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Domingo “Laetare”: a alegria da Páscoa que se aproxima

COR LITÚRGICA: ROXO

4º Domingo da Quaresma


Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: “Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê, não é condenado, mas, quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito. Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. Mas, quem age conforme a verdade, aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus. (Jo 3,14-21)

Desde cedo, em casa, aprendemos que a quaresma não é tempo de brincadeiras, de festas, músicas extrovertidas… mas tempo de penitência, abstinência e autorreflexão para mudanças internas e externas. Mas que interessante termos o quarto domingo do tempo da quaresma chamado de “laetare”, traduzido do latim: “Alegra-te”!

A própria antífona da entrada da Santa Missa dá o tom que celebramos: “Laetare, Jerusalém”, ou em português: “Alegra-te, Jerusalém!”. Podemos nos perguntar: qual a razão dessa alegria toda? É que estamos recebendo uma boa notícia. A celebração litúrgica neste domingo é profundamente marcada pelo tema: ação de Deus para nos libertar.

A primeira leitura da liturgia de hoje é retirada do livro das Crônicas(2Cr 36), e narra que os exilados da Babilônia foram autorizados a voltar para sua terra, a regressarem a Israel e reconstruírem o Templo de Deus e também suas vidas, em aliança com Deus. Nada como voltar para casa, com aqueles que amamos, deixar a tristeza e a solidão para trás. Deus nunca desiste dos seus filhos: Ele dá-lhes sempre a possibilidade de reconstruir a vida, de começar de novo.

Temos ou não, motivos para nos alegrar?

Na segunda leitura, retirada da carta aos Efésios 2, 4-10, retomamos esse esforço contínuo de Deus em nos libertar: “Quando estávamos mortos devido a nossas faltas, Deus nos deu a vida com Cristo’. Que boa notícia! ‘Deus nos ressuscitou com Cristo!’” Que ótima notícia!!!

Ainda não está convencido? Pois me deixe lhe dizer algo, Deus é rico em misericórdia e ama os seus filhos e filhas com um amor imenso.

Por isso, à nossa situação pecadora, Deus responde com a sua graça (vers. 4). Veja, a Graça, e não o castigo. O amor salvador e libertador de Deus não é um amor condicional, que só se derrama sobre os homens se e quando eles se convertem; mas é um amor incondicional, que atinge os seres humanos mesmo quando eles continuam a percorrer caminhos de pecado e de morte (vers. 5). É o seu amor que nos alcança.

Aos homens, orgulhosos e autossuficientes, instalados no egoísmo e no pecado, Deus ofereceu, por meio de Cristo, uma nova vida. Tornados membros de Cristo, eles ressuscitaram com Cristo e sentaram-se com Ele nos céus (vers. 6).

A salvação é uma oferta gratuita que Deus faz aos seus filhos e filhas, mesmo que eles a não mereçam (vers. 9). Da oferta de salvação que Deus nos faz, deve nascer uma nova humanidade, que pratica boas obras. As boas obras não são a condição para se receber a salvação, mas o resultado da ação dessa graça que Deus, no seu amor e na sua bondade, derrama gratuitamente sobre nós (vers. 10).

Já o Evangelho deste domingo convida-nos a contemplar, com João, esta incrível história de amor e a espantar-nos com o peso que nós, seres limitados e finitos, adquirimos nos esquemas, nos projetos e no coração de Deus. João é o evangelista abismado na contemplação do amor de um Deus que não hesitou em enviar ao mundo o seu Filho, o seu único Filho, para apresentar aos homens uma proposta definitiva de aliança e amor.

Qual é o objetivo de Deus ao enviar o seu Filho único ao encontro dos homens? É libertá-los do egoísmo, da escravidão, da alienação, da morte e dar-lhes a Vida eterna. Foi o amor de Jesus – bem como o Espírito que Jesus deixou – que transformou esses homens egoístas, orgulhosos, autossuficientes e os inseriu num dinamismo de vida nova e plena.

Agora, quem vai ser levantado é o Filho do Homem, Jesus. Quem nele crer, será liberto do pecado e da morte, terá a vida eterna. Depois de um longo exílio devido ao pecado, desde Adão, uma boa notícia para a humanidade: Deus enviou seu filho único para a nossa salvação.

Diante da oferta de salvação que Deus faz, a pessoa tem de fazer a sua escolha. Quando aceita a proposta de Jesus e adere a Ele, escolhe a vida definitiva; mas quando prefere continuar escrava de esquemas de egoísmo e de autossuficiência, rejeita a proposta de Deus e autoexclui-se da salvação. A salvação ou a condenação não são, nesta perspectiva, um prêmio ou um castigo que Deus dá à pessoa pelo seu bom ou mau comportamento; mas são o resultado da escolha livre da pessoa.

Portanto, em toda liturgia, o foco está na alegria deste conhecimento do amor de Deus por nós. E por isso não podemos viver de medo, ou com medo. Mas de uma alegria, que supera as outras passageiras.

O cristão não vive no medo, pois ele sabe que Deus é esse Pai cheio de amor que oferece a todos os seus filhos a vida eterna. Não é Deus que nos condena; somos nós que escolhemos entre a vida eterna que Deus nos oferece ou a eterna infelicidade. Podemos resumir em três aspectos essa alegria ressaltada hoje: voltar para casa, reconstruir a vida em aliança com Deus (2Cr). Praticar as boas obras (Ef 2). Crer em Cristo (Jo 3).


Pe. Gutembergue Lacerda

Sacerdote da Diocese de Afogados da Ingazeira

Vigário Paroquial da Paróquia de São Sebastião / Iguaracy – PE


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