COR LITÚRGICA: BRANCO
3º Domingo da Páscoa
Naquele tempo, os dois discípulos contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão. Ainda estavam falando, quando o próprio Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: “A paz esteja convosco! ”Eles ficaram assustados e cheios de medo, pensando que estavam vendo um fantasma. Mas Jesus disse: “Por que estais preocupados, e por que tendes dúvidas no coração? Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho”. E, dizendo isso, Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés. Mas eles ainda não podiam acreditar, porque estavam muito alegres e surpresos. Então Jesus disse: “Tendes aqui alguma coisa para comer?” Deram-lhe um pedaço de peixe assado. Ele o tomou e comeu diante deles. Depois disse-lhes: “São estas as coisas que vos falei quando ainda estava convosco: era preciso que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. Então Jesus abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as Escrituras, e lhes disse: “Assim está escrito: ‘O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia, e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém’. Vós sereis testemunhas de tudo isso”. (Lc 24,35-48)
Amados irmãos e irmãs, chegamos ao terceiro domingo da Páscoa, e vamos caminhando junto à comunidade primitiva para entendermos e nos encontrarmos com Jesus Ressuscitado. Nas figuras de Pedro e João, é-nos apresentado o testemunho da primitiva comunidade de Jerusalém, apostada em continuar a missão de Jesus e em apresentar aos homens o projeto salvador de Deus. O autor dos Atos está convencido de que esse testemunho se concretiza, não só através da pregação, mas também da ação dos apóstolos.
Enquanto percorreu os caminhos da Palestina, Jesus manifestou, em gestos concretos de cura, a presença da salvação de Deus entre os homens; e, se essa salvação continua a derramar-se sobre os homens doentes e privados de vida e de liberdade, como aconteceu com aquele homem coxo que jazia na Porta Formosa, é porque Jesus continua presente, oferecendo aos homens a Vida nova e definitiva. Chegado aqui, Pedro aproveita para dizer àqueles israelitas que o escutam que ainda vão a tempo de acolher a salvação.
Através de Jesus, Deus quis oferecer-lhes a Vida; mas eles escolheram a morte. Preferiram preservar a vida de alguém que trouxe morte e condenar à morte alguém que oferecia a Vida. É necessário “arrepender-se” e “converter-se”. Estes dois verbos definem o movimento de reorientar a vida para Deus, de forma que Deus passe a estar novamente no centro da vida do homem e o homem passe a “dar ouvidos” às propostas de Deus.
Jesus não é uma figura do passado, que a morte venceu e que ficou sepultado no museu da história; mas é alguém que continua vivo, sempre presente nos caminhos do mundo, oferecendo aos homens uma proposta de Vida verdadeira, plena, eterna. Como é que os nossos irmãos que caminham ao nosso lado podem descobrir que Jesus está vivo e fazer uma experiência de encontro com Cristo ressuscitado? Jesus está vivo e atua hoje no mundo, quando os cristãos se comprometem na luta pela paz, pela justiça, pela liberdade, pelo nascimento de um mundo mais humano, mais fraterno, mais solidário.
Jesus está vivo e continua a realizar aqui e agora o projeto de salvação de Deus, quando os seus cristãos oferecem aos coxos a possibilidade de avançar em direção a um futuro de esperança, aos que vivem nas trevas a capacidade de encontrar a luz e a verdade, aos prisioneiros a possibilidade de ter voz e de decidir livremente o seu futuro. Os meus gestos anunciam aos irmãos com quem me cruzo nos caminhos deste mundo que Cristo está vivo?
Na segunda leitura, o autor destaca que o cristão é chamado à santidade e a viver uma vida de renúncia ao pecado. Deus chama-o a rejeitar o egoísmo, a autossuficiência, a injustiça, a opressão (trevas) e a escolher a luz. No entanto, o pecado é uma realidade incontornável, que resulta da fragilidade e da debilidade do homem. O cristão deve ter consciência desta realidade e reconhecer o seu pecado.
Não fazer isto é fechar-se na autossuficiência, é recusar a salvação que Deus oferece, é instalar-se no pecado. O cristão, em nome da verdade, reconhece a sua fragilidade e admite as suas falhas; contudo, não desespera. Ele sabe que Deus lhe oferece a sua salvação e que Jesus Cristo é o “advogado”. Uma outra coisa interessante é o termo usado pelo autor para se referir à sua comunidade: “filhinhos”. Quem ama cuida, corrige, alerta… em nossos dias, tem se tornado cada vez mais complicado a missão de guiar uma comunidade, pois são poucos que escutam ou aceitam uma correção do pastor.
Neste caso, o autor estava alertando e corrigindo sobre os erros pregados pelos hereges “pré-gnósticos” infiltrados nas comunidades, que distorciam a questão do conhecer Deus, limitando-a a questões intelectuais/filosóficas. “Conhecer Deus” não é ter de Deus um conhecimento teórico e abstrato, mas é viver em comunhão íntima com Deus, numa relação pessoal de proximidade, de familiaridade, de amor sem limites.
O episódio que Lucas nos relata no Evangelho deste terceiro domingo do tempo pascal situa-nos em Jerusalém, pouco depois da ressurreição. Os onze discípulos estão reunidos; já conhecem uma aparição de Jesus a Pedro, bem como o relato do encontro de Jesus ressuscitado com os discípulos de Emaús. Mas é bem provável que, apesar das notícias que lhes chegaram nas últimas horas sobre as aparições de Jesus, se sintam com medo, confusos, perturbados e cheios de dúvidas. Afinal, a maior parte deles ainda não tinha feito a experiência do encontro pessoal com Jesus ressuscitado.
O evangelista Lucas, nestes relatos pós-pascais, procura mostrar como os discípulos descobrem, progressivamente, Jesus vivo e ressuscitado. De acordo com Lucas, os onze não estão sozinhos; com eles estão “outros companheiros”. Lucas estará a referir-se a nós? Estará a convidar-nos para nos reunirmos aos onze para fazermos, com eles, a experiência de encontro com Jesus ressuscitado? Recordam do início de nossa reflexão? Estamos caminhando estes dias junto à comunidade primitiva…
O caminho da fé não é o caminho das evidências materiais, das provas palpáveis, das demonstrações científicas; mas é um caminho que se percorre com o coração aberto à revelação de Deus, pronto para acolher a experiência de Deus e da Vida nova que Ele quer oferecer. Foi esse o caminho que os discípulos percorreram.
Pe. Gutembergue Lacerda
Sacerdote da Diocese de Afogados da Ingazeira
Vigário Paroquial da Paróquia de São Sebastião / Iguaracy – PE




O evangelho começa explicando que os dois discípulos de Emaus depois de encontrar Jesus no caminho voltam e falam para os demais discípulos e testemunham Cristo ressuscitado. Lebramos sempre o fruto de Cristo ressuscitado e a paz, a paz de um coração que agora confia no Deus da vitória no Deus que venceu a morte! Por isso Jesus diz: a paz esteja convosco 🙏🕊🍇🌾