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Gastos de turistas estrangeiros no Brasil somam R$ 25 bilhões em cinco meses

Os gastos de turistas internacionais no Brasil bateram recorde histórico /TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL

Os gastos de turistas internacionais no Brasil bateram recorde histórico entre janeiro e maio deste ano, atingindo R$ 25 bilhões. De acordo com o Ministério do Turismo, o valor é 11% maior em comparação ao mesmo período do ano passado, quando os gastos somaram R$ 22,6 bilhões.

Também no mês de maio, os gastos foram recordes, da ordem de R$ 4,08 bilhões, mostrando aumento de 19% sobre o valor registrado no mesmo mês de 2025 (R$ 3,42 bilhões). Os dados foram analisados pelo ministério e divulgados pelo Banco Central.

Houve ainda aumento no fluxo de turistas estrangeiros para o país. Em maio, foi registrada a entrada de 486.262 visitantes internacionais, melhor desempenho da série histórica para o mês, com alta de 5,4% em relação a maio do ano passado (461.341 turistas).

No acumulado janeiro-maio deste ano, o Brasil recebeu quase 5 milhões de turistas internacionais, mantendo o nível do mesmo período de 2025.

Chineses

Os dados apontam ainda para alta de turistas chineses em maio de 2026. Foram 15.380 visitantes da China desembarcando no país, expansão de 75% em relação a igual mês de 2025, quando o Brasil recebeu 8.767 chineses. Desde o dia 11 de maio, os chineses estão isentos de visto para entrar no Brasil em viagens de turismo ou negócio. A medida é válida até 31 de dezembro

No acumulado janeiro-maio, 55.260 visitantes da China vieram para o país, número 43% maior em comparação com o mesmo período do ano passado, quando 38.607 chegaram ao Brasil.

Abrasel

Na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, o crescimento do número de turistas estrangeiros e de gastos no Brasil é uma boa notícia para os bares, restaurantes e toda a cadeia do turismo, tanto nas cidades de negócios como nas cidades mais turísticas.

O Ministério do Turismo e a Embratur vêm trabalhando muito bem tanto que, no ano passado, o Brasil já teve um movimento recorde de turistas estrangeiros”.

Solmucci informou que as vendas do setor de alimentação fora do lar, em maio deste ano, cresceram 4,6% em relação ao mesmo mês do ano passado “e o turismo, tanto o doméstico quanto o internacional, contribuiu sem dúvida para este resultado positivo”.

BC retira teto de R$ 500 para Pix por aproximação; instituições devem se adaptar até outubro

Ferramenta de gestão de limites deverá ser disponibilizada pelos bancos em seus aplicativos/Bruno Peres/Agência Brasil

O Banco Central alterou as regras do Pix e retirou o teto fixo de R$ 500 que limitava os pagamentos na modalidade por aproximação. As instituições terão até 1º de outubro para adaptar sistemas e implementar a mudança.

Com a alteração, as transações por aproximação e as iniciadas por meio da jornada sem redirecionamento, no Open Finance, passam a seguir a mesma lógica que os demais pagamentos via Pix: o usuário poderá solicitar ao banco o aumento ou a redução do limite diário e do limite por transação, de acordo com a ferramenta de gestão de limites que deve ser disponibilizada por todos os bancos em seus aplicativos.

Ao permitir que o usuário ajuste o limite do Pix por aproximação dentro dos canais da sua instituição, a nova regra torna a experiência mais aderente às necessidades do dia a dia, sem perder de vista os mecanismos de segurança já incorporados ao ecossistema do Pix“, afirma o chefe adjunto do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro (Decem) do BC Breno Lobo, em nota publicada no site da autoridade monetária.

A atualização também alcança pagamentos iniciados sem redirecionamento no Open Finance, como transações feitas em carteiras digitais compatíveis.

Segundo o BC, o objetivo é unificar as diretrizes e reduzir diferenças regulatórias entre as jornadas.

Petróleo despenca 4% após anúncio de acordo entre Irã e EUA

Exploração de petróleo em Almetyevsk, na Rússia, em 4 de junho de 2023

Os contratos futuros de petróleo abriram em forte queda neste domingo (14) após Donald Trump anunciar um acordo de paz com o Irã e confirmar a reabertura do Estreito de Ormuz nesta sexta-feira (19), assim como a remoção imediata do bloqueio naval americano.

Às 20h20, o petróleo Brent para agosto, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), recuava 3,96%, a US$ 83,86 por barril.

Já os contratos do petróleo WTI para julho, negociados na New York Mercantile Exchange (Nymex), apresentavam queda de 4,48%, negociados a US$ 81,09 por barril.

O mercado já apresentava otimismo na última semana, com os rumores de um desfecho do conflito no Oriente Médio e a reabertura do Estreito de Ormuz, com os contratos da commodity fechando em quedas acima de 6% no acumulado do período.

Em publicação na Truth Social neste domingo, o presidente dos Estados Unidos confirmou que um acordo com o Irã foi alcançado.

O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído. Parabéns a todos!”, declarou Trump.

O republicano ainda completou anunciando uma remoção imediata do bloqueio naval e escreveu: “Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”.

Mais tarde, Trump fez outra publicação na rede social, onde confirma que o Estreito de Ormuz será reaberto após a assinatura do acordo, previsto para esta sexta-feira (19).

Os líderes da região encontraram, pela primeira vez, um presidente que pode ajudá-los a alcançar a verdadeira paz. Com a abertura do Estreito após a assinatura do acordo na sexta-feira, para fins de remoção de minas, o petróleo voltará a fluir para a região e para o mundo!“, publicou.

Já o vice-chanceler iraniano disse que o fim da guerra e das operações militares em várias fronteiras, incluindo no Líbano, será anunciado nesse domingo.

A TV iraniana também se manifestou dizendo que o país havia forçado os Estados Unidos a aceitarem o acordo provisório de paz e que ficou decidido que o tráfego marítimo no golfo será regulado pelo Irã em coordenação com o Omã.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, também confirmou o desfecho das negociações entre americanos e iranianos. Ele foi o primeiro a confirmar que a assinatura oficial será realizada na sexta-feira, 19 de junho, na Suíça.

IR 2026: 2,2 milhões de brasileiros caíram na malha fina, aponta Receita

Ao fim da temporada do Imposto de Renda de 2026, mais de 44,4 milhões de brasileiros entregaram suas declarações dentro do prazo.

No entanto, como informado pela Receita Federal na última sexta-feira (29), cerca de 2,2 milhões de pessoas ainda têm pendências com o Fisco, ao terem caído na malha fina.

José Carlos Fonseca, supervisor do Imposto de Renda da Receita Federal, afirma que o fim da Dirf (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte) e dúvidas no preenchimento do eSocial e Reinf refletiram no número de pessoas retidas. No entanto, a quantidade não é necessáriamente uma surpresa para a Receita.

Em relação ao ano passado, a porcentagem de pessoas detidas é praticamente a mesma“, afirma o supervisor.

No final de março, 10,78% das declarações estavam retidas na malha fina, enquanto esse número caiu para 6,61% na metade da temporada. Ao final de maio, o número se estreitou para 4,97%.

O número ainda é levemente mais alto do que o exercício de 2025, quando 4,68% das declarações caíram na malha fina. No entanto, a Receita Federal ressalta que cerca de 4 milhões de declarações foram acrescentadas neste ano, totalizando 44,4 milhões de contribuintes. Em 2025, eram 43 milhões.

Observa-se uma tendencia de queda ao longo da temporada de 2026. Conforme as empresas foram corrigindo as informações cedidas, e a malha reanalizava a declaração. Assim, caso o contribuinte ainda esteja detido e tenha constatado que as informações estão corretas, basta ele esperar. As empresas irão corrigir“, afirma Fonseca.

Nesse contexto, o supervisor adiciona que existe a possibilidade da porcentagem atual cair. Ele ressalta que mesmo com o fim da Dirf, apenas um seleto grupo de empresas informou equivocadamente. “Com elas aprendendo a corrigir as informações, ano que vem não teremos os mesmos problemas“, explica.

O que é a malha fina?

Ao envia sua declaração de IR, uma análise é feita pelos sistemas da Receita. Ali, as informações são checadas e comparadas com outras fornecidas por entidades que também entregam dados à Receita, como empresas, instituições financeiras, planos de saúde e outros.

Segundo o Fisco, se for encontrada alguma diferença entre os informes, a declaração será separada para uma análise mais profunda. “É o que se chama de malha fiscal, ou ‘malha fina’ como é popularmente conhecida”, explica em seu site.

Outra forma de cair na malha fina é caso o contribuinte seja obrigado a declarar, mas ainda assim decidir não entregar seus comprovantes à Receita.

O que fazer para sair da malha fina

Cair na malha fina pode trazer consequências, mas é reversível por meio da declaração retificadora. É possível retificar diretamente pelo site da Receita Federal e por meio do portal e-CAC. Veja como realizar o procedimento:

Acesse o portal e-CAC e insira o CPF, código de acesso (gerado no próprio site) e senha;
No menu à esquerda, clique em “Meu Imposto de Renda”;
Na lista de “Declarações do IRPF”, selecione a declaração que será corrigida;
No canto direito da tela, clique em “Retificar Declaração”;
Uma cópia da declaração original será exibida. Basta selecionar a ficha a ser ajustada e realizar as alterações necessárias;
Após concluir, clique em “Finalizar Declaração” para enviar.

É possível retificar a declaração do Imposto de Renda quantas vezes for necessário.

INSS faz mutirão em Pernambuco com mais de 4 mil vagas para acelerar análises e perícias

Fachada do INSS/Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Ministério da Previdência Social fazem, neste fim de semana (30 e 31), um grande mutirão de atendimentos extras. Em Pernambuco, são 4.459 vagas, distribuídas entre as cidades do Recife, Caruaru, Garanhuns, Petrolina e Serra Talhada.

Em todo o Brasil, o INSS disponibiliza mais de 59 mil vagas para avaliações sociais e perícias médicas, que estão sendo oferecidas em quase todas as unidades federativas do país, à exceção de Roraima e Tocantins.

A iniciativa busca acelerar a análise de benefícios e antecipar perícias pré-agendadas, reduzindo a fila de espera pela obtenção de benefícios previdenciários e assistenciais.

Os segurados interessados devem agendar o atendimento pela central telefônica do INSS, ligando para o número 135, ou pelo portal Meu INSS.

Entre as mais de quatro mil vagas em Pernambuco, o INSS fez a seguinte distribuição: Recife – Encruzilhada (2.288); Recife – Corredor do Bispo (168); Caruaru (1.405); Garanhuns (90); Petrolina (362); e Serra Talhada (146).

Economia brasileira cresce 1,1% no 1º trimestre de 2026, aponta IBGE

Economia brasileira cresce 1,1% no 1º trimestre de 2026, aponta IBGE | CNN  Brasil

O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil avançou 1,1% no primeiro trimestre deste ano. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado pouco acima das expectativas do mercado, que tinha consenso justamente em crescimento de 1% no período, conforme divulgado pela Reuters.

A economia registrou desempenho positivo nos três setores – Agropecuária (2,0%), Indústria (1,0%), e Serviços (0,5%). Frente ao 1o trimestre de 2025, o ritmo da economia avançou 1,8%, enquanto no acumulado dos últimos quatro trimestres, o PIB registrou elevação de 2,0%.

Copa do Mundo: evento pode levar quase 100 milhões de brasileiros às compras, aponta pesquisa

Segundo o levantemento, o uniforme do torcedor é prioridade para 61% dos consumidores, que planejam comprar camisas oficiais ou temáticas, além de adereços como bandeiras e cornetas (42%)/Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A Copa do Mundo de 2026 deve aquecer o mercado de varejo e levar 99,2 milhões de brasileiros às compras. De acordo com o estudo, 60% dos consumidores devem fazer compras de produtos ou serviços para a Copa deste ano.

O levantamento foi realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com a Offerwise Pesquisas. No geral, o gasto médio estimado por consumidor está em R$ 619,00, entre as classes A e B, o valor sobe para R$ 784,00.

Em relação às formas de pagamento, o Pix aparece como a principal forma de pagamento (57%), em um cenário onde 90% dos torcedores pretendem realizar suas compras à vista.

Itens mais procurados

De acordo com a pesquisa, os itens mais procurados para consumo serão bebidas não alcoólicas (68%), petiscos (62%), carnes para churrasco (60%) e cervejas (59%).

O uniforme do torcedor é prioridade para 61% dos consumidores, que planejam comprar camisas oficiais ou temáticas, além de adereços como bandeiras e cornetas (42%).

De acordo com a pesquisa, para o varejo, a Copa do Mundo funciona como um “segundo Natal” fora de época. O varejo físico continua sendo o destino para itens de consumo imediato, com 89% de preferência, especialmente em supermercados (70%) e lojas de bairro (33%).

Já 67% farão as compras pela internet, sendo que 51% farão suas compras em aplicativos de entrega e 42% em lojas online.

Experiência do torcedor

Para a Americanas, gigante no varejo nacional, a época do Mundial de Futebol é uma oportunidade para explorar não apenas os jogos, mas toda a experiência do torcedor. Diante disso, segundo a Head Comercial da Americanas, Mariana Figueiredo, a estratégia da empresa também foca na variedade de itens que estão presentes em momentos de encontro e celebração.

Vemos um grande engajamento dos consumidores com a competição e uma forte demanda por produtos relacionados à experiência de torcer e acompanhar os jogos. Por isso, ampliamos nosso sortimento para consolidar a Americanas como um destino completo para a Copa, reunindo desde snacks, bebidas e eletroportáteis até acessórios de torcida, moda temática e figurinhas”, detalha.

De acordo com Mariana Figueiredo, o Nordeste é uma região estratégica e de relevância para a operação nacional. Até o momento, já foram comercializadas mais de 7,5 milhões de unidades de figurinhas na região, com destaque para Pernambuco e Bahia.

Apenas em Pernambuco, foram vendidas mais de 1,9 milhão de unidades de figurinhas, ocupando o terceiro lugar do ranking de vendas da categoria na varejista, atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Em relação aos artigos de torcida, os dois estados também se destacam nas vendas. Os artigos mais procurados são os itens exclusivos Festive Arco Brasil, Buzina de Mão e Bandeira.

Bolsa Família retirou 5,1 milhões de famílias da pobreza, diz ministro

Ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, afirmou que 5,1 milhões de beneficiários já saíram do programa Bolsa Família desde 2023, após aumentar a renda.

A declaração, feita nesta quarta-feira (27) durante o programa Bom Dia, Ministro, contraria a ideia de que beneficiários tentariam permanecer no programa indefinidamente. O Bom Dia, Ministro é produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Só de 2023 para cá, 5,1 milhões de famílias saíram da pobreza. Saíram do Bolsa Família porque passaram a trabalhar”, disse o ministro.

O dado apresentado por Dias rebate críticas recentes feitas pelo apresentador de TV Luciano Huck, que sugeriu que parte dos beneficiários busca permanecer no programa “eternamente”.

Para Wellington Dias, esse tipo de percepção está associada a preconceitos históricos contra as camadas mais pobres da população brasileira.

É preciso aproveitar fatos como esse para que a gente enterre de vez o preconceito que se tem com relação aos mais pobres”, afirmou.

Foi feio, tanto que [Luciano Huck] veio a público se desculpar. Infelizmente isso ainda está muito entranhado. Sou de uma geração em que as pessoas trabalhavam em troca de um prato de comida”, acrescentou.

Estudos

O ministro citou uma série de estudos para sustentar a eficácia do programa. Levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com o Banco Mundial aponta que, entre a primeira geração de beneficiários — cerca de 20 milhões de brasileiros — aproximadamente 70% deixaram a pobreza, principalmente por meio da educação.

Além disso, dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) indicam melhora no perfil socioeconômico do país. Segundo a divulgação mais recente mencionada pelo ministro, o Brasil alcançou Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,805, passando a integrar o grupo de países com desenvolvimento “muito alto”.

O próprio estudo aponta que um dos principais alicerces foi o Bolsa Família”, disse o ministro.

Outro indicador destacado foi o empreendedorismo. Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostram que 5,9 milhões de inscritos no Cadastro Único atuam como pequenos empreendedores, em atividades como salões de beleza e mercadinhos.

De acordo com o ministro, parte desses beneficiários passou à condição de empregadora: “Cerca de 1,3 milhão de pessoas empregadas hoje trabalham para alguém que, até outro dia, era do Bolsa Família”.

Classe média

O ministro também afirmou que mais de 6 milhões de brasileiros ascenderam às classes A, B e C desde a criação do Bolsa Família, reforçando o papel do programa na ampliação da classe média.

O que o presidente Lula quer é um país com uma grande classe média”, disse ao lembrar que o modelo brasileiro de transferência de renda já é adotado ou estudado por cerca de 140 países, inclusive nações desenvolvidas.

Segundo o ministro, o valor médio pago às famílias é de cerca de R$ 700 mensais. Com esse recurso, acrescentou, é possível comprar alimentos e acessar tarifa social de energia, o vale-gás e programas como Farmácia Popular, entre outros.

Contrapartidas

Para ter acesso ao Bolsa Família, é preciso cumprir contrapartidas nas áreas de saúde e educação.

Segundo o ministro Wellington Dias, o acompanhamento começa ainda na gestação, com foco na saúde da mãe e do bebê, e segue ao longo da infância, incluindo o monitoramento do desenvolvimento das crianças.

Na área educacional, é exigida a matrícula e a frequência escolar, além do acompanhamento contínuo dos estudantes.

Esse conjunto de exigências, segundo ele, integra um dos pilares do programa, ao garantir que, além da renda, haja investimento em educação e saúde, criando condições para que as famílias possam superar a pobreza ao longo do tempo.

82% acreditam que Desenrola 2 vai ajudar a economia, diz Datafolha

Reprodução/Magnific/A percepção favorável ao programa também aparece entre os não endividados

O programa Desenrola 2, principal aposta do governo Luiz Inácio Lula da Silva na agenda de crédito e consumo neste ano, alcançou níveis de aprovação superiores aos da própria gestão federal, segundo pesquisa Datafolha realizada nos dias 12 e 13 deste mês e divulgada na quinta-feira (21/5). Jovens e moradores do Nordeste aparecem entre os grupos mais otimistas em relação aos efeitos do programa.

O levantamento mostra que 68% dos brasileiros endividados acreditam que serão beneficiados diretamente pela iniciativa, enquanto 82% avaliam que o programa terá efeito positivo sobre a economia. O percentual é maior que os indicadores de popularidade do governo entre esse mesmo segmento. Entre os endividados, 31% classificam a gestão Lula como ótima ou boa, e 46% aprovam o trabalho do presidente.

A percepção favorável ao programa também aparece entre os não endividados. Nesse grupo, 39% afirmam esperar benefícios pessoais com a medida, e 73% enxergam impacto positivo sobre a atividade econômica. Já a avaliação positiva do governo atinge 30%, e a aprovação presidencial soma 45%.

O programa é uma das bandeiras de aposta do governo federal para a campanha de releição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e de acordo com o levantamento, a adesão ao programa tem forte componente político. Entre os eleitores de Lula, 64% acreditam que serão beneficiados pela iniciativa. Entre os que declaram voto no senador Flávio Bolsonaro (PL), o percentual recua para 44%.

Segundo o Datafolha, 62% dos entrevistados afirmaram já ter conhecimento sobre o programa. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Lançado em 4 de maio, o Desenrola 2 prevê descontos de até 90% sobre dívidas renegociadas e juros limitados a 1,99% ao mês para famílias com renda de até cinco salários mínimos, atualmente equivalente a R$ 8.105 mensais. Com duração prevista de 90 dias, o programa já renegociou, de acordo dados divulgados pelo governo federal, R$ 12 bilhões em dívidas.

O programa também autoriza o uso do FGTS para abatimento de dívidas bancárias renegociadas. A modalidade estará disponível a partir de terça-feira (26/4). Trabalhadores poderão utilizar até 20% do saldo disponível nas contas do fundo ou até R$ 1.000, prevalecendo o maior valor.

Ministério lança simulador de renegociações Desenrola 2.0

 O simulador já está disponível no site oficial do ministério e foi desenvolvido para ampliar o acesso à informação e facilitar a organização financeira dos consumidores endividados/Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

O Ministério da Fazenda lançou nesta sexta-feira (15) uma calculadora online para simular renegociações de dívidas pelo programa Novo Desenrola Brasil – Famílias. A ferramenta permite que pessoas com renda de até cinco salários mínimos, equivalente a R$ 8.105, consultem previamente condições estimadas de pagamento antes de procurar uma instituição financeira.

O simulador já está disponível no site oficial do ministério e foi desenvolvido para ampliar o acesso à informação e facilitar a organização financeira dos consumidores endividados.

Como funciona

A calculadora apresenta estimativas com base nas regras do programa, considerando critérios como:

• tempo de atraso das dívidas;

• descontos mínimos previstos;

• valor aproximado das parcelas;

• possibilidade de quitação ou renegociação.

O sistema também permite simular o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na renegociação.

Uso do FGTS

Pelas regras do Novo Desenrola, o trabalhador poderá utilizar:

• até 20% do saldo disponível do FGTS;

• ou até R$ 1 mil, prevalecendo o maior valor.

O Ministério da Fazenda informou que a confirmação sobre a possibilidade de uso do fundo deverá ser feita diretamente com a instituição financeira participante do programa.

Objetivo da medida

De acordo com o governo federal, a ferramenta foi criada para oferecer mais transparência e segurança ao cidadão antes da contratação da renegociação.

As condições definitivas, no entanto, dependerão da análise e aprovação dos bancos habilitados no programa.

Caixa já renegociou R$ 820 milhões em dívidas com programa Desenrola 2.0

Caixa Econômica Federal/Foto: JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL/ARQUIVO

O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, informou nesta sexta-feira (15) na capital paulista, que o banco já renegociou R$ 820 milhões em dívidas do novo Desenrola Brasil. O programa foi lançado no dia 4 de maio pelo governo federal e busca ajudar famílias, estudantes e pequenos empreendedores a renegociar dívidas, limpar o nome e recuperar o acesso ao crédito.

A nova fase da iniciativa terá duração de 90 dias e prevê descontos de até 90%, juros reduzidos e a possibilidade de uso do FGTS para abatimento de débitos. Nesta semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia informado que o programa Desenrola 2.0 estava perto de atingir R$ 1 bilhão em débitos renegociados.

Em entrevista coletiva concedida nesta manhã para apresentação do balanço trimestral do banco, Vieira destacou que ainda há um “gap” para o uso do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) no programa, ou seja, o fundo ainda não vem sendo utilizado nessas negociações com a Caixa. Mas, segundo a diretoria do banco, o uso do fundo para essa finalidade deverá ser iniciado em breve, a partir do dia 25 de maio.

Ataques cibernéticos

Ao anunciar o balanço da instituição, Vieira disse que o banco teve um prejuízo no ano passado de cerca R$ 20 milhões com o aplicativo Caixa Tem, segundo ele, provocado por fraudes relacionadas a ataques cibernéticos. Por causa disso, informou, o banco vem reforçando os investimentos em tecnologia. Só neste ano, a expectativa é de que esses investimentos somem R$ 5,9 bilhões. “Nós estamos agora com praticamente zero de ataques no Caixa Tem”, disse Vieira.

Inadimplência

A Caixa Econômica Federal registrou um lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões no primeiro trimestre do ano, queda de 34,4% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado, que consta no balanço divulgado na noite de quinta-feira (14), foi impactado pelo forte aumento das provisões para perdas com crédito, que mais do que dobraram no período, em meio às novas regras regulatórias do Banco Central (BC) para cobertura de risco de inadimplência.

Apesar da queda no lucro, a Caixa manteve crescimento da carteira de crédito, puxado principalmente pelo financiamento imobiliário, segmento no qual o banco segue líder no país. A carteira de crédito totalizou R$ 1,4 trilhão.

A inadimplência encerrou o trimestre em 3,71%. Segundo a diretoria do banco, embora a Caixa esteja tranquila quanto aos níveis de inadimplência para as carteiras de crédito imobiliário e comercial pessoa física e pessoa jurídica, o setor do agro ainda traz alguma cautela e preocupação.

Nós temos uma expectativa de que, ainda este ano, tenhamos impactos na nossa provisão relacionados ao agro“, disse Henriete Sartori, vice-presidente de Riscos da Caixa. “O cenário não é simples, mas nós já percebemos um arrefecimento da curva de crescimento [da inadimplência]”, completou. Atualmente, disse Sartori, o agro representa 5% da carteira total da Caixa.

Brasil começa a importar queijo mais barato após acordo Mercosul–UE

Entre os produtos importados estão queijos, chocolates e tomates originários da União Europeia/Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O Brasil começou a importar queijo com alíquotas reduzidas após a entrada em vigor do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), em 1º de maio. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o país também passou a exportar carne bovina, carne de aves e cachaça com alíquota zero para o mercado europeu.

O Brasil registrou as primeiras operações de importação de chocolates e tomates dentro das regras do acordo. Os pedidos fazem parte das primeiras licenças comerciais aprovadas pelo Ministério dentro das cotas tarifárias previstas no tratado.

Segundo o Mdic, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) já autorizou seis licenças de importação para produtos europeus e oito licenças de exportação para mercadorias brasileiras desde o início da vigência do acordo.

Produtos europeus

Entre os produtos importados estão queijos, chocolates e tomates originários da União Europeia. No caso dos queijos, o acordo já garantiu redução tarifária imediata, com a alíquota caindo de 28% para 25,2% dentro da preferência negociada.

Para chocolates e tomates, as reduções ocorrerão gradualmente a partir de 2027. Até lá, permanecem válidas as tarifas atualmente aplicadas no comércio entre os blocos.

As operações seguem regras específicas de licenciamento e certificação por meio do Portal Único Siscomex, sistema utilizado para controle do comércio exterior brasileiro.

Exportações liberadas

Do lado brasileiro, as primeiras licenças contemplaram exportações de carne bovina fresca, carne bovina congelada, carne de aves desossada e cachaça.

Segundo o MDIC, as exportações de carne de aves e cachaça passam a entrar no mercado europeu com tarifa zero dentro das cotas estabelecidas pelo acordo.

No caso da carne bovina, o tratado ampliou o acesso do produto brasileiro ao mercado europeu. A chamada Cota Hilton, mecanismo existente antes do acordo, teve a tarifa reduzida de 20% para zero nos cortes nobres exportados pelo Brasil.

Além disso, foi criada uma nova cota de 99 mil toneladas compartilhada entre os países do Mercosul, com redução tarifária nas vendas ao bloco europeu. Antes do acordo, as exportações fora da Cota Hilton estavam sujeitas à tarifa de 12,8% mais 304,10 euros a cada 100 quilos. Agora, passam a pagar tarifa intracota de 7,5%.

Comércio ampliado

O governo afirma que a maior parte do comércio entre Mercosul e União Europeia já opera sem restrições quantitativas e com redução ou eliminação de tarifas.

Segundo o Mdic, mais de 5 mil linhas tarifárias (alíquotas de cada código numérico de produto) passaram a ter tarifa zero para exportações destinadas à União Europeia. No Mercosul, mais de 1 mil linhas tarifárias operam com isenção para produtos europeus.

As cotas tarifárias representam parcela reduzida do comércio bilateral, equivalente a cerca de 4% das exportações brasileiras e 0,3% das importações.

Sistema operacional

As operações estão sendo executadas por meio do Portal Único Siscomex, que centraliza os pedidos de licença e certificação para empresas importadoras e exportadoras.

De acordo com o governo, toda a regulamentação necessária para implementação das cotas foi concluída antes da entrada em vigor do acordo, garantindo o funcionamento pleno do sistema desde o primeiro dia de vigência do tratado.

Lula e Trump orientam ministros a resolverem tarifas em 30 dias

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump/Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (7), após reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington, que equipes dos dois governos deverão fechar uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e de uma investigação comercial aberta pelos norte-americanos contra o Brasil desde o ano passado.

O objetivo é que uma proposta seja levada aos dois líderes em cerca de 30 dias. O Brasil voltou a defender o encerramento da apuração aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

Eu falei assim: ‘Vamos colocar um grupo de trabalho e vamos permitir que esse moço [do Ministério] da Indústria e Comércio do Brasil, junto com o teu ministro do Comércio, sentem em 30 dias e apresentem para nós uma proposta para a gente poder bater o martelo’. Quem estiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder“, disse Lula a jornalistas na sede da Embaixada do Brasil em Washington.

No procedimento, os EUA acusam o Brasil de concorrência desleal, mencionando o Pix, tarifas sobre etanol, desmatamento ilegal e proteção de propriedade intelectual.

Em abril deste ano, técnicos brasileiros reuniram-se nos EUA para esclarecimentos, defendendo o país contra a alegação de práticas desleais.

O governo brasileiro não reconhece a legitimidade de instrumentos unilaterais como a Seção 301, argumentando inconsistência com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Segundo Lula, o tema do Pix não foi mencionado durante a reunião entre os presidentes.

Encontro prolongado

Lula e Trump se reuniram por mais de 3 horas na Casa Branca, em Washington, incluindo um almoço oferecido pelo norte-americano.

A expectativa era que ambos atendessem à imprensa no Salão Oval antes da reunião, mas o presidente brasileiro pediu para que a conversa com a imprensa ocorresse após o encontro.

Em postagem nas redes sociais, Trump informou que discutiu “muitos tópicos” com Lula, incluindo questões comerciais e de tarifas, e chamou Lula de “um presidente muito dinâmico“.

A reunião foi muito produtiva. Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário“, escreveu o norte-americano.

Lula chegou à Casa Branca pouco depois do meio-dia (horário de Brasília). O encontro foi previamente negociado pelas equipes dos dois países, com a expectativa de tratar diversos temas, como comércio, combate ao crime organizado, além de questões geopolíticas e de minerais críticos.

A jornalistas, Lula disse ter saído muito otimista da reunião bilateral.

Eu acho que o Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo, qualquer assunto. Não tem assunto proibido. A única coisa que não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutido“, afirmou o presidente.

Crime organizado

Durante a coletiva de imprensa, Lula anunciou que o governo brasileiro vai lançar um plano de combate ao crime organizado “na semana que vem” e que, na conversa com Trump, ficou acertado que uma das frentes de trabalho entre dos dois governos será a cooperação para asfixiar financeiramente as organizações criminosas transnacionais que atuam no Brasil e nos EUA.

“Precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções”, defendeu.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, equipes da Receita Federal brasileira e a contraparte norte-americana deverão fazer operações conjuntas para bloquear o contrabando de armas e outros produtos, incluindo o tráfico ilegal de drogas sintéticas provenientes dos EUA.

Ainda segundo Lula, eles não trataram sobre facções criminosas que atuam no Brasil. O governo dos EUA estuda mudar a designação de facções brasileiras como grupo terroristas, o que na avaliação do Brasil e de especialistas é um risco à soberania e não ajuda no combate ao crime

Em abril, Brasil e Estados Unidos já haviam anunciado um acordo de cooperação mútua visando combater o tráfico internacional de armas e drogas.

A parceria prevê o compartilhamento de informações sobre apreensões feitas nas aduanas dos dois países, de forma a viabilizar uma investigação célere de padrões, rotas e vínculos entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos.

Terras raras

Outro ponto abordado na reunião entre Lula e Trump foi os investimentos na exploração dos minerais críticos e das terras raras, que são fundamentais na fabricação de componentes eletrônicos de equipamentos de alta tecnologia.

Na coletiva de imprensa, Lula disse ter informado a Trump da aprovação, nesta quarta-feira (6), da lei que institui Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE).

O projeto prevê, entre outros pontos, a criação de um comitê ou conselho responsável por definir quais são os minerais críticos e estratégicos do país.

Com cerca de 21 milhões de toneladas, a reserva brasileira de terras raras é a segunda maior já mapeada no mundo, ficando atrás apenas da China, que detém aproximadamente 44 milhões de toneladas. Porém, apenas cerca de 25% do território nacional foi mapeado, o que indica um enorme potencial ainda desconhecido.

“Qualquer um que quiser, o Brasil estará aberto a construir parceria. O que nós não queremos é ser meros exportadores dessas coisas. Não queremos repetir o que aconteceu com a prata na América Latina, com o ouro no Brasil, com o minério de ferro que a gente manda muito para fora e a gente poderia fazer um processo de transformação interna que a gente não fez. Então, com as terras raras, a gente vai mudar de comportamento“, garantiu o presidente.

Vistos revogados

Lula disse ter entregue a Trump uma lista de autoridades e seus familiares brasileiros que ainda estão sofrendo com restrição de vistos norte-americanos como retaliação por conta do julgamento da tentativa de golpe de Estado no Brasil.

Parte da suspensão de vistos teria sido interrompida, mas algumas pessoas seguem sancionadas, incluindo, segundo Lula, a filha de 10 anos de idade do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Fazem parte da comitiva presidencial os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; da Justiça e Segurança Pública, Wellington César; da Fazenda, Dario Durigan; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Histórico

A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos atravessa, desde 2025, uma fase de tensões decorrentes da política tarifária adotada pelo presidente Donald Trump, que retomou medidas protecionistas já observadas em seu primeiro mandato.

O ciclo de disputas começou com a imposição de tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio, afetando diretamente o Brasil, um dos principais fornecedores desses produtos ao mercado norte-americano.

As justificativas apresentadas pelos EUA para tais medidas combinavam argumentações econômicas e políticas.

Houve também críticas à Suprema Corte brasileira, no contexto das decisões do Judiciário brasileiro relacionadas ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, envolvido com os atos golpistas que culminaram com o 8 de janeiro de 2023.

Em abril, os Estados Unidos adotaram tarifas adicionais sobre diversos produtos brasileiros, sob o argumento de falta de reciprocidade comercial. O governo brasileiro intensificou algumas tratativas diplomáticas e, mais adiante, levou o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Além disso, o Brasil fortaleceu alguns de seus instrumentos legais, como medidas de reciprocidade e retaliação, na tentativa de evitar uma escalada ainda maior por parte do governo dos EUA.

No fim de 2025 e no início deste ano, houve recuo parcial dos Estados Unidos, com exclusões de produtos e substituição do tarifaço por uma tarifa global temporária de cerca de 10%. Setores como aço e alumínio, porém, seguem com taxas elevadas.

A comitiva brasileira retorna a Brasília ainda esta noite com previsão de chegada nesta sexta-feira (8).

Desenrola: Bancos têm 30 dias para limpar nomes de dívidas até R$ 100

Dinheiro

O Ministério da Fazenda publicou nesta terça-feira (5) a portaria que estabelece as regras complementares do Novo Desenrola Brasil.

Entre as principais determinações, as instituições financeiras participantes devem providenciar, em até 30 dias, a baixa permanente nos registros de dívidas dos cidadãos, em que valor original seja igual ou inferior a R$ 100.

A regulamentação define as condições para a reestruturação de dívidas de crédito pessoal e os critérios para a participação dos credores.

Estão excluídas do programa dívidas de crédito rural, débitos com garantia real, operações com garantia da União ou de entidades públicas, e aquelas que já possuam qualquer tipo de aporte de recursos públicos ou equalização de taxas de juros.

Tabela de descontos e prazos

Os descontos mínimos obrigatórios variam conforme a modalidade do crédito e o tempo de atraso da dívida, que deve ser apurado com base na data de 3 de maio de 2026 – publicação da MP (Medida Provisória),

Cartão de crédito rotativo e cheque especial: os descontos mínimos partem de 40% (para atrasos de 91 a 120 dias) e podem chegar a 90% (para atrasos entre 361 e 720 dias).

Cartão parcelado e crédito pessoal: as reduções mínimas variam entre 30% (atraso de 91 a 120 dias) e 80% (atraso de 361 a 720 dias).

Uso do FGTS e novas regras de pagamento

O programa permite que o devedor utilize recursos de saque extraordinário do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para amortizar ou liquidar integralmente as dívidas renegociadas.

Nesse caso, a instituição financeira deve solicitar o saldo disponível diretamente à Caixa Econômica Federal.

Para as dívidas reestruturadas, o saldo devedor será amortizado pelo sistema Price. As instituições financeiras podem oferecer contratos em que as três primeiras parcelas tenham valores inferiores aos das demais prestações, que deverão ser constantes.

Caso o beneficiário não utilize o FGTS, a garantia do programa só será efetivada após o pagamento da primeira parcela da renegociação.

Recursos e transparência

Para garantir as operações, foram alocados R$ 5 bilhõe do FGO (Fundo Garantidor de Operações), especificamente para cobrir o risco de inadimplência no âmbito do programa.

Adicionalmente, outros R$ 2 bilhões do saldo não comprometido do fundo foram reservados para a mesma finalidade.

As instituições participantes deverão enviar relatórios mensais ao Ministério da Fazenda e divulgar em seus sites informações detalhadas sobre o desempenho no programa, incluindo o volume de operações, valores médios de descontos e o perfil sociodemográfico dos clientes beneficiados.

Acordo Mercosul-UE entra em vigor após 26 anos

Acordo entre a UE e o Mercosul será assinado no dia 17 de janeiro, no Paraguai/ Foto: União Europeia/Mercosul

Após 26 anos de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra em vigor nesta sexta-feira (1º), criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo e reduzindo significativamente tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao continente europeu.

A nova etapa marca um avanço histórico na integração comercial entre os dois blocos, com impacto direto na competitividade das empresas brasileiras no exterior. Os termos do acordo foram assinados no fim de janeiro, em Assunção, no Paraguai, entre representantes dos dois blocos.

A aplicação do tratado, no entanto, ocorre de forma provisória por decisão da Comissão Europeia. Em janeiro, o Parlamento Europeu encaminhou o texto para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, que ainda avaliará sua compatibilidade jurídica com as normas do bloco. O processo pode demorar até dois anos.

Mais exportações com menos custos

Logo no início da implementação, mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa passam a ter tarifa de importação zerada, segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A maior parte dos produtos vendidos pelo Brasil ao continente poderá entrar no mercado europeu sem pagar impostos de entrada.

Na prática, a redução de tarifas diminui o preço final dos produtos e aumenta a competitividade frente a concorrentes internacionais. Ao todo, mais de 5 mil produtos brasileiros já terão tarifa zero nesta fase inicial, incluindo bens industriais, alimentos e matérias-primas.

Indústria lidera ganhos imediatos

Entre os quase 3 mil produtos com tarifa zerada já no início, cerca de 93% são bens industriais. Isso indica que a indústria brasileira tende a ser a principal beneficiada no curto prazo.

Os setores com maior impacto imediato incluem:

• Máquinas e equipamentos;

• Alimentos;

• Metalurgia;

• Materiais elétricos;

• Produtos químicos.

No caso de máquinas e equipamentos, quase todas as exportações brasileiras para a Europa passam a entrar sem tarifas, abrangendo itens como compressores, bombas industriais e peças mecânicas.

Mercado ampliado

O acordo conecta mercados que somam mais de 700 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto trilionário. Com isso, o Brasil amplia significativamente seu alcance comercial.

Atualmente, países com os quais o Brasil possui acordos representam cerca de 9% das importações globais. Com a entrada da União Europeia, esse percentual pode ultrapassar 37%.

Além da redução de tarifas, o tratado estabelece regras comuns para comércio, padrões técnicos e compras governamentais, trazendo mais previsibilidade para empresas.

Implementação gradual

Apesar dos efeitos imediatos, nem todos os produtos terão tarifas eliminadas de uma vez. Para setores considerados mais sensíveis, a redução será feita de forma progressiva:

• Até 10 anos na União Europeia.

• Até 15 anos no Mercosul;

• Em alguns casos, até 30 anos.

Esse cronograma busca permitir adaptação das economias e proteger setores mais vulneráveis à concorrência internacional.

Próximos passos

A entrada em vigor marca o início da aplicação prática do acordo. Ainda serão definidos detalhes operacionais, como a distribuição de cotas de exportação entre os países do Mercosul.

Durante cerimônia de assinatura do decreto de promulgação do acordo, na última terça-feira (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o caráter estratégico do tratado. Segundo ele, o acordo reforça o compromisso com o multilateralismo e a cooperação internacional.

Entidades empresariais dos dois blocos também devem acompanhar a implementação para orientar empresas e garantir o aproveitamento das novas oportunidades comerciais.