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Esquerda x direita: veja como está o mapa da América do Sul após a eleição presidencial na Colômbia

A vitória de Abelardo de la Espriella na eleição presidencial da Colômbia deu à direita a superioridade sobre a esquerda nos governos dos países da América do Sul.

Contexto: Abelardo de la Espriella, candidato considerado de extrema direita, foi declarado vencedor da eleição para presidente da Colômbia neste domingo (21), segundo apuração preliminar. Em uma votação apertada, o direitista foi eleito com 49,66% dos votos, contra 48,7% do esquerdista Iván Cepeda —uma margem de apenas 250 mil votos. O resultado final será divulgado nos próximos dias após apuração de todos os votos, em processo chamado “escrutínio”.

Com a vitória de Espriella, a direita ultrapassou a esquerda nos governos da América do Sul, controlando sete dos 12 países sul-americanos.

A vitória marcou não apenas uma virada ideológica na Colômbia —já que o candidato do presidente esquerdista Gustavo Petro foi derrotado—, mas também uma consolidação do avanço da direita no continente, que saiu vitoriosa nas últimas três eleições presidenciais:

  • Abelardo de la Espriella na Colômbia, em junho de 2026;
  • José Antônio Kast no Chile, em dezembro de 2025;
  • Rodrigo Paz na Bolívia, em outubro de 2025.

O Peru aparece em cinza no mapa acima porque sua eleição se encontra no final da apuração, que já dura duas semanas. Apesar disso, ele é considerado o 7º país governado pela direita porque o governo que está deixando o poder é de Dina Baluarte, de direita, e a candidata direitista Keiko Fujimori está com 50,111% dos votos, 41 mil à frente do esquerdista Roberto Sánchez, com mais de 99,6% das urnas apuradas. Ou seja, a tendência política vai se manter.

Historicamente, as forças políticas da região alternam períodos de domínio. Apesar de a esquerda ter prevalecido no continente no início do século 21, com a chamada “onda rosa”, a direita recuperou espaço nos últimos anos.

Nos últimos meses, a direita contou com a ajuda do Chile e da Bolívia para chegar a esse cenário a um equilíbrio de poderes. Após quase duas décadas no poder, a esquerda ficou de fora do segundo turno das eleições bolivianas. A vitória foi de Rodrigo Paz, em 19 de outubro.

Em entrevistas realizadas na época da eleição de Rodrigo Paz na Bolívia, o g1 ouviu especialistas para explicarem o cenário de instabilidade e polarização na região.

Maurício Santoro, doutor em Ciência Política pelo Iuperj e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil, explica que o continente viveu uma guinada conservadora após 2010, com o esgotamento do ciclo econômico iniciado com o “boom” global das commodities.

O que a gente tem agora é um continente que está bem dividido ideologicamente. O que chama atenção é termos um cenário internacional marcado por dificuldade de diálogo e cooperação de governos latino-americanos de diferentes orientações ideológicas.”

Já Regiane Nitsch Bressan, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que a América Latina vive momentos pendulares na política. Segundo ela, a alternância ideológica é algo natural nas democracias, mas se torna delicada quando ocorre em contextos de fragilidade institucional.

“Existe um problema estrutural na América Latina por conta da nossa história, da nossa economia e do fato de vivermos com desigualdade e pobreza. Isso leva à descrença nas instituições democráticas. Essa alternância tão pendular, ela facilmente se move para governos autoritários.”

Keir Starmer renuncia ao cargo de premiê do Reino Unido

Keir Starmer renuncia ao cargo de premiê do Reino Unido após queda de  popularidade

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou na manhã desta segunda-feira (22) que vai renunciar ao cargo.

Com o anúncio de Starmer, um novo líder deverá assumir o poder até o retorno do parlamento em setembro, abrindo caminho para nova liderança em meio à instabilidade política no Reino Unido.

Menos de dois anos depois de ter conquistado uma vitória eleitoral esmagadora que prometia acabar com o caos na política britânica, Starmer afirmou que estava claro que o seu partido queria a sua saída.

Em seu discurso, ele afirmou que as indicações para substituí-lo seriam abertas em 9 de julho. No entanto, seu rival, Andy Burnham, é o favorito indiscutível. Starmer agradeceu aos seus colegas pelo apoio, com a voz embargada pela emoção, ao prestar também homenagem à sua esposa e filhos.

A pergunta que meu partido está fazendo agora é se sou a pessoa mais indicada para nos liderar nas próximas eleições gerais. Ouvi a resposta do meu grupo parlamentar a essa pergunta e a aceito de bom grado“, disse ele. A pressão vinha aumentando há meses.

Uma fonte disse que Starmer já considerava seu futuro político no domingo (21), depois que a vitória decisiva de seu rival, Andy Burnham, nas eleições para o parlamento, levou mais ministros do Partido Trabalhista, que está no poder, a pedir sua renúncia.

A dimensão da vitória de Burnham para uma cadeira parlamentar no noroeste da Inglaterra na sexta-feira (19) aumentou a pressão sobre Starmer, com dezenas de parlamentares e alguns ministros pedindo em privado que ele estabeleça um cronograma para sua saída, a fim de abrir caminho para o ex-prefeito.

Nos últimos meses, a relação de histórica proximidade entre os Estados Unidos e o Reino Unido se deteriorou. O primeiro-ministro britânico Keir Starmer não apoiou de forma entusiasmada a causa da guerra no Irã e demorou para autorizar o uso de bases britânicas pelos Estados Unidos, o que irritou o presidente americano, Donald Trump.

Starmer havia dito na sexta-feira que se candidataria a qualquer disputa formal pela liderança do partido Trabalhista que buscasse substituí-lo. Mas isso parece ter mudado durante o fim de semana.

Quem substituir Starmer se tornará o sétimo primeiro-ministro da Grã-Bretanha desde o referendo do Brexit, que completou 10 anos esta semana.

Esse nível de rotatividade, o mais alto na Grã-Bretanha em quase dois séculos, evidencia a dificuldade de manter o apoio de eleitores descontentes com as sucessivas falhas em melhorar os padrões de vida, os serviços públicos e em combater a imigração ilegal.

O grupo consultivo político Eurasia afirmou que o melhor resultado possível seria Starmer anunciar sua renúncia em setembro, o que lhe permitiria participar de uma cúpula de reajuste entre o Reino Unido e a União Europeia em julho e daria a Burnham tempo para se preparar para assumir o governo.

EUA e Irã negociam na Suíça em meio ao impasse com Israel no Líbano

Antes de Trump ameaçar o Irã, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, que lidera a delegação da Casa Branca na Suíça, afirmou que as negociações tiveram grande progresso nos últimos dias/Foto: BRENDAN SMIALOWSKI / AFP

Representantes dos Estados Unidos (EUA) e do Irã realizaram, neste domingo (21), na Suíça, a primeira reunião de negociações após assinatura de memorando de entendimento para um acordo de paz abrangente no Oriente Médio.

Com duração de 80 minutos, a reunião ocorreu em meio ao impasse da guerra no Líbano entre o Hezbollah e Israel. A delegação iraniana afirmou aos norte-americanos que o acordo final só poderá ser alcançado com o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano.

Após Israel atacar o Líbano nesse sábado (20), Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz que, de acordo com o memorando de entendimento, deveria ficar com o tráfego livre pelos próximos 60 dias.

O porta-voz do ministério das relações exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que o encontro na Suíça visou implementar os acordos previstos no memorando, destacando a necessidade de acabar com o conflito no Líbano.

Sem a implementação dessas disposições, especialmente o parágrafo 1 (encerramento da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano), não é possível prosseguir para a fase de negociação do acordo final”, disse o porta-voz, em uma rede social.

Baqaei informou ainda que foram discutidas as isenções para exportação de petróleo do Irã, hoje bloqueadas por sanções dos EUA, assim como as medidas para liberação de fundos iranianos congelados no exterior, também alvo de sanções econômicas.

Trump ameaça Irã

Em meio às negociações na Suíça, o presidente Donald Trump voltou a ameaçar bombardear o Irã, responsabilizando o Hezbollah pela situação no Líbano.

O Irã deve impedir imediatamente que seus agentes bem pagos no Líbano causem problemas. Se não o fizerem, atacaremos o Irã com muita força novamente, assim como fizemos na semana passada, só que com mais força!”, disse o presidente estadunidense.

O chefe do Parlamento iraniano, MB Ghalibaf, que lidera as negociações na Suíça, reagiu à declaração de Donald Trump.

Não levamos em conta as ameaças dos americanos. É melhor que tomem cuidado com suas declarações; nossas forças armadas estão prontas para responder de outra maneira. Por mais que falem, somos nós que agimos”, respondeu Ghalibaf, também em uma rede social.

Antes de Trump ameaçar o Irã, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, que lidera a delegação da Casa Branca na Suíça, afirmou que as negociações tiveram “grande progresso” nos últimos dias, demostrando otimismo na “diplomacia” para “transformar” o Oriente Médio.

O que o presidente [Trump] nos pediu foi que virássemos a página, que transformássemos nosso relacionamento com o povo do Irã”, disse Vance à jornalistas antes da reunião com a delegação iraniana.

Israel promete manter ocupação no Líbano

Enquanto o Irã cobra os EUA para forçar o aliado Israel a sair do Líbano, o governo de Tel Aviv segue mantando a posição de que o exército israelense vai manter suas posições no sul do Líbano.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse que o país tem liberdade para agir no Líbano “sem restrições” para eliminar “ameaças”, com a manutenção de tropas no território libanês.

“Como o primeiro-ministro Netanyahu e eu esclarecemos – Israel não se retirará da zona de segurança no Líbano”, disse Katz, em uma rede social.

Hezbollah

O grupo político militar libanês Hezbollah afirmou, também nesse domingo, que qualquer violação da ocupação de Israel no Líbano será respondida pelo grupo.

O secretário geral do grupo xiita, Sheikh Naim Qassem, divulgou comunicado afirmando que Israel deve deixar o Líbano.

Qassem ressaltou que os Estados Unidos são capazes, se quiserem, de obrigar Israel a interromper suas agressões, considerando que é o apoio dos EUA que permitiu que a ocupação de Israel avançasse no Líbano.

Colômbia vai às urnas neste domingo eleger presidente para 2026-2030

Candidatos à presidência da Colômbia/ LUIS ACOSTA / AFP

Os 41 milhões de eleitores colombianos aptos a votar poderão ir às urnas, neste domingo (21), para escolher o presidente que governará o país de agosto de 2026 a agosto de 2030, sem direito a reeleição.

A vaga é disputada entre os candidatos Iván Cepeda, de esquerda e aliado do atual presidente, Gustavo Petro, e Abelardo De La Espriella, de extrema-direita e apoiado pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump.

No primeiro turno, em 31 de maio, Espriella saiu na frente, com 43,7% do eleitorado, enquanto Cepeda recebeu 40,9% uma diferença de 673 mil votos. O comparecimento às urnas no 1º turno na Colômbia, onde o voto não é obrigatório, foi de 57% do total de pessoas aptas a votar.

Senador no terceiro mandado, Ivan Cepeda é filósofo, defensor dos direitos humanos e filho do também ex-senador colombiano de esquerda Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994 em um dos sucessivos ciclos de violência política do país.

Candidato governista, Cepeda daria continuidade ao projeto do Pacto Histórico, coalizão de legendas que formaram o primeiro governo de esquerda da história da Colômbia, liderado pelo presidente Gustavo Petro.

Já Abelardo de La Espriella, que recebeu apoio aberto de Trump nesta disputa, promete uma aproximação maior com a Casa Branca e com Israel. Admirador de Javier Milei na Argentina, Espriella é um advogado multimilionário que se apresenta como outsider da política por nunca ter disputado um cargo.

Antes de se candidatar, vivia na Itália, já tendo advogado para figuras controversas, como Jorge Visbal, ligado aos paramilitares na Colômbia, e também para o empresário Alex Saab, que trabalhou para o governo de Nicolas Maduro, na Venezuela.

Afetada por conflitos armados ativos há mais de cinco décadas, a Colômbia chega nessa votação em meio aos sucessivos casos de violência política e confrontos com grupos armados que o projeto de “Paz Total” do atual governo não conseguiu resolver.

Por outro lado, o país de 53 milhões de habitantes, segundo mais populoso da América do Sul, mantém índices econômicos positivos, como crescimento salarial. Nos últimos anos, o governo aprovou reformas, como a trabalhista e a da previdência, que ampliaram direitos para empregados e aposentados.

Geopolítica da Colômbia

O resultado deste domingo influencia a correlação de forças políticas na América do Sul, em meio à pressão do governo de Donald Trump por um alinhamento dos países da região à política da Casa Branca.

O colombiano Sebástian Granda Henao, professor de Fronteiras e Direitos Humanos na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), explicou à Agência Brasil que a vitória de Espriella aumenta a influência de Trump na América do Sul.

Vai ser mais uma ficha no tabuleiro desse modo imperial de Trump governar, se colocando para o mundo cobrando obediência. Diria que alguns processos em curso devem parar, como alianças contra a desigualdade ou por transição energética e preservação ambiental”, comentou.

Por outro lado, Sebástian pondera que a vitória de Cepeda representaria a manutenção de certa aliança na América Latina entre Colômbia, Brasil e México, que têm expressado posicionamentos comuns nas relações internacionais nos últimos anos.

Lula e Zelensky debatem saída diplomática para guerra Ucrânia x Rússia

Presidente Lula e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky/ Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta quarta-feira (17) com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. O encontro ocorreu às margens da cúpula do G7, em Évian, na França.

Em seu perfil na rede social X, Lula detalhou que a reunião, de cerca de 40 minutos, tratou de temas como a situação atual do conflito entre Ucrânia e Rússia, possibilidades de um cessar-fogo e “a busca por uma solução diplomática”.

No encontro, Lula defendeu ainda que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) possa atuar de forma mais efetiva para encerrar o conflito entre Ucrânia e Rússia, que já dura mais de quatro anos.

Acordamos manter contato nas próximas semanas”, concluiu o presidente brasileiro na publicação.

Também por meio de seu perfil no X, Zelensky avaliou o encontro com Lula como positivo. Segundo ele, o foco principal da conversa foram formas de colocar um fim à “guerra de agressões” imposta pelas Rússia.

O presidente (Lula) compartilhou suas ideias sobre possíveis abordagens diplomáticas. Eu o informei sobre as reais atitudes da sociedade russa em relação aos compromissos diplomáticos com os Estados Unidos e outros parceiros. Combinamos contatos futuros”, escreveu Zelensky na postagem.

Ao lado de Trump no G7, Lula critica protecionismo e defende soberania

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião ampliada do G7 sobre o tema “Firmar novas parcerias e reconstruir a solidariedade internacional”, em Évian-les-Bains - França.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez críticas indiretas às políticas do governo dos Estados Unidos na sua primeira participação na Cúpula do G7, em Evian-les-Bains, na França, nesta terça-feira (16).

Falando praticamente frente a frente com Donald Trump, que estava sentado no lado oposto de uma grande mesa oval, Lula criticou o protecionismo e o unilateralismo e defendeu o respeito à soberania dos Estados na luta contra o crime transnacional.

Foram referências às decisões recentes do governo dos EUA de ameaçar o Brasil e outros países com a imposição de novas tarifas comerciais e de classificar, unilateralmente, o Comando Vermelho e o PCC como entidades terroristas.

Em nenhum momento Lula citou diretamente os Estados Unidos ou Trump.

O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”, disse Lula ao defender maior cooperação entre os países para ajudar no desenvolvimento dos países do chamado Sul Global.

Na sequência, o presidente brasileiro aproveitou para criticar a desigualdade e o que classificou como falta de vontade política para diminuí-la.

“Nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado. O primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial. A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários”, disse ele.

O líder brasileiro também afirmou que o combate aos crimes transnacionais e ao narcotráfico “devem fazer parte da agenda de desenvolvimento”.

Neste trecho do discurso, Lula fez a segunda crítica indireta a Trump e sua decisão de classificar os grupos criminosos brasileiros como terroristas, uma decisão que contou com a oposição do governo brasileiro justamente por ignorar as leis do país sobre isso.

Lula afirmou que esse combate deve ser feito por meio de mais cooperação internacional, inclusive com ações da Interpol.

Pouco antes do discurso, Lula e Trump participaram da sessão de fotos com os líderes do G7. Na ocasião, os dois conversaram rapidamente com outros líderes e não se cumprimentaram.

Justiça italiana cita Moraes e diz que Brasil foi parcial sobre Zambelli

A decisão que permitiu à ex-deputada federal Carla Zambelli responder em liberdade na Itália critica o julgamento que a condenou por invasão ao sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

A CNN Brasil teve acesso ao conteúdo integral da decisão da Corte de Apelação da Itália. O documento acolhe o argumento da defesa da brasileira e fala em “violação do direito a um julgamento justo”.

No despacho, a Justiça da Italia diz que a falta de princípios de imparcialidade e independência no julgamento de Zambelli constituiu impedimento para que ela seja extraditada ao Brasil.

O documento lembra, por exemplo, que o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, participou do julgamento de Zambelli mesmo sendo vítima de um dos crimes imputados à brasileira.

O texto se refere a uma “dupla função” assumida por Moraes, o que afetaria a imparcialidade do processo judicial.

É indiscutível que [Moraes] é considerado prejudicado pelos crimes atribuídos ao apelante [Zambelli], dado ao dano causado pela introdução no sistema informático do Conselho Nacional de Justiça do documento relativo ao mandado de prisão falso expedido contra ele”, afirma.

A decisão atesta ainda que, na jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, a falta de imparcialidade de um juiz é identificada no “exercício, pela mesma pessoa, de diferentes funções no âmbito do processo judicial”.

E ressalta que foi o mesmo magistrado quem expediu o mandado de prisão, solicitou a extradição ao Brasil e forneceu informações sobre as condições da penitenciária no Brasil.

A CNN Brasil entrou em contato com o gabinete de Moraes, mas ainda não obteve resposta. O espaço segue aberto.

O documento refuta, porém, o argumento da defesa da ex-congressista bolsonarista sobre o risco de desrespeito aos diretos humanos caso ela cumprisse pena no Brasil, na penitenciária feminina do Distrito Federal.

A decisão final sobre a extradição de Zambelli cabe agora ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio. A ex-deputada federal aguarda à decisão em Roma.

Além do processo de invasão ao sistema do CNJ, Zambelli também foi condenada por perseguir com arma um jornalista no segundo turno das eleições de 2022.

A última condenação não foi ainda submetida à Justiça da Itália para pedido de extradição ao Brasil, o que ainda pode ocorrer neste ano.

Boca de urna: Keiko Fujimori lidera 2º turno no Peru com 50,7%

Eleições no Peru: boca de urna aponta vitória de Keiko Fujimori com 50,7%  dos votos válidos | G1

Uma pesquisa de boca de urna do instituto Ipsos mostra que Keiko Fujimori lidera a eleição presidencial do Peru com 50,7% dos votos, enquanto Roberto Sánchez aparece em segundo lugar, com 49,3%.

Os primeiros resultados oficiais da autoridade eleitoral peruana, a ONPE, são esperados nas próximas horas, enquanto a apuração completa deve levar alguns dias.

Fujimori já concorreu à Presidência em quatro eleições, mais recentemente em 2021, quando foi derrotada por Pedro Castillo por pouco mais de 45 mil votos — uma diferença de apenas 0,2%.

A votação deste domingo ocorre após o primeiro turno, realizado em abril, no qual Fujimori se apoiou no legado de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru de 1990 a 2000 antes de ser preso por violações de direitos humanos.

A eleição acontece em meio a um cenário de instabilidade política. O Congresso peruano destituiu três presidentes nos últimos cinco anos, e o conturbado primeiro turno foi marcado por acusações de fraude e ameaças de protestos por parte dos dois lados da disputa.

Trump redefine relação com América Latina com eleições presidenciais

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump declarou mais uma vez seu apoio a um candidato da América Latina. Desta vez, o suporte recaiu sobre Abelardo de la Espriella, ultradireitista que disputa o segundo turno das eleições presidenciais colombianas.

Trump, que não havia comentado sobre o processo colombiano, deu seu “apoio total” assim que De la Espriella recebeu a maioria dos votos no primeiro turno e se tornou o favorito para o segundo turno, que vai acontecer no dia 21 de junho.

Ele afirmou que os resultados serão “muito importantes para o futuro do relacionamento” entre os dois países.

Antes do segundo turno na Colômbia, o calendário eleitoral continua no Peru, que elegerá um novo presidente neste domingo (7).

Em seguida, vem o Haiti, que agendou eleições para agosto após anos de atrasos devido à violência de gangues armadas e a uma crise institucional. Da Casa Branca, o líder republicano continua a afirmar sua onipresença como a força externa dominante nas eleições da região.

Esta semana, Trump também compartilhou fotos nas redes sociais do encontro com o candidato Flávio Bolsonaro, que busca derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente americano publicou fotos no Salão Oval com o senador, a quem descreveu como “um jovem inteligente que ama seu país”, poucas horas depois do governo anunciar planos para impor novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Em diversos países, as campanhas eleitorais são marcadas por crescentes preocupações com a insegurança, a instabilidade política e a incerteza em relação às relações internacionais, diante da crescente assertividade dos Estados Unidos como ator hegemônico.

Isso leva candidatos de todo o espectro político a responderem a uma pergunta fundamental: como governar e evitar que o país pague um preço alto nessa nova relação com a Casa Branca?

Trump, o fator externo

Desde o início do segundo mandato, o presidente americano tem dado atenção renovada à América Latina, algo sem precedentes desde a Guerra Fria, incluindo intervenções eleitorais explícitas, como na Argentina e em Honduras.

“Trump está focado em se posicionar como o líder de todo o Hemisfério Ocidental. Como parte disso, ele não aceita confrontos políticos ou ideológicos abertos com seus princípios fundamentais. Ele busca alinhamento; ele quer subordinação total”, disse o especialista em relações internacionais Abelardo Rodríguez Sumano, pesquisador da Universidade Ibero-Americana (México).

Em Honduras, ele ameaçou que, se Nasry Asfura não vencesse, não trabalharia com o novo presidente, enquanto nas eleições legislativas da Argentina, condicionou a ajuda econômica de Washington à vitória do partido do presidente Javier Milei. Em ambos os casos, alcançou o resultado desejado.

“É evidente que governos que confrontam abertamente e atacam pessoalmente o presidente Trump tensionam as relações com outros governos ou movimentos eleitorais, tornando-se inimigos instantaneamente. Aqueles que o confrontam entram em um período de tensão, que leva imediatamente a investigações, ameaças ou cancelamentos de vistos”, afirmou Rodríguez.

Segundo Farid Kahhat, professor da Universidade Católica do Peru, “Trump está basicamente extorquindo eleitores”. No caso da Argentina, ele apresentou algumas nuances, sugerindo que o partido governista poderia ter obtido um resultado favorável mesmo sem os comentários do presidente americano.

No entanto, ele afirma que, no caso de Honduras, “a extorsão foi flagrante”, devido ao impacto potencial nas remessas, um componente essencial da economia do país.

Trump não mencionou especificamente as transferências de dinheiro, mas falou sobre políticas de imigração mais rigorosas e a suspensão de auxílios, o que, para muitos eleitores, poderia afetar as remessas.

No entanto, Kahhat alertou que a intervenção de Trump “às vezes tem sido totalmente contraproducente para as forças políticas aliadas”, como no Canadá e na Austrália.

Na região, analistas já consideravam altamente provável o envolvimento explícito na Colômbia e no Brasil, ambos governados atualmente por dois líderes de esquerda com os quais Trump teve tensões significativas, posteriormente amenizadas em encontros bilaterais.

No Peru, embora a política externa não tenha sido um tema central em uma campanha carente de propostas concretas, trata-se de uma nação envolvida na disputa geopolítica entre os EUA e a China.

Em países como a Colômbia, o estilo confrontador de Trump pode ser contraproducente, disse Kahhat, que acredita que, como parte desse cálculo, o presidente mudou sua postura em relação ao presidente Gustavo Petro em ano eleitoral.

Essa reaproximação desestabilizou tanto a posição crítica do candidato do partido governista na Colômbia, o senador Iván Cepeda, quanto a da oposição, que mantém uma narrativa de proximidade ideológica com Washington.

“Não me parece claro, especialmente agora que ele está ameaçando seus próprios aliados da Otan no caso da Groenlândia, que a intervenção de Trump seja particularmente promissora para candidatos alinhados com suas posições”, reiterou Kahhat.

Sandra Borda, professora associada da Universidade dos Andes (Bogotá), também expressou essa opinião: “Eles estão começando a descobrir que, cada vez que intervêm, se o fizerem com muita força, podem empurrar o eleitorado na direção oposta. (…) Vitimizar a esquerda pode, na verdade, fortalecê-la eleitoralmente”, afirmou.

O pesquisador enfatizou que as eleições na Colômbia e no Brasil “serão muito importantes para definir o equilíbrio na gestão da relação com os EUA”.

Para o Brasil, a situação é muito diferente da maioria dos vizinhos. Não só está geograficamente mais distante dos Estados Unidos, o que o torna menos interdependente, mas, como a maior economia da América Latina, tem maior capacidade de enfrentar a pressão de Washington, em coordenação com outras potências do BRICS.

“É evidente que existem divergências (entre Trump e o governo de Lula), de cunho mais esquerdista”, disse Rodríguez. “Trump já declarou abertamente seu apoio a Bolsonaro, e considero perfeitamente claro que ele apoiará a candidatura que busca derrubar o Partido dos Trabalhadores”, afirmou.

Nesse cenário, o analista da Universidade Ibero-Americana afirmou que intervenções diretas dos EUA poderiam gerar “muita rejeição”, e sua expectativa se concentra em como os diversos grupos que disputam a presidência se posicionarão.

“Algo que está agitando sociedades e círculos intelectuais do México à Argentina (…) é a renovada ameaça dos Estados Unidos, não apenas da Guerra Fria, mas também remontando ao século XIX. Isso é evidente em todo o continente, inclusive no Canadá”, acrescentou.

Até o momento, nenhum candidato apoiado por Trump perdeu na América Latina, então resta saber até que ponto ele poderá cumprir suas ameaças eleitorais. Para Rodríguez, no entanto, não há dúvidas.

“Eu o vejo disposto a levar suas ameaças adiante. O que está acontecendo é impressionante, com muito mais agressividade, muito mais força, demonstrando o poderio dos EUA na região.

Quando ele decide intervir, há muitos níveis que ele pode adotar: diplomático, econômico, tarifas, intervenção militar, operações de inteligência. Ele tem uma gama extraordinária de opções”, afirmou.

PCC e CV atuam em 12 estados dos EUA, diz porta-voz do governo Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante coletiva de imprensa na Casa Branca

O governo Trump afirma ter detectado a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho), que foram designados como organizações terroristas, em 12 estados dos Estados Unidos.

A informação foi confirmada à CNN pela porta-voz do Departamento de Estado americano, Amanda Roberson, neste sábado (30).

A representante americana não detalhou a lista de estados com presença das facções brasileiras e argumentou que essa informação fica a cargo das autoridades judiciais.

Ainda segundo Roberson, o governo Trump avalia que o CV e o PCC “são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”.

Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e até mesmo ao nosso país“, disse.

O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo as drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo os fluxos de receita que financiam terroristas violentos”, acrescentou.

Designação dos EUA criminaliza apoio ao PCC e CV e mira rede financeira

O anúncio do governo Trump sobre a designação do PCC e do CV como organizações terroristas foi feito com base legal em duas formas de classificação distintas e que se complementam: a de Organização Terrorista Estrangeira (FTO, na sigla em inglês) e Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT, na sigla em inglês).

Qual a diferença entre essas duas formas de classificação e impactos?

Designação “Organização Terrorista” criminaliza apoio ao PCC e CV

A classificação de um grupo estrangeiro como FTO (Organização Terrorista Estrangeira) é uma prerrogativa do Departamento de Estado americano.

Esse instrumento legal – previsto na Seção 219 da chamada “Lei de Imigração e Nacionalidade” – foi estabelecido pelo Congresso americano em 1996.

A medida surgiu no contexto pós-atentado de Oklahoma City, de 1995 – o ato terrorista mais mortal do país até as Torres Gêmeas, que gerou uma pressão nacional pelo endurecimento da legislação antiterrorismo.

Para uma organização ser classificada como FTO, o Departamento de Estado americano deve avaliar que o grupo atende a três critérios:

  • Ser uma organização estrangeira;
  • Envolver-se em “atividade terrorista”, “terrorismo” ou manter a “capacidade e intenção de se envolver em atividade terrorista ou terrorismo”;
  • Ameaçar a segurança de cidadãos dos EUA ou a “defesa nacional, relações exteriores ou interesses econômicos dos Estados Unidos”.

Após o anúncio sobre o PCC e o CV, o Congresso americano tem sete dias para analisar a designação. Caso o prazo vença e os parlamentares não ajam para bloquear a medida, a classificação será publicada no Federal Register (equivalente ao Diário Oficial da União brasileiro).

Entre as implicações práticas, a classificação torna crime federal no país uma pessoa nos EUA fornecer “apoio material ou recursos” a uma organização FTO.

O escritório de advocacia WilmerHale destaca que terceiros podem ser alvo de investigações criminais e processos judiciais por fornecer apoio a FTOs com condenações que podem chegar a prisão perpétua em certos casos e multas na casa de US$ 1 milhão.

A designação também permite que cidadãos americanos feridos por um ato de terrorismo possam processar por danos aqueles que auxiliam uma FTO.

Além disso, membros de grupos classificados como FTO que sejam estrangeiros têm entrada proibida nos EUA e podem ser deportados.

A designação também obriga qualquer instituição financeira americana que tome conhecimento de possuir fundos de uma FTO a reportar ao Departamento do Tesouro. E o secretário do Tesouro pode exigir o bloqueio de transações envolvendo esses ativos. Os efeitos econômicos são complementados com a segunda classificação terrorista.

Designação “Terrorista Global” congela bens do PCC e CV nos EUA

A segunda classificação anunciada por Rubio, de SDGT (Terroristas Globais Especialmente Designados), é uma prerrogativa tanto do Departamento de Estado quanto do Departamento do Tesouro americano.

Ela está baseada no decreto 13224, que foi assinado pelo então presidente George W. Bush dias após o atentado às Torres Gêmeas de 11 de setembro de 2001.

Diferentemente da FTO, além de grupos terroristas, essa designação pode atingir também indivíduos e entidades. Além disso, ao contrário da FTO, a designação SDGT dispensa a necessidade de revisão do Congresso americano, ou seja, passa a valer logo após a formalização do anúncio.

Os requisitos listados para a designação SDGT incluem o governo americano avaliar que o alvo tenha “cometido ou represente um risco de cometer atos de terrorismo que ameacem a segurança dos cidadãos americanos ou a segurança nacional, a política externa ou a economia dos EUA”.

Também poderão ser designados grupos ou indivíduos que são considerados “controlados por” um grupo terrorista ou que tenham “auxiliado, patrocinado ou fornecido apoio financeiro, material ou tecnológico” ou “serviços de outra natureza”.

Na prática, como detalha o Departamento de Estado, a designação de SDGT prevê que “todos os bens e interesses em bens de indivíduos ou entidades designados que estejam nos Estados Unidos, que entrem nos Estados Unidos ou que estejam na posse ou sob o controle de pessoas dos EUA, são bloqueados”.

A medida também proíbe “qualquer transação ou negociação” com pessoas ou grupos afetados pela designação – mesmo fora da jurisdição americana.

“Pessoas não americanas que se envolvam em transações ou negociações proibidas sujeitas à jurisdição dos EUA com SDGTs podem estar sujeitas a sanções civis ou criminais e também podem correr o risco de serem sancionadas pelo OFAC (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros)”, destaca o Departamento do Tesouro.

Instituições financeiras estrangeiras também podem estar sujeitas a sanções de correspondentes bancários e contas de pagamento se facilitarem, conscientemente, transações significativas para ou em nome de uma SDGT“, conclui.

Moraes é notificado sobre ação de Rumble e Trump Media, diz De Luca

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes foi notificado judicialmente, por e-mail, para responder ao processo movido pela rede social Rumble e pela Trump Media & Technology Group, nos Estados Unidos, segundo publicação do advogado Martin de Luca, que representa as plataformas.

Hoje, de acordo com uma ordem do Tribunal Federal dos EUA, Rumble e Trump Media notificaram o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes por e-mail“, escreveu Martin de Luca.

Ainda no post, de Luca anexou o documento do processo, indicando que Moraes deve responder à petição inicial em até 21 dias. O documento também diz que caso Moraes não apresente defesa, as empresas poderão solicitar o registro de revelia, mecanismo que permite a continuidade do processo sem participação da defesa.

Procurado, o ministro Alexandre de Moraes ainda não se manifestou.

Como mostrou a CNN, na sexta-feira (22), a Justiça Federal da Flórida autorizou a citação por e-mail de Moraes na ação movida pelas plataformas Rumble e Trump Media, dona da Truth Social.

A decisão foi assinada por uma juíza da Corte Distrital da Flórida e destrava o andamento do processo após meses de tentativa frustrada de notificação pelas vias diplomáticas previstas na Convenção da Haia.

O despacho não entra no mérito das acusações feitas contra Moraes. A decisão trata exclusivamente da autorização para a citação do ministro brasileiro por meio eletrônico e da manutenção de documentos sob sigilo no processo. A disputa entre Moraes e a Rumble ganhou dimensão internacional nos últimos meses e já provocou repercussões no Brasil, incluindo decisões envolvendo a atuação da plataforma no país.

O que motivou a ação nos Estados Unidos?

O processo foi aberto em fevereiro no Tribunal Federal da Flórida sob a acusação de que Moraes teria promovido censura ilegal contra discursos políticos de usuários alinhados à direita brasileira, como o influenciador Allan dos Santos.

Segundo as empresas, decisões do ministro obrigando a Rumble a remover contas de figuras brasileiras violariam a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de expressão.

Os autores da ação também afirmam que Moraes determinou que a plataforma mantivesse representação legal no Brasil para cumprimento de ordens judiciais.

Embora a Trump Media não tenha sido alvo direto das decisões do STF, a empresa argumenta que depende da infraestrutura tecnológica da Rumble para funcionamento da Truth Social.

Por que a Justiça americana autorizou a citação por e-mail?

Na decisão, a juíza afirma que as tentativas de cooperação jurídica internacional ficaram paralisadas após uma mudança de procedimento envolvendo o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Segundo o documento, o STJ consultou previamente a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Advocacia-Geral da União (AGU) antes de avançar com o pedido de citação internacional.

As empresas alegaram que a PGR apresentou manifestação sigilosa defendendo que a notificação fosse barrada e que o procedimento passou a tramitar “sob sigilo”.

Para os autores da ação, a cooperação judicial teria se tornado “politizada e efetivamente indisponível”, criando um impasse sem previsão concreta de conclusão.

A juíza observou que a Convenção da Haia não proíbe expressamente a citação por e-mail e destacou precedentes da Justiça americana autorizando esse tipo de medida em casos envolvendo réus brasileiros.

A decisão também afirma que houve esforço suficiente das empresas para localizar e comunicar Moraes e que os e-mails vinculados ao STF foram considerados válidos e operacionais.

Trump sinaliza que acordo com Irã e reabertura do Estreito de Ormuz serão anunciados em breve

Donald Trump disse que os aspectos e detalhes finais do acordo estão sendo discutidos/Foto: Heather Diehl/Getty Imagens North America/Getty Images Via AFP

O presidente Donald Trump afirmou no sábado, 23, que um acordo com o Irã, incluindo a abertura do Estreito de Ormuz, foi “em grande parte negociado” após conversas telefônicas com Israel e outros aliados na região.

Ao anunciar o progresso nas redes sociais, Trump disse que os aspectos e detalhes finais do acordo estão sendo discutidos e serão anunciados “em breve”. Ele não especificou um cronograma para o anúncio.

Em post na rede social Truth Social, ele disse que havia acabado de ter uma excelente conversa com líderes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia e Bahrein, além de Israel, a respeito do Irã e de todos os assuntos relacionados a um Memorando de Entendimento sobre a paz.

Os detalhes finais do entendimento seguem em discussão e devem ser anunciados em breve“, destaca. Entre os principais pontos do acordo, segundo Trump, está a abertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.

Havia um crescente otimismo entre os funcionários

Os Estados Unidos e o Irã estavam perto de um acordo para pôr fim à guerra, disse no início deste sábado um funcionário regional com conhecimento direto dos esforços de mediação liderados pelo Paquistão, depois que os EUA avaliaram uma nova rodada de ataques contra a República Islâmica.

A fonte oficial, falando sob condição de anonimato para discutir deliberações a portas fechadas, alertou que “disputas de última hora” poderiam comprometer os esforços. Esta não é a primeira vez nas últimas semanas que um acordo é descrito como próximo.

Ele afirmou que o possível acordo incluiria uma declaração oficial do fim da guerra, com negociações de dois meses sobre o programa nuclear iraniano. O Estreito de Ormuz seria reaberto e os EUA encerrariam o bloqueio aos portos iranianos.

Enquanto isso, o Irã sinalizou uma “redução das divergências” nas negociações com os EUA, após o chefe do exército paquistanês ter realizado novas conversas em Teerã, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, ter dito a jornalistas na Índia que “algum progresso foi feito” e que “pode haver novidades ainda hoje“.

Brasil e Alemanha firmam acordo sobre minerais críticos e terras raras

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante declaração conjunta à imprensa no Palácio de Herrenhause, Alemanha./Ricardo Stuckert/PR

Brasil e Alemanha assinaram nesta segunda-feira (20), em Hannover, uma declaração conjunta de intenções para ampliar a cooperação científica e tecnológica na área de minerais críticos e estratégicos, considerados essenciais para a transição energética e o desenvolvimento de tecnologias emergentes.

O ato foi firmado durante visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se reuniu com o chanceler federal do país europeu, Friedrich Merz.

O acordo, firmado entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do Brasil e o Ministério Federal da Pesquisa, Tecnologia e Espaço da Alemanha, estabelece as bases para intensificar ações conjuntas em pesquisa, desenvolvimento e inovação ao longo de toda a cadeia produtiva desses insumos.

Os minerais críticos são elementos essenciais para tecnologias modernas, defesa e transição energética, como fabricação de baterias, painéis solares e turbinas, cuja oferta enfrenta riscos de escassez ou dependência de poucos fornecedores.

O Brasil está entre as maiores reservas dessas matérias-primas no planeta. O assunto foi mencionado por Lula em declaração a jornalistas após o encontro bilateral com Merz. O presidente brasileiro enfatizou a necessidade de que a exploração dos minerais não seja apenas a venda da matéria-prima.

“Nossas reservas também nos tornam atores incontornáveis no debate sobre minerais críticos. Queremos atrair cadeias de processamento para o território brasileiro, sem fazer exportações excludentes. A colaboração em setores intensivos em tecnologia é uma prioridade para um país que não quer se limitar a ser um mero exportador de commodities“, afirmou.

Pelo acordo de cooperação, também citado por Merz na declaração à imprensa, Brasil e Alemanha prometem expandir ainda mais a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação nas áreas de exploração, extração e processamento de minerais críticos, como terras raras e outros metais e minerais.

Ambos os países reconhecem a importância estratégica das atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação para aumentar o valor agregado ao longo das cadeias de valor dos minerais críticos e estratégicos, contribuindo para o desenvolvimento industrial sustentável, a soberania tecnológica e o fortalecimento das capacidades industriais internas.

Entre os compromissos firmados, está o apoio à inovação, em particular por pequenas e médias empresas em ambos os países, início de projetos conjuntos de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a gestão responsável de minerais críticos, intercâmbio de cientistas, pessoal técnico de pós-graduação. Um novo programa bilateral de financiamento direto às instituições e empresas nacionais dos dois países deverá ser elaborado ainda em 2026, prevê o acordo.

Outros acordos

Além do acordo de cooperação sobre minerais críticos, Brasil e Alemanha adotaram outros 14 atos conjuntos durante a viagem oficial de Lula ao país europeu.

Entre eles, está um acordo de cooperação para fortalecer o combate a crimes ambientais, como desmatamento, tráfico de fauna e flora, pesca e mineração ilegais. Outro acordo trata sobre cooperação na área de inteligência artificial, com foco em governo digital e aplicações industriais.

Também foi firmada uma carta de intenções em que o governo alemão propõe ampliar o aporte de recursos ao Fundo de Combate às Mudanças Climáticas, coordenado pelo governo brasileiro e operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O objetivo será financiar projetos, estudos e iniciativas voltados à redução das emissões de gases de efeito estufa e à adaptação aos efeitos das mudanças climáticas no Brasil. Do lado alemão, o banco de desenvolvimento do país, o KfW, deverá aportar cerca de 500 milhões de euros no fundo.

Os dois governos também assinaram documentos de cooperação nas áreas de defesa, pesquisa oceânica, apoio a micro e pequenas empresas, pesquisa aeroespacial, tecnologias quânticas, economia circular, entre outros.

Em sua segunda viagem oficial à Alemanha no atual mandato, Lula foi recebido com honras militares em Hannover, para se reunir com Merz. O Brasil é um dos poucos países com quem a Alemanha tem um acordo de parceria estratégica, considerado o mais alto grau de relação diplomática entre países.

Essa proximidade é mais importante do que nunca nesses tempos de tantas mudanças na ordem mundial. Queremos fortalecer o benefício comum e expandir nossa rede. Queremos ser parceiros fortes e com ideias afins“, disse o chanceler alemão na declaração à imprensa.

Além do encontro bilateral, Lula discursou na abertura da maior feira industrial do mundo, a Hannover Messe, que este ano destaca o Brasil. Ele também participou de um encontro com empresários brasileiros e alemães, em que enfatizou as oportunidades no setor de biocombustíveis.

Justiça da Itália aprova extradição de Zambelli pela segunda vez

Carla Zambelli/Lula Marques/Agência Brasil

A pedido do governo do Brasil, a Justiça da Itália acolheu, nesta quinta (16), o pedido de extradição da ex-deputada bolsonarista Carla Zambelli. Esse é o processo envolvendo porte ilegal de arma.

A informação, divulgada pelo portal g1, é do embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca de Souza. Ainda cabe recurso.

O caso em questão trata do episódio ocorrido na véspera das eleições presidenciais de 2022, no segundo turno.

Zambelli, então deputada federal, perseguiu, armada, um homem pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo, após uma discussão política.

As imagens da deputada correndo com uma pistola em punho levaram à abertura de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF).

A ex-deputada foi condenada por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal or uso de arma de fogo.

Em um caso distinto, envolvendo a invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em que ela também já tinha sido condenada, a Justiça italiana já tinha decidido pela autorização da extradição (entenda mais a seguir).

No exterior

Zambelli tem cidadania italiana e deixou o Brasil em maio do ano passado, pela fronteira com a Argentina. Antes de chegar ao país europeu, ela também passou pelos Estados Unidos.

Como fugiu do país após uma condenação do Supremo, Zambelli é considerada foragida da Justiça brasileira. Por isso, o STF formalizou um pedido de extradição, assinado pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes.

Zambelli permanece presa em Roma, porque autoridades do país europeu entendem que há risco de fuga.

Brasil e Itália têm um tratado recíproco de extradição, em vigor desde 1993 – e que já foi acionado dezenas de vezes desde então.

O primeiro artigo do tratado determina que os dois países ficam obrigados a entregar, um ao outro, pessoas que sejam procuradas pelo outro país – seja para levar a julgamento ou para cumprir uma pena restritiva de liberdade.

Em dezembro do ano passado, o Supremo Tribunal federal (STF) determinou a cassação do mandato de Carla Zambelli.

Assim, revogou a decisão contrária da Câmara dos Deputados. A então deputada entregou uma carta de renúncia três dias depois.

Petro confirma ida ao Brasil após encontro com Lula em Bogotá

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, confirmou que deve visitar o Brasil após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste sábado (21), em Bogotá. A reunião ocorreu durante o Fórum de Alto Nível Celac-África.

Durante o encontro bilateral, os dois líderes discutiram a agenda regional e fizeram uma avaliação da presidência da Colômbia à frente da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), que se encerra neste fim de semana.

Lula e Petro também trataram das expectativas para a próxima presidência do bloco, que foi assimida pelo Uruguai durante ato oficial ocorrido durante a cúpula, e reiteraram a importância de fortalecer os mecanismos multilaterais na América Latina e no Caribe.

A visita de Petro ao Brasil será para participar da reunião “Democracia contra o Extremismo”, que será realizada em Brasília, no dia 18 de abril, e deve reunir lideranças internacionais para discutir temas ligados à democracia e ao combate à radicalização política.