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A queixa fala do outro ou de mim?

Cor Litúrgica: Verde

24ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira


Naquele tempo, disse Jesus: 31 “Com quem hei de comparar os homens desta geração? Com quem eles se parecem? 32 São como crianças que se sentam nas praças, e se dirigem aos colegas, dizendo: ‘Tocamos flauta para vós e não dançastes; fizemos lamentações e não chorastes!’ 33 Pois veio João Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e vós dissestes: ‘Ele está com um demônio!’ 34 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e vós dizeis: ‘Ele é um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e dos pecadores!’ 35 Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos”. (Lc 7,31-35).

O nosso fazer geralmente envolve expectativas, ao se produzir uma comida, espera que ela alimente algumas pessoas; ao construir uma casa, espera-se que alguém usufrua; ao se cultivar uma plantação, espera-se que caía chuva e que a colheita seja em fartura; quando se costura uma roupa, espera-se que alguém a vista.

Embora, possamos administrar o nosso trabalho, não podemos controlar como os outros o aproveitarão. Mesmo que dermos nosso melhor, poderemos ser alvo de críticas duras.

Hoje a narrativa do Evangelho nos traz uma insatisfação do povo, os contraditórios são motivos de reclamação, então fica a dúvida, qual seria o comportamento esperado por eles?

Criticaram João Batista que fazia jejuns, assim como Jesus por não o fazer. Por isso, precisamos ter cautela e discernimento ao acolher a opinião que os outros nos trazem sobre o que fazemos e sermos misericordiosos ao avaliar o agir do outro. Eles tinham motivos para se comportarem de tal maneira, João Batista vivia a preparação do encontro com Jesus aqui na terra e depois do encontro definitivo com Deus, e preparava seu espírito através do jejum e da oração. Jesus partilhava da vida conosco enquanto estava aqui, deixando rastros do Céu, para que desejássemos também nós percorrer esse caminho.

Eles entendiam o que os levara a agir de determinada forma, o que não era do conhecimento de todos, então nos fica a lição, antes de julgar, entendamos que o outro tem uma história, que traz marcas em sua vida e um propósito, o passado e o futuro constroem nosso presente. Então, tenhamos cuidado com as críticas, tanto as que ouvimos, como as que pronunciamos!

E como nos ensinou São Paulo, na primeira leitura de hoje, “Não pode haver dúvida de que é grande o mistério da piedade: Ele foi manifestado na carne, foi justificado no espírito, contemplado pelos anjos, pregado às nações, acreditado no mundo, exaltado na glória!” (1Tm 3,16). Que tenhamos corações e lábios piedosos ao vivermos em comunidade, dando sentido ao sacrifício de Cristo Crucificado em nossas vidas!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

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