COR LITÚRGICA: VERDE
10º Domingo do Tempo Comum | Domingo
Naquele tempo, Jesus voltou para casa com os seus discípulos. E de novo se reuniu tanta gente que eles nem sequer podiam comer. Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si. Os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que ele estava possuído por Belzebu, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios. Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: “Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se. Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído. Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa. Em verdade vos digo: tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados, como qualquer blasfêmia que tiverem dito. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno”. Jesus falou isso, porque diziam: “Ele está possuído por um espírito mau”. Nisso chegaram sua mãe e seus irmãos. Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. Havia uma multidão sentada ao redor dele. Então lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura”. Ele respondeu: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” E olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. (Mc 3,20-35)
Meus queridos amigos e amigas, a liturgia deste domingo nos coloca diante de algumas questões importantes, aqui iremos abordar algumas. Na primeira leitura, ouvimos o texto retirado do livro do Gênesis (3,9-15). Deus procura sua criatura mais amada: o homem. A pergunta colocada no texto é mais do que geográfica, ela é existencial: “onde você está?”.
Nas entrelinhas, essa pergunta feita a Adão é recolocada a cada um de nós hoje; é Deus querendo saber de que modo estamos vivendo. Deus nos fez próximos a Ele e sabe que, sempre que nos afastamos Dele, nos perdemos e sofremos. É lógico que, na onisciência de Deus, Ele já sabia o que acontecera com Adão e Eva, mas ao perguntar “aonde estava”, Deus dá a Adão a oportunidade de assumir sua vida, assumir sua atitude, refazer-se.
Contudo, o homem foge, se esconde, nega e passa a culpa a terceiros, perdendo a oportunidade de começar novamente com o perdão. Então ele foge e leva sua culpa. O que isso nos ensina? Creio que nós também erramos e fazemos isso muitas vezes… Sentimos vergonha, até medo. Mas Deus, em seu amor infinito, sempre vai nos perguntar: “aonde você está?”. Não para condenar, mas para nos ouvir, ouvir nosso pedido de desculpas, nosso arrependimento. Até porque, como podemos melhorar se não admitimos que erramos? É exatamente isso que aclamamos no Salmo 129: “No Senhor está a misericórdia e abundante redenção.”
Na segunda leitura, na segunda carta de Paulo aos Coríntios, ouvimos o Apóstolo dos Gentios afirmando: “Acreditei, por isso falei. Com este mesmo espírito de fé, também nós acreditamos, e por isso falamos.” Cremos ou não cremos no amor de Deus? Em sua misericórdia, em sua bondade…
No Evangelho deste domingo, encontramos dois tipos de encontros na cena narrada. O primeiro é entre Jesus, a multidão que ele curava e ensinava, e os mestres da lei. Nessa primeira parte, Jesus é rejeitado pelos sábios e acusado de ser um charlatão, que engana o povo com forças malignas. Entretanto, Jesus de imediato replica que o mal não se divide, pois assim seria ainda mais fraco. Ainda poderíamos dizer que o bem não se mistura ao mal. As obras maléficas não trazem nenhum bem, elas sempre retiram. O maior pecado é não acreditar, principalmente sabendo a verdade pelas obras. E aqueles fariseus, aqueles mestres da lei, não acreditaram e ainda espalharam mentiras para fugir da verdade. Deus nos procura, mas não nos força a nos vermos e aceitarmos o seu amor.
A segunda cena é a chegada da família de Jesus. Eles estavam preocupados, fazia dias que, inclusive, não se alimentavam direito. Diferente do que algumas pessoas leem e interpretam nestes versículos, Jesus não está maltratando seus familiares; Ele aproveita aquela ocasião para mostrar aos seus seguidores que fazer a vontade do Pai nos coloca dentro da família de Deus. Foi exatamente o que Adão e Eva não fizeram. Fizeram sua própria vontade e foram “retirados” de sua convivência. Vamos fazer parte da família de Jesus sempre que fizermos a vontade de seu Pai.
Pe. Gutembergue Lacerda
Sacerdote da Diocese de Afogados da Ingazeira
Vigário Paroquial da Paróquia de São Sebastião / Iguaracy – PE




