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Que a glória de Deus te envolva

Cor Litúrgica: Branco

Transfiguração do Senhor – Festa | Quarta-feira


Naquele tempo, Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar. Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante. Eis que dois homens estavam conversando com Jesus: eram Moisés e Elias. Eles apareceram revestidos de glória e conversavam sobre a morte, que Jesus iria sofrer em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Ao despertarem, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele. E quando estes homens se iam afastando, Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que estava dizendo. Ele estava ainda falando, quando apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Os discípulos ficaram com medo ao entrarem dentro da nuvem. Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!” Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho. Os discípulos ficaram calados e naqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto. (Lucas 9,28b-36)

Ver a glória de Deus nem sempre é ter alívio. Pedro, João e Tiago presenciaram um dos momentos mais sublimes de Jesus na terra, a expressão simultânea do divino e do humano diante de seus olhos.

Diante de tal cena, eles ficaram confusos, não sabiam o que fazer. E o medo os tomou quando foram envoltos pela nuvem, expressão da presença de Deus (da nuvem se ouviu a voz de Deus).

Nem sempre somos capazes de compreender o agir de Deus, por isso, temos sentimentos contrários aos que deveríamos ter ao estarmos na graça de Deus. Muitas vezes sentimo-nos indignos, despreparados, incompreendidos, nem por isso Deus freará sua ação.

Como você tem vivenciado o encontro com as bênçãos que Deus tem te enviado? Há entrega e confiança? Por mais que as situações pareçam desfavoráveis, Deus está aí e pode te fazer tirar proveitos dos momentos mais desafiadores da sua vida.

A Transfiguração nos prepara para a Crucifixão, a Luz infinitamente resplandecente não se apaga com o sangue escorrido e a face desfigurada, ela continua lá, ela continua apesar da dor.

Que consigamos nos percalços da vida enxergar a Luz de Cristo que brilha nos dias mais sombrios. Só assim, seremos como os três discípulos que após experienciarem a Luz, passarem pela Cruz, viverem a Ressurreição de Cristo, foram capazes de cumprir sua Missão: Pedro conduzindo a Igreja, João ficou responsável pelos cuidados com Maria após o Calvário e Tiago foi o primeiro dos doze apóstolos a ser martirizado, entregando sua vida em nome e da continuidade do Anúncio do Reino.

Peçamos a Jesus, que nunca percamos a graça de enxergar a Luz que emana dEle e que envoltos pela presença de Deus, sejamos fortalecidos, como foram Pedro, João e Tiago, que superaram o medo e cumpriram suas missões.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Você já desejou adquirir algo na vida?

Cor Litúrgica: Verde

17ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira


Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 44 “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo. 45 O Reino dos Céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. 46 Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola”. (Mt 13,44-46).

Você já desejou adquirir algo na vida? Para conseguir comprar este algo, é preciso desenvolver uma estratégia. Há quem adquira o produto, parcele em várias vezes e vá pagando aos poucos. Já outros aguardam alguns meses, vão juntando uma quantia, se desfazem de algum bem que já tenham para conquistar aquele objeto desejado.

Para entrar no Reino dos Céus é semelhante a esse segundo caso: passamos a vida abdicando de algumas situações, exercitando nossa fé, buscando a cada dia o encontro com Jesus, pedindo a intercessão do Espírito Santo e esperando a misericórdia do Pai. Desenvolvemos as virtudes que Deus nos concedeu, compartilhamos a vida com os irmãos, para podermos viver a glória da Eternidade.

Tudo o que temos, todas as pessoas que estão em nossas vidas, todos os lugares que gostamos de estar, todos os hobbies que escolhemos — enfim, tudo o que nos gera felicidade aqui na terra — não se compara ao que viveremos quando estivermos no Reino. Juntarmos tudo o que temos para comprar o campo que tem o tesouro ou aquela pedra preciosa é entregarmos tudo o que temos hoje em nossa vida a Jesus; é usufruir de tudo o que Deus nos concedeu aqui para nos aproximar d’Ele; é estar em comunhão com o Pai em cada gesto, em cada companhia, em cada bem que adquirimos; é transformar tudo o que conquistamos nessa vida em favor de nossa santidade.

Que, a cada conquista, agradeçamos a Deus e peçamos que aquele ganho seja motivo de santificação em nossa vida; que, a cada perda, consigamos enxergar o amparo de Deus e que ela também seja para nossa santificação. É sermos capazes de “comprar” nossa entrada no Reino do Céu, pagando com o preço justo: nossa vida e tudo que nela contém.

Que reconheçamos o valor que é estar na presença de Jesus, para podermos viver o Céu já aqui na terra!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Quais tem sido os frutos que tens apresentado ao Senhor?

Cor Litúrgica: Verde

16ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira


1 Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galileia. 2 Uma grande multidão reuniu-se em volta dele. Por isso Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. 3 E disse-lhes muitas coisas em parábolas: “O semeador saiu para semear. 4 Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram. 5 Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. 6 Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz. 7 Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas. 8 Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente. 9 Quem tem ouvidos, ouça!”. (Mt 13,1-9).

O Evangelho de hoje nos aponta que Jesus acolhe todos que o buscam, porém revela, através da parábola, que as intenções são diversas e que serão estas que levará a permanecer com o Cristo ou dissipar-se.

Se falarmos da perspectiva de sermos as sementes, precisamos observar em qual terreno estamos nos lançando, para darmos frutos e eles permanecerem, precisamos estar em terreno bom, que nos favoreça o crescimento, que acolha nossa história, que nos ensine a fraternidade, a comunhão, o compromisso, a entrega, como Jesus o fez.

Se nos vermos na versão de terreno, precisamos refletir o que temos feito para sermos bom para o plantio. do jeito que a terra precisa ser preparada para receber a semente, nosso coração precisa ser preparado para receber a Palavra e fazê-la ecoar em nossa vida.

Porém para que o terreno seja bom, acima de tudo, faz-se necessária a fé, para evitarmos a murmuração, a discórdia, a dúvida, como fizeram os hebreus no Egito. Ao invés de pedir o que lhe faltava, murmuraram, chegando a desejar voltar para uma vida de escravidão. Muitas vezes agimos assim, quando temos receio se Deus vai fazer o que nos pede e acreditamos que precisamos fazer por nossas próprias forças, até por acreditar que Ele esteja demorando demais.

Jesus veio como sinal de libertação, de vitória sobre a morte, ele nos cultiva e nos modela até que nos tornemos terreno bom e acolhendo a Palavra dEle, sejamos frutuosos em nossas vidas. Portanto, não nos deixemos desanimar pelas dificuldades, sufocar pelas angústias, nem sejamos superficiais. Mas no nosso encontro diário com Deus, deixemos que Ele prepare a terra do nosso coração!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Jesus nos torna sua família

Cor Litúrgica: Branco

Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo – Festa | Quarta-feira


Naquele tempo, 46 enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. 47 Alguém disse a Jesus: “Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo”. 48 Jesus perguntou àquele que tinha falado: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” 49 E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. 50 Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. (Mt 12,46-50).

Você deseja fazer parte da família de Jesus?
Você se considera membro da família de Jesus?
Você se tornou membro da família de Jesus?

Para sermos cristãos, irmãos em Cristo, apenas uma ação nos é pedida: fazer a vontade do Pai. Porém, um pedido simples carregado de desafios…

Exige fé, para confiar nos momentos em que tudo parece contrário; humildade, para se desfazer de si mesmo e dos próprios projetos e planos e viver os que Deus nos impulsiona; conversão, abandonar os pecados, principalmente os cativos.

Equivocadamente, alguns entendem essa passagem como se Jesus tivesse renegado sua família inicial, o que é impossível pela sua afirmação, pois o primeiro exemplo de obediência a Deus é a própria Maria. Pelo contrário, com essa exortação, Ele expande para nós a possibilidade de pertencer a essa família dos filhos do Pai.

Porém, está em nossas mãos a decisão por integrar essa família. Ele nos abriu o Caminho através da sua Cruz e Ressurreição. Hoje, depende de nós, fazendo-nos obedientes como foi Maria, que hoje é celebrada sob o título de Nossa Senhora do Carmo. Essa devoção traz um sinal visível: o escapulário, que é sinal de proteção e privilégio, lembrando o amor e cuidado materno de Maria. Seja como paramento dos religiosos carmelitas ou como adorno em nossos pescoços, em formato de cordão, que o escapulário seja sinal de entrega nossa a Deus.

Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Deus nos chama pelo nome

Cor Litúrgica: Branco

Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, virgem – Memória | Quarta-feira


Naquele tempo, 1 Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade. 2 Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João; 3 Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4 Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus. 5 Jesus enviou estes Doze, com as seguintes recomendações: “Não deveis ir aonde moram os pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! 6 Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! 7 Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo'”. (Mt 10,1-7) .

A missão que Deus nos reserva é direcionada, e cada um tem seu papel no plano da salvação. Até Judas, descrito como “aquele que traiu Jesus”, teve seu chamado. E, ainda que Jesus conhecesse sua índole, não o excluiu.

Outra inquietação que esse Evangelho nos traz é: por onde devemos começar nossa evangelização? Não deve ser pelos que estão distantes, pelos desconhecidos, mas sim pelos mais próximos, pelos nossos que estão desgarrados. Isso não significa que não iremos aos mais distantes — mas nossa missão começa em nossos lares, em nossos trabalhos, dentro da Igreja, com aqueles que caminham ao nosso lado.

Que nosso testemunho de vida seja coerente, para que sejamos reconhecidos como discípulos de Cristo.

Estejamos atentos ao chamado de Cristo, disponíveis para responder “sim” e unidos a Ele, para permanecermos fiéis — e assim, levarmos outros ao Reino dos Céus!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Receberam a graça, mas não foram capazes de acolhê-la

Cor Litúrgica: Verde

13ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira


Naquele tempo, 28 quando Jesus chegou à outra margem do lago, na região dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois homens possuídos pelo demônio, saindo dos túmulos. Eram tão violentos, que ninguém podia passar por aquele caminho. 29 Eles então gritaram: “O que tens a ver conosco, Filho de Deus? Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?” 30 Ora, a certa distância deles, estava pastando uma grande manada de porcos. 31 Os demônios suplicavam-lhe: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos”. 32 Jesus disse: “Ide”. Os demônios saíram, e foram para os porcos. E logo toda a manada atirou-se monte abaixo para dentro do mar, afogando-se nas águas. 33 Os homens que guardavam os porcos fugiram e, indo até à cidade, contaram tudo, inclusive o caso dos possuídos pelo demônio. 34 Então a cidade toda saiu ao encontro de Jesus. Quando o viram, pediram-lhe que se retirasse da região deles. (Mt 8,28-34).

Nem sempre somos capazes de perceber no agir de Deus a nossa melhoria de vida. Fixados na perca material (porcos), eles não perceberam a libertação dos irmãos que ali estavam, e ainda que não se importassem com os outros, o risco de ataques por aqueles homens e o desbloqueio do caminho por onde eles ficavam também foram minimizados.

A graça que acontece na vida do outro reflete diretamente em todos que compõem a comunidade, Porém, nem todos conseguem reconhecer isso, chegando inclusive a se felicitar com as desgraças que acontecem na vida dos menos afeiçoados.

Eles se acostumaram com os ataques daqueles homens, ele habituaram a não usar a estrada, eles estavam acomodados à sua realidade, quando Jesus age, tira-os dessa condição, por mais que isso possa melhorar a qualidade de vida de todos, seria melhor continuar da forma como estavam acostumados.

O apego aos bens materiais e ao estilo de vida impede esses homens de encontrarem com Jesus. Eles O veem, eles conversam com Ele, compartilham um momento, recebem a graça da paz e da restituição do caminho, mas decidem por se manterem distantes, pedem que Cristo vá embora, talvez inclusive impedindo que outras pessoas possam experienciar dessa vida na graça.

Nem sempre ser testemunha do agir de Deus, torna-nos discípulos. Peçamos a Deus, no dia de hoje que nos dê um coração aberto à sua graça, que o aceitemos em nossas vidas, ainda que mudanças sejam necessárias e principalmente, que sejamos gratos, para que o agir dEle transforme-nos.

Uma abençoada quarta!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Ver para além das aparências

Cor Litúrgica: Verde

12ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 15 “Cuidado com os falsos profetas: Eles vêm até vós vestidos com peles de ovelha, mas por dentro são lobos ferozes. 16 Vós os conhecereis pelos seus frutos. Por acaso se colhem uvas de espinheiros ou figos de urtigas? 17 Assim, toda árvore boa produz frutos bons, e toda árvore má, produz frutos maus. 18 Uma árvore boa não pode dar frutos maus, nem uma árvore má pode produzir frutos bons. 19 Toda árvore que não dá bons frutos é cortada e jogada no fogo. 20 Portanto, pelos seus frutos vós os conhecereis”. (Mt 7,15-20).

Coerência — eis uma palavra complexa de ser vivida. Se no tempo de Jesus a camuflagem já acontecia, imagine nos dias de hoje, em que as pessoas “montam” realidades que lhes são totalmente alheias.

Como desvendar o que é verdade e o que é mentira? Cristo nos revela o segredo em sua Palavra, quando nos pede para olharmos para os resultados que a vida da pessoa apresenta. Pode-se até tentar esconder as próprias ações quando são más, quando são contra-testemunhos, já que o resultado revela quem faz uma ação — ainda que aparentemente boa — com má intenção, e vice-versa.

Porém, Ele não denuncia apenas a incoerência entre ações e resultados, mas também nossa pressa em avaliar, a falta de discernimento, que apenas olha para as aparências e se apega a elas como se fossem verdade. A vida no Reino exige de nós coerência, mas principalmente atenção, para não sermos enganados pelos lobos revestidos em pele de cordeiro.

Em um mundo em que a pressa tornou-se um ingrediente essencial, parar, avaliar e discernir são atitudes que nos livram de armadilhas. Peçamos a Deus que sejamos capazes de olhar para as pessoas e suas ações com as lentes d’Ele, para que consigamos enxergar o que não é da sua vontade — não para julgar os incoerentes, mas para não cairmos em sua astúcia. E, principalmente, ao dar visibilidade a tais ações, ofereçamos ao outro a oportunidade de julgar seus próprios atos e favorecer sua mudança. Afinal, Deus não nos manda matar os lobos — Ele nos indica que devemos ser cautelosos com eles.

Rezemos ainda a Deus para que nossos frutos sejam bons e que aquilo que produzirmos e for estragado (ruim) se transforme em adubo. Que não paremos em nossos pecados, uma vez que Deus nos abriu a via da Misericórdia, pelo arrependimento e pela confissão.

Que nossos corações sejam adubados pelo amor de Deus, para que possamos dar bons frutos. E que despertemos, a cada dia, a imagem e semelhança do Cordeiro Imolado, como fomos criados. E que tenhamos discernimento para ver a verdade, para além das aparências.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Uma linha direta com Deus

Cor Litúrgica: Verde

11ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1 “Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus. 2 Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo, eles já receberam a sua recompensa. 3 Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, 4 de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 5 Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo, eles já receberam a sua recompensa. 6 Ao contrário, quando tu orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa. 16 Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo, Eles já receberam a sua recompensa. 17 Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18 para que os homens não vejam que tu estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”. (Mt 6,1-6.16-18).

Assim deve ser a intenção das nossas ações, ligadas diretamente a Deus, ainda que, para isso, a nossa vida ou a de nossos irmãos sirva como instrumento intermediário.

O nosso coração guarda tesouros, verdadeiras preciosidades, que, muitas vezes, só Deus pode ver. Para que isso aconteça, faz-se necessária a humildade em nosso viver.

O status, o reconhecimento, a troca de favores são grandes motivadores, hoje em dia, para o agir de muitas pessoas. Vivemos em uma sociedade em que a visibilidade e os favorecimentos têm sido centrais. Perdeu-se muito da mística da caridade, da fraternidade, onde o amor a Deus nos leva a amar os irmãos, ver suas necessidades e atendê-las.

Esse é o convite do Evangelho de hoje: retomar o caminho do coração de Deus, onde a justiça acontece por meio da esmola (caridade), do jejum e da oração. Esse é o tripé que nos fortalece durante a Quaresma, enquanto vivemos a espera e a preparação do maior ato de Amor da humanidade: a entrega de Jesus na Cruz e Sua posterior Ressurreição. Porém, ainda que sejam ações mais incentivadas no tempo citado, precisam ser renovadas diariamente; devem ser uma prática constante, pois são essas ações que nos levam ao encontro com o Cristo e nos conduzem ao Céu.

Que, diante das aparências das redes sociais, do consumismo ao qual somos expostos, envoltos e estimulados, do individualismo e egoísmo cada vez mais presentes, sejamos capazes de ser discípulos do Cristo, que nos ensina o amor, a caridade, o jejum e a oração, transformando nossas vidas e as de nossos irmãos.

Que nosso agir não seja uma prestação de contas aos irmãos, mas uma verdadeira declaração de amor a eles, a nós mesmos e, principalmente, a Deus!

Um abençoado dia!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Os discípulos de Cristo são promotores da paz

Cor Litúrgica: Vermelho

São Barnabé, Apóstolo – Memória | Quarta-feira


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7 “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. 8 Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! 9 Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; 10 nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento. 11 Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida. 12 Ao entrardes numa casa, saudai-a. 13 Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz”. (Mt 10,7-13).

Quando Jesus anuncia a proximidade do Reino dos Céus, Ele exprime nossa capacidade de vivê-lo já aqui na terra. Cada vez que agimos conforme a vontade de Deus, fazemos o Céu acontecer já neste momento em nossas vidas e na dos nossos irmãos.

O discípulo de Cristo leva a graça de Deus à vida das pessoas, e muitas expressões dessa graça se manifestam desde situações corriqueiras até os atos que, aos nossos olhos, seriam impossíveis. Ou seja, se expressa desde o ordinário até o extraordinário. Pois, em Deus, não existe limite; nós é que, às vezes, não nos preparamos para receber a graça que Ele nos concede e deixamos a oportunidade passar ou não a aproveitamos para nos aproximar d’Ele.

E, para experienciarmos esse Reino, precisamos identificar em quem apoiamos nossa confiança, pois não há riqueza terrena que nos dê garantias. Vemos inundações que levam casas com tudo o que está dentro; vemos secas destruírem plantações extensas; vemos o fogo devastar produções que elaboramos; vemos tempestades devastarem regiões inteiras. Nada do que temos é seguro, exceto nossa fé em Deus e o Seu agir em nossas vidas. O que temos, o que trabalhamos e o que construímos faz parte do nosso sustento, e é justo o recebermos quando o buscamos.

O viver em Deus dá-nos a garantia da paz, e essa é expandida para todos que conosco vivem. Embora nem todos a acolham, quem promove a discórdia, o desânimo, o descontentamento, o entristecimento — próprios de quem não vive em paz — não é capaz de contagiar quem a tem. Nem a paz que é oferecida a estes se perde; ela se multiplica na vida de quem a promove.

Que sejamos sinais do Cristo, levando a paz por onde caminharmos!


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Eu quero a companhia do Espírito Santo

Cor Litúrgica: Branco

6ª Semana da Páscoa | Quarta-feira


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora. Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu”. (Jo 16,12-15)

Jesus nos faz recordar nossas limitações, nossa capacidade é reduzida e só nos tornamos plenos pela ação do Espírito Santo.

Ele nos promete que mandará o Espírito que ampliará nosso entendimento sobre a vida, principalmente para compreender as ações que vem de Deus. E nos dar as habilidades que nos faltariam por conta própria.

Porém, muitas vezes nos percebemos como autossuficiente, renegando a ação do Espírito, e os desesperos e angústias aparecem.

Se fazemos do Espírito Santo nosso amparo, nosso amigo, nossa companhia, vamos descobrindo uma vida diferente. Ainda que nossos planos não se concretizem parcial ou totalmente, aprendemos a nos entregar à vontade de Deus. Fazemos nossa parte, porém entendemos que algumas esperas são necessárias, que alguns planos serão refeitos ou até mesmo desfeitos, mas nosso coração encontra paz, quando o agir vem de Deus.

Que todos os dias busquemos a companhia do Paráclito, do Consolador, do Animador, do Iluminador de nossas Almas, só assim faremos a vontade de Deus e encontraremos a felicidade.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Que sejamos galhos firmes

Cor Litúrgica: Branco

5ª Semana da Páscoa | Quarta-feira


Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: 1 “Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. 2 Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. 3 Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. 4 Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim. 5 Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6 Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. 7 Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. 8 Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos”. (Jo 15,1-8).

Deus é Aquele que zela por nós, que semeia, rega, aduba e poda. Enquanto recebemos graças, ficamos satisfeitos, mas no momento da poda, nem sempre nos agradamos, porque dói perder, ainda que seja para o nosso bem, no momento em que acontece, só direcionamos nossa atenção para o que estar deixando nossa vida. Porém, só Deus é onisciente, ele sabe o que nos é necessário a cada tempo. E para darmos bons frutos precisamos estar cuidados, portanto precisamos estar na companhia do Pai. Quando buscamos ser amigos de Jesus, fazendo parte Dele e trazendo ele como constituinte nosso, encontramos o Pai.

Estar distantes pode nos trazer um alto preço, pois o ramo fora da árvore, perde a vida, seca, pode até ser uso, se modifica, mas já não tem mais vida em si. Quando estamos longe de Jesus, podemos até aproveitar situações e ter satisfações temporárias, mas não temos mais a Vida, e distorcemos nossa essência de filhos de Deus. E terminamos sendo destruídos, como o Evangelho nos traz a imagem do ramo que se desprendendo da árvore, acaba no fogo.

Ser discípulo é se manter preso à videira, dando bons fritos e preservando a vida. Apenas o amor a Cristo pode nos fazer fiéis. Só a confiança que Deus nos cuida nos faz comemorar os momentos bons e suportar os ruins, entendendo que ambos nos são importantes, para fazer de nós uma árvore que dá bons frutos. E assim poderemos viver a verdade proclamada na seguinte afirmação “Em tudo dai graças a Deus!”.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei.

Cor Litúrgica: Vermelho

4ª Semana da Páscoa | São Matias, Apóstolo, Festa | Quarta-feira


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 9 Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10 Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11 Eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena. 12 Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. 13 Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. 14 Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. 15 Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. 16 Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que então pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. 17 Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros.  (Jo 15,9-17)

Você já experimentou o amor de Deus e de Jesus em sua vida? Quando esse amor ganha forma em nossa vida, é refletido em nosso cuidado com os irmãos.

É um amor de dedicação e entrega, que ultrapassa as barreiras das exigências, do egoísmo e das expectativas. É um amor livre, que nada espera em troca, apenas se doa.

E apenas permanecendo fiéis a Cristo, somos capazes de experienciar esse amor. Ele é fruto da obediência aos ensinamentos que o próprio Jesus nos trouxe. Essa é a maior prova de amor, inclusive nossa para com Ele, selando assim a amizade que Ele nos propõe.

E é por esse amor que vivemos a alegria plena, que ultrapassa as dores causadas pelas dificuldades e sofrimentos, mas que se solidifica na certeza de que Deus está sempre conosco, que Cristo, em tudo, nos acompanha — e que nos torna disponíveis aos irmãos que precisam da manifestação de Cristo pela nossa presença.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios

O que nos impede de viver isso é nossa falta de fé

Cor Litúrgica: Branco

3ª Semana da Páscoa | Quarta-feira


Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 35 “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede. 36 Eu, porém, vos disse que vós me vistes, mas não acreditais. 37 Todos os que o Pai me confia virão a mim, e quando vierem, não os afastarei. 38 Pois eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39 E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. 40 Pois esta é a vontade do meu Pai: que toda pessoa que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia”. (Jo 6,35-40).

Jesus é a plenitude da saciedade

Quando somos crianças, em regra, somos plenamente saciados, alguém nos veste, nos alimenta, nos higieniza, nos hidrata, nos acarinha, alivia nossas dores… O choro é o recurso que a criança tem para comunicar algum desconforto, nem sempre conseguimos identificar de imediato, mas vamos buscando até descobrir a causa do choro. Silenciar a criança é um conforto para ela, mas também para nós, nosso coração se acalma quando vemos a criança tranquila.

Com o passar do tempo, vamos crescendo, descobrindo como atender nossas próprias necessidades, daí então, alguns passam a acreditar que não precisam mais do outro para ser confortados em nada, outros perdem a facilidade de comunicação de seus incômodos, outros vivem a dependência de saciedade em outras pessoas (dependência emocional) ou situações (drogas, luxúria, gula…). Poucas pessoas buscam se conhecer, tentando identificar as marcas deixadas pela vida e os vazios que foram abertos e, menos ainda, procuram essa saciedade no lugar certo, apontado hoje no Evangelho: Jesus é a plenitude de toda e qualquer saciedade.

O que nos impede de viver isso é nossa falta de fé. Há quem procure pessoas e lugares que prometem alívio imediato ao sofrimento. Na sociedade em que vivemos, é um convite certeiro. Em Cristo, todo preenchimento, toda cura, exige um processo, onde a perseverança e a fé precisam caminhar juntas, e, embora não seja de ação imediata, tem-se a garantia de ser para a vida toda, desde que se mantenha a comunhão com Deus. Jesus cuida de todos que lhe são confiados, e também confia a nós algumas vidas espirituais. Como estamos cuidando delas?

Fazer a vontade do Pai é estar sempre no caminho certo, é o segredo para não desandar (pecar). E nos é apresentado o desejo d’Ele pelas escrituras da Bíblia, pelo que nos ensina a Igreja. Estamos buscando conhecer o que Ele nos ensina? Temos coragem de abrir mão do que é contrário ao que Ele nos pede? Temos a paciência de esperar Suas promessas se cumprirem em nossas vidas? Viver a vontade e o tempo de Deus é um desafio, porém, precisamos estar em comunhão para termos acesso à plenitude da Vida Eterna, ressuscitando no último dia.

Que tenhamos sempre tempo para parar e ouvir a Deus, para estarmos todos juntos, um dia, desfrutando da Vida Eterna, lembrando que, para a aproveitar, precisamos começar a construí-la ainda aqui na terra.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Qual o tamanho do Amor de Deus por nós?

Cor Litúrgica: Branco

2ª Semana da Páscoa | Quarta-feira


Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito. Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. Mas quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus.

O Amor de Deus é infinito, ao ponto de entregar quem Ele mais amava, seu Filho unigênito, uma pessoa justa, sem pecado, bom, inigualável em virtudes, por nós. Mesmo sendo seres limitados, fracos, que cometem vários desvios ao longo da vida, que O ignoramos, que O trocamos, que O negamos, que O desprezamos…

Nós nem sempre damos a Deus motivos para que Ele nos ame, ainda assim, Ele o faz, apesar de qualquer circunstância. Ele, a todo instante, nos preenche de motivos de amor por Ele, mas nossa desconfiança, nosso imediatismo, nosso apego, por vezes, nos faz perder a graça envolvida nesse amor.

E mesmo Ele sendo tão misericordioso conosco, mostrando-nos como devemos tratar nossos irmãos, não temos essa capacidade: julgamos, condenamos, matamos (por nossas ações).

A chave para a Vida Eterna é crer em Jesus, apenas isso. Porém, um ato que parece tão simples torna-se complexo por nossa falta de fé, por nossas dúvidas, por nossas desesperanças… E, embora muitos vejam a Cristo como alguém carrasco, que nos condena pelos nossos erros, Ele veio ao mundo, pelo oposto: para nos salvar, para justificar nossas faltas. Deus não é um Pai opressor, e sim acolhedor. Porém, exige de nós que vivamos em conformidade com o exemplo que Cristo nos deixou. A condenação não vem da parte de Deus/Cristo, ela é consequência das nossas ações baseadas em más escolhas.

A Luz de Cristo nos favorece uma nova vida, pautada na verdade, na dedicação, na esperança, no serviço, e tira de nós as marcas do pecado. Que, se hoje as trevas estiverem dominando nossa vida, busquemos a Cristo, que está sempre à nossa espera, que se deixa encontrar no Sacrário, no Altar, na Eucaristia, nos nossos irmãos e em nós mesmos, desde que abramos espaço para Ele em nossas vidas.

As relações que vivenciamos às vezes obscurecem o Amor de Deus por nós. Que não permitamos que as decepções que tivemos encubram ou distorçam esse Amor que Ele quer nos dar. Ele está sempre em nossa presença. Que usufruamos dessa graça plenamente.

Que, quando eu não sentir mais nada em minha vida, faze-me capaz de me reconhecer amada por Ti, Senhor! E ajuda-me a Te amar na mesma intensidade com que me amas.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

Nele temos o poder de estar libertos

Cor Litúrgica: Roxo

5ª Semana da Quaresma | Quarta-feira


Naquele tempo, Jesus disse aos judeus que nele tinham acreditado: “Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Responderam eles: “Somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém. Como podes dizer: `Vós vos tornareis livres’?” Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. O escravo não permanece para sempre numa família, mas o filho permanece nela para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres. Bem sei que sois descendentes de Abraão; no entanto, procurais matar-me, porque a minha palavra não é acolhida por vós. Eu falo o que vi junto do Pai; e vós fazeis o que ouvistes do vosso pai”. Eles responderam então: “O nosso pai é Abraão”. Disse-lhes Jesus: “Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão! Mas agora, vós procurais matar-me, a mim, que vos falei a verdade que ouvi de Deus. Isto, Abraão não o fez. Vós fazeis as obras do vosso pai”. Disseram-lhe, então: “Nós não nascemos do adultério, temos um só pai: Deus”. Respondeu-lhes Jesus: “Se Deus fosse vosso Pai, vós certamente me amaríeis, porque de Deus é que eu saí, e vim. Não vim por mim mesmo, mas foi ele que me enviou”. (Jo 8,31-42)

Acreditar não é uma ação definitiva, ela precisa ser mantida, e para ser discípulo de Jesus é necessário manter a fé Nele e seu testemunho. Apenas dessa forma, somos capazes de conhecer a verdade, que Deus nos faz conhecer por Cristo.

Somos então capazes de reconhecer, em nossas vidas, os fatores que nos aproximam ou nos afastam de Deus, sabendo que nos livrar daquilo que nos afasta não é fácil, é uma verdadeira luta, mas com a força do Cristo e por amor a Ele, somos capazes de abdicar do que distancia nossos corações. Só Nele temos o poder de estar libertos do que nos oprime, de todos os pecados, aos quais estamos acostumados e até apegados.

Jesus é capaz de nos libertar justo por ter parte em Deus, por ter d’Ele a descendência direta, sendo seu Filho muito amado, como foi proclamado no Evangelho há poucos dias. E somente por Ele somos capazes de chegar ao Pai, crendo Nele e seguindo seus passos e ensinamentos.

Clamemos a Deus, sermos capazes de reconhecer Jesus como Salvador, para que Ele nos justifique diante do Pai, e favoreça para que possamos viver o Céu ainda na Terra, fazendo a sua vontade.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios