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Lula conversa com Trump e pede mudanças em Conselho da Paz

Presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente brasileiro, Lula/SAUL LOEB/AFP e Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula conversou por telefone, na manhã desta segunda-feira (26), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na conversa, Lula sugeriu que Trump incluísse um assento para a Palestina no Conselho da Paz, colegiado idealizado, criado e presidido pelo estadunidense. Além disso, Lula sugeriu que o conselho se limitasse a discutir as questões relacionadas à Faixa de Gaza.

O teor da conversa entre os presidentes foi divulgado pelo Palácio do Planalto, em nota. Segundo o Planalto, o presidente brasileiro também reforçou a importância de uma reforma abrangente na Organização das Nações Unidas (ONU), ampliando o número de membros permanentes do Conselho de Segurança.

Lula foi um dos líderes convidados a ocupar um assento no conselho, mas ainda não respondeu ao convite. Na semana passada, em um evento em Salvador, ele chegou a criticar a proposta de criação do Conselho da Paz. Para o presidente brasileiro, Trump quer criar uma nova ONU para ser o dono.

Ucrânia diz que acordo de segurança com os EUA esta finalizado e pronto para assinar

Volodymyr Zelensky, Presidente da Ucrânia / Ludovic MARIN / POOL / AFP)

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky informou que o documento dos Estados Unidos sobre garantias de segurança para a Ucrânia está totalmente pronto e que agora aguarda apenas a definição para a sua assinatura. O documento detalha compromissos que vão desde o suporte militar imediato até a defesa ativa contra futuras ofensivas.

“Para nós, as garantias de segurança são, antes de mais, garantias de segurança dos Estados Unidos. O documento está 100% pronto e aguardamos a confirmação dos nossos parceiros sobre a data e o local da assinatura. O documento será depois enviado para ratificação ao Congresso dos EUA e ao parlamento ucraniano. Sem estas salvaguardas, não haverá estabilidade duradoura para Kiev”, disse Zelensky.

Em contrapartida, o ex-embaixador da Ucrânia nos EUA e na França, Oleh Shamshur, considera que a falta de informações sobre o formato final das garantias de segurança da Casa Branca para a Ucrânia não é acidental, uma vez que os acordos propostos carecem de força real e são incapazes de dissuadir a Rússia.

“Não estou absolutamente convencido das questões que agora estão supostamente 100% acordadas. Elas não convencem a esmagadora maioria dos ucranianos, porque todas estas garantias são meramente no papel. Trata-se de um tigre de papel que não assustará Putin. E não é por acaso que não sabemos qual será a forma final com que essas garantias serão assinadas. Acredito que não sabemos nada precisamente porque essas são as garantias que já conhecemos e elas não são garantias reais”, indicou o diplomata.

Ao menos 80 presos políticos são libertados na Venezuela neste domingo (25), diz ONG

Instalação e prisão pertencente ao governo venezuelano e usada para prisioneiros comuns e políticos do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) /RONALDO SCHEMIDT / AFP

Pelo menos 80 presos políticos foram libertados neste domingo(25) na Venezuela, onde um processo de soltura de detidos avança a conta-gotas sob pressão de Washington, informou a ONG Foro Penal.

O governo de Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro, prometeu um “número importante” de libertações.

A oposição e ONGs defensoras de direitos humanos denunciam, no entanto, a lentidão no processo. Familiares aguardam do lado de fora dos presídios e passam a noite ao relento na esperança de ver seus entes queridos saírem das celas.

“Pelo menos 80 presos políticos que estamos verificando foram libertados hoje em todo o país. É provável que ocorram mais solturas”, escreveu o diretor do Foro Penal, Alfredo Romero, na rede social X.

O advogado Gonzalo Himiob, também do Foro Penal, afirmou que as libertações ocorreram durante a madrugada. “Esse número ainda não é definitivo e pode aumentar à medida que fizermos mais verificações”, acrescentou no X.

O governo venezuelano contabiliza 626 libertações desde dezembro, número que o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos pedirá para verificar, disse Rodríguez na sexta-feira.

O total oficial contrasta com relatórios de ONGs. O Foro Penal contabiliza cerca da metade no mesmo período.

Essa ONG e outras organizações de direitos humanos estimam que a Venezuela tenha entre 800 e 1.200 presos políticos.

Trump ameaça Canadá com tarifas de 100% caso faça acordo comercial com a China

Presidente dos EUA, Donald Trump/MANDEL NGAN / AFP

O presidente americano, Donald Trump, ameaçou neste sábado (24) impor “tarifas de 100%” sobre as importações canadenses para os Estados Unidos caso um acordo comercial entre Canadá e China seja finalizado, após um pacto preliminar anunciado na semana passada entre Ottawa e Pequim.

As relações entre os Estados Unidos e seu vizinho do norte têm sido turbulentas desde que Trump retornou à Casa Branca há um ano, marcadas por disputas comerciais e pela intenção declarada do presidente de anexar o Canadá como “o 51º estado” dos Estados Unidos.

Durante uma visita a Pequim na semana passada, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, celebrou uma “nova parceria estratégica” com a China, que resultou em um “acordo comercial preliminar, mas histórico” para reduzir as tarifas.

Neste sábado, Trump alertou para sérias consequências caso esse acordo se concretize.

Se Carney “pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de descarga’ para a China enviar mercadorias e produtos para os Estados Unidos, está muito enganado”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

“Se o Canadá fechar um acordo com a China, estará imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”, alertou.

Os dois líderes afiaram suas armas retóricas nos últimos dias, começando com o discurso de Carney na terça-feira no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, onde ele recebeu uma ovação de pé por sua avaliação franca de um “colapso” na ordem global liderada pelos EUA.

Seu comentário foi visto como uma referência à influência disruptiva de Trump nos assuntos internacionais, embora Carney não tenha mencionado o presidente americano.

Trump respondeu a Carney um dia depois, em seu próprio discurso em Davos. Ele então retirou o convite feito ao primeiro-ministro canadense para se juntar ao seu “Conselho da Paz”, o órgão através do qual o americano busca resolver conflitos globais.

Segunda reunião trilateral entre EUA, Ucrânia e Rússia termina sem resolução sobre guerra

Representantes de Ucrânia, Rússia e Estados Unidos se reúnem em Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos, no dia 24 de janeiro de 2026 para discutir o fim da guerra — Foto: Governo dos Emirados Árabes Unidos/Reuters

A segunda rodada de conversas trilaterais entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia terminou neste sábado (24), em Abu Dhabi, sem acordo concreto para o fim do conflito, mas com a expectativa de continuidade das negociações.

Em sua conta oficial no X, o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky classificou as conversas como “construtivas”. O mesmo termo foi utilizado por fontes dentro do governo dos Emirados Árabes Unidos à AFP (Agence France-Presse).

“Este foi o primeiro encontro dentro desse formato em bastante tempo: dois dias de reuniões trilaterais. Muitos temas foram discutidos, e é importante que as conversas tenham sido construtivas. O foco central das discussões foi os possíveis parâmetros para o fim da guerra. Valorizo muito a compreensão da necessidade de monitoramento e supervisão dos Estados Unidos no processo de encerramento da guerra e de garantia de uma segurança real”, disse Zelensky.

Antes mesmo do primeiro dia de conversas, o presidente ucraniano já havia dito que a questão territorial — incluindo a possível concessão da região ucraniana do Donbass — seria o ponto central das negociações.

Ainda segundo Zelensky, uma nova rodada de conversas deverá começar já na próxima semana, informação também compartilhada por fontes à AFP.

“Os representantes militares identificaram uma lista de temas para uma possível próxima reunião. Havendo disposição para avançar — e a Ucrânia está pronta — novas reuniões ocorrerão, possivelmente já na próxima semana. Espero um briefing pessoal da delegação assim que retornar”, completa o presidente ucraniano.

A delegação ucraniana estava representada pelo Ministro da Defesa, Rustem Umerov, o líder do governo no parlamento ucraniano, o vice-chanceler ucraniano e militares de alta patente.

Do lado americano, participaram Steve Witkoff, Jared Kushner, Dan Driscoll, Alexus Grynkewich e Josh Gruenbaum. O lado russo, por sua vez, estava representado por integrantes da inteligência militar e das forças armadas.

Chavistas vão às ruas de Caracas para pedir libertação de Maduro

Manifestação em Caracas (PEDRO MATTEY / AFP)

Milhares de apoiadores de Nicolás Maduro marcharam nesta sexta-feira (23) em Caracas pela libertação do presidente deposto, justamente no dia em que se comemoram 68 anos da queda da ditadura militar na Venezuela.

Forças americanas capturaram Maduro e a esposa, Cilia Flores, em uma operação militar em 3 de janeiro. Delcy Rodríguez, que era sua vice-presidente, governa desde então de forma interina, sob fortes pressões de Washington.

O chavismo tem mobilizado suas bases quase todos os dias na capital. Nesta sexta-feira, 23 de janeiro, saiu às ruas em comemoração à queda da ditadura militar de Marcos Pérez Jiménez, em 1958, e com a reivindicação persistente de ver livres Maduro e a esposa, que enfrentam um julgamento por narcotráfico em Nova York.

“Nós os queremos de volta”, lia-se em uma faixa gigante estendida perto da Praça O’Leary, no coração de Caracas, onde foi montado um palanque e se concentravam várias centenas de manifestantes, muitos com guarda-chuvas e capas de chuva para se proteger do tempo.

Ao som de música, Marlene Blanco compareceu para celebrar “mais um aniversário da derrubada de Pérez Jiménez” e, ao mesmo tempo, pedir a liberdade de Maduro e Flores.

A captura deles “foi algo ilegal, algo injusto”, reclamou.

“Nosso maior triunfo nestes dias será trazer de volta o presidente Maduro e Cilia”, disse à televisão estatal o poderoso ministro do Interior, Diosdado Cabello, cercado por manifestantes.

Janeth Estancio aguarda esse momento com esperança. “O dia em que eles nos devolverem [Maduro] será uma grande festa nacional”, prevê essa funcionária da prefeitura de Caracas, de 57 anos.

Enquanto isso, a presidente interina deu uma guinada na relação com Washington, com acordos petrolíferos e a libertação de presos políticos. O presidente Donald Trump chegou inclusive a convidar Rodríguez para uma reunião na Casa Branca, em data ainda a ser definida.

Blanco considera que Rodríguez, que assumiu totalmente as rédeas do governo, tem uma “tarefa muito difícil”.

“Mas ela soube cumpri-la porque [Maduro e ela] são da mesma escola, ela também luta pela nossa revolução”, assegura a contadora de 65 anos.

Cabello reafirmou na marcha que Delcy Rodríguez “tem todo o apoio do partido” no poder “para seguir avançando”.

“Trump quer criar nova ONU”, diz Lula sobre Conselho de Paz

Presidente dos EUA, Donald Trump e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva/AFP e Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (23) que a política mundial atravessa um momento crítico, “com o multilateralismo sendo jogado fora pelo unilateralismo”. Durante o encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador, Lula disse que a carta da Organização das Nações Unidas (ONU) está sendo rasgada e criticou a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criação de um Conselho de Paz. Para o presidente brasileiro, Trump quer criar uma nova ONU para ser o dono.

“Está prevalecendo a lei do mais forte, a carta da ONU está sendo rasgada e, em vez de a gente corrigir a ONU, que a gente reivindica desde que fui presidente em 2003, reforma da ONU com entrada de novos países [como membros permanentes no Conselho de Segurança], com a entrada de México, do Brasil, de países africanos… E o que está acontecendo: o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, em que ele sozinho é o dono da ONU”, afirmou Lula.

O presidente dos Estados Unidos convidou Lula para compor conselho da Paz, que será criado para supervisionar o trabalho de um Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês).

Lula disse ainda que está telefonando para vários líderes mundiais para discutir o tema, entre eles o presidente da China, Xi Jinping; da Rússia, Vladimir Putin; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; e a presidenta do México, Claudia Sheinbaum.

“Estou conversando para fazer com que seja possível a gente encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado para o chão e que predomine a força da arma, da intolerância de qualquer país do mundo”, pontuou.

O presidente voltou a criticar a ação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada e primeira-dama, deputada Cilia Flores.

“Eu fico toda a noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no mar do Caribe, ele sabia que todo dia tinha ameaça. Os caras entraram na Venezuela, entraram no forte e levaram o Maduro embora e ninguém soube que o Maduro foi embora. Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América no Sul. A América do sul é um território de paz, a gente não tem bomba atômica”, disse.

Citando os Estados Unidos, Cuba, a Rússia e a China, como exemplos, Lula disse ainda que o Brasil não tem preferência de relação com qualquer país, mas que não vai aceitar “voltar a ser colônia para alguém mandar na gente”.

O presidente também criticou a postura de Trump, que, segundo ele, toda vez que aparece na televisão se gaba de ter o exército e as armas mais poderosas do mundo. Lula disse querer fazer política na paz, no diálogo e não aceitando imposição de qualquer país.

“Eu não quero fazer guerra armada com os Estados Unidos, não quero fazer guerra armada com a Rússia, nem com o Uruguai, nem com a Bolívia. Quero fazer guerra com o poder do convencimento, com argumento, com narrativas, mostrando que a democracia é imbatível; que a gente não quer se impor aos outros, mas compartilhar aquilo que a gente tem de bom”, defendeu. “Não queremos mais Guerra Fria, não queremos mais Gaza”, completou.

Cúpula extraordinária da União Europeia avalia situação com os EUA

Conselho Europeu/FREDERICK FLORIN/AFP

Os líderes da União Europeia se reúnem hoje para analisar os avanços e recuos do presidente dos Estados Unidos Donald Trump em relação à Groenlândia. Considerando a ainda frágil confiança transatlântica, a reunião da UE deve determinar agora a posição dos líderes europeus diante da crise com os EUA.

“Quando a Europa não está dividida, quando se mantém unida, quando é clara e firme, incluindo na vontade para se defender, os resultados aparecem. Acho que aprendemos algo nos últimos dias e semanas e agora claro que queremos encontrar uma solução sobre a Groenlândia”, apontou Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca na chegada à reunião extraordinária do Conselho Europeu, em Bruxelas.

Frederiksen também destacou que pediu à OTAN para estar mais presente no Ártico, considerando que é uma vontade compartilhada por todos os membros da Aliança, e defendeu que é importante haver uma presença permanente na região, incluindo à volta da Groenlândia. “Queremos reforçar a segurança no Ártico através de iniciativas importantes, incluindo uma missão mais permanente da OTAN na Groenlândia e uma maior presença militar e mais manobras. Vamos discutir numa maneira mais tradicional, política e diplomática com os Estados Unidos, no âmbito da nossa relação bilateral. Acho que é claro para todos que nós somos um Estado soberano e isso não é negociável, porque é uma parte básica dos valores democráticos, mas claro que podemos discutir com os EUA como é que podemos reforçar a nossa cooperação em termos de segurança na região do Ártico”, disse.

Em Davos, Trump declarou que não usará a força para tomar a ilha ártica, anunciou também um projeto de acordo alcançado com Mark Rutte, secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) sobre a Groenlândia, e que não serão aplicadas as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro contra oito países europeus. Trump parece ter recuado no tom, mas ainda mantém o discurso de coerção.

Mas, Frederiksen já se pronunciou sobre se cederia alguma parte do território da Groenlândia aos EUA para a ampliação de bases militares. “A soberania da Dinamarca não pode ser questionada. Isso não pode ser alterado. Estamos disponíveis para trabalhar juntos sobre segurança, como sempre fizemos, mas as nossas linhas vermelhas são que os nossos valores democráticos não podem ser questionados”, indicou.

Por sua vez, o primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, garantiu desconhecer o que Trump e Rutte decidiram no projeto de acordo da ilha autônoma dinamarquesa. “Ninguém além da Groenlândia e da Dinamarca tem autoridade para fazer acordos sobre a ilha e o Reino da Dinamarca”, reiterou.

Enquanto isso, o Parlamento europeu suspendeu na quarta-feira (21), por tempo indeterminado, o processo de ratificação do acordo comercial que havia sido estabelecido entre a União Europeia e os Estados Unidos. O presidente da comissão de comércio do Parlamento Europeu, Bernd Lange, afirmou que não haverá qualquer avanço enquanto persistirem ameaças à Groenlândia.

Delcy Rodríguez anuncia primeiro repasse de US$ 300 milhões pela venda de petróleo aos EUA

Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez/FEDERICO PARRA / AFP

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, informou nesta terça-feira (20) a entrada dos primeiros 300 milhões de dólares (R$ 1,6 bilhões) provenientes da venda de petróleo venezuelano por parte dos Estados Unidos, destinados a tentar estabilizar o mercado cambial.

Os Estados Unidos atacaram a Venezuela em 3 de janeiro passado e derrubaram Nicolás Maduro, que agora enfrenta a Justiça nos Estados Unidos sob acusações de narcotráfico. Desde então, Washington controla a venda do petróleo venezuelano e acordou uma primeira liberação do valor arrecadado de 500 milhões de dólares, depositados em um fundo no Catar.

“Entraram, como resultado da venda do petróleo, 300 milhões dos 500 milhões de dólares [totais]. Eles irão para financiar a renda dos trabalhadores e proteger o poder de compra [dos venezuelanos] da inflação, proteger do impacto negativo das oscilações no mercado cambial”, disse Rodríguez em um pronunciamento transmitido pelo canal estatal VTV.

Os recursos serão transferidos para um punhado de bancos venezuelanos, que os destinarão a empresas de setores essenciais. A injeção busca compensar um mercado cambial que ficou por meses desprovido de divisas e estabilizar o preço do dólar em uma economia altamente dolarizada.

“Esses primeiros recursos serão utilizados por meio do sistema bancário nacional e do Banco Central da Venezuela justamente para estabilizar o mercado cambial”, acrescentou Rodríguez.

A economia venezuelana tem apresentado uma forte instabilidade cambial, que levou o preço do dólar paralelo a ficar até 100% acima da taxa de câmbio oficial.

Parlamento venezuelano anuncia ampla reforma legislativa após queda de Maduro

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez (FEDERICO PARRA/AFP)

O Parlamento venezuelano anunciou nesta terça-feira (20) uma ampla reforma da legislação, em um novo contexto político após a deposição forçada de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

O chavismo controla a Assembleia Nacional. Seu presidente, Jorge Rodríguez, explicou que a proposta inclui a criação e a reforma de 29 leis.

A agenda inclui mudanças da Lei de Hidrocarbonetos para incentivar o investimento estrangeiro no setor petrolífero venezuelano, crucial na agenda do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a Venezuela pós-Maduro.

Trump determinou a captura de Maduro em uma incursão na Venezuela que incluiu o bombardeio de Caracas e outras regiões. Anunciou após a queda que controlaria a comercialização do petróleo e incentivaria o retorno de grandes petroleiras americanas.

“É preciso que esse investimento estrangeiro seja protegido e rentável”, disse Rodríguez. “Que se mantenha de forma clara o relacionado a impostos e royalties.”

O presidente da Assembleia não adiantou detalhes da reforma, apenas que estará inspirada na chamada lei antibloqueio, um instrumento legal de 2020 que permitiu investimentos sob um véu de hermetismo para evitar as sanções que os Estados Unidos impuseram um ano antes.

Sua irmã, Delcy Rodríguez, que assumiu o poder interinamente com uma aproximação de Washington, propõe de seu gabinete 12 reformas legislativas.

Muitas dessas leis já foram modificadas durante os 27 anos da chamada Revolução Bolivariana, nos quais foi estabelecido um rígido controle da economia e um aumento da pressão tributária sobre o setor privado que levou a anos de recessão.

“É nossa obrigação colaborar para a construção de uma economia forte e à prova de obstáculos, é nossa obrigação construir uma forma de prosperidade humanista”, indicou Jorge Rodríguez aos deputados. “De nada serve construir uma economia forte ou ter um aumento da atividade econômica para que alguns poucos sejam favorecidos.”

Trump diz que Lula terá um grande papel no Conselho de Paz de Gaza: “Eu gosto dele”

Presidente dos EUA, Donald Trump e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva/AFP e Ricardo Stuckert/PR

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira, 20, que o Conselho de Paz criado por ele para a Faixa de Gaza pode eventualmente substituir as Nações Unidas.

Ainda segundo Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi convidado para o Conselho, terá um “grande papel” na entidade.

“Eu gosto dele”, disse Trump, durante uma entrevista coletiva sobre seu primeiro ano de mandato.

Trump disse ainda que o líder russo, Vladimir Putin, pode ter um papel muito grande no Conselho de Paz.

O governo brasileiro confirmou o convite, mas diz que Lula prefere avaliar as condições geopolíticas envolvendo o papel da entidade antes de tomar uma decisão.

O Conselho, anunciado na sexta-feira, terá um grupo de países permanentes, e, para ter acesso a esse assento, será preciso pagar uma taxa de US$ 1 bilhão, segundo o convite enviado pelo governo Trump.

Groenlândia não descarta intervenção militar americana e pede que população esteja preparada

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen/ Jonathan Nackstrand / AFP

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse nesta terça-feira, 20, que uma invasão americana é improvável, mas não pode ser descartada. Ele também apelou à população de cerca de 50 mil pessoas do território que pertence à Dinamarca que se prepare para esse cenário.

“Não é provável que a força militar seja usada, mas isso também não está descartado. Portanto, devemos estar preparados para todas as possibilidades”, disse Nielsen. “Enfatizamos que a Groenlândia faz parte da Otan, e, se houver uma escalada, isso também terá consequências para o mundo exterior.”

Nielsen também afirmou que a soberania da Groenlândia não está em discussão. “Se observarmos o setor de defesa, podemos ver que há muitos exercícios de países aliados e que há uma crescente tensão no Ártico. E não há dúvida de que precisamos de uma presença militar maior”, afirmou. “Mas falar sobre a posse da Groenlândia é inaceitável.”

O Pentágono não tem planos prontos para uma possível tomada militar da Groenlândia, disseram duas fontes do Departamento de Defesa. Eles falaram sob condição de anonimato para discutir assuntos operacionais.

Quando questionado em uma entrevista à NBC na segunda-feira se usaria a força para tomar a Groenlândia, Trump não descartou a possibilidade.

Embora os funcionários do Pentágono preparem-se para todos os tipos de contingências militares, eles ainda não receberam ordens para planejar uma invasão da Groenlândia ou as consequências de tal operação, disseram os funcionários.

União Europeia promete ‘resposta firme’ às ameaças de Trump sobre a Groenlândia

Macron acusou os EUA de quererem

A União Europeia prometeu, nesta terça-feira (20), dar uma resposta “firme” às ameaças do presidente americano, Donald Trump, sobre a Groenlândia, antes de uma reunião em Davos acerca do futuro deste território autônomo da Dinamarca no Ártico.

Desde que retornou à Casa Branca, há exatamente um ano, Trump argumenta que “precisa” desta ilha rica em minerais e terras raras por motivos de segurança nacional e para evitar que Rússia e China imponham sua hegemonia no Ártico.

Oito países europeus manifestaram sua firme oposição a este plano expansionista e enviaram uma missão militar de exploração à ilha na semana passada. Todos são membros da Otan, entre eles Reino Unido, Alemanha e França, as principais economias do continente.

Trump reagiu, ameaçando-os com tarifas caso se oponham ao seu plano.

Em seu discurso no Fórum Econômico Mundial, na estação de esqui suíça de Davos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou que Trump poderia acabar mergulhando as relações entre a União Europeia e os Estados Unidos em uma “espiral descendente”.

“As tarifas propostas são um erro, especialmente entre aliados de longa data”, disse Von der Leyen.

“Entrar em uma espiral descendente só ajudará os adversários que ambos estamos determinados a manter fora do cenário estratégico. Portanto, nossa resposta será firme, unida e proporcional”, observou ela.

O presidente francês, Emmanuel Macron, que também está em Davos, instou a UE a “usar” suas ferramentas comerciais para responder e acusou os Estados Unidos de quererem “enfraquecer e subordinar a Europa”.

Embora Macron tivesse proposto a Trump realizar uma cúpula do G7 na próxima quinta-feira, em Paris, o presidente francês disse depois que o evento não está agendado.

Em meio às tensões, o Parlamento Europeu decidiu suspender o processo de ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos, segundo confirmaram seus principais grupos políticos nesta terça-feira.

Presidente da Bulgária anuncia sua demissão

Presidente da Bulgária, Rumen Radev/NIKOLAY DOYCHINOV / AFP

O presidente da Bulgária, Rumen Radev, anunciou hoje a sua demissão e irá apresentá-la amanhã ao Tribunal Constitucional.

A declaração oficial à nação ocorre depois de nove anos que Radev ocupa o cargo, tendo sido eleito presidente em 2016 e novamente em 2021. Além de acontecer num momento também em que o país se encontra sem governo, após a demissão do executivo em dezembro do ano passado, após uma onda de contestação popular desencadeada pela introdução da moeda do euro.

“Hoje, me dirijo a vocês pela última vez como presidente. Em primeiro lugar, gostaria de pedir perdão pelo que não consegui fazer. Mas é precisamente a minha convicção de que o conseguiremos que é um dos principais motivos desta decisão”, discursou Radev pela televisão estatal búlgara.

A renúncia vem acompanhada de inúmeras especulações generalizadas de que Radev irá formar seu próprio partido político para concorrer nas próximas eleições parlamentares. Ele ainda manifestou ceticismo sobre a recente decisão da Bulgária de aderir ao euro e também expressou opiniões favoráveis a Rússia sobre a guerra na Ucrânia.

Radev deveria ocupar a presidência até janeiro de 2027 e caso a sua demissão seja aprovada pelo Tribunal Constitucional, o cargo será exercido pela vice-presidente Iliana Iotova até as eleições presidenciais, em novembro

Ministro da Defesa da Colômbia visita EUA com agenda sobre narcotráfico

Ministro da Defesa da Colômbia, Pedro Sánchez/Ministerio de Defensa

O ministro da Defesa da Colômbia visita os Estados Unidos nesta terça (13) e quarta-feira para debater a cooperação na luta antidrogas, no momento em que os dois governos aparam arestas após um ano de tensões, informou o Executivo colombiano.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e seu par americano, Donald Trump, baixaram o tom das conversas em um telefonema na semana passada, poucos dias depois da deposição forçada do venezuelano Nicolás Maduro em uma operação militar americana.

A visita do ministro é uma preparação para a de Petro, que se reunirá pela primeira vez com Trump no começo de fevereiro.

O titular de Defesa, Pedro Sánchez, estará em Washington até a quarta-feira, informou um funcionário à AFP.

Sánchez se reunirá com funcionários do Departamento de Defesa, membros do Senado e assessores da Casa Branca para discutir uma estratégia bilateral para “derrotar o narcotráfico” e ampliar a cooperação em “inteligência contra o crime transnacional”, assegurou a pasta em comunicado.

Os Estados Unidos revogaram o visto do presidente Petro e a certificação da Colômbia como aliado no combate às drogas no ano passado, quando as relações entre os dois governos tiveram seus piores momentos.

Mas, depois de uma conversa surpreendente entre os dois presidentes na última quarta-feira, que durou cerca de uma hora, Petro passou de ser um alvo das ameaças de Trump a propor medidas militares conjuntas para enfrentar as guerrilhas e mediar para buscar uma transição pacífica na Venezuela.

Velho aliado do chavismo, Petro condenou a captura de Maduro em 3 de janeiro e foi um dos primeiros a denunciar os bombardeios a Caracas que a antecederam.

Trump disse-lhe, então, que deveria “cuidar do seu traseiro” e sugeriu a possibilidade de lançar uma operação similar em solo colombiano.

O republicano recriminava o presidente de esquerda por não fazer o suficiente para combater o narcotráfico na Colômbia, o maior produtor da cocaína consumida nos Estados Unidos.