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Maduro apela à sua imunidade e pede retirada das acusações nos Estados Unidos

Maduro apela à sua imunidade e pede retirada das acusações nos EUA - Folha  PE

O presidente venezuelano deposto Nicolás Maduro pediu à Justiça dos Estados Unidos que rejeite as acusações de tráfico de drogas contra ele, invocando sua imunidade como chefe de Estado, após cumprir oito meses de prisão em Nova York.

Maduro argumenta que o tribunal de Nova York responsável pelo seu caso “carece de jurisdição” para julgá-lo ou a sua esposa, Cilia Flores, que também está presa nos Estados Unidos, segundo um documento apresentado por seu advogado, Alvin Hellerstein, ao tribunal de Nova York.

Maduro, de 63 anos, é acusado de quatro crimes, incluindo “narcoterrorismo”. Seu julgamento está marcado para começar em 1º de junho de 2027.

Ele foi capturado junto com Flores em 3 de janeiro, em Caracas, durante uma operação militar americana. Desde então, sua ex-vice-presidente, Delcy Rodríguez, governa a Venezuela de forma interina, sob forte pressão de Washington.

“Prisioneiro de guerra”

Nenhum tribunal americano jamais presidiu o julgamento criminal de um líder estrangeiro que era reconhecido por seu próprio país como chefe de Estado em exercício no momento em que as acusações foram apresentadas“, afirma a defesa.

A imunidade de chefes de Estado soberanos é um princípio fundamental do direito internacional“, argumentam os advogados Barry Pollack e Anna Estevao. Segundo o documento, Maduro também tem direito à imunidade porque as acusações apresentadas nos EUA abrangem o período em que ele serviu como presidente da Venezuela.

Em sua primeira aparição perante o juiz Alvin Hellerstein, em 6 de janeiro deste ano, Maduro proclamou sua inocência, afirmou que ainda era o presidente da Venezuela. “Sou um prisioneiro de guerra”, declarou.

Maduro assumiu a presidência pela primeira vez em 2013, após a morte do então presidente de esquerda Hugo Chávez. Suas reeleições sucessivas em 2018 e 2024 não foram reconhecidas pelos Estados Unidos e outros países da Europa e da América Latina, que as consideraram fraudulentas.

Em outra série de documentos judiciais, Flores, de 69 anos, concordou com os argumentos do marido. O juiz deverá responder a este pedido em uma audiência marcada para 17 de novembro. O casal está detido desde janeiro em uma prisão do Brooklyn sob condições rigorosas, sem acesso a jornais ou à internet.

Maduro está autorizado a falar por telefone com sua família e advogados por aproximadamente 300 minutos por mês, com um máximo de 15 minutos por chamada, segundo uma fonte próxima ao líder.

Há alguns dias, fotos de Maduro foram publicadas nas redes sociais, juntamente com uma mensagem na qual ele afirmava estar “firme”. “Permaneceremos fortes, serenos e confiantes: Deus está conosco. Deus proverá. A Venezuela renascerá“, declarou.

A administração penitenciária dos EUA não respondeu às perguntas da AFP sobre como as imagens foram obtidas. Seu filho, Nicolás Maduro Guerra, afirma que ele está com boa saúde e dedica seu tempo ao estudo da Bíblia.

Lago Ontário agora é chamado de Lago América no Google Maps após Trump ordenar mudança de nome

Segundo o Google, quem não estiver nem nos EUA e nem o Canadá verá o lago com as duas denominações/Reprodução/GoogleMaps

O Google atualizou seu aplicativo de mapas para renomear o Lago Ontário como “Lago América” para usuários nos Estados Unidos, refletindo uma recente ordem executiva do presidente Donald Trump que mudou o nome do lago, diz o gigante global da tecnologia.

A atualização do Google Maps ocorre dias após a ordem de Trump em meio a uma guerra comercial crescente com o Canadá, que levou ambos os países a impor bilhões de dólares em tarifas adicionais sobre os produtos um do outro. Isso ecoa o que o Google fez em 2025 quando Trump emitiu uma ordem para renomear o Golfo do México como Golfo da América.

O Google disse em um post no blog no sábado (29) que a decisão foi baseada em sua prática de usar nomes atribuídos pelo Sistema de Informações de Nomes Geográficos dos EUA, também conhecido como GNIS.

As pessoas que usam o Maps nos EUA verão “Lago América”, aquelas no Canadá continuarão a ver “Lago Ontário”, e aquelas fora dos EUA e Canadá verão ambos os nomes“, disse o Google em um breve comunicado. “Essas atualizações seguem nossa política de longa data para corpos d’água com nomes que variam de país para país, e estão começando a ser implementadas agora.”

A decisão de Trump na quinta-feira (27) de renomear o lago foi recebida com zombaria e indiferença tanto no Canadá quanto nos Estados Unidos. No sábado, o premiê de Ontário, Doug Ford, respondeu à ordem de Trump com uma mensagem do tamanho de um outdoor na costa canadense: “Lago Ontário. Agora e para sempre“.

A Casa Branca, o gabinete do primeiro-ministro canadense Mark Carney e o gabinete de Ford não comentaram imediatamente no domingo (30) sobre a decisão do Google.

Trump diz que petróleo da Venezuela vai reabastecer reserva dos EUA

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse, neste domingo (30), que o petróleo da Venezuela proveniente do acordo anunciado recentemente será usado para reabastecer a Reserva Estratégica de Petróleo (SPR, na sigla em inglês), que foi drasticamente reduzida nos últimos anos em resposta às interrupções no fornecimento global e aos altos preços dos combustíveis.

Trump afirmou em uma publicação nas redes sociais que o processo de “atingir a altura máxima do poço” começará em breve, descrevendo o petróleo venezuelano como um “presente da Venezuela para o povo dos Estados Unidos”.

Não está claro com que rapidez o acordo com a Venezuela poderá fornecer petróleo para as reservas ou trazer benefícios a curto prazo para os motoristas americanos.

O acordo anunciado por Trump na sexta-feira tem o objetivo de revitalizar a debilitada indústria petrolífera venezuelana, mas exigirá investimentos significativos e obras de infraestrutura antes que a produção possa aumentar substancialmente.

A SPR detinha cerca de 290 milhões de barris em 21 de agosto, próximo da mínima em 44 anos, após os Estados Unidos reduzirem seus estoques durante os governos Biden e Trump em resposta às interrupções no fornecimento global, incluindo a invasão da Ucrânia pela Rússia e o conflito com o Irã.

Delcy diz que acordo com EUA preserva soberania da Venezuela

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou no sábado (29) que o acordo energético com os Estados Unidos permanecerá em vigor por 25 anos, com o objetivo de aumentar a produção de petróleo bruto para 1,5 milhão de barris por dia (bpd) e preservar a soberania do país sobre seus recursos naturais.

Em um pronunciamento no final da noite, Rodríguez elogiou o acordo como um pacto “histórico” que ajudaria a reativar a economia e impulsionar a receita do governo, afirmando que ele contribuiria para moldar o futuro do país.

Este projeto bilateral de 25 anos prevê o desenvolvimento de 17 campos petrolíferos estratégicos, com uma meta de produção superior a 1,5 milhão de barris por dia”, disse Rodríguez à emissora estatal VTV.

Esse valor se refere exclusivamente ao acordo bilateral entre a Venezuela e os Estados Unidos.”

Rodríguez acrescentou que a meta do acordo de 1,5 milhão de barris por dia era apenas um objetivo inicial e que o plano mais amplo também incluía o desenvolvimento de oito novos blocos de petróleo como parte de uma expansão mais abrangente do setor energético do país.

O presidente americano Donald Trump anunciou na sexta-feira (28) planos para que os EUA assumam o controle parcial das vastas reservas de petróleo da Venezuela, apostando que as empresas americanas podem ajudar a revitalizar a indústria energética debilitada do país sul-americano, ao mesmo tempo que fornecem uma nova fonte de petróleo bruto para ajudar a reduzir os preços dos combustíveis nos EUA.

Trump forneceu poucos detalhes sobre o acordo, dizendo apenas que os EUA garantiram o controle majoritário de mais de 65 bilhões de barris das reservas comprovadas de petróleo da Venezuela por meio de uma parceria com empresas privadas.

A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas produz apenas cerca de 1,25 milhão de barris por dia – muito abaixo de seu potencial – após anos de subinvestimento, má gestão e sanções.

Rodríguez afirmou que o acordo poderia gerar cerca de US$ 209 bilhões em receita para o Estado venezuelano, com base em um preço de referência do petróleo de US$ 65 por barril, embora tenha reconhecido que os preços do petróleo bruto podem flutuar.

Ela disse que aproximadamente US$ 19 de cada barril produzido e vendido sob o acordo iriam diretamente para a Venezuela, proporcionando um aumento significativo na receita do governo.

Ela afirmou que o país manteve a “propriedade e a soberania” sobre seus recursos naturais, “ao mesmo tempo que alavanca capital, tecnologia e experiência operacional para apoiar a recuperação de um setor estratégico que foi severamente afetado pelas sanções”.

No início da tarde de sábado, dezenas de grupos pró-governo se reuniram no centro de Caracas para protestar contra a presença dos EUA na Venezuela.

Após o anúncio de Trump, Rodriguez saudou o acordo, afirmando que ele impulsionaria o crescimento econômico e aumentaria a receita do governo.

Autoridades venezuelanas estão se preparando para assinar acordos na próxima semana, concedendo novos direitos de exploração e produção de petróleo a diversas empresas, incluindo empresas americanas.

Duas fontes próximas às negociações disseram na sexta-feira que a Chevron estava entre as empresas que deveriam finalizar as conversas para integrar suas joint ventures venezuelanas ao novo regime energético do país.

Trump anuncia acordo que garante aos EUA acesso ao petróleo da Venezuela

Presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, em 22 de junho de 2026

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (28) um acordo que garante a Washington o acesso sobre o petróleo da Venezuela.

Em publicação na rede social Truth Social, o presidente americano afirmou que o tratado deve garantir controle majoritário de Washington sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas de petróleo no país latino-americano.

Trump afirmou que o acordo, que classificou como “o maior da história mundial” mais do que dobraria as reservas de petróleo dos EUA.

O presidente americano acrescentou que a medida deve reduzir substancialmente os preços da gasolina para os americanos, tópico que tem sido alvo de críticas ao governo desde o início na guerra contra o Irã.

O Secretário de Estado americano, Marco Rubio, classificou o acordo como uma “enorme vitória tanto para o povo americano quanto para o venezuelano”.

Para o povo venezuelano, este acordo trará quase US$ 100 bilhões em investimentos privados, apoiará milhares de empregos bem remunerados e impulsionará a reconstrução da economia da Venezuela“, disse Rubio logo após o anúncio de Trump.

O anúncio ocorre após semanas de negociações entre os EUA e a Venezuela sobre um acordo que daria a empresas norte-americanas acesso de longo prazo a um conjunto de campos petrolíferos venezuelanos e garantiria o fornecimento de petróleo bruto resultante aos Estados Unidos.

Canadá imporá tarifas de 15% a 50% sobre produtos americanos

Primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney/Foto: Dave Chan/AFP

O Canadá anunciou, nesta terça-feira (25), tarifas de retaliação sobre produtos americanos, que variam de 15% a 50%, intensificando a guerra comercial entre esses aliados de longa data.

As tarifas de retaliação de Ottawa entrarão em vigor em 8 de setembro, data previamente anunciada pelo primeiro-ministro, Mark Carney, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor tarifas de 50% sobre produtos canadenses no sábado (22).

Carney afirmou na segunda-feira (24) que o objetivo das negociações comerciais com Washington “sempre foi conseguir o melhor acordo para os canadenses, nunca um acordo a qualquer preço ou em qualquer prazo“.

Mas o premiê acrescentou que, durante as negociações, “os americanos queriam destruir nossas principais indústrias (…) por meio de condições injustas”. “Essa é uma das principais razões pelas quais dissemos não“, ressaltou.

Entenda o caso

Na sexta-feira (21), Estados Unidos e Canadá fracassaram em suas negociações para chegar a um acordo que evitasse a imposição de novas tarifas de 50% por parte do governo Trump sobre uma série de produtos canadenses.

As tarifas entraram em vigor no final de semana. São aplicadas a produtos canadenses avaliados em cerca de 20 bilhões de dólares (R$ 103 bilhões) e representam 5,5% das exportações totais do Canadá para o país vizinho.

O presidente americano afirmou na segunda-feira que pretende dobrar as tarifas de uma série de produtos do setor automotivo do Canadá a partir de 2027, em plena escalada tarifária entre os dois parceiros.

Atualmente, as tarifas sobre os automóveis são de 25% se não incluírem materiais americanos em sua fabricação, enquanto as importações de aço já têm, no geral, tarifas de 50%.

Embaixada dos EUA emite alerta de segurança a “potencial ameaça” no México

Bandeira do México

A embaixada dos Estados Unidos emitiu, na madrugada desta terça-feira (25), um alerta de segurança para cidadãos americanos na cidade de Mexicali, no norte do México, próxima à fronteira com o território estadunidense.

Em comunicado divulgado no site do consulado americano e também nas redes sociais, o governo dos EUA alerta apenas para uma “potencial ameaça”.

Devido a informações de ameaça, as atividades do governo dos EUA em Mexicali e as viagens para lá foram suspensas em 25 de agosto. Estamos alertando cidadãos dos EUA sobre essa ameaça potencial“, diz o comunicado.

Não foram divulgados detalhes adicionais sobre a ameaça.

Entre as recomendações do governo americano diante da possível ameaça estão evitar edifícios governamentais em Mexicali e procurar abrigo em caso de incidente.

A embaixada dos EUA também para que os americanos notifiquem amigos e familiares sobre sua segurança em caso de incidente, sigam as instruções das autoridades policiais mexicanas, monitorem a mídia local para atualizações  e estejam atentos ao entorno.

Após o anúncio dos EUA, a governadora do estado de Baixa Califórnia, Marina del Pilar, afirmou que mantém ativa e reforçada as operações de segurança em Mexicali, em coordenação com as autoridades municipais e federais.

As ações de prevenção, patrulhamento e vigilância continuam de forma permanente para proteger a tranquilidade das famílias de Mexicali”, escreveu del Pilar no X.

EUA ameaçam aplicar sanções a países ligados ao Irã, mas não revelam prazo

EUA ameaçam impor as 'sanções mais duras da história' contra o Irã

O Departamento do Tesouro dos EUA ameaçou impor novas e pesadas sanções contra países que se recusarem a romper relações econômicos com o Irã, mas não chegou a aplicar as penalidades.

Em um novo esforço para aumentar a pressão sobre Teerã, o governo Trump anunciou, nesta segunda-feira (24), que expandiu as categorias de “condutas relacionadas ao Irã” pelas quais os EUA poderão aplicar sanções no futuro.

O governo americano planeja estabelecer prazos específicos para que os países encerrem suas relações com o regime.

Consideramos que a melhor maneira de interagir com os países é por meio da diplomacia discreta, e estamos alinhando expectativas com cada um deles”, disse o secretário do Tesouro, Scott Bessent. “Sabemos quem eles são. Eles sabem quem são.”

Não vou estabelecer prazos, mas não temos paciência infinita aqui”, acrescentou a repórteres em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira.

As novas sanções incluem penalidades que abrangem setores como ativos digitais, tecnologia e transporte marítimo, dos quais o Departamento do Tesouro determinou que o Irã depende para sustentar sua economia.

Apesar da promessa de Bessent de um “Dia D econômico” para o Irã, os EUA evitaram impor as maiores sanções que haviam ameaçado.

Em vez disso, o governo afirmou que trabalhará com “parceiros ao redor do mundo” para encerrar suas atividades ligadas ao Irã.

Irã diz que vai considerar “inimigo” qualquer país que participe da “guerra econômica” dos EUA

Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian/Presidência iraniana/AFP

O Irã advertiu, neste sábado (22), que vai considerar “inimigo” qualquer país que participe da aplicação de sanções econômicas contra a república islâmica, segundo declarações de um alto funcionário iraniano à TV estatal.

As declarações ocorrem depois que Washington anunciou um reforço das sanções econômicas destinadas a aumentar a pressão sobre Teerã.

“Advertimos todos os países (…) Não se unam à guerra econômica que os Estados Unidos travam. Qualquer país que participe da imposição de restrições econômicas contra nós será considerado um inimigo“, declarou Mohsen Rezai, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.

Se estes países “se negarem a se distanciar” dos Estados Unidos, o “Irã atacará seus interesses“, acrescentou.

“Ainda não atacamos nenhum interesse econômico americano. Até agora, só atacamos bases militares, mas se pretendem nos impor sanções econômicas, os Estados Unidos possuem petróleo e empresas econômicas no Irã e em outros lugares, e os atacaremos“, continuou Rezai.

Se Donald Trump “tomar medidas” contra o Irã, “nosso confronto será como um terremoto“, ameaçou.

Na quinta-feira, a chancelaria iraniana acusou os Estados Unidos de praticarem “terrorismo econômico” depois que o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que Washington conseguiria “provocar a derrubada” do governo iraniano com suas novas sanções.

Bessent tem previsto dar uma coletiva de imprensa na segunda-feira sobre como os Estados Unidos pretendem aumentar ainda mais a pressão, quase seis meses depois do início da guerra, desencadeada por um ataque combinado de Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Washington instou outros governos, inclusive o de Pequim, a participar dos esforços para isolar a economia iraniana.

A China, parceiro econômico estratégico do Irã, criticou esta iniciativa, argumentando que “as sanções e a pressão” americanas não vão resolver o conflito no Oriente Médio.

Entre os principais parceiros comerciais do Irã estão os Emirados Árabes Unidos, que anunciaram na terça-feira a suspensão de todas as transações comerciais e financeiras bilaterais até novo aviso.

Governador mexicano acusado de narcotráfico pelos EUA diz que deixará o cargo

     /AFP

Rubén Rocha Moya, o governador mexicano acusado pelos Estados Unidos de ter vínculos com o narcotráfico, informou, neste sábado (22), que vai deixar o cargo novamente após ter anunciado, na véspera, a retomada de suas funções.

O governista, que já tinha se afastado do posto em maio, divulgou no X um documento no qual solicitou ao Congresso do estado mexicano de Sinaloa uma “licença temporária em caráter indeterminado”.

A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, se desvinculou do retorno de Rocha Moya ao cargo e, neste sábado, o criticou pela “arrogância” e por colocar seu “interesse pessoal” à frente do México.

Na sexta-feira, Rubén Rocha Moya, procurado por um tribunal americano por supostos vínculos com um cartel do narcotráfico mexicano, anunciou no X que reassumiria o governo do estado de Sinaloa, cargo que tinha deixado para ser investigado pelo Ministério Público mexicano.

Rocha Moya é um político próximo do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, antecessor de Sheinbaum e pai do atual movimento de esquerda no poder.

A presidente escreveu no X que “nunca nenhum interesse pessoal pode estar acima dos interesses do povo” e do México. “O poder sem princípios se torna arrogância; o poder sem limites, abuso“, acrescentou, sem citar nomes.

Mas, ao responder as perguntas de jornalistas sobre Rocha Moya neste sábado, a presidente fez alusão à sua mensagem no X.

Por causa de uma gripe forte, Sheinbaum cancelou sua coletiva de imprensa matinal na sexta-feira, mas repareceu neste sábado, usando uma máscara.

Ela disse que não sabia que Rocha Moya voltaria ao cargo. “Soube por seu tuíte“, disse ela a jornalistas. “Acabo de publicar uma postagem no X, nada mais, é tudo o que trago”.

O governo, líderes parlamentares e o partido Morena, ao qual pertencem Sheinbaum e Rocha Moya, tinham se desvinculado da decisão do governador.

Analistas e veículos de imprensa mexicanos destacam este distanciamento incomum e evocam possíveis atritos internos pela proximidade do governador com López Obrador.

Para o cientista político José Antonio Crespo, Rocha Moya precisou contar com o apoio do ex-presidente, o que colocaria Sheinbam em meio a “pressões” de seu antecessor e as reivindicações do presidente americano, Donald Trump.

A mensagem de que Rocha Moya agiu sozinho, acrescentou, também foi um recado para Washington. “A presidente não quer arcar com a responsabilidade perante os Estados Unidos, mas não acredito que Trump acredite“, disse Crespo à AFP.

Em sua coluna de política, o jornal El Universal mencionou a “irritação” do ex-presidente com Trump depois de Washington cancelar o visto de seu filho. López Obrador “decidiu ir para a guerra mesmo contra a presidente que tanto prometeu defender?“, questionou.

O governador e nove políticos governistas são procurados pela justiça americana, que pela primeira vez visa políticos mexicanos no exercício de suas funções.

Donald Trump reclama com frequência que o México é governado por políticos ligados ao tráfico de drogas e tem insistido em oferecer apoio militar, mas Sheinbaum rejeita qualquer intervenção.

Governo Trump prevê impacto ‘devastador’ de guerra comercial para o Canadá

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos/JIM WATSON / AFP

O governo de Donald Trump advertiu, neste domingo (23), que o Canadá seria “insensato” se acreditasse que poderia vencer uma guerra comercial com os Estados Unidos, ao prever um impacto “devastador” para o vizinho do norte.

As negociações entre Washington e Ottawa fracassaram no fim da noite de sexta-feira (21), o que provocou a entrada em vigor de novas tarifas americanas de 50% sobre produtos canadenses avaliados em quase US$ 20 bilhões (R$ 102 bilhões), 5,5% do total das exportações do Canadá para os Estados Unidos.

Como retaliação, Ottawa anunciou que igualaria as tarifas com novas taxas direcionadas principalmente às indústrias de aço e laticínios dos Estados Unidos, que entrarão em vigor em 8 de setembro.

O secretário dos Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, afirmou que o Canadá sairia perdendo se optasse por uma guerra comercial. “Somos ótimos parceiros comerciais, certo? Mas o Canadá se beneficia muito mais do comércio com os Estados Unidos do que os Estados Unidos se beneficiam do comércio com o Canadá“, declarou ao programa “Fox News Sunday”.

Pensar que eles vão entrar em guerra com Donald Trump e realmente vencer a guerra contra os Estados Unidos, acho que é insensato da parte deles“. Duffy previu que o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, voltará à mesa de negociações “muito, muito rapidamente, porque isso será devastador para seu país”.

Carney utilizou um tom desafiador no sábado (22) ao anunciar tarifas de retaliação contra os Estados Unidos, após abandonar o que considerou um “acordo ruim”, em um momento de distanciamento entre os aliados históricos. “Você está em guerra quando é atacado. Nós fomos atacados“, disse Carney.

Trump respondeu ao Canadá neste domingo com uma publicação em sua plataforma Truth Social: “O Canadá quer os benefícios de ser um Estado, sem ser um!!!”. “Eles também cobraram, por muitos anos, tarifas enormes dos nossos grandes fazendeiros. Chega!!!”, acrescentou.

Canadá deve reagir a tarifas dos EUA com medidas ‘dólar por dólar’

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, discursa durante uma coletiva de imprensa após uma reunião de gabinete para discutir as negociações comerciais com os EUA e a situação no Oriente Médio, no National Press Theatre em Ottawa, Ontário, Canadá, em 30 de julho de 2025. (Foto de Dave CHAN / AFP)/ AFP

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou na noite de sexta-feira, 21, que suspendeu as negociações comerciais com os Estados Unidos após considerar “injustas” e “antieconômicas” as mudanças de última hora apresentadas por Washington, às vésperas da entrada em vigor de novas tarifas americanas sobre produtos do Canadá. Sobre isso, Carney assegurou que Ottawa responderá com medidas equivalentes, “dólar por dólar”, para proteger trabalhadores e empresas.

A manifestação ocorre após os Estados Unidos imporem, a partir da madrugada deste sábado, 22, tarifas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses.

O governo canadense prometeu anunciar nos próximos dias ações adicionais de apoio aos setores afetados, em complemento a quase US$ 25 bilhões em medidas adotadas nos últimos 18 meses.

O primeiro-ministro também destacou a estratégia de fortalecer a economia doméstica e diversificar parcerias externas, citando investimentos em infraestrutura e a ampliação de mercados para exportações fora dos EUA.

Em comunicado, Carney disse que o governo buscava preservar o acesso isento de tarifas ao mercado americano para a maioria das empresas canadenses, dar mais estabilidade à relação bilateral e reduzir de forma significativa as alíquotas sobre setores estratégicos, além de proteger pequenas e médias companhias e manter a soberania do país nas decisões econômicas.

Segundo o premiê, os EUA mudaram e passaram a reconfigurar relações comerciais ao impor tarifas inclusive a aliados, em uma postura de cobrança pelo acesso ao mercado americano. “Embora avanços recentes tenham melhorado a posição canadense, eles não foram suficientes para atender aos objetivos do país“, disse.

Carney informou ter ordenado o retorno dos negociadores a Ottawa e declarou que a ruptura ocorreu porque os novos termos colocaram em dúvida a confiabilidade de qualquer acordo. Segundo o ministro, o Canadá não aceitaria um entendimento a qualquer preço ou dentro de um prazo imposto.

Rússia quer planos de paz para Ucrânia, mas impõe condições, diz diplomata

A Rússia está aberta a ouvir novas propostas sobre como chegar a um acordo para o conflito na Ucrânia, disse um alto diplomata russo, mas quaisquer propostas devem refletir as “realidades no terreno”.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, afirmou em uma entrevista ao veículo de comunicação News.ru, publicada nesta sexta-feira (21), que os Estados Unidos demonstraram disposição para um “diálogo construtivo” e uma “compreensão da posição da Rússia”.

Nesta fase, é mais importante saber até que ponto Washington é capaz de influenciar as decisões do regime de Kiev e de seus patrocinadores europeus, que ainda sonham com uma ‘derrota estratégica’ da Rússia”, disse ele ao veículo.

As negociações entre Rússia e EUA para pôr fim ao conflito na Ucrânia estão praticamente paralisadas em meio à guerra no Irã.

O Kremlin afirmou na quinta-feira que ainda não tinha informações sobre uma possível próxima visita a Moscou dos enviados presidenciais dos EUA Jared Kushner e Steve Witkoff, que lideraram negociações com a Rússia no passado.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse no mês passado que Washington estava comprometido em ajudar a pôr fim à guerra, após uma reunião em Manila com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

Mas Rubio alertou que não havia um acordo rápido à vista e que os EUA estavam tentando “encontrar um meio-termo”.

Ryabkov afirmou que a Rússia estava pronta para ouvir as novas ideias de Rubio e continuar o diálogo com Washington.

“A Federação Russa está pronta para ouvir quaisquer propostas e ideias razoáveis que estejam alinhadas aos objetivos estabelecidos pelo presidente russo e correspondam às ‘realidades no terreno’”, disse.

Após quase quatro anos e meio de guerra, a Rússia controla cerca de um quinto do território internacionalmente reconhecido da Ucrânia. Moscou afirmou repetidamente estar aberta a negociações, mas que elas devem reconhecer as “novas realidades no terreno”.

Negociações nucleares

Na entrevista, Ryabkov também sugeriu que a Rússia está interessada em manter as discussões com os EUA sobre armas nucleares. O tratado nuclear “New START” expirou em fevereiro, deixando as duas maiores potências nucleares do mundo sem restrições vinculantes sobre seus arsenais estratégicos pela primeira vez em mais de meio século.

Moscou afirmou que continuará respeitando os limites do tratado para mísseis e ogivas enquanto Washington fizer o mesmo.

Continuamos abertos, no futuro, a encontrar formas políticas e diplomáticas de estabilizar essa área”, disse Ryabkov.

Primeiro-ministro britânico diz que doará parte do salário para os sem-teto

Andy Burnham, primeiro-ministro britânico/Kin Cheung/AFP

O primeiro-ministro britânico, o trabalhista Andy Burnham, anunciou, nesta quarta-feira (19), seu plano para ajudar os sem-teto e acabar com as pessoas em situação de rua até o Natal, e prometeu doar parte de seu salário para enfrentar este problema.

Ninguém deveria dormir na frente de uma porta ou do lado de fora de uma estação“, declarou Burnham em um comunicado.

Desde que assumiu o cargo, em 20 de julho, Burnham se comprometeu a acabar com a situação das pessoas que dormem nas ruas, reiterando uma promessa que já tinha feito com resultados desiguais quando era prefeito da Grande Manchester.

O programa, apresentado na noite de terça-feira, contará com uma verba emergencial de 102 milhões de libras (aproximadamente R$ 713,5 milhões), que se somarão aos 340 milhões de libras (R$ 2,37 bilhões) já anunciados, e será gerenciado em escala local.

O primeiro-ministro também anunciou uma cúpula inédita este ano sobre este problema, sem informar a data. O objetivo declarado é conseguir que “todo o mundo tenha um lugar seguro onde estar até o Natal“.

Além disso, Burnham declarou à revista Big Issue, veículo social distribuído por pessoas sem-teto ou em situação de precariedade, que doará 15% de seu salário para causas relacionadas com as pessoas que vivem nas ruas.

A publicação reportou que o primeiro-ministro britânico ganha por ano cerca de 180 mil libras (R$ 1,26 milhão).

Não queria pedir a ninguém que faça algo que eu não esteja disposto a fazer. Quero dar o exemplo“, afirmou.

O comunicado do governo detalha que durante o inverno britânico serão criados novos alojamentos e serviços de apoio na Inglaterra, seguindo o modelo do programa “Everyone In”, implementado em março de 2020, no começo da pandemia de covid.

Aquele programa permitiu alojar milhares de pessoas sem-teto em hotéis e centros de emergência.

A ONG Shelter qualificou o anúncio como um “ponto de inflexão”, embora tenha instado o governo a abordar o problema da habitação, lembrando que cerca de 178 mil crianças vivem em alojamentos temporários.

Os conservadores da oposição criticaram o anúncio por não ter um plano de execução, “nem detalhes sobre o financiamento”.

O partido anti-imigração Reform UK, por sua vez, qualificou o compromisso do governo de “pouco concreto”.

Em toda a Inglaterra, o número de pessoas que dorme nas ruas alcançou um recorde de 4.793 em 2025, segundo dados do governo.

O centro de estudos Institute for Public Policy Research (IPPR) prevê que este número aumente 25% até 2030.

Em termos mais gerais, 382 mil pessoas não tinham residência permanente na Inglaterra em 2025, segundo a ONG Shelter.

Conselho Europeu e Comissão Europeia declaram firme apoio ao TPI após sanções dos EUA

Os presidentes do Conselho Europeu e da Comissão Europeia, respectivamente António Costa e Ursula Von der Leyen/Foto: EU Council/Pool/Anadolu/AFP

Os presidentes do Conselho Europeu e da Comissão Europeia, respectivamente António Costa e Ursula Von der Leyen, manifestaram hoje firme apoio à presidente do Tribunal Penal Internacional (TPI), que foi alvo de sanções dos Estados Unidos.

Von der Leyen e eu apoiamos firmemente o Tribunal Penal Internacional, a presidente Tomoko Akane e os funcionários que asseguram a sua missão“, declarou Costa.

Costa e Von der Leyen afirmaram que o Tribunal Penal Internacional ajuda a fazer justiça às vítimas de alguns dos crimes mais horríveis do mundo. “Para desempenharem este trabalho essencial, juízes e funcionários devem poder agir de forma independente e sem pressões externas“, defenderam.

A Alemanha e o Japão também já apoiaram o TPI e apelaram para a defesa do tribunal como organização independente.

Na terça-feira (18), os Estados Unidos incluíram Akane, e um membro da procuradoria, o advogado senegalês Abdoulaye Seye, na sua lista de sanções, numa decisão que implica o congelamento de bens, isolamento financeiro ao proibir transações com entidades norte-americanas e restrições de entrada nos Estados Unidos.

Estas pessoas participaram diretamente nos esforços envidados pelo TPI para investigar, deter, colocar em prisão preventiva ou processar responsáveis cujos governos não aceitaram a competência do TPI“, disse Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano.

As sanções norte-americanas são interpretadas como uma resposta às investigações do TPI contra o governo de Israel, aliado dos EUA. Em 2024, o tribunal emitiu uma ordem de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pela responsabilidade penal por crimes de guerra e crimes contra a humanidade que foram cometidos durante o conflito na Faixa de Gaza, incluindo o uso da fome como método de guerra.

Por sua vez, o TPI, com sede em Haia, na Holanda, alertou que as novas sanções impostas pela administração do presidente Donald Trump subvertem o Estado de direito e põem em risco a ordem jurídica internacional.

As sanções constituem um ataque flagrante à independência de uma instituição judicial imparcial. Quando se ameaça os atores judiciais por aplicarem a lei, o que se põe em risco é a própria ordem jurídica internacional”, diz o comunicado do TPI.

O tribunal rejeitou as pressões e assegurou que irá continuar a desempenhar as funções com independência e imparcialidade, e de acordo com o Estatuto de Roma, o tratado fundador do tribunal.

Os Estados Unidos, Israel, Rússia e China não ratificaram o Estatuto de Roma, pelo que não reconhecem a jurisdição do TPI.

Macron sanciona a lei que legaliza a eutanásia e o suicídio assistido na França

Texto consagra o direito da eutanásia sob determinadas condições e para determinados pacientes/Yoan Valat/Pool/AFP

O presidente da França, Emmanuel Macron, promulgou nesta quarta-feira (19) a lei sobre a eutanásia e o suicídio assistido, que passou a ser publicada no Diário Oficial do Estado, etapa necessária antes que esse direito de obter ajuda para morrer entre definitivamente em vigor.

Após anos de debate, o texto finalmente consagra esse direito sob determinadas condições e para determinados pacientes, aos quais permitirá o acesso a um medicamento letal para pôr fim à própria vida.

O texto, aprovado na semana passada pelo Conselho Constitucional, institui o direito ao suicídio assistido e autoriza a eutanásia por parte de um médico ou profissional de saúde, caso os pacientes em questão sejam fisicamente incapazes de autoadministrar o medicamento, de acordo com informações coletadas pelo jornal “Le Figaro”.

Para ter acesso a esse direito, o paciente deve ser maior de idade, francês ou residente de longa duração no país, sofrer de uma doença terminal grave e incurável ou em fase avançada, sentir dor física insuportável e ser capaz de tomar uma decisão informada até o fim. O procedimento, realizado por um único médico, mas que requer a participação de outros profissionais, determina se o paciente atende aos requisitos.