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Quais quebras precisamos fazer?

Cor Litúrgica: Roxo

3ª Semana do Advento | Quarta-feira


Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacó; Jacó gerou Judá e seus irmãos. Judá gerou Farés e Zara, cuja mãe era Tamar. Farés gerou Esrom; Esrom gerou Aram; Aram gerou Aminadab; Aminadab gerou Naasson; Naasson gerou Salmon; Salmon gerou Booz, cuja mãe era Raab. Booz gerou Obed, cuja mãe era Rute. Obed gerou Jessé. Jessé gerou o rei Davi. Davi gerou Salomão, daquela que tinha sido a mulher de Urias. Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; Asa gerou Josafá; Josafá gerou Jorão; Jorão gerou Ozias; Ozias gerou Joatão; Joatão gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias. Josias gerou Jeconias e seus irmãos, no tempo do exílio na Babilônia. Depois do exílio na Babilônia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; Zorobabel gerou Abiud; Abiud gerou Eliaquim; Eliaquim gerou Azor; Azor gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; Eliud gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; Matã gerou Jacó. Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo. Assim, as gerações desde Abraão até Davi são quatorze; de Davi até o exílio na Babilônia, quatorze; e do exílio na Babilônia até Cristo, quatorze. (Mt 1,1-17)

Jesus tem uma história que não começou em si, a Salvação que veio através Dele, é feita por Deus Pai, porém o Senhor veio preparando esse momento ao longo de várias gerações. A raiz de Jesus é constituída por nomes mais conhecidos nossos e outros menos e alguns até mesmo desconhecidos.

E embora a descendência se dê pela família paterna, reconhecemos a figura de algumas mulheres que foram importantes para sua geração. Ainda acerca da descendência paterna, esse texto reforça José enquanto pai adotivo de Jesus. Afinal, Esse deveria vir da descendência de Davi, e a genealogia nos apresenta José como sendo o motivo do cumprimento dessa promessa. A tribo era a constituição da identidade de cada povo, assim esse texto nos remete a quem foi Jesus, de onde Ele veio. E uma das marcas dos ascendentes de Jesus estão a conversão, a busca pela reconciliação e pela fidelidade a Deus, como na história de Davi.

Porém, os erros dos que lhe antecederam não foram definitivos para construir a personalidade de Jesus, foram marcantes nos costumes, nas histórias, no reconhecimento de um grupo, de uma família. Mas não mancharam sua Santidade de Filho de Deus.

E a genealogia de Jesus nos faz recordar que também temos a nossa, que fazemos parte de uma família e de uma história de gerações, orgulhemo-nos ou não dela, seja por laço de sangue ou adotivo. Recebemos influências dessas pessoas e do que elas viveram, porém podemos quebrar os costumes, as vivências que se passa de geração em geração, mas que nos distanciam de Deus. Mas principalmente que somos suportes uns aos outros que convivem.

Precisamos entender como esses laços têm influenciado nossa vida, nosso humor, nossos hábitos, quanto dos outros carregamos em nós? Quais quebras precisamos fazer? Quais feridas dentro dessas relações precisamos quebrar? A referência da Família de Nazaré de abdicação da própria vontade, para obediência aos planos de Deus, trouxe um novo direcionamento, a genealogia não foi apagada, nem negada, nem seus erros encobertos, porém isso não os impediu de permanecerem fieis a Deus. Que comece por nós as curas necessárias para nossas diferenças familiares.

Que no dia de hoje, rezemos pelas famílias que estão se formando, para que encontrem em Jesus o direcionamento de suas vidas; pelas que já estão constituídas, para que fortaleçam cada dia mais os vínculos entre si e por aqueles que ainda estão no discernimento, que possam acolher o desejo do Pai, buscando na família a fonte não apenas de auto-realização, mas sobretudo de felicidade. Jesus, Maria, José, nossa família vossa é!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

O fardo de Deus é leve

Cor Litúrgica: Roxo

2ª Semana do Advento | Quarta-feira


Naquele tempo, tomou Jesus a palavra e disse: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mt 11,28-30)

O que tem sido motivo de preocupação? A que estamos dirigindo nossas forças? A quem temos confiado nossos propósitos?

O fardo é uma carga que carregamos, alguns são leves, podendo se levar mais de um de cada vez, outros pesados, necessitando de auxílio para carregar, outros precisamos desmanchar a quantidade e dividir a carga em várias porções, para darmos conta de levá-lo.

– Quando nos subestimamos e carregamos menos do que somos capazes, damos várias viagens, nos cansando de forma desnecessária;
– Quando nos superestimamos e levamos em excesso, “escutamos” nossa coluna, nossos braços, nossas pernas, enfim, nosso corpo reclamar, podendo até nos fazer parar até conseguir recuperar as próprias forças;
– Podemos levar uma quantidade insuficiente, e pararmos o que estamos fazendo até providenciar aquilo que nos falta;
– Podemos exagerar, conseguindo além do necessário, desperdiçando material…

Em nossas vidas, não carregamos apenas fardos materiais, mas emocionais, espirituais e que seguem a mesma lógica do fardo material, podem haver excessos, faltas, exaustão, sobrecarga… O que Deus nos promete no Evangelho é que ele nos dará descanso, que Ele nos fará carregar os fardos de acordo com nossas capacidades. Ele não nos exime de nossa responsabilidade, nós carregaremos o fardo, mas Ele nos dará a graça de carregarmos o peso justo, suportável, porque Ele mesmo divide conosco o peso das nossas cargas. O suportável é meu, o excedente é de Deus.

Confiemos Nele em todos os momentos de nossa vida, principalmente, nas adversidades! Quem confia na própria força, desmorona! Quem confia em Deus, vence, supera!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Em Deus, do pouco brota a fartura.

Cor Litúrgica: Branco

São Francisco Xavier, presbítero | Memória | Quarta-feira


Naquele tempo, Jesus foi para as margens do mar da Galileia, subiu a montanha, e sentou-se. Numerosas multidões aproximaram-se dele, levando consigo coxos, aleijados, cegos, mudos, e muitos outros doentes. Então os colocaram aos pés de Jesus. E ele os curou O povo ficou admirado, quando viu os mudos falando, os aleijados sendo curados, os coxos andando e os cegos enxergando. E glorificaram o Deus de Israel. Jesus chamou seus discípulos e disse: “Tenho compaixão da multidão, porque já faz três dias que está comigo, e nada tem para comer. Não quero mandá-los embora com fome, para que não desmaiem pelo caminho”. Os discípulos disseram: “Onde vamos buscar, neste deserto, tantos pães para saciar tão grande multidão?” Jesus perguntou: “Quantos pães tendes?” Eles responderam: “Sete, e alguns peixinhos”. E Jesus mandou que a multidão se sentasse pelo chão. Depois pegou os sete pães e os peixes, deu graças, partiu-os, e os dava aos discípulos, e os discípulos, às multidões. Todos comeram, e ficaram satisfeitos; e encheram sete cestos com os pedaços que sobraram. (Mt 15,29-37)

Alguns elementos chamam atenção nesse Evangelho de hoje:

1. Jesus sobe a montanha, lugar do encontro com Deus, segundo a tradição judaica;
2. A multidão O seguia e já reconhecia nele a pessoa da cura. Essas pessoas não iam sozinhas;
3. Levavam consigo alguns necessitados, que talvez não conseguissem chegar sozinhos, já que o alto da montanha seria de difícil ou impossível acesso para vários dos que tinham limitações: coxos, aleijados, cegos, mudos e outros doentes;
4. Eles eram colocados aos pés de Jesus. Os pés não ficam no campo de visão; nossos olhos precisam se voltar para vermos o que está a nossos pés. E Jesus voltava não só o olhar, mas a atenção e a ação, curando-os;
5. O agir de Deus causa admiração, e esta gera o louvor a Deus;
6. Jesus vê não apenas as necessidades explícitas: além das curas, por enxergar e cuidar das mazelas do povo, Ele ainda reconhece sua fome, sem sequer eles precisarem falar, e evita que os problemas surjam quando eles se dispersarem daquele lugar. A ação não se limita ao que está feito ali, na montanha, mas os sustenta no caminho de volta ao lar, de cada um;
7. Os discípulos não veem solução para um problema tão grande: a multidão era numerosa, o alimento escasso e os recursos limitados;
8. Oferecer o que tinham foi mais que suficiente; eles poderiam ter escondido o pouco que possuíam, o que poderia ser insuficiente inclusive para o grupo dos apóstolos;
9. Jesus convida a multidão a se acomodar, abençoa o alimento e o parte: é a bênção de Deus que faz com que a partilha seja suficiente para saciar a todos, e ainda haja sobras. E, só para frisar, por mais que muitos conheçam essa passagem bíblica como a multiplicação dos pães, o único verbo utilizado é partir. Quando partilhamos o que temos, nunca faltará para ninguém;
10. Fica por sua conta completar esse ponto.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

A alma curada gera gratidão

Cor Litúrgica: Vermelho

São Josafá, bispo e mártir | Memória | Quarta-feira


Aconteceu que, caminhando para Jerusalém, Jesus passava entre a Samaria e a Galileia. Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos vieram ao seu encontro. Pararam à distância, e gritaram: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!” Ao vê-los, Jesus disse: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”. Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu. E este era um samaritano. Então Jesus lhe perguntou: “Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?” E disse-lhe: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”. (Lc 17,11-19)

O Evangelho de hoje é um dos mais conhecidos e difundidos. Jesus que tem misericórdia do leproso e a gratidão de apenas um que volta para reconhecer e agradecer a graça que Ele proporcionou.

A lepra era uma doença que excluía, você perdia a cidadania ao ser contaminado, e com isso perdia a dignidade de ser humano, precisava viver afastado das áreas urbanas, era uma morte em vida, afastava-se da família, do trabalho, dos amigos. E provavelmente a dor não se restringia apenas ao que havia sido contaminado, mas à mãe, ao pai, à esposa, ao marido, aos filhos e filhas que perdiam o convívio de seus parentes queridos. A chaga impressa na carne não era capaz de traduzir a chaga expressa na alma.

O corpo do leproso aos poucos ia definhando, os hematomas, sangramentos, mau cheiro eram aparentes. E a essa doença era associada a ideia de ter sido abandonado por Deus, tornando-se impuro, palavra que inclusive eles eram obrigados a gritar, quando alguém se aproximava.

O encontro com Jesus trouxe uma nova esperança para aqueles homens já condenados, esperando a morte do corpo que se acelerava a cada dia. Jesus é vida, é purificação, é o novo que se apresenta, é o impossível alcançado. Eles não pedem para serem curados e sim para que Jesus tenha misericórdia deles. Talvez eles quisessem muitas coisas, mas confiaram a Jesus as suas vidas, pois pela misericórdia o Mestre lhes daria o que eles precisavam.

Apresentar-se ao sacerdote fazia parte do ritual daqueles que se curavam. Quando Jesus os envia à essa apresentação, eles não duvidam, não titubeiam, nem esperam, apenas se colocam a caminhar. Jesus dá a direção, eles se decidem por se colocar em movimento imediatamente.

Foi durante a caminhada que a cura foi acontecendo. E eles podiam enxergar um no outro esse processo, provavelmente sentiam no próprio corpo as transformações, mas era ver o outro sendo curado, que os impulsionava a continuar caminhando.

Em um grupo de dez, todos receberam a mesma ordem, tomaram a mesma decisão, agiram segundo a orientação de Jesus. Todos confiaram e foram obedientes, mas um se destacou, pela gratidão. E isso nos faz recordar dos inúmeros pedidos que fazemos a Jesus, mas da pouca habilidade que temos de agradecer. Um coração grato nos leva até a fonte da nossa graça, provavelmente ele tinha uma família para abraçar, tinha amigos para rever, tinha lugares onde não mais frequentava e que desejava estar, mas nada disso teria sentido se a ação de Cristo não tivesse acontecido. Ele pode se religar a vários aspectos da sua vida, mas primeiro ele foi agradecer a quem lhe havia proporcionado tudo isso. Ele estava de volta à vida, mas só teria sentido aproveitá-la entendendo que foi por meio de Jesus que ela foi resgatada, um coração grato salva.

Outra particularidade, quem voltou para agradecer foi um samaritano, ou seja, alguém que tinha desavenças com os judeus, Jesus veio para todos. A indagação final, nos faz inferir que entre esses dez existiam outros grupos populacionais, provavelmente também judeus, a doença, a dor e a exclusão une para que haja sobrevivência. E nem sempre os que reconhecem o poder de Jesus serão os de casa, os de seu povo.

Que hoje busquemos se em nossa vida temos reconhecido Jesus como Aquele que tem misericórdia conosco, se a confiança e a obediência ao que Ele nos ordena acontecem, se a superação das diferenças com nossos irmãos é uma realidade e principalmente se nosso coração é grato a Deus!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

O amor é o cumprimento perfeito da Lei

Cor Litúrgica: Verde

31ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira


Naquele tempo, 25 grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: 26 “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27 Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. 28 Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, 29 ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: 30 ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’ 31 Ou ainda: Qual o rei que ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? 32 Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz. 33 Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”. (Lc 14,25-33).

Ter um número generoso ao redor nem sempre é ter companhia e apoio. Jesus sabendo disso, mostra-nos que o mais importante sempre estará na qualidade das relações que desenvolvemos, principalmente com Deus. Ele não quer que sejamos números de IBGE, ser a religião mais numeroso de um lugar, de um país, só faz sentido se formos cristãos na vida de nossos irmãos, com fidelidade à Deus.

E para sermos fieis, ele ensina o caminho, desapegar-se. Entendo que desapegar não é renegar, mas entender que a prioridade de nossas vidas, precisa ser Deus. Os pais, os irmãos, os filhos, o emprego, os bens materiais, ou nós mesmos, nossas vontades, quando priorizados ofusca o agir do Pai. Ele precisa ser nossa segurança, Nele tem que estar nossa confiança, Ele precisa ser o motivo de qualquer ação que façamos.

Uma vez que entendemos isso, tornamo-nos capazes de carregar a nossa cruz, porque Ele mesmo nos direciona por onde levá-la. E o principal planejamento passa pela oração, momento em que podemos escutar Deus e discernir o que Ele espera de nós.

A entrega não é fácil, pois durante a vida vamos adquirindo e desenvolvendo hábitos que nos afastam de Deus, e que até proporcionam prazer, porém se nos separa de Jesus, não nos farão felizes. E por isso o vazio vem sendo uma característica relatada por tantas pessoas! Que busquemos o que de fato preenche, que sejamos cheios, repletos, transbordantes do amor de Deus!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

A vida aqui na terra é o percurso que caminhamos até o Céu

Cor Litúrgica: Verde

30ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira


Naquele tempo, 22 Jesus atravessava cidades e povoados, ensinando e prosseguindo o caminho para Jerusalém. 23 Alguém lhe perguntou: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” Jesus respondeu: 24 “Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. 25 Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vós, do lado de fora, começareis a bater, dizendo: ‘Senhor, abre-nos a porta!’ Ele responderá: ‘Não sei de onde sois’. 26 Então começareis a dizer: ‘Nós comemos e bebemos diante de ti, e tu ensinaste em nossas praças!’ 27 Ele, porém, responderá: ‘Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!’ 28 Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac e Jacó, junto com todos os profetas no Reino de Deus, e vós, porém, sendo lançados fora. 29 Virão homens do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus. 30 E assim há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos”. (Lc 13,22-30).

Jesus tinha uma meta, chegar a Jerusalém, porém isso não o impedia de aproveitar cada lugar que antecedia para evangelizar. Não podemos nos distrair no caminho, esquecendo o que precisamos alcançar, mas não devemos perder a oportunidade de falar do Reino a nossos irmãos que encontramos nesse percurso.

Nós também queremos chegar a Jerusalém, não a que foi alcançada por Jesus, mas a Jerusalém Celeste, alcançar a Vida Eterna. O Evangelho nos dá a chave para chegarmos até lá, sermos justos, esse é o segredo para sermos reconhecidos por Deus. A vida aqui na terra é o percurso que caminhamos até o Céu, então devemos observar quem caminha a nosso lado, aproveitando cada momento para evangelizar, sem nos perdermos nas distrações.

No entanto, devemos lembrar que por nossas próprias forças é muito fácil se perder nesse caminho, mas temos um companheiro que está sempre conosco e nos socorre em nossas fraquezas, como bem nos instrui São Paulo na sua Carta aos Romanos, proclamada na Primeira Leitura de hoje, o Espírito nos faz alcançar nossos propósitos da vida na graça. E reforça ainda que, quando estamos em comunhão com Deus, vivendo o seu Amor, tudo contribui para o nosso bem.

Peçamos ao Senhor um coração justo, atenção enquanto caminhamos nesse mundo, ajudando nossos irmãos, para alcançarmos nossa Jerusalém Celeste e vivermos em plena comunhão com Ele!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

O Filho do Homem virá quando menos esperarmos

Cor Litúrgica: Verde

29ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 39 “Ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. 40 Vós também ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes”. 41 Então Pedro disse: “Senhor, tu contas esta parábola para nós ou para todos?” 42 E o Senhor respondeu: “Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa para dar comida a todos na hora certa? 43 Feliz o empregado que o patrão, ao chegar, encontrar agindo assim! 44 Em verdade eu vos digo: o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens. 45 Porém, se aquele empregado pensar: ‘Meu patrão está demorando’, e começar a espancar os criados e as criadas, e a comer, a beber e a embriagar-se, 46 o senhor daquele empregado chegará num dia inesperado e numa hora imprevista, ele o partirá ao meio e o fará participar do destino dos infiéis. 47 Aquele empregado que, conhecendo a vontade do senhor, nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade, será chicoteado muitas vezes. 48 Porém, o empregado que não conhecia essa vontade e fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!. (Lc 12,39-48).

O Filho do Homem virá quando menos esperarmos… O que essa afirmação provoca em você? Desespero? Deus quer nos pregar uma peça, então virá quando estivermos despreparados! Medo? Angústia? Como estarei quando ele chegar, tenho dúvida se terei dignidade para estar em sua presença. Tranquilidade? Por tentar fazer sempre a vontade de Deus, amparo-se em sua misericórdia, e mesmo quando tropeço, busco reconciliação.

Esse último aspecto nos traz um pouco desse sentido da vigilância. Estar vigilante é buscar sempre estar em contato com Deus, quando o faço, busco me conhecer melhor, reconhecer minhas fraquezas, para tentar, pela misericórdia de Deus, fortalece-la, porque se usar minhas próprias forças, serei sempre vencido. E nos momentos de fraqueza, que cair em pecado, ter a observância de buscar a reconciliação o mais rápido possível e me reestabelecer na comunhão com Deus.

Estar vigilante é reconhecer, pela força de Deus, posso superar minhas fraquezas, porém não as posso ignorar, pois quando o faço, torno-me mais vulnerável.

Outro aspecto a que Jesus nos chama a atenção é sobre a medida de justiça, quanto mais se dá, mais irá se cobrar, portanto devemos ter zelo pelas graças que nos são concedidas e que nos revelam a face do Pai. Num tempo em que o senso de responsabilidade cada dia está mais negligenciado, pode-se chegar ao ponto de recusar de conhecer mais a Deus, para não aumentar sua responsabilidade com o Reino de Deus, porém aquele que é fiel, não consegue se contentar na superficialidade, a necessidade de um maior conhecimento é inevitável, e assim nos tornamos ainda mais responsáveis pela construção e propagação do Reino.

Peçamos a Deus, corações fieis, desejosos de O conhecer e O propagar, que se sentem tão amados, que a retribuição deixa de ser uma obrigação para ser o fortalecimento do elo, transformando-se também em amor.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Os discípulos reconhecem na oração o encontro com Deus

Cor Litúrgica: Verde

27ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira


1 Um dia, Jesus estava rezando num certo lugar. Quando terminou, um de seus discípulos pediu-lhe: “Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos”. 2 Jesus respondeu: “Quando rezardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. 3 Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos, 4 e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação'”. (Lc 11,1-4).

Ao pedir que Jesus os ensinasse a rezar, os discípulos foram apresentados às principais necessidades do ser humano.

Pai: alguém que seja próximo, que acolha e ensine, que guie os caminhos por onde seguir;

Santificado seja o teu nome: temos um ser que está acima de nós, que é Santo; reconhecemos que precisamos de alguém para nos dar força.

Venha o teu Reino: a felicidade está em trilhar o caminho do Céu, que precisa começar já na terra.

Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos: nossa subsistência é necessária, e confiamos a Deus o necessário para cada dia. Por isso, não nos devemos apegar a reservas; precisamos tê-las por cautela, mas não devemos deixá-las ocupar o lugar que pertence a Deus. É Ele quem nos provê.

Perdoa-nos os nossos pecados: o perdão é o que nos faz reencontrar Deus e seguir pelo caminho certo; o perdão é uma prova de amor.

Pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores: o perdão recebido reflete no perdão dado; quem se sente amado, ama.

E não nos deixes cair em tentação: só Deus tem a força que nos faz superar nossos limites humanos, nossos desacertos na vida, nossas fraquezas.

Que peçamos a Deus que, muito mais do que rezar, possamos viver e testemunhar a oração do Pai-Nosso diariamente com nossas vidas.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

O Reino e suas exigências

Cor Litúrgica: Branco

Santa Teresa do Menino Jesus, virgem e doutora da Igreja | Memória | Quarta-feira


Naquele tempo, 57 enquanto Jesus e seus discípulos caminhavam, alguém na estrada disse a Jesus: “Eu te seguirei para onde quer que fores”. 58 Jesus lhe respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”. 59 Jesus disse a outro: “Segue-me”. Este respondeu: “Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai”. 60 Jesus respondeu: “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus”. 61 Um outro ainda lhe disse: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares”. 62 Jesus, porém, respondeu-lhe: “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus”. (Lc 9,57-62)

Todos os dias recebemos de Deus um chamado, servir o seu Reino, esse chamado vem de diversas formas e se concretiza por várias missões. Porém, o Evangelho de hoje nos mostra que caso nos apeguemos ao passado, corremos o risco de servir a Deus no presente.

E estar apegado ao passado não é negar à nossa história, inclusive na primeira Leitura Neemias vai reconstruir sinais da sua história, porém recordar não é estar preso ao passado. Quando nos prendemos ao que se passou, deixamos de viver o presente e, muitas vezes, perdemos a perspectiva de futuro.

Quando nos entregamos a Deus, precisamos estar livres, sendo Cristo o centro da nossa vida e seguir a Ele é colocar qualquer outra tarefa em segundo plano.

Hoje, celebramos a Memória de Santa Teresinha do Menino Jesus, que além de Doutora da Igreja, foi declarada padroeira das missões, mesmo não tendo ultrapassado os muros do Carmelo, suas palavras e seu exemplo ecoam até nossos dias, ainda é ela padroeira das vocações.

Iniciando o Mês Missionário, que celebramos na Igreja durante todo esse mês de outubro, coloquemo-nos a disposição do Anúncio do Reino, entregando-nos por inteiro.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Bendito seja Deus que vive eternamente!

Cor Litúrgica: Verde

25ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira


Naquele tempo, 1 Jesus convocou os Doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios e para curar doenças, 2 e enviou-os a proclamar o Reino de Deus e a curar os enfermos. 3 E disse-lhes: “Não leveis nada para o caminho: nem cajado, nem sacola, nem pão, nem dinheiro, nem mesmo duas túnicas. 4 Em qualquer casa onde entrardes, ficai aí; e daí é que partireis de novo. 5 Todos aqueles que não vos acolherem, ao sairdes daquela cidade, sacudi a poeira dos vossos pés, como protesto contra eles”. 6 Os discípulos partiram e percorriam os povoados, anunciando a Boa-Nova e fazendo curas em todos os lugares. (Lc 9,1-6).

O discípulo tem como uma das missões sair ao encontro daqueles que precisam de cuidados na alma e no corpo. E isto só é possível com o anúncio do Reino de Deus. É através do conhecimento Dele que toda a vida pode ser modificada.

Jesus porém pediu-lhes que fossem despojados, quem consegue viver essa entrega, descobre a confiança em Deus, pois tudo lhe é providenciado pelo próprio Deus.

Porém, essa não é uma ação direta, a providência acontece por meio dos irmãos que encontramos pelo caminho, ou muitas vezes temos a chance de ser providência de Deus na vida daqueles que nos visitam.

Há aqueles que não receberão a Palavra, que não terão seus corações tocados, porém que a negação do outro não nos cause desânimo ou desistência. Pois quando nos sentimos rejeitados, nosso coração pode ser marcado pela amargura ou pela tristeza, quando batemos até a poeira dos pés, não permitimos ser afetados de forma negativa, não levamos qualquer ressentimento conosco.

Que saibamos dizer sim ao chamado Missionário de Deus em nossa vida, deixando sempre a marca de amor, que o Reino nos propõe, ainda que recebamos sentimentos contrários. Que seja sempre em Cristo que encontremos sentido e força para continuar.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

A queixa fala do outro ou de mim?

Cor Litúrgica: Verde

24ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira


Naquele tempo, disse Jesus: 31 “Com quem hei de comparar os homens desta geração? Com quem eles se parecem? 32 São como crianças que se sentam nas praças, e se dirigem aos colegas, dizendo: ‘Tocamos flauta para vós e não dançastes; fizemos lamentações e não chorastes!’ 33 Pois veio João Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e vós dissestes: ‘Ele está com um demônio!’ 34 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e vós dizeis: ‘Ele é um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e dos pecadores!’ 35 Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos”. (Lc 7,31-35).

O nosso fazer geralmente envolve expectativas, ao se produzir uma comida, espera que ela alimente algumas pessoas; ao construir uma casa, espera-se que alguém usufrua; ao se cultivar uma plantação, espera-se que caía chuva e que a colheita seja em fartura; quando se costura uma roupa, espera-se que alguém a vista.

Embora, possamos administrar o nosso trabalho, não podemos controlar como os outros o aproveitarão. Mesmo que dermos nosso melhor, poderemos ser alvo de críticas duras.

Hoje a narrativa do Evangelho nos traz uma insatisfação do povo, os contraditórios são motivos de reclamação, então fica a dúvida, qual seria o comportamento esperado por eles?

Criticaram João Batista que fazia jejuns, assim como Jesus por não o fazer. Por isso, precisamos ter cautela e discernimento ao acolher a opinião que os outros nos trazem sobre o que fazemos e sermos misericordiosos ao avaliar o agir do outro. Eles tinham motivos para se comportarem de tal maneira, João Batista vivia a preparação do encontro com Jesus aqui na terra e depois do encontro definitivo com Deus, e preparava seu espírito através do jejum e da oração. Jesus partilhava da vida conosco enquanto estava aqui, deixando rastros do Céu, para que desejássemos também nós percorrer esse caminho.

Eles entendiam o que os levara a agir de determinada forma, o que não era do conhecimento de todos, então nos fica a lição, antes de julgar, entendamos que o outro tem uma história, que traz marcas em sua vida e um propósito, o passado e o futuro constroem nosso presente. Então, tenhamos cuidado com as críticas, tanto as que ouvimos, como as que pronunciamos!

E como nos ensinou São Paulo, na primeira leitura de hoje, “Não pode haver dúvida de que é grande o mistério da piedade: Ele foi manifestado na carne, foi justificado no espírito, contemplado pelos anjos, pregado às nações, acreditado no mundo, exaltado na glória!” (1Tm 3,16). Que tenhamos corações e lábios piedosos ao vivermos em comunidade, dando sentido ao sacrifício de Cristo Crucificado em nossas vidas!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Em Jesus encontramos aquilo que necessitamos

Cor Litúrgica: Verde

23ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira


Naquele tempo, 20 Jesus levantando os olhos para os seus discípulos, disse: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus! 21 Bem-aventurados, vós que agora tendes fome, porque sereis saciados! Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque havereis de rir! 22 Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos insultarem e amaldiçoarem o vosso nome, por causa do Filho do Homem! 23 Alegrai-vos, nesse dia, e exultai pois será grande a vossa recompensa no céu; porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas. 24 Mas, ai de vós, ricos, porque já tendes vossa consolação! 25 Ai de vós, que agora tendes fartura, porque passareis fome! Ai de vós, que agora rides, porque tereis luto e lágrimas! 26 Ai de vós quando todos vos elogiam! Era assim que os antepassados deles tratavam os falsos profetas”. (Lc 6,20-26).

Bem-aventurados são todas as pessoas que tem sua confiança em Deus, e não se desespera quando os tormentos aparecem, pois compreenderam que não são nossas próprias forças que atendem as necessidades que temos e sim o próprio Deus que age em nós.

Vivemos em uma sociedade em que o acúmulo, os excessos, o supérfluo são marcas registradas. O apego a pessoas e bens materiais tornaram-se símbolo de conforto emocional. Onde o sofrimento precisa ser evitado a todo custo. Que preço estamos pagando por isso?

Tempo cada vez mais escasso, vínculos afetivos mais fragilizados, ausências de pessoas presentes (porque embarcados no virtual, esquecem de ocupar o lugar onde estão). Os pobres de Jesus são aqueles que reconhecem que algo lhe falta, não se relacionando exclusivamente ao fator monetário. E felizes aqueles que descobriram a melhor forma de preencher essas necessidades, ancorando-se no próprio Cristo. E ancorar é diferente de encostar, não é deixa-lo fazer tudo e ficar esperando a graça sentado, mas é confiar que aquilo que não podemos fazer, que Ele age por nós.

O desespero tem sido um processo muito visível, desde as crianças até os idosos, e as “crises de ansiedade” são exemplos claros disso. Confiamos em nós mesmos ou em outras pessoas, que podem não atender nossas expectativas, até o ponto de nos decepcionar, mas não temos coragem de entregar o que nos é muito importante nas mãos de Deus, afinal, nós “sabemos o que estamos fazendo”.

Que possamos encontrar em nós a humildade, para que enfim encontremos em Deus a chave para tudo aquilo que nos falta! Que busquemos viver as bem-aventuranças!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Foram curados, modificando a própria vida

Cor Litúrgica: Branco

São Gregório Magno, papa e doutor da Igreja – Memória | Quarta-feira


Naquele tempo, 38 Jesus saiu da sinagoga e entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava sofrendo com febre alta, e pediram a Jesus em favor dela. 39 Inclinando-se sobre ela, Jesus ameaçou a febre, e a febre a deixou. Imediatamente, ela se levantou e começou a servi-los. 40 Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes atingidos por diversos males, os levaram a Jesus. Jesus colocava as mãos em cada um deles e os curava. 41 De muitas pessoas também saíam demônios, gritando: “Tu és o Filho de Deus”. Jesus os ameaçava, e não os deixava falar, porque sabiam que ele era o Messias. 42 Ao raiar do dia, Jesus saiu, e foi para um lugar deserto. As multidões o procuravam e, indo até ele, tentavam impedi-lo que os deixasse. 43 Mas Jesus disse: “Eu devo anunciar a Boa-Nova do Reino de Deus também a outras cidades, porque para isso é que eu fui enviado”. 44 E pregava nas sinagogas da Judeia. (Lc 4,38-44).

O Evangelho de hoje enfatiza três aspectos da nossa fé: a importância da intercessão dos e para com os irmãos; uma vez que somos tocados por Jesus, é inevitável colocarmo-nos a serviço; e precisamos estar onde Deus precisa de nós.

As pessoas que estavam na casa de Simão pedem por sua sogra, que está enferma. Simão é alguém íntimo de Jesus, mas, do jeito que Ele age daqueles que são do seu convívio, também o faz sobre outros que são anônimos a nós, porém conhecidos a Ele, pois Jesus conhece a todos e sabe das necessidades de cada um.

E, assim como pediram pela sogra de Pedro, outros levaram a Jesus seus enfermos. Alguns, talvez, nem conhecessem Jesus até então. Foram curados, modificando a própria vida, fortalecendo a fé dos que os conduziram até ali e sendo testemunhas para muitos que passaram ao longo de suas vidas.

Voltando à sogra de Pedro, vemos como Jesus modifica nossa vida: quem antes estava limitada pela doença, diante da ação de Jesus, é curada e coloca-se a serviço. Também nós devemos fazer o mesmo!

E, por último, as pessoas desejam que Jesus permaneça com elas, O acolhem, alguns pelo que Jesus lhes pode oferecer, outros por O amarem e desejarem estar próximos a quem se ama. Porém, Ele deixa esse ambiente, pois sabe que a missão continua e que sua presença é necessária em outros lugares, ainda que não seja bem acolhido, como aconteceu em sua própria terra.

Que sejamos intercessores na vida daqueles que esmorecem, levando-os a Jesus; que aceitemos a intercessão dos irmãos quando formos nós os que estivermos a padecer; que, pela ação de Jesus, coloquemo-nos a serviço; e que estejamos onde a missão precisa de nós, e não apenas onde desejamos estar.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Deus é infinito em sua bondade

Cor Litúrgica: Branco

São Bernardo, abade e doutor da Igreja | Memória | Quarta-feira


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 1 “O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. 2 Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha. 3 Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo, viu outros que estavam na praça, desocupados, 4 e lhes disse: ‘Ide também vós para a minha vinha! E eu vos pagarei o que for justo’. 5 E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa. 6 Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse: ‘Por que estais aí o dia inteiro desocupados?’ 7 Eles responderam: ‘Porque ninguém nos contratou’. O patrão lhes disse: ‘Ide vós também para a minha vinha’. 8 Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos, começando pelos últimos até os primeiros!’ 9 Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde e cada um recebeu uma moeda de prata. 10 Em seguida vieram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata. 11 Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: 12 ‘Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro’. 13 Então o patrão disse a um deles: ‘Amigo, eu não fui injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata? 14 Toma o que é teu e volta para casa! Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti. 15 Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?’ 16a Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos”. (Mt 20,1-16a).

É difícil ao homem entender a lógica de Jesus, por muitas vezes, pois quando passamos a nos orientar por nossas expectativas e não pelo direcionamento de Deus, somos frustrados.

Enquanto temos um olhar proporcional, ou seja, quanto mais rezamos, quanto mais fazemos, quanto mais evangelizamos, mais graças teremos… Deus tem um olhar misericordioso, que acolhe todos na mesma medida. Mais importante que o quantitativo do que fazemos para Ele, é a nossa entrega, o direcionamento do nosso coração.

O tempo do chamado para o trabalho na vinha foi diferente, alguns nas primeiras horas dia, outros ao longo das horas e outros uma hora antes que o trabalho findasse. Alguns conhecem Deus e recebem seu chamado ainda crianças, outros na juventude, na meia idade, alguns já maduros, idosos, outros nos últimos instantes de sua vida. O Reino é para todos na mesma medida, independente do tempo de serviço, todos receberemos a graça de viver a eternidade no Céu, desde que atendamos ao chamado de Deus e nos coloquemos à serviço.

Que o chamado de Deus encontre corações disponíveis!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Deus preza pela comunhão entre os irmãos

Cor Litúrgica: Branco

Santa Dulce Lopes Pontes, virgem – Memória | Quarta-feira


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo! Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão. Se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas. Se ele não vos der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como se fosse um pagão ou um pecador público. Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. De novo, eu vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isto vos será concedido por meu Pai que está nos céus. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome eu estou ali, no meio deles”. (Mt 18,15-20)

Você já parou para pensar no poder que o irmão tem na sua vida? E, ao contrário, no poder que você tem sobre a vida dele?

O Evangelho de hoje nos apresenta o que conhecemos como correção fraterna — a obrigação que temos de cuidar uns dos outros — e também a humildade necessária para nos deixarmos corrigir por nossos irmãos.

Esse é um caminho que favorece o crescimento pessoal, espiritual e comunitário. Ao alertarmos nossos irmãos sobre um erro, damos a eles a oportunidade de voltar à comunhão com Cristo. Contudo, é preciso cuidado, pois não somos juízes da vida do outro. Para agir assim, devemos conhecer a Palavra de Deus e orientar o irmão a partir dela, pois nela estão expressos os caminhos que o Senhor espera que trilhemos.

A humildade deve estar presente tanto em quem corrige quanto em quem é corrigido, pois é preciso reconhecer o erro para retornar aos ensinamentos que Deus nos dá.

A discrição também é fundamental. Por isso, a correção deve começar de forma individual; se não houver escuta, busca-se apoio na comunidade — mais um ou dois irmãos — para intervir junto com o primeiro. E, se ainda assim houver persistência no erro, recorre-se a um grupo maior de fiéis. Sempre lembrando que o objetivo principal é recuperar aquela alma para Deus, e que para isso o amor precisa estar presente.

Esse processo exige perseverança, pois muitos desistem logo no início, considerando certos casos como “perdidos”. No entanto, Deus conta conosco nessa missão.

Por fim, o evangelista reforça a importância da unidade da comunidade ao exortar sobre a oração coletiva. Muitos se acostumaram a orar somente de forma individual, alegando que “Deus conhece meu coração, e só Ele basta”. Mas o texto de hoje nos mostra que, quando nos reunimos em torno de uma intenção, ela ganha força diante de Deus.

Portanto, estar em comunidade é essencial: para nos mantermos firmes no caminho de Deus, para ajudar nossos irmãos a fazerem o mesmo e para que nossas orações alcancem maior intensidade no clamor ao Pai.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.