Cor Litúrgica: Branco
São Francisco Xavier, presbítero | Memória | Quarta-feira
Naquele tempo, Jesus foi para as margens do mar da Galileia, subiu a montanha, e sentou-se. Numerosas multidões aproximaram-se dele, levando consigo coxos, aleijados, cegos, mudos, e muitos outros doentes. Então os colocaram aos pés de Jesus. E ele os curou O povo ficou admirado, quando viu os mudos falando, os aleijados sendo curados, os coxos andando e os cegos enxergando. E glorificaram o Deus de Israel. Jesus chamou seus discípulos e disse: “Tenho compaixão da multidão, porque já faz três dias que está comigo, e nada tem para comer. Não quero mandá-los embora com fome, para que não desmaiem pelo caminho”. Os discípulos disseram: “Onde vamos buscar, neste deserto, tantos pães para saciar tão grande multidão?” Jesus perguntou: “Quantos pães tendes?” Eles responderam: “Sete, e alguns peixinhos”. E Jesus mandou que a multidão se sentasse pelo chão. Depois pegou os sete pães e os peixes, deu graças, partiu-os, e os dava aos discípulos, e os discípulos, às multidões. Todos comeram, e ficaram satisfeitos; e encheram sete cestos com os pedaços que sobraram. (Mt 15,29-37)
Alguns elementos chamam atenção nesse Evangelho de hoje:
1. Jesus sobe a montanha, lugar do encontro com Deus, segundo a tradição judaica;
2. A multidão O seguia e já reconhecia nele a pessoa da cura. Essas pessoas não iam sozinhas;
3. Levavam consigo alguns necessitados, que talvez não conseguissem chegar sozinhos, já que o alto da montanha seria de difícil ou impossível acesso para vários dos que tinham limitações: coxos, aleijados, cegos, mudos e outros doentes;
4. Eles eram colocados aos pés de Jesus. Os pés não ficam no campo de visão; nossos olhos precisam se voltar para vermos o que está a nossos pés. E Jesus voltava não só o olhar, mas a atenção e a ação, curando-os;
5. O agir de Deus causa admiração, e esta gera o louvor a Deus;
6. Jesus vê não apenas as necessidades explícitas: além das curas, por enxergar e cuidar das mazelas do povo, Ele ainda reconhece sua fome, sem sequer eles precisarem falar, e evita que os problemas surjam quando eles se dispersarem daquele lugar. A ação não se limita ao que está feito ali, na montanha, mas os sustenta no caminho de volta ao lar, de cada um;
7. Os discípulos não veem solução para um problema tão grande: a multidão era numerosa, o alimento escasso e os recursos limitados;
8. Oferecer o que tinham foi mais que suficiente; eles poderiam ter escondido o pouco que possuíam, o que poderia ser insuficiente inclusive para o grupo dos apóstolos;
9. Jesus convida a multidão a se acomodar, abençoa o alimento e o parte: é a bênção de Deus que faz com que a partilha seja suficiente para saciar a todos, e ainda haja sobras. E, só para frisar, por mais que muitos conheçam essa passagem bíblica como a multiplicação dos pães, o único verbo utilizado é partir. Quando partilhamos o que temos, nunca faltará para ninguém;
10. Fica por sua conta completar esse ponto.
Alanny Veras
Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.
