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Presidente do TJPE, Ricardo Paes Barreto, assume interinamente a Prefeitura do Recife

 (Foto: Ivaldo Reges)

O presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), desembargador Ricardo Paes Barreto, assumiu nesta sexta-feira (05/04), interinamente, o comando da Prefeitura do Recife em virtude de viagem internacional do prefeito João Campos. O gestor segue em missão oficial para Boston, onde será palestrante da Brazil Conference at Harvard & MIT, evento anual realizado pela comunidade brasileira de estudantes de Massachusetts. A transmissão do cargo ocorreu no início da tarde no gabinete da Prefeitura do Recife, com a presença do Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Mauro Luiz Campbell Marques. Esta é a primeira vez que um presidente de Tribunal de Justiça assume o comando de uma prefeitura de capital no Brasil.

Hoje é um dia de muita alegria, estamos tendo a oportunidade de mostrar muito claramente a importância da harmonia entre as instituições e o respeito ao Estado Democrático de Direito. Todos nós estamos de passagem, um dia não estaremos nasposições que ocupamos e as instituições permanecerão. Recife, inovando mais uma vez, é a primeira capital em que um presidente do Tribunal de Justiça assume o município e, tenho certeza, que a cidade estará em boas mãos“, disse João Campos.

Em março deste ano, a Câmara Municipal do Recife aprovou por unanimidade o Projeto de Emenda à Lei Orgânica que altera a linha de sucessão da Prefeitura do Recife. Pela legislação, na ausência do prefeito, da vice e do presidente da Câmara, quem assume o Executivo é o presidente do TJPE.

Nesses poucos dias, pretendo me dedicar ao máximo e dar seguimento a toda a agenda do prefeito, que já estava pronta antes de eu assumir temporariamente. Iremos inaugurar obras em morros, creches, parques e praças, além de todos os compromissos internos, sempre olhando pelas pessoas da cidade. Sou apaixonado por Pernambuco e mais ainda pelo Recife“, afirmou Ricardo Paes Barreto.

Biden diz que Israel está fazendo o que ele pediu sobre ajuda a Gaza

Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden (foto: CHIP SOMODEVILLA / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse nesta sexta-feira (05) que Israel está fazendo o que ele pediu para permitir a entrada de ajuda na Faixa de Gaza, um dia após falar pelo telefone com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Ao ser perguntado se havia ameaçado suspender a ajuda militar a Israel na chamada com Netanyahu, Biden respondeu ao sair da Casa Branca: “Pedi a eles para fazerem o que estão fazendo.”

Em uma tensa ligação na quinta-feira, o presidente alertou o premiê de que a política americana com relação a Israel dependia da segurança dos civis e dos trabalhadores humanitários em Gaza, depois que sete funcionários de uma ONG morreram em um ataque israelense.

Horas depois da conversa, Israel anunciou que permitiria entregas “temporárias” de ajuda no norte de Gaza, ameaçado pela fome, através do porto israelense de Ashdod e do cruzamento fronteiriço de Erez.

Israel também afirmou que demitiria dois militares após descobrir que uma série de “erros graves” levaram aos ataques com drones que mataram os funcionários da ONG World Central Kitchen.

A Casa Branca disse, porém, que Israel deve fazer mais para cumprir as promessas feitas a Biden.

É importante que esses compromissos sejam plenamente cumpridos e rapidamente implementados“, declarou a jornalistas o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby.

Acrescentou, no entanto, que os Estados Unidos não farão sua própria investigação sobre a morte dos trabalhadores humanitários, entre os quais está um cidadão americano-canadense, Jacob Flickinger.

A advertência de Biden sobre uma mudança de política foi o indício mais claro até agora de que poderia colocar condições para seguir fornecendo ajuda militar para sua guerra contra o Hamas, provocada por um ataque do grupo islamista palestino no território israelense em 7 de outubro.

O presidente americano apoiou Israel, apesar das preocupações pelo crescente número de mortos palestinos e a terrível situação humanitária em Gaza.

A resposta de Israel já causou mais de 33 mil mortos, a maioria civis, segundo o último balanço das autoridades do Hamas.

Com as eleições presidenciais de novembro se aproximando nos Estados Unidos, Biden, candidato à reeleição, enfrenta cada vez mais oposição a sua política em Gaza por parte dos eleitores jovens e muçulmanos.

Apesar dos avanços no Brasil, desmatamento se mantém alto no mundo

Países como Bolívia, Laos e Canadá tiveram altas taxas de desmatamento (Crédito: Michael Dantas / AFP)

A Terra perdeu uma superfície de floresta intocada equivalente a 10 campos de futebol por minuto em 2023, apesar das melhorias na luta contra o desmatamento no Brasil e na Colômbia, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (4).

No ano passado, as regiões tropicais perderam 3,7 milhões de hectares de florestas primárias, uma superfície quase equivalente à do Butão, segundo dados publicados pelo World Resources Institute (WRI), em colaboração com a Universidade de Maryland.

Este cálculo inclui perdas por razões diversas (desmatamento relacionado à agricultura, exploração florestal, destruição acidental, etc), além de incêndios.

No entanto, isto representa uma diminuição de 9% em comparação com o ano anterior, com uma melhora notável no Brasil e na Colômbia, que no entanto foi parcialmente compensada pelo aumento do desmatamento em outros países.

As perdas continuam sendo “obstinadamente altas“, quase idênticas às de 2019 e 2021, lamentam os autores do estudo.

Isto representa o envio do equivalente a 2,4 bilhões de toneladas de CO2 para a atmosfera, ou seja, quase metade das emissões anuais dos Estados Unidos procedentes de combustíveis fósseis, segundo o WRI.

O informe se concentra nas florestas tropicais, as mais propensas ao desmatamento deliberado, mas também as mais importantes em termos de biodiversidade e sua capacidade de absorver carbono.

Fora destas regiões, o Canadá também sofreu perdas recorde devido aos incêndios florestais devastadores que assolaram o país.

Dois passos à frente, dois passos atrás’

O mundo deu dois passos à frente e dois passos atrás no ano passado“, comentou Mikaela Weisse, do WRI, durante uma apresentação à imprensa.

Sobre as boas notícias, a redução de floresta primária no Brasil caiu 36% no ano passado, alcançando seu nível mais baixo desde 2015, graças às medidas de proteção implementadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro ano de seu terceiro mandato.

No entanto, a tendência esconde disparidades: a melhora é muito marcada na Amazônia, mas a degradação é clara no Cerrado, epicentro do agronegócio.

Na Colômbia, a redução da superfície florestal teve queda de 49%, uma tendência que disparou após a eleição de Gustavo Petro para a Presidência.

As melhoras “impressionantes” nestes dois países “destacam a importância da liderança e das mudanças políticas no que diz respeito à proteção das florestas“, observou Mikaela Weisse.

Devemos aprender com os países que estão freando com sucesso o desmatamento ou vamos continuar perdendo rapidamente uma de nossas ferramentas mais eficazes para combater as mudanças climáticas, proteger a biodiversidade e sustentar a saúde e os meios de vida de milhões de pessoas“, instou.

Estes progressos foram parcialmente contrapostos por uma clara degradação em Bolívia, Laos e Nicarágua.

Na Bolívia, a destruição das florestas (+27%) foi alimentada por incêndios e pela exploração agrícola, especialmente da soja, destinada ao consumo animal.

A agricultura também desempenhou um papel central no Laos, especialmente devido à demanda e aos investimentos procedentes da China, assim como a Nicarágua, onde a mineração também desempenha um papel importante, ressaltaram os especialistas.

Lucros de curto prazo

Longe dos trópicos, o Canadá também se destacou por ter a temporada de incêndios mais devastadora já registrada, que quintuplicou a superfície florestal destruída no ano passado em comparação a 2022.

No total, apesar dos avanços em alguns países, o mundo não está na trajetória correta para cumprir os compromissos assumidos em 2021 na COP26, em Glasgow, onde mais de 140 líderes se comprometeram a deter o desmatamento até 2030.

Estamos no caminho certo?… Resumidamente, não“, declarou Rod Taylor, do WRI.

O desmatamento em 2023 esteve quase dois milhões de hectares acima do necessário para se chegar ao nível zero em 2030“, destacou.

‘Banqueiros não precisam do Estado, mas exigem superávit’, diz Lula

Para Lula, apesar de ter sido eleito pelos 203 milhões de brasileiros, o presidente precisa priorizar os mais necessitados (crédito: Ricardo Stuckert)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quarta-feira (3/4) banqueiros e grandes empresários por fazerem exigências ao governo. Para ele, embora “não precisam do Estado“, eles exigem superávit primário e pedem empréstimos.

Lula participou nesta quarta-feira (3/4) da 12ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, realizada em Brasília. Em seu discurso, ele também voltou a destacar as ações do governo na Educação, como o programa Pé-de-Meia, e homenageou os órfãos da covid-19.

Os banqueiros não precisam do Estado, mas exigem que o Estado faça superávit primário e coloque à disposição deles bilhões. Os grandes empresários não deveriam precisar do Estado, mas precisam do Estado, porque vivem pegando dinheiro emprestado“, criticou o presidente.

Ele destacou em sua fala que, apesar de ter sido eleito por 203 milhões de brasileiros, o presidente precisa priorizar os mais necessitados. Lula foi eleito em 2022 por 59,5 milhões de eleitores (50,83% dos votos válidos). “Quem é que precisa do Estado? É o povo trabalhador. É a classe média baixa que paga 80% de imposto de renda nesse país, porque rico também paga muito pouco imposto de renda. Quem paga é quem trabalha e pega contracheque no final do mês“, enfatizou.

Órfãos da covid-19

Em sua fala, Lula citou os efeitos da pandemia da covid-19 para crianças, e afirmou que muitas delas perderam seus pais no período. “40 mil crianças ficaram órfãs de pai e mãe. Ficaram órfãs não porque a doença não tinha cura. Ficaram órfãs porque nós tivemos alguém muito irresponsável que achava que governava esse país”, declarou Lula, referindo-se ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ele pediu ao público que levantassem a mão em homenagem a essas crianças, e citou ainda as que morreram na Faixa de Gaza.

O presidente voltou ainda a destacar políticas públicas da sua gestão. Boa parte da plateia era composta por estudantes da rede pública. Ao mencionar o Pé-de-Meia, Lula explicou que o governo precisou fazer uma “linha de corte” para definir quem seria beneficiado, e que teve que priorizar a população mais pobre, mesmo que muitos estudantes não contemplados também precisem de auxílio.

Também estavam presentes a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e os ministros Silvio Almeida (Direitos Humanos e Cidadania) e Márcio Macêdo (Secretária-Geral da Presidência), além da presidente do Conselho Nacional dos Direitos Da Criança e do Adolescente (Conanda), Marina Poniwas. O evento entregará um documento a Lula contendo uma série de sugestões de políticas públicas para atender as crianças e jovens.

Moraes diz que “na história, não tem nenhum presidente que se iguala a Temer”


Alexandre de Moraes discursou em cerimônia da CLDF que entregou o título de cidadão honorário do DF a Michel Temer  (foto: Benjamin Figueredo/CB/D.A.Press)

O ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou, na noite desta quarta-feira (03), que o ex-presidente Michel Temer “foi um grande presidente”. Ele afirmou ainda que “na história, nenhum outro presidente se iguala a Temer”, citando a relação com os Três Poderes.

As declarações de Moraes ocorreram na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), durante cerimônia que concedeu a Temer o título de cidadão honorário de Brasília. A cerimônia que concedeu a comenda foi presidida pelo presidente da casa legislativa, Wellington Luiz.

Foi um grande presidente. Presidente sério, trabalhador, um presidente que transitava, como presidente, e continua transitando pelos três poderes. Na história, não temos nenhum presidente que se igual ao presidente Michel Temer nas relações com os Três Poderes“, disse Moraes.

O ministro também elogiou o governo e as privatizações conduzidas pelo ex-presidente. “Todas as injustiças dolosas não apagaram o sucesso do governo. As reformas aprovadas que até hoje fazem diferença. As privatizações aprovadas, a seriedade no trato da coisa pública“, completou o ministro.

Além de Moraes, também compareceu ao evento o ministro Dias Toffoli. Também receberam o mesmo título o secretário da Casa Civil do DF, Gustavo do Vale Rocha e Engels Augusto Muniz, conselheiro do Conselho Nacional do Ministério Público.

O governador Ibaneis Rocha e a vice-governadora do DF, Celina Leão, também compareceram e fizeram parte da mesa de honra do evento. Outro autoridade convidada foi o presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), José Cruz Macedo.

Toffoli teceu elogios a Michel Temer, a quem ele se referiu como um “construtor de pontes“, durante discurso no evento. “O presidente Michel é extremamente cordial, inteligente e prudente. Uma pessoa que não é de excessos, um construtor de pontes“, disse.

Temer foi presidente da República entre 2016 e 2018, após o afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff. Em 2017, ele foi o responsável por indicar Alexandre de Moraes ao Supremo. O magistrado já tinha sido ministro da Justiça e secretário de Segurança Pública de São Paulo. As propostas de concessão dos títulos aos homenageados foram feitas pelos deputados distritais Hermeto e Iolando.

Essequibo: Maduro promulga lei que cria província da Venezuela em território da Guiana

Nicolás Maduro assinou lei que cria província da Venezuela em território da Guiana — Foto: Governo da Venezuela

O presidente Nicolás Maduro promulgou uma lei que cria uma província da Venezuela em Essequibo, que é um território internacionalmente reconhecido como sendo da Guiana. Uma cerimônia para a assinatura do texto foi realizada na noite desta quarta-feira (3).

A lei começou a ser discutida pela Assembleia Nacional da Venezuela no fim de 2023. À época, o país realizou um referendo no qual 95% dos eleitores votaram a favor de que o país incorpore Essequibo ao mapa venezuelano.

O texto, chamado de “Lei Orgânica para a Defesa de Essequibo”, tem 39 artigos e regulamenta a fundação do estado da “Guiana Essequiba“.

Um dos artigos da lei também impede que apoiadores da posição do governo da Guiana ocupem cargos públicos ou concorram a cargos eletivos. Em tese, esse dispositivo cria uma barreira para qualquer pessoa que adotar medidas contrárias à anexação do território de Essequibo pela Venezuela.

Além disso, a lei também proíbe a divulgação do mapa político da Venezuela sem a inclusão do território de Essequibo.

A região é disputada pelos dois países há mais de cem anos (entenda mais abaixo). No entanto, o conflito escalou no ano passado após a Venezuela realizar um referendo para questionar se os venezuelanos são favoráveis à anexação do território. O governo brasileiro chegou a tentar intermediar a crise.

O que há em Essequibo e como começou disputa

Em dezembro, em meio a ameaças de guerra, os presidentes dos dois países se reuniram em São Vicente e Granadinas, país do Caribe, com a presença do assessor da Presidência para Assuntos Internacionais do Brasil, Celso Amorim. O encontro não chegou a uma definição clara sobre a disputa, mas proibiu uso da força no conflito.

No final de fevereiro, o presidente Lula foi a Georgetown, capital da Guiana, para participar como convidado da reunião da cúpula de líderes da Comunidade do Caribe (Caricom). Após se reunir com o presidente guianês, Irfaan Ali, Lula disse que é necessário trabalhar para manter “zona de paz” na América do Sul e que “não precisamos de guerra”.

Maduro fala em defender território venezuelano

Durante a cerimônia de promulgação da lei, Maduro afirmou que o texto aprovado pela Assembleia Nacional foi ratificado pela Corte Suprema da Venezuela e que será cumprido ao “pé da letra” para defender o território venezuelano no cenário internacional.

O tempo da dominação colonial, o tempo da subordinação na Venezuela acabou para sempre“, disse o presidente. Maduro também afirmou que bases militares secretas do Comando Sul e da Agência de Inteligência dos Estados Unidos foram instaladas em Essequibo, com o objetivo de atacar a Venezuela.

Em 9 comunidades Yanomami, 94% dos indígenas têm alto nível de contaminação por mercúrio

Pesquisadores da Fiocruz estiveram em comunidades na Terra Yanomami — Foto: Fiocruz/Divulgação

Indígenas de nove comunidades da Terra Indígena Yanomami têm alto nível de contaminação por mercúrio, alerta um novo estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Instituto Socioambiental (ISA). A pesquisa, divulgada nesta quinta-feira (4), aponta que 94% dos indígenas que participaram da pesquisa estão contaminados pelo metal pesado.

O estudo coletou amostras de cabelo de 287 indígenas do subgrupo Ninam, do povo Yanomami, e revelou que os indígenas que vivem em aldeias mais próximas aos garimpos ilegais têm os maiores níveis de exposição ao mercúrio. As comunidades que participaram da pesquisa ficam às margens do Rio Mucajaí, um dos mais impactos pelo garimpo ilegal na Terra Yanomami.

Localizada no Amazonas e em Roraima, o território abriga 31 mil indígenas, que vivem em 370 comunidades. O povo Yanomami é considerado de recente contato com a população não-indígena e se divide em seis subgrupos de línguas da mesma família, designados como: Yanomam, Yanomamɨ, Sanöma, Ninam, Ỹaroamë e Yãnoma.

As amostras foram coletadas em outubro de 2022 nas comunidades Caju, Castanha, Ilha, Ilihimakok, Lasasi, Milikowaxi, Porapi, Pewaú e Uxiú, todas na região do Alto Rio Mucajaí. A escolha das aldeias atendeu um pedido da Texoli Associação Indígena Ninam.

Das 287 amostras de cabelo examinadas, 84% registraram níveis de contaminação por mercúrio acima de 2,0 μg/g (micrograma). Outros 10,8% ficaram acima de 6,0 μg/g. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os níveis de mercúrio em cabelo não devem ultrapassar 1 micrograma por grama.

Os pesquisadores destacam que indígenas com níveis mais elevados de mercúrio apresentaram déficits cognitivos e danos em nervos nas extremidades, como mãos, braços, pés e pernas, com mais frequência.

Esse cenário de vulnerabilidade aumenta exponencialmente o risco de adoecimento das crianças que vivem na região e, potencialmente, pode favorecer o surgimento de manifestações clínicas mais severas relacionadas à exposição crônica ao mercúrio, principalmente nos menores de 5 anos”, explica o coordenador do estudo, Paulo Basta, médico e pesquisador da Fiocruz.

O estudo “Impacto do mercúrio em áreas protegidas e povos da floresta na Amazônia: uma abordagem integrada saúde-ambiente” também realizou a coleta de células de mucosa oral, o que totalizou cerca de 300 pessoas analisadas. Todos os examinados, incluindo homens, mulheres, crianças, adultos e idosos apresentaram níveis de mercúrio no corpo.

Além da detecção do mercúrio, a pesquisa fez exames clínicos para identificar doenças crônicas não transmissíveis, como transtornos nutricionais, anemia, diabetes e hipertensão. Ao cruzar os dados, foi observado que, nos indígenas com pressão alta, os níveis de mercúrio acima de 2,0 μg/g são mais frequentes do que nos indígenas com pressão arterial normal.

As 9 comunidades analisadas, no entanto, não são as únicas afetadas pela contaminação por mercúrio. Em outra pesquisa, divulgada em 2016, a Fiocruz já havia revelado o alto nível de mercúrio entre os Yanomami. À época, a Fundação apontou que indígenas de três comunidades próximas ao Rio Uraricoera, umas das principais vias fluviais de acesso à garimpos ilegais no território, tinham alto nível de mercúrio no organismo, com 92,3% de contaminação.

Em março de 2022, uma perícia da Polícia Federal também realizada a partir da coleta de amostras de cabelo revelou que indígenas de 14 regiões na Terra Yanomami estavam contaminadas por mercúrio.

Dário Kopenawa, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami (HAY), explica que o novo estudo comprova ainda mais a contaminação dos povos indígenas pelo metal e reforça que o garimpo ilegal é o principal causador das mortes e doenças que assolam os Yanomami.

“Não é a primeira vez que a Fiocruz faz uma pesquisa na Terra Yanomami e que comprova que os nossos parentes estão contaminados pelo mercúrio. Isso é muito grave! As nossas crianças estão nascendo doentes. As mulheres estão doentes, os nossos velhos estão doentes! O nosso povo está morrendo por causa do garimpo”, ressaltou.

“O garimpo é o maior mal que temos hoje na Terra Yanomami. É necessário e urgente a desintrusão, a saída desses invasores. Se o garimpo permanece, permanece também a contaminação, devastação, doenças como malária e desnutrição e isso é o resultado dessa pesquisa, é a prova concreta!”, disse Dário Kopenawa.

Com 9, 6 milhões de hectares, a Terra Yanomami é considerada o maior território indígena do Brasil em extensão territorial e enfrenta uma crise sem precedentes, com casos graves de indígenas com malária e desnutrição severa.

O território é alvo do garimpo ilegal há décadas, mas a invasão se intensificou nos últimos anos. A atividade impacta diretamente o modo de vida dos povos originários, isto porque a invasão destrói o meio ambiente, causa violência, conflitos armados e poluição dos rios devido ao uso do mercúrio. Só em 2022, a devastação no território chegou a 54%.

Em janeiro do ano passado, o governo federal começou a criar ações para enfrentar a crise, com o envio de profissionais de saúde, cestas básicas e materiais para auxiliar os Yanomami. Além disso, forças de segurança foram enviadas para a região para frear a atuação de garimpeiros no território.

Mesmo com o enfrentamento, um ano após o governo decretar emergência, o garimpo ilegal e a crise humanitária permanecem na região.

O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) estima que cerca de sete mil garimpeiros ilegais continuam em atividade no território. O número de invasores diminuiu 65% em um ano, se comparado ao início das operações do governo federal, quando havia 20 mil invasores no território.

Em março deste ano, 600 indígenas, entre pacientes e acompanhantes, estavam vivendo na Casa de Saúde Indígena Yanomami (Casai), na capital Boa Vista. O local recebe os indígenas que estão com doenças mais graves e precisam receber atendimento de saúde dos hospitais na capital.

Na última terça-feira (2), o Profissão Repórter mostrou como um ano após a intervenção do Governo Federal, o garimpo e as doenças trazidas pelos invasores continuam sendo a maior ameaça para os Yanomami.

Estado atinge marca de 15,1 mil casos prováveis de dengue; aumento é de mais de 500% em relação a 2023

Aedes aegypti transmite arboviroses (Foto: Divulgação)

Pernambuco atingiu a marca de 15. 174 casos prováveis de dengue, em 2024.

É o que aponta o boletim mais recente da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), divulgado nesta quarta (3).

Segundo o governo, houve um aumento de 542% nos casos prováveis, em relação ao mesmo período do ano passado.

No boletim anterior, divulgado no dia 27 de março de 2024, tinham sido notificados 12.623 casos prováveis de dengue.

A secretaria aponta, ainda, que 18 mortes estão em investigação.

Ao todo, foram confirmados, até esta quarta, 976 casos da doença, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Desses, 12 são casos graves.

Chikungunya

O boletim desta quarta aponta também que o Estado notificou, desde janeiro, 2.829 casos prováveis de chikungunya.

Isso representa 210% a mais do que a quantidade notificada no mesmo período do ano passado.

Pernambuco já confirmou 174 casos dessa doença até agora.

Zika

Ainda segundo a SES-PE, foram notificados, no boletim mais recente, 259 casos prováveis de zika.

Isso representa 1.423,5% a mais do que registrado no mesmo período de 2023.

Há 40 casos em investigação em grávidas.

Há quase dez anos, um surto da doença provocou a grande crise de microcefalia em bebês nascidos por causa de notificações dessa doença em suas mães.

Imóveis

Outro dado que chama a atenção no boletim é o risco de contaminação em imóveis no Estado.

Ao todo, 30,4% das residências estão com risco alto. No início do ano, esse índice era de 14%.

No primeiro boletim de abril, 53% das casas têm risco moderado e 13%, baixo.

OTAN afirma que Ucrânia pode contar com apoio a longo prazo

Planejamento inicial da OTAN é assumir parte da coordenação de uma coalizão liderada pelos EUA, chamada de grupo Ramstein (Foto: AFP)

Os ministros das Relações Exteriores da OTAN, que celebrará o 75º aniversário da fundação da aliança, discutem nesta quarta e na quinta-feira o conflito na Ucrânia e a cooperação no Indo-Pacífico, na primeira reunião ministerial que conta com a participação da Suécia.

Em Bruxelas, o secretário-geral da Aliança, Jens Stoltenberg, assegurou que a Ucrânia pode contar com o apoio da OTAN a longo prazo. “Devemos garantir uma assistência de segurança confiável e previsível para a Ucrânia a longo prazo, de modo que dependamos menos de contribuições voluntárias e mais dos compromissos da OTAN. Menos em ofertas de curto prazo e mais em compromissos plurianuais”, declarou.

Stoltenberg disse ainda que foi firmado um compromisso financeiro multianual para Kiev e proposto a criação de um fundo de ajuda de US$ 100 bilhões à Ucrânia. Além disso, os aliados já começaram a projetar novas estruturas e formas de apoio a Kiev. “Hoje não tomamos nenhuma decisão final sobre o formato que vamos implementar, mas concordamos em dar início ao planejamento. A decisão será tomada na cúpula de julho, em Washington. Mas, precisamos mudar a dinâmica de nosso apoio”, disse.

O planejamento inicial da OTAN é assumir parte da coordenação de uma coalizão liderada pelos EUA, chamada de grupo Ramstein, uma medida projetada inclusive para se proteger contra qualquer corte no apoio norte-americano caso Donald Trump ganhe as eleições presidenciais.

Stoltenberg também indicou que os membros concordaram em avançar e começar a planejar um maior envolvimento da OTAN na coordenação da assistência de segurança e treino das forças militares de cada país.

“É essencial que o Reino Unido e a OTAN obtenham mais armas para apoiar a Ucrânia”, defendeu o chanceler britânico David Cameron, acrescentando que todos os países devem gastar mais 2% do PIB na defesa.

Por sua vez, o chanceler ucraniano, Dmytro Kuleba, afirmou que a quantidade de sistemas de defesa aérea fornecidos às forças de Kiev pelos seus aliados é insuficiente. Já o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, alertou hoje que Moscou prepara a mobilização de mais 300 mil tropas russas até junho.

Enquanto isso, a porta-voz das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, após o novo anúncio de apoio da Aliança à Ucrânia, disse que a OTAN regressou à mentalidade da Guerra Fria nas relações com o Kremlin. “Hoje, nas relações com a Rússia, o bloco voltou aos cenários da Guerra Fria. Não há lugar para a Aliança Atlântica num mundo multipolar”, criticou Zakharova.

EUA é contra envio de tropas a Ucrânia

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, reiterou que o presidente norte-americano Joe Biden é contra o envio das suas tropas para a Ucrânia. “Temos de apoiar a Ucrânia, mas evitar uma guerra com a Rússia. Não haverá um único soldado americano em solo ucraniano”, apontou.

Juiz diverge de relator e empata julgamento sobre cassação de Moro


Senador é julgado por abuso de poder econômico, caixa 2 e uso indevido dos meios de comunicação (foto: Ed Alves/CB/DA.Press)

Na retomada do julgamento que pode cassar o mandato do senador Sergio Moro (União-PR), o juiz José Rodrigo Sade, do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), divergiu do relator das ações e afirmou que o ex-juiz da Operação Lava-Jato se beneficiou da sua pré-campanha fracassada à Presidência pelo Podemos para emplacar sua ida ao Senado. O magistrado pediu vista na primeira sessão. Nesta quarta-feira (03), a análise foi retomada com o voto dele.

Com posicionamento, Sade empata o julgamento das ações contra o político por abuso de poder econômico, caixa 2 e uso indevido dos meios de comunicação. Segundo ele, a “magnitude dos gastos realizados” na pré-campanha presidencial provocou “abalo na campanha pelo Senado”, que Moro veio a fazer depois pelo União Brasil.

Acabou por influenciar diretamente na quantidade maior de recursos na pré-campanha. A pré-campanha ao Senado teria recurso bem menor, por corresponder a 5% da Presidência”, apontou.

O juiz indicou ainda indícios de abuso de poder econômico por parte do senador. “Olhando as provas como a cena de um filme e não imagens, tenho para mim que esse filme de provas teve início na exoneração do cargo referido, filme com objetivo eleitoreiro”, completou Sade.

Embaixada da Hungria demite dois funcionários brasileiros após vazamento de vídeos que mostram Bolsonaro hospedado

Embaixada da Hungria demite 2 após vazamento de vídeos de Bolsonaro - Foto: (Reprodução/NY Times)

A Embaixada da Hungria no Brasil demitiu, nesta semana, dois funcionários brasileiros que prestavam serviços ao órgão.

A embaixada não justificou formalmente as demissões. Um dos atingidos trabalhava como secretário do embaixador da Hungria no Brasil, Miklós Halmai; o outro, como encarregado de manutenção geral.

As demissões foram reveladas pela “CNN” e confirmadas pela GloboNews. Elas acontecem uma semana após o jornal “The New York Times” revelar, em reportagem, que o ex-presidente Jair Bolsonaro passou dois dias hospedado na embaixada em Brasília.

Poucos dias antes, o passaporte de Bolsonaro tinha sido apreendido pela Polícia Federal na operação sobre tentativa de golpe de Estado.

A reportagem exibiu vídeos do circuito interno da Embaixada da Hungria em Brasília que mostram Bolsonaro chegando e saindo do prédio. Esses vídeos não foram divulgados oficialmente pelo governo húngaro.

Pelo direito internacional, embaixadas são invioláveis pela polícia local. Ou seja: enquanto está numa embaixada de outro país, o cidadão não pode ser alvo de busca ou prisão por autoridades locais.

Além dos dois funcionários demitidos, outros cinco brasileiros trabalham na embaixada: um motorista, dois faxineiros e dois jardineiros.

Os dois demitidos tinham acesso em tempo real ao sistema de vigilância. O material gravado ficava gravado em uma sala que não era trancada – mas o acesso às gravações exigia senha.

PGR analisa versão de Bolsonaro

Após a reportagem do “The New York Times”, o ministro Alexandre de Moraes deu prazo de 48 horas para Bolsonaro explicar a estadia na Embaixada da Hungria.

Em resposta, a defesa de Bolsonaro disse que seria “ilógico” sugerir que a motivação era um pedido de asilo ou uma tentativa de fugir de investigações.

Os argumentos foram enviados à Procuradoria-Geral da República (PGR), que tem prazo até o fim desta semana para enviar um posicionamento a Moraes.

Barroso relembra ditadura militar e diz que, no regime autoritário, ‘os resultados são piores e a um custo muito maior’

Barroso lembra golpe e diz que ditadura tem 'resultados piores e custo maior' - Foto: (Gustavo Moreno/SCO/STF)

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, fez um discurso na abertura da sessão desta quarta-feira (3) em que relembrou a ditadura militar no país, iniciada há 60 anos e que durou duas décadas. Barroso disse que quem viveu sob um regime autoritário sabe que os resultados são ruins e que o custo para a sociedade é alto.

Barroso afirmou que é preciso valorizar o fato de o país viver agora em uma democracia.

O ministro ponderou que a democracia até é um regime mais complexo, porque demanda a construção de diálogos e consensos entre setores muito diferentes. Mas, mesmo assim, é mais eficiente e respeita a liberdade dos cidadãos, ao contrário das ditaduras.

Todos os que vivemos os dias difíceis deste país sabemos valorizar o que é viver em uma democracia constitucional. A democracia pode ser o regime político mais complexo, porque exige negociações e concessões, ao passo que no autoritarismo é possível impor soluções de cima pra baixo. Mas quem viveu processos autoritários, como muito de nós aqui, sabe que no fim do dia os resultados são piores e a um custo muito maior“, disse o ministro.

Barroso fez questão de explicar porque usa a palavra “golpe” para se referir a 1964. Em março daquele ano, o então presidente, João Goulart, foi destituído pelos militares. Ao longo dos 21 anos de ditadura, direitos sociais e individuais foram restringidos, pessoas foram presas e mortas por motivos políticos e o Congresso chegou a passar meses fechado. Houve também censura contra a arte e contra a imprensa livre.

Uso a palavra golpe porque, sempre que o presidente da República é destituído por uma fórmula que não esteja prevista na Constituição, este é o nome que se dá: golpe de Estado“, declarou o presidente do STF.

Festa dos Romeiros de Solidão inclusa no Calendário Oficial de Pernambuco

Por André Luís

Através de projeto do deputado estadual José Patriota, a Lei n° 18.504, promulgada pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), acrescenta a Festa dos Romeiros de Solidão como um evento oficial no terceiro domingo do mês de outubro. Essa inclusão reconhece a importância histórica e cultural dessa festividade para a região e para todo o estado.

Estamos muito satisfeitos com a inclusão da Festa dos Romeiros de Solidão no Calendário Oficial de Eventos e Datas Comemorativas de Pernambuco. Esta é uma celebração que reflete a rica cultura e a profunda fé do povo sertanejo”, afirmou Patriota, natural do Sertão do Pajeú.

Com essa inclusão no calendário oficial, a Festa dos Romeiros de Solidão ganha ainda mais visibilidade e reconhecimento, fortalecendo a identidade cultural e religiosa da região.

Atuação em Solidão – José Patriota tem atuado lado a lado com o prefeito Djalma Alves em busca da melhoria das estradas do município de Solidão. Essa parceria tem como objetivo promover o desenvolvimento local e proporcionar mais qualidade de vida para os moradores da região.

A inclusão da Festa dos Romeiros de Solidão no calendário oficial de eventos e datas comemorativas de Pernambuco é um marco significativo para a comunidade local e para todo o estado, reafirmando o compromisso com a valorização de nossa cultura e tradições.

Forte terremoto em Taiwan deixa 9 mortos e mais de 800 feridos

Um forte terremoto de magnitude 7,7 deixou nove mortos e mais de 800 feridos em Taiwan, na manhã desta quarta-feira (3), pelo horário local. Alertas de risco de tsunami chegaram a ser emitidos para o Japão e para as Filipinas.

O que se sabe até agora:

  • Esse é o terremoto mais forte registrado em Taiwan nos últimos 25 anos.
  • Segundo a Agência Meteorológica do Japão, um tremor de magnitude 7,7 foi registrado na costa leste de Taiwan.
  • Pelo menos 26 edifícios desabaram, sendo mais da metade na cidade de Hualien.
  • As autoridades afirmaram que 77 pessoas ficaram presas entre escombros de imóveis danificados pelo terremoto.
  • Outras 50 pessoas, a maioria turistas, que estavam em quatro microônibus, estão desaparecidas.
    Em Taipei, parte da cidade ficou sem energia. Um vídeo mostra passageiros assustados dentro de um vagão do metrô.
  • Após o tremor, alertas para risco de tsunami foram emitidos para ilhas do Japão e das Filipinas e cancelados cerca de três horas depois.
  • O terremoto também foi sentido em cidades da costa da China, incluindo Xangai.

Estragos em Taiwan

Segundo as autoridades, as quatro pessoas que morreram estavam no condado montanhoso e pouco povoado de Hualien, que fica próximo ao epicentro do tremor, na costa leste da ilha, a cerca de 150 km da capital, Taipei. Diversos imóveis ficaram danificados na região, incluindo dois prédios que tombaram.

De acordo com a Agência Meteorológica do Japão, o tremor foi de magnitude 7,7. Ele teria ocorrido a apenas 15,5 km da superfície, o que explica o poder de destruição elevado.

Em todo o país, pelo menos 26 edifícios desabaram, de acordo com as autoridades. Socorristas trabalharam no resgate de dezenas de pessoas que ficaram presas entre os escombros. O governo calculou o número de feridos em 821.

Segundo as autoridades, cerca de 50 pessoas — a maioria turistas — que estavam em quatro microônibus e visitariam um parque nacional estão desaparecidas. Não há confirmação sobre a nacionalidade destes até a última atualização.

Deslizamentos de terra também foram registrados após o tremor. Na capital Taipei, parte da cidade ficou sem energia. Carros foram obrigados a parar nas rodovias durante o terremoto.

Defesa de Bolsonaro recorre da decisão de Dino sobre multa de R$ 70 mil

Durante a campanha, Bolsonaro gastou R$ 35 mil para promover um vídeo com ataques a Lula, o associando a "ladrões" e "presidiários" (Foto: Mayara Souto/CB)

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recorreu de decisão monocrática do ministro Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou recurso contra multa de R$ 70 mil aplicada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Bolsonaro foi condenado por impulsionar indevidamente um vídeo com ataques ao então presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva na campanha eleitoral de 2022.

O agravo regimental foi protocolado ontem (1º/4) pela defesa, e deve ser avaliado por uma das turmas do STF ou pelo Plenário da Corte.

Bolsonaro foi condenado a pagar multa por promover indevidamente um vídeo com ataques a Lula durante a campanha, o associando a “ladrões” e “presidiários”. A lei eleitoral veda o impulsionamento pago a conteúdos que critiquem adversários. O ex-presidente gastou R$ 35 mil para a divulgação do material, e a multa corresponde ao dobro do valor.

Ministro negou recurso

A defesa acionou o STF com recurso contra a decisão do TSE, cujo pedido foi rejeitado por Dino em decisão do dia 21 de março. O ministro argumentou que o pedido da defesa de Bolsonaro requer reexame das provas apresentadas durante o julgamento do caso e que, portanto, não cabe recurso. Os advogados alegaram que houve desproporcionalidade na decisão da corte eleitoral.

Portanto, a análise das razões veiculadas no recurso extraordinário, ao contrário do que afirmado pelos agravantes, esbarra no óbice da Súmula n° 279/STF: ‘Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário’. Além disso, a apuração da alegada desproporcionalidade seria realizada mediante exame exclusivo da legislação infraconstitucional, o que constitui óbice ao conhecimento do apelo extraordinário”, escreveu Dino.

Nesta semana, o ministro Edson Fachin, do Supremo, negou dois recursos contra multas eleitorais pela divulgação de fake news pelos deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Carla Zambelli (PL-SP).