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Desmatamento na Amazônia cai 61,4% em maio de 2026

Lula reforçou que os Estados Unidos estão equivocados quando questionam as ações do Brasil contra o desmatamento/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O desmatamento na Amazônia Legal teve redução de 61,4% em maio deste ano, em relação ao mesmo mês de 2025. É a maior redução percentual de desmatamento já registrada na região. Foram 370 quilômetros quadrados de supressão de vegetação no mês passado, contra 960 quilômetros quadrados em maio de 2025.

Os dados do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter) foram divulgados, nesta quinta-feira (11), durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Observatório Regional Amazônico (ORA) da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília.

Os números do Deter, gerados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), orientam as equipes em campo para ações de combate ao desmatamento, especialmente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, explicou que a redução é um marco. Isso porque, historicamente, o desmatamento aumenta no mês de maio, início da estação seca na Amazônia.

Nós monitoramos isso dia a dia com uma certa aflição. Com o Ibama indo a campo fazendo os embargos remotos, o ICMBio indo a campo impedindo o desmatamento em unidades de conservação federais e também agindo em terras indígenas e assentamentos, conseguimos esse feito fundamental”, disse o ministro.

Já a taxa anual de desmatamento é extraída do sistema do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), que vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte. A expectativa, segundo Capobianco, é ter no próximo período, a ser consolidado em 31 de julho deste ano, o menor número final de desmatamento da história da Amazônia.

No período agregado de agosto de 2025 a maio de 2026, a queda no desmatamento foi de 37,5%, em relação a agosto de 2024/maio de 2025. A área desmatada no período foi de 2.189 quilômetros quadrados, também a menor da história.

Isso mostra que o controle de desmatamento na Amazônia está funcionando”, disse Capobianco, citando ações anunciadas ontem pelo presidente Lula, em cerimônia pelo Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho.

Entre os alertas de desmatamento do Deter, 37,1% foram em áreas regularizadas. Na Amazônia Legal, o desmatamento permitido em propriedades privadas é de 20% da área, de acordo com as regras do Código Florestal.

Já 21,3% dos alertas ocorreram em cima de floresta públicas não destinadas e 17,4% em áreas sem registro fundiário, ou seja, áreas de desmatamento ilegal.

Cerrado

O Inpe apresentou ainda os dados de alertas para o Cerrado, que apontam para uma tendência de queda no desmatamento no bioma. Em maio de 2026, houve redução de 12,2% no desmatamento, em relação a maio do ano passado.

Para o período agregado de agosto de 2025 a maio deste ano, a queda na supressão de vegetação foi de 8,2% em relação ao período anterior. Foram de 4.208 quilômetros quadrados de floresta desmatada.

No caso do Cerrado, 73,4% do desmatamento ocorreu em propriedades privadas já regularizadas. Nesse bioma, 65% das áreas podem ser desmatadas, ou seja, é um desmatamento legal do ponto de vista de autorização.

Acusação dos EUA

A persistência do desmatamento ilegal no Brasil é uma das alegações dos Estados Unidos para a imposição de tarifas adicionais a produtos brasileiros importados no país. No início deste mês, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu uma taxação punitiva de 25% diante de práticas brasileiras “irrazoáveis” e que “oneram ou restringem” o comércio estadunidense.

Na avaliação do USTR, mesmo o Brasil tendo um marco legal para combater desmatamentos ilegais, o país tem um histórico de falhas na sua aplicação eficaz.

O ministro João Paulo Capobianco ressaltou que os dados mostram o contrário. “O Brasil está agindo objetivamente e obtendo resultados comprovados pela pesquisa, pelos estudos científicos, de que a Amazônia está numa nova situação com controle ambiental, com resultados realmente muito positivos”, disse.

O presidente Lula reforçou que os Estados Unidos estão equivocados quando questionam as ações do Brasil contra o desmatamento. “Eles não sabem o trabalho que nós fazemos para fazer com que o desmatamento chegue a zero até 2030”, disse Lula sobre as metas brasileiras na área do meio ambiente e mudanças climáticas.

Isso é uma decisão do nosso governo, é por uma questão de justiça e de participação do Brasil para ajudar o planeta Terra, cumprir com a nossa obrigação de tentar evitar o desmatamento o máximo possível e provando que o não-desmatamento é mais lucrativo do que o desmatamento”, acrescentou.

O ministro também classificou como inverdade a alegação de que o Brasil estaria exportando madeira de origem ilegal. “Toda a madeira exportada pelo Brasil é monitorada. Existe toda cadeia de custódia, com código de barras detalhado, tudo que é extraído no manejo florestal na Amazônia é devidamente acompanhado”, acrescentou.

Maersk testa uso do etanol como combustível limpo para navios no Porto de Suape

Projeto foi apresentado nesta segunda-feira (26), em palestra no Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) para representantes de usinas do Nordeste/Foto: Thatiany Lucena/DP

A APM Terminals está em fase de testes do uso do etanol para o abastecimento de navios no Porto de Suape. O projeto foi apresentado nesta segunda-feira (26), em palestra no Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) para representantes de usinas do Nordeste. A expectativa é de que o etanol seja viabilizado como alternativa de transição energética para o setor marítimo, com potencial para transformar o estado em um hub para o setor.

Projetada como uma aposta da empresa para ser uma alternativa ao uso do metanol, que deve enfrentar desafios como falta de infraestrutura padronizada no mundo para a produção do combustível, o etanol está sendo testado como combustível para frota marítima, que pode abastecer o mercado global.

De acordo com o Diretor de Negócios Públicos da APM Terminals, Felipe Campos, a empresa prevê um cenário conservador em que o etanol ganhe 10% do consumo mundial de combustível marítimo, isso representaria o consumo de cerca de 50 milhões de toneladas de etanol. “Isso é mais do que o Brasil produz hoje, cerca de 37 milhões de toneladas”, aponta. Diante desse cenário, a perspectiva é de que a empresa aproveite a produção que já existe e pode ser ampliada, principalmente no Nordeste do país.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, a perspectiva do consumo do etanol, gerado pelo milho vem crescendo, mas não no ritmo de produção nacional. “É um mercado novo para se usar o etanol diretamente na mistura com o óleo bunker. Pernambuco chegou a produzir 700 milhões de litros de etanol em algumas safras. É um um consumo que pode ser em parte absorvido, também para o abastecimento desses navios com etanol”, explica Renato.

Segundo ele, caso os testes sejam aprovados, o uso do etanol para embarcações pode transformar o Porto de Suape em um hub para abastecer navios de todo o mundo, o que pode movimentar a economia do estado. “Há uma ampla possibilidade de uso desse etanol após os testes e após o funcionamento desses hubs de abastecimento que estão previstos no plano da Maersk. São portos concentradores de abastecimento de navios. Tanto pode ser o próprio produto que é produzido no Nordeste ou até por cabotagem que pode vir de outras regiões do do Brasil e concentrar-se em Pernambuco”, explica.

Nos últimos dois anos, a empresa dinamarquesa investiu R$1,6 bilhão para a construção do terminal de contêineres, no Porto de Suape. A previsão é de que o local seja utilizado como 1º terminal zero de emissão da América Latina.

Mundo entrou em estado de ‘falência hídrica’, alertam pesquisadores da ONU

Ribeirinhos carregam galões de água enquanto atravessam bancos de areia do rio Madeira até a comunidade Paraizinho, em meio à pior seca da história. Humaitá, Amazonas. — Foto: Bruno Kelly/Reuters

O mundo está usando tanta água doce em meio às consequências das mudanças climáticas que entrou em uma era de “falência hídrica”, com muitas regiões incapazes de se recuperar da frequente falta de água.

Cerca de 4 bilhões de pessoas — quase metade da população global — vivem sob escassez severa de água por pelo menos um mês por ano, sem acesso a água suficiente para atender a todas as suas necessidades. Muitas outras pessoas estão vendo as consequências do déficit hídrico: reservatórios secos, cidades afundando, quebras de safra, racionamento de água e incêndios florestais e tempestades de areia e poeira mais frequentes.

Os sinais de falência hídrica estão por toda parte, desde Teerã, onde as secas e o uso insustentável da água esgotaram os reservatórios dos quais a capital iraniana depende, alimentando as tensões políticas, até os EUA, onde a demanda por água ultrapassou a oferta do Rio Colorado, uma fonte crucial de água potável e irrigação para sete estados americanos.

A falência hídrica não é apenas uma metáfora para o déficit hídrico. É uma condição crônica que se desenvolve quando um local usa mais água do que a natureza pode reabastecer de forma confiável e quando os danos aos ativos naturais que armazenam e filtram essa água, como aquíferos e zonas úmidas, se tornam difíceis de reverter.

Um novo estudo que conduzi com o Instituto da Universidade das Nações Unidas para a Água, o Meio Ambiente e a Saúde conclui que o mundo já ultrapassou o ponto das crises hídricas temporárias. Muitos sistemas hídricos não são mais capazes de retornar às suas condições naturais históricas. Esses sistemas estão em estado de fracasso – falência hídrica.

Como é a falência hídrica na vida real

Na falência financeira, os primeiros sinais de alerta muitas vezes parecem administráveis: atrasos nos pagamentos, empréstimos e venda de bens que você esperava manter. Então, a espiral se fecha.

A falência hídrica tem etapas semelhantes.

No início, extraímos um pouco mais de água subterrânea durante os anos de seca. Usamos bombas maiores e poços mais profundos. Transferimos água de uma bacia para outra. Drenamos pântanos e endireitamos rios para abrir espaço para fazendas e cidades.

Então, os custos ocultos aparecem. Os lagos encolhem ano após ano. Os poços precisam ser cada vez mais profundos. Rios que antes corriam o ano todo tornam-se sazonais. Água salgada invade os aquíferos.

Este último efeito, a subsidência, costuma surpreender as pessoas. Mas é um sinal característico da escassez de água. Quando as águas subterrâneas são bombeadas e usadas em excesso, a estrutura subterrânea, que retém esta água quase como uma esponja, pode entrar em colapso. Na Cidade do México, o solo está afundando cerca de 25 centímetros por ano. Uma vez que os poros ficam compactados, eles não podem ser simplesmente preenchidos novamente.

O relatório Global Water Bankruptcy, publicado em 20 de janeiro de 2026, documenta como isso está se tornando comum. A extração de água subterrânea contribuiu para um afundamento significativo do solo em mais de 6 milhões de quilômetros quadrados em todo mundo, incluindo áreas urbanas onde vivem cerca de 2 bilhões de pessoas. Jacarta, Bangkok e Ho Chi Minh estão entre os exemplos mais conhecidos na Ásia.

A agricultura é a maior consumidora de água do mundo, responsável por cerca de 70% do uso global de água doce . Quando uma região fica sem água, a agricultura se torna mais difícil e mais cara. Agricultores perdem seus empregos, tensões aumentam e a segurança nacional pode ser ameaçada.

Cerca de 3 bilhões de pessoas e mais da metade da produção global de alimentos estão concentradas em áreas onde a capacidade de armazenamento de água já está diminuindo ou é instável. Mais de 1,7 milhão de quilômetros quadrados de terras agrícolas irrigadas estão sob estresse hídrico alto ou muito alto. Isso ameaça a estabilidade do abastecimento alimentar em todo o mundo.

As secas estão também aumentando em duração, frequência e intensidade à medida que as temperaturas globais se elevam. Mais de 1,8 bilhão de pessoas — quase 1 em cada 4 seres humanos — enfrentaram condições de seca em vários momentos entre 2022 e 2023.

Esses números se traduzem em problemas reais: preços mais altos dos alimentos, escassez de energia hidrelétrica, riscos à saúde, desemprego, pressões migratórias, agitação social e conflitos.

Como chegamos a este ponto?

Todos os anos, a natureza dá a cada região uma “renda hídrica”, depositando chuva e neve. Pense nisso como uma conta corrente. Essa é a quantidade de água que recebemos a cada ano para gastar e compartilhar com a natureza.

Quando a demanda aumenta, podemos sacar de nossa conta poupança. Retiramos mais água subterrânea do que será reposta. Roubamos a parte da água necessária para a natureza e, nesse processo, drenamos as zonas úmidas. Isso pode funcionar por um tempo, assim como as dívidas podem financiar um estilo de vida perdulário por um tempo.

Essas fontes de água de longo prazo estão agora desaparecendo. O mundo perdeu mais de 4,1 milhões de quilômetros quadrados de zonas úmidas naturais ao longo de cinco décadas. As zonas úmidas não apenas retêm água. Elas também a limpam, amortecem inundações e sustentam plantas e animais selvagens.

A qualidade da água também está diminuindo. A poluição, a intrusão de água salgada e a salinização do solo podem tornar a água muito suja e salgada para uso, contribuindo para a falência hídrica.

As mudanças climáticas estão piorando a situação ao reduzir a precipitação em muitas áreas do mundo. O aquecimento global aumenta a demanda por água das culturas e a necessidade de eletricidade para bombear mais água. Também derrete geleiras que armazenam água doce.

Apesar desses problemas, países continuam a aumentar a retirada de água para apoiar a expansão de cidades, terras agrícolas, indústrias e agora centros de processamento de dados (datacenters) para aplicações de inteligência artificial (IA).

Nem todas as bacias hidrográficas e países estão em falência hídrica, mas as bacias estão interligadas por meio do comércio, da migração, do clima e de outros elementos-chave da natureza. A falência hídrica em uma área exercerá mais pressão sobre outras e pode aumentar as tensões locais e internacionais.

O que pode ser feito?

A falência financeira termina com a transformação dos gastos. A falência hídrica precisa da mesma abordagem:

  • Estancar a hemorragia: O primeiro passo é admitir que o balanço está no vermelho. Isso significa estabelecer limites de uso da água que reflitam a quantidade de água realmente disponível, em vez de apenas perfurar mais fundo e transferir o ônus para o futuro.
  • Proteja o capital natural – não apenas a água: Proteger as zonas úmidas, restaurar os rios, reconstruir a saúde do solo e gerenciar a recarga dos lençóis freáticos não são apenas coisas legais de se fazer. São essenciais para manter o abastecimento de água saudável, assim como um clima estável.
  • Use menos, mas faça isso de forma justa: Gerenciar a demanda por água tornou-se inevitável em muitos lugares, mas os planos de falência hídrica que cortam o abastecimento aos pobres enquanto protegem os poderosos fracassarão.
  • Abordagens sérias incluem proteções sociais, apoio aos agricultores para a transição para culturas e sistemas menos intensivos em água e investimentos em eficiência hídrica.
  • Meça o que importa: muitos países ainda gerenciam a água com informações parciais. O sensoriamento remoto por satélite pode ajudar a monitorar o abastecimento e as tendências hídricas e fornecer alertas antecipados sobre o esgotamento das águas subterrâneas, subsidência do solo, perdas de zonas úmidas, recuo de geleiras e declínio da qualidade da água.
  • Faça planos para usar menos água: A parte mais difícil da falência é psicológica. Ela nos obriga a abandonar velhas referências. A falência hídrica exige redesenhar cidades, sistemas alimentares e economias para viver dentro de novos limites antes que esses limites se tornem ainda mais restritos.

Com a água, assim como com as finanças, a falência pode ser um ponto de inflexão. A Humanidade pode continuar gastando como se a natureza oferecesse crédito ilimitado, ou pode aprender a viver dentro de suas condições hidrológicas.

Kaveh Madani não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.

Um verão bem quente e de chuvas irregulares

Praia de Boa Viagem é local de trabalho de centenas de ambulantes/Foto: Marina Torres/DP Foto

A estação das flores e do retorno das chuvas dá adeus ao Brasil e o país recebe a temporada de temperaturas elevadas, de praias e férias escolares. O verão brasileiro começa amanhã, exatamente às 12h03 (no horário de Brasília), prometendo muito calor e podendo apresentar irregularidade na quantidade e na intensidade de chuvas, devido ao aquecimento global. Especialistas acreditam que a nova estação evidenciará os impactos do aquecimento global ao longo de dias mais longos e noites mais curtas.

Na avaliação do meteorologista Natálio Abrahão Filho, o verão do fim deste ano será de neutralidade, sem El Niño e La Niña, com temperaturas elevadas de máximas de até três graus acima da média em todo país. O Centro-Oeste e o interior do Nordeste terão o ar mais quente do que os outros locais do território brasileiro.

“Os eventos estão em condições de neutralidade, com viés dos fenômenos da atmosfera, como o El Niño e La Niña, e isso traz mudanças. O Centro-Oeste com menos chuvas e o Nordeste, muito mais quente, são resultados dessas modificações. No Sul do país, as chuvas diminuem e a tendência é de que ocorram somente no litoral”, explicou, ao relembrar que a próxima semana nas regiões próximas às fronteiras da Argentina e do Paraguai devem ter chuvas fortes e tempestades com nova frente fria.

Para Natálio, algumas localidades podem ser sobrecarregadas, com chances de enchentes e inundações. Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro estão na rota desses eventos extremos, com números elevados de raios e ventos de rajadas. “O aquecimento global é real e amplifica esses movimentos”, ressaltou.

Com relação às temperaturas, o alto calor, entre 22 e 30 de dezembro, deve ocorrer principalmente no centro-leste brasileiro. Na região que integra Minas e Bahia, será 6°C acima da média.

Número de ararinhas-azuis infectadas por circovírus sobe para 31 na Bahia

Ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii)

O ICMBio (Instituto Chico Mendes) informou que subiu para 31 o número de ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) com resultado positivo para circovírus, na cidade de Curaçá, na Bahia.

Segundo a investigação epidemiológica, divulgada nesta terça-feira (2), a origem do circovírus detectado — um vírus letal para as aves — ainda é incerta. Até a última apuração, 11 ararinhas haviam testado positivo.

O instituto informou que a prioridade é a contenção da disseminação do vírus, uma vez que este patógeno coloca em risco, além das próprias ararinhas, todas as populações de araras, papagaios e periquitos da região.

Confira a investigação:
O ICMBio afirmou, na última quarta-feira (26), que 11 ararinhas-azuis que estavam soltas na natureza testaram positivo para circovírus.

O Instituto multará em R$ 1,8 milhão a BlueSky, empresa que gerencia o criadouro em Curaçá (BA), que atualmente conta com 103 ararinhas. Após investigações, foi constatado que os protocolos de biossegurança não estavam sendo seguidos.

Durante as vistorias feitas em parceria com INEMA (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos) e a Polícia Federal, o ICMBio afirmou ter identificado que os comedouros, onde era fornecida a alimentação diária às aves de vida livre, estavam extremamente sujos, com acúmulo de fezes ressecadas.

Além disso, medidas como limpeza e a desinfecção diária das instalações e dos utensílios não estavam sendo realizadas de maneira correta. Os funcionários também foram flagrados utilizando chinelos, bermuda e camiseta durante o manejo dos animais.

Se as medidas de biossegurança tivessem sido atendidas com o rigor necessário e implementadas da forma correta, talvez a gente não tivesse saído de apenas um animal positivo para 11 indivíduos positivos para circovírus”, relata Cláudia Sacramento, coordenadora da Coordenação de Emergências Climáticas e Epizootias do ICMBio.

O Criadouro Ararinha-azul rejeitou as acusações de negligência e afirmou, em nota, seguir “os protocolos rígidos de biossegurança e bem-estar animal“, além de contar com “instalações e equipamentos adequados ao manejo das aves”.

A instituição contesta ainda a informação de que ‘as últimas ararinhas-azuis na natureza’ estariam sob risco iminente em razão do circovírus. Até 2019, não havia nenhuma ararinha na Caatinga. Com a construção do criadouro, 101 aves foram trazidas para o bioma. Hoje, segundo o criadouro, há 103 ararinhas-azuis sob seus cuidados, sendo 98 com exames negativos para o vírus e 5 com detecção de circovírus em ao menos um exame“, afirmou a organização.

O criadouro criticou o governo e disse que ainda não teve acesso ao laudo técnico completo fundamenta a multa de R$1,8 milhão aplicada pelo ICMBio.

Em vez de atuar em cooperação para enfrentar um problema sanitário que existe no Brasil há mais de 30 anos, o Estado prefere transferir a culpa e buscar punições contra uma entidade privada que investe recursos próprios na conservação de uma espécie ameaçada“, completou.

O criadouro é parceiro da organização alemã Associação para a Conservação de Papagaios Ameaçados (ACTP, na sigla em inglês), que detém 75% das ararinhas registradas em todo o mundo.

No momento, investigações vêm sendo realizadas para conhecer a origem do vírus nas ararinhas. As aves serão separadas entre animais positivos e negativos, para garantir que as medidas de biossegurança sejam incorporadas à rotina de manejo do animal.

Ararinhas-azuis são soltas na natureza 20 anos depois de extinção

As araras foram soltas em uma região de preservação de Curaçá, na Bahia, em 2022, após serem repatriadas da Europa e mantidas em um criadouro até a reintrodução na natureza. As aves foram recapturadas no início de novembro por suspeita de circovírus.

O primeiro caso de circovírus foi detectado em uma ararinha-azul, em maio deste ano. Após a detecção, foi instaurado um sistema de comando de incidente, pelo ICMBio, para impedir a disseminação do vírus para os indivíduos de ararinha-azul e demais psitacídeos da região.

A espécie é considerada extinta na natureza desde o ano 2000, quando desapareceu o último animal selvagem, que era acompanhado por pesquisadores.

Organizações veem retrocesso grave em queda de vetos de PL Ambiental

Congresso derrubou 56 dos 63 vetos de Lula à Lei Geral do Licenciamento Ambiental/Polícia Federal/divulgação

Organizações da sociedade civil veem como um “retrocesso grave” a decisão do Congresso Nacional de derrubar 56 dos 63 vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei nº 15.190/2025), chamada pelos ambientalistas de “PL da Devastação”.

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) diz, em nota, que a decisão do Congresso coloca em risco a vida de milhões de pessoas.

“Precisamos ser mais eficientes com licenciamento ambiental, mas jamais ao custo de insegurança e riscos atuais e futuros para a população. Será que os ilustres senadores não entenderam o recado que a natureza está nos dando? A COP30, em Belém, deixa claro que ultrapassamos limites. Temos que repensar nossa relação com nossos rios e florestas. E não é com um PL apressado e disfuncional que seremos mais harmônicos com o meio em que vivemos”, diz André Guimarães, diretor executivo do IPAM.

O instituto entende que a nova lei desmonta a capacidade do Estado de prevenir e controlar danos ao meio ambiente e atropela o direito dos povos originários, que não serão consultados sobre empreendimentos que possam gerar impactos em seus territórios.

A nota também fala em desrespeito do Congresso ao povo brasileiro, que aumenta a possibilidade de um mundo hostil e instável no futuro em razão da crise climática. A lei pode aumentar o desmatamento e acelerar os chamados “pontos de não retorno” em todos os biomas brasileiros. Os ecossistemas nacionais estão em risco de colapso.

O Instituto Internacional Arayara diz que o Congresso negocia vidas, fragiliza a proteção socioambiental e inviabiliza o cumprimento das metas climáticas assumidas pelo Brasil na COP30.

“O Congresso virou as costas para o país, abriu a porteira e deixou a boiada passar. Não ouviu as manifestações da sociedade civil, das populações vulneráveis, desconsiderou estudos de cientistas e entidades ambientais. Jogou no lixo os principais avanços na legislação ambiental da história do país”, diz um trecho da nota.

O Arayara entende que a lei atinge empreendimentos de médio potencial poluidor, como barragens de rejeitos de mineração. A nova legislação permite que o empresário preencha apenas um formulário online para iniciar a construção de um projeto, desconsidere a análise técnica e o risco de novas tragédias.

O instituto diz que já está se mobilizando para combater a decisão do Congresso na esfera jurídica. E que atuará em conjunto com o partido político PSOL na proposição de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI).

A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil) afirma que a derrubada dos vetos aumenta a vulnerabilidade dos territórios e biomas já pressionados pela expansão de atividades de alto impacto.

A entidade diz que a decisão do Congresso fragiliza salvaguardas fundamentais que protegem povos indígenas, comunidades tradicionais, rios, florestas e ecossistemas de todo o país.

A nota diz ainda que a REPAM vai acompanhar os desdobramentos da decisão, fortalecer a incidência pública e articular, junto às comunidades e organizações parceiras, caminhos de resistência em todos os territórios amazônicos e brasileiros.

Gestão ambiental municipal e a emergência climática no semiárido

Ipanguaçu, no semiárido   da região do Vale do Assú, no Rio Grande do Norte | Foto: TV Brasil

 Por Heitor Scalambrini Costa

Vivemos uma crise climática cujos reflexos colocam em risco a própria sobrevivência dos moradores do planeta Terra. O principal responsável pelos desastres climáticos que assolam todos continentes é o aquecimento global, provocado pelo uso dos combustíveis fósseis, maiores emissores de gases de efeito estufa (GEE’s), e pelas mudanças de uso da terra, o que significa a destruição dos recursos naturais, das florestas, pela ação humana, que prioriza o lucro em detrimento do meio ambiente.

A inexistência de uma governança mundial com foco na proteção ambiental e falta de responsabilização histórica dos países desenvolvidos e das corporações, por serem os maiores emissores de GEE’s, acabam dificultando e criando obstáculos para as ações apontadas pela ciência como necessárias ao enfrentamento da crise climática. É importante, também, contrapor a macabra aliança entre os interesses ligados ao petróleo, gás natural, carvão mineral e o agronegócio predatório e ganancioso.

É condição necessária e urgente banir o uso dos combustíveis fósseis e alcançar o desmatamento zero com mudanças substanciais no modo de vida da sociedade, de como produz e de como consome. Constata-se que foram boicotados, ineficazes e insuficientes os discursos, os acordos (Paris) e compromissos assumidos pelas nações para atender as metas de redução dos GEE’s.

No Brasil, a Constituição Federal, no artigo 23, estabelece a co-responsabilidade entre União, estados, Distrito Federal e municípios com a proteção ambiental. O que implica que todas as esferas do Poder Público devem promover o equilíbrio ambiental como garantia de que as gerações futuras poderão desfrutar do planeta. Portanto, o papel dos municípios é fundamental no desenvolvimento e implementação de políticas públicas ambientais no contexto da emergência climática.

É nos municípios que a vida se desenvolve, que a realidade está presente, onde as pessoas vivem, moram, os adultos trabalham, as crianças estudam, e onde os serviços públicos são prestados aos moradores das áreas urbanas e rurais. Também, é neste território que os efeitos mais perversos das mudanças climáticas afetam os moradores.

Alarmante foi o resultado de recente levantamento da Confederação Nacional dos Municípios que destacou: só dois em cada dez municípios estão preparados para enfrentar os impactos das mudanças climáticas. Situação que impõe a intensificação de estratégias e ações urgentes para reverter este sinistro resultado, evitando assim que populações mais vulneráveis, mais pobres, continuem a ser as mais castigadas.

Segundo o IBGE, o País conta com 5.570 municípios, sendo 1.477 no semiárido (Conselho Deliberativo da Sudene, resolução no 176 de 03/01/2024). Reconhecido como o mais populoso do mundo, o semiárido conta com 28 milhões de habitantes, divididos entre zona urbana-62% e rural-38%, ocupando 11% do território nacional. Abrange os estados de Alagoas (42 municípios), Bahia (287), Ceará (175), Maranhão (16), Minas Gerais (217), Paraíba (198), Pernambuco (142), Piauí (216), Rio Grande do Norte (148), Sergipe (30), Espírito Santo (6). A maior parte localizada no Nordeste e uma pequena parte no Sudeste.

Um dos fatores mais preocupantes e emergenciais do semiárido é, sem dúvida, a significativa expansão de áreas áridas, relacionadas à redução de chuvas, efeito mais dramático das mudanças no clima neste bioma. Solos severamente degradados (desertificados) têm-se expandido, assim como áreas semiáridas, devido a perdas de áreas do Agreste.

O efeito combinado do desmatamento e do aumento da temperatura tem expandido mais ainda a condição de aridez na região. A desertificação coloca em risco a segurança alimentar, pois reduz a produtividade agrícola, levando à fome e à desnutrição. Com a falta de água a situação é agravada. A perda de terras férteis causa o desemprego e a migração forçada, verificada nos últimos Censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com a população rural.

Transformações do Bioma Caatinga levaram à recente identificação do primeiro clima árido (falta crônica e permanente de umidade) no País. Estudos realizados pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelaram que se tornaram efetivamente áreas áridas quase 6.000 km2, localizadas no centro-norte da Bahia, atingindo os municípios de Abaré, Chorrochó e Macururé.

É assustador a perda da cobertura vegetal no Bioma Caatinga ao longo dos anos, de forma persistente e ininterrupta. Segundo a organização MapBiomas, na bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, a área desmatada de 2019 a 2022 foi de 6.383,38 km2, próximo ao tamanho do município de Juazeiro, na Bahia. Os vetores do desmatamento estão relacionados à expansão da agricultura monocultural e da pecuária extensiva, da mineração, da instalação crescente de grandes complexos eólicos e de usinas solares de grande porte.

Diante do quadro descrito, em que as mudanças climáticas aumentarão a vulnerabilidade das populações do semiárido, cabe aos municípios a obrigação de levarem a cabo ações locais de enfrentamento da emergência climática e suas consequências e, assim, proteger os mais vulneráveis, os mais pobres. A atuação pode ser de: mitigação, buscando reduzir as emissões de poluentes que causam o aquecimento global, e de adaptação, que serve para adaptar os municípios a nova realidade, tornando-os resilientes a eventos extremos como inundações, secas e ondas de calor.

As estratégias, que podem ser implementadas pelos municípios para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, estão agrupadas em 5 tópicos: Redução do desmatamento, Maior uso de fontes renováveis de energia, Práticas sustentáveis e apropriadas para a agricultura familiar, Educação e conscientização, e Políticas públicas.

A seguir algumas sugestões para as gestões municipais do semiárido:

  • Construção do Plano Municipal de Enfrentamento às Mudanças Climáticas (PMEMC). Identificar problemas e medidas de mitigação e adaptação. Construção de instrumentos de adaptação local consoantes com o Plano Nacional de Adaptação à Mudança Climática (PNA) e com a Política Nacional sobre Mudança do Clima.
  • A Educação ambiental a nível municipal é um caminho para a conscientização/mobilização sobre a crise climática. Criação de Conselhos Municipais de Educação Ambiental e Mudanças Climáticas. Adotar ações nas escolas para crianças e adolescentes sobre o aquecimento global. A mídia local (rádio, blogs, …) têm um papel relevante contribuindo com a divulgação de informações. Promover capacitação para diferentes públicos.
  • Redução do desmatamento. Identificar ações de prevenção, proteção e recuperação ambiental para a conservação do bioma. Proteger a Caatinga deve ser um compromisso de toda a sociedade.
  • Reflorestamento com plantas nativas (recaatingamento) e frutíferas. Apoiar a criação de viveiros de mudas. Distribuição de mudas para a população.
  • Criação deUnidades de Conservação Municipaldeve ser prioridade. A Caatinga é um dos biomas menos protegidos do País, somente 1,5% da área do Bioma está protegido com unidades de conservação de proteção integral.
  • Combater as fake news, o negacionismo climático. A ciência em primeiro lugar. Importante que nas redes sociais do governo municipal, executivo e legislativo, tenham espaço para combater as mentiras divulgadas.
  • Incentivar a agricultura familiar com distribuição de insumos, fortalecendo práticas agroecológicas. Uso de tecnologias apropriadas para a agricultura familiar (mini turbinas eólicas, usinas solar de pequeno porte, biodigestores, reuso da água, irrigação localizada, …). Incentivos aos setores como energia renovável, agroecologia e economia solidária, podem garantir novas oportunidades para a população.
  • Fortalecimento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do Governo Federal, permitindo que os produtores rurais pequenos e médios, comercializem seus produtos de maneira direta e com valores justos, ampliando a oferta de alimentos baratos, saudáveis e nutritivos.
  • Construção de Planos de contingência, mapeamento das áreas de riscos.
  • Atender às melhorias reivindicadas pelas populações rurais, incentivando a permanência no campo (iluminação, recuperação de estradas, transporte, internet, saneamento, lazer, …).
  • Criar, fortalecer e potencializar os Conselhos Municipais de Defesa do Meio Ambiente.
  • Fortalecer a governança e a gestão dos bens comuns da natureza, do financiamento, proteção e recuperação dos mananciais.
  • Garantir recursos no planejamento orçamentário para a gestão hídrica e do meio ambiente, com ampla participação e controle social.
  • Fundamental para o êxito das medidas a serem adotadas é aArticulação das secretarias municipais, Saúde, Educação, Infraestrutura, Agricultura, Meio ambiente e Assistência social com organizações da sociedade civil, fortalecendo a agenda climática no município.

Estas sugestões, desde que seguidas, comprometem e permitem um maior engajamento dos municípios no combate à crise climática, preparando e adaptando aos cenários presentes e futuros.

A sociedade civil do município, sindicatos, igrejas, associações profissionais, organizações patronais, comerciários, têm um papel essencial em cobrar, pressionar governos e corporações a agirem com a urgência necessária no enfrentamento da emergência climática. A história mostra que mudanças significativas só ocorreram quando houve pressão popular, movimento de rua, e outras iniciativas; demonstrando assim o poder da mobilização coletiva.

A luta continua!!!

Professor associado aposentado da Universidade Federal de Pernambuco, graduado em Física pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP/SP), mestrado em Ciências e Tecnologias Nucleares na Universidade Federal de Pernambuco (DEN/UFPE) e doutorado em Energética, na Universidade de Marselha/Aix, associado ao Centro de Estudos de Cadarache/Comissariado de Energia Atômica (CEA)-França.

Alckmin defende ação climática guiada por ciência e solidariedade

Vice-presidente da República, Geraldo Alckmin/Cadu Gomes/VPR

A implementação de mapas de ação com avanços significativos na transição energética, a erradicação do desmatamento ilegal e a valorização das florestas, especialmente com foco na socio-bioeconomia, foram defendidos pelo Brasil como legado a ser deixado pela 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém.

A avaliação foi feita pelo vice-presidente e ministro Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, nesta segunda-feira (17), durante a abertura da plenária de alto nível do evento.

“A COP30 marca, agora, a transição do regime, da negociação para a implementação. As várias decisões que sairão de Belém reforçarão mecanismos e estimularão novos arranjos para acelerar a ação de combate à mudança climática em escala global. E isso faremos por escolha própria, porque é a escolha certa a ser feita”, disse.

“Estamos aqui, todos nós, para transformar a ambição em resultados e em boas políticas públicas. Nosso dever é garantir que a ação climática global seja guiada pela ética da responsabilidade, uma ética que une ciência, solidariedade, progresso e dignidade”, afirmou.

Durante seu discurso, Alckmin apontou a necessidade de triplicar a meta global de energia renovável e de dobrar a eficiência energética até 2030, para que o mundo saia da dependência dos combustíveis fósseis.

Segundo o vice-presidente, os dados mostram que a capacidade renovável hoje ainda é a metade do que seria necessário para alcançar essa meta.

“O Compromisso de Belém ambiciona quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis até 2035, e 25 países já se juntaram ao esforço”, afirmou Alckmin apontando que o Brasil reduziu o desmatamento ilegal em 50%.

O vice-presidente apontou ainda a necessidade de os países mostrarem união em torno dos objetivos do Acordo de Paris.

“A apresentação, pelos governos, de NDCs alinhadas ao objetivo de [limitar o aquecimento global a] 1.5 graus Celsius (ºC), do Acordo de Paris, é um dos sinais de compromisso com o combate à mudança do clima e o reforço do multilateralismo”, apontou.

“A NDC do Brasil, ousada mas realista, que tive a honra de anunciar no ano passado, com a ministra Marina Silva, na COP29, em Baku, determina compromisso de reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa no país de 59% a 67% até 2035, em comparação aos níveis de 2005”, pontuou.
Alckmin defendeu a promoção da cooperação entre governos, empresas e comunidades locais.
“A proteção das florestas depende, sobretudo, de quem vive nelas. Mais de 28 milhões de brasileiros moram na região amazônica, e, entre eles, estão os povos indígenas e as comunidades tradicionais, que são os verdadeiros guardiões da floresta. O conhecimento ancestral desses povos é uma das mais poderosas formas de inteligência ecológica do planeta. A Amazônia, com toda a sua diversidade, deve ser o exemplo de que é possível crescer, produzir e conservar ao mesmo tempo”, defendeu.
O vice-presidente disse que é preciso buscar soluções criativas em áreas estratégicas, como na bioeconomia e na descarbonização, que, segundo ele, pode ser fortalecida com uma Coalizão Global de Mercados Regulados de Carbono, “a qual estabelecerá mecanismos de carbono transparentes e coletivamente acordados e para a qual contamos com a adesão de mais e mais países”.

86% dos nordestinos acham que mudança climática é ameaça à vida, indica pesquisa

Recife, PE, 28/07/2025 - CHUVAS NO RECIFE - Imagens das chuvas no Recife, alagamentos e pessoas andando na chuva e na agua./Rafael Vieira

A pesquisa “Percepções sobre Mudanças Climáticas no Brasil”, realizada pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) em parceria com a Ipsos e o Ipec, mostra que 86% dos moradores do Nordeste concordam totalmente ou em parte que as mudanças climáticas são uma ameaça real à vida. O levantamento foi divulgado na terça-feira (11).

A nível nacional, 89% dos brasileiros concordam totalmente ou em parte que as mudanças climáticas são uma ameaça à vida. No Norte são 89%, no Sudeste 86%, no Sul 91% e no Centro-Oeste 86%.

O estudo aponta que 62% dos habitantes da região acham que o setor mais afetado com as mudanças climáticas é o da saúde (62%), seguida da alimentação (9%), emprego e renda (9%), moradia, (5%), educação (5%), transporte e mobilidade (1%). Nesta região 576 pessoas foram entrevistadas.

O levantamento, conduzido entre 8 e 14 de outubro de 2025 com 2.480 entrevistas presenciais em todo o país, revela que a população nordestina sente o impacto das mudanças no clima de forma intensa.

No conjunto dos entrevistados do Nordeste, a maioria concorda que as mudanças climáticas são uma ameaça crescente, e grande parte já percebe alterações no clima cotidiano, como aumento da temperatura, chuvas irregulares, estiagens prolongadas e eventos extremos mais frequentes.

Quando questionados sobre o sentimento despertado pelo tema, prevalecem palavras como preocupação (53%) e medo (16%). Essa apreensão é reforçada por experiências diretas, uma vez que nordestinos afirmam já ter sido impactados por algum evento climático extremo, especialmente secas e falta d’água.

O levantamento também mostra que o Nordeste é a região que mais associa as mudanças climáticas à desigualdade social. A maioria dos entrevistados, 92%, concorda que as populações mais pobres e periféricas são as mais atingidas, percepção que se reflete em cidades de Pernambuco, Bahia, Ceará e Alagoas, onde os efeitos da estiagem ou das chuvas intensas recaem de forma desproporcional sobre famílias com menos recursos.

Por outro lado, apenas cerca de 30% dos brasileiros afirmam saber o que fazer em caso de desastres climáticos, e no Nordeste essa proporção é ainda menor. Mais da metade dos moradores da região nunca ouviu falar do termo “adaptação climática”, que consiste no ajuste aos efeitos do clima atual e esperado. A adaptação procura moderar ou evitar danos e explorar oportunidades benéficas.

Entre as dificuldades para se preparar, dois obstáculos se destacam, sendo eles a falta de informação clara sobre como agir e a falta de dinheiro.

Essa combinação é particularmente crítica no Nordeste, onde o custo da vulnerabilidade é alto e as condições socioeconômicas dificultam a implementação de medidas de proteção.

A pesquisa revela também que a população nordestina valoriza a Caatinga como bioma prioritário. Ainda assim, o cuidado ambiental tende a se expressar mais em atitudes individuais do que em ação política ou cobrança institucional. Entre as práticas mais adotadas, destacam-se a redução do consumo de energia elétrica e a separação do lixo para reciclagem, medidas que, embora relevantes, mostram que o engajamento climático ainda está mais restrito à esfera doméstica.

A maioria dos entrevistados consideram tanto o Brasil quanto suas cidades despreparadas para enfrentar os impactos já em curso.

Quando perguntados sobre onde o governo deveria investir para proteger a população dos efeitos das mudanças climáticas, os nordestinos priorizam áreas sociais, como saúde, saneamento básico e educação aparecem no topo da lista, seguidos por investimentos em moradia e infraestrutura urbana.

Paraná confirma sétima morte causada por tornados simultâneos

Os maiores estragos foram registrados em Rio Bonito do Iguaçu/ARI DIAS/AEN

A Secretaria de Saúde do Paraná confirmou, nesta terça-feira (11), a sétima morte associada à passagem de três tornados pelo estado, na sexta-feira (8). Segundo a pasta, a vítima José Eronildes de Almeida, de 70 anos de idade, morreu no sábado (9), na Unidade de Saúde Central de Rio Bonito do Iguaçu, por insuficiência cardíaca aguda.

Segundo os governos do Paraná e de Santa Catarina, seis diferentes tornados se formaram a partir das mesmas condições atmosféricas e atingiram, quase que simultaneamente, pelo menos seis cidades: Rio Bonito do Iguaçu, Turvo e Guarapuava, na região central do Paraná, e Dionísio Cerqueira, Xanxerê e Faxinal dos Guedes, em Santa Catarina.

Os maiores estragos foram registrados em Rio Bonito do Iguaçu, município de cerca de 14 mil habitantes, distante 400 quilômetros da capital paranaense, Curitiba. Das sete mortes já confirmadas no Paraná, seis ocorreram na cidade castigada por ventos estimados entre 300 km/h e 330 km/h que causaram estragos em ao menos 90% da área urbana.

A sétima morte já confirmada ocorreu na cidade de Guarapuava. De acordo com a Secretaria estadual de Saúde, ao menos 20 pessoas que precisaram de atendimento hospitalar permaneciam internadas até o início desta tarde: 11 em Guarapuava; seis em Laranjeiras do Sul e três em Cascavel.

Até o momento, a rede paranaense de saúde já fez 835 atendimentos a vítimas dos tornados, mobilizando a mais de 400 profissionais, entre socorristas do Samu e trabalhadores das unidades hospitalares, além de técnicos e estagiários de enfermagem e medicina e voluntários.

Além de decretar estado de calamidade pública em Rio Bonito do Iguaçu, o governo paranaense homologou os decretos de situação de emergência de outras 32 cidades impactadas por eventos climáticos nas últimas duas semanas. Na semana anterior à passagem dos três tornados pelo estado, uma série de ocorrências meteorológicas adversas já tinham sido registradas no Paraná, como temporais, enxurradas, vendavais e chuvas de granizo.

As cidades que tiveram a situação de emergência homologada foram Alto Piquiri, Alvorada do Sul, Antônio Olinto, Araruna, Astorga, Barbosa Ferraz, Bom Sucesso, Califórnia, Cambé, Cambira, Cantagalo, Cruzeiro do Oeste, Engenheiro Beltrão, Fênix, Goioxim, Jandaia do Sul, Leópolis, Mandaguaçu, Marialva, Miraselva, Nova Aurora, Peabiru, Pitangueiras, Planalto, Quarto Centenário, Quinta do Sol, Rolândia, Roncador, Santa Fé, Santa Helena, São João do Ivaí, São Pedro do Ivaí e Sertaneja.

Simbolismo da COP30 vai além da diplomacia

30ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas (COP30)/THOMAS MORFIN / AFP

O simbolismo da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30) para o Brasil vai além da diplomacia. A avaliação é do professor Pedro Rivas, coordenador da pós-graduação em ESG da ESPM.

“Reafirma nosso potencial de sermos líderes nesse assunto. Há ainda muito a ser feito e a exploração de petróleo na margem equatorial fragiliza essa posição do Brasil. O simbolismo é de que um país que faz parte do novo mundo, talvez precise tomar a dianteira e não esperar que o velho mundo pague uma conta da construção dos seus impérios”, explica o professor.

Para Rivas, o Brasil tem nas mãos a oportunidade de assumir papel de vanguarda nas transformações necessárias. “Talvez nos falte maturidade para ver que somos nós que temos que fazer aquilo que talvez só nós possamos fazer. Encontrar uma alternativa para o uso do petróleo, e não esperar que os países que criaram tudo isso venham resolver. Temos tudo na mão, e uma vontade de ver um mundo realmente novo”, conclui.

Ausências evidenciam polarização

Por outro lado, as ausências de lideranças na Conferência evidenciam a polarização ideológica que atravessa o debate ambiental. A decisão de não comparecer ao evento de líderes como o presidente da Argentina, Javier Milei, e, principalmente, o presidente dos EUA, é vista como uma recusa ao consenso climático que vem se consolidando nos últimos anos.

Para o especialista, não comparecimento desses líderes “revelam que há atores dispostos a apostar contra o óbvio, contra a ciência e o avanço”. “Revela que a causa não está ganha, nem nunca apareceu assim. Há muito trabalho a ser feito. Revela que precisamos conversar, encontrar denominadores comuns, e buscar avançar”, analisa.

Trump, mesmo sendo convidado pelo próprio presidente Lula, durante a recente aproximação, não estará presente na COP30 e os EUA não enviaram representantes para o evento. “O presidente Donald Trump já deixou claras as posições de seu governo sobre a ação climática multilateral”, disse um representante da Casa Branca, sob condição de anonimato.

Na posição contrária à dos demais países, durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em outubro, o presidente estadunidense emitiu críticas a respeito de políticas ambientais implementadas por outras nações e afirmou que mudanças climáticas são “a maior farsa do mundo”.

Em contrapartida, o especialista acredita que o espaço deixado por líderes negacionistas pode abrir caminho para o fortalecimento do protagonismo brasileiro. “A conversa seguirá, mesmo com limitações. Muitas das decisões dos EUA não encontram lastro de lógica sob nenhuma perspectiva. Vemos que algumas das taxações impostas por Trump levou prejuízo aos americanos, e com poucos ganhos no tabuleiro em geral, favorecendo as relações do Brasil com a China, por exemplo.”

Mudança climática pode aumentar frequência e intensidade de tornados

Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, destruída após tornado/Corpo de Bombeiros do Paraná

O tornado que destruiu 90% da cidade paranaense de Rio Bonito do Iguaçu e deixou ao menos 750 feridos deveria servir como alerta de “desespero e urgência” para as autoridades reunidas da Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP-30), defendeu o secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini. O evento começa na próxima segunda-feira (10), mas o encontro de chefes de Estado foi realizado nas últimas quinta e sexta-feira.

“O que aconteceu no Paraná, que é triste e grave, é mais uma repetição do que vem acontecendo não apenas no Brasil, na Amazônia, no Rio Grande do Sul, em São Sebastião, em Petrópolis, no norte de Minas, sul da Bahia, como no mundo inteiro também“, destacou.

Os últimos dez anos foram os dez anos mais quentes da história. Tudo isso deveria entrar para dentro da Conferência do Clima, mas, muitas vezes, o que a gente vê é que a reunião fica impermeável ao mundo real”, criticou Astrini, que representa a principal rede da sociedade civil brasileira com atuação sobre as mudanças climáticas.

Astrini espera que o evento do Paraná seja citado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura oficial da COP, segunda-feira (10) e que essa “realidade” ajude a sensibilizar os países participantes sobre “o mundo real, que está agonizando”.

A gente têm alguns países que são mais vulneráveis a essa situação, como o Brasil, que depende da agricultura, a geração da nossa energia depende da regularidade climática, com as hidrelétricas. O presidente Lula deve fazer a abertura, pode ser que ele cite. A gente sempre espera que essas citações e essas realidades tenham efeito lá pra dentro”, complementa.

A oceanógrafa Renata Nagai, pesquisadora da Universidade de São Paulo, apoiada pelo Instituto Serrapilheira, explica que tornados, como o que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, não acontecem apenas por causa das mudanças climáticas, mas o desequilíbrio do clima pode contribuir para que eles sejam mais frequentes e intensos.

As mudanças climáticas estão associadas a um aporte de combustíveis fósseis e de gases de efeito estufa na atmosfera e isso aumenta a energia, causando o aquecimento da atmosfera e também dos oceanos. Esse aumento do calor provoca também o aumento da umidade, pela evaporação. Mais calor e mais umidade servem quase como um combustível para esses eventos meteorológicos extremos

A especialista explica que tornados são colunas de ar que giram em altíssima velocidade, formadas a partir de nuvens de tempestades. Apesar de serem rápidos e de pequena extensão, podem ter grande poder destrutivo, ao tocarem o solo. O fenômeno é favorecido pela alta umidade e pelo ar quente.

O professor e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Michel Mahiques afirma que esse tipo de fenômeno pode se tornar mais comum.

Tornados, como o que aconteceu no Paraná, ocorrem por conta de grandes diferenças de pressão, causadas por massas de ar com propriedades muito diferentes, como a temperatura. Agora, com as mudanças climáticas, essas diferenças se intensificam, e a possibilidade de ocorrer eventos extremos como esse aumenta“.

Ciclone extratropical no RS: vento e chuva fortes destelham casas, causam alagamentos, derrubam árvores e bloqueiam rodovias

Ciclone no RS: árvore foi derrubada pela força do vento em Porto Alegre — Foto: Eduardo Paganella/RBS TV

O ciclone extratropical que passa pelo Rio Grande do Sul neste sábado colocou o estado sob três alertas meteorológicos vermelhos de “grande perigo”, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia: dois para o Litoral, devido à possibilidade de rajadas de vento na costa que podem chegar a 100 km/h, e um de chuva forte e em grande quantidade para as regiões Central, Norte, da Serra e Metropolitana de Porto Alegre.

Desde sexta-feira (7), cidades do RS já reportaram à Defesa Civil Estadual problemas provocados pela instabilidade climática causada pelo ciclone. Pelo menos 14 registraram algum tipo de dano. Entre os principais transtornos estão destelhamentos, bloqueios de estradas e estragos em redes elétricas.

De acordo com a CEEE Equatorial, responsável pelo abastecimento de energia elétrica em parte dos municípios do RS, cerca de 200 mil clientes estão sem luz. As cidades mais afetadas foram Porto Alegre, Viamão, Guaíba, Capão da Canoa e Osório.

Governo do Paraná decreta estado de calamidade pública em Rio Bonito do Iguaçu

Tornado destrói cidade do Paraná, diz MetSul

O Governo do Paraná assinou um decreto na manhã deste sábado (8) reconhecendo estado de calamidade pública em Rio Bonito do Iguaçu, no centro-sul do estado, após um tornado devastar a cidade no final da tarde de sexta-feira (7). Ao menos seis pessoas morreram no estado.

Bombeiros e Defesa Civil estimam que o fenômeno gerou danos em cerca de 90% das residências e prédios comerciais do município.

O governador Ratinho Junior (PSD) está na cidade acompanhando o trabalho das equipes que prestam atendimento à população e fazem o levantamento dos danos à infraestrutura.

“Desde o início dos primeiros casos relatados pela população, a gente já começou a movimentar as equipes do interior e também da capital, principalmente para atender a população desabrigada. Ao longo da noite, também acionamos os hospitais da região, deslocamos ambulâncias para Cascavel e tropas de Londrina e Cascavel para reforçar os atendimentos. Por volta das 4h da manhã, foram chegando mais equipes”, afirmou o governador.

“O estado de calamidade pública nos permite dar mais celeridade aos atendimentos e à liberação de recursos. Já determinei que a Cohapar estude estratégias para a reconstrução das moradias e estamos preparando alojamentos para garantir o amparo às famílias”, disse Ratinho Junior.

A partir do decreto, o município também pode solicitar recursos da União e do Fundo Estadual de Calamidade Pública, além de firmar convênios emergenciais para reconstrução.

Lula envia ministros para acompanhar ações e vítimas de tornado no Paraná

Tornado deixa rastro de destruição no Paraná; veja as imagens

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que enviou neste sábado (8) a ministra de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann (PT) e o ministro interino da Saúde Adriano Massuda para as cidades do interior do Paraná atingidas por tornado na sexta (7). O objetivo da viagem é levar o apoio do governo federal às vítimas.

Em publicação no X, Lula prestou solidariedade às famílias afetadas. O tornado registrado causou destruição nas cidades de Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava e deixou ao menos seis pessoas mortas e há mais de 600 feridas.

“Seguiremos apoiando a população paranaense. E prestando todo o auxílio que for necessário”, disse o petista na rede social. Lula está em viagem para a Colômbia, para a Cúpula da Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos), e não poderá ir pessoalmente à região.

Os ministros irão em voo da FAB (Força Aérea Brasileira), ainda nesta manhã. Junto com eles, também irão equipes da Defesa Civil especializadas em ajuda humanitária e em reconstrução; profissionais da Força Nacional do Sus; e o diretor do Cenad (Centro Nacional de Gerenciamento de Desastres), Armin Braun.