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Casos de covid no Brasil aumentam 151% em janeiro, maior alta em 10 meses

Pico da doença ocorreu entre 5 e 11 de janeiro, quando 23,5 mil casos foram notificados às autoridades de saúde (Crédito: JAVIER TORRES/AFP)

Os casos de covid-19 nas primeiras três semanas de 2025 no Brasil já superaram os registros dos últimos 10 meses. Nesse período, o país contabilizou 57.713 diagnósticos da doença, o que representa um aumento de 151% em comparação com as três últimas semanas de dezembro, quando foram registradas 23.018 infecções.

Os números foram divulgados por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), com base nas informações do Ministério da Saúde e da plataforma de pesquisadores da Unesp, SP Covid-19 Info Tracker.

Segundo as informações, o pico da doença ocorreu entre 5 e 11 de janeiro, quando 23,5 mil casos foram notificados às autoridades de saúde. Já entre 29 de dezembro e 4 de janeiro, 16 mil casos foram registrados, enquanto entre 22 e 28 de dezembro apenas 6.090 infecções foram contabilizadas.

Desde março de 2024 não eram observados números tão altos de infecção. Na primeira semana daquele mês, foram 53,8 mil casos. Já na segunda semana, 35,6 mil. A partir da terceira semana de março, houve uma queda significativa nos números, com apenas 14 mil casos. Nos últimos meses do ano passado, os casos não ultrapassaram 10 mil.

Segundo o professor da Unesp e coordenador do InfoTracker, Wallace Casaca, o aumento do número de casos no primeiro mês de 2025 pode estar relacionado com dois motivos: “A questão das festas de fim de ano, que levam a aglomerações e são uma oportunidade para que o vírus se dissemine. Além disso, existe também a nova variante da ômicron que é mais transmissível”. “Quando junta esses dois fatores, temos um aumento significativo”, explica.

Casaca adverte que a primeira grande medida para combater o vírus é atualizar o calendário vacinal. “Pessoas com comorbidade, pessoas idosas, crianças devem estar atentos para a vacina”, frisa.

O professor aponta contudo que, apesar da alta, a tendência é de que em algumas semanas os casos diminuam. “É como uma sanfona, uma hora aumenta outra hora diminui, mas é preciso sempre ficar atento. Não deixe de se vacinar e de usar máscara quando estiver gripado”, recomenda.

SRAG

De acordo com o último boletim InfoGripe da Fiocruz, entre 12 e 18 de janeiro houve também um aumento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada à covid-19 na região Norte e Nordeste. “O crescimento ocorre principalmente na população mais idosa, mas em alguns estados também temos observado um aumento dos casos graves na população de jovens e adultos”, afirma Tatiana Portella, pesquisadora do InfoGripe, no vídeo de divulgação do boletim.

Nova variante da covid-19 é detectada no Brasil

Cepa foi detectada no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Santa Catarina  (Crédito: Reprodução/Unsplash/Fusion Medical Animation)

Uma nova linhagem da covid-19, chamada XEC, foi detectada no Brasil. A variante, que pertence à família da ômicron, foi encontrada no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Santa Catarina. A descoberta é da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) após análise de amostras de dois pacientes diagnosticados com a doença em setembro.

Essa nova linhagem está sendo monitorada mundialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade classificou a XEC com potencial “vantagem de crescimento” em relação a outras cepas em circulação. Segundo a Fiocruz, o achado foi possível graças à vigilância genômica, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

O monitoramento foi intensificado entre agosto e setembro, período no qual amostras de swab nasal de pacientes diagnosticados com Sars-CoV-2 por testes rápidos foram enviadas ao laboratório para sequenciamento genético.

Embora a XEC tenha sido identificada, a linhagem predominante no Brasil ainda é a JN.1, que circula de forma majoritária desde o fim de 2023. O surgimento da cepa é resultado de um processo conhecido como recombinação genética. De acordo com a Fundação, esse fenômeno ocorre quando um indivíduo é infectado simultaneamente por duas linhagens diferentes do vírus, o que pode levar à mistura dos genomas dos patógenos.

Dados da plataforma global de monitoramento genômico Gisaid indicam que a XEC já foi identificada em 35 países, com mais de 2,4 mil sequências genéticas registradas até 10 de outubro de 2024. A linhagem chamou a atenção pela primeira vez em junho e julho, com um aumento de casos na Alemanha. Desde então, a cepa se espalhou rapidamente, sendo detectada na Europa, Américas, Ásia e Oceania. Na Europa, o continente onde tem maior prevalência, há 13 países que confirmaram casos.

No Brasil, a vigilância genômica reforçada contribuiu para a detecção precoce da nova linhagem. No entanto, não há dados que sugiram que a XEC cause sintomas mais graves ou distintos das variantes anteriores. Os sintomas permanecem semelhantes aos de outras linhagens da ômicron, com febre alta, dor de garganta e cabeça, tosse, dor no corpo, além de fadiga.

Apesar de a OMS manter a XEC sob monitoramento, a entidade ainda não a classificou como uma “variante de preocupação“, categoria que engloba cepas com maior transmissibilidade ou potencial de causar casos graves. As doses das vacinas da covid-19 oferecem proteção contra as subvariantes da ômicron.

O presidente da Sociedade Paulista de Infectologia, Carlos Magno Fortaleza, tranquiliza a população sobre o risco de uma nova emergência de saúde pública. “Essa nova variante tem sido mundialmente monitorada. Aparentemente, a variante não causa doenças graves e não há comprovações de que seja mais transmissível. Então, o risco de mais uma emergência de saúde pública, como a pandemia, é muito pequeno. Não há necessidade, nesse momento, de nenhum cuidado especial da população“, afirmou.

OMS alerta para aumento de casos de Covid-19 e queda alarmante na vacinação

Dados apontam aumento substancial em 84 países para exames positivos (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A diretora técnica para Preparação e Prevenção de Epidemias e Pandemias da Organização Mundial da Saúde (OMS), Maria Van Kerkhove, disse nesta terça-feira (06) que a covid-19 segue “bastante presente entre nós” e que o vírus circula atualmente em todos os países. Segundo ela, dados de sistemas de vigilância em 84 países apontam para um aumento substancial na detecção de testes positivos para a doença.

De forma geral, os números mostram uma ampliação de 10% na taxa de testes positivos para covid, mas o índice varia de região para região. Na Europa, por exemplo, o aumento foi de 20%. Além disso, o monitoramento de águas residuais feito pela OMS sugere que a circulação do vírus pode ser entre duas e 20 vezes maior do que o relatado atualmente. “Isso é importante porque o vírus continua a evoluir, o que nos coloca em risco de mutações mais perigosas”.

Durante coletiva de imprensa em Genebra, Maria citou elevação no número de internações e de mortes por covid em diversos países e destacou que um cenário de circulação elevada do vírus nessa época do ano não era esperado, já que os vírus respiratórios tendem a circular mais fortemente durante o inverno no Hemisfério Norte. “Ao longo dos últimos meses, independentemente da estação, diversos países reportaram aumento de casos de covid-19”.

Compartilhamento de dados

A diretora da OMS alertou que, de um total de 234 Estados-membros, apenas 34 reportaram dados sobre hospitalização por covid; 24 reportaram dados sobre internações em unidades de terapia intensiva (UTI) por covid; e 70 reportaram dados sobre mortes provocadas pelo vírus. “Estamos cegos no que diz respeito aos impactos da covid”, disse, ao destacar que a entidade depende dos números para estabelecer, por exemplo, o nível de risco para a doença.

Queda na vacinação

Maria também demonstrou preocupação em relação ao que chamou de “queda alarmante” das taxas de vacinação contra a covid-19 em todo o mundo – sobretudo entre profissionais de saúde e pessoas com mais de 60 anos, dois grupos considerados de risco para a doença. “Esse cenário precisa ser remediado com urgência”, disse, ao cobrar de governos que ampliem a vigilância e invistam na aquisição de vacinas.

Uma dose a cada 12 meses

Por fim, a diretora da OMS recomendou que sejam tomadas medidas individuais para reduzir o risco de infecção e de agravamento do quadro, incluindo ter tomado uma dose da vacina contra a covid ao longo dos últimos 12 meses – sobretudo entre pessoas que pertencem a grupos de risco. Maria lembrou que bilhões de doses contra a doença foram administradas com segurança em todo o mundo desde 2021, prevenindo milhões de casos graves e mortes.

“O que se tornou crítico agora é: quando foi a sua última dose? Se você tem alguma comorbidade, precisa ser vacinado, pelo menos, a cada 12 meses”, reforçou, ao citar que a falsa percepção de que o vírus foi embora comprometeu seriamente as taxas de cobertura vacinal pelo mundo. “O vírus está aqui para ficar. Mas o impacto futuro da covid-19 depende de nós”, concluiu.

Covid acelera envelhecimento do cérebro e causa impactos parecidos aos da esquizofrenia e Alzheimer

Covid acelera envelhecimento do cérebro e causa impactos pares aos da esquizofrenia e Alzheimer

Quando uma pessoa é infectada pelo vírus da covid-19, padrões de proteínas do cérebro podem ser alterados, segundo novo estudo brasileiro publicado nesta sexta-feira, 19, na revista científica European Archives of Psychiatry and Clinical Neuroscience.

Surpreendentemente, algumas dessas alterações se assemelham a mudanças que acontecem no cérebro de pessoas com esquizofrenia e doenças cognitivas, como o Alzheimer.

Já se sabe que a covid-19 é uma doença que causa inflamação sistêmica e que, em algumas pessoas, afeta o cérebro.

Sintomas como a névoa cerebral e a falta de memória podem aparecer não só durante a infecção, como permanecer meses após a recuperação do paciente. Quando esses sintomas permanecem por mais tempo, o quadro é chamado de covid longa.

O novo estudo abre caminhos para entender de que forma isso acontece. Nele, os pesquisadores analisaram o proteoma de cérebros de pessoas que morreram por covid-19. Isso significa mapear as proteínas do órgão, uma investigação que não acontece a nível celular, mas, sim, molecular.

“O conjunto de proteínas que as células têm é o complemento do genoma. Ao passo que nós temos nossos genes que determinam todas nossas funções biológicas e quem nós somos, a proteína é a forma com a qual esses genes se expressam”, explica Daniel Martins-de-Souza, pesquisador do Laboratório de Neuroproteômica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

“O genoma é uma receita de bolo e a proteína é o bolo”, exemplifica.

Dessa forma, depois de mapear os padrões de proteínas no cérebro de pessoas com covid-19, os autores do estudo analisaram quais funções foram afetadas pelas mudanças encontradas em relação a um cérebro saudável e também em relação ao cérebro de pessoas com esquizofrenia.

Neurodegeneração

Segundo o pesquisador, o achado mais marcante do estudo se deu após a comparação da presença de proteínas associadas à neurodegeneração, ou seja, ao envelhecimento das células do cérebro.

No geral, a esquizofrenia não é uma doença neurodegenerativa clássica, cuja principal característica é essa neurodegeneração. Mas, ainda assim, seus portadores apresentam traços de envelhecimento celular, de acordo com os autores do novo estudo.

Contudo, por ser uma condição de origem genética e se manifestar de maneira crônica, esses danos aos neurônios acontecem ao longo da vida, no decorrer de décadas. Ainda assim, se assemelham ao que acontece no cérebro após uma infecção por covid-19, que é aguda e dura apenas alguns dias ou semanas.

“Quer dizer, o vírus faz um estrago logo de cara, a ponto de trazer as proteínas associadas à neurodegeneração”, comenta Martins-de-Souza.

Ele conta que essas proteínas são estruturas que foram previamente encontradas em estudos sobre a doença de Parkinson, Alzheimer e doença de Huntington. Além disso, a pesquisa identificou que, tanto o vírus quanto a esquizofrenia alteram a neurotransmissão, ou seja, a comunicação entre as células cerebrais.

Isso poderia explicar a perda cognitiva que a covid-19 causa em algumas pessoas. No entanto, o pesquisador afirma que, para entender como isso acontece, mais estudos são necessários.

Covid-19 segue causando 1.700 mortes no mundo a cada semana, aponta OMS

O coronavírus causador da covid-19 foi detectado pela primeira vez em Wuhan, China, no final de 2019 (foto: Javier Torres/AFP)

A covid-19 segue causando cerca de 1.700 mortes por semana em todo o mundo, declarou nesta quinta-feira (11) a Organização Mundial da Saúde (OMS), com pedidos para que as pessoas em grupos de risco continuem se vacinando contra a doença.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou durante uma coletiva de imprensa em Genebra, na Suíça, sobre uma redução na cobertura de imunização.

Apesar dessas mortes, “os dados mostram que a cobertura de vacinação diminuiu entre trabalhadores da saúde e pessoas acima de 60 anos, dois dos grupos de maior risco”, lamentou.

“A OMS recomenda que pessoas pertencentes aos grupos de maior risco recebam uma vacina contra covid-19 nos 12 meses seguintes à sua última dose”, acrescentou o chefe da organização.

A OMS registrou mais de sete milhões de mortes por esta doença, embora o número real de vítimas da pandemia aparente ser muito maior.

O coronavírus causador da covid-19 foi detectado pela primeira vez em Wuhan, China, no final de 2019.

A OMS instou os governos a manterem vigilância e sequenciamento do vírus, além de garantirem acesso a testes, tratamentos e vacinas acessíveis e confiáveis.

Covid-19 domina casos de infecções respiratórias nos estados do Centro-Sul

A Covid-19 representa quase 70% dos casos de infecções respiratórias registrados em 2024. — Foto: g1 PB

A Covid-19 domina os casos de infecções respiratórias notificados nos estados do Centro-Sul. Segundo o boletim InfoGripe da Fiocruz divulgado na quinta-feira (29), o coronavírus representa quase 70% dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2024.

O monitoramento aponta que 18 estados apresentam sinais de crescimento de SRAG no período de longo prazo:

Bahia
Ceará
Espírito Santo
Goiás
Maranhão
Mato Grosso
Mato Grosso do Sul
Minas Gerais
Pará
Paraíba
Paraná
Rio Grande do Sul
Rio de Janeiro
Roraima
Santa Catarina
Sergipe
São Paulo

Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe, alerta que o cenário nacional é preocupante, com praticamente todo o Centro-Sul com o crescimento de casos associado à Covid-19.

“Em alguns estados do Sul e do Sudeste há uma circulação, ou seja, está circulando ao mesmo tempo Covid-19 e influenza. Embora a Covid esteja gerando um número muito mais expressivo de internações do que a gripe, observamos essa circulação simultânea”, analisa Marcelo.

O boletim mostra que a maior incidência de Covid-19 nesses estados segue sendo em crianças de até dois anos e na faixa etária a partir dos 65 anos.

Os especialistas explicam que alguns fatores explicam alta de casos de infecções respiratórias observada nas últimas semanas.

Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), pontua que a circulação da cepa JN e suas subvariantes é a principal razão para o aumento.

O infectologista comenta que fatores como o carnaval também podem ter contribuído para esse cenário de alta, que é registrado desde janeiro.

“O carnaval também pode ter ajudado, tanto por conta dos grandes deslocamentos, com muita gente viajando, como pelas grandes aglomerações desse período”, explica.

O aumento na realização de testes laboratoriais evidencia essa alta da circulação dos vírus em estados do Centro-Sul, em especial da Covid-19.

Dados da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) apontam que entre a segunda e a terceira semana de fevereiro houve uma alta de 61% no número de exames de Covid realizados nos laboratórios.

Covid: JN.1 é a variante mais prevalente em todo o mundo

Covid: cientistas identificam novo sintoma relacionado à variante JN.1 |  Metrópoles

A nova variante da covid-19, chamada JN.1, continua sendo a cepa do SARS-coV-2 de maior circulação em muitos países ao redor do mundo, entre eles, Índia, China e Estados Unidos, de acordo com um relatório divulgado em 22 de janeiro do Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Por meio dos pesquisadores da agência, eles continuam a “aprender mais sobre JN.1, mas atualmente não há evidências de que cause doenças mais graves”. No Brasil, já foram identificados casos no Ceará, São Paulo e Mato Grosso do Sul, sendo alguns casos não tinham histórico de viagem ao exterior, concluindo que ela poderia estar em circulação no país.

A pesquisa feita pela CDC, em 19 de janeiro, confirmou que a JN.1 representa aproximadamente de 83% a 88% de outras variantes que circulam do SARS-Cov-2, um aumento que representa a prevalência estimada de 55% a 68% nas duas semanas anteriores. A organização americana ainda alerta que os Estados Unidos enfrenta alta de casos de gripe e covid-19, na qual está associado as baixas temperaturas.

“A JN.1 está contribuindo para a propagação do covid-19 neste inverno”, disse a agência.

Além disso, no relatório, pesquisadores informam que é esperado que as vacinas atuais contra a covid-19 aumentem a proteção contra a JN1, “tal como o fazem contra outras variantes, ajudando a prevenir doenças graves”.

Nos Estados Unidos, apenas 8% das crianças, 19% dos adultos e 38% dos idosos com 65 anos ou mais relataram ter recebido a vacina covid-19. Já no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde (MS), mais de 69 milhões de brasileiros não tomaram a primeira dose de reforço contra a covid-19.

Pelas redes sociais, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a JN1 como uma “variante de interesse separada” devido à proporção rapidamente crescente. De acordo com a organização, “o risco adicional para a saúde é atualmente avaliado como baixo”.

Ainda de acordo com a OMS, “o risco adicional para a saúde pública global representado pelo JN.1 é atualmente avaliado como baixo. As vacinas atuais continuam a proteger contra doenças graves e morte por JN.1 e outras variantes circulantes do SARS-CoV-2, o vírus que causa a covid-19”, escreveu.

Sintomas

A organização CDC ainda informa que os sintomas podem aparecer de 2 a 14 dias após a exposição ao vírus, esses podendo ser leves ou graves. São eles:

Febre ou calafrios;
Tosse;
Falta de ar ou dificuldade para respirar;
Fadiga;
Dores musculares ou no corpo;
Dor de cabeça;
Perda de paladar ou olfato;
Dor de garganta;
Congestão ou coriza;
Náusea ou vômito;
Diarréia.

Contudo, vale lembrar que, os sintomas podem mudar de acordo com as novas variantes da Covid-19 e podem variar dependendo do estado de vacinação. Idosos e pessoas com condições médicas subjacentes, como doenças cardíacas, pulmonares ou diabetes, possuem o maior risco de ficarem em estado grave devido à covid-19.

Prevenção

Uso de máscaras em áreas fechadas;
Higienizar as mãos;
Uso de álcool em gel;
Evitar tocar os olhos, nariz e boca com as mãos sujas;
Ficar em casa quando estiver com sintomas gripais;
Cobrir a boca quando for tossir ou espirrar (com lenço ou com a parte interna do cotovelo);
Em caso de sintomas mais graves, procurar um profissional da saúde.

Vacina em spray nasal brasileira tem 100% de eficácia contra Covid em camundongos

Vacinas nasais contra a Covid-19 são aprovadas no mundo.

Uma nova vacina contra a Covid-19, administrada por via nasal em forma de spray e desenvolvida por pesquisadores brasileiros, apresentou 100% de eficácia contra a doença em testes iniciais com camundongos. O estudo em que detalham os experimentos foi publicado na revista científica Vaccines.

A dose foi desenvolvida no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O projeto conta ainda com a ajuda de pesquisadores de outras instituições da USP e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo os responsáveis pelo imunizante, a vacina figura entre poucas vacinas nasais contra a Covid-19 no mundo que chegaram na etapa de testes com animais. A expectativa é alta: por induzir a resposta imune diretamente na mucosa do nariz, local por onde o vírus entra no organismo, é esperado que ela apresente um melhor desempenho em barrar a contaminação.

“Como o SARS-CoV-2 (vírus causador da Covid-19) é um vírus respiratório, foi natural propor uma vacina que pudesse neutralizá-lo já na área mais propensa às suas tentativas de entrada no corpo humano, ou seja, nas vias aéreas superiores”, conta Momtchilo Russo, professor do Departamento de Imunologia do ICB e um dos coordenadores do estudo, em comunicado.

Para induzir a resposta imunológica, a vacina utiliza a proteína Spike do novo coronavírus, que fica na superfície do patógeno e é a que ele usa para se conectar e contaminar a célula humana. Além disso, a dose conta com um adjuvante, substância que amplia a produção das defesas. Juntos, a proteína e o adjuvante são envoltos numa partícula de lipídio chamada de lipossoma.

Até então, a formulação é semelhante a de outras vacinas que existem para a doença. O grande diferencial é a forma de administração, a via nasal. Os pesquisadores explicam que, nas mucosas, há uma grande produção de anticorpos, por isso o estímulo diretamente ali deve proporcionar melhores defesas.

Foi o que aconteceu com os animais geneticamente modificados para serem infectados pelo SARS-CoV-2 nos testes. Geralmente, quando não imunizados, os camundongos desenvolvem pneumonia, perdem peso e morrem devido à infecção em até sete dias.

Porém, no experimento, 100% dos animais que receberam a vacina nasal ficaram protegidos e sobreviveram. Além disso, quando comparados a uma parcela das cobaias que receberam o imunizante injetável de Oxford/AstraZeneca, a dose pelo nariz mostrou uma maior eficiência em eliminar o vírus do pulmão e induzir a produção de anticorpos. Os camundongos foram expostos a versões das variantes Gama, Delta e Ômicron.

Agora, a expectativa é que a dose avance nos testes. Se chegar às etapas clínicas, em humanos, e ter a sua eficácia e segurança comprovadas, Russo explica que a nova vacina “pode funcionar muito bem como reforço heterólogo, combinando-a com outros tipos de vacinas já aplicadas anteriormente”. Além disso, será um imunizante 100% nacional.

Casos de covid-19 aumentam em estados do Nordeste

Casos de covid-19 aumentam em estados do Nordeste

Estados do Nordeste registraram aumento de casos de covid-19, entre os dias 3 e 9 deste mês, período referente à Semana Epidemiológica (SE) 49, conforme indicam dados inseridos no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) até o dia 11 de dezembro. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (14), no Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

De acordo com o boletim, a Bahia, que foi o primeiro estado a anotar a elevação dos registros recentes na região, verifica um recuo nos casos, mas ainda mantém crescimento nas novas ocorrências. Embora tenha registrado crescimento depois de outros estados da região, no Ceará, os casos aumentam semana a semana.

Os estados do Maranhão, da Paraíba e de Pernambuco estão com sinal inicial de aumento recente nos casos, principalmente em pessoas de idade avançada.

“Há sinal de aumento na Bahia, no Ceará, no Maranhão, na Paraíba e em Pernambuco em relação à SRAG por covid-19. No Maranhão, na Paraíba e em Pernambuco, o volume ainda é relativamente baixo, e o ritmo de crescimento é leve, indicando possível início de ciclo”, informou a Fiocruz.

Conforme a atualização de hoje, Acre, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Paraíba, Piauí e Rondônia apresentaram sinal de crescimento das síndromes respiratórias agudas graves por covid-19 na tendência de longo prazo. Já em Minas Gerais, permaneceu o sinal de platô, mas ainda sem indício claro de queda.

“No Acre, no Espírito Santo, em Mato Grosso, no Piauí e em Rondônia, trata-se apenas de oscilação”, completou a fundação.

Em escalada diferente, no centro-sul, não há mudança no cenário anterior e continua o sinal de queda em relação à covid-19. Em Minas Gerais, houve interrupção no crescimento e a fase de estabilidade no número de casos continua.

Espírito Santo e Mato Grosso do Sul, que recentemente tinham registrado leve aumento, agora estão classificados apenas como oscilação, disse o pesquisador do Programa de Computação Científica (Procc/Fiocruz) e coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes.

Capitais
Dez capitais apresentaram sinal de aumento: Aracaju; Campo Grande; Florianópolis; Fortaleza; João Pessoa; Maceió; Rio de Janeiro; Salvador; Teresina e Vitória.

Segundo a Fiocruz, em Fortaleza, João Pessoa e Salvador, o cenário é decorrente da covid-19, especialmente na população de idade avançada. Em Aracaju e Maceió, o sinal atual pode indicar possível início de ciclo, embora o volume de casos ainda seja relativamente baixo e o crescimento seja apenas incipiente.

“No Rio de Janeiro, o crescimento recente se concentra em crianças entre 2 e 14 anos de idade, o que não sugere associação à covid-19. Situação similar se observa em Curitiba”, informou a Fiocruz, acrescentando que em Campo Grande, Florianópolis, Teresina e Vitória, “a análise por faixa etária sugere tratar-se apenas de oscilação”.

Por conta de sublinhagens de variante da Covid-19, nova vacina bivalente é recomendada em Pernambuco

Ministério da Saúde reforça que vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde são eficazes

Por conta da descoberta das sublinhagens JN.1 e a JG.3 de uma variante da Covid-19 no Brasil, o Ministério da Saúde recomenda que uma nova dose da vacina bivalente seja recebida pela população com 60 anos ou mais e também imunocomprometidas com 12 anos ou mais, desde que tenham recebido a última dose da vacina há mais de seis meses. Em Pernambuco, a medida começou a valer nesta quarta-feira (6), de acordo com a Secretaria de Saúde.

A Secretaria frisou que as medidas não-farmacológicas, aliadas à vacinação, são importantes para evitar possíveis riscos da Covid-19, assim como suas sequelas. Entre as recomendações já conhecidas da população, estão: lavagem frequente das mãos, uso de máscaras se houver sintomas respiratórios e, se possível, que sejam evitadas aglomerações.

“Neste momento, é importante que todos os brasileiros atualizem o esquema vacinal com todas as doses recomendadas para cada faixa etária, incluindo o reforço bivalente. Todas as vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde são eficazes contra variantes que circulam no país, prevenindo sintomas graves e mortes”, disse o Ministério da Saúde, por meio de um comunicado.

Superintendente do Programa Nacional de Imunizações de Pernambuco (PNI-PE), Jeane Torres confirmou que as doses do imunizante já se encontram à espera do público prioritário no estado.

“Devido ao aumento de casos da Covid-19, os municípios começaram a se organizar para intensificar a vacinação. Nesta quarta, fizemos um comunicado para que todos começassem a vacinar com a bivalente. As salas de vacinas estão abastecidas e o grupo prioritário deve procurar a unidade básica de saúde mais próxima de suas casas”, sinalizou.

Também está disponível no SUS, gratuitamente, o antiviral nirmatrelvir/ritonavir para o tratamento da infecção pelo vírus em idosos com 65 anos ou mais e imunossuprimidos com 18 anos ou mais, logo que os sintomas aparecerem e houver a confirmação de teste positivo.

JN.1
A sublinhagem JN.1 foi encontrada de início no Ceará. Até o momento, ela é responsável por 3,2% das positividades dos casos da Covid-19 em todo o mundo.

JG.3
A sublinhagem JG.3, por sua vez, já foi detectada nos estados do Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás.

Covid-19 cresce em Pernambuco

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE), há um aumento no total de confirmações e no índice de positividade da doença no estado.

A crescente foi iniciada no final de outubro. Em cinco semanas, o total de casos saiu de 89 para 776. Já a taxa de positividade dos testes realizados saiu de 3,8% para 16,6%.

Vacinação em 2024
A partir de 2024, a vacinação contra a Covid-19 terá como foco as crianças de seis meses e menores de cinco anos. Nessa faixa etária, o esquema vacinal completo contará com três doses. A criança que tiver tomado as três doses em 2023, não vai precisar repetir.

Após cinco anos, crianças e adultos que integram grupos prioritários receberão dose de reforço em 2024. São eles: idosos, imunocomprometidos, gestantes e puérperas, trabalhadores da área de saúde, pessoas com comorbidades, indígenas, ribeirinhos e quilombolas, pessoas vivendo em instituições de longa permanência e seus trabalhadores, pessoas com deficiência permanente, pessoas privadas de liberdade maiores de 18 anos, adolescentes e jovens cumprindo medidas socioeducativas, funcionários do sistema de privação de liberdade e pessoas em situação de rua.

Esses grupos possuem maior risco de desenvolver formas graves da doença. A inclusão desse público já passou por avaliação da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19 (CTAI) e do Programa Nacional de Imunização (PNI).

Queiroga rebate críticas e diz que gestão Bolsonaro fez história na saúde

Por Folha de São Paulo

O ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga e o ex-secretário de Atenção Primária Raphael Câmara Parente publicaram no último sábado (23) uma carta no periódico The Lancet em que rebatem críticas feitas à gestão do Ministério da Saúde durante a pandemia de Covid.

Queiroga comandou a pasta de março de 2021 até dezembro de 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

Na mesma edição, o Lancet publicou uma réplica dos autores das críticas. Entre eles estão o professor da FGV Adriano Massuda, o consultor nacional da Opas (Organização Pan-americana de Saúde) e professor da UnB Rafael Dall’Alba, os ex-ministros da Saúde André Chioro (2014-2015) e José Gomes Temporão (2007-2011) e a demógrafa Marcia Castro, colunista da Folha.

O periódico The Lancet é considerado o mais prestigiado na área médica do mundo.

No artigo original, publicado em fevereiro na mesma revista, os autores sugeriram medidas para recuperar a ação coordenada do Ministério da Saúde depois de um “governo de extrema direita”. Eles citaram, por exemplo, a necessidade de aumentar o financiamento do SUS, de reduzir desigualdades regionais no acesso à saúde e de fortalecer a atenção primária.

Também mencionaram ações com resultados desastrosos da gestão anterior na saúde: crise sanitária na Terra Indígena Yanomami, mortes por Covid, deterioração de indicadores de saúde e aumento da mortalidade materna nos últimos quatro anos.

Queiroga e Parente, por sua vez, começaram o seu texto criticando o que consideraram “uso pejorativo do termo extrema direita”, o que denota “viés subjetivo”. Para eles, há ação política dos autores.

Ainda segundo eles, foram escondidos dados positivos da gestão do antigo governo. Bolsonaro, continuaram eles, “encarou a maior e mais substancial emergência sanitária que o mundo já viu”, mas “fez mais do que qualquer outra na história do país” pela saúde.

Por fim, Queiroga e Parente escreveram que o artigo dos críticos “serve apenas para justificar os horrores que virão e já estão surgindo desde o início do novo governo, há nove meses, quando nenhuma política pública de saúde foi anunciada”.

Na réplica, os autores do primeiro artigo declararam que as falas de Queiroga e de seu secretário “disseminam mentiras para construir uma realidade distorcida” e que a gestão representou, na verdade, um fiasco histórico, como mostram os dados e fatos históricos.

“A resposta catastrófica do governo carrega uma grande responsabilidade em milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas. A campanha [do governo] desencorajou ativamente as medidas protetoras, como o uso de máscaras e o distanciamento social”, diz o texto.

Bolsonaro poderia ter evitado 350 mil mortes de Covid, diz Mandetta

Em balanço retrospectivo do enfrentamento da pandemia pelo governo Bolsonaro, Mandetta afirma que o ex-presidente fez tudo o que um chefe de estado não deveria (Crédito: Isac Nóbrega/PR)

“Poderíamos ter evitado metade dos mortos. Se tivesse feito a campanha direitinho, falando todos a mesma língua, diminuindo a velocidade de transmissão, teríamos tido um resultado muito melhor”, avalia Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde, em sua primeira entrevista após a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter decretado o fim da emergência sanitária mundial.

Pela estimativa de Mandetta, dos cerca de 700 mil óbitos ocorridos no Brasil – que representam 10% dos registros no mundo – as mortes de 350 mil pessoas por Covid-19 poderiam ter sido evitadas se o governo Jair Bolsonaro não tivesse politizado o enfrentamento da doença e desmantelado a coordenação unificada do Ministério da Saúde no combate à pandemia.

Em balanço retrospectivo do enfrentamento da pandemia pelo governo federal, Mandetta afirma que Bolsonaro fez tudo o que um chefe de estado não deveria, naquele cenário de pandemia, se quisesse salvar vidas. “Quando iniciamos o enfrentamento, tivemos alguns princípios: proteger a vida incondicionalmente, manter a coordenação do enfrentamento no Ministério da Saúde, usando o SUS como meio e a ciência para decidir. Eram os pilares de nossa estratégia” , afirma Mandetta.

“Mas a ideia dele (Bolsonaro) era retirar o Ministério da Saúde do enfrentamento, deixando isso a cargo de governadores e prefeitos, ficando o presidente como crítico e oposição, transformando a vida de governadores e prefeitos num inferno”, avalia o ex-ministro.

“As pessoas acham que ele é louco, mas foi decisão política, com começo, meio e fim. Foi decisão deliberada e consciente, porque informei por escrito e avisei qual era a projeção de mortes nesse cenário de confusão informacional e de falta de coordenação de Brasília, caso fosse adotada a tese da imunidade de rebanho, dentro da máxima do Paulo Guedes de que entre economia e saúde, ficaria com a economia”, revela Mandetta.

A primeira providência de Jair Bolsonaro, depois da exoneração de Mandetta – e na sequência, a saída de Nelson Teich – foi desmantelar a estrutura unificada no Ministério da Saúde sob o Sistema Único de Saúde (SUS), com um grupo técnico de pesquisadores e profissionais das maiores instituições brasileiras, em contato permanente com os principais centros de pesquisa do mundo, para o embasamento do processo decisório.

Também a estrutura de comunicação permanente com a sociedade, para esclarecimento devido, evitando o charlatanismo nas mídias digitais, foi interrompido. A imprensa brasileira precisou se organizar em consórcio para acompanhar e divulgar as estatísticas da Covid-19, o que era papel do Ministério da Saúde.

“Fizeram uma intervenção militar no Ministério da Saúde, com o que tem de mais desqualificado no Exército, o pessoal de logística. Se o Exército tem generais da área da saúde, por que não colocaram um deles? Porque queriam uma pessoa servil, que sem compromisso com o combate à Covid-19”, afirma o ex-ministro.

“Foi uma decisão política que levou muitas pessoas à morte. E não foi decisão política tomada sem ter sido avisado. Fizemos três cenários, e o cenário mais pessimista que projetamos, foi exatamente aquele que Bolsonaro escolheu: o caos informacional e a desarticulação do sistema de saúde. Bolsonaro foi para esse cenário de forma completamente consciente. E eu mandei por escrito”, diz Mandetta.

Caos nos estados
Sem consenso em Brasília, os entes federados já não trabalhavam juntos. Governadores e prefeitos bolsonaristas adotavam a narrativa negacionista em confronto com governadores e prefeitos que seguiam as orientações científicas.

O grau de politização no trato à doença transbordou para diversas instituições brasileiras, inclusive o Conselho Federal de Medicina, que, em tese, foi criado para zelar pela boa prática médica.

“Chegamos ao fundo do poço.O Conselho Federal de Medicina, valida essa narrativa negacionista e cria dois tipos de médicos na ponta: aquele que dava cloroquina e aquele que não dava. Politizaram a própria prática médica”, assinala Mandetta.

Atraso das vacinas
Depois de ignorar as oportunidades de adquirir de laboratórios internacionais as vacinas mais rapidamente, também a imunização foi politizada e Jair Bolsonaro iniciou a pregação contra as vacinas. “Politizaram a vacina, porque acharam que haveria imunidade de rebanho. Não adotaram a minha recomendação, que era de comprar a vacina cedo. Eu assinei e induzi a Fiocruz ao acordo de cooperação com a Oxford e disse vamos apoiar o Butantã com a China. Senão não teríamos tido vacina”, relembra Mandetta, registrando que na segunda onda da Covid-19, morreram, entre 31 de dezembro e 31 de julho, quase 380 mil pessoas.

“Foi um número absurdo de óbitos no primeiro semestre de 2021”, aponta ele. “E foi aquela barbaridade, aquela vergonha de Manaus. E o que fazem? Vão para Manaus e mandaram grupos de pacientes para todas as capitais brasileiras. Os pacientes com a cepa delta”, diz ele, explicando que uma mudinha da cepa foi colocada em cada lugar de concentração humana no Brasil.

“Foi o nosso desespero. Curitiba, São Paulo ficaram quase sem oxigênio. Não existe país no mundo em condições de produzir oxigênio para o país todo com consumo 38 vezes maior do que a média. Foi nosso maior pesadelo. Chegaram a morrer 4.500 pessoas em um único dia”, aponta.

OMS modifica recomendações para vacinação contra a Covid-19

Vacina bivalente contra a covid-19

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que os adultos com boa saúde não precisam de uma dose adicional da vacina contra a Covid, além da vacinação primária e de um primeiro reforço, pois os benefícios são mínimos.

Para este grupo de pessoas com menos de 60 anos de risco médio, assim como crianças e adolescentes de seis meses a 17 anos com comorbidades, não há risco de receber doses adicionais, mas os “benefícios para a saúde são reduzidos”, afirmaram os especialistas em vacinas da OMS.

O Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (SAGE) da OMS divulgou as recomendações atualizadas após sua reunião esta semana em Genebra.

As novas recomendações do SAGE refletem o impacto da variante ômicron e do elevado nível imunização registrado entre a população mundial devido às infecções e graças à vacinação, afirmou a OMS.

O SAGE propôs três novas categorias prioritárias para a vacinação contra a Covid, com base no risco de desenvolver uma forma grave da doença ou de morte: alto, médio e baixo.

Ao mesmo tempo, idosos, adultos com outras patologias, imunossuprimidos, grávidas e profissionais de saúde da linha da frente são aconselhados a receber uma dose de reforço após a vacinação inicial e o primeiro reforço.

O SAGE recomenda um intervalo de seis a 12 meses entre os reforços dependendo das comorbidades.

Hospitalizações por covid-19 crescem em quatro estados

 (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) – associados à covid-19 – mantiveram a tendência de alta já registrada nas últimas semanas no Amazonas e São Paulo e também apresentam tendência clara de aumento no Ceará e no Rio de Janeiro.

É o que revelam informações divulgadas ontem (10) no último Boletim Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os dados de 26 de fevereiro a 4 de março apontam, ainda, para sinais iniciais de aumento em Mato Grosso do Sul e no Pará.

O avanço da SRAG por covid-19 – que gera hospitalizações – está mais associado a casos na população adulta. O InfoGripe também registra crescimento de casos entre crianças e adolescentes, mas não há uma associação viral clara, segundo o coordenador do boletim, Marcelo Gomes.

“Na Bahia, em Mato Grosso do Sul, no Paraná, em Santa Catarina e, em menor escala, em São Paulo, existe aumento nos casos positivos para rinovírus nas crianças até 11 anos”, disse o pesquisador, em texto divulgado pela Agência Fiocruz de Notícias.

Vacinas
Ele destaca que o novo cenário de crescimento reforça a importância da campanha de vacinação iniciada no dia 27 de fevereiro pelo Ministério da Saúde, em que os grupos prioritários já podem receber as vacinas bivalentes contra covid-19, atualizadas para conferir maior proteção contra a variante Ômicron.

Ao todo, 18 unidades da federação apresentam tendência de crescimento nos casos de SRAG, porém, apenas nas destacadas pelo estudo o movimento já pode ser considerado realmente uma expansão. No Amazonas, além da covid-19, as hospitalizações por SRAG também estão associadas a casos de influenza A.

Apesar disso, o boletim informa, também, que em Alagoas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina há um crescimento de casos de SRAG concentrado entre crianças e adolescentes, que, até o momento, não se reflete na população adulta.

Criado para divulgar dados sobre Covid, consórcio de veículos de imprensa chega ao fim

Criado para divulgar dados sobre Covid, consórcio de veículos de imprensa  chega ao fim | Saúde | O Globo

Após 965 dias ininterruptos de trabalho, o consórcio de veículos de imprensa encerra neste sábado (28) sua missão de garantir a transparência sobre o impacto do coronavírus e da vacinação. O consórcio foi criado em junho de 2020 quando o governo de Jair Bolsonaro (PL) tentou omitir dados da população e atrasar os boletins sobre a doença.

O fim do consórcio não significa que a pandemia de Covid-19 acabou. A divulgação dos casos e mortes continuará a ser feita por cada órgão de imprensa. Contudo, não há mais necessidade de apuração diária dos dados em conjunto pelos veículos que participaram do projeto — g1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL.

O consórcio surgiu como resposta da imprensa primeiramente diante do atraso na publicação dos dados: ela era feita pelo Ministério da Saúde todos os dias às 17h (na gestão do então ministro Luiz Henrique Mandetta) ou às 19h (sob a gestão de Nelson Teich). Em 3 de junho de 2020, quando foi registrado recorde à época de 1.349 mortos em 24 horas, o então ministro Eduardo Pazuello só divulgou os dados às 21h45. No dia seguinte, com um novo recorde de 1.471 óbitos, o boletim só foi publicado às 22h na página do ministério na internet.

Além do atraso, houve outras iniciativas contra a transparência. O boletim oficial passou a dar destaque aos casos e aos óbitos registrados no dia, mas sem o total acumulado de mortos e infectados. Casos registrados como de “recuperados”, mesmo sem haver à época o conhecimento de cura da doença, também passaram a receber mais destaque.

Bolsonaro chegou a dizer que não apresentar o número de mortos pela Covid era “bom para o Brasil” e confirmou que houve a intenção de atrasar os dados, ao afirmar que “acabou matéria no Jornal Nacional”. “Não interessa de quem partiu [a ordem para modificar o horário], é justo sair às 22h, é o dado completamente consolidado. Muito pelo contrário, não tem que correr para atender a Globo”, afirmou ele, à época.

A posição do governo federal foi duramente criticada por especialistas e por veículos internacionais. A divulgação correta dos números é importante para o planejamento de políticas públicas e a própria segurança sanitária da população.

O padrão de boas práticas era a divulgação de boletins informativos com casos em investigação, confirmados e descartados, e dados como início dos sintomas e fechamento de cada caso (seja por alta hospitalar ou por óbito).

Quando o consórcio de veículos de imprensa foi formado e passou a divulgar os dados obtidos diretamente com os 26 estados e o Distrito Federal, o governo federal recuou e voltou a publicar os números da pandemia com regularidade e em horário compatível com o trabalho jornalístico. Ainda assim, o consórcio seguiu trabalhando, diante do risco de um novo apagão de dados.

Com o acompanhamento diário da crise, foram registrados marcos da pandemia, como quando o número de mortos chegou a 200 mil no país, em 7 de janeiro de 2021, durante o drama causado pela falta de oxigênio em Manaus. Pouco mais de cem dias depois, em abril de 2021, a marca de 400 mil mortos foi atingida. Foi possível detectar as três grandes ondas de mortes, na metade de 2020 e nos inícios de 2021 e de 2022. Atualmente, a média móvel de óbitos por dia está em torno de 80. É o dobro do registrado no início de novembro, mas nada comparável ao que aconteceu há dois anos, quando chegou a haver mais de 3.000 mortes por dia.

Além dos casos e óbitos, o consórcio passou a divulgar, em 21 de janeiro de 2021, a cobertura vacinal da população com uma ou duas doses. E, a partir de setembro de 2021, as doses de reforço foram incluídas. Mais recentemente, passou a ser feito o acompanhamento da cobertura vacinal das crianças de 3 a 11 anos, que tiveram o início da imunização atrasado no país.

Por promover a transparência em um período de alto risco para a saúde pública, o consórcio recebeu reconhecimento de entidades, como o Prêmio Associação Nacional de Jornais (ANJ) de liberdade de imprensa e o Mídia do Ano, da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje).