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Preservação da Amazônia é prioridade do governo eleito na COP27

Durante o anúncio de novos nomes para o Gabinete da Transição, o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, destacou que o combate ao desmatamento será uma prioridade do novo governo e, por isso, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva está a caminho da Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, a COP27.

Lula embarcou na manhã de hoje (14) para o Egito, a convite do presidente anfitrião do encontro. Ele fará um pronunciamento, na quarta-feira (16) na área da Organização das Nações Unidas (ONU), a Blue Zone. Ele também cumpre agenda com governadores de estados da região amazônica e com representantes da sociedade civil.

“Esta é uma grande preocupação. A emissão do carbono, no caso do Brasil, se você somar o escapamento da moto, do carro, do avião, da lancha, do trem, do boi, o lixão, o esgoto, a chaminé da fábrica, isso dá um pouquinho mais de 50%. Só o desmatamento é quase 50%. É de uma gravidade impressionante”, lembrou Alckmin.

Ele fez referência às florestas do Brasil, Indonésia e Congo que são fundamentais para o combate às mudanças climáticas, por possuírem vastas áreas de florestas tropicais. O governo brasileiro anunciou uma aliança com esses países para “valorização da biodiversidade e remuneração justa de serviços ambientais”.

Alckmin reforçou que estão sendo solicitados dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), referentes a agosto de 2021 a julho de 2022. “Esses números já existem, mas não estão sendo divulgados”, pontuou. Ele lembrou propostas feitas durante a campanha presidencial de Lula que incluíam, entre outros temas, a recuperação dos órgãos ambientais, os quais, segundo ele, “foram praticamente desmobilizados”.

Aloizio Mercadante, que está na coordenação dos Grupos Técnicos do Gabinete de Transição e foi ministro nos governos do PT, de áreas como Educação, Casa Civil e Ciência e Tecnologia, falou sobre negociações para a liberação de recursos do Fundo Amazônia.

“O Fundo Amazônia tem cerca de R$ 3 bilhões hoje, que estão impedidos de serem liberados por causa da falta de compromisso do governo brasileiro no combate ao desmatamento. Nós já tivemos conversas com o governo da Alemanha e da Noruega que devem autorizar, no dia seguinte da posse, a liberação dos recursos”, projetou.

Criado em 2008, o fundo recebe doações de instituições e governos internacionais para financiar ações de prevenção e combate ao desmatamento na Amazônia Legal. Em 2019, a Alemanha e a Noruega suspenderam os repasses para novos projetos após o governo brasileiro apresentar sugestões de mudança na aplicação dos recursos e extinguir colegiados de gestão do fundo.

No último dia 3, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o governo federal reative o Fundo Amazônia. Pela decisão da Corte, a União tem prazo de 60 dias para cumprir a medida.

Alckmin cobra do governo Bolsonaro divulgação de dados sobre desmatamento da Amazônia: “Esses números já existem”

Vice-presidente eleito e coordenador da equipe de transição do governo Lula (PT), Geraldo Alckmin (PSB) disse nesta segunda-feira (14) que solicitou ao governo federal os relatórios sobre o desmatamento da Amazônia e do Cerrado, que são divulgados todos os anos pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes).

“Solicitamos que os relatórios completos dos dados do Prodes Amazônia e do Prodes Cerrado do período de agosto de 2021 a julho de 2022 sejam enviados para que possamos analisar as informações que trazem e tomar as medidas necessárias”, disse Alckmin durante o anúncio de novos nomes da equipe de transição, em São Paulo.

“A informação é de que esses números já existem e [temos] a necessidade de serem informados”, completou o vice-presidente eleito.

O Prodes é um dos sistemas via satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) usado para monitorar e calcular as áreas de desmatamento na Amazônia Legal. É considerado o mais preciso para medir as taxas anuais de desmatamento.

No ano passado, o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) esperou o fim da 26º Conferência do Clima da ONU, a COP26, para divulgar o relatório, que apontou o maior desmatamento em 15 anos na Amazônia. O documento, no entanto, estava pronto antes da conferência do clima começar.

O pedido acontece no dia em que Lula viajou para participar da COP27, que acontece no Egito desde o dia 1º de novembro.

Até o momento, o governo federal ainda não divulgou o relatório do Prodes de 2022 sobre o desmatamento na Amazônia no último ano.

Polêmica
No ano passado, o relatório do Prodes sobre o desmatamento da Amazônia entre 2020 e 2021 foi finalizado em 27 de outubro de 2021, dias antes do início da COP26.

Mas os números só se tornaram públicos no dia 18 de novembro, cinco dias depois do término do evento. Os dados apontaram uma alta de 22% no desmatamento da Amazônia.

Ambientalistas acusaram o governo Bolsonaro de esconder os dados por causa da conferência do clima que, entre outros assuntos, discute medidas para preservar os biomas e combater o desmatamento.

Na época, entidades e ambientalistas alegaram que jornalistas e outros participantes da conferência chegaram a pedir o relatório do Prodes durante a COP26, mas não tiveram resposta do governo federal.

Alertas de desmatamento na Amazônia têm pior outubro da série histórica, aponta Inpe

O acumulado de alertas de desmatamento em outubro de 2022 na Amazônia Legal foi de 904 km², um recorde para o mês na série histórica do Deter, que começou em 2015. Os números foram divulgados pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) nesta sexta-feira (11).

A Amazônia Legal corresponde a 59% do território brasileiro, e engloba a área de 8 estados (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) e parte do Maranhão.

Os alertas foram feitos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que produz sinais diários de alteração na cobertura florestal para áreas maiores que 3 hectares (0,03 km²) – tanto para áreas totalmente desmatadas como para aquelas em processo de degradação florestal (por exploração de madeira, mineração, queimadas e outras).

“Neste fim de mandato, há uma corrida de criminosos ambientais para derrubar a floresta, aproveitando o fato de que ainda têm um parceiro sentado na cadeira da presidência da República”, afirma Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima. “Enquanto Lula está a caminho do Egito para se reunir com líderes do mundo inteiro na tentativa de resgatar a imagem do Brasil, Bolsonaro continua no país, implementando sua agenda de destruição ambiental.”

‘Campeões’ do desmatamento
O Pará foi o estado com maior área sob alerta de desmatamento: 435 km². Em seguida vieram Mato Grosso, com 150 km², Amazonas, com 142 km², e Rondônia, com 69 km².

O Acre teve 64 km² sob alerta; Roraima, 24 km²; o Maranhão, 18 km²; e o Amapá, 2 km².

2022: recordes nos alertas de desmate
2022 já tem pior marca da série histórica de alertas de desmate do Inpe, mesmo faltando dados dos dois últimos meses (novembro e dezembro). De janeiro a outubro, o acumulado foi de 9.494 km². O estado do Pará liderou o ranking de área desmatada, sendo 3.253 km² de floresta nativa perdidos desde o início do ano.

O índice leva em conta o chamado ano civil, ou seja, o período total de janeiro a dezembro. Faltando 2 meses para o fim do ano, essa marca já superou até mesmo todo o ano de 2019, a pior taxa até então, quando os alertas de desmate deram um salto e chegaram até 9.178 km².

Maioria no STF vota para determinar reativação do Fundo Amazônia

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) apresentou voto nesta quinta-feira (26) para determinar a reativação do Fundo Amazônia – que capta doações para projetos de preservação e fiscalização no bioma. Segundo os votos até o momento, a retomada dos financiamentos deve ocorrer em 60 dias.

O plenário julga uma ação em que partidos da oposição – PSB, PSOL, PT e Rede – alegam que o governo federal está deixando de disponibilizar R$ 1,5 bilhão do fundo, já em conta, que legalmente deveriam ser destinados para financiar projetos de preservação na Amazônia Legal.

A análise teve início no dia 6 de outubro. Nesta quarta, Rosa Weber, que é a relatora do caso, votou por conceder parte dos pedidos, determinando que a União adote, em 60 dias, nos limites de suas competências, as providências necessárias à reativação do fundo, com o formato de governança anterior, estabelecido em decreto de 2008.

“O problema da omissão inconstitucional, que procurei desenhar, reside no comportamento comissivo do administrator que instaurou um marco normativo desestruturante do antecedente, sem as salvaguardas jurídicas para manutenção do quadro mínimo dos deveres e direitos ao meio ambiente equilibrado”, disse.

“Entendo como medida jurisdicional adequada, para a primeira solução do problema, a suspensão da aplicação dos dispositivos que alteraram o modelo de governança do Fundo Amazônia. Compete à União tomar as medidas administrativas necessárias para a reativação do fundo”, declarou.

O julgamento foi suspenso e deverá ser retomado na próxima sessão, prevista para 3 de novembro, para o voto dos demais ministros. Até agora, também votaram André Mendonça, Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Dias Toffoli

Fundo Amazônia
Criado em 2008 para financiar projetos de redução do desmatamento e fiscalização, o Fundo Amazônia está parado desde abril de 2019, quando o governo Bolsonaro extinguiu os colegiados Comitê Orientador (COFA) e o Comitê Técnico (CTFA), que formavam a base do fundo.

Somente neste ano, a área de floresta derrubada na Amazônia Legal, de janeiro a setembro, atingiu 9.069 km², um número quase oito vezes maior que a cidade do Rio de Janeiro. Os dados foram divulgados pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Um relatório de auditoria elaborado pela Controladoria Geral da União (CGU) apontou, em junho, que a gestão do Ministério do Meio Ambiente do governo Bolsonaro colocou em risco a continuidade do Fundo Amazônia e, por conseguinte, uma série de políticas ambientais, ao extinguir de forma unilateral, “sem planejamento e fundamentação técnica” colegiados que formavam a base dessa iniciativa de financiamento.

De acordo com a CGU, até dezembro do ano passado, o fundo já tinha cerca de R$ 3,2 bilhões parados para a destinação a novos projetos.

Em abril deste ano, o Supremo derrubou três decretos sobre política ambiental do governo Bolsonaro, incluindo o que extinguiu o Comitê Organizador do Fundo Amazônia. As decisões faziam parte do chamado “pacote verde”, que discute políticas socioambientais adotadas no país nos últimos anos.

Em audiência pública sobre a ação em julgamento, realizada em 2020, o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que o governo federal não recriou o Conselho Orientador do Fundo Amazônia porque os países europeus doadores rejeitaram mudanças no modelo de gestão dos recursos.

Em maio do ano passado, Salles tentou mudar as regras do Fundo e anunciou a intenção de destinar os recursos captados para indenizar proprietários de terras. Ele também afirmou na época haver indícios de irregularidades nos contratos firmados com ONGs, mas não apresentou nenhuma prova que confirmasse a afirmação.

Alertas de desmate na Amazônia têm pior setembro da série histórica, aponta Inpe

O acumulado de alertas de desmatamento em setembro de 2022 na Amazônia foi de 1.455 km², segundo dados divulgados nesta sexta-feira (7) pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe). É o pior setembro da série histórica do Deter, que começou em 2015.

O número representa um crescimento de 47,7% em relação a setembro do ano passado e equivale ao tamanho da cidade de São Paulo em área. O segundo pior número da série foi registrado em 2019, no primeiro ano do governo Bolsonaro (PL). Na época, os alertas para setembro chegaram a 1.454 km².

No acumulado de 2022, as áreas de alerta de desmatamento já somam 8.590 km², um número 4,5% maior do que todos os alertas do ano passado.

Segundo o Observatório do Clima, o índice preocupa porque pode igualar ou até mesmo superar nos próximos três meses que restam do ano o recorde histórico de 2019 (9.178 km²).

Tudo isso num contexto de altos índices no começo do ano. Janeiro e fevereiro de 2022 acumularam recordes de desmatamento no Brasil, algo incomum, visto que estes são meses chuvosos na maioria dos estados que englobam o bioma, e as taxas de desmatamento são tipicamente menores durante esse período.

“Bolsonaro foi, afinal, o presidente que até hoje se orgulha em dizer que desmontou a fiscalização ambiental e que não demarcou ‘nenhum centímetro’ de terra indígena”, avalia o Observatório do Clima.

“Colheu, como resultado de tudo isso, o primeiro ciclo de três altas seguidas nas taxas de desmatamento medidas pelo Inpe em um mesmo mandato presidencial — e pode estar a caminho de uma quarta”.

Deter x Prodes
Os alertas de desmatamento foram feitos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Inpe, que produz sinais diários de alteração na cobertura florestal para áreas maiores que 3 hectares (0,03 km²), tanto para áreas totalmente desmatadas como para aquelas em processo de degradação florestal (exploração de madeira, mineração, queimadas e outras).

O Deter não é o dado oficial de desmatamento, mas alerta sobre onde o problema está acontecendo. A medição oficial do desmatamento, feita pelo sistema Prodes, costuma superar os alertas sinalizados pelo Deter.

Óleo volta a aparecer no Litoral Sul de Pernambuco; duas toneladas são retiradas em Tamandaré

Duas toneladas de óleo foram retiradas de praias em Pernambuco entre domingo (2) e segunda-feira (3). Pedaços sólidos de óleo que se assemelham a petróleo cru foram encontrados inicialmente por um pescador na cidade de Tamandaré, localizada no Litoral Sul do Estado.

Segundo o Centro de Pesquisa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) do município pernambucano, a maior parte do óleo já foi retirado, mas os trabalhos de limpeza das praias devem continuar nesta terça-feira (4).

A substância possivelmente tem origem na lavagem de tanque de navio petroleiro, conforme nota técnica emitida por cientistas depois de episódio semelhante registrado em agosto, ao Norte da Região Metropolitana do Recife.

Amostras foram encaminhadas para análise no Departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A avaliação deverá indicar se os resíduos são da mesma natureza dos encontrados em agosto.

Na segunda-feira, mais óleo foi encontrado na foz do rio Mamucabas, em Tamandaré e Barreiros. A equipe da APA Costa dos Corais trabalhou na limpeza.

Em agosto, foram recolhidas pelotas de óleo em 10 praias de Pernambuco, duas da Paraíba, uma da Bahia e outra de Alagoas.

Após analisar o óleo que apareceu em agosto, cientistas brasileiros concluíram que o material não é do mesmo tipo de petróleo do desastre ambiental de 2019. Segundo a perícia, trata-se de petróleo cru, possivelmente do Golfo do México e a hipótese mais provável é que ele tenha sido derrubado durante a lavagem de tanques de navio petroleiro em alto mar.

Segundo a coordenadora do Programa Ecológico de Longa Duração Tamandaré Sustentável, a professora Beatrice Padovane, o ressurgimento desse óleo agora em outubro preocupa. “O óleo residual do acidente de 2019 eventualmente ressurge na praia, mas tem características diferentes das pelotas. É mais duro e não tem cracas, que se inscrustam no óleo quando ele está à deriva em alto-mar”, esclarece.

A professora, que trabalha no monitoramento ambiental da região, ressalta que os prejuízos podem ir além dos efeitos sobre o turismo, porque o óleo pode se propagar na cadeia alimentar das espécies marinhas da região.

Na semana passada, também foram identificados fragmentos de óleo no município de Coruripe, em Alagoas.

Familiar que tingiu cachoeira em chá de revelação é multado em R$ 10 mil

O familiar que usou um produto para tingir piscinas no chá revelação que deixou a água da cachoeira Queima-pé azul, em Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá, foi multado em R$ 10 mil pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) por conduta em desacordo com a legislação. A identidade dele não foi divulgada.

Segundo o estado, apesar de as amostras coletadas no local não apontarem alterações na qualidade da água em parâmetros físicos, como cor e odor, ou mortandade da fauna, ele foi autuado por “lançar resíduos sólidos, líquidos ou gasoso ou detritos, óleos ou substâncias oleosas”, de acordo com o decreto federal nº 6.514/2008.

O evento foi realizado no domingo (25). Imagens publicadas por pessoas que participaram da festa – apagadas posteriormente, após repercussão negativa – mostram o momento em que a água da cachoeira fica azul para anunciar a chegada de um menino. Eles também usam fumaça colorida e soltam confetes.

O responsável pelo tingimento da água da cachoeira foi ouvido pelo Sema-MT na quinta-feira (29). Já o casal informou ao órgão que tinha conhecimento de que tal situação ocorreria no chá revelação. O dono da propriedade onde a festa foi realizada relatou que apenas cedeu o espaço.

O g1 tentou contato por telefone com um dos responsáveis pelo chá revelação na tarde desta sexta-feira (30), mas as ligações não foram atendidas.

Investigação

No dia posterior ao chá revelação, técnicos da secretaria estadual estiveram no local, acompanhados de servidores da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Tangará da Serra.

Conforme o gerente regional da Sema-MT, os relatórios serão encaminhados à Polícia Civil para investigação.

O Ministério Público também acompanha o caso.

O dono da propriedade também foi ouvido pela secretaria estadual e informou que apenas cedeu o local.

Baleia-jubarte é encontrada morta na praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho

Uma baleia-jubarte foi encontrada morta na praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, no Litoral Sul de Pernambuco, na última terça-feira (20). O animal estava em estado de decomposição, segundo contou à reportagem o ambientalista voluntário Adriano Artoni.-

“Ela vinha em decomposição avançada entre três e cinco dias. Pedaços dela foram parar nas praias de Candeias, de Barra de Jangada, até ela encalhar no Paiva. Ali tem muitas dunas de areia no mar, e como o mar secou, facilitou para ela encalhar”, explicou o funcionário da Secretaria de Meio Ambiente de Jaboatão dos Guararapes.

Ainda de acordo com Artoni, a baleia, provavelmente, é uma fêmea adulta, com 12,7 metros e aproximadamente dez toneladas. Não foi possível saber a causa da morte. No entanto, amostras da baleia como tecido, músculo e gordura foram coletados para estudos de especialistas do Centro de Conservação de Mamíferos Aquáticos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (CMA-ICMBio) e para o Laboratório de Estudos Herpetológicos e Paleoherpetológicos (LEHP) da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Como o animal de grande porte foi encontrado em uma praia de seu território, a prefeitura do Cabo de Santo Agostinho foi acionada para fazer o procedimento de retirada da baleia e destiná-la a um local correto. Artoni explica que nessas ocasiões, os animais são em valas na praia, onde podem ser facilmente encontrados para outros estudos, além de virar alimento para as demais espécies marinhas.

Extração ilegal de madeira cresce 11 vezes em terras indígenas do Pará

A área de extração ilegal de madeira em territórios indígenas no Pará aumentou 11 vezes em um período de 12 meses.

Nos territórios indígenas do estado, a extração madeireira aumentou de 158 hectares no período de agosto de 2019 a julho de 2020 para 1.720 hectares entre agosto de 2020 e julho de 2021. O número representa uma taxa de quase 1000%.

Os dados foram divulgados em um levantamento da Rede Simex, formada por quatro instituições ambientais: o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e o Instituto Centro de Vida (ICV).

A rede também analisou o número de terras indígenas invadidas pela atividade ilegal. Segundo a publicação, cinco territórios tiveram extração madeireira entre agosto de 2020 e julho de 2021.

No relatório anterior, que analisou os anos de 2019 e 2020, apenas a Terra Indígena Baú, no sudeste do Pará, havia sofrido extração madeireira.

Ainda de acordo com os dados do levantamento, Amanayé, localizada no município de Goianésia do Pará, foi o território mais impactado. Entre agosto de 2020 e julho de 2021, 1.255 hectares foram explorados no local, o que corresponde a 73% das terras indígenas do Pará afetadas pela extração ilegal de madeira.

“Embora presente no banco de dados de Terras Indígenas da Fundação Nacional do Índio (Funai), esse território ainda aguarda aprovação, o que o coloca ainda mais em risco”, ressalta o Imazon.

Impacto em Unidades de Conservação

Além de identificar as áreas de terras indígenas, os pesquisadores também analisaram a exploração ilegal de madeira nas unidades de conservação.

Entre 2019 e 2020, a pesquisa não encontrou atividade irregular em áreas maiores que 1 hectare, tamanho a partir do qual a Rede Simex mapeia a extração de madeira. Contudo, entre agosto de 2020 e julho de 2021, foram encontrados 128 hectares com extração não autorizada em unidades de conservação no Pará.

“O aumento da exploração de madeira dentro das terras indígenas e o registro nas unidades de conservação é extremamente preocupante, pois indica que esses territórios – que por lei devem ser protegidos com prioridade – não estão recebendo a atenção necessária para barrar novas invasões”, afirma o pesquisador do Imazon Dalton Cardoso.

Ainda segundo o levantamento, a maior parte da exploração ocorreu na Floresta Nacional do Jamanxim, próximo dos municípios de Itaituba e Novo Progresso. O local teve 56 hectares com registros de exploração madeireira, o que representa 45% da área irregularmente afetada nas unidades de conservação do Pará

Total de queimadas na Amazônia em menos de 9 meses de 2022 supera o acumulado do ano passado

O número de queimadas registradas na Amazônia até a terça-feira (19) já superou o total registrado em todo o ano de 2021. Em nove meses incompletos (261 dias) foram 76.587 focos de incêndio na região em 2022. No ano passado inteiro, foram 75.090, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Desde maio os meses acumulam mais queimadas agora do que no ano passado. Os números também mostram que setembro deve intensificar essa marca negativa, já que foram 18.374 focos registrados em apenas uma semana, quase 10% a mais que em todo o mesmo mês de 2021.

Na atual “temporada de queimadas”, houve até mesmo dia em que a fumaça das queimadas na Amazônia cruzou o céu do Brasil deixando cheiro de queimado em SP e tarde nublada no Rio Grande do Sul.

Tragédia anunciada
A ONG ambientalista Greenpeace afirmou em nota que o aumento das queimadas é uma “tragédia anunciada” e está “associado com desmatamento e grilagem de terras”.

O desmatamento e os incêndios florestais dispararam durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), que tentará a reeleição em outubro. Desde que ele assumiu a Presidência, em janeiro de 2019, o desmatamento médio anual na Amazônia brasileira aumentou 75% em comparação com a década anterior.

“Após quase quatro anos de uma clara e objetiva política anti-ambiental por parte do governo federal, vemos que na iminência do encerramento deste mandato (…), grileiros e todos aqueles que têm operado na ilegalidade viram um cenário perfeito para avançar sobre a floresta”, disse no comunicado o porta-voz do Greenpeace Brasil para a Amazônia, André Freitas.

Fumaça de fogo na Amazônia chega a São Paulo, Paraná e Bolívia

A fumaça gerada pelos intensos incêndios na Amazônia, que ocorrem em níveis alarmantes há semanas e já atingem Unidades de Conservação e Terras Indígenas, se deslocou para São Paulo, Paraná e a Bolívia. A situação pode ser vista por imagens do satélite GOES 16, divulgadas pela MetSul nesta quarta-feira (7).

Além disso, na própria Amazônia há cidades cobertas pela fumaça, como Rio Branco (AC), onde o nível de poluição do ar registrado é de 225 microgramas por metro cúbico, valor quase 10 vezes maior que o máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Com isso, a cidade atingiu o nível de alerta na saúde na escala da Rede de Monitoramento da Qualidade do Ar do Acre, coordenado pelo Ministério Público do Acre (MPAC).

Nos últimos dias, a previsão era justamente do deslocamento da fumaça para o Sul, o que se confirmou nesta quarta. Segundo o boletim do MetSul, chama a atenção a “grande quantidade de fumaça” nas imagens de satélite. Devido às correntes de vento, um corredor de fumaça de mais de 5 milhões de quilômetros quadrados se formou do Norte ao Centro-Oeste do país, mas agora a poluição já é vista no Paraná, no extremo oeste do estado de São Paulo e até na Bolívia.

Como mostrou O GLOBO, os incêndios na Amazônia estão batendo recordes nas últimas semanas. Na primeira semana desse mês, o número de focos de queimada detectados (16.700) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) já é praticamente o mesmo do que foi registrado em todo o mês de setembro do ano passado (16.742). De janeiro a setembro, a quantidade de fogo em 2022 é 45% maior do registrado no mesmo período de 2021. Segundo especialistas, além do clima seco, as ações criminosas estão promovendo uma “corrida pelo desmatamento”, o que já atinge Unidades de Conservação e Terras Indígenas.

Fumaça de queimadas cobre 5 milhões de km² do Brasil e chega a outros países

Uma “nuvem” de fumaça provocada pelas queimadas se espalha pelo Norte do Brasil e por países vizinhos nesta segunda-feira (5), data em que é celebrado o Dia da Amazônia.

Uma imagem registrada nesta tarde pelo satélite geoestacionário Goes-16 mostra os seguintes estados sob o impacto da dispersão dos poluentes: Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Mato Grosso e Pará.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a área coberta pela fumaça abrange cinco milhões de km².
Campanha reúne artistas e personalidades pedindo Amazônia Livre, Democracia Viva

A destruição acumulada em 2022 no bioma já é pior do que a verificada no ano passado: desde o começo do ano até domingo (4), Amazônia teve 58 mil focos de queimadas, total que representa 20% a mais do que o registrado no mesmo período do ano anterior.

Dados que ainda serão contabilizados na série histórica mostram a situação nesta tarde de segunda-feira (5): o satélite Aqua detectou 2.706 focos, sendo 913 (34%) no Amazonas, 725 (27%) no Mato Grosso, 638 (24%) em Rondônia, 227 (8%) no Acre, 197 (7%) no Pará e 6 (0,2%) no Maranhão.

Ao contrário das imagens que mostram a situação do solo em tempo quase real, os dados sobre a poluição causada pelas fumaças demoram dois dias para serem consolidados pelo Inpe. Na mais recente (veja acima), feita no sábado (3), é possível visualizar um corredor de poluição cobrindo o Norte, o Centro Oeste e o Sudeste do país. Na imagem, a fumaça aparece em marrom, e os focos de queimadas estão sinalizadas com pequenas cruzes vermelhas aglomeradas.

“Gelo zumbi” na Groenlândia elevará o nível do oceano em 26.9 cm, diz estudo

Um “gelo zumbi” na Groenlândia elevará o nível do oceano em 26.9 cm, de acordo com um estudo publicado na revista científica “Nature”, na segunda-feira (29). O gigante bloco de gelo está condenado a derreter até mesmo se a emissão de carbono fosse reduzida.

O “gelo zumbi” recebe este nome porque ele ainda está conectado às áreas mais espessas da geleira-mãe, mas não é mais alimentado por ela, pois ela está recebendo menos suprimento de neve. A consequência disso é o derretimento inevitável do gelo e o aumento do nível do oceano.

Esse nível de elevação representa mais que o dobro do que os cientistas esperavam, tendo em vista o padrão de derretimento do gelo na Groenlândia. O motivo disto é, segundo o jornal “The Washington Post”, a atividade humana e o desequilíbrio climático.

Segundo os pesquisadores, mais de 120 trilhões de toneladas de gelo irão derreter por causa da incapacidade do maior bloco, que está sendo aquecido, de reabastecer suas bordas. William Colgan, do Serviço Geológico da Dinamarca e da Groenlândia (GEUS, sigla em Inglês), explica que 3,3% do volume total de gelo da Groenlândia derreterá, não importa o que aconteça, mesmo que a emissão de carbono seja reduzida.

“É gelo morto. Simplesmente vai derreter e desaparecer do manto glacial”, diz Colgan.

A revista acadêmica “Nature Climate Change” diz que o oceano pode aumentar 76,2 cm. Já a pesquisa, do ano passado, do “Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas” revela que esse número pode ficar atingir entre 5,08 cm e 12,7 cm, até o ano de 2100, devido ao derretimento das geleiras na Groenlândia.

A pesquisa usou imagens de satélite para monitorar o degelo no país e a alteração da forma da calota glacial entre 2000 e 2019. Foi a primeira vez que cientistas calcularam uma perda mínima de gelo no local.

O aumento das temperaturas, causadas principalmente por causa da emissão de gás carbônico na atmosfera terrestre, em quase todo o oceano Ártico, fazem com que o gelo derreta mais rápido do habitual, resultando em fenômenos como o “gelo zumbi”.

Mas o estudo do GEUS aponta, com esperança, que o mundo ainda pode cortar rapidamente a emissão de gases de efeito estufa, e com isso, limitar o aquecimento próximo a 1,5 graus Celsius, para assim impedir que as coisas piorem.