Cor Litúrgica: Vermelho
São Josafá, bispo e mártir | Memória | Quarta-feira
Aconteceu que, caminhando para Jerusalém, Jesus passava entre a Samaria e a Galileia. Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos vieram ao seu encontro. Pararam à distância, e gritaram: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!” Ao vê-los, Jesus disse: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”. Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu. E este era um samaritano. Então Jesus lhe perguntou: “Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?” E disse-lhe: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”. (Lc 17,11-19)
O Evangelho de hoje é um dos mais conhecidos e difundidos. Jesus que tem misericórdia do leproso e a gratidão de apenas um que volta para reconhecer e agradecer a graça que Ele proporcionou.
A lepra era uma doença que excluía, você perdia a cidadania ao ser contaminado, e com isso perdia a dignidade de ser humano, precisava viver afastado das áreas urbanas, era uma morte em vida, afastava-se da família, do trabalho, dos amigos. E provavelmente a dor não se restringia apenas ao que havia sido contaminado, mas à mãe, ao pai, à esposa, ao marido, aos filhos e filhas que perdiam o convívio de seus parentes queridos. A chaga impressa na carne não era capaz de traduzir a chaga expressa na alma.
O corpo do leproso aos poucos ia definhando, os hematomas, sangramentos, mau cheiro eram aparentes. E a essa doença era associada a ideia de ter sido abandonado por Deus, tornando-se impuro, palavra que inclusive eles eram obrigados a gritar, quando alguém se aproximava.
O encontro com Jesus trouxe uma nova esperança para aqueles homens já condenados, esperando a morte do corpo que se acelerava a cada dia. Jesus é vida, é purificação, é o novo que se apresenta, é o impossível alcançado. Eles não pedem para serem curados e sim para que Jesus tenha misericórdia deles. Talvez eles quisessem muitas coisas, mas confiaram a Jesus as suas vidas, pois pela misericórdia o Mestre lhes daria o que eles precisavam.
Apresentar-se ao sacerdote fazia parte do ritual daqueles que se curavam. Quando Jesus os envia à essa apresentação, eles não duvidam, não titubeiam, nem esperam, apenas se colocam a caminhar. Jesus dá a direção, eles se decidem por se colocar em movimento imediatamente.
Foi durante a caminhada que a cura foi acontecendo. E eles podiam enxergar um no outro esse processo, provavelmente sentiam no próprio corpo as transformações, mas era ver o outro sendo curado, que os impulsionava a continuar caminhando.
Em um grupo de dez, todos receberam a mesma ordem, tomaram a mesma decisão, agiram segundo a orientação de Jesus. Todos confiaram e foram obedientes, mas um se destacou, pela gratidão. E isso nos faz recordar dos inúmeros pedidos que fazemos a Jesus, mas da pouca habilidade que temos de agradecer. Um coração grato nos leva até a fonte da nossa graça, provavelmente ele tinha uma família para abraçar, tinha amigos para rever, tinha lugares onde não mais frequentava e que desejava estar, mas nada disso teria sentido se a ação de Cristo não tivesse acontecido. Ele pode se religar a vários aspectos da sua vida, mas primeiro ele foi agradecer a quem lhe havia proporcionado tudo isso. Ele estava de volta à vida, mas só teria sentido aproveitá-la entendendo que foi por meio de Jesus que ela foi resgatada, um coração grato salva.
Outra particularidade, quem voltou para agradecer foi um samaritano, ou seja, alguém que tinha desavenças com os judeus, Jesus veio para todos. A indagação final, nos faz inferir que entre esses dez existiam outros grupos populacionais, provavelmente também judeus, a doença, a dor e a exclusão une para que haja sobrevivência. E nem sempre os que reconhecem o poder de Jesus serão os de casa, os de seu povo.
Que hoje busquemos se em nossa vida temos reconhecido Jesus como Aquele que tem misericórdia conosco, se a confiança e a obediência ao que Ele nos ordena acontecem, se a superação das diferenças com nossos irmãos é uma realidade e principalmente se nosso coração é grato a Deus!
Alanny Veras
Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.


