Cor Litúrgica: Verde
6ª Semana do Tempo Comum | Quarta-feira
Naquele tempo, 22 Jesus e seus discípulos chegaram a Betsaida. Algumas pessoas trouxeram-lhe um cego e pediram a Jesus que tocasse nele. 23 Jesus pegou o cego pela mão, levou-o para fora do povoado, cuspiu nos olhos dele, colocou as mãos sobre ele, e perguntou: “Estás vendo alguma coisa?” 24 O homem levantou os olhos e disse: “Estou vendo os homens. Eles parecem árvores que andam”. 25 Então Jesus colocou de novo as mãos sobre os olhos dele e ele passou a enxergar claramente. Ficou curado, e enxergava todas as coisas com nitidez. 26 Jesus mandou o homem ir para casa, e lhe disse: “Não entres no povoado!”. (Mc 8,22-26).
A fé das pessoas era tão grande, que pediam apenas por um toque, porém Jesus é aquele que tanto age ainda que não esteja presente (como o empregado do oficial romano), às vezes o outro quem O toca (como a mulher hemorroíssa), ainda tem as situações que ele está presente e dá ordens (encher as talhas nas Bodas de Caná, na ressurreição de Lázaro que os homens rolam a pedra e Lázaro sai a convite de Cristo), entre tantos outros sinais que Jesus apresentou de diversas formas.
Na ação que hoje o Evangelho nos apresenta, ele não apenas toca, ele segura a mão e o conduz para um lugar, que até onde o cego não sabe, ele apenas se deixa guiar, provavelmente ação que alguns já fizeram ao longo da sua vida. Porém, quantas vezes sua mão não ficou desamparada, entregue aos perigos de quem não enxerga, estando mais vulnerável a diversos perigos: quedas, agressões, obstáculos… Quantas vezes as pessoas não lhe conduziram por caminhos errados? Está explícita a cura da cegueira, mas outras tantas aconteceram junto a ela, primeiro Jesus o ampara, o leva para fora da sua realidade (mesmo sem enxergar, ele provavelmente conhecia cada ruela, pelos anos que caminhava por ali), ele saiu do conhecido e confiou a Jesus a direção da sua vida.
Ao começar o processo de cura, ele ainda viu turvo, não conseguiu visualizar claramente, mas nem por isso desacreditou, ignorou o que tinha acontecido até então, revoltou-se por Jesus não ter feito “o serviço direito”, ele continuou ali, em sua presença, até que pudesse enxergar claramente. Muitas vezes, em nossa vida, desanimamos quando a graça ainda não é vista em sua plenitude, o que nos faz desistir dela, porém quem persevera, quem continua na presença de Jesus, é capaz de enxergar claramente. Porém ele também não se acomodou ao pouco, ele foi sincero com Jesus, para quem nunca viu, aquilo poderia ser o suficiente, mas ao descrever o que via, Jesus mostrou que Ele podia ver ainda melhor, as vezes passamos por processos insuficiente, para valorizarmos quando a plenitude chegar. Toda graça é processo!
Hoje Jesus nos convida à perseverança, à confiança, à entrega, qual será nossa reposta a Ele?
Alanny Veras
Psicóloga e Membro da Pastoral Litúrgica da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios.



