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João Campos acusa Jair Bolsonaro de tirar Transnordestina de PE e promete retomá-la com Lula

Imagem ilustra João Campos (à esquerda) e Jair Bolsonaro (à direita)/Edson Holando | Marcelo Camargo/Agência Brasil

O candidato ao governo de Pernambuco João Campos (PSB) acusou nesta segunda-feira (14), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de retirar o trecho pernambucano da Transnordestina da concessão federal e dar um “golpe em Pernambuco”. O ex-prefeito do Recife prometeu, caso seja eleito, pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que transfira ao Estado a responsabilidade pela obra e afirmou que pretende inaugurá-la em quatro anos.

“No dia 28 de dezembro (de 2022), o ex-presidente Jair Bolsonaro tirou a Transnordestina de Pernambuco da concessão. Então, literalmente, no apagar das luzes, ele tirou a Transnordestina de Pernambuco, dando esse golpe em Pernambuco”, declarou João durante sabatina do NE1, da TV Globo.

Em dezembro de 2022, um aditivo ao contrato da Transnordestina Logística excluiu da concessão o trecho Salgueiro-Suape, em Pernambuco, que retornou à responsabilidade do governo federal.

João afirmou que Lula se comprometeu a executar o ramal, mas acusou o governo de Raquel Lyra (PSD) de não assumir o protagonismo necessário para tirar a obra do papel.

O presidente Lula voltou e garantiu que ia fazer, mas falta o Estado chamar para si. Eu não vou ficar dizendo de quem é a culpa. Como governador, eu quero assumir porque, se é importante para Pernambuco, eu vou fazer“, disse.

O candidato declarou que pretende solicitar formalmente a Lula a transferência da responsabilidade pelo trecho. Segundo João, as obras seriam iniciadas simultaneamente a partir do Porto de Suape, no litoral, e do Sertão pernambucano.

Como governador, pedirei ao presidente Lula que passe a Transnordestina para Pernambuco, porque nós vamos fazer a obra sair do papel para que, em quatro anos, ela seja inaugurada“, afirmou.

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Greve dos bancários da Caixa Econômica entra no terceiro dia útil

Empregados realizaram ato no Prédio Sede da Caixa Econômica Federal/Sindicato dos Bancários de Pernambuco

A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal, iniciada na quinta-feira (10), entra em seu terceiro dia útil de mobilização. No Recife, a categoria voltou a protestar na manhã desta segunda-feira (14) em frente ao Prédio Sede da instituição financeira.

Na sexta-feira (11), os bancários da Caixa em Pernambuco rejeitaram a proposta apresentada pelo banco e aprovaram, com 84,14% dos votos, a continuidade da greve por tempo indeterminado. A decisão representa a insatisfação da categoria com a condução das negociações que envolvem questões sobre o Saúde Caixa.

Os empregados da Caixa reivindicam o fim do teto de custeio por parte do patrocinador, atualmente fixado em 6,5% da folha de pagamento. O sindicato pede o retorno do modelo anterior, que previa 70% de cobertura das despesas pela CEF e 30% pelos trabalhadores.

No domingo (13), a Caixa respondeu ao Sindicato e à Contraf-CUT, e concordou em reabrir as negociações.

Canais de comunicação para clientes

Durante o período de greve, os clientes podem utilizar os canais digitais e remotos do banco, com destaque para o App CAIXA, que reúne diversos serviços e transações bancárias.
Também estão disponíveis o Internet Banking CAIXA, o WhatsApp CAIXA (0800 104 0104) e os aplicativos CAIXA Tem, Cartões CAIXA, Habitação CAIXA, DPVAT e FGTS.

O atendimento telefônico está disponível pelo Alô CAIXA, nos números 4004 0104 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800 104 0104 (demais localidades). Também estão disponíveis os caixas eletrônicos e a rede Banco24Horas.

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Raquel aponta falta de mão de obra em setores de Pernambuco e propõe mais 30 escolas técnicas

Sabatina com a governadora candidata à reeleição, Raquel Lyra/Foto: Maurício Ferry/DP Foto

A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) afirmou, nesta segunda-feira (14), que o Estado enfrenta falta de mão de obra qualificada em alguns setores e defendeu a ampliação da formação profissional para atender à demanda das empresas. Durante sabatina com representantes do setor produtivo, ela propôs a abertura de mais 30 escolas técnicas em Pernambuco e colocou a qualificação dos trabalhadores entre as prioridades para ampliar a competitividade do Estado.

Raquel participou de sabatina promovida pela Fecomércio-PE e pela CBN Recife. Ao longo da entrevista, relacionou a atração de investimentos à capacidade do Estado de oferecer segurança jurídica, infraestrutura logística e profissionais preparados para atender às demandas das empresas.

Para um lugar ser bom para ter investimento em comércio, em geração de emprego, em empreendedorismo, ele precisa ter infraestrutura, ele precisa ter segurança, ele precisa ter estabilidade jurídica e tributária”, afirmou.

Segundo Raquel, a falta de profissionais já é percebida principalmente em áreas ligadas à construção civil, em meio ao volume de obras públicas e privadas em andamento no Estado. A governadora citou como exemplos a procura por pedreiros e eletricistas e afirmou que o governo passou a direcionar cursos de qualificação de acordo com as necessidades identificadas em cada região.

A gente tem escassez de mão de obra de pedreiro, nós estamos formando pedreiro. E eletricista, estamos formando eletricista. Em alguns locais que nós estamos fazendo obra, fazia tempo que Pernambuco não girava tanta obra, está faltando mão de obra”, declarou.

Formação profissional

Ao tratar do tema, Raquel defendeu uma aproximação maior entre a formação oferecida pelo Estado e as vagas efetivamente disponíveis no mercado de trabalho. Segundo ela, os cursos de qualificação profissional passaram a ser discutidos com empresas e instituições ligadas ao setor produtivo.

Não adianta eu formar mão de obra dentro de uma determinada cidade se não existe oferta daquele serviço onde ele possa utilizar o que aprendeu na escola”, argumentou.

Entre as iniciativas citadas pela governadora está o Trilha Tec, que oferece formação técnica para estudantes do ensino médio. Raquel também reafirmou a promessa de universalizar o ensino em tempo integral em Pernambuco e anunciou a ampliação da rede de educação profissional.

“Nós vamos abrir mais 30 escolas técnicas estaduais. Já temos delas em construção e vamos abrir mais vagas”, afirmou.

De acordo com a candidata, o planejamento dos cursos envolve instituições do Sistema S, o Porto Digital e representantes dos setores econômicos locais, dentro de programas como o Qualifica PE.

Menos burocracia

Outro ponto defendido por Raquel foi a redução do tempo necessário para abertura e funcionamento de empresas. A governadora citou a regulamentação estadual da Lei de Liberdade Econômica e afirmou que mais de 900 atividades deixaram de depender de determinadas licenças.

Raquel também disse que o governo conseguiu reduzir de seis meses para 34 dias o tempo de licenciamento ambiental. Por outro lado, reconheceu que ainda há demora nos processos que dependem do Corpo de Bombeiros e afirmou que pretende avançar na digitalização dessas etapas.

“Existe, sim, uma demora muito grande para que esses equipamentos que geram grande impacto possam ser licenciados pelo Corpo de Bombeiros”, reconheceu.

Para a governadora, ferramentas digitais e o uso de inteligência artificial podem reduzir o tempo gasto nesses processos. Ela citou trabalhos envolvendo a Procuradoria-Geral do Estado, a Secretaria da Fazenda e a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco para simplificar procedimentos e reunir informações destinadas aos investidores.

Entre as iniciativas mencionadas está um mapeamento da infraestrutura energética do Estado, com informações sobre o potencial de geração solar e eólica e a oferta disponível para novos empreendimentos.

Estradas e Arco Metropolitano

A infraestrutura logística também ocupou espaço na sabatina. Raquel afirmou que sua gestão já entregou mais de 1.650 quilômetros de estradas e que outros 1.500 quilômetros passam atualmente por intervenções.

A governadora voltou a destacar a duplicação da BR-232 e disse que a proposta é levar a intervenção, atualmente concentrada no trecho entre Recife e São Caetano, até Serra Talhada, no Sertão.

Raquel também apresentou o Arco Metropolitano como uma das principais obras para melhorar o escoamento da produção e a circulação de cargas na Região Metropolitana do Recife. Segundo ela, a intervenção permitirá uma nova ligação entre os eixos rodoviários que atravessam Pernambuco.

O Arco Metropolitano é a nova BR-101 e conecta Pernambuco de norte a sul, a 232 de leste a oeste”, afirmou.

A candidata disse ainda que a obra, discutida há décadas no Estado, avançou a partir da elaboração do projeto e da utilização de recursos estaduais. Segundo Raquel, cerca de 500 trabalhadores e mais de 130 máquinas atuam atualmente nos serviços.

Ao citar o Vale do São Francisco, a governadora relacionou os investimentos rodoviários à competitividade da fruticultura irrigada. Segundo ela, algumas das primeiras estradas recuperadas pela gestão foram justamente as que atendem aos perímetros irrigados da região, por onde circula parte da produção destinada ao mercado interno e à exportação.

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Jornal chinês acusa EUA de tentar frear IA e fala em “Guerra Fria”

Um artigo do presidente-executivo da Anthropic, que defende uma desaceleração no desenvolvimento da IA, pode parecer uma declaração racional focada nos riscos à segurança, mas, na verdade, trata-se de um “manual da Guerra Fria” apresentado para a China, afirmou o jornal Global Times, de propriedade do Estado, em um editorial.

No artigo publicado no sábado (12) e posteriormente endossado pelo presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, e pelo fundador da SpaceX, Elon Musk, o presidente da Anthropic, Dario Amodei, delineou uma estrutura para moderar o ritmo de desenvolvimento das capacidades dos modelos de IA de ponta e criar mais tempo para gerenciar os riscos crescentes à segurança.

Amodei também pediu aos Estados Unidos que reforcem os controles de exportação de chips para a China e reprimam a suposta “destilação de modelos” por laboratórios chineses de IA. Ele também disse à CBS News no domingo que o “dilema mais difícil” em relação à sua proposta de desacelerar o avanço da IA ​​seria se a China e outras nações adversárias optaram por não fazer o mesmo.

O Global Times afirmou que a verdadeira intenção do artigo de Amodei é “tentar conter o desenvolvimento da IA ​​na China por meio de barreiras tecnológicas e monopólios regulatórios, manter a hegemonia monopolista de Washington em tecnologia de ponta e excluir a China do sistema global de governança da IA”.

Essa ‘Guerra Fria sinalizada da IA’ é hipócrita e míope”, afirmou o jornal, acrescentando que excluir a China da inovação global em IA “aumentaria significativamente os custos de tentativa e erro e os riscos de perda de controle no desenvolvimento global da IA”.

Parlamentares dos EUA têm expectativas por novas regras para os sistemas de IA internacionais após alertas alarmantes de dois pesquisadores da Antrópico de que o rápido avanço da IA ​​poderia levar à melhoria da raça humana em um futuro não muito distante.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ignorou os apelos para desacelerar o avanço da IA ​​no domingo, afirmando que “forças muito negativas” estão levantando preocupações exageradas.

Estamos à frente da China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero que continue assim, porque quem vencer na IA vence“, disse Trump.

Os EUA e a China planejam discutir os riscos de segurança da IA ​​de ponta em meados de setembro, segundo fontes, e a questão poderá ser levantada durante uma cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping em 24 de setembro.

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PF pediu aval de Mendonça para obter repasses de Vorcaro a pessoas com foro

Em março deste ano, a PF (Polícia Federal) enviou ofício ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), pedindo que ele autorizasse o acesso da corporação aos pagamentos feitos por Daniel Vorcaro, do Banco Master, e outros investigados a pessoas com foro privilegiado.

Até o momento, não há registro de que o ministro tenha dado esse aval.

A informação consta em uma das peças tornadas públicas pelo ministro nesta segunda-feira (14), após determinação do presidente da Corte, Edson Fachin.

A petição, assinada por um dos delegados que conduz a investigação, comunica o ministro de que, com objetivo de dar andamento às apurações do Caso Master e rastrear a possível movimentação de dinheiro ilícito por parte de Vorcaro e outros alvos das apurações, a PF solicitou ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) a disponibilização de RIFs (Relatórios de Inteligência Financeira) das pessoas investigadas.

Segundo o delegado, porém, o Coaf atendeu somente a parte do pedido. Isso porque, ao analisar os relatórios, o conselho identificou movimentações financeiras entre pessoas investigadas e autoridades que teriam foro privilegiado. Assim, o Coaf afirmou que só poderia enviar os dados com autorização expressa do STF.

Ele solicita então que o ministro interceda diante do Coaf e dê essa autorização: “Com efeito, a cautela do COAF em não compartilhar automaticamente dados que envolvam autoridades com foro por prerrogativa de função alinha-se ao respeito às regras de competência jurisdicional. Todavia, considerando que a presente investigação criminal já tramita regularmente perante este Supremo Tribunal Federal, o juízo competente para supervisionar a higidez das provas e autorizar o acesso a dados sigilosos é, indubitavelmente, Vossa Excelência“, afirma. Mendonça não respondeu.

Ao realizar o pedido, a PF anexa no processo a resposta parcial que recebeu do Coaf. Nele é possível encontrar movimentações financeiras dos investigados no Caso Master.

Dentre os destaques, está a movimentação de mais de R$ 57 milhões da Igreja Batista da Lagoinha entre dezembro de 2024 e de 2025. A instituição foi alvo de apuração na CPMI do INSS e de suspeitas de desvio de emendas parlamentares. O cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, atuava como pastor na instituição e, no período analisado pela Coaf, transferiu mais de R$19 milhões à igreja.

A publicização desse processo foi pedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, no domingo (13). De acordo com ele, o levantamento de sigilo de todas as petições envolvendo o Caso Master são importantes para embasar o voto dos magistrados no julgamento de terça-feira (15), no qual será analisada eventual abertura de investigação contra Moraes por causa das mensagens trocadas com Vorcaro.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) foi favorável ao levantamento do sigilo.

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Dino diz que Cezinha se utilizava da função parlamentar para venda de suposta influência sobre ministros de tribunais superiores

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou em decisão divulgada nesta segunda-feira (14) que o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) aparenta utilizar a ascendência da função parlamentar para passar a terceiros a percepção de influência sobre ministros de tribunais superiores.

E que Cezinha teria negociado essa suposta influência sobre magistrados, que, conforme as investigações da Polícia Federal, seriam do Supremo Tribunal Federal (STF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral.

A apuração fundamentou a autorização de mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF nesta segunda contra o deputado federal Cezinha e a advogada Valéria Rodrigues Linhares, apontada como mulher do parlamentar.

Em nota, a defesa do deputado afirmou que ele está seguro de que “os fatos serão devidamente esclarecidos no devido processo legal, com a demonstração de que nenhuma irregularidade foi cometida”.

Após a realização da operação pelos agentes, Flávio Dino retirou o sigilo da decisão que autorizou os mandados de busca e apreensão.

Parece-me claro que os fatos investigados podem implicar, em tese, um deputado federal que não tem habilitação para atuar como advogado, mas aparenta utilizar a ascendência de sua função parlamentar para incutir em terceiros a percepção de influência sobre magistrados de Tribunais Superiores. Friso que a percepção de elevada remuneração parece afastar a hipótese de se cuidar de mero ‘ato político’“, disse Dino.

A ação é um desdobramento da Operação Transparência de dezembro de 2025, da PF, que apura supostos crimes de tráfico de influência, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo a tramitação de processos em cortes superiores. Esse caso é relatado por Flávio Dino no STF.

A finalidade [da investigação] é elucidar a existência, a extensão e a estabilidade de estrutura destinada à comercialização de influência junto a ministros do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior Eleitoral, mediante remuneração vultosa e ajustada por meio de contratos de honorários e de cessão de crédito celebrados por advogadas ligadas ao representado [Cezinha] — uma delas é sua própria esposa“, declara a PF em trecho de relatório destacado por Flávio Dino.

Estrutura e divisão de tarefas, segundo a PF

Segundo a representação da Polícia Federal acolhida pelo ministro, os indícios apontam para a existência de uma estrutura articulada entre o parlamentar e advogadas para negociar atuações em processos judiciais mediante pagamento de expressivos honorários de êxito:

Captação e peças técnicas: a advogada Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, que atuava na Câmara dos Deputados e teve o celular periciado na primeira fase da operação, seria responsável por captar as causas e elaborar memoriais e peças jurídicas.

Contratos de honorários: a advogada Valéria Rodrigues Linhares, apontada como mulher do deputado, ficava encarregada de redigir, revisar e firmar instrumentos contratuais de prestação de serviços e cessões de créditos milionários.

Contatos ‘institucionais’: cabia a Cezinha de Madureira o papel de realizar “despachos” e contatos diretos com ministros, valendo-se do trânsito institucional decorrente de seu mandato.

Mensagens obtidas pelos investigadores mostram tratativas sobre casos

específicos em tramitação no STF. Em um deles, relacionado à defesa da prefeita de Beberibe (CE), contratos estipulavam R$ 500 mil em caso de decisão favorável.

Em outro episódio, relativo à defesa de um ex-secretário de Belford Roxo (RJ), termos previam repasses de R$ 1 milhão e aditivos que chegavam a R$ 2 milhões condicionados à revogação de prisão preventiva.

Nas conversas extraídas do celular da Tuca pela PF, o parlamentar prestava contas sobre encontros e audiências com magistrados, usando expressões como “já falei”, “despachei sim”, “assunto reforçado agora” e menções a contatos com ministros da Corte.

Nas mensagens extraídas pela PF do celular de Tuca, Cezinha menciona “André”, “ministro Kassio” e “Antônio Carlos”. A polícia apura se são menções aos ministros André Mendonça, Kassio Nunes Marques, do STF, e Antônio Carlos Ferreira, do STJ – que não são investigados.

O parlamentar não se limitava a encaminhar peças: comprometia-se a formular pedido pessoal e direto ao julgador, em favor de partes representadas por advogadas a ele ligadas por vínculo conjugal e por interesse econômico”, diz trecho de relatório da PF constante da decisão de Dino desta segunda-feira.

Magistrados não são investigados

Tanto a representação da PF quanto a decisão de Dino deixam claro que os ministros e juízes citados nos diálogos não são alvos da investigação nem suspeitos de irregularidades.

De acordo com o inquérito, os nomes das autoridades aparecem unicamente como vítimas da exploração de prestígio ou como destinatários da suposta influência prometida pelos investigados.

O documento reforça que receber advogados e parlamentares em audiências ou despachos é prática rotineira e lícita da atividade jurisdicional.

Impõe-se, desde logo, delimitação negativa e expressa do objeto: não constituem objeto desta apuração, nem da medida ora requerida, a conduta de Ministros do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior Eleitoral ou de quaisquer outros magistrados”, diz trecho do relatório da PF que está na decisão de Dino.

Não há, nos elementos reunidos, notícia de solicitação, de aceitação ou de recebimento de vantagem indevida por integrante do Poder Judiciário, tampouco de prolação de ato jurisdicional em desconformidade com o direito“, completa o documento.

O ministro do STF também frisa que, conforme a PF, o que se “apura é a mercancia da influência por quem a ofereceu e a precificou, e não o comportamento de quem foi apresentado a terceiros como influenciável”.

Dinheiro em espécie e celulares

Entre os fatos que subsidiaram a decisão, Flávio Dino determinou a transferência de apurações sobre a apreensão de R$ 510 mil em dinheiro vivo com Valéria Rodrigues Linhares no Aeroporto de Congonhas (SP), ocorrida em 25 de agosto de 2026.

Para os investigadores, a movimentação expressiva de recursos em espécie sugere o pagamento de honorários à margem do sistema bancário tradicional para dificultar o rastreamento financeiro.

No despacho, Dino autorizou buscas nos endereços residenciais e profissionais do parlamentar e da advogada em Brasília e em São Paulo, além do recolhimento de bens de valor, veículos e quantias em espécie acima de R$ 10 mil.

O ministro, porém, indeferiu o pedido da PF para realizar buscas no gabinete do parlamentar na Câmara dos Deputados, avaliando não haver elementos concretos que justificassem a medida no local de trabalho legislativo.

Celular furtado antes da operação

Três dias antes de ser alvo das buscas, no sábado (12), o deputado Cezinha de Madureira divulgou um vídeo nas redes sociais afirmando que teve o aparelho celular furtado na Avenida Paulista, em São Paulo, na sexta-feira (11).

No relato, o parlamentar declarou que os criminosos conseguiram invadir suas contas bancárias e trocar senhas de aplicativos minutos após o furto. A decisão judicial que autorizou a ação da Polícia Federal, no entanto, havia sido assinada por Flávio Dino uma semana antes, no dia 5 de setembro.

O que diz o deputado

Leia a nota na íntegra:

Com a tranquilidade de quem confia plenamente na Justiça e certo de sua conduta sempre ilibada, o deputado federal Cezinha de Madureira está à disposição das autoridades e prestará todos os esclarecimentos necessários.

O deputado está certo de que, assegurados o contraditório e o amplo acesso da defesa aos elementos da investigação e à integra do processo, os fatos serão devidamente esclarecidos no devido processo legal, com a demonstração de que nenhuma irregularidade foi cometida.

Importante ressaltar que, conforme a jurisprudência do STF estabelece, medidas de tamanha repercussão deveriam ter sido conduzidas com a devida distância de qualquer circunstância política ou eleitoral”.

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Mendonça derruba sigilo de pagamentos de Vorcaro

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo do processo que reúne detalhes sobre a rede de pagamentos do empresário Daniel Vorcaro e do Banco Master. Ele atendeu a um pedido feito pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

A publicização desse processo foi pedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, no domingo (13). A PGR (Procuradoria-Geral da República) foi favorável ao levantamento do sigilo.

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Quaest, 2º turno: Flávio Bolsonaro, 42%; Lula, 40%

Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda (14) mostra empate técnico no 2º turno entre Flávio Bolsonaro, com 42%, e Lula, com 40%.

A diferença de dois pontos está dentro da margem erro, mas é a primeira vez em que Flávio aparece numericamente à frente desde abril, antes do caso “Dark Horse” vir à tona.

Contra os demais candidatos, Lula aparece à frente de todos numericamente, em situação de empate técnico contra Cury, Caiado e Renan Santos.

O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 10 e 13 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais e o registro no TSE é BR-03607/2026.

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Quaest, 1º turno: Lula, 36%; Flávio Bolsonaro, 31%; Cury, 7%; Renan, 4%; Caiado, 4%; Zema, 1%

Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (14) sobre a eleição presidencial mostra Lula (PT) com 36% das intenções de voto, Flávio Bolsonaro (PL) com 31% e Augusto Cury (Avante) com 7%.

Em relação ao levantamento divulgado em 7 de setembro, Lula manteve os 36%, e Flávio oscilou de 29% para 31%. A distância entre os dois passou de sete para cinco pontos percentuais. Cury oscilou de 8% para 7%. Cury está tecnicamente empatado com Renan e Caiado. Os dois candidatos com 4% também têm empate técnico com Zema, que aparece com 1%.

Na simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula, o que não acontecia desde abril na série de pesquisas da Quaest, em situação de empate técnico. Flávio tem 42%, contra 40% de Lula.

🔎 A Quaest entrevistou 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em todo o país, entre 10 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03607/2026.

Veja os números da pesquisa estimulada, em que os entrevistados recebem os nomes dos candidatos:

Lula (PT): 36% (eram 36% em 7 de setembro);
Flávio Bolsonaro (PL): 31% (eram 29%);
Augusto Cury (Avante): 7% (eram 8%);
Renan Santos (Missão): 4% (eram 3%);
Ronaldo Caiado (PSD): 4% (eram 3%);
Romeu Zema (Novo): 1% (eram 2%);
Clariana Barão (DC): 0% (era zero);
Edmilson Costa (PCB): 0% (era zero);
Hertz Dias (PSTU): 0% (era zero);
Rui Costa Pimenta (PCO): 0% (era zero);
Samara Martins (UP): 0% (era 1%);
Veterinário Wilson Grassi (Democrata): 0% (era zero);
Indecisos: 10% (eram 10%);
Branco/nulo/não vai votar: 7% (eram 8%).

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Real Time: 64% aprovam trabalho de Tarcísio; 33% desaprovam

Segundo pesquisa Real Time Big Data divulgada neste sábado (14), o trabalho do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) é aprovado por 64% dos eleitores paulistas.

Aqueles que desaprovam somam 33%, enquanto os indecisos, 3%.

O instituto também perguntou aos eleitores sobre a avaliação do mandato. Para 42%, o trabalho pode ser classificado como ótimo ou bom; regular para 34%; e ruim ou péssimo para 23%; aqueles que não souberam responder são 1%.

Metodologia

A pesquisa Real Time Big Data entrevistou 2.000 pessoas, entre os dias 9 e 12 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o índice de confiança é de 95%.

O levantamento foi realizado com financiamento do próprio instituto e está registrado no TSE sob o protocolo SP-02794/2026.

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Nexus/BTG: Lula é desaprovado por 49%; aprovação é de 47%

Conforme nova rodada do levantamento Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira (14), o trabalho do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do governo federal é desaprovado por 49% do eleitorado brasileiro. Ao mesmo tempo, outros 47% aprovam a gestão petista.

Neste cenário, 4% dos entrevistados não sabem ou não responderam à questão.

Considerando a série histórica da pesquisa, há um cenário de estabilidade entre os índices. As variações desde março, quando foi feita a primeira rodada do levantamento, estão concentradas dentro da margem de erro.

Em comparação com a rodada divulgada na última semana, a desaprovação do mandatário oscilou um ponto percentual para baixo, enquanto a aprovação variou dois pontos para cima.

Avaliação do governo Lula

Ainda no mesmo levantamento, o instituto questionou como os eleitores avaliam o governo do presidente Lula. Do total dos entrevistados, 44% julgam que o desempenho do governo petista é ruim ou péssimo. Já para 37%, a administração é boa ou ótima.

Outros 18% consideram a gestão regular e 1% não sabe ou não respondeu.

Metodologia

A pesquisa Nexus entrevistou 2.003 eleitores, entre os dias 11 e 13 de setembro, por meio de entrevista por telefone. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

O levantamento foi contratado pelo Banco BTG Pactual e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-04076/2026.

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Nexus/BTG: avaliação negativa de Lula é de 44%; positiva, 33%

Para 44% do eleitorado brasileiro, o governo do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem sendo ruim ou péssimo. Por outro lado, 37% consideram a gestão boa ou ótima. Os dados foram aferidos pelo instituto Nexus/BTG e divulgados nesta segunda-feira (14).

Nesta rodada, 18% classificam o governo como regular e 1% não sabe ou não respondeu.

Considerando a série histórica, iniciada em março deste ano, as variações nos índices se concentram dentro da margem de erro, que é de dois pontos. Em relação a rodada anterior, divulgada na última semana, o indicador negativo oscilou dois pontos percentuais para baixo.

Em direção contrária, a avaliação positiva variou um ponto percentual para cima. O percentual daqueles que julgam o governo como regular é o mesmo das duas rodadas anteriores.

Aprovação do governo Lula

Ainda no mesmo levantamento, o instituto testou se o eleitorado aprova o trabalho que Lula vem fazendo à frente do governo federal. Destes, 49% dizem desaprovar a gestão do petista, enquanto 47% aprovam. Do total dos entrevistados, 4% não sabem ou não responderam.

Metodologia

A pesquisa Nexus entrevistou 2.003 eleitores, entre os dias 11 e 13 de setembro, por meio de entrevista por telefone. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

O levantamento foi contratado pelo Banco BTG Pactual e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-04076/2026.

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PGR se manifesta a favor de retirar sigilo sobre pagamentos de Vorcaro

A PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou nesta segunda-feira (14) a favor da retirada de sigilo do processo que reúne detalhes sobre a rede de pagamentos do empresário Daniel Vorcaro e do Banco Master.

A publicização desse processo foi pedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), no domingo (13). Ao receber a solicitação, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, pediu a posição da PGR.

Em resposta, o vice-procurador-geral Hidenburgo Chateaubriand afirmou que não havia conhecimento da existência do processo e que ele sequer aparece visível à PGR no sistema do Supremo.

No entanto, afirma que, por se tratar de um processo tido como relevante por Moraes para que o STF possa compreender a totalidade do caso antes do julgamento de terça-feira (15), entende que deve sim ser removido o sigilo da petição.

O processo em questão é a Pet 15.645. Moraes defende que ela seja aberta e disponibilizada a todos os ministros antes do julgamento. Segundo apurou a CNN, o processo reúne detalhes sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do Banco Master.

No ofício, Moraes afirma que a petição, distribuída por prevenção ao ministro André Mendonça, contém “elementos essenciais” para o julgamento a ser realizado na terça-feira (15), que tratará das mensagens entre ele e Vorcaro.

O episódio foi parte de mais um capítulo da disputa dentro do Supremo sobre quais documentos ligados às investigações do Banco Master devem ser tornados públicos e disponibilizados aos ministros antes da sessão de terça.

Na sexta-feira (11), Mendonça retirou o sigilo de dezenas de procedimentos depois de cobranças da PGR e de ministros do STF por maior acesso ao material das investigações do Master.

Moraes já havia criticado o que classificou como divulgação “seletiva” e afirmado que documentos e arquivos digitais continuavam fora do conjunto disponibilizado aos integrantes da Corte.

A disputa também envolve os dados extraídos do celular de Vorcaro. Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes pediram acesso integral ao material antes da sessão.

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Cezinha de Madureira é alvo de operação da PF sobre tráfico de influência

A PF (Polícia Federal) realiza nesta segunda-feira (14) a terceira fase da Operação Transparência e tem como um dos alvos o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP). A ação mira possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares e possível tráfico de influência.

Os policiais federais cumprem quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, STF (Supremo Tribunal Federal).

A operação ocorre em meio à crise no Supremo. Cezinha de Madureira é próximo do ministro André Mendonça. Em 2025, o parlamentar teria atuado como intermediador de um encontro entre o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

De acordo com a força policial, os alvos investigados teriam negociado o “pagamento de valores expressivos, condicionados ao resultado de processos em curso, a pretexto de influir em decisões judiciais”.

A CNN apurou que a advogada Valéria Rodrigues Linhares também é alvo da operação. Ela é filiada ao PSD, partido anterior de Cezinha da Madureira.

Em 25 de agosto, ela teve quantia de R$ 510 mil apreendida pela PF em uma mala no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Na ocasião, a defesa de Valéria declarou não haver ilegalidade e que o valor apreendido teria sido todo declarado.

A PF suspeita que esse montante seria parte do caso apurado. Na operação desta quarta, a PF investiga possíveis práticas dos crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A CNN procurou o deputado Cezinha de Madureira e a defesa de Valéria Linhares sobre a operação e aguarda resposta.

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‘Precisamos excluir a data’: Banco Master usou Word, PDFs e códigos para fabricar documentos falsos, diz PF

A fraude investigada pela Polícia Federal no Banco Master funcionava como uma espécie de linha de montagem digital.

A PF identificou:

-Dados reais de clientes extraídos de sistemas internos;
-Documentos produzidos em massa com ferramentas do Microsoft Office;
-Páginas de assinaturas separadas por programas desenvolvidos pela área de tecnologia; e
-Peças reunidas em novos arquivos PDF para formar dossiês de contratos que seriam apresentados como créditos legítimos da Tirreno Consultoria ao Banco de Brasília (BRB).

Quando os documentos carregavam informações que poderiam revelar sua origem ou a verdadeira data de formalização, funcionários também atuavam para apagá-las ou alterá-las.

Em um dos casos analisados pela perícia, um Termo de Consentimento que trazia originalmente a data de 24 de fevereiro de 2023 teve esse registro removido em julho de 2025.

A relação triangular entre a Tirreno, o Master e o BRB funcionou como um esquema de simulação e repasse de ativos ilíquidos. A Tirreno atuou como uma empresa de fachada, criada para formalizar R$ 7,15 bilhões em cessões fictícias de crédito consignado com o Banco Master que, por sua vez, utilizou essas carteiras sem lastro para vendê-las ao BRB. A equipe do Master montou uma “linha de montagem” para forjar amostras e simular a legitimidade das operações.

A Tirreno, segundo a PF, funcionava sem sede nem funcionários, e foi criada com apenas R$ 100 de capital social.

A estrutura foi descrita em relatório técnico-pericial da Polícia Federal, elaborado a partir de uma apresentação interna apreendida na área de tecnologia do Banco Master.

O arquivo, intitulado “Investigações internas – Banco Master”, tinha 30 slides e documentava atividades realizadas entre 18 de junho e 24 de outubro de 2025 para a produção de documentos relacionados à cessão de créditos consignados ao BRB.

O material mostra que a operação combinava ferramentas comuns de escritório, programação e edição de documentos. O objetivo era transformar dados de operações reais e antigas em uma documentação que desse aparência de existência a uma carteira de créditos atribuída à Tirreno.

De dados reais a contratos que não existiam

O primeiro passo era obter dados de clientes que já haviam realizado operações legítimas. Segundo a investigação, funcionários recorreram a informações armazenadas nos sistemas internos do banco, inclusive relacionadas ao CredCesta – um produto de crédito consignado voltado a servidores públicos, aposentados e pensionistas.

Em 2 de julho de 2025, às 14h05, Fabrizio Pereira Alencar, coordenador de Controles do Back Office, pediu a Vinicius Lucas Trentino, analista de Projetos Sênior da área de TI, o levantamento de CPFs por meio do Microsoft Teams.

Vinicius reuniu os CPFs no arquivo cpf_cessao.csv e, no dia seguinte, executou a consulta Contratos_Henrique_Dados.sql no banco de dados interno. O resultado foi exportado para a planilha Dados_cessão.xlsx, que acabou enviada por e-mail a Fabrizio e à equipe em 3 de julho, às 16h57.

A planilha reunia informações cadastrais dos clientes, como nome, CPF, data de nascimento e nome da mãe. Esses dados passaram a servir de matéria-prima para a montagem dos documentos.

As próprias conversas entre integrantes da área de tecnologia mostram que havia problemas na base utilizada.

Em 20 de junho, Rafael Manfrin da Silva e Thiago Ramalho discutiram a filtragem dos dados. Rafael observou que havia CPF de uma pessoa com apenas uma proposta de 2019 e afirmou que a lista estava “meio furada”.

Thiago Ramalho: “filtrando formalizacao só tem 328 credcesta-refin…. nao deveria ser a maioria”. Rafael Manfrin: “ai deu merda então / pq tem um cpf nesse meio aqui que so teve 1 proposta em 2019 / ta meio furado essa lista ai”.

A troca mostra que os próprios responsáveis pela parte tecnológica identificavam incompatibilidades nos dados que estavam sendo utilizados.

2.700 procurações produzidas de uma vez

Com os dados reunidos, uma das etapas era produzir as procurações. Para isso, Allan da Silva Machado, gerente de Operações I do Back Office, utilizou uma função comum do Microsoft Word: a mala direta.

A ferramenta permite vincular um modelo de documento a uma planilha e preencher automaticamente campos diferentes para cada registro. No caso investigado, Allan vinculou o arquivo PROCURACAO Master.docx à planilha Base de Geração CCBS AMANHA 1.xlsx, armazenada na pasta de trabalho Demanda BRB-Tirreno 2700 amostras.

O procedimento permitiu gerar 2.700 procurações em lote em 20 de junho de 2025.

A tecnologia, portanto, não era usada apenas para armazenar os documentos. Ela permitia reproduzir rapidamente a mesma estrutura documental para centenas ou milhares de pessoas.

Código para separar páginas de assinaturas

A produção dos documentos também envolveu a área de tecnologia. Thiago Ramalho, Rafael Manfrin da Silva e Renato M. participaram do desenvolvimento de aplicações em C# registradas no repositório GitHub do Banco Master.

Uma das funções criadas tinha uma finalidade específica: extrair de arquivos PDF apenas a segunda página, justamente a página de assinatura dos documentos originais.

A perícia também identificou um arquivo compactado chamado erros-whatsapp.zip, enviado por Anderson Juliano Caspinelli Garcia a Moacir Lourenço da Silva Junior, que continha 1.833 arquivos PDF com páginas de assinatura isoladas dos Termos de Consentimento.

Essas páginas podiam, assim, ser reaproveitadas na montagem de novos conjuntos de documentos.

A assinatura digital não escondia quando os documentos foram produzidos
Outra etapa envolvia as Cédulas de Crédito Bancário, as CCBs. Henrique Pupo e Henrique Gonçalves Silva extraíram lotes de documentos do sistema idtrust, com arquivos identificados pela raiz CCB_credcesta_….

Em 20 de junho, Fabrizio organizou pelo Teams uma força-tarefa para assinar os documentos. Foram separados 675 CCBs para cada um de quatro operadores: Fabrizio, Henrique, Allan e Daniel Guscuma.

As assinaturas foram aplicadas pelo Adobe Acrobat Reader usando o certificado digital corporativo do Banco Master e o certificado individual de Allan Machado. Foi justamente nessa etapa que a perícia encontrou uma das evidências mais fortes da manipulação.

Em determinados documentos, a data escrita no corpo da CCB indicava uma data anterior — por exemplo, 21 de janeiro de 2025. Já o registro criptográfico da assinatura digital mostrava que aquele arquivo havia sido assinado em 20 de junho de 2025, às 14h02min39s.

Ou seja, mesmo quando a data apresentada no documento apontava para meses antes, o registro da assinatura digital indicava quando aquela peça havia efetivamente sido assinada.

O apagamento das datas

A diferença entre as datas também aparecia nos Termos de Consentimento. Para evitar que os documentos exibissem registros capazes de revelar sua origem, Allan Machado pediu a Moacir Lourenço da Silva Junior que removesse as informações de data e hora.

A ordem aparece em uma conversa no Teams de 20 de junho:

-Allan da Silva Machado: “e o termo de consentimento”.
-Allan da Silva Machado: “e precisamos excluir a data”.

A perícia identificou um exemplo concreto no Termo de Consentimento de Genilson Lima Leal. O documento originalmente apresentava o registro 24/02/2023 13:05. Em uma edição realizada em 3 de julho de 2025, às 15h26, esse campo foi apagado visualmente.

A alteração não eliminava, porém, todos os vestígios analisáveis pela perícia digital. O documento podia deixar de mostrar a data original na imagem, mas outros registros do arquivo e da assinatura digital permitiam reconstruir a cronologia.

Os documentos eram reunidos em um único arquivo

Depois de produzidas e alteradas as diferentes peças, elas precisavam ser apresentadas como um conjunto documental.

Allan utilizou o PDF24 para juntar os arquivos em um único PDF por operação. A montagem reunia documentos como a CCB, a procuração e o Termo de Consentimento com a informação de data retirada.

Os arquivos finais eram organizados em pastas de rede chamadas Demanda BRB-Tirreno 2700 amostras, Demanda BRB-Tirreno 299 amostras e Demanda BRB-Tirreno 119 amostras.

Assim, diferentes documentos produzidos ou modificados separadamente eram transformados em um único dossiê.

Até os comprovantes de transferência foram alvo de alteração
A tentativa de apagar rastros chegou também aos comprovantes bancários.

Em 25 de junho de 2025, Allan Machado discutiu com Romy Goerck Gentina Klenquen a alteração de comprovantes de transferências realizadas por SPB e PIX. O problema era que os documentos apresentavam informações que vinculavam as operações ao histórico original.

Allan queria retirar três elementos:

-O evento;
-O número do contrato; e
-O histórico.

Entre as informações que apareciam no histórico estava a expressão “LIBERAÇÃO CREDCESTA VIA PIX”.

A conversa mostra que a dificuldade era fazer isso em escala. Romy explicou que conseguia alterar um ou outro documento, mas que seria impossível fazer o mesmo manualmente em 2.700 comprovantes.

Allan da Silva Machado: “nao da para aparecer o evento”.
Romy Klenquen: “entao esse é o melhor”.
Allan da Silva Machado: “porra… este aparece o numero de contrato… nao quero o numero de contrato nem o histórico”.
Romy Klenquen: “entao nao tem oq fazer / um ou outro eu consigo ajustar daquela outra forma, mas impossível em 2700 comprovantes no editor”.
Allan da Silva Machado: “tem q dar um jeito”.

A conversa mostra um dos limites encontrados na própria linha de montagem: enquanto procurações e outros documentos podiam ser produzidos em massa por ferramentas automatizadas, a alteração gráfica dos comprovantes bancários encontrava dificuldades quando precisava ser repetida milhares de vezes.

A auditoria também entrou na mira do esquema

As mensagens reunidas pela investigação mostram ainda que a preocupação não era apenas produzir os documentos, mas explicar as inconsistências caso fossem questionadas.

Em 23 de junho, Fabrizio comunicou a Alberto Felix de Oliveira Neto que a auditoria da Deloitte estava cobrando informações. A resposta de Alberto foi direta:

Alberto Felix de Oliveira Neto: “esse tem que falar que foi erro operacional na selecao”.

Dois dias antes, Fabrizio e Alberto haviam discutido o envio à Deloitte de documentos referentes à carteira da Tirreno entre dezembro de 2024 e março de 2025.

Fabrizio afirmou que a base já havia sido enviada anteriormente, mas apresentava um erro que precisaria ser corrigido. Alberto perguntou quais documentos seriam solicitados pela auditoria. Fabrizio respondeu que seriam CCBs e termos.

Os documentos chegaram à cúpula do banco

A investigação também identificou o repasse de amostras da documentação falsificada.

Em 12 de junho de 2025, Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, pediu a Alberto Felix um “kit dos 300 com assinatura digital”.

Alberto respondeu que providenciaria. Minutos depois, informou que naquele momento tinha acesso apenas à CCB e que Allan enviaria os links das procurações e da assinatura. Na sequência, foram enviados arquivos contendo o conjunto de documentos.

Ou seja, a documentação produzida na operação não ficava restrita aos funcionários responsáveis por sua montagem.

Uma cadeia que começava no banco e terminava em um dossiê
O conjunto de evidências descrito pela Polícia Federal revela uma cadeia organizada em etapas:

-Primeiro, dados de clientes eram extraídos dos sistemas internos;
-Depois, esses dados alimentavam documentos produzidos em escala;
-Páginas de assinaturas eram separadas;
-CCBs eram assinadas digitalmente;
-Datas e informações que poderiam revelar a origem dos documentos eram removidas;

Por fim, as diferentes peças eram reunidas em arquivos únicos.
A tecnologia permitia acelerar praticamente todas essas etapas.

A mala direta do Word produzia procurações em lote. As consultas aos bancos de dados reuniam informações cadastrais. Os programas em C# automatizavam o tratamento dos PDFs. O Acrobat era utilizado para as assinaturas digitais. E o PDF24 reunia os documentos finais.

O objetivo, segundo o material pericial, era sustentar documentalmente a existência de uma carteira de créditos consignados atribuída à Tirreno Consultoria. O problema é que, mesmo depois da retirada de datas e da alteração de documentos, a própria estrutura digital deixava vestígios.

O choque entre as datas escritas nas CCBs e os registros das assinaturas digitais é um dos exemplos. A perícia conseguiu identificar que documentos apresentados com datas anteriores haviam sido assinados apenas posteriormente.

A operação, portanto, não dependia apenas da criação de documentos falsos. Havia também uma segunda frente: apagar ou modificar informações que poderiam revelar como e quando aqueles documentos haviam sido produzidos. Era uma tentativa de fazer com que uma sequência de arquivos fabricados em 2025 parecesse a documentação de operações realizadas anteriormente.

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