
O candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), participou, nesta quinta-feira (10), do debate promovido pelo Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE), na sede da entidade, na área central do Recife, acompanhado do seu candidato a vice-governador, Carlos Costa (Republicanos). A governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), não compareceu ao encontro. Ivan Moraes não foi convidado.
Na abertura do evento, o presidente do Sinpol, Áureo Cisneiros, confirmou formalmente a ausência da gestora, momento em que parte do público presente reagiu com vaias. Aos jornalistas, Cisneiros falou sobre o não comparecimento da candidata à reeleição.
“A gente gostaria de ter feito o debate. A governadora não veio. Isso, infelizmente, diminui muito o debate. Mas a proposta do Sinpol é uma proposta de diálogo, debate por uma segurança pública melhor para o povo pernambucano. E nada melhor do que discutir segurança pública com os policiais. E os policiais civis. Mesmo assim, fizemos a sabatina com os temas centrais a serem resolvidos pelos candidatos e colocamos para o candidato João Campos nossos temas e a nossa valorização também.”
Sobre a lista de participantes, o sindicato esclareceu que o candidato Ivan Moraes não foi convidado para o confronto de propostas. De acordo com a direção do Sinpol, o critério adotado para o envio dos convites restringiu a participação apenas a postulantes que atingiram a marca de 5% ou mais nas pesquisas de intenção de voto.
Compromisso com a categoria
Na ocasião, o ex-prefeito do Recife apresentou propostas voltadas para a segurança pública, valorização profissional e reestruturação da categoria. O encontro também foi marcado por cobranças dos policiais civis do estado sobre déficit de efetivo, condições de trabalho e demandas salariais históricas.
Um dos temas defendidos pelo candidato da Frente Popular foi a criação de uma estrutura voltada para o cuidado com a saúde mental e o bem-estar dos profissionais de segurança. Na ocasião, Campos fez um paralelo com iniciativas adotadas durante a sua gestão na Prefeitura do Recife, afirmando que o governo estadual precisa priorizar o atendimento psicológico, psiquiátrico e médico para a polícia.
“Os estudos apontam que esse grande desafio do cuidado com a saúde mental tem indicadores muito mais graves quando tratamos de profissionais de segurança, que lidam o dia todo com questões de vida ou morte, muito delicadas e de alto risco“, pontuou.
Sobre a defasagem de efetivo apontada pela categoria, o candidato do PSB propôs a criação de uma esteira permanente de contratações associada a um plano de remuneração de quatro anos. Segundo ele, a gestão estadual não pode tratar as pautas de recomposição de pessoal e de reajuste salarial como excludentes.
“O que a gente precisa é combinar o jogo. Se um governo diz que, se contratar mais gente, não pode aumentar salário, e vice-versa, isso é uma tática clara de quem não quer resolver. Vamos primeiro recompor e, em seguida, ajustar a remuneração, dialogando sem litígio.”
Questionado sobre a escolha do comando da Secretaria de Defesa Social (SDS) na sua gestão, caso seja eleito governador, e sobre demandas judiciais dos policiais, como o pleito referente à carga horária e reajustes, João Campos reforçou que a escolha do responsável pela pasta priorizará critérios técnicos e a capacidade de diálogo.
Ademais, ele se comprometeu a discutir a Lei Orgânica da Polícia Civil logo no primeiro ano de governo, buscando construir um pacto de cooperação de longo prazo com os servidores.
“A polícia fica e os servidores vão ficar na ativa por muitos anos, muito mais tempo do que vários mandatos de governador. Se construirmos uma lei orgânica bem feita e equilibrarmos o planejamento de quatro anos, garantiremos um ambiente de harmonia e ânimo para trabalhar.”



