Cor Litúrgica: Verde
2ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira
Naquele tempo, 1 Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. 2 Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. 3 Jesus disse ao homem da mão seca: “Levanta-te e fica aqui no meio!” 4 E perguntou-lhes: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Mas eles nada disseram. 5 Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração; e disse ao homem: “Estende a mão.” Ele a estendeu e a mão ficou curada. 6 Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo. (Mc 3,1-6).
O dia de sábado é sagrado para os judeus, pois foi nele que Deus descansou após a Criação, abençoou e consagrou o sétimo dia, elegendo-o como o dia do descanso, como encontramos no segundo capítulo de Gênesis. Por isso, para guardar esse dia, faz-se uma série de restrições.
O que deveria ser sagrado se transforma em armadilha. Ao encontrar o homem da mão seca, atraiu olhares, não pelo bem que podia fazer a esse homem, não por precisar dar o exemplo de guardar o dia de preceito, mas as lideranças conheciam tão bem Jesus que esperavam que Ele agisse diante da necessidade daquele homem, e assim poderiam usar tal ação para persegui-lo. Eles sabiam do que Jesus era capaz de fazer; porém, ao invés de acolher a graça advinda dele, preferiram manter segura sua condição social, seu status. Por se sentirem ameaçados, precisavam “tirar Jesus de circulação”.
O coração aberto do homem da mão seca levou a uma transformação de vida, sendo restaurada a parte que lhe impedia de viver melhor. Os corações fechados daqueles que deveriam dar testemunho do Messias resultaram no desprezo e perseguição ao Salvador. Presenciar a graça não é suficiente para transformar os corações; Jesus nos dá a possibilidade de viver muitas maravilhas em sua presença, mas só um coração em verdadeira comunhão com Deus é capaz de acolher e mudar esse agir.
Jesus não faz nada escondido; pelo contrário, ele evidencia aquele que necessita e deseja a mudança. O homem segue até o meio, todos os olhares estão direcionados à cura, mas só os corações que se encontram com Jesus são capazes de reconhecer sua grandiosidade. Eles se aprisionaram à tradição e esqueceram do essencial: fazer o bem e promover a Vida! Diante disso, Jesus se ira e se entristece, mas faz o que é necessário. A cura acontece, independentemente da ameaça à própria liberdade e à própria vida, Jesus não se esconde, nem se intimida pelas pressões que lhe impõem.
Que no dia de hoje peçamos a Jesus um coração destemido, que não se intimide com as forças contrárias ao Evangelho e que reconheçamos o necessário para promover Vida a nós e aos irmãos. Que não sejamos como os fariseus ou os partidários de Herodes, que, presenciando a graça de Jesus, sentiram-se ameaçados e por isso não reconheceram a presença do Messias, tão esperado por todos.
Alanny Veras
Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.


