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Ver para além das aparências

Cor Litúrgica: Verde

12ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 15 “Cuidado com os falsos profetas: Eles vêm até vós vestidos com peles de ovelha, mas por dentro são lobos ferozes. 16 Vós os conhecereis pelos seus frutos. Por acaso se colhem uvas de espinheiros ou figos de urtigas? 17 Assim, toda árvore boa produz frutos bons, e toda árvore má, produz frutos maus. 18 Uma árvore boa não pode dar frutos maus, nem uma árvore má pode produzir frutos bons. 19 Toda árvore que não dá bons frutos é cortada e jogada no fogo. 20 Portanto, pelos seus frutos vós os conhecereis”. (Mt 7,15-20).

Coerência — eis uma palavra complexa de ser vivida. Se no tempo de Jesus a camuflagem já acontecia, imagine nos dias de hoje, em que as pessoas “montam” realidades que lhes são totalmente alheias.

Como desvendar o que é verdade e o que é mentira? Cristo nos revela o segredo em sua Palavra, quando nos pede para olharmos para os resultados que a vida da pessoa apresenta. Pode-se até tentar esconder as próprias ações quando são más, quando são contra-testemunhos, já que o resultado revela quem faz uma ação — ainda que aparentemente boa — com má intenção, e vice-versa.

Porém, Ele não denuncia apenas a incoerência entre ações e resultados, mas também nossa pressa em avaliar, a falta de discernimento, que apenas olha para as aparências e se apega a elas como se fossem verdade. A vida no Reino exige de nós coerência, mas principalmente atenção, para não sermos enganados pelos lobos revestidos em pele de cordeiro.

Em um mundo em que a pressa tornou-se um ingrediente essencial, parar, avaliar e discernir são atitudes que nos livram de armadilhas. Peçamos a Deus que sejamos capazes de olhar para as pessoas e suas ações com as lentes d’Ele, para que consigamos enxergar o que não é da sua vontade — não para julgar os incoerentes, mas para não cairmos em sua astúcia. E, principalmente, ao dar visibilidade a tais ações, ofereçamos ao outro a oportunidade de julgar seus próprios atos e favorecer sua mudança. Afinal, Deus não nos manda matar os lobos — Ele nos indica que devemos ser cautelosos com eles.

Rezemos ainda a Deus para que nossos frutos sejam bons e que aquilo que produzirmos e for estragado (ruim) se transforme em adubo. Que não paremos em nossos pecados, uma vez que Deus nos abriu a via da Misericórdia, pelo arrependimento e pela confissão.

Que nossos corações sejam adubados pelo amor de Deus, para que possamos dar bons frutos. E que despertemos, a cada dia, a imagem e semelhança do Cordeiro Imolado, como fomos criados. E que tenhamos discernimento para ver a verdade, para além das aparências.


Alanny Veras

Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.

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