STF — que tenta tomar as rédeas de crise que atinge a instituição. Todos os ministros da Corte foram convidados, mas ele foi o único presente.

Fachin circulou na tribuna de honra, trocou palavras rapidamente com Alcolumbre e conversou também com o advogado-geral da União, Jorge Messias.

Messias, que vem sendo cobrado pela PF (Polícia Federal) após não atender pedidos da corporação no âmbito do caso Master, também conversou “ao pé do ouvido” com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva.

A reunião de autoridades acontece enquanto o STF é palco de uma disputa entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Lula atuou pelas presenças de Alcolumbre e Fachin por uma demonstração de alinhamento institucional.

A cerimônia institucional teve, além da tradicional apresentação das Forças Armadas, um desfile em três eixos: soberania nacional, proteção à mulheres e Copa do Mundo Feminina. Parte dos temas abordados são também bandeiras do presidente Lula em sua campanha à reeleição, contudo.

Confira abaixo a lista de presentes

Chefia de Poderes
Vice-Presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB);
Presidente do Congresso Nacional e do Senado Federal, Senador Davi Alcolumbre (União-AP);
Presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Federal Hugo Motta (Republicanos-PB);
Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Edson Fachin.
Ministras e Ministros de Estado
Casa Civil da Presidência da República, Miriam Belchior;
Defesa, José Mucio Monteiro;
Relações Exteriores, substituta, Embaixadora Maria Laura;
Fazenda, Dario Durigan;
Transportes, George Santoro;
Portos e Aeroportos, Tomé Franca;
Educação, Leonardo Barchini;
Trabalho e Emprego, Luiz Marinho;
Previdência Social, Wolney Queiroz;
Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias;
Saúde, Alexandre Padilha;
Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa;
Empreendedorismo, Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Pereira;
Minas e Energia, Alexandre Silveira;
Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck;
Comunicações, Frederico de Siqueira Filho;
Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos;
Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco;
Esporte, Paulo Henrique Cordeiro;
Turismo, Gustavo Feliciano;
Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiavelli;
Cidades, Vladimir Lima;
Pesca e Aquicultura substituto, Lázaro Medeiros;
Mulheres, Márcia Helena Lopes;
Igualdade Racial, Rachel Barros;
Povos Indígenas, Luiz Henrique Eloy;
Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, General Marcos Amaro;
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Sidônio Palmeira;
Advocacia-Geral da União, Jorge Messias.
Outras autoridades
Diretor-Geral da Polícia Rodoviária Federal, Antônio Fernando Souza;
Diretor-Geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues;
Presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros;
Presidente da Caixa, Carlos Vieira.

Lula: não quero depender da China e dos EUA, queremos inteligência artificial em português

Lula defende maior autonomia tecnológica do Brasil e investimentos em inteligência artificial/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou neste sábado, 5, que o Brasil não quer depender da China ou dos Estados Unidos no desenvolvimento de inteligência artificial e defendeu uma tecnologia produzida em português.

Durante comício em São José do Rio Preto (SP), Lula também destacou o uso do gov.br e afirmou que 178 milhões de pessoas se conectam ao governo pela plataforma.

O petista vinculou esse avanço à estratégia de ampliar a infraestrutura tecnológica no País. Segundo ele, a aprovação do Redata pelo Senado abre possibilidade de atrair R$ 500 bilhões em investimentos para data centers no Brasil.

Quem vier produzir aqui data center vai ter que produzir sua própria energia“, afirmou. Ele disse ainda que o objetivo é aproveitar a disponibilidade de energia barata no País para atrair novos projetos e ampliar a capacidade tecnológica brasileira.

‘Pensar o futuro é aumentar o salário mínimo acima da inflação’

Lula também afirmou neste sábado que “pensar o futuro” passa por aumentar o salário mínimo acima da inflação e rebateu críticas do adversário Flávio Bolsonaro sobre o custo de vida no País.

Pensar no futuro é acabar com a fila do INSS. Pensar no futuro é ter o menor índice de desemprego na história desse país“, complementou Lula durante comício em São José do Rio Preto (SP).

O petista afirmou que a inflação de alimentos foi de 56,17% nos quatro anos do governo anterior, ante 13,6% durante os quatro anos de sua gestão.

O IPCA, índice oficial de inflação do País, acumulava alta de 4 64% em 12 meses até junho de 2026. No mês, o grupo Alimentação e Bebidas recuou 0,24%, segundo o IBGE.

Lula também afirmou que não pretende entrar em uma disputa eleitoral baseada apenas em acusações. “Se a gente for entrar na briga política das mentiras, ficar acusando, a gente vai se igualar a eles“, disse.

As declarações ocorreram durante comício, ao lado do candidato a governador de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, e das candidatas ao Senado Federal pela chapa governista, Marina Silva e Simone Tebet.

Após o ato, Lula realiza uma visita ao campus da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) no município. Mais cedo, o candidato esteve no Hospital de Amor de Barretos (SP). No fim da tarde, o petista volta a Brasília.

Em busca de pena menor, Vorcaro avalia confessar crimes se delação não sair

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro avalia a possibilidade de confessar seus crimes caso não prospere a terceira tentativa de colaboração premiada.

A delação segue como prioridade da defesa porque garante acertar previamente quais serão as obrigações e os benefícios do investigado.

Entretanto, após duas tentativas frustradas de acordo, há certo desânimo por parte do ex-dono do Banco Master e de seus advogados, segundo relatos feitos à CNN.

Eles avaliam que as cúpulas da Polícia Federal e da PGR (Procuradoria Geral da República) não demonstram disposição de fechar acordo com Vorcaro.

Nesse cenário, ele cogita a possibilidade de confessar seus crimes, no curso das investigações ou do processo penal, ao relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), ministro André Mendonça.

Dessa forma, ele seria julgado, condenado, mas obteria o benefício do atenuante da pena.

Mesmo sendo menos favorável, Vorcaro avalia que a essa altura não tem “mais nada a perder”, conforme disse a interlocutores.

O ex-banqueiro está preso há mais de seis meses. O pai dele, Henrique Vorcaro, também está preso preventivamente há quase quatro meses.

Conforme noticiou o analista Elijonas Maia, o ex-dono do Master disse que tem “passado um terror” desde que o banco foi liquidado, em novembro do ano passado, mesma época em que foi preso preventivamente pela primeira vez.

“Eu tenho passado um terror, passado por algo desumano, mas ainda tenho esperança e confiança que a verdade ainda vai aparecer”, disse à PF (Polícia Federal) na última sexta-feira (28). O vídeo da oitiva foi obtido pela CNN.

Vorcaro detalhou a situação financeira do Master e disse que estava “resolvendo” essa questão. Ele afirmou ter apresentado “várias soluções”, mas foi surpreendido.

Fachin busca consenso para mudar relatorias de Banco Master e INSS

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, busca um consenso interno para alterar as relatorias dos inquéritos do Banco Master e do INSS como saída para a crise institucional.

Para isso, o magistrado busca criar um movimento na Suprema Corte para convencer o ministro André Mendonça a abrir mão das relatorias, como Dias Toffoli fez sobre o Banco Master.

A ideia é que o próprio Fachin assumisse a relatoria dos dois inquéritos para evitar uma nova crise institucional em um eventual sorteio.

Em outra frente, Fachin também pretende encerrar o inquérito das Fake News. Como a investigação foi instaurada pela presidência da Suprema Corte, ele teria competência para determinar seu encerramento.

As trocas nas relatorias dependeriam ainda de respaldo do plenário. E, neste momento, Mendonça resiste a abrir mão da relatoria das investigações.

Segundo relatos feitos à CNN, Fachin sondou colegas sobre essa possibilidade e nenhum dos dois grupos, nem o mais ligado a Moraes nem o mais próximo de Mendonça, considerou positiva a promoção dessas mudanças.

No entanto, a avaliação feita por Fachin, segundo fontes ouvidas pela CNN, é de que ambos os lados vão ter que ceder na construção de uma saída para a crise institucional.

E a retirada dos poderes dos dois oponentes poderia não ser a solução ideal, mas a possível diante de um tribunal rachado.

O presidente do STF também trabalha para que, caso se forme uma maioria por investigação contra um dos dois ministros, seja ele próprio o responsável por conduzir as apurações.

A retirada de Mendonça das relatorias do Banco Master e do INSs contemplaria o pleito do grupo de Moraes, que avalia que o ministro perdeu as condições de se manter à frente do caso.

Ao mesmo tempo, a leitura é de que o fim do inquérito das Fake News poderia ser positiva para a imagem publica da Suprema Corte.

Assim, aumentaria a chance de uma solução acordada para o impasse e cresceria a chance de não ser aberto inquérito contra nenhum dos dois ministros.

Sob crise no STF, Mendonça agradece apoio de fieis de igreja onde é pastor

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça agradeceu o apoio dos fiéis da igreja onde é pastor em meio à crise que enfrenta na Corte.

“Meus irmãos e minhas irmãs, minha palavra se dirige a vocês essencialmente para agradecer tantas mensagens de oração e de carinho. Estejam certos que suas preces a Deus têm sido fundamentais para me sustentar e sustentar a minha família”, disse o ministro, que atua como pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana de Pinheiros.

“Eu louvo a Deus por sua vida, grato pela generosidade e solidariedade que tenho recebido. Que Deus os abençoe e que Deus abençoe o nosso país”, prosseguiu.

Nesta semana, Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF (Polícia Federal) contendo mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Os textos indicam que Vorcaro pedia ao magistrado que atuasse com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter o avanço das investigações sobre o banco.

Posteriormente, Moraes reagiu e usou o chamado inquérito das Fake News para acusar Mendonça de crimes. O magistrado também pede ao presidente da Corte, Edson Fachin, que abra ação contra o colega.

Moraes enumera suspeitas contra Mendonça por usurpação da direção das investigações, condução irregular das tratativas de delação premiada e direcionamento de investigação contra o magistrado.

As suspeitas têm como base relatórios de inteligência da Polícia Federal sobre a atuação de Mendonça nas operações Sem Desconto, que investiga fraudes relacionadas ao INSS, e Compliance Zero, ligada ao Banco Master.

Nesta sexta-feira (4), Fachin determinou que as apurações sobre Mendonça, pedidas por Moraes, saiam do inquérito das fake news e sejam incluídas em outro procedimento de sua relatoria.

O chefe da Corte reuniu no mesmo processo as acusações de ambos os lados, ou seja, estão nos autos da mesma ação as decisões de Mendonça contra Moraes.

Diferentemente dos inquéritos das Fake News e do Banco Master, onde estão os relatórios dos dois lados, esse novo proceso sob relatoria de Fachin não está sob sigilo.

Vorcaro reconhece “erros” no processo do Master e diz à PF querer delação

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master, afirmou em depoimento à Polícia Federal que houveram “diversos erros” no desenrolar do Caso Master, e disse querer abordá-los “de maneira ampla” em delação. A fala foi feita na última sexta-feira (28), de dentro da Papudinha, no âmbito da investigação que apura pagamento de propina de Vorcaro aos então diretores de fiscalização e supervisão bancária do BC (Banco Central).

Houveram diversos erros, inclusive eu estava disposto a abrir de maneira ampla eles dentro de um processo de colaboração que eu pretendia fazer e que acabou não sendo aceito aí pela casa da Polícia Federal, mas essa questão específica do Banco BRB, essa questão específica da liquidação, ela precisa ser esclarecida, a verdade vai aparecer“, disse Vorcaro.

O Banco Master foi liquidado pelo BC em novembro de 2025, após uma série de irregularidades financeiras que culminaram na prisão de Daniel Vorcaro no Aeroporto de Internacional de Guarulhos, quando viajaria para Dubai para fechar negócios. Os investigadores da PF concluíram que a viagem do ex-banqueiro poderia ser uma tentativa de fuga.

O ex-banqueiro ainda afirmou que poderia abordar temas não investigados em novos depoimentos. “É por isso que desde o começo isso estava em uma postura de contribuição e contributiva aí para poder tratar e revelar inclusive temas que não estão como pauta hoje de investigação“, disse.

Na declaração, Vorcaro admitiu que recebeu “algumas vezes” os servidores do BC Belline Santana e Paulo Sérgio Neves em sua casa, para tratar da instabilidade do Master e do processo de fusão com o BRB (Banco Regional de Brasília).

Após quatro horas de oitiva, o ex-banqueiro informou que as reuniões aconteciam nas residências de Brasília e São Paulo. A PF destacou que pode pedir um novo depoimento à Vorcaro, mas ainda não existe previsão.

A CNN entrou em contato com o Banco Central para uma manifestação sobre as falas de Vorcaro e não teve retorno. O espaço segue aberto.

“Tenho passado um terror, algo desumano”, diz Vorcaro à PF

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro disse que “tem passado um terror” desde que o Banco Master foi liquidado, em novembro do ano passado, mesma época em que foi preso preventivamente pela primeira vez.

Eu tenho passado um terror, passado por algo desumano, mas ainda tenho esperança e confiança que a verdade ainda vai aparecer”, disse à PF (Polícia Federal) na última sexta-feira (28). O vídeo da oitiva foi obtido pela CNN.

Vorcaro detalhou a situação financeira do Master e disse que estava “resolvendo” essa questão. Ele afirmou ter apresentado “várias soluções”, mas foi surpreendido pela liquidação extrajudicial da instituição.

Houveram [sic] erros no desenrolar do Banco Master? Houveram [sic]. Mas essa questão específica do BRB e da liquidação ela precisa ser esclarecida. A verdade vai aparecer”, declarou.

No momento da minha prisão eu descobri que minha solução não seria nem apreciada e que o banco seria liquidado”, disse.

O ex-banqueiro foi preso na noite de 17 de novembro, no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando iria embarcar ao Oriente Médio. A defesa, à época, disse que ele ia encontrar investidores para o Master. A PF aponta suspeita de fuga.

Na manhã do dia seguinte, o Master foi liquidado pelo Banco Central e a PF colocou nas ruas a primeira fase da Operação Compliance Zero.

Marina Silva defende afastamento temporário de Moraes e critica Mendonça

A candidata ao Senado Federal por São Paulo Marina Silva (Rede) defendeu, nesta quinta-feira (3), o afastamento temporário do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

As revelações sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro são gravíssimas e precisam ser esclarecidas”, disse Marina nas redes sociais.

Segundo a ex-ministra do Meio Ambiente, o magistrado precisa se “explicar com toda a transparência, diante da gravidade dos fatos”.

Por isso, considero que o afastamento temporário do ministro Alexandre de Moraes, seguindo o devido processo institucional, pode ser a melhor maneira de ele exercer plenamente seu direito de defesa e, ao mesmo tempo, preservar o STF”, disse.

Marina também criticou o método de condução do ministro André Mendonça, que também é relator do caso “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que permanece sob sigilo.

O caso do filme sobre Jair Bolsonaro, envolvendo Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro, continua sob sigilo. Por que o ministro Mendonça não adotou o mesmo critério? Investigação séria, com devido respeito ao rito, transparência e regra igual para todos. É assim que protegemos a democracia e as instituições.”

Por fim, a candidata disse ser necessário impedir que esse episódio entre Vorcaro e Moraes seja instrumentalizado eleitoralmente ou usado por “aqueles que querem deslegitimar o STF e atacar nossas instituições”.

Lula quebra silêncio e grava vídeo sobre crise no STF, mas sem citar Moraes

Lula buscará se afastar de Moraes, enquanto outros presidenciáveis criticam  ministro do STF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu quebrar o silêncio e gravar vídeos para as redes sociais e para o programa eleitoral sobre a crise que atinge o STF (Supremo Tribunal Federal).

Lula citará expressamente o STF e o banco Master, mas não fará referências específicas a ministros da corte.

A campanha do petista ajusta o tom para que a fala seja mais de “presidente”, com uma pegada mais institucional, do que de “candidato”.

As gravações foram feitas na noite desta quinta-feira (3) e o material deve ir ao nesta sexta-feira (4).

Segundo apurou a CNN, o petista deve adotar um tom mais generalista de críticas ao “sistema”, nos moldes do vídeo divulgado nessa quarta-feira (2) pelo presidente do PT, Edinho Silva.

A ideia do PT foi terceirizar uma resposta com o vídeo de Edinho enquanto a equipe amadurecia a avaliação sobre o impacto do posicionamento do próprio Lula sobre o tema.

O presidente procurou ministros do STF nos últimos para falar sobre a crise aberta com as revelações do caso Master. Como mostrou a CNN, o presidente se reuniu, desde terça-feira (1°), com os ministros Edson Fachin, Gilmar Mendes e Flávio Dino.

Integrantes da campanha viram com preocupação o impacto do caso Moraes nas eleições.

A avaliação é de que as revelações sobre conversas e encontros do ministro do STF podem reforçar narrativas da direita contra a corte e impulsionar adversários.

A gravação do vídeo mostra uma mudança de rota após a orientação inicial do QG de Lula ser a de manter distância do caso Moraes e explorar que não há qualquer conexão de Lula com os fatos.

R$5 milhões: a doação de Vorcaro para campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio

Flávio Bolsonaro (à esquerda) e Jair Bolsonaro, figuras centrais na pré-candidatura do filho à presidência da República/Wilson Dias/Agência Brasil

Banqueiro e dono do Master, Daniel Vorcaro doou R$ 3 milhões para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à reeleição, além de ter aportado R$ 2 milhões na conta eleitoral do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Segundo informações da proposta de delação do ex-banqueiro, à qual o Correio teve acesso, os repasses serviram como “contrapartidas financeiras” realizadas após um “ajuste indevido” com o cacique do PSD, Gilberto Kassab, que é vice de Ronaldo Caiado na corrida presidencial.

No documento, consta que seria uma compensação pela “manutenção do Credcesta no governo Tarcísio”. O Credcesta é uma espécie de cartão de crédito consignado para servidores públicos, operado pela PKL One Participações, ligada a parentes de Augusto Lima, sócio de Vorcaro.

Os repasses estão registrados nas prestações de contas das campanhas dos citados, consultadas pela reportagem na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e foram realizados por Fabiano Campos Zettel, operador de Vorcaro.

Nikolas Ferreira nega irregularidades em áudio com Vorcaro: “Nunca chamei ele de lindão”

Nikolas Ferreira anuncia campanha nas redes pelo impeachment de Moraes/Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) negou nesta quinta-feira, 3, em um pronunciamento nas redes sociais, que tenha uma relação de proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Áudios divulgados pelo ICL Notícias mostram que o parlamentar pediu ajuda ao ex-dono do Banco Master para a liberação de um ativo minerário. Ferreira diz que a conversa limitou-se ao repasse de um contato e que desconhecia detalhes técnicos do assunto.

Na mensagem enviada ao banqueiro, o deputado oferece uma ponte entre o empresário e seu ex-assessor e advogado, Thiago Rodrigues de Faria, para tratar de um “ativo minerário”. Ele diz que a conversa não resultou em transações ilícitas ou contratos públicos.

Dani, tem um amigo meu aqui que trabalha com isso… mas eu falei com ele: eu não conheço você, não tenho contato ou relacionamento com você, mas se você quiser eu dou um toque nele. Só“, afirmou.

Nikolas disse que não recebeu compensações financeiras de Vorcaro, não intermediou contratos públicos e não realizou encontros informais com o ex-banqueiro.

Eu não faço parte dessa put* de Brasília. Eu nunca recebi um tostão do Vorcaro, eu nunca encontrei com ele“, disse.

O parlamentar diz que a exposição dos áudios busca criar um subterfúgio político para encobrir acusações contra integrantes do Judiciário e do Governo Federal.

Contestação sobre o apelido “lindão” e a origem do contato

O deputado negou que tenha chamado Vorcaro de “lindão”. “Eu nunca chamei ele de lindão. Vocês estão me confundindo com o Davi Leonardo, o ‘lindas e lindos’… a reportagem mente a respeito disso. É só ouvir o áudio, eu não falo lindão hora nenhuma”, disse.

No áudio divulgado, no entanto, o deputado encerra a mensagem de voz despedindo-se com a frase exata: “Depois vamos marcar da gente se encontrar também, tá bem? Um abraço, lindão”.

De acordo com Nikolas, a aproximação entre os dois ocorreu em 2023, intermediada pelo pastor André Valadão. Segundo o parlamentar, o número do empresário foi repassado cadastrado apenas como “Dani Vorcaro”, e, por desinformação inicial, ele supôs que este fosse o nome dele.

Transporte para campanha presidencial de 2022

Sobre o uso de transporte cedido por Vorcaro para deslocamentos na campanha presidencial de 2022, Nikolas afirmou que o apoio foi recebido quando ele já estava eleito, após o primeiro turno, e que o banqueiro era visto como um empresário sem pendências com a Justiça.

Nikolas afirmou ainda que a relação com Vorcaro se desgastou após ele formular um pedido de informações via Lei de Acesso à Informação (LAI) sobre um evento em Londres que contou com o financiamento do Banco Master.

Mendonça diz que deixará sociedade no instituto que sediou encontro com Vorcaro

Ministro do STF, André Mendonça/Carlos Moura/SCO/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou nesta quinta-feira (3), que vai deixar a sociedade no Instituto Iter, instituição de ensino privada que oferece cursos de capacitação e pós-graduação executiva.

Em nota, Mendonça afirma que nunca recebeu lucros advindos do instituto que ajudou a fundar, em novembro de 2023, quase dois anos após ele ter tomado posse como ministro da mais alta Corte de justiça do país.

Mendonça disse que cederá suas cotas, bem como as de sua esposa, Janei Mendonça, de maneira que eventuais valores decorrentes da participação do casal na empresa sejam destinadas para fins sociais e educacionais.

Ainda segundo Mendonça, o Iter será transformado em entidade sem fins lucrativos, “reforçando sua vocação exclusivamente educacional e social”, à qual “o ministro permanecerá prestando serviços exclusivamente acadêmicos, na qualidade de professor”. No site do Iter, Mendonça é apontado como professor do curso Arte e a Ciência da Oratória.

De acordo com o ministro, a decisão de transformar o Iter em entidade sem fins lucrativos foi tomada em conjunto com o presidente do instituto, Victor Godoy Veiga. Mendonça e Veiga foram ministros de Estado durante o governo de Jair Bolsonaro.

O atual ministro do STF comandou o Ministério da Justiça e Segurança Pública entre abril de 2020 e março de 2021. Veiga chefiou o Ministério da Educação de março a 2022 e janeiro 2023.

Relação com Vorcaro

De acordo com a newsletter Noites Húngaras, do jornalista Paulo Motoryn, no Substack, Mendonça recebeu pessoalmente o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, na sede do Instituto Inter no início de 2025. Nesta quarta (2), o ministro confirmou à Coluna do Estadão que se encontrou com o banqueiro.

Segundo Mendonça informou ao veículo, o encontro durou entre 20 e 30 minutos. Ainda conforme o ministro, durante a conversa não foi tratado nenhum assunto relativo ao Master.

Contratos com o governo

A Revista Fórum noticiou, na manhã desta quinta, em seu site, que, desde que foi fundado, o Iter firmou ao menos 55 contratos com órgãos públicos de 14 unidades federativas. Somados, os contratos envolvem valores da ordem de R$ 10,8 milhões.

De acordo com a apuração do jornalista Plínio Teodoro, da Fórum, 54 desses contratos foram formalizados por meio de contratação direta, sem a realização de licitação prévia. A reportagem da Agência Brasil entrou em contato com o Instituto Iter e aguarda uma resposta.

Fachin promete “medidas cabíveis” sobre crise no Supremo

Fachin promete 'medidas cabíveis' para lidar com crise no STF – Meio

Um dia após o início de uma crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF), com a divulgação de diálogos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que citam o ministro Alexandre de Moraes, o presidente da Corte, Edson Fachin, afirmou que anunciará medidas em relação ao caso nos próximos dias, mas não adiantou quais serão. Ele classificou a situação como “grave” e alertou para a importância de proteger o STF.

A história ganhou novo capítulo com a revelação de que André Mendonça, relator do inquérito, encontrou-se com Vorcaro, em São Paulo, além de ter colhido o depoimento do executivo sem participação da Polícia Federal.

Na manifestação divulgada pela Presidência do Supremo, Fachin ressaltou que a posição ocupada por integrantes da Corte não representa proteção diante de eventuais questionamentos.

A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal“, enfatizou.

Fachin evitou antecipar quais providências poderão ser adotadas, mas reconheceu a gravidade do momento. “Os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional. Circunstâncias relacionadas, de um lado, à atuação processual e, de outro, a sérios elementos de fatos que exigem desta Presidência serenidade, responsabilidade e firmeza“, declarou.

O presidente do STF também colocou a preservação da credibilidade do tribunal como um dos pontos centrais da resposta institucional. “Em momentos de especial gravidade, é dever de todos preservar a integridade do Supremo Tribunal Federal, a autoridade de suas decisões, o respeito às suas normas e, acima de tudo, a confiança da sociedade na instituição“, escreveu.

Na terça-feira (2), Mendonça retirou o sigilo do documento que registra diálogos encontrados no celular de Vorcaro. Nele, a Polícia Federal aponta relações próximas e encontros presenciais entre Moraes e o banqueiro.

O caso deve ser levado para avaliação do plenário da Corte, em data a ser definida. Fontes no tribunal dizem que Moraes aceitou que a situação seja avaliada pelo colegiado, entendendo que tem maioria para anular as provas contidas no relatório policial.

No despacho que retirou o sigilo, Mendonça afirmou que o “caminho inevitável” seria levar o material ao plenário, considerado pelo ministro a instância responsável por analisar os novos elementos apresentados pela autoridade policial.

Fachin, porém, indicou que a Presidência fará sua própria análise antes de anunciar qualquer providência. “Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias“, frisou.

Moraes e Mendonça participaram, nessa quarta-feira, da sessão do STF. Os dois se sentaram lado a lado no plenário da Corte, mas evitaram contato visual.

Ao contrário do que geralmente ocorre em outros momentos de crise, quando o Supremo é atacado pelas redes sociais, é alvo de críticas em massa na imprensa ou de integrantes dos outros Poderes, o presidente da Corte, Edson Fachin, optou por não discursar na abertura da sessão.

Nos bastidores da Corte, chegou-se a ventilar que Moraes poderia participar da sessão de maneira virtual. No entanto, o magistrado chegou à sede minutos antes do início da sessão. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também é citado nas mensagens interceptadas, estava no plenário.

Moraes deixou o Supremo, ao fim da sessão, ao lado de Flávio Dino, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Luiz Fux, rodeado de seguranças, em um contingente maior que o habitual. Mendonça saiu sozinho e se dirigiu ao gabinete, no prédio anexo.

Depoimento sem PF

Vorcaro prestou depoimento ao gabinete de Mendonça, na semana passada, sem a presença de integrantes da Polícia Federal. A oitiva ocorreu no âmbito das investigações relacionadas ao Master e foi realizada de forma reservada. O depoimento foi confirmado pelo próprio magistrado, em nota publicada nessa quarta.

Segundo o gabinete de Mendonça, representantes do Ministério Público participaram da oitiva. A ausência de investigadores da Polícia Federal, entretanto, chamou a atenção diante da atuação da corporação nas apurações envolvendo Vorcaro e o Master. De acordo com informações divulgadas sobre o encontro, a defesa do empresário alegou a necessidade de urgência e sigilo para a realização da oitiva.

O conteúdo das declarações prestadas pelo empresário não foi divulgado e permanece protegido pelo sigilo das investigações. “O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar“, diz um trecho da nota.

Dark Horse: PGR fecha delação com empresário ligado a fundo nos EUA

PGR fecha delação com empresário que fez repasses ligados ao filme “Dark  Horse” - NC News

A PGR (Procuradoria-Geral da República) fechou um acordo de delação premiada com o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, dono da Entre Investimentos e Participações.

A empresa de Freixo seria utilizada para repasses do banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os pagamentos eram feitos ao Havengate Development Fund, um fundo americano que administrava o dinheiro para o “Dark Horse” e encaminhava os recursos para a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.

O fundo, sediado no Texas, teria como um dos administradores Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

A colaboração premiada é primeira envolvendo o caso Dark Horse e a segunda ligada à fraude financeira do Banco Master. Como a CNN mostrou, João Carlos Mansur, dono da gestora Reag, também fechou acordo com a PGR.

Após a assinatura do acordo com a PGR, o próximo passo é o envio da proposta de colaboração para o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF (Supremo Tribunal Federal) e do inquérito sobre o financiamento do “Dark Horse”. O ministro deve avaliar a possível homologação do acordo.

As investigações do caso “Dark Horse” apuram se houve irregularidades no financiamento do filme e se todo o dinheiro repassado por Vorcaro foi direcionado para a produção. Uma das suspeita é que parte dos recursos possam ter sido direcionados para Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado. O ex-deputado nega ter recebido repasses.

As parcelas pagas por Vorcaro para a produção do “Dark Horse” foram negociada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência.

Mendonça confirma depoimento de Vorcaro em seu gabinete

Ministro André Mendonça, do STF/Rosinei Coutinho/SCO/STF

O gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça confirmou, em nota, que colheu depoimento de Daniel Vorcaro no próprio gabinete. O texto não informa quando ocorreu a reunião, mas destaca que se deu após o dono do Banco Master relatar intimidações sofridas e pedir para ser ouvido com urgência.

O depoimento foi acompanhado por um representante do Ministério Público (MP), mas não havia ninguém da Polícia Federal (PF) presente. Mendonça é o relator do processo que investiga as fraudes do Master e na nota divulgada o ministro defende o procedimento adotado.

A presença de representante do Ministério Público em audiências dessa natureza é exigência legal, e foi observada. Quanto à Polícia Federal, as normas do Conselho Nacional de Justiça consagram, como garantia de incolumidade física e psicológica do depoente, o afastamento da equipe policial responsável pela investigação nos atos em que ele é ouvido”, explicou o ministro na nota.

Tratando-se de depoimento motivado por relato de graves intimidações, a não convocação de agentes policiais seguiu essa mesma diretriz de proteção, e não qualquer escolha de conveniência do gabinete”, acrescentou.

A existência desse depoimento foi revelada pelo jornal O Globo na manhã desta quarta-feira (2), e confirmada posteriormente pelo gabinete do ministro.

Moraes e Vorcaro

De acordo com a equipe de Mendonça, Vorcaro não tratou do ministro Alexandre de Moraes, colega de Mendonça no STF, no depoimento.

O conteúdo da audiência é resguardado por sigilo legal. Registre-se, apenas, que a informação de que teriam sido abordados temas relacionados ao ministro Alexandre de Moraes não procede”.

Nessa terça-feira (1º), Mendonça tornou públicas as apurações da PF sobre conversas de Vorcaro e seus aliados com Alexandre de Moraes. As citações ao nome de Moraes foram captadas a partir da quebra de sigilo do celular do ex-banqueiro, alvo da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras no Banco Master.

Em uma das mensagens recuperadas, Vorcaro diz ao contato atribuído a Moraes que “estava tentando antecipar os investigadores”. A conversa teria ocorrido no dia 17 de novembro de 2025.

Ainda na noite de ontem (1º), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a nulidade da investigação da PF. Para Gonet, Mendonça investigou Moraes ilegalmente, sem autorização do plenário do STF, ao determinar o aprofundamento da investigação sobre o caso Master para esmiuçar as conversas envolvendo Moraes e o ex-banqueiro.