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França registrou 1.243 mortes adicionais durante onda de calor de julho

A França metropolitana enfrentou 52 dias de onda de calor desde meados de junho/Zakaria Abdelkafi/AFP

A França registrou 1.243 mortes adicionais entre 3 e 22 de julho, em plena onda de calor, de modo que o balanço provisório de 2026 chegou a cerca de 7.300 óbitos, informaram as autoridades sanitárias nesta quarta-feira (19).

A Europa Ocidental viveu o início de verão mais quente já registrado, com o período de junho-julho em nível recorde, com ondas de calor, seca generalizada e incêndios, alimentados pelas mudanças climáticas.

A França metropolitana enfrentou 52 dias de onda de calor desde meados de junho. O episódio atual, iniciado no fim de julho, é o segundo mais duradouro, atrás apenas dos 23 dias registrados em julho de 1983.

As 1.243 mortes adicionais entre 3 e 22 de julho “por todo tipo de causas”, que ainda não podem ser atribuídas com segurança ao calor extremo, somam-se aos 5.764 óbitos adicionais registrados entre 17 e 30 de junho, segundo a agência Santé Publique France.

A onda de junho foi, no entanto, mais intensa do que a de agosto de 2003, cujas 15 mil mortes chocaram a França.

Quase três quartos das mortes em excesso em julho “correspondem a pessoas de 75 anos ou mais“, embora elas tenham afetado “todos os grupos etários a partir dos 45 anos“, detalhou o Ministério da Saúde.

Embora os óbitos tenham aumentado em todos os locais, como hospitais e casas de repouso, a Santé Publique France destacou especialmente a alta em domicílios.

Outras 300 mortes adicionais foram registradas entre 24 e 28 de maio, quando ocorreu um primeiro episódio de calor extremo, que, porém, não atende aos critérios da agência meteorológica Météo-France para ser considerado uma onda de calor.

As autoridades preveem publicar um balanço final em outubro.

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STF forma maioria para ampliar medidas protetivas da Lei Maria da Penha

O STF (Supremo Tribunal Federal) tem maioria para ampliar a aplicação das medidas protetivas de urgência da Lei Maria da Penha a casos de violência de gênero mesmo sem vínculo doméstico, familiar ou afetivo entre a vítima e o agressor.

Relator do caso, o ministro Edson Fachin afirmou nesta quarta-feira (19) que restringir as medidas protetivas a relações domésticas ou afetivas ignora o caráter estrutural da violência de gênero e contraria compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, como a Convenção de Belém do Pará.

Segundo ele, o critério determinante é a motivação do crime, a condição feminina da vítima, e não o tipo de vínculo com o agressor. Há seis votos neste sentido até o momento: Fachin, Dino, Zanin, André Mendonça, Nunes Marques e Alexandre de Moraes.

A violência contra a mulher não decorre de conflitos privados, e sim de discriminação sistêmica. Essa perspectiva estrutural foi consolidada nos tratados internacionais de direitos humanos“, afirmou.

O julgamento teve repercussão geral reconhecida, o que torna o entendimento de aplicação obrigatória em casos semelhantes em todas as instâncias do país.

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Justiça suspende demissões da Casas Bahia e restringe novos cortes

O Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região suspendeu provisoriamente, na terça-feira (18) as demissões coletivas realizadas pelo Grupo Casas Bahia na semana passada e restringiu novos cortes sem intermediação de entidades sindicais. Procurado, o Grupo ainda não se manifestou sobre a decisão.

A companhia protocolou, no domingo (16) um pedido de recuperação judicial por dívidas de R$ 17,3 bilhões.

Em fato relevante enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a empresa afirmou que o pedido ocorre em um contexto de deterioração das condições econômico-financeiras, atribuindo o cenário, entre outros fatores, a um ambiente macroeconômico marcado por taxas de juros elevadas, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro.

No processo, a CNTC (Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio) afirmou que a empresa fechou 298 lojas e demitiu cerca de 1,9 mil funcionários entre 13 e 14 de agosto, sem intervenção sindical prévia.

A decisão, assinada pela juíza Katarina Mousinho de Matos, determinou que a empresa tem cinco dias a partir da intimação para restabelecer provisoriamente os vínculos jurídicos e econômicos dos trabalhadores atingidos.

Segundo o documento, a medida não implica reabertura das lojas encerradas nem retorno físico automático aos antigos postos de trabalho.

Caso não cumpra a decisão, a Casas Bahia poderá ser multada em R$ 500 por dia por trabalhador atingido.

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TCE valida 142 nomeações em concurso da Prefeitura de Afogados da Ingazeira

Por Do Causos e Causas

A Primeira Câmara do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco julgou legais e concedeu o registro a 142 admissões da Prefeitura de Afogados da Ingazeira (Processo TCE-PE nº 25101817-9, Acórdão T.C. nº 1654/2026).

A deliberação unânime confirmou a validade das nomeações realizadas na gestão do prefeito Alesandro Palmeira.

A fiscalização atestou que o concurso público, homologado em dezembro de 2024, respeitou a ordem classificatória dos aprovados e cumpriu as exigências constitucionais para o provimento de cargos efetivos, como Agente Administrativo, Professor I e Professor II.

Durante o processo, uma divergência identificada no CPF de uma candidata foi tratada como erro material e devidamente corrigida pela instrução técnica.

A decisão foi aprovada com ressalva devido ao atraso no envio dos documentos relativos aos atos de admissão. A relatoria do conselheiro substituto Adriano Cisneiros ponderou que a falha formal ocorreu por limitações do próprio sistema e-TCEPE, o que afastou a ocorrência de má-fé ou prejuízo ao controle externo, garantindo o registro definitivo de todos os servidores nomeados.

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Casas Bahia afirma que negocia e busca alternativas para crise financeira

Casas Bahia, Via Varejo

O Grupo Casas Bahia informou que mantém negociações com diversos agentes do mercado para buscar alternativas para sua situação financeira, mas que, até o momento, não há definição sobre eventual operação de obtenção de recursos, incluindo financiamentos.

A afirmação é uma resposta a questionamento da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) sobre notícia publicada na imprensa sobre negociação de um DIP de até R$ 1 bilhão.

No entanto, ainda não há quaisquer definições relacionadas a eventual operação dessa natureza, seja de tamanho, prazo ou contraparte, razão pela qual inexiste informação a ser divulgada no atual momento“, afirma.

A empresa relembra que ajuizou, em 16 de agosto de 2026, pedido de recuperação judicial e diz que está avaliando alternativas de renegociação de prazos de pagamento de dívidas e obtenção de recursos adicionais, incluindo mecanismos de transação tributária e a liberação de valores depositados em juízo com o intuito de gerar caixa.

Segundo a companhia, essas alternativas ainda estão em fase de avaliação, sem confirmação de adoção ou prazo para concretização.

O Grupo Casas Bahia acrescenta que a petição do pedido de recuperação judicial, disponibilizada ao mercado nos termos da Resolução da CVM nº 80/22, menciona algumas dessas medidas, incluindo o pedido de levantamento de depósitos trabalhistas.

Segundo a varejista, o alongamento do prazo de pagamento de fornecedores no primeiro trimestre foi indicado nos comentários sobre o ciclo financeiro em seu release de resultados do primeiro trimestre.

Já o fluxo de caixa livre de R$ 800 milhões e a redução nos estoques de R$ 1,15 bilhão constam do fluxo de caixa gerencial divulgado no balanço do segundo trimestre.

A empresa lembra que, em seu último balanço, informou que fecharia lojas menos rentáveis (com indicação do número de lojas fechadas), reduziria o Capex e diminuiria seu custo estrutural, por meio do redimensionamento do quadro e das despesas.

Por serem medidas recentes, a empresa afirma que ainda não tem a dimensão exata dos custos e economias estimados e, por isso, diz que não há informação a ser divulgada a esse respeito.

A companhia reitera que não há operação de obtenção de recursos financeiros, “seja na modalidade DIP ou não”, contratada ou aprovada até o momento.

Também diz que não há qualquer renegociação de prazos e obtenção de recursos definida ou aprovada e que não há quantificação oficial sobre economias, reduções de despesas e Capex.

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Real Time: Michelle Bolsonaro lidera intenções de voto ao Senado no DF

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) lidera com 25% das intenções de voto a corrida para o Senado Federal pelo Distrito Federal, segundo pesquisa RealTime Big Data divulgada nesta quarta-feira (19). Nas eleições de 2026, os eleitores escolherão dois nomes para representá-los na Casa Legislativa, motivo pelo qual o levantamento agrupa os dados para simular as duas cadeiras em disputa.

Em seguida, aparece a atual senadora Leila do Vôlei (PDT-DF), com 17% da preferência do eleitorado. Pela margem de erro de dois pontos percentuais, ela está tecnicamente empatada com a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) e a deputada federal Erika Kokay (PT-DF), ambas com 15% das menções.

Na sequência, aparece o ex-desembargador Sebastião Coelho (Novo) com 8%, acompanhado por Cristian Viana (Podemos) com 2% e Tiago Tarsis (Agir) com 1%

Os candidatos Zanata (PSTU) e Professor Guilherme Amorim (UP) não pontuaram nesta rodada. Os eleitores que declaram votos nulos ou brancos somam 8%, enquanto 9% não sabem ou não responderam.

Metodologia

Foram ouvidas 1.600 pessoas no Distrito Federal entre os dias 14 a 18 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O índice de confiança é de 95%.

A pesquisa foi realizada com recursos próprios do instituto e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo DF-07849/2026.

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PRF apreende 584 animais silvestres, entre galos de campina, tico-ticos, azulões e jabutis, no Agreste do estado

584 animais silvestres, entre galos de campina, tico-ticos, azulões e jabutis, são resgatados pela PRF em Iati, no Agreste de Pernambuco
/Ascom/PRF

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) resgatou 584 animais silvestres, entre eles galos de campina, tico-ticos, azulões, papa-capins e jabutis, que eram transportados de forma irregular na noite desta terça-feira (18), na BR-423, em Iati, no Agreste de Pernambuco. Um homem, de 29 anos, e uma mulher, de 27, foram detidos.

A fiscalização ocorreu no quilômetro 140 da rodovia. Os agentes abordaram uma caminhonete que transportava engradados de frutas. Segundo a PRF, a carga havia saído de Sergipe e tinha como destino o município de Caruaru, no Agreste de Pernambuco. Durante a aproximação do veículo, os policiais perceberam a presença de alpiste e um forte cheiro de fezes de pássaros.

A suspeita levou os agentes a realizar uma vistoria na carroceria. Debaixo dos engradados, foram encontradas gaiolas com 555 pássaros silvestres e uma caixa onde estavam 29 jabutis.

Entre as aves resgatadas estavam galos de campina, tico-ticos, azulões e papa-capins. Os animais eram transportados sem a documentação necessária e em condições consideradas irregulares.

Segundo a PRF, o motorista informou que havia comprado os animais em Canindé de São Francisco, Sergipe. A intenção era levar os bichos até Caruaru, no Agreste de Pernambuco, para comercialização.

Ainda de acordo com a corporação, o homem já havia sido detido em outras quatro ocasiões por envolvimento no transporte irregular de animais silvestres.

Após o resgate, as aves e os jabutis foram encaminhados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Os animais devem receber atendimento e passar pelos procedimentos necessários antes de uma possível devolução à natureza.

O homem e a mulher foram levados para a Delegacia de Polícia Civil de Garanhuns, onde o caso foi registrado.

Segundo a PRF, os envolvidos poderão responder por crimes relacionados a tráfico de animais silvestres, receptação, maus-tratos e associação criminosa.

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Macron sanciona a lei que legaliza a eutanásia e o suicídio assistido na França

Texto consagra o direito da eutanásia sob determinadas condições e para determinados pacientes/Yoan Valat/Pool/AFP

O presidente da França, Emmanuel Macron, promulgou nesta quarta-feira (19) a lei sobre a eutanásia e o suicídio assistido, que passou a ser publicada no Diário Oficial do Estado, etapa necessária antes que esse direito de obter ajuda para morrer entre definitivamente em vigor.

Após anos de debate, o texto finalmente consagra esse direito sob determinadas condições e para determinados pacientes, aos quais permitirá o acesso a um medicamento letal para pôr fim à própria vida.

O texto, aprovado na semana passada pelo Conselho Constitucional, institui o direito ao suicídio assistido e autoriza a eutanásia por parte de um médico ou profissional de saúde, caso os pacientes em questão sejam fisicamente incapazes de autoadministrar o medicamento, de acordo com informações coletadas pelo jornal “Le Figaro”.

Para ter acesso a esse direito, o paciente deve ser maior de idade, francês ou residente de longa duração no país, sofrer de uma doença terminal grave e incurável ou em fase avançada, sentir dor física insuportável e ser capaz de tomar uma decisão informada até o fim. O procedimento, realizado por um único médico, mas que requer a participação de outros profissionais, determina se o paciente atende aos requisitos.

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EXCLUSIVO: 9 candidatos disputam as eleições de 2026 com mandados de prisão em aberto

Um levantamento do g1 mostra que 9 candidatos das eleições de 2026 são alvos de mandados de prisão em aberto. A análise dos dados mostra que:

  • Nove envolvem dívidas de pensão alimentícia. Nessas situações, o juiz emite a ordem de prisão não porque a pessoa cometeu um crime, mas para forçá-la a fazer o pagamento. Somadas, as dívidas chegam a R$ 95.221,88. Somente um dos nove mandados não informa o valor em atraso.
  • Cinco nomes concorrem a deputado federal, três a deputado estadual e um a segundo suplente de senador. Eles disputam as eleições em seis estados. Até a publicação desta reportagem, o sistema do TSE indicava que eles estão “concorrendo” e que os pedidos de candidatura aguardavam julgamento. Nessa situação, podem fazer campanha.

Para fazer o levantamento, o g1 cruzou informações de todas os pedidos de candidatura registrados no TSE com o Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Leia detalhes a metodologia mais abaixo nesta reportagem.

Na terça-feira (18), o levantamento havia identificado 11 candidatos. Desde então, deixaram de constar como pendentes no BNMP os mandados de Marcos Paulo Bertolo e Lindameri de Oliveira Rodrigues, ambos de origem criminal.

O TJSC já havia informado que revogaria a ordem contra Lindameri. O TJAP não explicou a retirada do mandado de Marcos Paulo. Em geral, uma ordem deixa de aparecer como pendente quando é cumprida, revogada, suspensa, cancelada, baixada ou corrigida pelo tribunal.

Em 2024, nas eleições para prefeitos e vereadores, o g1 fez o mesmo cruzamento e identificou 61 candidatos com mandados de prisão em aberto. Nas disputas municipais de 2024, foram registrados 463.394 pedidos de candidatura, segundo o TSE. Neste ano, na base consultada pelo g1 em 17 de agosto, havia 20.575 registros para as eleições gerais de 2026, o equivalente a 4,4% do total de candidaturas do pleito anterior.

Pode ser candidato com mandado de prisão em aberto?

A cientista política Gabriella Rollemberg, advogada especialista em Direito Eleitoral e membro fundadora da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, explica que:

A simples existência de um mandado de prisão expedido contra o cidadão não gera automática inelegibilidade nem impede o registro de candidatura”.

Um mandado de prisão, sozinho, também não torna o candidato inelegível. O impedimento pode ocorrer quando uma condenação definitiva suspende seus direitos políticos ou quando há condenação por um tribunal por crime previsto na Lei da Ficha Limpa.

“Para que haja impedimento da candidatura, a lei exige condenação criminal transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, e apenas para crimes específicos tipificados na Lei da Ficha Limpa”, explica Rollemberg.

O advogado criminalista Berlinque Cantelmo, sócio do RCA Advogados, explica que “a marcação ‘concorrendo’ nos sistemas de divulgação do TSE não equivale a registro deferido em definitivo, pois abrange candidaturas com pedido pendente de julgamento e candidaturas sub judice [quando um candidato consegue disputar uma eleição amparado por um recurso na Justiça]”.

Ainda assim, candidatos com mandados de prisão em aberto podem ser presos, caso sejam encontrados (leia mais abaixo).
No caso de pensão, nem mesmo uma condenação tiraria o candidato da disputa, segundo Jonatas Moreth, advogado especialista em direito público e eleitoral.

A falta de pagamento de pensão alimentícia é um fato público relevante e que, com certeza, gera impacto político”, diz. “Do ponto de vista jurídico, não impede, por si só, a manutenção da candidatura.”

Berlinque Cantelmo também explica que a prisão por dívida de pensão é uma medida de coerção para obter o pagamento dos alimentos, e não uma sanção criminal. “Não é pena, não pressupõe condenação criminal e não acarreta suspensão de direitos políticos”, afirma.

O g1 procurou os 11 candidatos e os sete partidos. Carlos Alexandre foi o único candidato a responder até a publicação da reportagem e afirmou que os valores da pensão estão quitados e que desconhece a existência de mandado ativo.

O g1 também procurou o TSE para saber se a existência dos mandados nos casos mapeados pode ou não interferir na análise dos registros das candidaturas, mas não houve resposta.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou que os dados do Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP) são inseridos pelos tribunais e que um mandado só adquire validade depois de conferido e assinado pelo magistrado responsável. Segundo o conselho, o banco funciona como uma “ferramenta de registro e gestão”, e eventuais correções cabem à unidade judicial que emitiu a ordem.

Nesta quarta-feira (19), os nomes apareciam no sistema de divulgação de candidaturas da Justiça Eleitoral como “concorrendo” e, ao mesmo tempo, figuravam no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP) com ordens pendentes de cumprimento.

Esse número pode mudar a qualquer momento, por duas razões: os candidatos podem ser declarados inaptos pela Justiça Eleitoral; ou os mandados de prisão podem ser excluídos do BNMP pelos tribunais.

Os dois candidatos com mandados de origem criminal

  • Justiça diz que Marcos Paulo Bertolo não foi localizado e decreta prisão preventiva

Dr Marcos Paulo é o nome de urna de Marcos Paulo Bertolo, candidato a deputado estadual pelo Republicanos no Amapá. Na terça-feira (18), ele aparecia no BNMP como alvo de uma prisão preventiva. Após o contato do g1 com o Tribunal de Justiça do Amapá, o mandado saiu da lista de ordens em aberto.

O mandado de prisão preventiva foi expedido pela 3ª Vara Criminal e de Auditoria Militar de Macapá. Segundo a decisão, o Ministério Público Federal denunciou Bertolo por supostamente inserir dados falsos no Sistema de Gestão Fundiária (Sigef), em março de 2015, ao cadastrar terras federais como se fossem particulares. O documento afirma que a investigação trata de suspeitas de grilagem em áreas públicas do Amapá, inclusive em regiões sobrepostas à Floresta Estadual do Amapá. Bertolo ainda não foi julgado.

A juíza afirmou que ele não foi encontrado para ser citado pessoalmente, não compareceu após a citação por edital e não constituiu advogado naquele processo. Para a magistrada, a situação estava “criando obstáculo à instrução processual e, de quebra, pondo em xeque a lei penal”.

O curso do processo e o prazo de prescrição foram suspensos, e a prisão preventiva foi decretada em julho de 2026. O Tribunal de Justiça do Amapá foi procurado, mas não respondeu até a publicação.

No caso da prisão preventiva, a advogada especialista em Direito Eleitoral Gabriella Rollemberg explica que a ordem é uma medida adotada durante o processo e não corresponde a uma condenação. “Prisão preventiva é uma medida cautelar e processual, não uma sanção penal. Por isso, de modo algum gera inelegibilidade nem suspende direitos políticos, prevalecendo a garantia constitucional da presunção de inocência”, afirma.

O g1 procurou Marcos Paulo Bertolo e o Republicanos. O candidato e o partido não responderam até a publicação desta reportagem.

  • Lindameri Rodrigues: mandado determina apresentação à Justiça e liberação imediata

Lindameri Rodrigues é o nome de urna de Lindameri de Oliveira Rodrigues, candidata a deputada federal pelo PRD em Santa Catarina. Na terça-feira (18), ela aparecia no BNMP como alvo de uma ordem relacionada à execução de uma pena por crime de trânsito.

Após ser informado pelo g1 de que Lindameri era candidata, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina afirmou que o mandado “sairá do BNMP assim que o trâmite se completar”. Na consulta seguinte, a ordem já não aparecia entre os mandados em aberto.

O mandado era relacionado a uma condenação pelo artigo 310 do Código de Trânsito Brasileiro.

Segundo a denúncia, Lindameri permitiu que o irmão, que não tinha habilitação, dirigisse um Fiat Tempra em outubro de 2020. Ela foi condenada a seis meses de detenção em regime aberto. A pena de prisão havia sido substituída pelo pagamento de uma prestação pecuniária equivalente a um salário mínimo.

Na fase de execução, a Justiça reconverteu a pena restritiva de direitos em privativa de liberdade e expediu um mandado classificado no BNMP como “regressão cautelar”. A ordem tem uma particularidade: “Após a prisão da apenada, deverá ela ser apresentada a este Juízo para a realização da audiência admonitória, devendo ser imediatamente colocada em liberdade”. Portanto, o mandado determina sua apresentação à Justiça, mas não sua permanência na prisão depois da audiência.

Lindameri mantém um perfil público no TikTok, com 124 seguidores, 310 curtidas e diversos vídeos disponíveis.

O g1 procurou Lindameri de Oliveira Rodrigues e o PRD, mas não recebeu resposta até a publicação.

Alvos de mandados podem ser presos

Se forem encontrados, candidatos com mandado de prisão em aberto podem ser presos.

A imunidade eleitoral dos candidatos, aplicável a partir dos 15 dias anteriores ao pleito, impede qualquer prisão ou detenção, salvo em flagrante delito”, explica a advogada Gabriela Rollemberg.

Segundo ela, a regra também alcança ordens emitidas antes do início desse período. “Essa garantia abrange mandados de prisão expedidos anteriormente, incluindo mandados de prisão civil e prisões preventivas pendentes de cumprimento.”

Entre 19 de setembro e 6 de outubro, entretanto, essas prisões não podem ocorrer. Isso porque a legislação eleitoral estabelece que, entre os 15 dias anteriores ao primeiro turno e as 48 horas seguintes à votação, candidatos só podem ser presos ou detidos em caso de flagrante delito.

“Em leitura literal, a garantia conferida ao candidato alcança qualquer modalidade de prisão, inclusive mandados expedidos antes do início do período, e comporta uma única exceção, que é o flagrante”, explica o advogado criminalista Berlinque Cantelmo. Isso incluiria as ordens de prisão civil, preventiva e decorrente da execução de pena identificadas pelo g1.

O advogado ressalta, porém, que a aplicação da regra a mandados anteriores pode ser discutida judicialmente, principalmente nos casos de execução de condenação definitiva. “Não há, contudo, uniformidade consolidada sobre o tema, que costuma ser resolvido caso a caso em habeas corpus e pedidos de salvo-conduto”, afirma.

Por que um mandado não impede automaticamente uma candidatura

A existência de um mandado de prisão em aberto não aparece, por si só, como uma causa automática de inelegibilidade. Para julgar o registro, a Justiça Eleitoral analisa se a pessoa preenche as condições exigidas para concorrer e se está enquadrada em alguma das hipóteses legais de inelegibilidade.

Nos casos em que há condenação, Moreth explica que a Justiça Eleitoral precisa analisar a situação que deu origem ao mandado.

O que a Justiça Eleitoral vai analisar, nestes casos, é se a condenação, nos termos da Lei da Ficha Limpa, cumpre os requisitos para tornar o referido candidato inelegível”, afirma.

Entre os pontos considerados estão o crime e a existência de condenação por um órgão colegiado.

Nos nove casos de pensão alimentícia, as ordens são civis e têm o objetivo de pressionar o devedor a pagar a dívida. Elas não correspondem a condenações criminais e, isoladamente, não suspendem os direitos políticos do candidato.

Segundo Moreth, uma medida cautelar não tem o mesmo efeito eleitoral de uma condenação. “A legislação eleitoral não veda aquele cidadão que responde a processo criminal sem condenação, ainda que tenha algum pedido de prisão cautelar”, afirma.

Os nove candidatos com mandados por dívida de pensão

Os outros nove candidatos são alvos de mandados de prisão civil por dívida de pensão alimentícia. Esse tipo de prisão é uma medida usada para pressionar o devedor a pagar os alimentos e não corresponde a uma condenação criminal. Em geral, a ordem é suspensa quando há o pagamento integral da dívida.

Bruno Souto é o nome de urna de Bruno Souto Martins, candidato a segundo suplente de senador pela UP na Paraíba.

O mandado foi expedido por causa de uma dívida de pensão alimentícia de R$ 48.198,17, a maior entre os casos civis identificados pelo levantamento. A ordem estabelece prisão por 90 dias, em regime fechado e em local separado de presos definitivos.

A decisão ressalta que a prisão não elimina a obrigação financeira: “O cumprimento do tempo no cárcere não exime o executado do pagamento das prestações devidas”. Segundo o documento, o pagamento da dívida provoca a suspensão imediata da medida.

Engenheiro, ele declarou R$ 313.750 em bens, incluindo um automóvel, imóveis e participações societárias. Consultas à Receita Federal também o identificaram como sócio ou administrador de três empresas.

O g1 procurou Bruno Souto Martins e a Unidade Popular, mas não recebeu resposta até a publicação. O Tribunal de Justiça da Paraíba também foi procurado e não respondeu.

  • Dr. Antonio Moeler: ordem determina prisão no hospital em que ele trabalha

Dr. Antonio Moeler é o nome de urna de Antonio Ricardo Costa Moeler, candidato a deputado federal pelo MDB no Rio Grande do Sul. Médico com registro regular no Conselho Regional de Medicina, ele concorreu em outras nove eleições desde 2004. Em 2022, foi o candidato a deputado estadual mais votado em Charqueadas, com 3.655 votos, mas não se elegeu.

A ordem de prisão decorre de uma dívida de pensão alimentícia de R$ 19.674,61 e estabelece 30 dias de detenção. A Justiça autorizou que a diligência fosse realizada no endereço profissional do candidato, o Hospital de Charqueadas. Segundo a decisão, “a ordem será suspensa mediante o pagamento integral do débito alimentar”.

Antonio declarou não possuir bens no TSE. Consultas à Receita Federal feitas em 18 de agosto, entretanto, identificaram seu nome no quadro de sócios ou administradores de quatro CNPJs. As certidões mostram os vínculos, mas não informam o valor individual de cada participação.

O candidato mantém um Instagram com 483 seguidores e um Facebook com 3,2 mil amigos.

O g1 procurou Antonio Ricardo Costa Moeler e o MDB, mas não recebeu resposta até a publicação. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul também foi procurado e não respondeu sobre esse caso.

  • Odair Yamamoto: candidato já foi preso por pensão em outro processo

Odair Yamamoto é o nome de urna de Odair Yamamoto Araujo, candidato a deputado estadual por Rondônia pela Democracia Cristã. Empresário, ele disputa uma eleição pela primeira vez. A Receita Federal o identifica como sócio-administrador de dois CNPJs da Yamamoto & Vincenzi, um deles referente a uma filial.

O mandado atual foi expedido pela Vara Especializada de Família e Sucessões de Sinop, em Mato Grosso. A dívida de pensão alimentícia informada no documento é de R$ 8.233,74. A decisão decretou a prisão civil “pelo prazo de 30 dias ou até que efetue o pagamento do valor devido — o que ocorrer primeiro”.

Esse não é o primeiro mandado de prisão por pensão contra Odair. Um documento da Secretaria de Justiça de Rondônia mostra que ele deu entrada em uma unidade prisional em 10 de setembro de 2024 para cumprir outra ordem, expedida também pela Vara de Família e Sucessões de Sinop. O mandado atual pertence a um processo diferente.

Odair mantém um perfil público no TikTok. A conta também oferecia a opção de envio de mensagem.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso informou que, em consulta feita em 18 de agosto, o mandado atual era de natureza civil e permanecia pendente de cumprimento. O g1 procurou Odair Yamamoto Araujo e a Democracia Cristã, mas não recebeu resposta até a publicação.

  • Alexandre da Carbrás: Justiça decretou prisão após apontar “inércia” do devedor

Alexandre da Carbrás é o nome de urna de Carlos Alexandre Ferreira Silva, candidato a deputado federal pelo Solidariedade no Amazonas. Empresário, ele disputa sua sexta eleição desde 2006.

O mandado decorre de uma dívida de pensão alimentícia de R$ 7.294,50 e estabelece prisão por 90 dias.

Desta forma, considerando a inércia do devedor, DECRETO A PRISÃO do executado, pelo prazo de 3 (três) meses”, afirma a decisão.

Carlos declarou não possuir bens. Uma consulta à Receita Federal o identifica como sócio-administrador de uma empresa de serviços de comunicação.

Alexandre da Carbrás mantém um perfil público no Instagram com três publicações e 1.225 seguidores. Na apresentação da página, ele se identifica como figura pública e afirma ter sido prefeito de Parintins entre 2013 e 2016 e primeiro suplente de deputado federal em 2010.

O Tribunal de Justiça do Amazonas confirmou ao g1 que o mandado estava ativo e pendente de cumprimento, mas informou que não poderia fornecer outros detalhes porque o processo tramita em segredo de justiça.

Em resposta, Carlos Alexandre afirmou que não tem conhecimento de processo ou mandado de prisão ativo relacionado ao caso. “Todos os valores referentes à pensão alimentícia se encontram devidamente quitados e em dia”, disse. O Solidariedade também foi procurado, mas não respondeu até a publicação.

  • Farmacêutico João Alencar: dívida inclui pensões e parcela do 13º salário

Farmacêutico João Alencar é o nome de urna de João Reginaldo de Alencar Filho, candidato a deputado estadual por Rondônia pelo Novo. Esta é sua segunda candidatura. Ele declarou não possuir bens, enquanto consultas à Receita Federal identificaram seu nome nos quadros societários de duas empresas de representação comercial.

O mandado informa uma dívida de R$ 5.642,23, relacionada a pensões de dezembro de 2025, à parcela do 13º salário daquele ano e aos meses de janeiro e fevereiro de 2026. O valor mensal da pensão foi fixado em 20% dos rendimentos líquidos. A decisão afirma: “Intimado, o executado não pagou e não apresentou justificativa para o inadimplemento”. A prisão foi estabelecida por 90 dias, em regime fechado.

João mantinha dois perfis públicos no Instagram. Um deles, com o nome de urna, tinha 13 publicações e 1.165 seguidores. O outro tinha 89 publicações e 750 seguidores. Nas páginas, ele se apresenta como farmacêutico e defensor dos direitos dos profissionais de saúde.

A 2ª Vara de Família de Porto Velho informou que o processo tramita em segredo de justiça e que não poderia fornecer informações sobre a atividade processual. O g1 procurou João Reginaldo de Alencar Filho e o Novo, mas não recebeu resposta até a publicação.

  • Vitor Bicca: perfis nas redes o apresentam como candidato a deputado

Vitor Bicca é o nome de urna de Vitor Hugo Pinheiro Bicca, candidato a deputado federal pelo Novo no Rio Grande do Sul. Diretor de empresas, ele já concorreu a vereador em 2004 e a deputado estadual em 2006. Vitor declarou não possuir bens. Consultas à Receita Federal identificaram seu nome como administrador, presidente ou sócio em quatro CNPJs, entre empresas e uma associação.

O mandado decorre de uma dívida de pensão alimentícia de R$ 3.307,71, referente aos meses de agosto, setembro e outubro de 2025.

Decreto a prisão civil do executado, pelo prazo de 1 (um) mês, em regime fechado, separado de presos comuns”, determinou o juiz.

Vitor mantinha um Instagram público com 1.260 publicações e 2.310 seguidores. No X, onde também se identifica como candidato, havia 1.027 publicações; a mais recente visível na consulta feita pela reportagem era de 11 de julho.

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul confirmou que havia uma prisão civil decretada por um mês e informou que não poderia divulgar mais detalhes devido ao sigilo. O g1 procurou Vitor Hugo Pinheiro Bicca e o Novo, mas não recebeu resposta até a publicação.

  • Ferreira do Portal Notícia: Justiça aponta saldo não quitado de pensão

Ferreira do Portal Notícia é o nome de urna de Cleuber Gomes Ferreira, candidato a deputado federal pelo Republicanos em Goiás.

A prisão civil foi decretada por 30 dias por causa de uma dívida de pensão alimentícia de R$ 1.886,03, referente ao período de outubro de 2025 a janeiro de 2026. Segundo a decisão, houve pagamento de parte dos valores: “Embora tenha efetuado o depósito dos valores apontados às fls. 59/60, o executado não comprovou a quitação da dívida”.

Empresário e candidato pela primeira vez, ele declarou R$ 55 mil em bens, um carro avaliado em R$ 35 mil e uma motocicleta de R$ 20 mil.

O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que o processo da pensão tramita em segredo de justiça e, por isso, não poderia confirmar outras informações. O g1 procurou Cleuber Gomes Ferreira e o Republicanos, mas não recebeu resposta até a publicação.

  • Elivaldo Brasil: mandado entrou no BNMP em 4 de agosto

Elivaldo Brasil é o nome de urna de Elivaldo Saldanha Brasil, candidato a deputado estadual pelo Republicanos em Roraima.

O mandado decorre de uma dívida de pensão de R$ 984,89, referente ao período entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026. A prisão foi decretada inicialmente por 30 dias. A decisão, de 24 de julho, afirma que, “mesmo após intimado, houve o inadimplemento dos alimentos devidos à parte exequente”, sem comprovação de impossibilidade de pagamento. O mandado foi datado de 31 de julho e criado no BNMP em 4 de agosto.

Radialista, ele concorre a uma eleição pela primeira vez e declarou não possuir bens.

Em 18 de agosto, duas semanas depois da inclusão do mandado no BNMP, Elivaldo mantinha um perfil público no Instagram com 102 publicações e 2.629 seguidores. A página exibia diferentes publicações de campanha, apresentava Elivaldo como candidato a deputado estadual, informava seu número de urna e oferecia contato direto pelo WhatsApp.

O g1 procurou Elivaldo Saldanha Brasil e o Republicanos, mas não recebeu resposta até a publicação. O Tribunal de Justiça de Roraima também foi procurado e não respondeu.

  • Dom Valdiley: mandado foi renovado após tentativas de cumprimento sem sucesso

Dom Valdiley é o nome de urna de Valdiley Abadia da Silva, candidato a deputado federal pela Democracia Cristã em Goiás.

O mandado de prisão civil por pensão alimentícia estabelece 60 dias de detenção, mas não informa o valor da dívida. A ordem anterior venceria em julho de 2025 e foi renovada por mais dois anos. Segundo a decisão, “o ofício de cumprimento do mandado de prisão não foi efetivado nos endereços indicados pela parte exequente”. O documento tem validade até julho de 2027.

Empresário e candidato pela primeira vez, ele declarou não possuir bens. Consultas à Receita Federal o identificaram como presidente ou sócio-administrador de cinco CNPJs, entre empresa, associações e cooperativas. Os registros não informam o valor individual de eventuais participações.

Dom Valdiley mantém um perfil público no Instagram com 245 publicações e 1.654 seguidores. Na descrição, ele se apresentava como arcebispo primaz de uma igreja.

O Tribunal de Justiça de Goiás informou apenas que o processo tramita em segredo de justiça. O g1 procurou Valdiley Abadia da Silva e a Democracia Cristã, mas não recebeu resposta até a publicação.

Como o g1 fez o levantamento

O BNMP é uma plataforma mantida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), alimentada pelos tribunais e acessível a qualquer cidadão. Cabe aos órgãos judiciais incluir as ordens e atualizar o sistema quando um mandado é cumprido, suspenso, revogado ou perde a validade.

Em resposta ao g1, o CNJ informou que o cadastramento é feito por um servidor do tribunal e que o mandado só passa a ter validade jurídica após a conferência e a assinatura do magistrado responsável. “O BNMP atua como ferramenta de registro e gestão dessas informações, não sendo responsável pela sua formação”, afirmou o conselho.

Segundo o CNJ, eventuais erros também devem ser corrigidos pelo tribunal que emitiu a ordem. “Uma vez identificada eventual inconsistência, cabe à unidade judiciária responsável pela emissão da ordem judicial adotar as medidas necessárias para a sua correção”, disse. O conselho afirmou ainda que não possui um levantamento consolidado sobre mandados expedidos com erros de identificação, porque a confirmação exige a análise individual do processo e dos dados cadastrados.

Na segunda-feira (17), o g1 cruzou 20.575 registros de candidatura disponíveis no sistema do TSE com 280.578 mandados de prisão existentes na base do BNMP utilizada pela reportagem. Foram considerados apenas os mandados classificados como “pendentes de cumprimento”.

O primeiro cruzamento apontou 475 correspondências potenciais, identificadas pelo CPF ou pela coincidência de nomes. Esse número não representava 475 candidatos confirmados: incluía resultados repetidos e casos de pessoas diferentes com nomes iguais.

A reportagem verificou os resultados individualmente, comparando CPF, nome completo, data de nascimento, filiação e outras informações pessoais. Ao final, 11 casos foram confirmados por meio do CPF. Outros 57 foram descartados após a checagem mostrar que não se tratava da mesma pessoa. Em 64 casos, o mandado não apresentava informações suficientes para confirmar ou afastar a correspondência com o candidato. Por isso, esses nomes não foram incluídos na reportagem.

A extração dos dados do BNMP foi feita por uma rotina automatizada em nuvem, dividida em quatro etapas: coleta em massa por estado, detalhamento dos processos, busca individual de registros não localizados na primeira fase e download e leitura dos mandados em PDF para obtenção de informações complementares.

Os dados também passaram por tratamento para padronizar os CPFs em 11 dígitos e eliminar duplicidades pelo identificador de cada mandado. O CPF estava disponível em 68,6% das ordens, o equivalente a 225.898 registros, uma das limitações para a confirmação de casos encontrados apenas pelo nome.

A coleta é executada duas vezes por dia, às 10h e às 17h, de segunda a sexta-feira. Na manhã de segunda-feira (17), a última atualização válida disponível era de sábado (15), às 7h30.

A extração também enfrenta limitações da infraestrutura do portal, como bloqueios de tráfego, restrições ao volume de consultas por página, risco de interrupção por demora na resposta e documentos protegidos por segredo de Justiça. Por isso, o número pode mudar com novas atualizações do BNMP ou do sistema de candidaturas.

Depois do cruzamento, o g1 consultou os mandados, buscou informações sobre os processos e checou novamente os 11 nomes no BNMP e no TSE. Todos os candidatos, os respectivos partidos e os tribunais responsáveis pelas ordens foram procurados. O TSE e o CNJ também foram questionados.

*O trabalho de engenharia de dados foi realizado por Rafael Muniz, Rodrigo Guimarães, Daniel Maffezzoli, Pedro Mello e Douglas Brum. A equipe de ciência de dados teve Amanda Zírpolo e Jhon Heider, com análise de dados de Rafael Dantas. A gestão foi de Gustavo Costa, Leonam Brites e Luciana Dias. Esta reportagem também contou com a colaboração da jornalista Bianca Muniz.

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Acidente entre micro-ônibus e carreta deixa 23 mortos no Paraná

Um acidente entre um micro-ônibus e uma carreta deixou 23 pessoas mortas na madrugada desta quarta-feira (19), no km 209 da BR-373, em Ipiranga, nos Campos Gerais do Paraná. Segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal), também há registro de cinco feridos.

A concessionária Via Araucária, que administra a via, informou que não há previsão de liberação do trecho. A PRF recomenda que motoristas evitem a região.

De acordo com relato preliminar da PRF, a maior parte das vítimas ocupava o micro-ônibus, que é da Secretaria de Saúde da prefeitura de Imbituva, cidade da mesma região. O condutor do caminhão envolvido no acidente também morreu. Os cinco feridos foram socorridos e levados a hospitais de Ponta Grossa.

Informações iniciais indicam que o caminhão teria invadido a pista contrária, colidindo de frente com o ônibus. No momento, equipes realizam perícia e remoção dos veículos para levantar dados e entender a dinâmica da ocorrência.

O caminhão seguia no sentido de Carambeí para Prudentópolis. Já o coletivo ia de Imbituva para hospitais da Grande Curitiba. O caminhão possuía placa de Erechim, no Norte gaúcho, conforme informações da PRF.

Agentes da Polícia Civil, PRF, Samu, Polícia Científica, Bombeiros e da concessionária atuam no local.

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Terremoto de magnitude 4,9 atinge Granada, na Espanha

Terremoto de magnitude 4,9 atinge Granada, na Espanha | CNN Brasil

Um terremoto de magnitude 4,9 atingiu a cidade de Granada, na Espanha, nesta terça-feira (18), segundo o USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos). O tremor aconteceu a uma profundidade de 10 quilômetros.

Pelo menos três pessoas ficaram feridas.

Outro tremor de magnitude 5 atingiu a cidade no sábado (15), danificando carros e casas. Não houve relatos de mortos ou feridos na data.

O canal de televisão espanhol TVE mostrou no sábado destroços espalhados pelas ruas e alguns carros danificados na popular cidade turística. Os serviços de emergência da Andaluzia resgataram várias pessoas de prédios danificados.

Antonio Sanz Cabello, vice-presidente do governo regional da Andaluzia, afirmou em uma publicação na rede social X, na data, que as autoridades declararam estado de emergência.

“Se você está em Granada, sentiu o terremoto, está bem e sua casa não sofreu danos, mantenha a calma e evite entrar e sair de prédios desnecessariamente“, disse ele.

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Lula decreta luto oficial de 3 dias por mortes de Glória Menezes e Laura Cardoso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decretou luto oficial de três dias pelas mortes das atrizes Glória Menezes e Laura Cardoso, ambas mortas nesta terça-feira (18). Referindo-se às duas como “pioneiras da televisão”, Lula disse que elas fazem parte da história da dramaturgia brasileira.

“Hoje perdemos Glória Menezes e Laura Cardoso, duas de nossas mais importantes atrizes, cujas carreiras se confundem com a história da dramaturgia brasileira. Por cerca de sete décadas, elas estiveram presentes em palcos e telas, sempre cativando o público com seu talento e seu carisma”, disse o presidente no X.

Glória Menezes faleceu aos 91 anos. Já Laura Cardoso tinha 98 anos.

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TRE-PE alerta para golpe por telefone que usa nome da Justiça Eleitoral

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) emitiu um alerta sobre uma tentativa de golpe por telefone que utiliza indevidamente o nome da Justiça Eleitoral. O Tribunal tomou conhecimento da fraude após receber informações sobre uma ligação realizada a partir do número (81) 98632-6156.

Durante a chamada, uma gravação ou uma pessoa se apresenta como representante da Justiça Eleitoral e solicita que o eleitor digite 1, caso precise de orientações, ou 2, caso esteja com a situação eleitoral regular.

O TRE-PE esclarece, no entanto, que a Justiça Eleitoral não realiza ligações para solicitar que eleitores confirmem a regularidade da situação eleitoral por meio da digitação de números, nem entra em contato dessa forma para oferecer orientações.

Como consultar a situação eleitoral

A Justiça Eleitoral reforça que orienta os eleitores a utilizarem somente os canais oficiais para consultar informações sobre o título e outros serviços eleitorais.

Vale ressaltar que a situação eleitoral pode ser verificada pelo aplicativo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral, disponível nos sites do TRE-PE e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ou pela atendente virtual Júlia, na área Fale Conosco do site do TRE-PE.

Os eleitores também podem buscar informações pelo Disque-Eleitor, no telefone (81) 3194-9400.

O que fazer em caso de ligação suspeita

Ao receber uma ligação de alguém que se identifique como servidor ou representante da Justiça Eleitoral e solicite a confirmação da situação eleitoral, o TRE-PE recomenda:

-não digitar nenhum número solicitado durante a ligação;
-não fornecer dados pessoais, senhas, códigos ou qualquer outra informação;
-encerrar imediatamente a chamada;
-bloquear o número de telefone.

Conforme o Tribunal, os eleitores devem recorrer exclusivamente aos canais oficiais da Justiça Eleitoral para obter informações sobre o título de eleitor, situação cadastral e demais serviços.

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Dívida bancária do Rio chega a R$ 26 bilhões, diz governador

Ricardo Couto, governador em exercício do Rio de Janeiro/Gil Ferreira/Agência CNJ

A dívida do governo do Rio de Janeiro com instituições financeiras chega a R$ 26 bilhões, disse nesta terça-feira (18) o governador em exercício, Ricardo Couto. Após reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em Brasília, Couto afirmou que o Estado busca uma reestruturação dos débitos para reduzir o custo financeiro e reorganizar as contas públicas.

O governador disse que a negociação não se limita à adesão do Rio ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que trata dos débitos estaduais com a União. Segundo ele, o objetivo é também reorganizar as dívidas mantidas com bancos e outras instituições financeiras.

Nós temos, em termos de déficit bancário com instituições financeiras, cerca de R$ 26 bilhões”, ressaltou.

Reestruturação dos débitos

Couto afirmou que o governo fluminense pretende renegociar as dívidas com condições financeiras mais favoráveis.

Desejamos fazer um reescalonamento desse débito com juros menores. E a União tem olhado de forma muito positiva a essa conduta do estado do Rio de Janeiro”, acrescentou.

Segundo o governador, a intenção é reorganizar o passivo para melhorar a situação financeira do estado. Afirmou ainda que o governo federal tem apoiado as negociações.

O objetivo maior dessa reunião hoje foi ver a reestruturação total da dívida do estado, não apenas dentro da ideia do Propag, mas também a reorganização de todo o déficit que nós temos junto às instituições financeiras”, resumiu.

Sem nova garantia

Sobre a necessidade de uma nova garantia do Tesouro Nacional para viabilizar a operação, Couto afirmou que não haverá uma nova cobertura federal.

Não, o Tesouro não precisa dar uma nova garantia. Nós estamos discutindo formatos de realocação das dívidas”, ressaltou.

O governador também afirmou que pretende buscar o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nas próximas etapas da reorganização financeira.

Dívida com a União

Além do passivo bancário, o Rio de Janeiro também negocia a dívida com a União. Em maio, o estado foi autorizado a aderir ao Propag, programa criado para permitir a renegociação dos débitos estaduais.

Com a adesão, oficializada em junho, a dívida do Rio com a União caiu de R$ 210 bilhões para R$ 168,5 bilhões, segundo os dados apresentados pelo governo federal. A redução ocorreu mediante contrapartidas do Estado.

As parcelas mensais também foram reduzidas, de R$ 436 milhões para R$ 119 milhões. O prazo de pagamento foi estendido até 2056.

Outra mudança foi a retirada dos juros reais. Pelo novo modelo, a dívida passa a ser corrigida apenas pela inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Refit

Couto não respondeu se a situação da refinaria Refit, apontada como uma das principais devedoras, foi discutida durante a reunião.

Dono da antiga Refinaria de Manguinhos, o Grupo Refit é apontado pela Receita Federal como o maior devedor contumaz do Brasil. A empresa acumula débitos tributários superiores a R$ 26 bilhões com a União e os estados. A empresa é alvo de investigações por sonegação fiscal estruturada, lavagem de dinheiro e uso de empresas-espelho.

No ano passado, o grupo foi alvo da Operação Poço de Lobato e da Operação Carbono Oculto, que investigam fraudes fiscais e ligações com redes de ocultação de patrimônio.

Contrapartidas

Para obter as condições previstas no Propag, o Rio se comprometeu a reduzir 20% do total devido à União. Como parte da operação, recursos que seriam destinados ao Estado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR) permanecerão com o governo federal até 2048.

O Estado também deverá aplicar 1% do saldo devedor em áreas como educação, infraestrutura e segurança.

Desde 2016, a União já pagou cerca de R$ 47 bilhões em dívidas do Rio de Janeiro que não foram quitadas pelo Estado.

Agenda alterada

Durigan cancelou compromissos que teria em São Paulo nesta terça-feira para participar da agenda em Brasília. O encontro com Couto ocorreu no fim da tarde. Segundo o governador em exercício, teve como principais temas a situação financeira do Rio e as alternativas para reestruturar os débitos estaduais.

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