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Argentina está em ‘posição mais sadia’ desde que Milei assumiu, diz diretora do FMI

Presidente da Argentina, Javier Milei/Luis ROBAYO/AFP

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, deu um forte apoio ao governo argentino, nesta segunda-feira (27), durante uma visita a Buenos Aires, ao assegurar que o país está “em uma situação mais sadia” desde que Javier Milei assumiu a Presidência, em 2023.

Georgieva destacou um “progresso significativo na estabilidade macroeconômica e financeira desde 2023” na Argentina, o maior devedor do Fundo, durante uma coletiva de imprensa conjunta com o ministro da Economia, Luis Caputo.

A Argentina assinou em 2025 um Acordo de Facilidades Estendidas com o FMI de 20 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 118 bilhões) em quatro anos.

A chefe do FMI saudou a redução da inflação, o superávit fiscal e a melhora na classificação creditícia da Argentina. “Quando temos estabilidade macroeconômica e financeira, o desempenho geral da economia melhora“, afirmou.

Georgieva disse que isso se traduz no dinamismo de setores, como petróleo, gás, mineração e agricultura, embora tenha destacado que o país deve criar novos postos de trabalho formais e aumentar o consumo.

Relação “excelente”

Caputo destacou que “a relação com o Fundo Monetário é excelente, em todos os níveis“. Após a coletiva, Milei recebeu a funcionária na Casa de Governo.

Georgieva pretende viajar na terça-feira para Vaca Muerta, uma enorme jazida de petróleo e gás de xisto, considerada um pilar da autonomia energética e das exportações argentinas, na província de Neuquén, 1.200 km ao sul de Buenos Aires.

Dialogamos sobre manter a estabilidade, impulsionar reformas e criar as condições para um crescimento mais sólido, o investimento e a criação de emprego“, destacou Georgieva no X após a reunião com o ministro da Economia.

Economia de contrastes

A visita de Georgieva ocorre em meio a fortes contrastes na economia argentina, que sob a gestão de Milei atravessa um período de máxima austeridade.

Com a inflação controlada, que deixou de ser de três dígitos para ficar em 33,5% em 12 meses em junho, o ajuste implicou amplos cortes nos gastos públicos. Além disso, o crescimento ainda é fraco (+0,2% em 12 meses), e o consumo interno é ainda mais debilitado.

No entanto, o FMI prevê para a Argentina um crescimento de 3,5% em 2026 e de 4% em 2027.

Ao mesmo tempo, segundo um relatório recente do Banco Central, a inadimplência das famílias argentinas com os bancos triplicou em um ano, chegando a 12,8%, seu nível mais alto em 20 anos.

Neste contexto, dezenas de manifestantes protestaram, nesta segunda-feira, em frente ao Ministério da Economia para dar as “más-vindas” a Georgieva.

Fora ingleses das Malvinas, fora FMI da Argentina“, dizia um dos cartazes exibidos no protesto.

Banco Central na mira

Em maio, o FMI deu luz verde ao desembolso de uma parcela de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) no âmbito do acordo com Buenos Aires e suas revisões periódicas.

No começo de julho, o FMI comemorou a intenção do governo de reformar o Banco Central.

Na véspera da visita de Georgieva, Milei detalhou seu projeto de reforma da instituição emissora, à qual critica com frequência.

As mudanças propostas à carta orgânica do Banco Central, que em breve passarão ao debate parlamentar, estabelecerão que sua missão fundamental “volta a ser a de preservar o valor da moeda“, escreveu o presidente argentino em uma coluna no jornal Clarín.

O governo também promove que o Banco Central não possa financiar o Estado e uma blindagem de suas autoridades para que dificulte as remoções.

“Continuem comprando”

Para o ano que vem, as obrigações da dívida argentina chegam a 24,9 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 127 bilhões, na cotação atual).

Este mês, o ministro da Economia assegurou que conta com os fundos para cumprir os vencimentos, inclusive no “pior cenário“, ao admitir que as eleições gerais de 2027 podem adicionar incerteza e maior volatilidade aos mercados.

Georgieva descartou que a Argentina tenha dificuldades para cumprir os compromissos assumidos com o organismo e considerou que “não há necessidade de apoio financeiro adicional” para o país sul-americano.

Neste sentido, elogiou a política de reservas do Banco Central. Atualmente, os volumes estão em torno de 49 bilhões de dólares (cerca de R$ 250 bilhões). “Sigam comprando” moeda americana, disse a diretora do FMI.

Após a visita à Argentina, Georgieva viajará para o vizinho Uruguai, onde tem previsto se reunir com o presidente Yamandú Orsi na quinta-feira, segundo o governo uruguaio.

Governo Milei não prevê pedido de desculpa para Lula e Moraes, diz fonte

Governo argentino não pedirá desculpas a Lula por falas de Milei em evento  do PL, diz jornal - Estadão

O governo da Argentina não prevê pedir desculpas pelas palavras de Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que geraram uma crise diplomática com o Brasil.

Uma fonte da Casa Rosada confirmou à CNN Brasil que no momento não há previsão de um pedido de desculpas, como noticiou o jornal argentino La Nación nesta segunda-feira (27).

Apesar da reação diplomática brasileira, chamando o embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli, para consultas e pedindo explicações ao embaixador argentino, Daniel Raimondi, Milei e seu chefe de gabinete, Diego Santilli, voltaram a fazer críticas ao Brasil em entrevistas no domingo (26).

Diego Santilli, chefe de gabinete de Javier Milei, justificou as falas do presidente da Argentina durante a convenção nacional do PL (Partido Liberal) no último sábado (25) e minimizou a crise entre os países.

Não exagerem”, disse o representante do governo Milei sobre a reação brasileira.

A declaração foi feita ao canal La Nación +, no qual Santilli também afirmou que marqueteiros ligados ao PT (Partido dos Trabalhadores) ajudaram a fazer campanha para o então candidato peronista Sérgio Massa contra Javier Milei.

Vieram aqui, fizeram campanha, fizeram de tudo, o gabinete de Lula disse barbaridades sobre o presidente e sobre a Justiça argentina e foram onde quiseram. Então que não venham exagerar”, disse Santilli na entrevista.

Milei, por sua vez, voltou a fazer acusações ao presidente brasileiro. Em entrevista à Rádio Mitre, o presidente argentino alegou que o governo do Brasil financiou uma “campanha anti-argentina” e chamou Luiz Inácio Lula da Silva de “ex-presidiário”.

A crise entre os países foi detonada pelo discurso de Milei na convenção nacional do Partido Liberal no sábado. Na ocasião, o presidente argentino chamou Lula de “presidiário” e o ministro Alexandre de Moraes de “lixo careca”.

Governador de Buenos Aires critica falas de Milei no Brasil: “Vergonha”

O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, criticou neste domingo (26) as declarações do presidente argentino Javier Milei no Brasil.

“Ontem vimos, com vergonha alheia, o presidente Milei ofender e insultar o governo do Brasil, seu presidente e todo um país”, escreveu Axel Kicillof no X. “Da província de Buenos Aires, defendemos que a Argentina respeita as nações irmãs e aposta na integração regional”, acrescentou.

A publicação do governador peronista acompanha uma foto com o presidente Lula. E segue dizendo que Kicillof entrou em contado com o chanceler Mauro Vieira “para transmitir que Milei não representa o sentimento do povo argentino”.

Kicillof destacou ainda que o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e afirmou que Milei “coloca em risco investimentos, exportações, milhares de postos de trabalho e os interesses da Argentina, tudo para apoiar um candidato a pedido de (Donald) Trump”.

O presidente argentino Javier Milei participou neste fim de semana da convenção que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à presidência pelo PL (Partido Liberal). Durante o discurso, de cerca de 30 minutos, ele chamou Lula de “presidiário” e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de “lixo careca”.

As falas de Milei contra Lula e Moraes durante a Convenção Nacional do Partido Liberal levaram o Itamaraty a convocar neste domingo (26) o embaixador em Buenos Aires Julio Bitelli para consultas.

A chamada para consultas de um embaixador significa, na diplomacia, um forte protesto contra as ações de outro Estado. Bitelli deve chegar a Brasília nesta segunda-feira (27) e se reunir com o chanceler Mauro Vieira.

As declarações de Javier Milei também foram alvo de críticas do ex-presidente argentino Alberto Fernández. “Insultar o presidente de um país irmão e principal sócio comercial não tem perdão”, afirmou Fernández, que mantém uma relação próxima com Lula e chegou a visitá-lo na prisão em 2019.

Trump ameaça abrir investigação comercial e impor novas tarifas ‘o mais breve possível’ à UE

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump  /MANDEL NGAN / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta sexta-feira (24) abrir uma investigação comercial contra a União Europeia (UE) e impor novas tarifas ao bloco em resposta às multas aplicadas por Bruxelas contra grandes empresas americanas de tecnologia.

Em publicação na Truth Social, Trump anunciou que o governo iniciará “imediatamente” uma investigação sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA para apurar o que classificou como prática de “roubar” empresas americanas e os contribuintes dos Estados Unidos. Segundo ele, as penalidades impostas pela UE serão “inteiramente revertidas” e Washington pretende aplicar “uma tarifa substancial” ao bloco “o mais breve possível

O presidente citou as multas aplicadas pela Comissão Europeia contra Apple, Meta, Amazon e Google. Sobre esta última, afirmou que a companhia foi alvo de uma nova penalidade de US$ 1 bilhão, elevando o total de multas para mais de US$ 18 bilhões. Na quinta-feira, 23, a Comissão Europeia anunciou multa de 890 milhões de euros ao Google por violação das regras da Lei de Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês).

Trump classificou as sanções europeias como “ilegais” e “altamente antiéticas” e afirmou que elas se intensificaram durante o governo anterior, do democrata Joe Biden. “Os Estados Unidos não são um ‘cofrinho’ da Europa, nem permitiremos que sejam”, escreveu. “Isso não vai continuar durante o governo Trump.”

Nos últimos meses, a Comissão Europeia também abriu ou ampliou investigações contra empresas americanas como Meta, X e TikTok, com base nas regras de concorrência e nas legislações digitais do bloco, como a DMA e a Lei de Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês).

Países da UE chegam a acordo para impor novas sanções à Rússia

Presidente russo, Vladimir Putin/AFP

Os países da União Europeia (UE) chegaram a um acordo na manhã desta quinta-feira (23) em Bruxelas para impor novas sanções à Rússia após semanas de negociações, informaram fontes diplomáticas.

Este 21º pacote de medidas tem como objetivo, entre outras coisas, prorrogar por um ano um mecanismo que limita o preço do petróleo bruto exportado pela Rússia a 44 dólares por barril (R$ 222).

Isso permite reduzir a receita petrolífera da Rússia, que financia grande parte de sua guerra contra a Ucrânia.

Este novo pacote, fruto de semanas de negociações, teve de ser suavizado em relação à proposta inicial de Bruxelas.

Foi necessário adaptá-lo para dissipar as reticências da Grécia em relação ao gás natural liquefeito (GNL). Atenas defendia que a UE autorizasse suas empresas a transportar GNL, desde que para clientes fora da Europa.

Esses transportes de gás para países terceiros serão autorizados excepcionalmente nos contratos celebrados antes de 24 de fevereiro de 2022, quando Moscou iniciou a invasão da Ucrânia.

O pacote também proíbe transações voltadas ao setor financeiro russo, inclui medidas contra as criptomoedas e mira petroleiros da “frota fantasma” usada pela Rússia para transportar, sob bandeiras falsas, energia e outras mercadorias.

Lula manda recado para Trump: “Aqui ninguém diz o que vamos fazer. Brasil não se entrega”

Presidente Luís Inácio Lula da Silva/ Ricardo Stuckert/Divulgação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mandou um recado para o mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, por meio das redes sociais. Na vésperas do tarifaço estadunidense de 25% sobre os produtos brasileiros, Lula afirma que “nada é mais sagrado do que a defesa da soberania nacional”.

Apesar de não citar o tarifaço ou o governo Trump, a referência de Lula é sobre a nova sobretaxa prevista para entrar em vigor nesta quarta-feira (22). “Este país foi criado e construído por brasileiros. Aqui ninguém diz o que vamos fazer”, diz Lula.

Na legenda do post, o presidente ainda diz que ser preciso “fazer com que o povo brasileiro sinta orgulho”. “Aqui nós erramos por nós. Acertamos por nós. E aqui ninguém diz o que vamos fazer. O Brasil não se entrega”, conclui Lula na legenda da postagem.

Tarifas para outros países

Nesta terça (21), os Estados Unidos anunciaram que devem impor novas tarifas para aproximadamente 60 países nos próximos dias. A informação foi dada pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, em entrevista à CNBC.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) iniciou investigações sobre certas práticas comerciais, particularmente aquelas relacionadas ao trabalho solicitado, e os resultados são esperados para esta semana. Essas tarifas visam substituir as tarifas temporárias de 10% impostas pelo presidente Donald Trump após a Suprema Corte ter derrubado as sobretaxas no ano passado.

Andy Burnham substitui Keir Starmer como primeiro-ministro britânico

O primeiro-ministro britânico Keir Starmer/HENRY NICHOLLS/AFP

Andy Burnham, novo líder do Partido Trabalhista, assume nesta segunda-feira (20) as rédeas do poder no Reino Unido, em substituição a Keir Starmer, ao se mudar para a residência oficial do primeiro-ministro em Londres com o objetivo de devolver “esperança” aos britânicos.

Starmer anunciou sua demissão em 22 de junho, menos de dois anos após sua vitória eleitoral, depois dos péssimos resultados nas pesquisas e da derrota sofrida pelo Partido Trabalhista nas eleições regionais e municipais de maio.

O número de deputados trabalhistas que pediam sua renúncia vinha aumentando e sua popularidade nas pesquisas havia despencado devido a vários escândalos e à estagnação da economia.

Os trabalhistas haviam colocado fim a 14 anos de governos conservadores em 4 de julho de 2024, mas Starmer foi incapaz de sustentar a legislatura até 2029.

Burnham, de 56 anos, prefeito da Grande Manchester entre 2017 e 2026, havia alcançado grande popularidade com suas políticas e os trabalhistas o viam como sua melhor aposta para pôr fim às críticas.

Rei do norte

Com Starmer empurrado para a porta de saída, os olhos dos trabalhistas se voltaram para Burnham, conhecido como o “rei do norte”.

Nenhum outro candidato trabalhista se atreveu a fazer-lhe sombra, e ele chegou às eleições internas da semana passada com o apoio de 379 parlamentares do partido, dos 403 que possui na Câmara dos Comuns.

A sucessão de Starmer ocorrerá na manhã desta segunda-feira. Seguindo um ritual, ele fará um breve discurso de despedida em Downing Street, residência e local de trabalho do primeiro-ministro.

Em seguida, Starmer irá ao Palácio de Buckingham para apresentar sua demissão ao rei Charles III. Concluído esse ato protocolar, Burnham se reunirá com o soberano, que lhe encarregará a formação do novo governo.

Depois disso, Burnham chegará por volta das 12h40 GMT (9h40 em Brasília) a Downing Street, para fazer seu primeiro discurso como primeiro-ministro, além de apresentar as grandes linhas da política que pretende aplicar em seus três anos de governo, até 2029.

Starmer não chegou a conquistar as fileiras do trabalhismo e, em dois anos no cargo, seu partido viu como foi perdendo apoio nas pesquisas, enquanto crescia em popularidade o partido anti-imigração Reform UK.

Segundo a equipe do novo primeiro-ministro, Burnham exporá nesta segunda-feira, em suas primeiras palavras como chefe de governo, “suas prioridades”, com o objetivo de “restabelecer a confiança no governo” e “dar um respiro” aos britânicos diante da crise do custo de vida.

O novo governo do Partido Trabalhista poderá ser anunciado na tarde desta segunda-feira.

A principal pergunta que os analistas políticos se fazem é quem ocupará o cargo de ministro das Finanças, em substituição a Rachel Reeves.

Um dos nomes que mais tem sido mencionado é o de Shabana Mahmood, até agora ministra do Interior, um posto em que tem chamado atenção com uma política muito rígida em matéria de imigração.

Indicado de Trump para embaixada no Brasil admite “enorme superavit” dos EUA

Indicado por Trump em 1º de junho para a embaixada no Brasil, Pérez ainda depende da manifestação do governo brasileiro para assumir o posto/Divulgação/Florida House of Representatives

Daniel Pérez, indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para chefiar a embaixada norte-americana no Brasil, afirmou que atuará em defesa de eleições livres e justas no país e reconheceu que os EUA registram um “enorme superavit” na balança comercial com o Brasil.

As declarações foram dadas na quinta-feira (16), durante sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado norte-americano, um dia após o anúncio da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

Durante a audiência, o senador democrata Tim Kaine perguntou se os Estados Unidos exportavam mais para o Brasil do que importavam. “Temos um superavit, senhor“, respondeu Pérez. Ao ser questionado se esse saldo era “enorme“, respondeu: “Sim, senador“.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), os Estados Unidos encerraram o último ano com superavit de aproximadamente US$ 7,5 bilhões (cerca de R$ 38 bilhões) no comércio com o Brasil.

A sobretaxa de 25% foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que justificou a medida como resposta a supostas “práticas comerciais desleais” adotadas pelo Brasil. A cobrança está prevista para entrar em vigor em 22 de julho.

Entre as justificativas apresentadas pela administração Trump estão questionamentos ao Pix, críticas às políticas de combate à corrupção, à proteção da propriedade intelectual, ao acesso ao mercado brasileiro de etanol e ao desmatamento ilegal.

Pérez, que ainda aguarda confirmação para assumir a representação diplomática em Brasília, afirmou que não conhecia em detalhes a decisão do USTR, dizendo que a medida foi anunciada enquanto ele dormia.

Na sabatina, o indicado também apresentou as prioridades que pretende adotar caso seja confirmado no cargo. Segundo ele, sua atuação será voltada à proteção dos cidadãos norte-americanos, “o avanço dos nossos interesses em comércio e investimentos, a construção de parcerias contra crimes transnacionais e tráfico de drogas, apoio às instituições democráticas, à liberdade de imprensa e à liberdade de expressão”.

Indicado por Trump em 1º de junho para a embaixada no Brasil, Pérez ainda depende da conclusão do processo de aprovação e da manifestação do governo brasileiro para assumir o posto.

Ao defender sua indicação perante os senadores, o parlamentar também afirmou: “Apoiarei as instituições democráticas do Brasil e defenderei condições que permitam eleições livres e justas, bem como a liberdade de expressão, pois um Brasil estável e democrático é um parceiro melhor para os Estados Unidos“.

“Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”, diz Rubio

Rubio diz que Lula não negociou com os EUA de "boa-fé" sobre tarifas

O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, se posicionou nesta quinta-feira (16) sobre a nova tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros que entrará em vigor no próximo dia 22 de julho.

Os Estados Unidos oficializaram na noite de quarta-feira (15) a imposição da taxa sobre uma série de produtos brasileiros. A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), comandado pelo embaixador Jamieson Greer, por determinação do presidente Donald Trump, e encerra uma investigação comercial que durou cerca de um ano.

Após o anúncio, em publicação no X, Rubio acusa o governo brasileiro como culpado pelas taxas impostas. “Não haja confusão sobre o motivo: o Presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”.

Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, escreveu Rubio.

Já o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, declarou que “as extensas negociações com o Brasil ao longo do último ano não resolveram essas questões, mas continuamos abertos a prosseguir com as negociações com o Brasil para promover as mudanças há muito necessárias nos problemas identificados nesta investigação“.

Como mostrado pela CNN, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira que o dia 15 de julho “passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável” na relação entre os dois países. Em nota, o Planalto também anunciou que usará instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade contra as novas cobranças impostas por Washington.

Segundo o documento, a tarifa será aplicada às mercadorias importadas ou retiradas de armazéns para consumo a partir da data de vigência. No entanto, haverá uma regra de transição: produtos que já estiverem embarcados antes de 22 de julho poderão ficar livres da sobretaxa, desde que ingressem nos Estados Unidos até 29 de julho.

De acordo com o USTR, a investigação concluiu que medidas brasileiras em seis áreas restringem os negócios de “agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores” americanos; comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais consideradas desleais; enfraquecimento no combate à corrupção; proteção à propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.

A nova tarifa é adicional às alíquotas já existentes. Com isso, um produto que atualmente paga 5% de imposto de importação passará a pagar 30%, somando a tarifa regular aos 25% adicionais.

A sobretaxa é resultado da investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, aberta após o presidente americano Donald Trump anunciar, em julho de 2025, uma ofensiva comercial contra o Brasil.

Empresas pedem para Justiça dos EUA manter ação contra Alexandre de Moraes

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Marcelo Camargo/Agência Brasil

As empresas Rumble e Trump Media afirmaram à Justiça dos Estados Unidos que a Advocacia-Geral da União (AGU) adotou uma posição diferente da defendida anteriormente pelo governo brasileiro para tentar encerrar a ação movida contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, na Flórida.

Em manifestação de 24 páginas apresentada nesta terça-feira (14), último dia do prazo, as companhias pedem que a juíza Mary Stenson Scriven rejeite o pedido da AGU e permita o prosseguimento da ação contra o magistrado.

A petição cita trecho de um ofício enviado ao Departamento de Justiça dos EUA pelo Ministério da Justiça em junho de 2025, afirmando que decisões judiciais brasileiras “operam estritamente” dentro do território brasileiro, não têm “efeito extraterritorial” e devem ser encaminhadas “pelos canais convencionais apropriados“, como o Tratado de Assistência Jurídica Mútua (MLAT) e a Convenção da Haia.

Agora, afirmam Rumble e Trump Media, a AGU sustenta uma tese diferente ao defender que as decisões de Moraes constituem atos soberanos do Estado brasileiro, protegidos por imunidade e, por isso, não poderiam ser analisados pela Justiça americana.

As empresas afirmam que, semanas depois do envio do ofício do Ministério da Justiça, Moraes “contrariou as garantias prestadas pelo próprio Brasil e agiu manifestamente além de sua competência (ultra vires) ao enviar por e-mail outra ordem à Rumble, na Flórida, determinando o bloqueio global da conta de um usuário norte-americano e a remoção de conteúdo considerado lícito nos Estados Unidos“. “Juízes estrangeiros não podem fazer cumprir ordens estrangeiras em solo americano por e-mail e chamar isso de lei“, defendem.

A peça também ressalta que as companhias processaram Alexandre de Moraes em sua capacidade individual e que o reconhecimento de danos buscado é contra o juiz pessoalmente, sem pedido de pagamento vindo do Tesouro brasileiro.

O magistrado é processado por ter determinado remoções de conteúdo e perfis nessas redes sociais e acusado de violar a soberania americana e a Primeira Emenda da Constituição do país, referente à liberdade de expressão. As plataformas alegam que as determinações do ministro contrariam leis americanas relacionadas à atuação de redes e interferem nas atividades comerciais das empresas nos EUA.

Em 7 de julho, a juíza do caso prorrogou por mais uma semana o prazo para que Rumble e Trump Media respondessem ao pedido de extinção da ação apresentado pela AGU. A entrada formal do País no caso foi autorizada pela magistrada em 23 de junho. Na mesma decisão, ela suspendeu a análise do pedido para declarar Moraes à revelia, sem que ele tivesse se manifestado no processo.

Segundo a AGU, a ação é, em última análise, “uma tentativa de ofensa à soberania nacional e à independência do Poder Judiciário brasileiro“. Ao argumentar pelo fim da ação, o Brasil argumenta que ela é movida contra um juiz por decisões que ele proferiu no exercício da função, o que faz do Estado a verdadeira parte interessada no processo.

Governo brasileiro é informado sobre aplicação do tarifaço dos EUA

A leitura dentro do governo é que a decisão tem caráter predominantemente político e está alinhada à estratégia protecionista adotada pela gestão de Donald Trump/Marcelo Carmargo/Agência Brasil

A gestão norte-americana teria informado ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que vai aplicar as novas tarifas de 25% nesta quarta-feira (15). Segundo repassado por uma fonte palaciana ao Correio, embora a medida entre em vigor, a lista de exceções será ampliada.

Um integrante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) sinalizou que a tendência é que, caso o tarifaço seja confirmado, seu alcance seja reduzido e não atinja setores ligados à construção. Os Estados Unidos utilizaram argumentos relacionados à Seção 301 da legislação comercial norte-americana para embasar as novas taxações. A expectativa é que os detalhes da decisão sejam divulgados em breve.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é de que Washington utilizou informações antigas para fundamentar a investigação comercial contra o Brasil, em uma estratégia para fortalecer sua posição nas negociações bilaterais. Integrantes do governo afirmam que o relatório reúne, em grande parte, reclamações históricas de setores empresariais dos Estados Unidos, sem apresentar fatos novos que justificassem a ampliação das barreiras comerciais.

A leitura dentro do governo é que a decisão tem caráter predominantemente político e está alinhada à estratégia protecionista adotada pela gestão de Donald Trump. Apesar disso, a orientação no Palácio do Planalto segue sendo priorizar a via diplomática e manter abertas as negociações para ampliar o número de produtos isentos das tarifas e reduzir os impactos sobre as exportações brasileiras. Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, a ampliação da lista de exceções é vista como um indicativo de que ainda há espaço para negociações entre os dois países.

Governo tem última reunião com EUA e chama tarifaço iminente de “injusto”

Ilustração de uma vaca com as cores da bandeira do Brasil passando por um buraco num muro escrito "tarifaço". Acima a bandeira dos EUA.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve uma última reunião com o USTR (Representante comercial dos Estados Unidos) antes de os norte-americanos definirem se aplicam ou não uma tarifa de 25% contra o Brasil. A decisão será divulgada na quarta-feira (15).

Em nota, o Planalto disse ter defendido que as taxas, que têm como base uma investigação da chamada “seção 301”, são “injustas”. Os auxiliares de Lula também teriam criticado a tarifa de 12,5% que os norte-americanos ameaçam impor ao Brasil e mais 59 países por falta de controle sobre trabalho forçado.

Como já demonstrado pelo governo brasileiro, nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas. Cumprindo a orientação do presidente Lula, reiterou-se que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos vir a formular um acordo bilateral mutuamente adequado“, escreveu.

A equipe com quadros do Palácio do Planalto, do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e do MRE (Ministério das Relações Exteriores) se reuniu remotamente com o chefe do USTR, Jamieson Greer, no final desta tarde. Esse foi o quinto encontro com o auxiliar de Donald Trump.

Como mostrou a CNN Brasil, o governo Lula traça três cenários para a decisão dos Estados Unidos sobre a aplicação de um novo tarifaço contra o Brasil, segundo auxiliares do mandatário.

A um dia da data limite, o cenário considerado mais provável é a aplicação da tarifa com base na investigação “seção 301”. A postura norte-americana nas reuniões do GT (grupo de trabalho) entre os países e o histórico negocial de Trump pesam para esta avaliação.

Os outros dois cenários considerados possíveis – mas menos prováveis – contemplam o adiamento da taxação, de acordo com fontes do governo federal.

Auxiliares de Lula não descartam que os EUA adiem as tarifas e citem a atuação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na decisão, a fim de conferir uma vitória política ao pré-candidato ao Planalto. A hipótese considerada mais remota é de os norte-americanos postergarem as taxas sob o argumento de que é necessário mais tempo para negociar tecnicamente.

A negociação

Uma das principais apostas brasileiras para evitar a taxa foi a apresentação aos norte-americanos de um plano com medidas que o Brasil pode adotar para contornar as investigações da “seção 301”.

O Brasil apresentou as medidas que poderia estabelecer para contemplar preocupações norte-americanas relacionadas a cada um dos seis eixos da investigação, que critica desde corrupção ao controle do desmatamento. O governo, contudo, voltou a dizer que o PIX é inegociável e deixou a ferramenta de fora do documento.

Parte das medidas apresentadas pelo Brasil são textos em tramitação no Congresso Nacional ou medidas infralegais formuladas internamente no Palácio do Planalto, apurou a CNN.

Em reuniões anteriores, segundo fontes próximas ao assunto, o foco foi a discussão tarifária. O Brasil acenou aos norte-americanos com a possibilidade de reduzir taxas para cerca de 300 linhas tarifárias.

Sob as diretrizes da OMC (Organização Mundial do Comércio), o Brasil não poderia baixar tarifas para um único país. Portanto, não poderia fazê-lo somente aos Estados Unidos. A solução encontrada foi acenar com a redução das taxas a vários países, em setores nos quais os Estados Unidos teriam maiores condições de competir e que não prejudicariam a indústria nacional.

Novo tarifaço terá seu “Dia D” em 15 de julho

As negociações do acordo foram lançadas no início do mês, logo depois de o presidente americano, Donald Trump, anunciar que taxaria a importação de aço. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Quarta-feira, dia 15 de julho. A data está bem circulada nos calendários das empresas brasileiras e norte-americanas e entidades empresariais dos dois países como o Dia D das novas tarifas que o governo dos Estados Unidos pretende impor ao Brasil após a conclusão das investigações do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

Na última semana, durante a audiência pública realizada pelo governo Trump e pela USTR, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) e a U.S. Chamber of Commerce (USCC) enviaram uma carta conjunta às autoridades brasileiras e norte-americanas pedindo a continuidade do diálogo para se chegar a uma solução negociada.

As entidades alertam que, se adotadas, as tarifas prejudicarão empresas dos dois países – elemento que parece estar sendo ignorado pelos Estados Unidos. O argumento é reforçado por empresas como Coca-Cola, eBay, Nestlé, Faber-Castell e Tesla, que utilizam insumos importados do Brasil.

Segundo estudo da CNI, entre os 13 produtos suscetíveis à sobretaxa, em 11 o Brasil é o principal fornecedor do mercado norte-americano. Ainda de acordo com a CNI, a nova tarifa de 25% elevará a taxação de cerca de 4 mil produtos brasileiros para 37,5%, pois ela se somará aos 2,5% adotados sob o argumento que o Brasil não reprime o trabalho escravo e à tarifa recíproca de 10% adotada em abril de 2025 e reeditada em fevereiro deste ano.

Escola de Economia Criativa PE empolga ministro

A criação da Escola de Economia Criativa em Pernambuco, idealizada pelo Sebrae/PE em parceria com o Governo do Estado, foi recebida com entusiasmo pelo ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, durante reunião realizada na última terça-feira (8). A iniciativa prevê ações de capacitação voltadas aos empreendedores locais do setor, que apresenta uma das maiores diversidades do país.

Vizinhos Solidário e CazéTV entregam cestas básicas

Uma parceria entre o Instituto Vizinhos Solidários e a CazéTV, transmissora oficial da Copa do Mundo Fifa 2026, foi responsável pel distribuição de 1.300 cestas básicas para famílias ribeirinhas da comunidade de Baldo Rio, em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. A localidade foi uma das mais afetadas pelas fortes chuvas que atingiram o município em março e final de junho.

IA na agenda das empresas familiares de Pernambuco

O Conselho de Lideranças Familiares da Cambridge Family Enterprise Group Recife (CFEG-Recife) coloca, nesta terça-feira (14), a inteligência artificial na pauta das famílias empresárias. A instituição recebe Zeca Branco, diretor da Sauter Digital, que vai apresentar como a IA está transformando a gestão, os processos e a competitividade dos negócios. A iniciativa integra a agenda de desenvolvimento do Conselho, formado por representantes da nova geração de empresas familiares pernambucanas.

Diretor-geral da PF pede respeito à soberania das nações em reunião na ONU

Diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues/Lula Marques/Agência Brasil

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, defendeu na última quarta-feira (8), a cooperação internacional para combater o crime organizado e pediu respeito à soberania das nações. A declaração ocorreu na quinta Cúpula dos Chefes de Polícia das Nações Unidas, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

A UNCOPS 2026 (sigla em inglês para Cúpula dos Chefes de Polícia das Nações Unidas) reuniu ministros, chefes de polícia e representantes de organizações regionais e profissionais de segurança pública. O encontro discutiu o fortalecimento da paz, segurança e desenvolvimento internacional.

O crime não respeita fronteiras, e nenhum país pode combater o crime transnacional sozinho. O Brasil fez da integração internacional uma prioridade e considera que o crime organizado deve ser enfrentado por meio de uma abordagem equilibrada e abrangente, baseada em inteligência, estratégia e cooperação, com respeito ao Estado de Direito, à soberania das nações e aos direitos fundamentais“, disse Andrei Rodrigues, segundo a CNN.

Andrei é um dos brasileiros críticos à classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Ele afirmou que a decisão dos Estados Unidos foi um “equívoco técnico”.

Na semana passada, o governo americano divulgou as primeiras sanções contra brasileiros com base na nova classificação dos grupos criminosos.

Dias depois, a PF deflagrou operação contra os mesmo alvos dos EUA. Na ocasião, Andrei Rodrigues voltou a criticar a decisão e disse que “tecnicamente é um erro grosseiro”.

Exportadores de café defendem nos EUA isenção de tarifas para o produto

Fachada do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos/Reprodução/USTR

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) defendeu na segunda-feira (6) que o governo dos Estados Unidos mantenha a isenção tarifária concedida à maior parte dos produtos de café brasileiros e estenda o benefício ao café solúvel sem adição de aromatizantes.

Em depoimento apresentado durante audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que realiza a investigação comercial da Seção 301 contra o Brasil, o diretor-geral da entidade, Marcos Matos, afirmou que o café brasileiro é “insubstituível” para o mercado norte-americano e alertou que a imposição de tarifas elevaria custos para a indústria e para os consumidores dos Estados Unidos.

Segundo Matos, o Brasil responde por mais de 30% do mercado de café dos Estados Unidos e é o principal fornecedor do país. “Os cafés brasileiros não podem ser substituídos de forma viável“, afirmou. O executivo ressaltou ainda que o Brasil tem uma cadeia produtiva “organizada, eficiente e transparente“, capaz de garantir o abastecimento sustentável da indústria norte-americana.

O principal pleito da entidade é a inclusão do café solúvel sem aromatizantes (HTS 2101.11.21) na lista de produtos isentos das tarifas da Seção 301. De acordo com o depoimento, os Estados Unidos praticamente não produzem esse tipo de café, embora ele seja um insumo essencial para bebidas prontas para consumo (RTD) e cold brew, categorias consumidas diariamente por cerca de 53 milhões de adultos no país. Sem a isenção, argumenta o Cecafé, fabricantes norte-americanos de produtos de maior valor agregado ficam em desvantagem competitiva frente a concorrentes estrangeiros.

A entidade informou ainda que, em 2025, o Brasil exportou perto de 15 milhões de quilos de café solúvel sem aromatizantes para os Estados Unidos, volume equivalente, em média, a mais de 30% das importações norte-americanas desse produto nos últimos cinco anos.