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“Permanecei em mim”

COR LITÚRGICA: BRANCO

5º Semana da Páscoa | Domingo


Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: “Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permaneceu em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos. (Jo 15,1-8).

Amados leitores e ouvintes, irmãos em Cristo. Na liturgia do quinto Domingo do tempo pascal, temos uma palavra-chave, que se faz presente em todas as leituras proclamadas: permanecer.

Permanecer é um verbo, indica a ação de conservar-se, persistir. Logo na primeira leitura, vemos o exemplo do jovem Saulo de Tarso, que depois tornara-se Paulo.

Após sua experiência com Cristo Ressuscitado no caminho, e a cura de sua visão em Damasco, ele procura a Igreja que está em Jerusalém com os apóstolos, para juntar-se a eles.

Entendamos, Paulo tem uma experiência particular, um encontro, mas ele sabe que isso não é suficiente para permanecer com seu novo mestre Jesus.

Por isso ele busca, ele tenta unir-se, com a comunidade dos discípulos de Jesus, para aprender com os demais, para ajudar. Este simples gesto de Paulo deveria repercutir em nosso coração. Ninguém permanece com Jesus, afastando-se da comunidade. É necessário procurarmos juntarmo-nos aos demais discípulos de Jesus. Sozinhos não iremos a lugar nenhum.

A segunda leitura vai na mesma direção, o autor da carta de João: “acreditar no nome de seu Filho, Jesus Cristo, e amar-nos mutuamente, como Ele nos mandou.” Aqui vemos duas implicações, a primeira é professar a fé com a boca, e a segunda é concretizar aquilo que se diz com as atitudes. E esta segunda é modelada pelo próprio Jesus. Esta forma de viver aquilo que se acredita é o que definirá nossa união ou separação ao Cristo:

“Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele. E sabemos que permanece em nós pelo Espírito que nos concedeu.”

Percebamos a expressão novamente: permanecer! Manter-se unido a Jesus para executar os seus mandatos. E essa se verifica, segundo o autor, no amor de nossas relações. Portanto, novamente a questão de que não conseguimos ser cristãos fora da comunidade.

No Evangelho, Jesus, em um contexto de despedida, prepara sua comunidade de discípulos para algo que acontecerá. Ensina aos seus que para manter-se vivos, seria necessário que estivessem sempre unidos a Ele, mesmo que fisicamente estivesse longe. Está unido, permanecer com Jesus é manter-se unido às suas palavras, a tudo que ensinou, hoje usamos outra palavra que expressa esse permanecer: fazer comunhão.

Jesus apresenta-Se como a “verdadeira videira” (vers. 1). A Ele, a “verdadeira videira”, estão ligados os “ramos”. Os “ramos” são, nesta alegoria, os discípulos de Jesus. Esta “verdadeira videira” e estes ramos são, portanto, o novo Povo de Deus, somos nós hoje também. Da ação criadora e vivificadora de Jesus irá nascer o novo Povo de Deus, a comunidade do Reino.

Jesus nos faz um convite! Um convite a que o discípulo, ou seja, cada um de nós, mantenhamos a nossa adesão a Jesus, a nossa identificação com Ele, a nossa comunhão com Ele. Se o discípulo mantiver a sua adesão, Jesus, por sua vez, permanece no discípulo – isto é, continuará fielmente a oferecer ao discípulo a sua Vida/Espírito.

Tal união não se dá de uma única vez e permanente, mas com o trabalho diário em fortalecer este laço. O discípulo tem de continuar a escutar as suas indicações e de continuar a assumir, em cada passo, o seu estilo de viver e de amar. E ninguém faz isso isolado, fechado… portanto, nós unamos a nossa comunidade de fé, para permanecermos também unidos a Jesus.


Pe. Gutembergue Lacerda

Sacerdote da Diocese de Afogados da Ingazeira

Vigário Paroquial da Paróquia de São Sebastião / Iguaracy – PE

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