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Justiça acata pedido do MPPE e suspende show de Wesley Safadão na Expocose 2026

A Justiça de Pernambuco deferiu o pedido de tutela de urgência formulado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e determinou a suspensão do show do cantor Wesley Safadão, previsto para o próximo domingo (26), durante a 52ª Exposição Especializada em Caprinos e Ovinos de Sertânia (Expocose 2026). A decisão também proíbe o município de Sertânia de efetuar qualquer pagamento relacionado ao contrato firmado para a apresentação artística.

A Ação Civil Pública foi ajuizada pela 1ª Promotoria de Justiça de Sertânia contra o município e a prefeita Pollyanna Barbosa de Abreu. O MPPE sustentou que a contratação da empresa responsável pelo show, no valor de R$ 1,3 milhão, integra um gasto estimado em R$ 2,5 milhões com a realização da festa, em um momento em que o município enfrenta grave crise fiscal e apresenta deficiências em áreas essenciais, como acolhimento institucional de crianças e adolescentes, saúde mental e equilíbrio do regime próprio de previdência dos servidores.

Na ação, o MPPE argumenta que a realização do evento, diante das restrições financeiras do município e da necessidade de investimentos em serviços públicos essenciais, representa afronta aos princípios constitucionais que regem a administração pública. Para o MPPE, a prioridade da gestão deve ser a aplicação dos recursos em políticas públicas essenciais, em detrimento de despesas consideradas não prioritárias diante da atual situação fiscal do município.

Na decisão, o magistrado entendeu que estão presentes os requisitos para a concessão da tutela de urgência, destacando a probabilidade do direito invocado pelo Ministério Público e o risco de dano ao erário, caso os recursos públicos fossem utilizados antes da apreciação definitiva da ação. O magistrado ressaltou que a discricionariedade administrativa deve observar os princípios da moralidade, razoabilidade, proporcionalidade, eficiência e economicidade, especialmente em um cenário de comprovado desequilíbrio financeiro do município.

Além de suspender a apresentação artística, a decisão determina que o município se abstenha de realizar qualquer pagamento decorrente do Contrato nº 063/2026, inclusive da parcela de R$ 450 mil prevista para esta quinta-feira (23). Também fica vedada a contratação de outra atração de porte e valor semelhantes com recursos destinados à Expocose 2026.

Em caso de descumprimento da ordem judicial, foi fixada multa diária de R$ 50 mil, de caráter pessoal, à prefeita Pollyanna Barbosa de Abreu, sem prejuízo da apuração de eventual responsabilidade por crime de desobediência e ato de improbidade administrativa. O município também deverá publicar, em até 12 horas após a intimação, aviso sobre a suspensão do show no site oficial.

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Zanin autoriza PF a investigar ministro do STJ em inquérito sobre venda de decisões

Ministro Cristiano Zanin/Gustavo Moreno/STF

O ministro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) Moura Ribeiro será investigado formalmente pela Polícia Federal (PF) por suspeita de venda de decisões em processos sob a sua relatoria nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin autorizou o inquérito no âmbito da Operação Sisamnes, da qual é relator e que apura esquemas de corrupção, venda de sentenças e vazamento de informações sigilosas envolvendo o STJ. As informações foram divulgadas inicialmente pelo Estadão.

A decisão de Zanin, de 29 de maio, se deu após uma denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), baseada em um relatório da PF de 22 páginas, no qual foram identificados fortes indícios de antecipação de, pelo menos, dez processos do gabinete de Moura Ribeiro em benefício do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, de sua esposa, Mirian Gonçalves e de empresários do agronegócio da região.

Apesar das suspeitas consistentes, a PF afirmou que ainda não há elementos comprobatórios da participação direta do ministro nos ilícitos, mas está autorizada pelo ministro Zanin a levantar dados de servidores vinculados ao gabinete de Moura Ribeiro e informações sobre pessoas próximas ao ministro (como parentes e eventuais sócios) para cruzamento de dados fiscais no período investigado.

Em nota, o gabinete de Moura Ribeiro, afirmou que desconhecia a investigação e que a própria PF “reconhece não haver indícios de sua participação na venda de sentenças”, que exonerou um servidor citado pela PF por “atuação irregular”, além de “possuir uma trajetória ilibada na magistratura há mais de quatro décadas”.

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Países da UE chegam a acordo para impor novas sanções à Rússia

Presidente russo, Vladimir Putin/AFP

Os países da União Europeia (UE) chegaram a um acordo na manhã desta quinta-feira (23) em Bruxelas para impor novas sanções à Rússia após semanas de negociações, informaram fontes diplomáticas.

Este 21º pacote de medidas tem como objetivo, entre outras coisas, prorrogar por um ano um mecanismo que limita o preço do petróleo bruto exportado pela Rússia a 44 dólares por barril (R$ 222).

Isso permite reduzir a receita petrolífera da Rússia, que financia grande parte de sua guerra contra a Ucrânia.

Este novo pacote, fruto de semanas de negociações, teve de ser suavizado em relação à proposta inicial de Bruxelas.

Foi necessário adaptá-lo para dissipar as reticências da Grécia em relação ao gás natural liquefeito (GNL). Atenas defendia que a UE autorizasse suas empresas a transportar GNL, desde que para clientes fora da Europa.

Esses transportes de gás para países terceiros serão autorizados excepcionalmente nos contratos celebrados antes de 24 de fevereiro de 2022, quando Moscou iniciou a invasão da Ucrânia.

O pacote também proíbe transações voltadas ao setor financeiro russo, inclui medidas contra as criptomoedas e mira petroleiros da “frota fantasma” usada pela Rússia para transportar, sob bandeiras falsas, energia e outras mercadorias.

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“Caminhão invadiu contramão e atingiu van com pacientes”, diz prefeito sobre acidente com sete mortes no Sertão

O prefeito de Petrolândia, no Sertão, Fabiano Marques (Republicanos), informou ao Diario de Pernambuco que o acidente na PE-360, que resultou em sete mortos nesta quinta-feira (23), foi causado após caminhão invadir contramão e atingir uma van do Tratamento Fora do Domicílio (TFD).

Ainda está sendo realizado o trabalho de perícia, mas a informação que temos é que o caminhão vinha no sentido contrário, invadiu a pista contrária e foi direto para cima da van“, diz. O motorista do caminhão é uma das vítimas fatais. Além dele, havia nove pacientes na van.

Segundo o prefeito, a posição dos veículos, marcas de pneu na pista e relatos iniciais da equipe de perícia apontam para a invasão da pista contrária. A colisão ocorreu entre os municípios de Floresta e Ibimirim.

Além dos sete mortos, quatro pessoas ficaram feridas. Eles foram encaminhados inicialmente para unidades de saúde em Floresta e Ibimirim e, em seguida, um foi transferido para Serra Talhada e os demais ao Recife.

Os corpos dos mortos foram levados para o Instituto de Medicina Legal (IML) de Petrolina, onde deverão ser identificados.

Marques afirma que a prefeitura foi mobilizada para dar apoio logístico e funerário aos familiares das vítimas.

Ainda segundo o prefeito, a van que transportava os pacientes da cidade estava regular. “Estava em perfeitas condições. O motorista era funcionário do município. Ele estava de folga e foi contratado para esta viagem“, diz. O motorista da van, identificado como Ricardo Eduardo, teve a morte confirmada.

Marques diz que a van foi locada após o veículo da prefeitura “dar problema”. O destino era Arcoverde, para consultas.

Temos que dirigir por nós e pelo outro. A cidade está em clima de comoção e é seguir em frente. Que isso sirva de alerta para outros municípios, que também têm procedimentos para fazer em outras cidades“, comenta.

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Saiba quem são as vítimas que morreram no acidente entre van com pacientes e caminhão no Sertão

A Prefeitura de Petrolândia, no Sertão de Pernambuco, divulgou a lista com os nomes das vítimas fatais após colisão entre caminhão e van do Tratamento Fora do Domicílio (TFD) na PE-360 nesta quinta-feira (23). Ao todo, sete pessoas morreram e quatro ficaram feridas.

As vítimas fatais que estavam na van são Ricardo Eduardo de Souza, Hilda Maria de Lima, Maria Luiza Cerqueira Ferraz, Josefa Ferreira da Silva, Luzilene Maria Silva Mira e Francisca Maria da Silva Cruz.

A sétima vítima é o motorista do caminhão. A Prefeitura de Petrolândia informou saber apenas que ele é do Recife.

Ricardo Eduardo de Souza era o motorista da van. Ele era funcionário do município de Petrolândia, estava de folga, mas foi contratado para fazer a viagem.

Entenda o acidente

O grave acidente envolvendo uma van que transportava pacientes do Tratamento Fora do Domicílio (TFD) e um caminhão deixou sete pessoas mortas por volta das 5h desta quinta-feira (23), na PE-360.

A van transportava moradores de Petrolândia que seguiam para Arcoverde para tratamento de saúde. Durante o trajeto, o veículo colidiu com um caminhão.

Segundo o Corpo de Bombeiros, as sete vítimas morreram no local, sendo seis nas proximidades da van e uma no interior do caminhão-baú, que foi encontrada carbonizada.

Além dos Bombeiros, equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), da Polícia Militar, do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto de Medicina Legal (IML) foram mobilizadas para atender a ocorrência, realizar a perícia e fazer a remoção dos corpos. A Delegacia de Floresta irá apurar as circunstâncias do acidente.

A Prefeitura de Petrolândia decretou luto de três dias. Segundo o prefeito do município, Fabiano Marques, o caminhão invadiu a pista contrária e atingiu a van.

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Mendonça autoriza inquérito sobre repasses de Vorcaro para filme Dark Horse

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a PF (Polícia Federal) a investigar os repasses ao filme Dark Horse, cinebiografia inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro (PL).

A autorização foi concedida na quarta-feira (22) e, segundo integrantes da PF à CNN, o inquérito será aberto ainda nesta quinta-feira (23) na Dicor (Diretoria de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção).

A decisão de Mendonça significa que a PF vai apurar os repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a obra a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e saber se todo o montante foi para onde as notas fiscais apontam. A PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou a favor das investigações.

Vorcaro pagou aproximadamente R$ 61 milhões para financiar o filme após pedido do pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. O intermédio foi feito pelo publicitário Thiago Miranda.

Diálogos divulgados pelo site Intercept Brasil mostram Flávio Bolsonaro e Vorcaro falando sobre o filme. Uma das conversas em 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master.

Em outro áudio de 8 de setembro do ano passado, Flávio teria dito a Vorcaro que havia preocupação com atraso nos pagamentos da produção.

Em nota publicada à época em que o diálogo foi divulgado, Flávio Bolsonaro disse que a conversa se tratou de um “filho procurando patrocínio“.

Mais do que nunca, é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet.”

Flávio disse ainda ter conhecido Vorcaro em 2024, “quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”.

O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca”, completou Flávio à época.

O senador não se manifestou sobre a abertura do inquérito.

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Colisão entre TFD de Petrolândia e caminhão deixa sete mortos na PE-360, em Floresta

Um grave sinistro de trânsito entre um caminhão-baú e uma van, que transportava pacientes do Tratamento Fora do Domicílio (TFD) de Petrolândia, deixou sete pessoas mortas e outros quatro feridos na PE-360, entre os municípios de Floresta e Ibimirim, no Sertão de Pernambuco. O acidente ocorreu por volta das 5h desta quinta-feira (23). Entre os mortos, estão seis ocupantes da van, incluindo o motorista, e o condutor do caminhão, que pegou fogo às margens da rodovia estadual. No TFD estavam, ao menos, nove pessoas.

Com a força do impacto, os destroços dos dois veículos e documentos das vítimas ficaram espalhados pelo local. Para a CBN Recife, o prefeito de Petrolândia, Fabiano Marques (Republicanos), disse que a van seguia para Arcoverde, também no Sertão de Pernambuco, onde os pacientes fariam uma série de exames e tratamentos. Ainda de acordo com o gestor, o sinistro de trânsito foi provocado porque o caminhão-baú atravessou a contramão e atingiu o outro veículo.

O Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE) disse que um dos sobreviventes precisou ser retirado das ferragens. As outras três vítimas, sendo duas mulheres e uma criança, já tinham sido retiradas por pessoas que passavam pelo trecho da rodovia. Os resgates foram feitos para hospitais municipais de Floresta e Ibimirim.

Além da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE), que fez a segurança do local e o controle do fluxo de veículos, também atuaram na ocorrência o Serviço Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a Polícia Científica e a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE). A corporação informou que a dinâmica do acidente será investigada pela Delegacia de Floresta.

Luto

Nas redes sociais, a governadora Raquel Lyra (PSD) lamentou o ocorrido e disse que colocou a estrutura do Estado à disposição para prestar assistência às vítimas e familiares. “Que Deus, em sua infinita misericórdia, console os familiares, amigos, a população de Petrolândia e todos que sofrem nesta hora de despedida”, afirmou. Já a Prefeitura de Petrolândia informou que a secretaria municipal de saúde está mobilizada para acompanhar a recuperação dos sobreviventes.

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PP e União decidem pela neutralidade e ficam de fora do palanque de Flávio

PP e União decidem pela neutralidade e ficam de fora do palanque de Flávio  | Blogs | CNN Brasil

A federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, decidiu pela neutralidade na disputa presidencial, portanto, não embarcará na campanha do pré-candidato do PL (Partido Liberal), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A definição saiu após uma reunião realizada na noite de terça-feira (21) pelo presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), com dirigentes da legenda. A decisão deve ser formalizada pela federação nos próximos dias.

No encontro, integrantes do partido avaliaram que a maioria da federação defende neutralidade para preservar as escolhas individuais dos estados.

Como mostrou a CNN Brasil, o apoio dado pela federação em São Paulo não se refletiu em um acordo nacional. A CNN também noticiou movimentos de Valdemar Costa Neto e do próprio Flávio Bolsonaro para convencer a direção da União Progressista a integrar sua coalizão.

Para o PL, ainda há chances de negociação. Inclusive, por isso, o partido deixou a definição da vaga de vice para um segundo momento. O PL também negocia com o Republicanos, que sinaliza para uma posição imparcial na disputa.

Na prática, a orientação do PP e do União Brasil será para que cada estado tenha autonomia para definir seus palanques na eleição presidencial, ou seja: para decidir se vão apoiar Flávio, Lula ou qualquer outro candidato.

A decisão representa um revés para a estratégia de Flávio Bolsonaro de consolidar o apoio de partidos do centrão antes do início das convenções partidárias, em 20 de julho.

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Flávio nega ter recebido dinheiro de empresa ligada ao caso Master

O senador e pré-candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro

O senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ), negou, nesta quarta-feira (22), ter recebido dinheiro da Copenhagen Assessoria e Consultoria, empresa que recebeu repasses do Banco Master.

A Copenhagen tinha como diretor um gestor da administradora de fundos Trustee DTVM, Artur Figueiredo. Tanto a Trustee quanto Figueiredo são apontados pela PF (Polícia Federal) como suspeitos de terem participado das fraudes financeiras do banco de Daniel Vorcaro.

Em 7 de abril de 2025, Flávio emitiu duas notas fiscais de R$ 500 mil cada para uma empresa investigada por ligação com o caso Master, a Copenhagen Assessoria e Consultoria S.A. As duas notas, porém, acabaram canceladas.

Eu não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen, que supostamente foi usada por [Daniel] Vorcaro para fazer pagamentos a algumas pessoas. Não foi o meu caso. Estou tendo que explicar porque eu não recebi o dinheiro dessa empresa. Cancelei duas notas fiscais“, disse Flávio em vídeo publicado nas redes sociais.

Dois dias após a emissão e o cancelamento das notas, o escritório de Flávio emitiu uma nota fiscal de R$ 500 mil para outra empresa, a Contábil Correa, pelo serviço de “assessoria jurídica”, de acordo com os registros de 9 de abril de 2025.

A Copenhagen e a Contábil Correa tiveram, em momentos diferentes, o mesmo administrador: Rogério Lourenço Novo. Ele assumiu a diretoria da Copenhagen cinco meses depois, em setembro de 2025, no lugar de Artur Figueiredo, de acordo com registros na Junta Comercial de São Paulo. Figueiredo, por sua vez, seguiu na Trustee DTVM.

“Fiz um trabalho para uma empresa [Contábil Correa]. Fui contratado para isso e prestei serviços advocatícios. Relação completamente legal e privada“, afirmou Flávio.

A CNN não conseguiu confirmar se há algum processo ou investigação abertos para apurar a Contábil Correa ou o caso específico da emissão e do cancelamento de notas fiscais.

Em nota, a Trustee DTVM afirmou que, como administradora do fundo Estônia Multiestratégia, que investe em ações da Copenhagen Assessoria e Consultoria, “não tinha ingerência sobre as relações comerciais da empresa nem da definição de qualquer pagamento ou negociação entre a companhia e o Banco Master para quem quer que seja“.

A reportagem tenta contato com os demais citados.

O empresário Rogério Lourenço Novo já foi investigado pela PF por, supostamente, operar um esquema de notas fiscais falsas de empresas de fachada para evadir impostos entre 2013 e 2015. A fraude foi estimada em mais de R$ 100 milhões, mas o caso acabou arquivado.

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EUA completam nova onda de ataques contra o Irã pela 12ª noite consecutiva

O CENTCOM (Comando Central dos EUA) anunciou em uma publicação nas redes sociais, na noite de quarta-feira (22), que as Forças Armadas dos americanas completaram a 12ª noite consecutiva de ataques contra o Irã.

As forças americanas atacaram alvos militares iranianos, incluindo instalações marítimas, depósitos de mísseis e drones, locais de vigilância costeira e ativos de defesa aérea”, disse o CENTCOM em X.

O exército dos Estados Unidos afirmou que “os ataques reduziram ainda mais a capacidade do Irã de atacar marinheiros civis e embarcações comerciais”.

O comunicado acrescentou que as forças americanas alvejaram, neste mês, “dezenas de instalações militares iranianas em terra, ao mesmo tempo que retomaram o bloqueio marítimo contra o Irã”. O CENTCOM não forneceu detalhes adicionais sobre o número de alvos atingidos na quarta-feira.

Mais de 50.000 militares dos Estados Unidos estão em operação em todo o Oriente Médio e permanecem em elevado estado de alerta, focados, prontos para o combate e preparados para agir“, informou o Comando Central.

Diante dos esforços do governo do presidente Donald Trump na guerra contra o Irã, a Câmara dos Representantes dos EUA, controlada por republicanos, aprovou na quarta-feira uma proposta orçamentária que prevê US$ 95 bilhões (aproximadamente R$ 418 bilhões) em novos gastos, destinados majoritariamente a sustentar o conflito no Oriente Médio.

A medida foi aprovada por um placar apertado, 216 votos a 214, estabelecendo as bases para que os republicanos utilizem um procedimento especial no Senado, conhecido como “reconciliação”, para aprovar o financiamento contornando a necessidade de apoio da minoria democrata.

Do total de US$ 95 bilhões previstos, US$ 60 bilhões seriam alocados diretamente ao Pentágono.

Esse valor é adicional ao orçamento de cerca de US$ 1 trilhão já planejado para as Forças Armadas este ano, ocorrendo em um contexto em que Trump trava uma guerra custosa contra o Irã.

A guerra com o Irã custou aos Estados Unidos US$ 37,5 bilhões (cerca de R$ 190 bilhões), segundo o secretário de Defesa Pete Hegseth, mas é provável que a conta seja muito mais alta, conforme especialistas haviam dito anteriormente à CNN.

Em março, analistas estimaram que a guerra contra o Irã custava aos contribuintes americanos mais de US$ 890 milhões por dia, com base em operações militares conhecidas e estimativas de custos do Congresso.

Os gastos abrangem operações aéreas e navais, forças terrestres, sistemas de armas e interceptação de mísseis, sendo a fase inicial do conflito a mais custosa.

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Mais de 132 mil medidas protetivas foram descumpridas no Brasil em 2025

Em 2025, o Brasil registrou 132.025 casos de descumprimento de medidas protetivas de urgência em 2025, um aumento de 16,7% em relação ao ano anterior. Os dados fazem parte do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado com exclusividade à CNN Brasil nesta quarta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

As medidas, previstas na Lei Maria da Penha, têm como objetivo garantir a segurança de mulheres vítimas de violência doméstica. Entre as determinações judiciais estão o afastamento do agressor do lar, a proibição de contato com a vítima e a restrição de aproximação.

Segundo o levantamento, são, em média, 362 medidas descumpridas por dia, 15 a cada hora.

Apesar de serem um dos principais mecanismos de proteção às vítimas, quando olhado para um recorte mais específico, os dados mostram que o descumprimento das determinações judiciais continua preocupante. Em 2025, para cada feminicídio cometido no Brasil, houve 84 registros de descumprimento de medida protetiva de urgência, além de ocorrências de perseguição e outras formas de violência contra mulheres.

Violência contra mulheres continua em alta

O cenário é acompanhado pelo crescimento de diferentes formas de violência de gênero. Em 2025, os registros de violência psicológica chegaram a 60.830 casos, uma alta de 16,9% em relação ao ano anterior. Já os casos de ameaça cresceram 0,5%, totalizando 788.531 ocorrências.

Em entrevista à CNN Brasil, a Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirmou que isso mostra que essas mulheres continuam em situação de alto risco e precisam ser tratadas como prioridade pelas políticas públicas de proteção.

O feminicídio é o desfecho de um ciclo de violências que, muitas vezes, já era conhecido pelas instituições. O desafio é conseguir interromper essa escalada antes que ela termine em morte”, afirma.

Ao todo, o país contabilizou 1.571 mulheres vítimas de feminicídio em 2025, o maior número da série histórica já analisada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Perfil das vítimas

Segundo o levantamento, 65,1% das mulheres assassinadas por razões de gênero em 2025 eram negras. Mais da metade das vítimas (56,5%) tinha entre 25 e 44 anos, faixa etária de maior incidência dos casos.

Além disso, 62,5% dos feminicídios ocorreram dentro da residência, evidenciando que o lar segue sendo o principal cenário da violência letal contra as mulheres.

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Quase 80% das vítimas de mortes violentas no Brasil são pessoas negras

Pessoas negras representaram 79,7% das vítimas de mortes violentas intencionais registradas no Brasil em 2025, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O percentual supera em mais de 24 pontos a participação desse grupo na população brasileira. Pelo Censo 2022 do IBGE, pretos e pardos somam 55,5% dos habitantes do país.

O país registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, taxa de 19,1 por 100 mil habitantes. O número representa queda de 8,2% em relação a 2024 e de 31% na comparação com 2012, primeiro ano da série histórica do FBSP. É a menor taxa do período e a primeira abaixo de 20 por 100 mil habitantes.

A categoria “mortes violentas intencionais” (MVI) foi criada pelo próprio Fórum e não corresponde a um tipo penal. Ela agrega as vítimas de homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenção policial, em serviço e fora dele.

Desigualdade aparece em todos os crimes

O recorte por raça e cor mostra que a população negra concentra a maior parcela das vítimas em todas as categorias analisadas. Nos homicídios dolosos, o índice é de 79,9%.

A proporção atinge o patamar mais alto nas mortes decorrentes de intervenção policial: 82% das vítimas eram negras, ante 17,7% de pessoas brancas. Nas demais categorias, a diferença é menor. Na lesão corporal seguida de morte, pessoas negras somam 68,6% das vítimas, contra 30,1% de brancas. No latrocínio — roubo seguido de morte —, os percentuais são de 62,8% e 36,7%.

Vítimas indígenas e amarelas aparecem em proporções residuais. O relatório afirma que a baixa participação não afasta a necessidade de dados desagregados e de análises por território sobre essas populações.

Letalidade policial é 3,5 vezes maior entre negros

Em 2025, a taxa de mortes decorrentes de intervenção policial foi de 3,5 por 100 mil habitantes entre pessoas negras e de 1,0 entre pessoas brancas. A razão é de 3,5 vezes.

A distância aumentou no período. O índice cresceu 3,5% entre pretos e pardos de 2024 para 2025 e permaneceu estável entre brancos. As mortes por intervenção policial somaram 6.602 casos em 2025, aumento de 5,4% sobre o ano anterior. Elas correspondem a 16,2% de todas as mortes violentas intencionais do país, ou uma a cada seis.

O ano concentrou o maior número da série histórica. Em outubro, a Operação Contenção, nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, terminou com 122 mortos, dos quais cinco eram agentes de segurança.

Perfil das vítimas

Homens correspondem a 90,8% das vítimas de mortes violentas intencionais. Nas mortes por intervenção policial, o percentual chega a 99,3%.

Jovens de 18 a 29 anos somam 41,6% do total. Nas mortes decorrentes de ação policial, a faixa de 18 a 24 anos responde por cerca de 36% dos casos.

Entre crianças e adolescentes, a desigualdade racial se intensifica com a idade. Na faixa de 0 a 11 anos, 62,6% das vítimas eram negras. Entre 12 e 17 anos, o percentual sobe para 86,3% — cerca de nove em cada dez adolescentes assassinados no país.

Nas mortes de mulheres, mulheres negras eram 65,1% das vítimas de feminicídio e 74,6% das vítimas das demais mortes violentas intencionais.

O feminicídio se tornou tipo penal autônomo com a Lei 14.994, de outubro de 2024. Antes disso, era qualificadora do homicídio doloso. Para preservar a comparação histórica, o Anuário manteve os registros somados aos homicídios no cálculo das MVI. Foram 1.571 vítimas em 2025, alta de 4%.

Sobrerrepresentação se repete no sistema

A população prisional brasileira tinha 69,6% de pessoas negras em 2025, maior percentual desde 2005, quando os dados passaram a ser desagregados por raça. Pessoas brancas somam 29,2%, menor índice da série.

No sistema socioeducativo, 73,7% dos adolescentes em cumprimento de medida em meio fechado se autodeclararam negros — 56,3% pardos e 17,4% pretos. Entre eles, 76,1% têm de 16 a 18 anos.

O Anuário afirma que a repetição do padrão ao longo de duas décadas indica seletividade racial persistente no funcionamento do sistema de justiça criminal, e não desvio pontual.

Registros de racismo crescem

Os boletins de ocorrência por racismo somaram 30.743 casos em 2025, alta de 13% sobre 2024. Os registros de injúria racial chegaram a 21.443, crescimento de 9,2%.

Pelo segundo ano seguido, os registros de racismo superaram os de injúria racial. O relatório associa o deslocamento à Lei 14.532/2023, que passou a tipificar a injúria racial como crime de racismo, inserindo o artigo 2º-A na Lei 7.716/1989.

O documento aponta falta de padronização nacional na forma de registrar a conduta. Estados adotam critérios distintos sobre incluir ou não a injúria racial no total de casos de racismo, o que limita a comparação entre unidades da federação.

A cobertura dos dados também é incompleta. Em 2025, 26 estados informaram registros de racismo e 25 informaram casos de injúria racial.

Meta antecipada

Os homicídios dolosos somaram 32.914 casos em 2025, taxa de 15,4 por 100 mil habitantes e queda de 10% em relação a 2024. O índice ficou abaixo da meta de 16 por 100 mil prevista para 2027 pela Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, revisada em 2021.

O cumprimento foi antecipado em dois anos. Todas as subcategorias de mortes violentas intencionais recuaram, com exceção dos feminicídios e das mortes por intervenção policial.

Ainda assim, sete unidades da federação registraram aumento de MVI: Rio Grande do Norte (19,6%), Rondônia (7,5%), Acre (6,3%), Roraima (5,8%), Distrito Federal (5,8%), Mato Grosso do Sul (4,9%) e Rio de Janeiro (2,1%).

O Anuário é elaborado a partir de microdados de registros policiais e de informações enviadas pelas secretarias estaduais de Segurança Pública e Defesa Social, combinados a estimativas populacionais do IBGE.

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Veja as 10 cidades mais violentas do Brasil em 2025

Prefeitura Maranguape (CE), cidade com maior registro de homicídio por 100 mil habitantes

O Nordeste brasileiro conta com as dez cidades, com mais de 100 mil habitantes, mais violentas de todo o país, segundo consta no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) na manhã desta quinta-feira (23). Os dados estatísticos são referentes ao ano de 2025.

O estado da Bahia é responsável por cinco dos municípios presentes no ranking. O Ceará conta com três, sendo um deles o líder da lista. Já Pernambuco e Paraíba apresentam uma cidade cada no levantamento.

Veja abaixo as cidades mais violentas do Brasil:

Maranguape (CE)
Eunápolis (BA)
Maracanaú (CE)
Porto Seguro (BA)
Simões Filho (BA)
Jequié (BA)
Caucaia (CE)
Cabo de Santo Agostinho (PE)
Santa Rita (PB)
Juazeiro (BA)

Enquanto a taxa nacional de mortes violentas ficou em 19,1 por 100 mil habitantes, a média da região Nordeste atingiu 31,6, a maior do país.

Cenário de violência no país

O cenário nordestino aparece em meio a uma queda dos números de mortes violentas no país. O Brasil registrou redução de 8,2% no quesito, em 2025, quando comparado ao ano de 2024. O relatório destaca que todas as regiões brasileiras reduziram o número de MVI entre 2024 e 2025, incluindo o Nordeste.

Durante o ano passado, o Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais. Na categoria estão englobadas vítimas de homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço e fora. Os números revelam uma taxa de 19,1 mortes por 100 mil habitantes.

Além da queda em relação ao ano de 2024, há também uma redução de 31,0% em comparação com 2012, primeiro ano da série histórica publicada pelo FBSP.

Mesmo com a redução das mortes violentas intencionais, sete unidades da federação registraram aumento na categoria. Elas são: Rio Grande do Norte, Rondônia, Acre, Roraima, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.

Perfil das vítimas
O Anuário revela que a violência letal no Brasil tem alvos específicos. Os dados mostram que 90% das vítimas de mortes violentas intencionais são homens. O percentual sobe para 99,3% quando analisadas apenas as mortes decorrentes de intervenção policial.

Além disso, segundo o estudo, a violência é desproporcionamente racializada. Pessoas negras representam 79,7% das vítimas de MVI e 79,9% das vítimas de homicídio doloso.

A proporção alcança o maior patamar nas mortes decorrentes de intervenção policial, nas quais pessoas negras correspondem a 82,0% das vítimas.

Já no que diz respeito à idade, a concentração de MVI está entre adolescentes, jovens e adultos jovens, especialmente na faixa de 18 a 24 anos.

O grupo apresenta o principal para mortes violentas intencionais, homicídio doloso e mortes decorrentes de intervenção policial. Na última categoria, a participação de pessoas de 18 a 24 anos chega a aproximadamente 36%.

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Brasil bate recorde de feminicídios pelo quarto ano seguido

O Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número da série histórica, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quarta-feira (23). O total representa um aumento de 4% em relação a 2024 e corresponde a uma taxa de 1,4 feminicídio para cada 100 mil mulheres, consolidando a tendência de crescimento desse tipo de crime no país e confirmando o quarto recorde consecutivo do indicador.

O crescimento dos feminicídios contrasta com a redução dos demais indicadores de violência letal. Em 2025, o Brasil registrou 40.775 Mortes Violentas Intencionais, queda de 8,2% em relação ao ano anterior e a menor taxa da série histórica: 19,1 mortes por 100 mil habitantes. O país também antecipou em dois anos a meta nacional de redução dos homicídios prevista na Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social para 2027. Ainda assim, os feminicídios e as mortes decorrentes de intervenção policial foram as únicas modalidades de mortes violentas que cresceram no período.

Para a coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Juliana Brandão, os dados mostram que a violência letal contra mulheres segue uma dinâmica diferente da violência urbana.

Segundo ela, a violência doméstica é fortemente influenciada por fatores estruturais, como desigualdade de gênero, padrões culturais de masculinidade, controle coercitivo e fragilidades na rede de proteção, fatores que dificultam a interrupção de trajetórias de violência já conhecidas pelas instituições.

Os dados mostram que o número de mulheres assassinadas por razões de gênero vem crescendo de forma contínua. Em 2025, 44,4% de todas as mulheres assassinadas no Brasil morreram por razões de gênero, o maior percentual desde 2015, quando o feminicídio passou a integrar o Código Penal brasileiro. O ano também foi o primeiro de vigência integral da Lei nº 14.994/2024, que retirou o feminicídio da condição de qualificadora do homicídio doloso e o transformou em um crime autônomo. Para preservar a comparabilidade da série histórica, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública manteve os registros de feminicídio somados aos homicídios no cálculo das Mortes Violentas Intencionais.

Segundo Brandão, embora a mudança na legislação tenha contribuído para aprimorar os registros, ela não explica sozinha a alta dos casos.

Ela cita, entre eles, os registros de perseguição (stalking), que cresceram 30% em 2025, e de violência psicológica, que aumentaram quase 17%.

Outro dado que chama atenção é o avanço das tentativas de feminicídio. Em 2025, 4.189 mulheres sobreviveram a tentativas de assassinato, um aumento de 5,9% em relação ao ano anterior. O Anuário destaca que, para cada feminicídio consumado registrado no país, houve 2,7 tentativas, indicando que milhares de mulheres escaparam da morte por circunstâncias alheias à vontade do agressor e permanecem em situação de risco.

Para a pesquisadora, esses números demonstram que a violência poderia ter terminado em morte na maioria desses casos. “Na definição do Código Penal, a tentativa ocorre porque circunstâncias alheias à vontade do autor impediram a consumação do crime. Ou seja, ele não desistiu de matar; ele não conseguiu”, afirma. Segundo ela, os dados evidenciam que o Estado ainda falha em identificar situações de risco e proteger essas mulheres antes que a violência alcance seu desfecho fatal.

Na avaliação dos pesquisadores, o avanço dos feminicídios evidencia os limites de uma política baseada apenas na repressão. O Anuário aponta que a persistência da violência doméstica e o aumento do descumprimento de medidas protetivas exigem uma estratégia focada na prevenção, na intervenção precoce e no monitoramento dos fatores de risco para impedir que episódios de violência evoluam para o assassinato de mulheres.

Ranking dos estados

O Anuário mostra que as maiores taxas de feminicídio em 2025 foram registradas no Amapá, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, evidenciando uma concentração dos casos nas regiões Norte e Centro-Oeste do país. Quando considerados, em conjunto, os feminicídios consumados e tentados, essas duas regiões também apresentaram os maiores índices de violência letal de gênero, reforçando as desigualdades territoriais no enfrentamento desse tipo de crime.

Perfil das vítimas e dos agressores

O retrato das vítimas mostra que o feminicídio atinge principalmente mulheres negras e em idade economicamente ativa. Em 2025, 65,1% das vítimas eram negras, 56,5% tinham entre 25 e 44 anos e 62,5% foram mortas dentro da própria residência, o que reforça a predominância da violência no ambiente doméstico.

Quando a autoria foi identificada, 96,4% dos feminicídios foram cometidos por homens. Em 60,9% dos casos, o autor era o parceiro íntimo da vítima; em 18,9%, um ex-parceiro; e em 12,1%, um familiar. Os dados reforçam que, na maioria das vezes, o agressor faz parte do círculo de convivência da mulher.

Os números também mostram que o feminicídio costuma ser o desfecho de uma sequência de violências. Para cada caso registrado em 2025, houve, em média, 502 registros de ameaça, 182 de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica, 84 de descumprimento de medida protetiva de urgência, 79 de perseguição (stalking) e 39 de violência psicológica contra mulheres.

Entre as unidades da federação que informaram os dados ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 70 mulheres foram assassinadas mesmo tendo uma medida protetiva de urgência ativa, o equivalente a uma em cada nove vítimas.

No mesmo período, o país registrou 132.025 casos de descumprimento de medidas protetivas, alta de 16,7% em relação ao ano anterior.

Para Brandão, esse crescimento revela um dos principais desafios da política de proteção às mulheres. “Estamos falando do descumprimento de uma decisão judicial emitida pelo próprio Estado. Quando essa ordem não é cumprida, o risco para a mulher permanece elevado”, afirma.

Segundo a pesquisadora, os dados mostram que, em muitos casos, o descumprimento das medidas protetivas antecede o feminicídio e evidencia os limites da capacidade estatal de impedir que a violência evolua para a morte.

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Alckmin sobre tarifaço: “A Lei da Reciprocidade está na mesa, mas esse não é o objetivo”

Vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin/Paulo Pinto/Agência Brasil

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta quarta-feira (22) que o governo brasileiro não descarta acionar a Lei da Reciprocidade em resposta à tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais, mas ressaltou que o objetivo é evitar uma guerra comercial.

Não tem retaliação. A ideia não é fazer retaliação. A ideia é buscar solução“, disse Alckmin. “A Lei da Reciprocidade está na mesa, mas esse não é o objetivo. O objetivo não é fazer guerra comercial. O objetivo é resolver o problema.”

O vice-presidente participou de evento de comemoração dos 25 anos da BandNewsTV, na capital paulista, e foi questionado, em coletiva de imprensa, sobre as tarifas impostas nesta quarta-feira (22). Também compareceram ao evento os ministros Sidônio Palmeira (Secretaria da Comunicação Social) e Frederico Siqueira (Comunicações), além do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB).

O governo norte-americano justificou a tarifa como resposta a supostas práticas comerciais desleais envolvendo temas como Pix, etanol e desmatamento. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a medida deve atingir 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, equivalentes a US$ 7,4 bilhões em valores de 2024.

Ela é injusta, porque, quando entra um produto americano no Brasil, a tarifa média é de 3,1%“, continuou. “Não tem sentido você ter 25%, se o produto americano, quando a gente importa, é 3,1%. E, dos dez produtos que eles mais vendem para nós, sete deles têm tarifa zero.”

Alckmin reiterou que o governo federal disponibilizará R$ 18,5 bilhões em crédito a juros reduzidos para empresas afetadas pelo tarifaço e pela Guerra do Golfo, além de setores estratégicos, como fertilizantes e minerais críticos. Segundo ele, o governo Lula (PT) também buscará novos mercados, sem abandonar as negociações com os Estados Unidos.

Na avaliação do vice-presidente, o entendimento sobre as tarifas e uma maior integração produtiva, numa relação “ganha-ganha”, entre Brasil e Estados Unidos, que considera benéfica para os dois países, deve avançar. Para ele, as atuais divergências comerciais são passageiras.

Atuação da família Bolsonaro

Ao longo de conversa com jornalistas, Alckmin criticou a atuação da família do ex-presidente Jair Bolsonaro em relação às tarifas aplicadas pelo governo Donald Trump, em especial o discurso feito pelo pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, em audiência com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).

Lamentavelmente, alguns maus brasileiros levam informações erradas, equivocadas, prejudicando a economia brasileira, as empresas e os empregos“, afirmou.

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