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O que o Pai faz, o Filho o faz também

Cor Litúrgica: Roxo

4ª Semana da Quaresma | Quarta-feira

Naquele tempo, 17 Jesus respondeu aos judeus: “Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho”. 18 Então, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque, além de violar o sábado, chamava Deus o seu Pai, fazendo-se, assim, igual a Deus. 19 Tomando a palavra, Jesus disse aos judeus: “Em verdade, em verdade vos digo, o Filho não pode fazer nada por si mesmo; ele faz apenas o que vê o Pai fazer. O que o Pai faz, o Filho o faz também. 20 O Pai ama o Filho e lhe mostra tudo o que ele mesmo faz. E lhe mostrará obras maiores ainda, de modo que ficareis admirados. 21 Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá a vida, o Filho também dá a vida a quem ele quer. 22 De fato, o Pai não julga ninguém, mas ele deu ao Filho o poder de julgar, 23 para que todos honrem o Filho, assim como honram o Pai. Quem não honra o Filho, também não honra o Pai que o enviou. 24 Em verdade, em verdade vos digo, quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, possui a vida eterna. Não será condenado, pois já passou da morte para a vida. 25 Em verdade, em verdade, eu vos digo: está chegando a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem, viverão. 26 Porque, assim como o Pai possui a vida em si mesmo, do mesmo modo concedeu ao Filho possuir a vida em si mesmo. 27 Além disso, deu-lhe o poder de julgar, pois ele é o Filho do Homem. 28 Não fiqueis admirados com isso, porque vai chegar a hora, em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a voz do Filho e sairão: 29 aqueles que fizeram o bem, ressuscitarão para a vida; e aqueles que praticaram o mal, para a condenação. 30 Eu não posso fazer nada por mim mesmo. Eu julgo conforme o que escuto, e meu julgamento é justo, porque não procuro fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”. (Jo 5,17-30)

Reconhecer em Jesus a pessoa de Deus é enxergar no simples, o infinito. Jesus veio enquanto humano para nos justificar a Deus, fala com autoridade, como quem tem intimidade. Ele apresenta um Deus que está junto do povo, que é misericordioso e amoroso, mudando a imagem que era transmitida até então de um Deus que estava no céu, distante de tudo e de quase todos (apenas os escolhidos, sacerdotes, poderiam viver essa proximidade com Deus), que era um Pai carrasco.

Jesus impõe uma condição apenas para alcançar a Vida Plena: crer n’Ele, pois quem faz isso agirá de acordo com os ensinamentos de Deus, dos quais o próprio Cristo foi exemplo. Os judeus conheciam as Escrituras, sabiam de tudo que aconteceria, porém nem todos foram capazes de reconhecer em Jesus a pessoa do Salvador. Por isso, a compreensão não é suficiente; ela precisa estar embasada na fé e na vivência, que resultam em entrega e amor.

Abramos nossos corações durante esse período quaresmal para que nosso encontro com Cristo seja de conhecimento, mas com amor e fé, deixando-O conduzir nossas vidas. Vivemos o momento de preparação, de espera, mas na certeza de que iremos cantar a glória da Ressurreição. Que busquemos uma vida íntima com o Pai, transformando nosso ser e colocando-nos a serviço d’Ele.

Que a fé nos renove e fortaleça! Que ela nos faça reconhecer a divindade do Pai, refletida no Filho, que se entregou por nós, mas também em nós, que somos imagem e semelhança do Pai.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios

SÃO JOSÉ, PATRONO DA IGREJA UNIVERSAL

Cor Litúrgica: Branco

São José, Esposo da Virgem Maria | Quarta-feira


16 Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo. 18 A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19 José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo. 20 Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 21 Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”. 24a Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado. (Mt 1,16.18-21.24a)

Hoje a Igreja celebra São José, que teve a especial missão de integrar a Sagrada Família, protegendo, zelando, educando o Filho de Deus Encarnado. O Evangelho nos apresenta o chamado e o compromisso de José diante dos planos que Deus tinha para ele no projeto da Salvação. José e Maria já haviam assumido um compromisso entre si quando o Anjo anunciou a Maria e o Espírito Santo agiu para que ela gerasse Jesus.

O texto nos evidencia que José era um homem justo, logo ele deveria denunciar que Maria estava grávida e que ele não tinha participação, o que a tornaria adúltera e, assim, sofreria as sanções que eram próprias para esse caso. Se a denúncia aconteceu e ele decidiu abandoná-la, assumindo assim a responsabilidade por tal acontecimento, o fato de ser justo faz-nos entender que, ainda que não compreendesse o que acontecia, ele acreditava na inocência de Maria.

Eis que então, o Anjo do Senhor aparece também a ele em sonho para revelar que ele fazia parte desse projeto junto com Maria. José, então, foi obediente aos planos de Deus.

Durante outras passagens na Bíblia, reconhecemos em José a fidelidade a Deus (indo ao Egito e voltando em tempo oportuno), sendo também o protetor de Maria e Jesus, o educador, que ensinou a Jesus o ofício de carpinteiro, o companheiro (voltou com Maria em busca de Jesus durante a peregrinação até Jerusalém), na apresentação de Jesus no Templo, foi testemunha da profecia de Simeão sobre a grandiosidade daquela criança…

Enfim, José foi um grande exemplo de homem temente a Deus, de discípulo, sem sequer conhecer a vida pública de Jesus. Ensinou-nos a importância do zelo pela família, do amor a Deus acima de tudo, inclusive da própria vida, da confiança nos momentos de dificuldade e da obediência ao Pai.

Peçamos, então, sua intercessão pelas nossas vidas, para que sejamos capazes de nos despojarmos das próprias vontades e vivermos os planos de Deus; pelas nossas famílias, para que sejam lares repletos de compreensão, companheirismo, fé e amor; pela nossa Igreja, da qual ele é patrono, cuidando do Menino Jesus, ele cuidou da Salvação de cada um de nós.

E, por fim, roguemos a ele: “Meu glorioso São José, nas vossas maiores aflições e tribulações, não vos valeu o Anjo do Senhor? Valei-me, São José!”


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios

Você já teve algum sinal da presença de Deus em sua vida?

Cor Litúrgica: Roxo

1ª Semana da Quaresma | Quarta-feira


Naquele tempo, quando as multidões se reuniram em grande quantidade, Jesus começou a dizer: “Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas. Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração. No dia do julgamento, a rainha do Sul se levantará juntamente com os homens desta geração, e os condenará. Porque ela veio de uma terra distante para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior do que Salomão. No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão. Porque eles se converteram quando ouviram a pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas”. (Lc 11,29-32).

Se você respondeu nunca ou nenhum… é sinal que nunca viu um Crucifixo, uma imagem de Jesus Misericordioso, do Cristo Ressuscitado, ou do Menino Jesus. E caso tenha olhado, não reconheceu neles a mensagem principal.

Sim, Jesus é a principal manifestação do amor de Deus pela humanidade e da sua presença entre nós!

Porém, muitos contemporâneos de Jesus não foram capazes de acreditar nessa realidade e muitos hoje ainda duvidam. Nenhum sinal é suficiente se não for alicerçado na fé.

Talvez nosso maior defeito seja buscar Deus no extraordinário, quando Ele se revela na flor que desabrocha, no nosso vizinho que nos ampara, em nossa família que nos sustenta, nos nossos amigos que nos escutam e orientam, nos animais que afagam, no necessitado que pede nossa ajuda, no nosso despertar para mais um dia, nas superações de nossas dores…

O sinal de Deus está no desenrolar da vida, mas só percebe quem está disponível para isso, quem deseja, quem busca.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Somos pó e ao pó voltaremos, mas, em Cristo, temos a Vida Eterna!

Cor Litúrgica: Roxo

Quarta-feira de Cinzas


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1 “Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus. 2 Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 3 Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, 4 de modo que, a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 5 Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 6 Ao contrário, quando tu orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa. 16 Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo: Eles já receberam a sua recompensa. 17 Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18 para que os homens não vejam que tu estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”. (Mt 6,1-6.16-18)

O Evangelho de hoje nos prepara para vivenciarmos bem esse novo tempo da Igreja: a Quaresma. Um tempo marcado pela oração, o jejum e a esmola. Ou seja, um tempo penitencial, de reencontro e/ou de fortalecimento na relação com Deus e, consequentemente, com os irmãos.

A oração nos mostra a vontade de Deus em nossa vida, nos direciona, nos conduz, estreita nosso querer ao de Deus. O jejum fortalece nossa força espiritual, em Deus superamos nossos limites e os supérfluos da vida, mostrando à nossa carne que temos, pela misericórdia divina e decisão nossa, a capacidade de ordená-la. Tudo isso só faz sentido quando vemos as necessidades dos nossos irmãos e agimos de forma a minimizá-las, seja pelos bens materiais, pela presença, pela orientação, pela escuta etc.

Mateus nos ensina que o direcionamento do nosso agir precisa ser Deus. Não devemos estar divulgando ou realizando obras de piedade para termos o reconhecimento dos homens, mas sim para agradar o coração de Deus. Também não é moeda de troca, do tipo “faço isso para que Deus me dê aquilo”. Devemos praticar a justiça, dar esmolas, fazer orações e jejuns por amarmos Deus e entendermos que isso é o básico para estar em comunhão com Ele.

Somos convidados pela Igreja a vivermos, pelos próximos dias, essas ações de reconciliação e fortalecimento com Deus e com os irmãos. Hoje e na Sexta-feira da Paixão, as pessoas entre 18 e 59 anos têm a obrigação de jejuar, sendo dispensados apenas aqueles que possuem alguma doença que inviabilize tal prática espiritual. Já a abstinência de carne deve ser observada a partir dos 14 anos, sem idade limite, ou seja, deve ser seguida até a morte.

Durante os quarenta dias, devemos realizar alguma prática que nos ajude a superar aquilo que nos separa de Deus. Por exemplo: diminuir o tempo nas redes sociais para se dedicar melhor à oração, fazer visita a idosos ou pessoas doentes, fazer a meditação diária dos Evangelhos, evitar murmurar, xingar ou dizer palavrões, participar da Missa ou visitar o Santíssimo Sacramento com maior frequência, ler sobre a vida de um santo, fazer doação de alimentos ou roupas às famílias mais necessitadas, buscar a reconciliação com alguém com quem esteja intrigado, evitar algum alimento ou guloseima ou acrescentar algum alimento saudável às refeições, mesmo que não goste.

A penitência a ser vivida precisa encontrar sentido na vida do penitente. Deve ser algo que ajude na caminhada de fé e no encontro com Deus, podendo ser feita individual ou coletivamente.

Que o Cristo Crucificado da Sexta-feira da Paixão encontre um coração convertido, capaz de olhar para a face desfigurada e manter a fé no Cristo Pascal, Ressuscitado e celebrado no Domingo. Que nossas penitências nos levem não à tortura, mas à mortificação, e que nossos rostos traduzam a felicidade de viver esse momento e não o sacrifício.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios

O desafio de ser a Igreja da Acolhida

Cor Litúrgica: Verde

7º Semana do Tempo Comum | Quarta-feira


Naquele tempo, João disse a Jesus: “Mestre, vimos um homem expulsar demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque ele não nos segue”. Jesus disse: “Não o proibais, pois ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. Quem não é contra nós é a nosso favor”. (Mc 9,38-40)

O Evangelho de hoje é bem curto, mas nos traz algumas reflexões intensas:

 1. A intimidade com Cristo me torna superior? João julgou que apenas os discípulos que estavam na companhia de Jesus poderiam agir pelo seu poder, ou seja, em seu Nome.

 2. O que é unidade? Jesus mostrou-nos que ter o mesmo propósito supera a presença física.

 3. Como reconhecer quem é discípulo? Pelas obras e coerência com a fé (ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim).

 4. Quem está com Jesus? Todos que não se declaram contrários.

A intimidade com Cristo aumenta em nós a responsabilidade, inclusive da acolhida com os irmãos. Precisamos identificar aqueles que estão a serviço do Reino, mas só identificamos se vivermos primeiro. A nossa fé deve ser capaz de nos fazer acreditar no impossível, desde que esse seja promessa de Deus para nós. Não podemos parar no superficial que nossos olhos enxergam ou que nossa mente racionaliza.

Nos momentos de crises, de desvio, de dúvidas, precisamos recordar quem é o Deus a quem servimos. Precisamos ser coerentes em nossas ações e falas. Não poderemos testemunhar as maravilhas de Deus se não estivermos buscando reconhecê-las a todo instante. E não podemos deixar com que as pressões da vida provoquem em nós contratestemunho.

A unidade é um dos objetivos principais pregados por Jesus. Busquemo-la, pois só a partir dela o Evangelho se concretiza. Excluamos menos, acolhamos mais. Esse gesto concreto, tantas vezes rezado, pedido e vivido pelo Papa Francisco, ecoa em nossos corações. Jesus nos ensinou a acolher as pessoas na condição em que chegassem; a conversão é um processo posterior. Quantas pessoas ainda não chegaram a Jesus por nossos corações endurecidos?

Que o Espírito Santo nos conduza a sermos Igreja que acolhe e zela pela dignidade da vida humana, fazendo o Reino acontecer já aqui na terra!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

A graça é do tamanho da entrega

Cor Litúrgica: Verde

6ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira


Naquele tempo, 22 Jesus e seus discípulos chegaram a Betsaida. Algumas pessoas trouxeram-lhe um cego e pediram a Jesus que tocasse nele. 23 Jesus pegou o cego pela mão, levou-o para fora do povoado, cuspiu nos olhos dele, colocou as mãos sobre ele, e perguntou: “Estás vendo alguma coisa?” 24 O homem levantou os olhos e disse: “Estou vendo os homens. Eles parecem árvores que andam”. 25 Então Jesus colocou de novo as mãos sobre os olhos dele e ele passou a enxergar claramente. Ficou curado, e enxergava todas as coisas com nitidez. 26 Jesus mandou o homem ir para casa, e lhe disse: “Não entres no povoado!”. (Mc 8,22-26).

A fé das pessoas era tão grande, que pediam apenas por um toque, porém Jesus é aquele que tanto age ainda que não esteja presente (como o empregado do oficial romano), às vezes o outro quem O toca (como a mulher hemorroíssa), ainda tem as situações que ele está presente e dá ordens (encher as talhas nas Bodas de Caná, na ressurreição de Lázaro que os homens rolam a pedra e Lázaro sai a convite de Cristo), entre tantos outros sinais que Jesus apresentou de diversas formas.

Na ação que hoje o Evangelho nos apresenta, ele não apenas toca, ele segura a mão e o conduz para um lugar, que até onde o cego não sabe, ele apenas se deixa guiar, provavelmente ação que alguns já fizeram ao longo da sua vida. Porém, quantas vezes sua mão não ficou desamparada, entregue aos perigos de quem não enxerga, estando mais vulnerável a diversos perigos: quedas, agressões, obstáculos… Quantas vezes as pessoas não lhe conduziram por caminhos errados? Está explícita a cura da cegueira, mas outras tantas aconteceram junto a ela, primeiro Jesus o ampara, o leva para fora da sua realidade (mesmo sem enxergar, ele provavelmente conhecia cada ruela, pelos anos que caminhava por ali), ele saiu do conhecido e confiou a Jesus a direção da sua vida.

Ao começar o processo de cura, ele ainda viu turvo, não conseguiu visualizar claramente, mas nem por isso desacreditou, ignorou o que tinha acontecido até então, revoltou-se por Jesus não ter feito “o serviço direito”, ele continuou ali, em sua presença, até que pudesse enxergar claramente. Muitas vezes, em nossa vida, desanimamos quando a graça ainda não é vista em sua plenitude, o que nos faz desistir dela, porém quem persevera, quem continua na presença de Jesus, é capaz de enxergar claramente. Porém ele também não se acomodou ao pouco, ele foi sincero com Jesus, para quem nunca viu, aquilo poderia ser o suficiente, mas ao descrever o que via, Jesus mostrou que Ele podia ver ainda melhor, as vezes passamos por processos insuficiente, para valorizarmos quando a plenitude chegar. Toda graça é processo!

Hoje Jesus nos convida à perseverança, à confiança, à entrega, qual será nossa reposta a Ele?


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Jesus foi subestimado pelos seus

Cor Litúrgica: Vermelho

Santa Águeda, virgem e mártir, Memória | Quarta-feira


Naquele tempo, 1 Jesus foi a Nazaré, sua terra, e seus discípulos o acompanharam. 2 Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos que o escutavam ficavam admirados e diziam: “De onde recebeu ele tudo isto? Como conseguiu tanta sabedoria? E esses grandes milagres que são realizados por suas mãos? 3 Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?’ E ficaram escandalizados por causa dele. 4 Jesus lhes dizia: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares”. 5 E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. 6 E admirou-se com a falta de fé deles. Jesus percorria os povoados das redondezas, ensinando. (Mc 6,1-6).

Nazaré era o lugar onde todos conheciam Jesus desde que estava no ventre de Maria. Possivelmente, testemunharam o escândalo da gravidez duvidosa, viram-na constituir família com José, superaram a perda de seus filhos durante a perseguição de Herodes aos recém-nascidos, noticiaram o retorno da Sagrada Família do Egito e ouviram falar do adolescente que pregara no templo após se perder do seu grupo na volta de Jerusalém. Mas talvez Jesus não passasse de um estranho, alguém com um comportamento atípico, possivelmente questionável.

Embora naquela época não houvesse internet e blogs, a notícia se espalhava — apenas demorava um pouco mais para chegar a lugares mais distantes. Ainda assim, é provável que seu povo já soubesse dos sinais do Divino que agiam na vida de tantos.

Motivos não são suficientes para alimentar a fé, pois é a fé que dá sentido à ação de Deus. Ele não depende da ciência; antes, é sua causa. Primeiro cultivamos a fé, e então somos capazes de reconhecer a graça de Deus em nossas vidas. Os milagres não aconteceram, mesmo com Jesus presente, devido à falta de fé dos que ali estavam. Quantos impossíveis estão disponíveis para nós? Mas, por falta de fé em Cristo e por querermos fazer tudo do nosso jeito, quantos desses milagres têm deixado de acontecer?

Quantas vezes subestimamos as pessoas por, “conhecendo-as”, não conseguirmos ultrapassar as aparências e nossas próprias expectativas? Quantas vezes subestimamos a nós mesmos, achando-nos insuficientes ou incapazes?

Aprendamos a nos entregar a Deus, permitir que Ele aja em nossas vidas e reconhecê-Lo nas pessoas que passam por nosso caminho.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Quando o poder cega…

Cor Litúrgica: Verde

2ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira


Naquele tempo, 1 Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. 2 Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. 3 Jesus disse ao homem da mão seca: “Levanta-te e fica aqui no meio!” 4 E perguntou-lhes: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Mas eles nada disseram. 5 Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração; e disse ao homem: “Estende a mão.” Ele a estendeu e a mão ficou curada. 6 Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo. (Mc 3,1-6).

O dia de sábado é sagrado para os judeus, pois foi nele que Deus descansou após a Criação, abençoou e consagrou o sétimo dia, elegendo-o como o dia do descanso, como encontramos no segundo capítulo de Gênesis. Por isso, para guardar esse dia, faz-se uma série de restrições.

O que deveria ser sagrado se transforma em armadilha. Ao encontrar o homem da mão seca, atraiu olhares, não pelo bem que podia fazer a esse homem, não por precisar dar o exemplo de guardar o dia de preceito, mas as lideranças conheciam tão bem Jesus que esperavam que Ele agisse diante da necessidade daquele homem, e assim poderiam usar tal ação para persegui-lo. Eles sabiam do que Jesus era capaz de fazer; porém, ao invés de acolher a graça advinda dele, preferiram manter segura sua condição social, seu status. Por se sentirem ameaçados, precisavam “tirar Jesus de circulação”.

O coração aberto do homem da mão seca levou a uma transformação de vida, sendo restaurada a parte que lhe impedia de viver melhor. Os corações fechados daqueles que deveriam dar testemunho do Messias resultaram no desprezo e perseguição ao Salvador. Presenciar a graça não é suficiente para transformar os corações; Jesus nos dá a possibilidade de viver muitas maravilhas em sua presença, mas só um coração em verdadeira comunhão com Deus é capaz de acolher e mudar esse agir.

Jesus não faz nada escondido; pelo contrário, ele evidencia aquele que necessita e deseja a mudança. O homem segue até o meio, todos os olhares estão direcionados à cura, mas só os corações que se encontram com Jesus são capazes de reconhecer sua grandiosidade. Eles se aprisionaram à tradição e esqueceram do essencial: fazer o bem e promover a Vida! Diante disso, Jesus se ira e se entristece, mas faz o que é necessário. A cura acontece, independentemente da ameaça à própria liberdade e à própria vida, Jesus não se esconde, nem se intimida pelas pressões que lhe impõem.

Que no dia de hoje peçamos a Jesus um coração destemido, que não se intimide com as forças contrárias ao Evangelho e que reconheçamos o necessário para promover Vida a nós e aos irmãos. Que não sejamos como os fariseus ou os partidários de Herodes, que, presenciando a graça de Jesus, sentiram-se ameaçados e por isso não reconheceram a presença do Messias, tão esperado por todos.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Qual o sinal de transformação em sua vida?

Cor Litúrgica: Verde

1ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira


Naquele tempo, Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus. E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los. À tarde, depois do pôr-do-sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. A cidade inteira se reuniu em frente da casa. Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios. E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era. De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. Quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando”. Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim”. E andava por toda a Galileia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios. (Mc 1,29-39).

O evangelista Marcos nos aponta que quem está aberto à ação de Jesus revela sinais de transformação em sua vida, e evidencia o episódio da sogra de Pedro. O fato de estar acamada não impossibilita o encontro com Jesus, pois esse vai até ela, e muitas vezes em nossas paralisias, ele vem, fica conosco, mas espera que Ele deixe agir.

O mais lindo da descrição é que não teve nenhuma ação surpreendente ou extraordinária, Jesus se aproxima dela, segura sua mão, ou seja, oferece ajuda, ela se levanta com o auxílio dele, e nesse contato, nessa confiança, nessa entrega, a cura acontece. Então, uma vez curada, ela coloca-se a serviço e não apenas de Jesus, mas de todos que o acompanhavam, a ação não se limita na ligação com Cristo, mas é refletida na vida comunitária.

O Evangelho segue narrando outras pessoas que foram em busca de Jesus, resultando em cura de enfermidades e libertação de demônios. Muitos foram de coração confiante, sabendo o que precisavam alcançar e tendo em Cristo a referência do êxito de suas demandas, porém talvez alguns tenham ido na dúvida, ouvindo o que aquele homem conseguia fazer, inquietaram-se e viram uma ponta de esperança para seus problemas, e tiveram ainda os que foram descrentes, mas que quiseram arriscar, por não ver outra alternativa e talvez ainda os que foram no intuito de provar que tudo era uma farsa. Mais importante que a condição que nos leva a Cristo, é o resultado após o encontro com Ele.

A ação de Jesus é superior a qualquer outra, Ele manda inclusive nos demônios, não permitindo que eles revelassem sua identidade. Portanto, quando confiamos nossa vida a Cristo, somos capazes de superar todas as tentações, não pela nossa capacidade, mas pelo poder d’Ele.

Mais uma vez Jesus revela-nos o meio mais eficaz de nos manter em contato com Deus, pela oração somos fortalecidos e, embora a oração comunitária seja de enorme importância, precisamos de momentos de intimidade apenas com Ele. E Ele não se restringiu ao local onde estava, mas aos lugares por onde conseguia peregrinar.

Como está a ação de Deus em sua vida? Quais as graças que tens alcançado? Quais as respostas que estás dando a Ele? Que consigamos sair transformados do nosso encontro com Cristo, e que busquemos sempre sua companhia.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Jesus subiu com os discípulos na barca e o vento cessou!

Cor Litúrgica: Branco

Tempo do Natal depois da Epifania | Quarta-feira


Depois de saciar os cinco mil homens, Jesus obrigou os discípulos a entrarem na barca e irem na frente para Betsaida, na outra margem, enquanto ele despedia a multidão. Logo depois de se despedir deles, subiu ao monte para rezar. Ao anoitecer, a barca estava no meio do mar e Jesus sozinho em terra. Ele viu os discípulos cansados de remar, porque o vento era contrário. Então, pelas três da madrugada, Jesus foi até eles andando sobre as águas, e queria passar na frente deles. Quando os discípulos o viram andando sobre o mar, pensaram que era um fantasma e começaram a gritar. Com efeito, todos o tinham visto e ficaram assustados. Mas Jesus logo falou: “Coragem, sou eu! Não tenhais medo!” Então subiu com eles na barca. E o vento cessou. Mas os discípulos ficaram ainda mais espantados, porque não tinham compreendido nada a respeito dos pães. O coração deles estava endurecido. (Mc 6,45-52)

Jesus deixa todos irem e, ao ficar sozinho, busca o Pai. Ele, após fazer o milagre dos pães, vai rezar. Quem dera tivéssemos sempre um tempo para estar em comunicação com Deus, para que a comunhão se revele nos atos.

Jesus está sempre tão atento às nossas necessidades que, mesmo à distância, consegue perceber como estamos. Isso fica evidente durante o Evangelho, quando Marcos narra que Jesus, mesmo estando em terra, foi capaz de ver o cansaço dos discípulos que estavam em alto-mar. Ele, então, vence mais uma vez a lógica do ser humano, dessa vez contrariando a Física, e anda sobre as águas para ir ao encontro deles. Não existe barreira para Jesus, exceto o coração endurecido, que nos impede de acolher e entender o seu fazer.

O vento era contrário, era madrugada (provavelmente eles não tinham descansado do último encontro com a multidão), e o medo toma conta deles (por acreditarem que um fantasma se aproximava). As contrariedades eram muitas. Jesus apenas subiu na barca, e o contexto começou a mudar: o vento cessou.

Tantas vezes, em nossas vidas, não compreendemos e não aceitamos as situações que se apresentam. Julgamos Deus, revoltamo-nos, desprezamo-lo, quando tudo o que Ele quer é que acreditemos que Ele vem ao nosso encontro e faz qualquer dificuldade se acalmar, todo problema ter solução. Os discípulos não precisaram chamá-lo para que Ele percebesse o cansaço e fosse ao encontro deles; apenas o acolheram na barca, ainda com o coração duvidoso, incrédulo diante das manifestações de Deus.

Que possamos, como os discípulos, hoje pedir que Jesus entre em nossa barca, cesse os ventos contrários, mas que demos um passo a mais, pedindo que nosso coração seja transformado e sejamos capazes de viver plenamente o que Deus tem para nós!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Façamos que todos os dias o Cristo nasça, que todos os dias seja Natal

Cor Litúrgica: Branco

Santa Maria, Mãe de Deus | Quarta-feira


Naquele tempo, os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido, deitado na manjedoura. Tendo-o visto, contaram o que lhes fora dito sobre o menino. E todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam. Quanto a Maria, guardava todos estes fatos e meditava sobre eles em seu coração. Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido, conforme lhes tinha sido dito. Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido. (Lc 2,16-21).

Os pastores nos mostram que não podemos ficar aguardando, quando a Missão nos chama, precisamos estar disponíveis (ir apressadamente), num mundo em que a procrastinação tem sido marcante, faz-se ainda mais necessário agirmos no tempo certo, no momento em que Deus nos pede para fazê-lo.

Eles encontraram Cristo e os que o acompanhavam, o início do projeto de Salvação de Deus. Não existe uma multidão, existem poucos que responderam sim, enfrentaram os desafios e acolheram o propósito do Pai. Jesus está na manjedoura, aguardando a visita deles. E hoje, onde está localizada a manjedoura? Onde Cristo aguarda nossa visita? Com certeza não é apenas nos Sacrários, mas nos irmãos mais necessitados. O cocho era o local mais improvável para acolher alguém tão importante, mas foi o lugar que estava disponível. Por isso, precisamos ter cuidado com os julgamentos. Deus é surpreendente em seu agir; Ele não preza pela aparência, nem pela pomposidade. Pelo contrário, é na humildade que Ele se revela.

Uma vez tendo-o visto, estando entregue ao encontro, é impossível fazer-se alheio. Testemunham a todos, o encanto é transmitido, fazendo-se propagar a Boa Nova e levando cada vez mais pessoas a buscarem também esse encontro com o Cristo.

Maria está sempre atenta. Ela vive, ela medita e ela guarda. Como boa serva, ela busca compreender o agir de Deus, mas, acima de tudo, ela transforma isso em sua própria vida.

O Evangelho finaliza reforçando a obediência de Maria e José a Deus, que, por meio do Anjo, transmitiu o nome do filho: “JESUS”. Como bons judeus, eles observavam e cumpriam os preceitos, ensinando-nos a importância de dar vida aos ritos. Não adianta seguir ou repetir gestos e palavras, Deus precisa ecoar neles.

Encerrando as Festividades de Natal, vivenciamos a Solenidade de Maria, Mãe de Deus. O Deus que se revela em três pessoas torna-se filho pelo Mistério da Encarnação de Cristo, nascido de Maria, para a Salvação da humanidade. Que neste novo ano cívico possamos preparar o nosso coração. Pelo exemplo de Maria, façamos que todos os dias o Cristo nasça, que todos os dias seja Natal, renovando nossa Esperança e nossa Fé!

Um abençoado 2025!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

A humildade e obediência gestaram o Salvador!

Cor Litúrgica: Roxo

3ª Semana do Advento | Quarta-feira


A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19 José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo. 20 Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 21 Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”. 22 Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: 23 “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco”. 24 Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado, e aceitou sua esposa. (Mt 1,18-24)

José e Maria estavam prometidos um ao outro em casamento, porém, uma vez que a ação de Deus começou a acontecer, eles repensaram o que haviam planejado para suas vidas. Caso houvesse adultério, a mulher deveria ser apedrejada.

José entendia que o mistério de Deus existia na história, pois, se duvidasse da honestidade de Maria, teria-lhe entregue, por ser justo, como o próprio Evangelho o descreve. Ao decidir abandonar Maria, ele assume a certeza da pureza de sua noiva. O que mostra que, além de justo, ele era sensível ao agir de Deus.

E mostra-se temente ao assumir que também ele faria parte do projeto de Salvação, ao ser comunicado, em sonho, pelo Anjo do Senhor, que deveria receber Maria por sua esposa, mantendo os planos que ambos tinham inicialmente e que Maria estava grávida pela ação do Espírito Santo.

José soube que era verdade, por conhecer as Escrituras e, assim, a profecia de Isaías que anunciava a vinda do Salvador por meio da Virgem.

Jesus conviveu com esses dois modelos de obediência, compromisso, doação e temor a Deus. Foi modelado por eles e transformou também suas vidas e a de toda a humanidade.

Que também nós desejemos viver as virtudes da Sagrada Família de Nazaré!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios

Quais são os fardos que temos carregado?

Cor Litúrgica: Roxo

2ª Semana do Advento | Quarta-feira


Naquele tempo, tomou Jesus a palavra e disse: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mt 11,28-30).

Hoje o Evangelho começa nos provocando a refletirmos sobre qual tem sido nosso fardo, e o que ele tem provocado em nós. Os dias atuais são muito corridos, em geral, precisamos dar conta de diversas tarefas: família, trabalho, estudos, casa, manter as redes sociais atualizadas, os exercícios físicos precisam estar pagos, dentre outra infinidade de responsabilidades que assumimos. As notícias chegam muito rápido, os padrões mudam muito depressa, a vida tornou-se um trem-bala.

E em meio a tantas situações, nem sempre resta tempo para o essencial, fazendo-me recordar a imagem de Marta, que protagonizou o Evangelho há poucos dias. E quando nos preocupamos com tantos afazeres, os fardos tendem a se tornarem pesados, principalmente se confiarmos apenas em nossas capacidades, sem o auxílio de quem mais importa.

Jesus nos recorda no Evangelho e promete-nos alívio, desde que o busquemos. Para isso, precisamos ter o coração humilde e manso, apresentar a Ele o fardo que carregamos e, assim, recebermos o fardo que Ele tem para nós. Em Jesus, o jugo é suave e o fardo é leve, porque, além de conhecer nossos limites, Ele não nos deixa sós; Ele carrega conosco. Ele não nos oferece facilidades, mas Ele nos garante que é possível carregar.

Então, que durante esse dia sejamos capazes de reconhecer o que nos tem pesado, apresentar a Jesus o fardo que temos carregado, deixarmos que Ele aja, revelando o coração manso e humilde que Ele nos pede, e aceitarmos o fardo que Ele tem para nós! Assim, seremos capazes de vencer qualquer situação, por mais adversa que seja.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

A satisfação vem da doação total

COR LITÚRGICA: ROXO

1ª Semana do Advento | Quarta-feira


Naquele tempo,  Jesus foi para as margens do mar da Galileia, subiu a montanha, e sentou-se.  Numerosas multidões aproximaram-se dele, levando consigo coxos, aleijados, cegos, mudos, e muitos outros doentes. Então os colocaram aos pés de Jesus. E ele os curou.  O povo ficou admirado, quando viu os mudos falando, os aleijados sendo curados, os coxos andando e os cegos enxergando. E glorificaram o Deus de Israel.  Jesus chamou seus discípulos e disse: “Tenho compaixão da multidão, porque já faz três dias que está comigo, e nada tem para comer. Não quero mandá-los embora com fome, para que não desmaiem pelo caminho”.  Os discípulos disseram: “Onde vamos buscar, neste deserto, tantos pães para saciar tão grande multidão?”  Jesus perguntou: “Quantos pães tendes?” Eles responderam: “Sete, e alguns peixinhos”.  E Jesus mandou que a multidão se sentasse pelo chão.  Depois pegou os sete pães e os peixes, deu graças, partiu-os, e os dava aos discípulos, e os discípulos, às multidões.  Todos comeram, e ficaram satisfeitos; e encheram sete cestos com os pedaços que sobraram. (Mt 15,29-37).

O Evangelho de hoje começa falando que muitos iam até Jesus e eram curados naquilo que lhes faltava (mudos falando, os aleijados sendo curados, os coxos andando e os cegos enxergando).

O fato de ir até Jesus é encontrar a plenitude da vida, por isso não podemos ficar acomodados à espera d’Ele, temos que ir ao encontro.

Na parte final, vemos uma das cenas mais conhecidas, chamada por muitos de multiplicação de pães, porém o único verbo que é citado durante a cena é “partiu”. Sete pães e alguns peixinhos foram divididos, saciaram uma multidão e ainda sobrou uma quantidade suficiente para alimentar muitos mais.

Alguém entregou tudo o que tinha a Jesus, e Ele fez esse tudo ser suficiente para todos. Se tivessem ficado receosos em não ter uma reserva, se tivessem guardado apenas para si, o milagre não teria acontecido. E só entrega quem confia.

Mateus destaca que todos foram saciados e ainda tiveram sobras. É exatamente o que acontece quando entregamos a Deus o que temos: Ele transforma nossa vida e ainda é capaz de atingir quem esteja em nosso convívio.

Que em nossas vidas tenhamos a coragem de confiar e entregar o que temos, para vermos a graça de Deus acontecer, sermos curados das faltas do corpo e da alma. E assim, vivamos na plenitude da Sua graça, sendo fecundos em nossa vida e na vida de quem conosco esteja.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Quem persevera vence o mal!

COR LITÚRGICA: VERDE

34ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:  “Antes que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa; porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. Todos vos odiarão por causa do meu nome. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” (Lc 21,12-19).

A perseguição é um dos aspectos que marcam a vida do cristão. A fé consiste na confiança em Deus e em Sua ação. Por isso, nenhum mal é temido, nenhuma ameaça deve levar ao desespero. Assim, tornamo-nos o próprio sinal de Deus nos lugares onde estivermos. O nosso testemunho é fruto de uma vida próxima a Cristo.

Essa perseguição pode vir de quem menos esperamos, até mesmo de pessoas próximas e significativas. Porém, para que todo mal seja superado, Cristo nos pede apenas a perseverança. É ela que nos mantém alinhados com o querer de Cristo, mesmo quando parece não haver alternativa. É o próprio Deus quem vem em nosso auxílio.

Muitas vezes, passamos por situações em que duvidamos do agir de Deus, acreditando que nosso jeito é o melhor, o mais eficaz. Em alguns momentos, experimentamos incertezas, limites e incapacidades. E é justamente nesses momentos que Deus nos pede apenas para confiar n’Ele.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios