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Garimpeiros começam a fugir da Terra Yanomami após bloqueio do espaço aéreo na região

MPF vai apurar responsabilidade do governo na crise yanomami

Garimpeiros ilegais que atuam na Terra Indígena Yanomami começaram a fugir do território após o início de ações de repressão à atividade clandestina. Na última quarta-feira (1º), a Força Aérea Brasileira iniciou controle do espaço aéreo e usa aeronaves com radares superpotentes.

Vídeos que circulam nas redes sociais desde a última quinta-feira (31) mostram homens e mulheres em grupos deixando a região caminhando pela floresta e pelos rios, em barcos lotados.

Segundo a polícia, o motivo da fuga é por conta de uma grande operação que vai acontecer nos próximos dias para expulsar, de vez, os garimpeiros do território. A reserva indígena será ocupada pelas Forças Armadas Nacional e pela Polícia Federal.

A estimativa é que ao menos 20 mil garimpeiros estejam na Terra Indígena Yanomami. A ação ilegal deles causou uma crise humanitária sem precedentes no território. São pouco mais de 30 mil Yanomami na área que deveria, por lei, ser preservada. No entanto, tem sofrido com o avanço do garimpo ilegal, que só em 2022 cresceu 54%.

Para se ter uma ideia, de Surucucu, região de referência no território, até Boa Vista são ao menos 280 km — o que dá cerca de 1h30 de voo. A região é de mata fechada e montanhosa, o que pode agravar o trajeto de fuga dos garimpeiros. Já de barco, eles devem enfrentar um percurso de, pelo menos, sete dias pelo rio Urariocera.

Em outro vídeo, garimpeiros afirmam estar sem comida e pedem ao Exército e à polícia para serem resgatados da Terra Yanomami. O local é abastecido por aeronaves, mas com o bloqueio aéreo, o “rancho” — como chamam a alimentação — não chega até as áreas de garimpo onde os criminosos estão instalados.

Nas imagens, um garimpeiro diz que há ao menos 30 pessoas nos barracos, locais onde os invasores ficam instalados. É possível também ver indígenas, entre idosos e crianças, dividindo alimentação fornecida pelos invasores.

Terra Yanomami: garimpo ilegal causou alta de 309% no desmatamento

Garimpo

No intervalo entre outubro de 2018 e dezembro de 2022, o desmatamento resultante do garimpo ilegal na Terra Indígena (TI) Yanomami aumentou 309%, de acordo com levantamento elaborado pela Hutukara Associação Yanomami. Em dezembro de 2022, último mês do governo de Jair Bolsonaro, a área devastada era de 5.053,82 hectares, ante 1.236 hectares detectados no início do monitoramento.

Conforme o Instituto Socioambiental (ISA), a entidade estabeleceu um comparativo com os números coletados pela equipe do Projeto de Mapeamento Anual do Uso e Cobertura da Terra no Brasil (MapBiomas), constatando uma curva maior de crescimento no período. A diferença se deve à qualidade dos equipamentos utilizados. Enquanto o satélite usado pelo MapBiomas, o Landsat, processa dados com inteligência artificial, o sistema da Hutukara tem alta resolução espacial, o que permite maior precisão e a cobertura de perímetros que, por vezes, deixam de ser captados. Outro fator destacado pelo ISA é a alta frequência de visitas à Terra Indígena, por parte da associação representativa dos yanomami, o que influencia no trabalho de acompanhamento e registro.

Pelo cálculo do MapBiomas, as comunidades yanomami terminaram os anos de 2020 e 2021 com 920 e 1.556 hectares de floresta a menos. A entidade yanomami, por sua vez, avalia que as perdas foram, respectivamente, de 2.126,64 e 3.272,09 hectares.

Lula e Macron falam de democracia e meio ambiente por telefone

Palácio do Planalto_Fachada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu um telefonema do presidente francês, Emmanuel Macron, na tarde desta quinta-feira (26). De acordo com o Palácio do Planalto, a conversa durou mais de uma hora e ambos trataram de uma série de temas, como mudanças climáticas e ameaças à democracia por ações de grupos extremistas.

“Ambos concordaram sobre os riscos que pairam sobre a democracia em virtude das ações violentas de grupos de extrema direita. Nesse contexto, discutiram a importância de se combater a desinformação”, infirmou o Palácio do Planalto, em nota oficial.

Segundo o governo, Lula convidou Macron para que visite o Brasil e conheça o estaleiro em Itaguaí (RJ), onde estão sendo construídos os submarinos convencionais e o submarino a propulsão nuclear, fruto da cooperação bilateral entre França e Brasil.

Meio ambiente
Na área ambiental, Lula falou sobre os objetivos da Cúpula dos Países Amazônicos, que está sendo organizada pelo Brasil nos próximos meses. Aproveitou para convidar a França, já que o país europeu tem soberania sobre a Guiana Francesa, que está inserida no bioma amazônico.

Já o líder francês reiterou o convite para que o Brasil participe em março do One Forest Summit, que França e Gabão sediarão.

Ao tratar de temas da governança global, segundo o Palácio do Planalto, Lula e Macron falaram sobre a adequação de novos instrumentos de financiamento internacional para promover a transição climática e o combate à fome e às desigualdades. “Foi lembrado que Índia e Brasil, que ocupam a presidência do G20 neste ano e no próximo, terão papel central nesse debate”, diz a nota.

Outro ponto abordado na ligação foram os esforços para a conclusão das negociações do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul.

Por fim, Lula e Macron falaram sobre a urgência em se buscar a paz entre Rússia e Ucrânia. “O presidente Lula ressaltou a necessidade de maior engajamento dos líderes globais com esse objetivo, no âmbito da ONU e de um G20 político”, informou o Planalto.

Na próxima segunda-feira (30), o presidente Lula recebe, em Brasília, o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, que é o chefe de governo do país europeu. A expectativa é que o acordo Mercosul e União Europeia, além das mudanças climáticas, estejam entre os principais assuntos da visita. Antes de vir ao Brasil, Scholz deve visitar Argentina e Chile.

Ministério revoga ato do governo Bolsonaro que liberou extração de madeira em terras indígenas

Operação de combate à exploração ilegal de madeira em Terra Indígena na região de Novo Progresso (PA), em 2016. — Foto: Felipe Werneck/Ibama

A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, anunciou nesta segunda-feira (16) em uma rede social que revogou a medida da gestão Bolsonaro que liberou a extração de madeira em terras indígenas, inclusive por não indígenas.

O g1 havia adiantado que essa era a intenção da pasta, que tinha pressa porque a autorização entrava em vigor nesta segunda. A data de publicação da revogação no “Diário Oficial da União” não foi informada.

Publicada em dezembro do ano passado, no apagar das luzes do governo anterior, a instrução normativa previa o chamado manejo florestal sustentável em territórios demarcardos, que, em tese, deveriam ser protegidos. A mudança na regra havia sido duramente criticada por entidades ambientais.

Funai, Ibama e ministérios
Antes de a ministra comunicar a revogação, a Fundação Nacional do Índio (Funai), rebatizada de Fundação Nacional dos Povos Indígenas, havia dito que já estava em contato com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para “determinar providências” a respeito da instrução normativa.

Na nova composição ministerial do governo Lula, a fundação passou a fazer parte da estrutura do até então inédito Ministério dos Povos Indígenas.

Cabe destacar que a Instrução Normativa não foi objeto de consulta aos povos indígenas como previsto nos dispositivos legais existentes, logo, é natural que tenha seus efeitos suspensos até uma análise mais aprofundada e seja objeto de consulta.

Rodrigo Agostinho é indicado para a presidência do Ibama

Rodrigo Agostinho é indicado para a presidência do Ibama  — Foto: JN

O governo federal confirmou neste sábado (14) a indicação do deputado federal Rodrigo Agostinho, do PSB, para a presidência do Ibama.

Biólogo, advogado e ambientalista, Agostinho foi convidado para o cargo pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

O novo presidente do Ibama foi prefeito de Bauru, São Paulo, e membro titular do Conselho Nacional do Meio Ambiente por dez anos. Na Câmara, Rodrigo Agostinho presidiu a Comissão de Meio Ambiente.

Marina Silva diz que recorde de alertas de desmatamento é fruto de ‘incentivo’ à destruição

Marina Silva comenta dados do Inpe sobre desmatamento na Amazônia Legal — Foto: Reprodução

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou nesta sexta-feira (6) à ‘TV Globo’ que o recorde de alertas de desmatamento na Amazônia Legal identificado no ano de 2022 é fruto de um cenário de “incentivo” à destruição da floresta e que sua gestão não vai permitir nenhum tipo de manobra para não cumprir as leis ambientais.

Dados divulgados hoje pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostraram que o acumulado de alertas de desmatamento na Amazônia Legal foi de 10.267 km², de janeiro até o último dia 30 de dezembro de 2022, pior dado da série histórica iniciado em 2015 pelo Deter, o sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real do instituto.

“Os alarmes são feitos para que se torne providências para evitar que o desmatamento continue. Nesse caso, os alertas foram feitos, mas não tinha a devida ação por parte do governo e o resultado é, consequentemente, aumento do desmatamento”, disse a ministra.

Este resultado já impactará, segundo ela, o total de desmatamento de 2023, uma vez que o chamado ano Prodes, também calculado pelo Inpe, considera o período de agosto a julho.

“Vai ter impacto, porque você vai agregar o desmatamento ainda do governo Bolsonaro aos dados de 2023”, disse. “O mais importante é que estamos tomando as medidas para reverter o processo.”

A ministra afirmou, que entre as primeiras ações da pasta, foi reestabelecido o plano de prevenção e controle do desmatamento para todos os biomas, a retomada do Fundo Amazônia e o retorno do processo de aplicação de multas, além da revogação de uma portaria que estimulava a mineração artesanal e segundo ambientalistas acabaria facilitando o garimpo ilegal em terras indígenas e áreas de proteção ambiental.

Em relação ao Fundo Amazônia, o retorno do fundo, que havia sido suspenso, vai permitir a liberação de R$ 3 bilhões a que o fundo já tem direito e ainda novas doações internacionais.

“Uma medida que já foi tomada e que tem um peso muito grande é a anulação dos incentivos ao garimpo ilegal. Porque além de não fiscalizar, o governo federal ainda criava incentivos e estímulos para que essas atividades criminosas pudessem acontecer”, disse.

“Com essa anulação, a gente também faz uma salvaguarda para as populações tradicionais, para a proteção dos nossos rios, das nossas florestas”, declarou a ministra.

2022 registra pior marca da série histórica de alertas de desmate do Inpe

Imagem de sobrevoo de 30 de agosto do Greenpeace em área de desmatamento na Amazônia. — Foto: © Nilmar Lage / Greenpeace / Divulgação

O acumulado de alertas de desmatamento na Amazônia Legal foi de 10.267 km², de janeiro até o último dia 30 de dezembro de 2022, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Essa é a pior marca da série histórica anual do Deter, o sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real do instituto.

O índice leva em conta o chamado ano civil, ou seja, o período total de janeiro a dezembro. Antes mesmo de fechar o ano, em outubro do ano passado, como mostrou o g1, os dados do instituto já apontavam para esse recorde.

Agora, com os dados completos de 2022, o acumulado de alertas de desmatamento em dezembro de 2022 na Amazônia foi de 218,41 km².

O número equivale ao tamanho da cidade do Recife (PE) em área. Dessa forma, esse é o terceiro pior dezembro da série histórica do Deter, atrás apenas de 2017 e 2015, quando as áreas de desmate chegaram a 288 e 266 km², respectivamente.

Além disso, o índice representa um aumento de 150% em relação ao mesmo mês do ano anterior

Como também mostrou o g1, embora dezembro de 2021 tenha registrado um número relativamente mais baixo de desmate (87 km²), o ínicio de 2022 apontou a maior taxa de alerta para um primeiro semestre em sete anos de medição na Amazônia Legal, região que corresponde a 59% do território brasileiro e que engloba a área de 9 estados – Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e uma parte do Maranhão.

Como dezembro, janeiro, fevereiro e março são meses chuvosos na maioria dos estados que englobam o bioma, as taxas de desmatamento são tipicamente menores durante esses meses.

No entanto, as taxas registradas no começo do ano passado se comparam aos registros da estação seca em anos onde houve maior ação contra os crimes ambientais.

Em janeiro foram 430,44 km² de área sob alerta de desmatamento. A média para o mês no período entre 2016 e 2021 é de 162 km²; a taxa atual foi 165% maior.

Já em fevereiro foram 199 km² de áreas sob alerta de desmate; a média entre 2016 e 2021 é de 135 km²: o número registrado neste ano foi 47% maior.

E no resto do ano, a situação não foi diferente. Os alertas de desmatamento na Amazônia acumularam 4.793 km quadrados de área derrubada entre agosto e dezembro do ano passado, recorde para o período na série histórica iniciada em 2015 pelo Inpe.

“Os alertas de destruição da Amazônia bateram recordes históricos nos últimos meses, deixando para o governo Lula uma espécie de desmatamento contratado, que vai influenciar negativamente os números de 2023”, avalia Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima.

“O governo Bolsonaro acabou, mas sua herança ambiental nefasta ainda será sentida por um bom tempo”.

Lula articula inédita Cúpula da Amazônia para este semestre

Lula acena ao chegar diante do Palácio do Planalto durante sua posse em 1º de janeiro de 2023 — Foto: Fábio Tito/g1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propôs a chefes de Estado do continente a realização de uma inédita Cúpula da Amazônia ainda nesse semestre. A sugestão foi feita por Lula nos encontros bilaterais realizados nos dias que sucederam a posse.

A ideia é reunir os presidentes ou representantes dos nove países cujos territórios fazem parte do bioma: Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname.

O tema foi tratado nas reuniões bilaterais com os presidentes Gustavo Petro (Colômbia), Luis Arce (Bolívia), Guillermo Lasso (Equador), além de presidente do Conselho de Ministros do Peru, Luis Alberto Otárola Penaranda; e o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodrigues.

A Cúpula da Amazônia deverá ser organizada pela OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica), organismo que teve seu papel esvaziado nos últimos anos.

Já foram realizados encontros de países da Amazônia, mas nenhum pela OTCA, o que, em tese, daria maior peso institucional ao encontro, além de aprofundar os compromissos com a região.

Segundo um interlocutor que acompanhou os encontros, a ideia foi bem recebida pelos representantes dos países. O tema também foi tratado no encontro com o Rei Felipe VI da Espanha. A França também deverá ser convidada por causa da Guiana Francesa, território ultramarino francês.

É provável que países que não fazem parte da Amazônia sejam convidados na condição de observadores.

Além do resgate da pauta ambiental e da cooperação entre países, a organização da Cúpula da Amazônia cumpre dois propósitos, segundo interlocutores do presidente: fortalecer os países da região no debate sobre a floresta e cacifar o Brasil para sediar a Cop-30, em 2025.

Após Lula reativar Fundo Amazônia, Noruega diz que R$ 3 bilhões já podem ser investidos

O Ministério do Clima e Meio Ambiente da Noruega informou nesta terça-feira (3) ao g1 que o Brasil já pode aplicar cerca de R$ 3 bilhões doados pelo país para o Fundo Amazônia.

Criado em 2008 para financiar projetos de redução do desmatamento e fiscalização do bioma, o fundo está parado desde abril de 2019.

Na ocasião, o então presidente Jair Bolsonaro suspendeu comitês vinculados ao fundo. Além disso, em meio a uma série de polêmicas envolvendo a política ambiental do governo, Alemanha e Noruega – principais doadores do fundo – anunciaram a suspensão dos repasses.

Após a eleição de Lula, em outubro, porém, os dois países informaram que voltarão a fazer os repasses. No último domingo (1º), em seu primeiro ato como novo presidente do Brasil, Lula assinou uma série de atos. E, entre esses atos, está um decreto que estabelece a retomada do fundo.

“A Noruega e o Brasil têm interesses comuns no combate à crise climática, na redução do desmatamento e na promoção do desenvolvimento sustentável. Neste sentido, a reabertura do Fundo Amazônia pelo governo brasileiro e o descongelamento dos recursos no fundo fornecerão apoio importante para a implementação dos planos ambiciosos do governo”, afirmou o governo norueguês.

“Atualmente, há mais de 6 bilhões de coroas norueguesas (3 bilhões de BRL) no fundo que podem ser aplicados em projetos. O primeiro passo é fazer bom uso desses recursos”, acrescentou o ministério.

Em nota, o Ministério do Meio Ambiente da Noruega disse ainda estar “muito satisfeito” com o fato de o novo governo brasileiro já ter adotado as medidas necessárias para permitir que o Fundo Amazônia funcione novamente.

“O fundo pode contribuir para apoiar um governo comprometido em reduzir o desmatamento e o desenvolvimento de uma economia sustentável na Amazônia”, acrescentou.

Desenvolvimento sustentável
Entidades ambientalistas ouvidas pelo g1 avaliaram que a retomada do Fundo Amazônia contribui para combater o desmatamento e também buscar o desenvolvimento sustentável da região.

“Com o Fundo Amazônia funcionando, e com a decisão política do governo Lula e da ministra Marina Silva de combater primariamente o desmatamento e conseguir baixar as taxas rapidamente, entendo que o Fundo Amazônia vai voltar a ser um espaço onde a comunidade internacional pode remunerar o país pelos serviços de diminuição do desmatamento e das emissões”, avaliou Raul do Valle, especialista em políticas públicas da entidade ambiental WWF-Brasil.

“Isso vai retroalimentar recursos para que você possa não só fazer financiamento de ações de comando e controle, mas, sobretudo, […] financiar atividades de desenvolvimento sustentável”, completou.

Ao todo, conforme o governo norueguês, o fundo soma cerca de R$ 3,5 bilhões, dos quais 94% foram doados pelo país europeu.

Assessora do Instituto Socioambiental, Adriana Ramos entende que, com a retomada do fundo, será possível discutir a proteção ambiental da região e o desenvolvimento sustentável. Na opinião dela, sem os recursos do fundo, o governo não dá conta de promover de forma adequada as ações na região.

“A retomada do fundo é fundamental, porque não haveria condições de o governo enfrentar essa questão do desmatamento e da proteção sem o Fundo Amazônia. E o governo sinaliza, também, a possibilidade de enfrentar dilemas, inclusive os relacionados à questão socioeconômica da região”, avalia.

Garimpeiros constroem estrada clandestina de 150 km em terra Yanomami, na Amazônia

A Terra Indígena Yanomami é a maior do Brasil. Está localizada nos estados do Amazonas e Roraima, dentro da Floresta Amazônica, e abriga 30 mil indígenas. No entanto, nos últimos quatro anos, as invasões explodiram na reserva e abriram caminho para uma nova rota do crime.

No início desta semana, a convite do Greenpeace, o Fantástico embarcou em um sobrevoo na região para registrar uma denúncia: garimpeiros construíram uma estrada clandestina de 150 quilômetros dentro da terra indígena.

“Infelizmente, o que gente presenciou na Terra Indígena Yanomami, nesse momento, é o garimpo indo para um patamar diferenciado. A chegada das escavadeiras hidráulicas dá um poder de destruição muito maior a esses garimpeiros. Nós estamos falando de um legado de destruição enorme”, lamenta Danicley de Aguiar, membro da campanha da Amazônia do Greenpeace Brasil.

Na quinta-feira (8), uma equipe do Ibama destruiu uma escavadeira, a quarta encontrada em apenas uma semana; é um indício do fluxo de máquinas usando a estrada aberta na floresta.

“Hoje, ali na Yanomami, a gente pode dizer, com certeza, que existe uma relação estreita entre o garimpo e as facções criminosas ali dentro. Assim que a presença da polícia se fez lá no rio, a gente observou que eles começaram a soltar fogos. Então, esse é um sinal de alerta que eles dão, típico de facção criminosa. Para poder avisar que existe ali a presença da polícia”, conta Hugo Ferreira Neto Loss, analista ambiental e fiscal do Ibama.

O Fantástico também teve acesso a conversas de rádio trocadas entre garimpeiros. “Vieram baixinho, rasteiro”, diz um deles. “É bom dar uma quietada, hein? Circula essa informação, porque vai queimar trem aí”, responde um outro. “Aí, ó, todo mundo entocado”, orienta um terceiro.

Alertas de desmatamento na Amazônia têm segundo pior novembro da série histórica, aponta Inpe

O acumulado de alertas de desmatamento em novembro de 2022 na Amazônia Legal foi de 554 km², a segundo pior marca para o mês na série histórica do Deter, que começou em 2015. Os números foram divulgados pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) nesta sexta-feira (9).

A Amazônia Legal corresponde a 59% do território brasileiro, e engloba a área de 8 estados (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) e parte do Maranhão.

Os alertas foram feitos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que produz sinais diários de alteração na cobertura florestal para áreas maiores que 3 hectares (0,03 km²) – tanto para áreas totalmente desmatadas como para aquelas em processo de degradação florestal (por exploração de madeira, mineração, queimadas e outras).

Os números deste ano só ficaram atrás da marca de 2019, quando o índice chegou a 562 km².

“O que vemos na Amazônia é resultado de um plano de destruição implementado pelo atual governo. Bolsonaro deixará uma herança nefasta para o Brasil, e deve ser responsabilizado legalmente por toda a destruição que causou”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

Transição: grupo de Meio Ambiente defende fiscalização remota para acelerar combate ao desmatamento ilegal

O grupo da transição que discute a preservação ambiental afirmou nesta quarta-feira (30) que defende a fiscalização remota, através da utilização de imagens de satélite, para acelerar o combate ao desmatamento ilegal.

A informação foi dada pelo ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, um dos membros do grupo na equipe do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com a equipe de transição, a fiscalização remota ainda é pouco aplicada no país.

Segundo Minc, a ideia é punir quem pratica desmatamento ilegal sem a necessidade de a equipe de fiscalização ir presencialmente ao terreno — esse modelo é conhecido como embargo remoto.

“Embargar as fazendas, as unidades que estão desmatando, detectado por satélite, mesmo sem você ir lá, porque o satélite te diz isso”, disse o ex-ministro.

Para Minc, o embargo remoto seria uma “medida rápida, barata, efetiva” ao cruzar os dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) com as bases de dados dos estados para identificar se a área desmatada possui licença para plano de manejo ou se está desmatando ilegalmente.

O grupo, porém, não detalhou como a punição aos desmatadores seria efetivamente feita. O ex-ministro apenas disse que o embargo precisa do apoio das instituições financeiras.

“É obrigação deles [bancos], cortar imediatamente o crédito de todas essas áreas e explorações embargadas”.

Queda no desmatamento
Também nesta quarta, o Inpe divulgou que a área desmatada na Amazônia foi de 11.568 km² entre agosto de 2021 e julho de 2022 (o equivalente ao tamanho do Catar).

Quando comparado ao último levantamento do Inpe, houve uma queda de 11% do total da área desmatada entre as duas temporadas. Na edição anterior, o número foi de 13.038 km², entre agosto de 2020 e julho de 2021.

A remota ilha no Atlântico Sul que recebe lixo do mundo todo pelo mar

Milhares de pedaços de plástico do mundo todo estão poluindo o litoral de uma remota ilha do Atlântico Sul, segundo ambientalistas e pesquisadores.

O lixo encontrado na costa sudoeste da Ilha de Ascensão veio de países como China, Japão e África do Sul, dizem os ativistas.

A equipe de pesquisadores e ativistas da Sociedade Zoológica de Londres (ZSL) passou cinco semanas avaliando o tamanho da poluição no local.

Mais de 900 espécies de vida marinha estão ameaçadas pela poluição, segundo eles.

A Ilha de Ascensão possui uma grande variedade de espécies nativas e elas estão sendo afetadas pela poluição plástica. É o caso do caranguejo terrestre, da ave fragata e de várias espécies de tubarões, tartarugas, peixes e aves.

A ilha remota, que pertence ao Reino Unido, tem sido alvo de muitos projetos de conservação de biodiversidade.

“Há muito plástico sendo mal usado. É de partir o coração”, diz a bióloga marinha Fiona Llewellyn, da ZSL, à BBC. Ela diz que grandes empresas e governos precisam assumir a responsabilidade pela poluição que causam.

Llewellyn e sua equipe encontraram mais de 7 mil pedaços de plástico durante sua expedição.

A pequena ilha, com população de apenas 800 pessoas, está preocupada com a poluição. Apenas uma pequena quantidade de plástico no seu litoral vem da própria ilha. Llewellyn afirma: “É fácil ver que a maior parte vem de outros lugares”.

Os animais estão ingerindo o plástico e ficando enrosacados nele, o que pode causar danos. Há preocupações crescentes sobre o microplástico entrando na cadeia alimentar.

Os tipos de plástico mais comuns na ilha são garrafas, pedaços de plástico rígido que se quebraram, equipamentos de pesca e pontas de cigarro.

Grande parte do lixo acaba encalhado em penhascos que são difíceis e perigosos de alcançar. “Foi realmente um desafio descer as rochas para chegar a este litoral e contar todo o plástico que estava lá”, diz ela.

A equipe de conservação da ZSL trabalha com o governo da Ilha de Ascensão, o St Helena National Trust, o governo de Santa Helena, a Universidade de Exeter e a Universidade Nelson Mandela da África do Sul em um esforço para combater a poluição plástica.

O projeto total terá duração de três anos e consiste em monitorar as correntes e o movimento da água, identificar as garrafas plásticas, avaliar suas datas de validade e produção e entender quando e onde elas podem ter entrado na água.

Câmeras escondidas mapeiam caminho da madeira extraída ilegalmente na Amazônia

O que você vai ver na reportagem especial do Fantástico é o resultado de nove meses acompanhando operações da Polícia Federal e do Ibama em sete terras indígenas ou TIs, como são chamadas. E conhecer por dentro como são flagrados e combatidos os invasores dessas áreas protegidas.

Uma reportagem que usou tecnologia de rastreamento por satélite e celular e câmeras acionadas por movimento para seguir o caminho da madeira e revelar um esquema que movimenta milhões na Amazônia.

As operações que o Fantástico registrou se estenderam por mais de três mil quilômetros dentro das TIs. As terras indígenas ocupam quase 14% do território brasileiro. São 610 Tis – a maioria na Amazônia. E funcionam como fortalezas para conter a destruição da floresta.

“Os índices de proteção são superiores dentro das terras indígenas quando você compara fora das terras indígenas”, diz o pesquisador do Instituto Socioambiental Antonio Oviedo.

A conclusão é de um estudo do Instituto Socioambiental, que analisou o uso das terras protegidas da Amazônia como um todo nos últimos 35 anos.

“A Amazônia brasileira já perdeu perto de 20% da cobertura florestal. As terras indígenas nesse mesmo período perderam um pouco mais de 1%, o que mostra que as terras indígenas como um potencial muito importante pra proteção da natureza e para o cumprimento de acordos globais que o Brasil tem assumido”, diz o pesquisador.

Um potencial ameaçado. Nos últimos três anos, o desmatamento nas TIs cresceu 130%, comparado ao triênio anterior.

Lula diz que pedirá à ONU para a Amazônia sediar a Conferência do Clima em 2025

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (16) que pedirá à Organização das Nações Unidas (ONU) para a Amazônia sediar a Conferência do Clima (COP) em 2025.

Lula deu a declaração no Egito ao discursar no evento “Carta da Amazônia – uma agenda comum para a transição climática”, relacionado à COP27. Governadores brasileiros também participaram do evento.

Entre outros pontos, a Cúpula do Clima serve para que os países possam discutir as mudanças climáticas e propor medidas para a redução de gases do efeito estufa. O Brasil iria sediar a COP25, em 2019, mas a pedido do presidente Jair Bolsonaro a conferência mudou de país e foi transferida para a Espanha.

“Nós vamos falar com o secretário-geral da ONU [António Guterres] e vamos pedir para que a COP de 2025 seja feita no Brasil e, no Brasil, seja feita na Amazônia. E, na Amazônia, tem dois estados aptos a receber qualquer conferência internacional, que é o estado da Amazonas e o estado do Pará”, afirmou Lula nesta quarta.

Lula desembarcou no Egito na última segunda-feira (14). O presidente eleito viajou para a COP27 a convite do presidente egípcio Abdel Fatah al-Sissi. Esta é a primeira viagem de Lula ao exterior desde que venceu Bolsonaro nas urnas.

Ainda no discurso desta quarta-feira, Lula acrescentou ser “importante” que as pessoas conheçam a Amazônia.

“Acho muito importante que [a COP em 2025] seja na Amazônia e acho muito importante que as pessoas que defendem a Amazônia e que defendem o clima conheçam de perto o que é aquela região.”

Lula também aproveitou o discurso para dizer que “o Brasil está de volta ao mundo”.