
Pelo menos 12 das 22 empresas que operam no sistema de transporte coletivo da capital paulista são, em tese, controladas pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), segundo investigação do Ministério Público de São Paulo.
A informação consta na investigação que embasa uma operação deflagrada na manhã desta quinta-feira (17) para apurar a infiltração da organização criminosa em diferentes setores do poder público.
Entre os alvos de mandado de prisão estão o ex-vereador Milton Leite (União Brasil) e Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans.
Entre os presos estão Júlio Salvador Filho; Claudionor Aparecido Sabino Tomaz; Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans; Carla de Paula Muller, esposa de “Granada”, do PCC; Edivania Arruda Botelho Alves; André Cassali; José Ronaldo Alves de Sales; Edson Antonio de Souza; e Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL (Partido Liberal).
Em síntese, a investigação aponta que a atuação do grupo extrapolaria o tráfico de drogas e envolveria empresas de transporte, pessoas interpostas, contratos públicos, articulações políticas e estruturas da área da saúde.
Infiltração no setor de transportes
Segundo as autoridades, a investigação identificou uma possível infiltração da organização criminosa no sistema de transporte público da capital.
Das 22 empresas de transporte coletivo na capital, ao menos 12 seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC. Os empreendimentos já foram objeto de investigações anteriores por parte da Polícia Civil e do Ministério Público, inclusive com denúncias já ofertadas.
Milton Leite (União Brasil) é apontado como o operador de algumas dessas empresas de transportes controladas pela facção. Relatos de policiais militares à Justiça indicam que o político seria o dono de fato da empresa Transwolff.
Financiamento de campanhas políticas
Ao longo das apurações, foi identificado, ainda, um envolvimento do PCC no financiamento de campanhas políticas nas eleições para prefeitos e vereadores de 2024.
De acordo com o Ministério Público, diálogos extraídos de celulares apreendidos mencionam as campanhas de Danilo Morgado e José Ronaldo Alves de Sales.
A operação ainda mira um candidato a deputado estadual e três advogados, além de outras pessoas atuantes na organização criminosa. Levi dos Santos Oliveira, ex-servidor da Prefeitura de São Paulo e ex-presidente na SPTrans, também é citado nas investigações e é alvo das autoridades.
Outro lado
Posicionamento de Milton Leite
O ex-vereador Milton Leite afirmou que não está foragido, mas sim em viagem. Ele ainda disse que se apresentará às autoridades em até 24 horas e provará inocência. Veja a nota na íntegra:
“Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas.
Vou provar minha inocência em todas as acusações.“
Posicionamento Danilo Morgado (PL)
“Meses atrás Danilo foi alvo de um processo onde se pedia sua prisão, movido pelo prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão.
Na época, o motivo do pedido de prisão foram vídeos publicados por Danilo, denunciando supostas licitações ligadas ao PCC dentro da prefeitura de Praia Grande, ou seja, Danilo trouxe a tona a mesma denuncia feita pelo delegado Dr. Ruy Ferraz Fontes.
Agora, em plena campanha eleitoral, e um dia antes da data que proíbe prisão de candidatos, Danilo é preso.
A sequência dos fatos fala por si.
O coronel nunca muda seu modo de agir: intimida e tenta calar quem não se curva.
Prenderam Danilo, mas despertaram milhares.
Esperamos que os fatos sejam apurados a fundo e tudo seja esclarecido em breve.
O que não dá pra engolir é a forma que aconteceu: às vésperas da eleição, numa prisão que temos motivo para considerar irregular.
Isso não é investigação, é perseguição.”
Posicionamento da Prefeitura de SP
“A intervenção determinada pela Prefeitura de São Paulo na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte. Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou, por iniciativa própria, a intervenção na UPBus, mesmo sem qualquer solicitação da Justiça.
Desde o início das investigações, a Prefeitura agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.
A Prefeitura reforça que, na ocasião, também foi aberto um processo pela Controladoria Geral do Município contra a Transwolff e a UPBus e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório.
A operação realizada nesta quinta-feira (17) reforça a gravidade dos fatos que motivaram as providências adotadas pela Prefeitura. A administração colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários.”




