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EUA ameaça Irã com isolamento econômico “como o mundo nunca viu”

Secretário do Tesouro, Scott Bessent/REBECCA BLACKWELL / POOL / AFP

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, ameaçou na quinta-feira o Irã com um isolamento econômico “como o mundo nunca viu“, sinal do endurecimento das medidas de Washington, que no início de agosto citou um acordo iminente para reabrir o Estreito de Ormuz.

A nova escalada verbal acontece enquanto a guerra, desencadeada no fim de fevereiro com a ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra a República Islâmica, está perto de completar seis meses.

Será uma combinação de isolamento econômico, como o mundo nunca viu“, declarou Bessent ao canal de televisão conservador Newsmax, sem revelar mais detalhes. Ele acrescentou que “o contínuo bloqueio no Estreito de Ormuz impedirá que qualquer coisa entre ou saia dos portos iranianos”.

O tom mudou em questão de dias. Em 4 de agosto, o próprio Bessent mencionou um possível acordo com Teerã “hoje ou amanhã” para reabrir a passagem estratégica para o comércio mundial de combustíveis.

Temos conversas muito boas”, afirmou naquele mesmo dia o presidente Donald Trump, ao assegurar que o Irã queria alcançar um acordo.

As declarações tranquilizadoras provocaram uma alta da Bolsa de Wall Street e a queda dos preços do petróleo, apesar da estagnação das negociações.

Em meados de junho, Teerã e Washington assinaram um protocolo de acordo, mas o mesmo implodiu no início de julho e, desde então, Trump enfrenta dificuldades para encontrar uma saída diante das exigências drásticas do regime iraniano.

Trump disse em 1º de agosto que qualquer acordo deveria incluir a abertura “completa e total” de Ormuz e “o fim da ameaça nuclear iraniana“. Mas agora, o presidente americano parece privilegiar uma abordagem mais prudente, baseada na pressão econômica.

Ponto de divergência

O Estreito de Ormuz, por onde transitavam 20% do petróleo mundial antes da guerra, continua sendo o principal ponto de divergência. Na prática, a passagem está fechada pelo Irã. Teerã exige que os navios recebam uma autorização para utilizar a via e pretende impor, a longo prazo, taxas de serviço, algo que Washington rejeita.

Agora, com uma mudança de abordagem, as armas nucleares, o principal motivo que Trump apresentou para iniciar a guerra ao lado de Israel, ficaram em segundo plano.

O objetivo número um: manter o petróleo e o gás baratos para os americanos em todo o nosso país”, disse na quinta-feira o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, ao canal Fox News. “E depois, obviamente, o objetivo número dois é garantir que o Irã nunca obtenha uma arma nuclear“, acrescentou.

Bessent, por sua vez, apresentou na quinta-feira a estratégia contra Teerã como a combinação de duas medidas: asfixia financeira e bloqueio físico, citando como comparação Cuba e Venezuela.

A Venezuela entrou em colapso imediatamente quando impusemos o bloqueio“, afirmou.

No início da semana, Trump afirmou que um acordo para reabrir o estreito era iminente. Agora, seu governo, com a diplomacia paralisada, parece acreditar que o sofrimento econômico levará o Irã a ceder.

O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, acusou na quinta-feira os Estados Unidos de “cálculos ruins” relacionados a falhas de inteligência. “Um exemplo: a guerra contra o Irã. Agora, um erro de cálculo ainda mais grave sobre o Estreito de Ormuz“, escreveu o chanceler no X.

Trump autoriza ofensiva cibernética contra organizações criminosas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 6 de agosto de 2026 — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (12) um memorando que abre caminho para empresas privadas americanas participarem de operações cibernéticas contra organizações criminosas transnacionais que atuam fora do país. A medida pode alcançar grupos brasileiros como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Pelo documento, companhias selecionadas poderão realizar ações de vigilância e operações capazes de interromper, degradar ou até destruir sistemas e redes usados por grupos criminosos. As ações precisarão ser previamente aprovadas e serão conduzidas sob supervisão do governo americano.

Segundo a Casa Branca, a medida busca ampliar o combate a crimes como fraudes e ataques cibernéticos praticados contra cidadãos, empresas e interesses dos Estados Unidos.

Essas organizações realizam campanhas cibernéticas continuas para perpetrar fraudes que minam a prosperidade, a segurança e a liberdade americanas. […] Assim, é política dos Estados Unidos utilizar todos os instrumentos do poder nacional, incluindo as capacidades inovadoras do setor privado, para combater o cibercrime”, afirma o documento.

O PCC e o CV estão entre as organizações que podem, em tese, ser alcançadas pelo novo programa. O governo dos Estados Unidos classifica os dois grupos brasileiros como organizações criminosas transnacionais e, desde junho, como organizações terroristas estrangeiras.

O memorando, porém, não cita nominalmente PCC ou CV. Para que sejam alvo das operações previstas no documento, os grupos também precisam se enquadrar na definição de organizações envolvidas em crimes cibernéticos.

O programa ficará sob responsabilidade do Centro Nacional de Coordenação (NCC, na sigla em inglês) e terá supervisão conjunta dos departamentos de Justiça e de Segurança Interna. As empresas participantes terão de passar por um processo de avaliação e firmar contratos com o governo.

O memorando determina que as autoridades estabeleçam, em até 60 dias, as regras para o funcionamento do programa. Entre os critérios previstos estão experiência técnica, histórico em operações cibernéticas, segurança das instalações e avaliação dos funcionários envolvidos.

As empresas também poderão ser obrigadas a manter uma garantia financeira de pelo menos US$ 1 milhão. O valor poderá ser confiscado caso haja descumprimento das regras estabelecidas no contrato com o governo.

O texto estabelece dois tipos principais de atuação:

-As chamadas “operações de vigilância cibernética” permitirão acessar sistemas sem autorização para coletar informações ou inteligência, inclusive dados que possam ser usados posteriormente em outras ações.
-Já as “operações de efeitos cibernéticos” poderão envolver a manipulação, interrupção, degradação ou destruição de sistemas, redes e outras infraestruturas digitais.

Há, porém, limites para essas operações. Empresas privadas não poderão receber autorização dos diretores do programa para ações com possibilidade de provocar mortes ou ferimentos graves, ou que possam ser consideradas uso da força ou ataque armado pelas regras do direito internacional.

O memorando também determina que uma operação seja interrompida caso atinja, de maneira não intencional, cidadãos americanos, sistemas localizados nos Estados Unidos ou sistemas controlados por americanos. Nesses casos, o governo deverá ser imediatamente informado.

Segundo Trump, a iniciativa pretende aproveitar a capacidade tecnológica do setor privado americano no combate ao crime organizado internacional.

O texto afirma que esses recursos foram historicamente pouco utilizados em esforços para identificar e desarticular redes criminosas no ambiente digital.

Venezuela e Israel concordam em restabelecer relações consulares após 17 anos de ruptura diplomática

Embaixador da Venezuela fala no Conselho de Segurança da ONU/ANGELA WEISS / AFP

Os governos da Venezuela e de Israel anunciaram que irão implementar um mecanismo para restabelecer as relações consulares após a visita de uma delegação israelense ao território venezuelano por ocasião do duplo terremoto registrado no final de junho, pondo assim fim à ruptura das relações diplomáticas que perdurava desde 2009.

Os dois países concordam em estabelecer um mecanismo de coordenação que permita a prestação de serviços consulares aos respectivos cidadãos residentes no outro país, conforme necessário“, informou o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela em um comunicado.

Além disso, destacou que “ambos os governos reconhecem a importância do vínculo” entre Israel e “a comunidade judaica residente na Venezuela”, o que “constitui uma importante ponte de amizade histórica entre os dois países”.

As partes também concordaram em “permitir a continuidade da cooperação técnica bilateral decorrente dos esforços de emergência e recuperação após o duplo terremoto” de magnitude 7,2 e 7,5 registrado no último dia 24 de junho no norte do país, que deixou 6.301 mortos.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, comemorou nas redes sociais que essa medida permite “criar um canal de coordenação oficial entre Israel e a Venezuela, que não mantêm relações diplomáticas entre si desde 2009″.

Como se lembram, uma missão de ajuda partiu para a Venezuela após os terremotos ocorridos no país em 24 de junho. A missão foi liderada pelo Ministério das Relações Exteriores e pelo Comando de Retaguarda, e prestou assistência profissional aos esforços de emergência e reabilitação no país“, lembrou ele.

Trump reduz de 18 para 11 as vacinas infantis recomendadas para todas as crianças nos EUA

Donald Trump está na França participando da reunião do G7/ MANDEL NGAN / AFP

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, aprovou uma ordem que insta os estados do país a vacinarem as crianças contra 11 doenças, sete a menos do que as recomendadas pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Esse texto legal oferece “recomendações do mais alto nível em vacinação infantil”, conforme indicado pelo governo norte-americano, que acrescentou que elas “maximizam as opções dos pais em relação à vacinação de seus filhos e alinham três categorias de imunizações infantis com as evidências científicas e as melhores práticas de países desenvolvidos semelhantes”.

Assim, ao destacar a própria administração Trump a referida redução no número de vacinas em relação ao recomendado pelo CDC, ela explicou que as vacinas que não são mais recomendadas para todas as crianças agora são sugeridas para a tomada de decisões clínicas compartilhadas, “o que garante que os pais tenham todas as opções disponíveis“.

Especificamente, as vacinas recomendadas para todas as crianças são as indicadas contra sarampo, caxumba, rubéola, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, Haemophilus influenzae tipo B, doença pneumocócica, vírus do papiloma humano (VPH) e varicela. Por sua vez, as imunizações recomendadas para determinados grupos ou populações de alto risco são as correspondentes aos anticorpos monoclonais contra o vírus sincicial respiratório (VSR), hepatite A, hepatite B, meningococo B, meningococo ACWY e dengue.

Por outro lado, na população infantil em geral, as vacinas baseadas na tomada de decisão clínica compartilhada serão as contra hepatite A, hepatite B, rotavírus, doença meningocócica, gripe e Covid-19. Além disso, recomenda-se dividir a vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola em três doses individuais para cada doença e administrar todas as componentes em consultas médicas separadas, a fim de oferecer mais opções quanto ao momento e à frequência da administração dessa vacina.

ISENÇÕES RELIGIOSAS E MÉDICAS

Além disso, este texto destaca que, com as novidades introduzidas, “maximiza-se a liberdade de escolha dos pais em matéria de vacinas infantis, ao promover o cumprimento, por parte dos Estados, da legislação constitucional e federal relacionada à autoridade parental, à liberdade religiosa, as adaptações para pessoas com deficiência e a igualdade de proteção perante a lei, incluindo as obrigações dos Estados de conceder isenções religiosas e médicas da exigência de vacinação infantil e adolescente”.

No entanto, também inclui a obrigação de apresentar planos a Trump “para aprimorar a pesquisa sobre vacinas e as opções para os pais norte-americanos, incluindo uma avaliação contínua dos perfis de risco e benefício de todas as vacinas infantis com base em dados norte-americanos e internacionais”.

Sobre os motivos que levaram a essa modificação no plano de vacinação, ele explicou que “a avaliação científica concluiu que os EUA recomendam atualmente mais vacinas infantis do que qualquer outro país comparável, incluindo mais do que o dobro de doses do que alguns países europeus“. Além disso, foi identificado “um conjunto de vacinas consensuais que são recomendadas de forma sistemática em todos os países comparáveis”.

Nesse sentido, os dados mostram que, em 1980, as crianças que seguiam o calendário de vacinação do CDC recebiam 23 doses de vacinas em sete injeções contra sete doenças diferentes; enquanto que, em 2024, o número recomendado de vacinas de rotina havia aumentado para pelo menos 84 doses em pelo menos 57 injeções contra 17 doenças, além da vacina monoclonal contra o VRS, totalizando 18 doenças.

No entanto, para o governo Trump, a redução agora recomendada significa reafirmar o compromisso “com a ciência da mais alta qualidade, garantindo que os americanos recebam a melhor orientação médica possível e proporcionando aos pacientes e médicos a máxima flexibilidade”.

*Este conteúdo é de inteira responsabilidade da Europa Press e não representa a opinião do Grupo Estado, que não é responsável por erros, incorreções, atrasos ou quaisquer decisões tomadas por seus clientes com base no material disponibilizado.

UE mobiliza 100 mil euros em ajuda imediata após o terremoto na Colômbia e aciona a Proteção Civil

Comissão Eur espera agora dispor de mais dados sobre os danos e as necessidades para determinar que tipo de apoio adicional será necessário/Photo by Jakub Porzycki / NurPhoto via AFP

A Comissão Europeia mobilizou 100 mil euros (cerca de R$ 590 mil na cotação atual) para prestar assistência imediata às vítimas do terremoto de magnitude 7,4 registrado nesta segunda-feira (10) na Colômbia, que deixou mais de uma centena de mortos, e confirmou a ativação do Mecanismo de Proteção Civil da UE a pedido das autoridades colombianas.

Já agimos com uma primeira ajuda rápida”, explicou nesta terça-feira (11) a porta-voz da Comissão Europeia para a Ajuda Humanitária, Eva Hrncirova, que detalhou que os recursos foram repassados por meio da Cruz Vermelha Alemã, presente no local, para atender às necessidades mais imediatas da população na região de Chocó.

Bruxelas também ativou o serviço europeu de cartografia por satélite Copernicus para ajudar a determinar a extensão do desastre e fornecer informações para as operações de emergência

Estamos em contato com as autoridades colombianas. Elas acionaram nosso Mecanismo de Proteção Civil“, indicou a porta-voz, que explicou que a Comissão Europeia espera agora dispor de mais dados sobre a magnitude dos danos e as necessidades no local para determinar que tipo de apoio adicional será necessário.

Paralelamente, a UE acionou seu mecanismo de assistência consular em situações de crise para apoiar os cidadãos europeus afetados pelo terremoto, conforme anunciou a Alta Representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas.

EUA anunciam ajuda de US$ 15,5 milhões à Colômbia após terremoto

Equipes de resgate e voluntários removem escombros em Cali, em busca de sobreviventes do terremoto na Colômbia.

Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (10) que vão ajudar a Colômbia com US$ 15,5 milhões em recursos para abrigos de emergência, alimentação e proteção após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país.

A informação foi confirmada pelo Departamento de Estado americano na rede social X.

Após o devastador terremoto de magnitude 7,4 ocorrido hoje em várias regiões da Colômbia, o governo Trump está destinando US$ 15,5 milhões em recursos para abrigos de emergência, alimentação, proteção e avaliações dos danos causados ​​pelo terremoto“, escreveu a pasta.

O Departamento de Estado dos EUA também reforçou o apoio ao presidente colombiano, Abelardo de la Espriella. “Unimo-nos em oração ao povo colombiano e estamos prontos para apoiar o presidente @ABDELAESPRIELLA e seu governo enquanto avaliam as necessidades no local”, diz o comunicado.

Entenda o que aconteceu

Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia, com epicentro no departamento de Chocó, a leste de San José del Palmar, a aproximadamente 284 km de Bogotá. O número de mortos subiu para 111, e líderes internacionais de diversas regiões do mundo se mobilizaram para oferecer apoio ao país.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o governo americano está monitorando de perto a situação.

Ele declarou que os Estados Unidos estão prontos para apoiar o povo colombiano e o governo do país, e orientou cidadãos americanos que se encontram na Colômbia a se cadastrar em um link disponibilizado pelo Departamento de Estado, para que possam buscar assistência da embaixada caso necessário.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou nas redes sociais e disse ter recebido “com preocupação a notícia do forte terremoto que atingiu hoje a Colômbia”.

Em nome do povo brasileiro, ele expressou solidariedade “especialmente às famílias das vítimas e a todos afetados pelos tremores”, acrescentando que “o Brasil permanece à disposição da Colômbia para prestar o apoio necessário”.

Na Venezuela, Maria Corina Machado, líder da oposição venezuelana, desejou solidariedade e orações ao povo colombiano. Ela ressaltou que os venezuelanos conhecem “em primeira mão como a solidariedade internacional é vital diante de uma tragédia dessa magnitude”.

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, anunciou que seu governo está pronto para fornecer “apoio imediato com todas as equipes de resgate salvadorenhas, profissionais de saúde, paramédicos, suprimentos ou qualquer outro tipo de assistência“.

O Ministério de Relações Exteriores da Guatemala divulgou um número de telefone de emergência para cidadãos guatemaltecos na Colômbia e pediu que eles permaneçam atentos às orientações das autoridades locais, consultando apenas fontes oficiais.

Na Europa, Portugal manifestou “sinceras condolências às famílias das vítimas” e desejou rápida recuperação aos feridos. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou estar acompanhando “com preocupação as atualizações sobre o terremoto” e expressou “a mais profunda solidariedade da Itália ao povo colombiano e às famílias afetadas“.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou as notícias do terremoto como “terríveis” e prestou condolências às famílias das vítimas. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, ofereceu “toda assistência que Israel puder fornecer” e disse que seus “pensamentos e orações estão com o povo colombiano nestes momentos difíceis“.

Governo iraniano trava Estreito de Ormuz e cobra acordo dos EUA

Fechamento do Estreito tornou-se a consequência mais duradoura do conflito no Oriente Médio, iniciado há mais de cinco meses/ Hans Lucas via AFP

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã reafirmou que o país não reabrirá o Estreito de Ormuz até que Washington atenda às condições iranianas. “Cabe ao lado dos EUA parar e reparar suas ações ilegais e destrutivas”, disse Esmail Baghaei nesta segunda-feira, 10, ao mencionar o bloqueio americano a portos iranianos.

O Irã quer que os EUA suspendam o bloqueio, paguem indenizações pelos danos de guerra acumulados ao longo de meses, retirem as sanções econômicas e liberem ativos iranianos congelados.

O fechamento do Estreito de Ormuz – via marítima por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo – tornou-se a consequência mais duradoura do conflito no Oriente Médio, iniciado há mais de cinco meses. O impasse mantém os preços de energia no centro da política americana às vésperas das eleições de meio de mandato de novembro.

O Irã mantém conversas separadas com Omã sobre o trânsito pelo estreito, inclusive sobre a possível criação de um corredor temporário de navegação. Mas afirma que qualquer reabertura efetiva depende de negociações com os EUA.

Senado dos EUA aprova Daniel Perez para embaixador do Brasil, em pacote com 74 nomeações

O embaixador Daniel Perez/Senado dos EUA/Reprodução

O Senado dos EUA aprovou nesta sexta-feira (7) a indicação de Daniel Perez ao cargo de embaixador do Brasil, em um pacote mais amplo de 74 nomeações para agências federais norte-americanas e representação diplomática para vários países e órgãos como as Nações Unidas (ONU) e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento (OCDE).

Foram 51 votos a favor das nomeações e 47 contrários.

Apesar da aprovação do Senado norte-americano, Perez precisa do aval brasileiro para assumir o cargo.

A lista de indicações contou ainda com a aprovação de: Christopher Phelan para presidente do Conselho de Assessores Econômicos, Brett Matsumoto para Comissário do Escritório de Estatísticas de Emprego (BLS, em inglês) do Departamento do Trabalho e Francis Brooke como vice-secretário do Tesouro.

Entre os países que receberam indicações de embaixadores, além do Brasil, estão Chipre, Camboja, Austrália e Noruega.

Mídia estrangeira trata revogação de visto de embaixadora nos EUA como “escalada de tensões”

No geral, as publicações trouxeram a notícia através das declarações do Departamento de Estado, ou porta-vozes do organismo/Wolfganga Kumm/AFP

Grande parte dos principais veículos de imprensa do mundo noticiou a decisão do governo americano de revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, como uma “escalada de tensões” entre Brasil e Estados Unidos. No New York Times, o título da reportagem sobre o tema foi “EUA revogam visto de diplomata brasileira de alto escalão, elevando as tensões“, enquanto a versão do continente americano do jornal El País traz a matéria “Estados Unidos e o Brasil protagonizam um duelo diplomático entre gigantes” como a principal em seu site.

Os veículos britânicos BBC e Guardian também trouxeram a interpretação de uma elevação de tensão entre os dois lados ao tratar do tema, assim como a emissora do Catar Al Jazeera.

O Wall Street Journal destacou que a notícia ocorre “em meio a uma crescente disputa diplomática sobre uma suposta interferência dos EUA antes das eleições presidenciais do país, em outubro“. O Washington Post trouxe no título que a ação ocorreu “em medida de retaliação”. No geral, as publicações trouxeram a notícia através das declarações do Departamento de Estado, ou porta-vozes do organismo, afirmando que a decisão do governo americano ocorreu em resposta ao fato de o Brasil ter adiado a aprovação diplomática formal do embaixador dos EUA em Brasília e negado vistos a diplomatas americanos. Meios como a americana CNN e a alemã DW repercutiram a informação de forma mais direta a partir das declarações oficiais.

No caso da emissora europeia, a informação de que o Brasil rejeitou a decisão de Washington, “descrevendo-a como uma escalada e afirmando que ela evidenciava o interesse dos EUA em interferir na próxima eleição presidencial do país”, ganhou maior destaque. “A decisão de hoje não é um incidente isolado. Ela faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis contra o Brasil, motivada por razões ideológicas“, publicou a DW citando o gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em comunicado. A chinesa CGTN também citou a versão do governo brasileiro, que chamou de “falsas” as razões citadas pelos Estados Unidos.

Já a Fox News trouxe a declaração de um porta-voz do Departamento de Estado americano: “Mantivemos comunicação constante com o governo brasileiro durante semanas e demos a ele todas as oportunidades para fazer a coisa certa, no entanto, eles têm continuamente adiado e criado obstáculos”.

Argentina diz que “lamenta” retirada de embaixador e que Brasil se isola

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O Ministério das Relações Exteriores da Argentina respondeu na terça-feira (4) à decisão do governo brasileiro de rebaixar a relação diplomática bilateral para o nível de encarregados de negócios e retirar o embaixador Julio Bitelli do país.

Em nota, a chancelaria argentina disse que “lamenta” a decisão brasileira tomada “unilateralmente” e afirma que a medida faz o Brasil “continuar se isolando do resto da região por questões meramente ideológicas”.

No comunicado, a chancelaria argentina afirmou ainda que o Itamaraty pediu que o embaixador de Javier Milei em Brasília, Daniel Raimondi, volte para a Argentina.

Nestes últimos anos, houve numerosos episódios de expressões e apoios políticos cruzados entre dirigentes de ambos os países. Em todos os casos, sem exceção, a Argentina escolheu não convertê-los em um incidente diplomático. Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional. Este é o critério que a Argentina mantém hoje”, disse a pasta argentina, em comunicado.

O texto diz ainda que “as relações entre os Estados (…) não devem ficar submetidas às necessidades políticas e/ou às pessoas dos governantes do momento”.

O comunicado do governo argentino foi publicado no mesmo dia em que Raimondi foi convocado para receber uma nova ordem de protesto do Itamaraty e ser comunicado da decisão.

Raimondi já tinha sido convocado para prestar esclarecimentos no dia 26 de julho, um dia após Milei chamar Lula de “presidiário” e o ministro Alexandre de Moraes de “lixo careca”, entre outros insultos, na Convenção Nacional do Partido Liberal, em São Paulo.

Na ocasião, o embaixador brasileiro Julio Biletti foi chamado para consultas e, desde então, não voltou para Buenos Aires.

Segundo fontes diplomáticas, insultos de Milei em três novas oportunidades desde a convocação de Raimondi demonstram que não há disposição de seu governo em restaurar uma relação correta com o Brasil.

A decisão comunicada ao representante argentino é a de que a relação entre os países foi rebaixada para o nível de encarregados de negócios e que o embaixador brasileiro não retornará para Buenos Aires enquanto os insultos de Milei continuarem.

Com a medida do Itamaraty, a embaixada brasileira na Argentina ficará sob a responsabilidade do ministro-conselheiro Eduardo Uziel.

Milei diz esperar mudança de rumo nas eleições do Brasil e ataca Lula

Milei diz esperar mudança de rumo nas eleições do Brasil e ataca Lula | CNN  Brasil

O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou nesta terça-feira (4) que espera uma mudança de rumo nas eleições no Brasil. Ele também voltou a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O líder argentino foi questionado durante entrevista ao programa El Pelado, do canal de streaming La Casa, sobre a fala durante convenção do Partido Liberal, na qual chamou Lula de presidiário.

Milei então perguntou se mentiu ao dizer que “Lula é um ladrão, que é um corrupto, que esteve preso, que o soltaram por um argumento administrativo“.

O apresentador citou o caso do triplex no Guarujá e a posterior soltura do petista, ao que Milei respondeu: “E então?…”.

Em seguida, o apresentador perguntou se “isso pode mudar o rumo das eleições no Brasil”.

A princípio… esperemos que sim. Esperemos que o Brasil também se pinte de azul pelo bem dos brasileiros. Tirar os corruptos, ladrões, das costas sempre é bom. Tirar os esquerdistas das costas sempre é bom“, comentou Milei.

Na sequência, o presidente da Argentina lembrou que Lula foi “uma das poucas pessoas” que não o parabenizaram quando venceu as eleições.

Na ocasião, Lula parabenizou as instituições argentinas e a população, desejando “boa sorte e êxito ao novo governo”, sem citar o nome de Milei.

Imagino que tenha a ver com isso de que interveio ativamente para que o outro candidato ganhasse as eleições”, acusou o líder argentino.

Javier Milei também alegou que um “grupo de assessores brasileiros do Lula” também “armou” uma campanha negativa contra ele.

Conforme apurou a CNN à época, uma equipe de marqueteiros do PT (Partido dos Trabalhadores) atuou na campanha do então candidato governista Sergio Massa na reta final das eleições presidenciais da Argentina, em 2023.

O grupo de 20 publicitários brasileiros era ligado a Sidônio Palmeira, atual ministro-chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social) do Brasil, que foi sondado pelo próprio presidente Lula para ajudar na campanha de Massa. A equipe atuou junto ao time de argentinos no desenvolvimento de estratégias de comunicação e marketing.

Trump afirma que EUA e Irã negociam e alerta para ‘última oportunidade’

Donald Trump, presidente dos EUA/Mandel Ngan/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que os Estados Unidos negociam “neste momento” com o Irã, e que essas conversas são “a última oportunidade antes da decapitação” da república islâmica.

Washington e Teerã estão em guerra desde 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram de surpresa o Irã, mas tem havido períodos de relativa calma graças a esforços diplomáticos intermitentes.

Trump disse na Casa Branca que aceitou negociar “a pedido do Irã” e “com o apoio” de Arábia Saudita, Emirados Árabes, Catar e outros países. “Esta é a última oportunidade que têm para assinar um bom documento. Quero dar a eles até a última oportunidade antes da decapitação.”

Segundo Trump, os diálogos se concentram na reabertura do Estreito de Ormuz, o que, para ele, poderia ocorrer amanhã, e na desnuclearização do Irã, o que ele disse que “poderia demorar um pouco”.

Antes, o Ministério das Relações Exteriores iraniano negou que estivesse em contato com Washington, mas o presidente americano insistiu em que sim. Na rede Truth Social, ele criticou o que chamou de “hipocrisia incrível” dos líderes iranianos: “Pedem uma reunião, as conversas começam, outras são planejadas para um futuro próximo, e dizem publicamente, e com orgulho, que não estão em nenhuma negociação.”

No sexto mês de guerra, o Irã continua sendo capaz de lançar mísseis e drones contra alvos americanos e aliados dos Estados Unidos na região, e mantém suas reservas de urânio enriquecido.

No que se tornou um padrão recorrente, na semana passada o presidente americano ameaçou bombardear o Irã, antes de voltar atrás repentinamente e assegurar, ontem, que as negociações com Teerã seriam retomadas nesta segunda-feira.

Situação em Ormuz

A resposta do Irã veio por meio da sua chancelaria: “Não estamos negociando neste momento com os Estados Unidos. Estamos negociando com Omã, para garantir uma passagem segura pelo Estreito de Ormuz“, uma via que se tornou um grande obstáculo para o fim da guerra.

Desde que o cessar-fogo foi rompido, o Irã retomou o bloqueio desta via marítima, imposto pela primeira vez no início do conflito, obstruindo a passagem para as embarcações que tentavam cruzá-la e atirou contra navios comerciais.

A agência marítima britânica UKMTO informou na madrugada desta terça-feira (4) que um projétil de origem desconhecida havia atingido um navio de carga no Estreito, sem mencionar possíveis feridos ou danos.

A 1h GMT, o preço do barril do petróleo WTI subia 0,52%, aos 80,76 dólares, e o do Brent avançava 0,53%, aos 84,21 dólares.

‘Desnuclearização’

Trump afirmou hoje que o Estreito estava “sob o controle total” da Marinha de seu país, e alertou que o bloqueio americano aos portos iranianos só será levantado em caso de acordo ou “capitulação total”.

As potências ocidentais acusam o Irã de querer desenvolver a bomba atômica, embora Teerã insista em que seu programa nuclear tem um caráter totalmente civil. Trump reiterou hoje que “a desnuclearização do Irã tem que acontecer“.

Segundo a imprensa americana, Washington considerava realizar novos bombardeios em larga escala durante o fim de semana, principalmente contra a infraestrutura de energia. Trump disse ter desistido da nova ofensiva a pedido de Arábia Saudita, Emirados Árabes, Catar e do próprio Irã, o que Teerã chamou de “nova mentira” do presidente americano.

Governo dos EUA orienta cidadãos americanos a deixarem o Oriente Médio

O Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiu um alerta geral neste sábado (1º) para cidadãos americanos no Oriente Médio com recomendações para que deixem a região ou “estejam preparados para partir“, caso haja uma piora na guerra.

O novo alerta de viagem surge no momento em que Washington avalia realizar novos ataques contra o Irã já neste fim de semana, segundo autoridades americanas, e enquanto Teerã ameaça novos ataques a países que abrigam bases militares dos EUA.

O Departamento de Estado também reiterou os avisos de que as pessoas na região devem “exercer cautela e manter um nível elevado de vigilância, além de estarem preparadas para cancelamentos de voos, fechamentos periódicos do espaço aéreo e possíveis interrupções nas viagens”.

Cidadãos americanos que planejam viajar para o Oriente Médio devem reconsiderar seriamente a decisão, segundo o comunicado.

Kuwait intercepta ataques de drones

As forças armadas do Kuwait interceptaram ameaças de drones em seu espaço aéreo na madrugada deste sábado (1º), informou um porta-voz do Ministério da Defesa do país.

Os ataques, descritos pelas autoridades do Kuwait como uma “agressão iraniana”, atingiram uma instalação governamental no norte do país, bem como veículos civis, disse o porta-voz em um comunicado.

Não há relatos de vítimas, mas os ataques causaram danos materiais devido à queda de destroços, acrescentou a nota.

Argentina expulsará estrangeiros que divulgarem mensagens de ódio contra o país e seus cidadãos

Presidente da Argentina, Javier Milei/LUIS ROBAYO / AFP

O presidente da Argentina, Javier Milei, assinou um decreto pelo qual não será permitida a entrada, ou serão expulsos, os cidadãos estrangeiros que divulgarem mensagens de ódio ou incitem à violência contra o país e os argentinos devido “às recentes manifestações de hostilidade“.

Quem atacar a República Argentina não é bem-vindo em nosso país”, diz o comunicado, no qual se explica que será expulso ou terá sua entrada no território proibida “todo estrangeiro que dirigir ou incitar mensagens de ódio, discriminação e/ou violência contra o povo argentino ou seus cidadãos em razão de sua nacionalidade, bem como quem desrespeitar os símbolos pátrios“.

Diante das recentes manifestações de hostilidade contra a República Argentina e os argentinos, o Governo Nacional reafirma que a defesa da nação, de seus cidadãos e de seus símbolos não é negociável“, destaca o comunicado divulgado nas últimas horas pela Presidência.

Há alguns dias, Milei denunciou uma suposta campanha contra o país financiada – segundo ele, sem apresentar qualquer tipo de prova – por certos setores do Brasil e do México, e até mesmo pelo Partido Democrata dos Estados Unidos, que se intensificou durante a realização da última Copa do Mundo de futebol.

Congresso paraguaio repudia fala de Lula sobre guerra do Paraguai

O Congresso paraguaio emitiu uma declaração oficial na quarta-feira (29) repudiando a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a guerra no Paraguai.

O documento afirma que a declaração do petista “distorce e minimiza a dimensão histórica da Guerra da Tríplice Aliança”.

Durante um evento em Jacareí (SP), na sexta-feira (24), Lula declarou que o Paraguai invadiu o Brasil e outros países da América Latina.

[…] A gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil, invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina e aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos“, disse o petista.

O texto paraguaio afirma que sua defesa da história não impede o fortalecimento das relações com o Brasil. “Defender a verdade histórica é compatível com o fortalecimento das relações entre os dois países, desde que haja respeito recíproco e reconhecimento dos fatos que marcaram a história de ambos os povos“, diz um dos trechos.

A CNN Brasil entrou em contato com o Palácio do Planalto e aguarda um posicionamento.