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Quem é Abelardo de la Espriella, candidato direitista na Colômbia

O candidato presidencial de direita Abelardo de la Espriella faz campanha em Bogotá, Colômbia, ao lado de seu companheiro de chapa, José Manuel Restrepo, em 7 de maio de 2026.

Em questão de meses, Abelardo de la Espriella passou de um advogado controverso e com grande presença na mídia a candidato à Presidência com chances reais de vitória na Colômbia, graças a uma mensagem clara: impor autoridade.

Ele agora é o rosto de uma direita radical e em constante evolução, que capitalizou a frustração com os partidos tradicionais e conduziu uma campanha de muito espetáculo com uma postura de “outsider”, se posicionando como rival direto do candidato governista de esquerda, Iván Cepeda.

Os dois vão disputar o segundo turno da eleição presidencial no dia 21 de junho.

Ele tem 47 anos, é carismático e gosta de falar firme, apela para o espetáculo e faz declarações categóricas e provocativas. O candidato se apresenta como um empresário de sucesso, amante do que chama de alta cultura e bom gosto.

De la Espriella estruturou seu discurso para conquistar o eleitorado conservador e enfurecer o governo atual. Já moveu processos contra jornalistas, foi acusado de sexismo e afirma ser o maior inimigo do comunismo.

Ele entrou na campanha com a retórica da ultradireita e propostas populistas. Lançou sua campanha presidencial prometendo interromper a continuidade do projeto político do presidente Gustavo Petro, e sua estratégia é a polarização: ele representa um extremo sem restrições para contrapor o outro.

Com seu movimento Defensores da Pátria, seu ímpeto político começou no final de 2025 com o lançamento de sua candidatura, quando as pesquisas começaram a posicioná-lo como a principal voz do voto anti-Petro no país.

E essa trajetória se manteve firme: segundo as últimas pesquisas, ele ocupa o segundo lugar em todas os levantamentos, atrás de Iván Cepeda. Embora sua ascensão meteórica desde o final do ano passado tenha parecido estagnar no final de fevereiro, na reta final ele consolidou sua posição como o principal candidato da oposição rumo ao primeiro turno.

A conclusão é que a estratégia de De la Espriella funcionou: apelar para a polarização; para contrapor o candidato de Petro, a alternativa é ele mesmo, o extremo oposto.

Ao longo da campanha, De la Espriella se declarou aberto a receber apoio de todos os setores políticos, exceto daqueles alinhados a Petro, e as pesquisas o mostram consistentemente como o favorito, apesar de não ser filiado a nenhum partido político.

O advogado afirma ter sido inspirado “pelo alarme gerado pela fraude eleitoral na Venezuela em 29 de julho de 2014” e busca evitar “o risco de um governo que ameace nossas liberdades fundamentais ou tente se perpetuar no poder”.

De la Espriella, que se autodenomina o “Tigre”, expressou simpatia por alguns líderes de direita na região – incluindo Donald Trump – e a mídia o comparou a Nayib Bukele. O candidato elogiou o sistema prisional do presidente salvadorenho e afirma que seu governo promoveria a construção de megaprisões de alta segurança.

Ele nunca ocupou um cargo público nem administrou contratos estatais: apresenta essa falta de vínculos com o establishment como prova de que é “o verdadeiro outsider” na disputa. Além disso, alega não ter grandes financiadores e afirma ser um empreendedor “que construiu seu próprio sucesso” e, portanto, não ter obrigações com a elite.

Ele se apresenta como alguém que admira o legado de Álvaro Uribe e propõe – assim como o ex-presidente colombiano – uma política de “tolerância zero” contra a corrupção. Agora, busca ser o rosto da nova direita na Colômbia, liderar o chamado pós-Uribe.

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