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Anatel antecipa para janeiro entrada de mais 420 municípios no 5G

A chegada do 5G no Brasil vai permitir que os investimentos em telecomunicações alcancem inéditos R$ 37,2 bilhões neste ano, uma alta de cerca de 5% em relação ao ano anterior. De acordo com a Conexis, associação que reúne as companhias do setor, o avanço deve continuar no mesmo ritmo em 2023 por conta da antecipação da implantação da nova tecnologia de quinta geração para além das capitais.

Atualmente, apenas as capitais contam com a rede 5G pura (standalone), que permite velocidade de até cem vezes superior ao atual 4G. Pelo cronograma original da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), outras 26 cidades com mais de 500 mil habitantes deveriam estar aptas a receber a nova tecnologia até janeiro. Mas, agora, esse número subiu para 420 municípios porque foram incluídas as áreas ao redor dessas localidades.

Decidimos criar clusters com esse grupo de cidades por conta de uma otimização de recursos, que envolvem os custos para limpeza de faixa de frequência e comunicação à população local nesses locais. Com isso, esses mais de 420 municípios estarão aptos a receber o 5G. A implantação vai depender da estratégia de cada operadora – disse Moisés Queiroz, conselheiro da Anatel, que também é presidente do Gaispi, grupo responsável por acompanhar a instalação da nova rede 5G.

Segundo ele, também poderá ser antecipado para antes de julho de 2023 a liberação da rede 5G em cidades acima de 200 mil habitantes. O grupo inclui mais de 150 municípios.

Esse grupo pode ser antecipado também. E por uma questão de concorrência o 5G vai chegar a mais locais do Brasil – afirmou.

Segundo Marcos Ferrari, presidente-executivo da Conexis, o setor passa por um movimento de chegada de nova tecnologia e demanda crescente por internet, que ganhou ainda mais impulso desde o início da pandemia. Além disso, entre as operadoras, a nova rede tem impulsionado a ampliação das redes 4G e de fibra ótica.

Vamos entrar em 2023 com boas perspectivas, mantendo os investimentos elevados. Se houver condições, as empresas vão antecipar a construção das redes até como forma de rentabilizar mais rápido os investimentos a seus acionistas — destacou.

Americana mira em infraestrutura local
O interesse na ampliação das novas redes é acompanhado de um consumidor cada vez mais propenso a consumir 5G. Ao longo desta semana, a Qualcomm, fabricante de chips, reúne fabricantes e operadoras para anunciar novos produtos como smartphones, óculos de realidade aumentada e soluções para games durante o Snapdragon Summit nos Estados Unidos.

Silmar Palmeira, diretor Sênior de Produtos da Qualcomm na América Latina, adiantou que a empresa vai selar uma parceria no Brasil com um fabricante de infraestrutura para produzir equipamentos de rede às teles e às empresas interessadas em construir redes privadas de 5G. A previsão, revelou, é fechar a parceria esse ano, e desenvolver a solução já em 2023.

Isso vai permitir que uma nova opção de fornecimento e alternativa mais barata à importação de equipamentos. Só assim será possível conseguir escala. Vamos ainda usar esse investimento no Brasil como base de fornecimento para América Latina – afirmou Palmeira.

Segundo o executivo, a previsão é que até 2025 o 5G seja maioria no Brasil, já que o ritmo de avanço está sendo duas vezes e meio mais rápido que o 4G atual.

Pesquisa da Ericsson aponta que, embora a inflação ainda pressione o bolso das famílias, 69% dos usuários no Brasil atualizarão seus aparelhos para o 5G em 2023. Segundo a companhia, 24% já têm um dispositivo pronto para 5G. A previsão é que 50 milhões de brasileiros contratem planos 5G em 2023.

Teles prontas para antecipação
Na Vivo, por exemplo, metade dos smartphones vendidos hoje já são habilitados à nova rede. Por isso, a companhia vê com bons olhos a antecipação da antecipação da rede no Brasil pela Anatel. Segundo Márcio Fabbris, vice-presidente de Marketing e Vendas da Vivo, a empresa pretende investir entre R$ 8,5 bilhões e R$ 9 bilhões no ano que vem em infraestrutura. Estima-se que o 5G possa representar mais da metade desses aportes.

A partir de agora o investimento em 5G passa a ser feito por demanda de clientes, seguindo um modelo orgânico. Hoje temos um sistema com o uso de algoritmos que analisa o consumo por antena e o número de clientes. E quando chega a um determinado nível, a gente investe – disse Fabbris.

Junto com o 5G, outras tecnologias também avançam. A Vivo vai ampliando a rede de fibra ótica, cuja meta é avançar de 22 milhões para 29 milhões de casas aptas a receberem fibra até 2024.

Estamos chegando agora em cidade com menos de 10 mil habitantes. A conectividade não vai estar só nos grandes centros. Estamos mirando em serviços. Acabamos de criar um laboratório de realidade aumentada para explorar as novidades – afirmou Fabbris.

A TIM, que tem o maior número de rede instalada em 5G hoje com 2.900 antenas das seis mil no país, segundo dados da Anatel, já conta com 100% dos bairros cobertos no Rio, São Paulo, Curitiba e Recife. Para Fabio Avellar, vice-presidente Comercial da tele, a companhia está pronta para acelerar a cobertura. A empresa pretende investir cerca de R$ 9,2 bilhões em 2023 e 2024. Esse ano, destinará R$ 4,8 bilhões na ampliação da rede.

Queremos estar onde estão os nossos clientes. Em 2023, vamos colocar 4G em todos os municípios do Brasil.

A Claro disse que “está pronta para ativar o 5G assim que as autoridades liberarem a ampliação”. Além disso, a tele tem estimulado fabricantes a lançar cada vez mais aparelhos e dispositivos compatíveis com a quinta geração.

Lula diz que pedirá à ONU para a Amazônia sediar a Conferência do Clima em 2025

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (16) que pedirá à Organização das Nações Unidas (ONU) para a Amazônia sediar a Conferência do Clima (COP) em 2025.

Lula deu a declaração no Egito ao discursar no evento “Carta da Amazônia – uma agenda comum para a transição climática”, relacionado à COP27. Governadores brasileiros também participaram do evento.

Entre outros pontos, a Cúpula do Clima serve para que os países possam discutir as mudanças climáticas e propor medidas para a redução de gases do efeito estufa. O Brasil iria sediar a COP25, em 2019, mas a pedido do presidente Jair Bolsonaro a conferência mudou de país e foi transferida para a Espanha.

“Nós vamos falar com o secretário-geral da ONU [António Guterres] e vamos pedir para que a COP de 2025 seja feita no Brasil e, no Brasil, seja feita na Amazônia. E, na Amazônia, tem dois estados aptos a receber qualquer conferência internacional, que é o estado da Amazonas e o estado do Pará”, afirmou Lula nesta quarta.

Lula desembarcou no Egito na última segunda-feira (14). O presidente eleito viajou para a COP27 a convite do presidente egípcio Abdel Fatah al-Sissi. Esta é a primeira viagem de Lula ao exterior desde que venceu Bolsonaro nas urnas.

Ainda no discurso desta quarta-feira, Lula acrescentou ser “importante” que as pessoas conheçam a Amazônia.

“Acho muito importante que [a COP em 2025] seja na Amazônia e acho muito importante que as pessoas que defendem a Amazônia e que defendem o clima conheçam de perto o que é aquela região.”

Lula também aproveitou o discurso para dizer que “o Brasil está de volta ao mundo”.

Donald Trump anuncia pré-candidatura à Presidência dos Estados Unidos em 2024

Donald Trump anunciou nesta terça-feira (15) sua pré-candidatura à Presidência dos Estados Unidos em 2024. O ex-presidente fez um discurso de sua mansão em Mar-a-Lago, na Flórida, acompanhado de apoiadores.

O republicano voltou a usar o slogan de campanhas passadas durante sua fala. “Para fazer a América voltar a ser grande de novo, estou anunciando esta noite minha candidatura para presidente dos Estados Unidos”.

Mais cedo, assessores do ex-presidente protocolaram na Comissão Eleitoral Federal dos EUA os documentos necessários para a formalização da campanha.

Trump ainda vai ter que passar pela disputa interna do partido republicano e sair vitorioso para voltar a enfrentar o atual presidente Joe Biden nas urnas.

O ex-presidente esperava usar os ganhos da sigla nas eleições como um trampolim para se lançar à indicação de seu partido. Diante de um resultado dos republicanos mais contido que o esperado, no entanto, ele vem sendo apontado como culpado por apoiar uma série de candidatos derrotados depois que o partido não conseguiu assumir o controle do Senado.

Ele comemorou a retomada da Câmara mesmo antes da concretização. Os republicanos ainda dependem de mais uma cadeira para controlar a Casa. Trump admitiu o resultado abaixo do esperado, mas negou qualquer responsabilidade.

Durante o seu discurso, Trump atacou Biden e falou sobre a alta inflação e a escalada dos preços dos combustíveis.

Além de problemas da atual gestão, ele voltou a minimizar os efeitos das mudanças climáticas e chamou o coronavírus de vírus da China e falar sobre a fronteira com o México. Trump também usou termos nacionalistas como “América grande” e “sonho americano”.

Com a nova campanha, o ex-presidente pretende superar a mancha gerada em seu governo, que terminou com seus apoiadores invadindo o Capitólio para contestar a vitória de Joe Biden, em 2021. Trump foi ainda o primeiro presidente do país a sofrer um processo de impeachment duas vezes.

Apenas um presidente na História dos EUA foi eleito para dois mandatos não consecutivos: Grover Cleveland, em 1884 e 1892.

O ex-presidente também enfrenta uma série de investigações criminais, incluindo a do Departamento de Justiça sobre as centenas de documentos classificadas como secretos que foram descobertos em caixas e gavetas em seu clube Mar-a-Lago após ele deixar a Presidência dos EUA.

Assessores e aliados pediram a Trump que esperasse até depois do fim do mandato – e depois até depois do segundo turno da eleição para o Senado em 6 de dezembro na Geórgia – para anunciar seus planos. Mas Trump, ansioso para voltar aos holofotes, também espera evitar uma longa lista de potenciais adversários, incluindo o governador da Flórida Ron DeSantis, que foi reeleito na semana passada e agora está sendo instado por muitos em seu partido a concorrer à Presidência.

O ex-presidente tentou culpar o líder republicano do Senado, Mitch McConnell, pelo desempenho abaixo do esperado do Partido Republicano, mas acabou recebendo o peso das críticas por apoiar candidatos derrotados em estados como Pensilvânia e Arizona.

Questionada se ela apoiaria Trump em 2024, a senadora republicana Cynthia Lummis, de Wyoming, disse a repórteres na segunda-feira: “Não acho que essa seja a pergunta certa. Acho que a questão é: quem é o atual líder do Partido Republicano?”

Sua resposta a essa pergunta: “Ron DeSantis”.

Detidos durante encontro neonazistas em SC têm prisões preventivas decretadas

Os oito homens flagrados pela polícia de Santa Catarina durante um encontro de neonazistas tiveram as prisões em flagrantes convertidas em preventivas, informou o delegado Arthur Lopes, responsável pelo caso. Eles haviam sido detidos na segunda-feira (14) e a audiência de custódia ocorreu na tarde de terça (15).

O grupo é suspeito de integrar uma célula neonazista interestadual com ligação internacional. Os oito homens estavam reunidos em um sítio em São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis, para participar de um encontro anual, quando foram localizados pela Polícia Civil.

Entre os presos, há o integrante de um grupo skinhead internacional, conhecido por ser intolerante e de extrema direita. Os nomes dos homens não foram informados. Todos eles ficarão presos em Santa Catarina.

Santa Catarina teve episódios recentes ligados à ideologia nazista. Entre eles, a prisão de estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que foram detidos pelo mesmo delegado que comandou a operação de segunda-feira. Segundo Lopes, no entanto, essas células não têm relação. Todos os casos são investigados.

De acordo com o Promotor de Justiça Luiz Fernando Pacheco, responsável pela 40ª Promotoria de Justiça da Capital, as investigações até o momento indicam que o grupo age com forte exaltação à ideologia fascista e apologia ao nazismo.

Quem são os presos
Entre os presos há um português que mora do Brasil há vários anos. Outros dois homens já se envolveram em crimes de homicídio decorrentes de intolerância.

Um deles estava usando tornozeleira eletrônica por ter sido condenado por uma tentativa de homicídio decorrente de um ataque skinhead contra judeus no Rio Grande do Sul.

Já o outro foi denunciado por duplo homicídio decorrente de uma disputa entre lideranças de células neonazistas. O caso ainda não foi julgado.

Mísseis na Polônia: Rússia alega que ataques chegaram apenas a até 35 km da fronteira e fala de ‘russofobia histérica’

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou nesta quarta-feira (16) que os mísseis disparados na terça-feira (15) em direção ao território ucraniano chegaram a até 35 quilômetros de distância da fronteira entre Ucrânia e Polônia.

Dessa forma, Moscou voltou a negar que um de seus artefatos tenha ultrapassado o limite entre os dois países e alcançado território polonês. A possibilidade foi levantada na terça após o Ministério de Relações Exteriores polonês afirmar que dois mísseis caíram em uma armazém de grãos no vilarejo de Przewodów, a cerca de 6 quilômetros da fronteira com a Ucrânia, matando duas pessoas.

A Polônia é membro da Aliança do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar do Ocidente, que prevê, em seu estatuto, a defesa de todos os sócios em caso de ataque de um terceiro país. Por esse entendimento, os Estados Unidos, que fazem parte do bloco, poderiam atacar a Rússia.

Em nota o Ministério da Defesa russo culpou a Ucrânia pelo lançamento.

“As fotos publicadas na noite de 15 de novembro na Polônia dos destroços encontrados na vila de Przewodow são inequivocamente identificadas por especialistas da indústria de defesa russa como elementos de um míssil guiado antiaéreo do sistema de defesa aérea S-300 do ucraniano força do ar,” afirmou a nota.

Também nesta quarta (16), o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que o episódio mostrou uma “russofobia histérica” por parte de países do Ocidente.

Até agora, no entanto, os governos dos EUA e da Rússia dizem que os mísseis não parecem ter sido disparados por forças de Moscou.

Fontes da Otan ouvidas pela agência de notícias Reuters afirmaram que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, informou ao G7 – o grupo dos países mais ricos do mundo – e os parceiros da aliança militar que a explosão na Polônia foi causada por um míssil de defesa aérea ucraniano.

Governadores querem reunião com Lula para discutir compensação do ICMS

Após a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), governadores pretendem se reunir com o petista para discutir a perda do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Os gestores também vão debater a renegociação do Regime de Recuperação fiscal , a revisão da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) e investimentos em infraestrutura. Outro ponto que será colocado na mesa é a proposta de um novo pacto federativo.

Há muita preocupação dos chefes dos Executivos federais com a diminuição da arrecadação dos estados. Eduardo Leite (PSDB-RS) e Eduardo Riedel (PSDB-MS) disseram que falarão com Lula sobre a compensação das perdas do ICMS. O tributo, visto como fundamental para as contas estaduais, foi limitado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em 2022, o rombo nos cofres gaúchos será de R$ 2 bilhões. No ano que vem, a previsão é que a arrecadação diminua em R$ 5 bilhões. Além disso, Leite afirmou para o jornal O Globo que obras precisam ser retomadas, como a duplicação da BR-116 entre Porto Alegre e Pelotas.

“A questão da queda do ICMS precisa de uma solução. É um recurso usado para o subfinanciamento de programas federais, como a complementação da merenda escolar e a defasagem tabela do SUS. A união pune políticas públicas ao forçar essa perda de arrecadação de impostos”, explicou Leite.

Riedel, que comandará Mato Grosso do Sul a partir do ano que vem, irá propor que as perdas do ICMS sejam compensadas com a redução do pagamento de dívida.

No Rio, Cláudio Castro (PL) vai pedir ao governo federal que sejam feitos investimentos na nova subida da Serra de Petrópolis e a conclusão da F118, ferrovia que liga o Porto do Açu. A aproximação entre o governador e o futuro presidente tem sido feita por André Ceciliano (PT).

No Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT) quer recursos para as obras de infraestrutura hídrica e a revisão da tabela do SUS. Em Minas Gerais, Romeu Zema (PL) deixou o discurso das eleições de lado e relatou que trabalhará para que o governo federal ajude na expansão do metrô de Belo Horizonte.

Recuperação fiscal e pacto federativo

O mineiro também defende a recuperação fiscal, endossando o discurso de Castro. “Esse é o ponto principal para que Minas possa ter uma solução para a crise fiscal que enfrentamos e, assim, avançarmos muito na melhoria dos serviços prestados aos mineiros”, comentou.

Zema ainda relatou que é importante defender a revisão do pacto federativo. “A União concentra hoje a maior parte da arrecadação, e são nos estados e municípios que a política pública acontece. É preciso fazer essa discussão para que os demais entes federativos sejam menos dependentes do governo federal”, completou.

Raquel Lyra pediu aos deputados recursos para Adutora do Agreste e BR-232, diz Fernando Rodolfo

Entrevistado pelo Folha Política, na Rádio Folha FM 96,7, o deputado federal Fernando Rodolfo (PL) afirmou nesta segunda-feira (14) que a governadora eleita Raquel Lyra (PSDB) solicitou duas ações para os recursos que cada parlamentar possui para destinar ao Estado.

Segundo ele, parte dos recursos direcionados ao Governo do Estado servirá para concluir ações importantes no Estado. “A bancada pernambucana irá destinar recursos para a Adutora do Agreste e o trecho da BR-232, que vem de Caruaru a Recife”, disse o parlamentar.

A nível nacional, o deputado considerou que a eleição do futuro presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi benéfica para quem compõe o Congresso Nacional. “Ele não terá a maioria na Câmara e no Senado. Isso vai força-lo a ter um diálogo mais constante com os partidos nas duas casas”, garantiu. “O Congresso será protagonista nos próximos quatro anos, pois a última palavra é da Câmara e do Senado”, continuou.

Apesar de o PL ser oposição, Fernando Rodolfo garantiu que irá votar a favor da PEC da Transição, desde que não prejudique os rumos do Brasil. “O meu partido vai votar favoravelmente ao País. Já temos o posicionamento do presidente (Waldemar Costa Neto) para isso”, frisou.

Polônia, país-membro da Otan, confirma que míssil russo atingiu seu território

Duas pessoas morreram nesta terça-feira (15) na Polônia depois que o país foi atingido por um míssil russo. A informação foi confirmada pelo Ministério de Relações Exteriores da Polônia, que convocou o embaixador russo para tratar do caso.

O míssil caiu em uma fazenda de grãos no vilarejo de Przewodów, que fica no leste da Polônia, próximo à fronteira com a Ucrânia. De acordo com o governo polonês, a cidade foi atingida por volta das 15h40 no horário local (11h40, no horário de Brasília).

A Polônia é um país-membro da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), aliança militar formada em 1949 e que hoje conta com 30 países, incluindo EUA, Canadá, Reino Unido e França.

Os membros concordam em ajudar uns aos outros no caso de um ataque armado contra qualquer Estado membro. Na prática, um ataque a um país da Otan é considerado um ataque a todos os outros integrantes da aliança.

O presidente da Polônia, Andrzej Duda, afirmou que é muito provável que o país acione o Artigo 4 da Otan em uma reunião marcada para esta quarta-feira (16).

O Artigo 4 da Otan diz que “as Partes consultar-se-ão sempre que, na opinião de qualquer delas, estiver ameaçada a integridade territorial, a independência política ou a segurança de uma das Partes”.

Como consequência do bombardeio, o G7, clube das nações mais ricas do mundo, estão organizando uma reunião na quarta-feira, segundo a agência de notícias japonesa Kyodo.

O que diz a Rússia
Antes de a Polônia afirmar que seu território foi sido atingido por um míssil russo, o Ministério da Defesa da Rússia negou a alegação, que classificou como “uma provocação deliberada com o objetivo de agravar a situação”.

Em comunicado, o governo russo afirmou que “nenhum ataque a alvos perto da fronteira entre Ucrânia e Polônia foi feito por meios de destruição russos”.

Já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que não tem informações sobre o incidente.

A informação sobre a queda de mísseis russos foi revelada por um alto funcionário da inteligência dos Estados Unidos, que falou à Associated Press em condição de anonimato.

Inicialmente, o Pentágono afirmou que não era possível confirmar a informação de que mísseis russos atingiram a Polônia. “Não temos nenhuma informação neste momento para corroborar esses relatos e estamos investigando isso mais a fundo”, disse o porta-voz do Pentágono, Patrick Ryder.

O presidente da Ucrânia Volodymir Zelensky acusou a Rússia de ter atacado a Ucrânia.

“Quanto mais a Rússia sentir impunidade, mais ameaças haverá para qualquer um ao alcance dos mísseis russos. Disparar mísseis conta o território da Otan. Este é um ataque de mísseis russos contra a segurança coletiva. Esta é uma escalada muito significativa. Devemos agir”, afirmou Zelensky.

Trabalhadores pretos ganham 40,2% menos do que brancos por hora trabalhada

Trabalhadores pretos ganham em média muito menos do que brancos por uma hora de trabalho: a hora de trabalho de uma pessoa preta valeu 40,2% menos que a de um branco no país entre abril e junho deste ano. No caso dos pardos, o valor foi 38,4% menor que o recebido pelos brancos.

Os dados são da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada em agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com informações referentes ao segundo trimestre do ano.

Em média, a hora de trabalho do brasileiro vale R$ 15,23.

Por cor, os valores médios são:

Brancos ganham R$ 19,22;
Pretos, R$ 11,49;
E pardos, R$ 11,84.

Isso implica que pretos e pardos precisem trabalhar mais horas para conseguir ganhar, no fim do mês, o mesmo valor que brancos. Considerando o rendimento médio por hora, para chegar ao valor de R$ 1.212, equivalente ao salário mínimo:

Um trabalhador branco precisaria trabalhar 63 horas;

Já um preto levaria quase 105,5 horas.

Segundo o IBGE, as populações preta e parda representam 9,1% e 47%, respectivamente, da população brasileira. Já na força de trabalho, a população parda representa 45%, e a preta, 10,2%.

Em uma década, a situação não evoluiu. No mesmo período de 2012, o valor pago por hora a uma pessoa preta era 42,8% menor do que o pago a uma pessoa branca.

A falta de acesso à educação superior é um dos fatores que influenciam na diferença de renda. Segundo um documento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado em 2021, nas últimas duas décadas 65,1% dos cargos de nível superior eram ocupados por pessoas brancas. Já pretos e pardos preenchiam 27,3% dessas vagas.

Outros fatores que entram na conta são o tamanho do mercado de trabalho informal e a discriminação indireta, segundo o diretor do Núcleo de Estudos Raciais do Insper Michael França.

Capital da desigualdade
O Distrito Federal é a unidade da Federação com a maior discrepância entre os rendimentos: pretos ganham 51% menos do que brancos por hora trabalhada. De acordo com os economistas Raul Velloso e Michael França, a presença massiva de cargos públicos com salários altos na capital federal, os quais tendem a ser preenchidos por brancos, ajuda a explicar essa disparidade.

Dados do Ministério do Planejamento mostram que 48,1% dos servidores públicos são brancos, enquanto apenas 4,2% são pretos. Pardos são 24%. O percentual restante é de amarelos, indígenas e outras etnias.

É possível ver que há uma sub-representação de pretos e pardos no serviço público em relação a sua presença na força de trabalho: 7,7% dos trabalhadores do Distrito Federal são pretos e 43,9%, pardos.

Conquistas pernambucanas
Pernambuco é o estado com menor disparidade de valor por hora trabalhada entre brancos e pretos no país. Em 2012, a diferença salarial por hora entre brancos e pretos era de 45,7%. Em 2022, esse número diminuiu 26 pontos percentuais, para 19,4%.

De acordo com o pernambucano Hugo Melo, economista do Observatório da Indústria, possivelmente a população reagiu a incentivos de novas políticas públicas. Uma delas é a política de cotas, que forneceu oportunidade de adentrar no mercado de trabalho com qualificação.

A maioria da população do estado é composta por pretos e pardos, enquanto os brancos compõem apenas 36% da população. Isso faz com que o impacto da qualificação por meio das políticas de cotas e da inserção no mercado de trabalho fiquem mais evidentes.

Para o economista, além da política federal, programas estaduais foram fundamentais para a diminuição dessa disparidade. Alguns exemplos são a ampliação do ensino integrado das escolas e o Programa Ganha Mundo, no qual jovens de escola pública do ensino médio ganham bolsas para estudar em diversos países, como Austrália, Canadá, Portugal, Inglaterra e Espanha.

Entre 2007 e 2014, o PIB de Pernambuco cresceu acima da média dos outros estados, com a chegada de indústrias como a refinaria da Fiat e o estaleiro Atlântico Sul. Para Hugo, o aumento do PIB, a chegada de polos industriais e as políticas de inserção social podem ter influenciado na diminuição de disparidades.

Donald Trump se prepara para lançar nova candidatura a Presidência dos Estados Unidos

O ex-presidente Donald Trump está se preparando para lançar sua terceira campanha para a Casa Branca nesta terça-feira (15). A nova candidatura de Trump vai buscar superar derrotas inesperadas para o Partido Republicano nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos e desafiar a História em meio a sinais de que seu controle sobre o Partido Republicano está diminuindo.

Trump esperava usar os ganhos da sigla nas eleições como um trampolim para se lançar à indicação de seu partido. Diante de um resultado dos republicanos mais contido que o esperado, no entanto, ele vem sendo apontado como culpado por apoiar uma série de candidatos derrotados depois que os republicanos não conseguiram assumir o controle do Senado.

“Espero que amanhã seja um dos dias mais importantes da história do nosso país!” Trump escreveu em sua rede social na segunda-feira. O anúncio estava previsto para a noite desta terça-feira e será feito de seu clube em Palm Beach, na Flórida.

Com a nova campanha, Trump pretende superar a mancha gerada em seu governo, que terminou com seus apoiadores invadindo o Capitólio para contestar a vitória de Joe Biden, em 2021. Ele foi ainda o primeiro presidente do país a sofrer impeachment duas vezes.

Apenas um presidente na História dos EUA foi eleito para dois mandatos não consecutivos: Grover Cleveland, em 1884 e 1892.

O ex-presidente também enfrenta uma série de investigações criminais, incluindo a do Departamento de Justiça sobre as centenas de documentos classificadas como secretos que foram descobertos em caixas e gavetas em seu clube Mar-a-Lago após ele deixar a Presidência dos EUA.

Assessores e aliados pediram a Trump que esperasse até depois do fim do mandato – e depois até depois do segundo turno da eleição para o Senado em 6 de dezembro na Geórgia – para anunciar seus planos. Mas Trump, ansioso para voltar aos holofotes, também espera evitar uma longa lista de potenciais adversários, incluindo o governador da Flórida Ron DeSantis, que foi reeleito na semana passada e agora está sendo instado por muitos em seu partido a concorrer à Presidência.

O ex-presidente tentou culpar o líder republicano do Senado, Mitch McConnell, pelo desempenho abaixo do esperado do Partido Republicano, mas acabou recebendo o peso das críticas por apoiar candidatos derrotados em estados como Pensilvânia e Arizona.

Questionada se ela apoiaria Trump em 2024, a senadora republicana Cynthia Lummis, de Wyoming, disse a repórteres na segunda-feira: “Não acho que essa seja a pergunta certa. Acho que a questão é: quem é o atual líder do Partido Republicano?”

Sua resposta a essa pergunta: “Ron DeSantis”.

Brasil registra 24 novas mortes por Covid; média móvel completa duas semanas em queda

O Brasil registrou nesta segunda-feira (14) 24 novas mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas, totalizando 688.770 desde o início da pandemia. A média móvel é de 33 mortes por dia, com variação de -32% em relação a duas semanas atrás, o que aponta tendência de queda há 14 dias seguidos.

Brasil, 15 de novembro
Total de mortes: 688.770
Registro de mortes em 24 horas: 24
Média de mortes nos últimos 7 dias: 33 (variação em 14 dias: -32%)
Total de casos conhecidos confirmados: 34.963.985
Registro de casos conhecidos confirmados em 24 horas: 2.582
Média de novos casos nos últimos 7 dias: 7.786 (variação em 14 dias: +61%)

No total, o país registrou 2.582 novos diagnósticos de Covid-19 em 24 horas, completando 34.963.985 casos conhecidos desde o início da pandemia. Com isso, a média móvel de casos nos últimos 7 dias foi de 7.786. A variação foi de +61% em relação à média de duas semanas atrás.

Em seu pior momento, a média móvel superou a marca de 188 mil casos conhecidos diários, no dia 31 de janeiro deste ano.

Em alta (3 estados): AM, PA, RS
Em estabilidade (8 estados): SP, MT, MS, AL, PB, RO, AP, SC
Em queda (5 estados): ES, CE, MA, SE, PR
Não divulgaram até 20h (10 estados e o Distrito Federal): AC, BA, DF, GO, MG, PE, PI, RJ, RN, RR, TO

Os números estão no novo levantamento do consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil, consolidados às 20h. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde.

A pedido de Alckmin, TCU prepara relatório de alto risco de 29 áreas críticas para entregar à transição

A pedido de Geraldo Alckmin, o TCU prepara uma lista de relatórios com dados e informações que podem assessorar a transição na discussão de futuras políticas públicas do país.

No ofício divulgado ontem pelo Estúdio I, na Globonews, Alckmin solicitou ao TCU cópia de relatórios, tomadas de contas, auditoria, inspeção, levantamento, monitoramento e outros documentos que podem ser importantes para o andamento do trabalho do Gabinete de Transição.

Em resposta, segundo o blog apurou, o presidente em exercício do TCU Bruno Dantas pediu às equipes técnicas do tribunal que consolidassem dados para entregar ao gabinete de transição nesta quarta-feira (16).

De acordo com informações obtidas pelo blog, o relatório que o TCU prepara inclui uma Lista de Alto Risco (LAR) da administração pública citando 29 áreas críticas que precisam ser monitoradas e também submetida a controle externo.

São áreas que não tiveram progresso nos últimos cinco anos considerados satisfatórios pela fiscalização do TCU – e representam riscos por vulnerabilidade a fraude, desperdício, abuso de autoridade, má gestão ou necessidade de mudanças profundas para que os objetivos das políticas públicas sejam cumpridos.

Os riscos identificados na lista incluem as áreas de saúde, educação, transporte, benefício assistencial, contratação pública, segurança cibernética, obras paralisadas, políticas públicas de inovação, qualidade e transparência dos dados governamentais informatizados e outras.

Outros relatórios
O TCU também prepara dados à transição de Fiscalização em Políticas e Programas de Governo de 2021. O relatório consolidou avaliações transversais de seis benefícios de proteção social, correspondentes a cerca de R$ 271 bilhões e cinco programas emergenciais de acesso a crédito para enfrentar a crise da Covid-19, que representaram uma execução orçamentária de R$ 61 bilhões.

Nos dados do TCU, a conclusão é de que o benefício mais eficiente para o combate à pobreza é o Bolsa Família (PBF), enquanto o abono salarial é o benefício de maior custo.

Também está prevista a entrega a Alckmin amanhã, pelo TCU, do parecer prévio referente às contas de 2021 do presidente da República. O TCU registra que as contas estavam em condições de serem aprovadas, com ressalvas, pelo Congresso, mas vai destacar o que chama de “desconformidades” como a falta de transparência do processo de alocação dos recursos orçamentários decorrentes das emendas de relator.

Zelensky acusa a Rússia de atacar a Polônia e fala em ‘escalada significativa’ do conflito

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta terça-feira (15) que foram mísseis russos que atingiram a Polônia e fala em uma “escalada significativa” do conflito.

“Quanto mais a Rússia sentir impunidade, mais ameaças haverá para qualquer um ao alcance dos mísseis russos. Disparar mísseis contra o território da Otan! Este é um ataque de mísseis russos contra a segurança coletiva! Esta é uma escalada muito significativa. Devemos agir”, disse.

O Ministério da Defesa da Rússia negou a acusação, que tratou como “uma provocação deliberada com o objetivo de agravar a situação”. Em comunicado, o governo russo afirmou que “nenhum ataque a alvos perto da fronteira entre Ucrânia e Polônia foi feito por meios de destruição russos”.

Mísseis russos
Duas pessoas morreram nesta terça-feira em uma explosão em Przewodów, no leste da Polônia, próximo à fronteira com a Ucrânia. A informação foi confirmada pelo corpo de bombeiros local, de acordo com a agência Reuters.

Segundo a agência Associated Press, um alto funcionário da inteligência dos Estados Unidos que não teve o nome revelado afirma que a explosão foi causada por mísseis russos. A Polônia é país-membro da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

A Otan é uma aliança militar formada em 1949 por 12 países, como EUA, Canadá, Reino Unido e França. Os membros concordam em ajudar uns aos outros no caso de um ataque armado contra qualquer Estado membro.

O Pentágono afirma que não pode confirmar a informação de que mísseis russos atingiram a Polônia. “Não temos nenhuma informação neste momento para corroborar esses relatos e estamos investigando isso mais a fundo”, disse o porta-voz do Pentágono, Patrick Ryder.

A informação sobre os mísseis também não foi confirmada imediatamente pelo porta-voz do governo polonês Piotr Mueller. Ele afirmou, porém, que o governo estava realizando uma reunião de emergência por conta de uma “situação de crise”.

“O primeiro-ministro Mateusz Morawiecki convocou com urgência a Comissão do Conselho de Ministros para os assuntos de Segurança e Defesa Nacional”, afirmou Mueller em uma rede social.

Os bombeiros foram ao local da explosão, mas não informaram como ela foi causada. “Não está claro o que aconteceu”, disse Lukasz Kucy, um oficial no posto dos bombeiros da região.

Presidente do TSE defende eleições e cobra leis contra milícia digital

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, criticou nesta segunda-feira (14), em Nova York, nos Estados Unidos, as chamadas milícias digitais, que, segundo ele, “agem para corroer a democracia”. O magistrado e mais cinco ministros do STF – Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli – participam do evento privado Lide Brazil Conference, promovido pelo grupo brasileiro Líderes Empresariais.

Essa é primeira edição da conferência, que tem por objetivo debater questões como economia, democracia e liberdade no Brasil a partir do ano que vem. Em sua fala, Moraes cobrou do Poder Legislativo a regulamentação de plataformas digitais como forma de combater a desinformação. Para ele, deputados e senadores terão, junto com o Judiciário, de combater a disseminação de notícias falsas. “Não é possível que as redes sociais sejam terra de ninguém. Não é possível que as milícias digitais possam atacar impunemente sem que haja uma responsabilização”, ressaltou.

O ministro reconheceu que a falta de regulamentação é um problema mundial, mas disse que o problema tem se agravado com as milícias digitais que “usam falso manto da liberdade de expressão sem limites” para “corroer a democracia”, “corroer a liberdade nos seus três pilares” e atacar “o sistema eleitoral que é a base da democracia”.

Alexandre de Moraes insistiu que ataques às urnas eletrônicas e a autoridades judiciárias que conduzem o processo eleitoral afetam diretamente a democracia. Ao defender a transparência, a confiabilidade das urnas eletrônicas e a rapidez na apuração, Moraes avaliou que, independentemente da utilização de voto impresso, por urnas eletrônicas ou voto por correio, o que importa para alguns “é desacreditar o instrumento democrático que é o voto”.

“O que se pretende substituir não são as urnas eletrônicas, se pretende substituir o sistema político que tem o voto livre, periódico de todos os eleitores. Essa construção de milícias digitais, de ataques sem responsabilidade, de confusão do que é liberdade de expressão, não ataca só a liberdade de imprensa, não ataca só o sistema eleitoral. Ataca também no mundo todo o Poder Judiciário. Não é por outro motivo que o grande cliente dessas milícias digitais é o Poder Judiciário”, acrescentou.

Aos conferencistas em Nova York, o presidente do TSE disse ainda que “a democracia foi atacada, a democracia foi desrespeitada, a democracia foi aventada, mas a democracia sobreviveu”. O ministro atribuiu a situação ao fato de o Brasil ter instituições fortes e um Poder Judiciário autônomo, que respeitam a Constituição. “A nossa bandeira não é A, B, ou C. A nossa bandeira é a Constituição, a nossa bandeira e a defesa do Estado de Direito, do Estado Democrático de Direito, e assim será”, afirmou Moraes.

Na mesma linha de Alexandre de Moraes, outros ministros como Gilmar Mendes e Dias Toffoli defenderam o processo eleitoral no Brasil e a democracia. “O meio político reconheceu imediatamente o resultado das eleições. Protestos e demonstração de inconformismo são normais. Agressão não encontra abrigo na Constituição, muito menos a defesa da ditadura. Isso é lamentável”, disse Gilmar Mendes.

Já Toffoli criticou o fato de “autoproclamados conservadores” terem fechado estradas após a divulgação do resultado das eleições no país, interrompendo o direito de ir e vir das pessoas. “ Não podemos deixar que o ódio entre no nosso país”, disse. O ministro lembrou o ataque ao Capitólio, nos Estados Unidos, após a eleição de Joe Biden para a Presidência do país. Para ele, a imprensa, a academia e magistratura defendem a “verdade factual”.

O primeiro dia do evento em Nova York também reuniu o ex-presidente da República Michel Temer, o ex-ministro e ex-presidente do STF Carlos Ayres Britto, e o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Antonio Anastasia.

Preservação da Amazônia é prioridade do governo eleito na COP27

Durante o anúncio de novos nomes para o Gabinete da Transição, o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, destacou que o combate ao desmatamento será uma prioridade do novo governo e, por isso, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva está a caminho da Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, a COP27.

Lula embarcou na manhã de hoje (14) para o Egito, a convite do presidente anfitrião do encontro. Ele fará um pronunciamento, na quarta-feira (16) na área da Organização das Nações Unidas (ONU), a Blue Zone. Ele também cumpre agenda com governadores de estados da região amazônica e com representantes da sociedade civil.

“Esta é uma grande preocupação. A emissão do carbono, no caso do Brasil, se você somar o escapamento da moto, do carro, do avião, da lancha, do trem, do boi, o lixão, o esgoto, a chaminé da fábrica, isso dá um pouquinho mais de 50%. Só o desmatamento é quase 50%. É de uma gravidade impressionante”, lembrou Alckmin.

Ele fez referência às florestas do Brasil, Indonésia e Congo que são fundamentais para o combate às mudanças climáticas, por possuírem vastas áreas de florestas tropicais. O governo brasileiro anunciou uma aliança com esses países para “valorização da biodiversidade e remuneração justa de serviços ambientais”.

Alckmin reforçou que estão sendo solicitados dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), referentes a agosto de 2021 a julho de 2022. “Esses números já existem, mas não estão sendo divulgados”, pontuou. Ele lembrou propostas feitas durante a campanha presidencial de Lula que incluíam, entre outros temas, a recuperação dos órgãos ambientais, os quais, segundo ele, “foram praticamente desmobilizados”.

Aloizio Mercadante, que está na coordenação dos Grupos Técnicos do Gabinete de Transição e foi ministro nos governos do PT, de áreas como Educação, Casa Civil e Ciência e Tecnologia, falou sobre negociações para a liberação de recursos do Fundo Amazônia.

“O Fundo Amazônia tem cerca de R$ 3 bilhões hoje, que estão impedidos de serem liberados por causa da falta de compromisso do governo brasileiro no combate ao desmatamento. Nós já tivemos conversas com o governo da Alemanha e da Noruega que devem autorizar, no dia seguinte da posse, a liberação dos recursos”, projetou.

Criado em 2008, o fundo recebe doações de instituições e governos internacionais para financiar ações de prevenção e combate ao desmatamento na Amazônia Legal. Em 2019, a Alemanha e a Noruega suspenderam os repasses para novos projetos após o governo brasileiro apresentar sugestões de mudança na aplicação dos recursos e extinguir colegiados de gestão do fundo.

No último dia 3, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o governo federal reative o Fundo Amazônia. Pela decisão da Corte, a União tem prazo de 60 dias para cumprir a medida.