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TSE deverá julgar na próxima semana a utilização de avatares feitos com IA nas campanhas

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, deve agendar para a próxima semana o julgamento que definirá se candidatos em campanha podem usar inteligência artificial (IA) para criar avatares. Nos bastidores, a aposta é que os ministros proíbam a prática, por ser considerada “deep fake”.

As resoluções aprovadas pelo tribunal no início do ano proíbem “deep fake” – mas, na opinião de alguns ministros, a regra era de difícil cumprimento por falta de definição do termo.

A discussão chegou ao TSE por meio de um questionamento do PT quanto à legalidade do uso do recurso no lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro. O PL exibiu um vídeo de Jair Bolsonaro gerado por IA declarando apoio à candidatura do vídeo. O tribunal vai decidir agora se avatares podem ser usados em campanhas.

Depois que o plenário tomar a decisão, Nunes Marques deve pautar o processo que questiona o uso de recursos audiovisuais em pesquisas de opinião. Em decisão monocrática, o presidente suspendeu a divulgação de uma enquete que mostrava Flávio Bolsonaro, o candidato do PL ao Palácio do Planalto, em queda. Para o relator, a forma como o instituto de pesquisa exibiu recursos audiovisuais aos entrevistados foi capaz de induzir as respostas deles.

O processo foi a julgamento em plenário, mas houve pedido de vista. Em julho, o TSE ouviu institutos de pesquisas para que a decisão tomada em plenário fosse capaz de orientar a atividade dessas empresas durante a eleição. A tendência é que os ministros liberem recursos audiovisuais para pesquisas, desde que seja explicado previamente aos entrevistados e que a metodologia seja devidamente registrada na Justiça Eleitoral.

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“Pernambuco perdeu o protagonismo, mas não foi no nosso governo”, afirma Raquel Lyra

Governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD)/Karol Rodrigues/DP Foto

A candidata à reeleição, a governadora Raquel Lyra (PSD), encerrou, nesta quarta-feira (26), a série de sabatinas promovida pelo Diario de Pernambuco com os postulantes ao Governo de Pernambuco nas eleições de 2026. Na ocasião, a governadora afirmou que o estado perdeu o protagonismo, mas que isso não teria acontecido durante o seu mandato.

Pernambuco, de fato, perdeu o protagonismo. Agora, não foi no nosso governo. Pernambuco viu os nossos vizinhos da Paraíba, de Alagoas, do Ceará e da Bahia e, às vezes, até olhando para o Maranhão, para o Piauí, crescerem. E a gente foi ficando para trás”, declarou.

Na entrevista, Lyra também citou entregas durante a sua gestão e afirmou que a Transnordestina, no trecho entre Salgueiro e Suape, deve avançar no estado. “Na verdade, a obra vai ser entregue antes disso [2030]. Essa é uma obra do governo federal, retomada por uma decisão do presidente Lula após uma mobilização nossa“, disse.

Já sobre as 250 creches prometidas, a candidata comentou que 14 foram inagurada e previu a entrega de mais 100 até o final de 2026.

A pesquisa Quaest mostra a senhora com 44% das intenções de voto, 12 pontos à frente do principal adversário, o candidato João Campos. Como esses números estão sendo analisados internamente pela campanha da senhora? E qual é a expectativa com o início do guia eleitoral na televisão, nesta semana?

Eu sempre coloco que a pesquisa é muito importante para balizar o nosso trabalho. Tem um número que é mais importante nesse momento: 70% da população de Pernambuco acredita que o que a gente está fazendo faz sentido para ela. A gente teve coragem de botar luz sobre o problema.

Nós já conseguimos mais investimento do que aconteceu nos oito anos do governo que nos antecedeu. Portanto, fico muito feliz com o reconhecimento da população, sabendo que precisamos continuar trabalhando muito.

Na sabatina do Diario, João Campos rebateu falas da sra sobre a situação herdada das gestões do PSB em Pernambuco. Ele disse que “um governador não deve ficar terceirizando desculpa ou responsabilidade”. A sra. e seu pai também participaram de momentos da gestão do PSB no passado. O que a sra. tem a comentar?

Você não vai ver uma fala minha falando de 16 anos. Tem temas que, de fato, não foram tocados ao longo de 16 anos, por exemplo, o metrô do Recife, que não diz respeito a uma responsabilidade direta do governo, mas diz respeito ao transporte metropolitano e aquilo que se pode fazer como governador.

Eu participei do governo de Eduardo [Campos]. Eu não apago nem um milímetro da história que pude viver como advogada do Banco do Nordeste, delegada da Polícia Federal, procuradora do Estado, secretária de Estado, deputada estadual e duas vezes prefeita.

Uma reportagem da Rede Record trata de uma suposta estrutura de perfis da internet que estaria sendo usada para dirigir ataques a adversários. Hoje, um servidor ligado ao caso, que era vinculado à Secretaria de Turismo, teve a exoneração publicada no Diario Oficial. Foi um reconhecimento de que havia alguma irregularidade em curso?

Desde que eu estou disputando a eleição de 2022, eu sofro ataques de maneira sistemática por perfis e por pessoas. Para quem é mulher e disputa um mandato eletivo, muita gente coloca muitos adjetivos. Eu demorei a entender o quanto isso é, de fato, violência política.

Sobre a reportagem da Record, nós estamos tomando os meios jurídicos necessários para poder garantir que a verdade possa sempre prevalecer. A pessoa foi indicada, nomeada e foi exonerada porque aparece colocando inverdades, e todas as medidas que forem necessárias para buscar a verdade serão tomadas. Eu tenho sido vítima disso o tempo inteiro. Isso está na Justiça para ser avaliado.

A senhora tem falado que vai criar 7 mil vagas de presídio. A gente tem um relatório recente da Defensoria Pública que traz problemas na situação do presídio de Igarassu. Ali tem mais de 6 mil presos, sendo que a capacidade seria de pouco mais de 1 mil. Então, como é que 7 mil vagas vão dar conta se a gente tem 23 unidades prisionais no estado?

Quando eu ainda estava na transição, recebi a condenação que Pernambuco tinha na Corte Interamericana de Direitos Humanos pelas péssimas condições do Presídio do Curado. Nós derrubamos o presídio do Curado e o complexo do Barreto Campelo, sem prometer, e estamos construindo novas vagas.

Criamos a Secretaria de Administração do Sistema Penitenciário e coloquei mais de R$ 1 bilhão de orçamento nessa secretaria. Retomei obras paralisadas há mais de dez anos, como o presídio de Tacaimbó e o de Araçoiaba.

São 7 milvagas para reestruturar todo o sistema penitenciário de Pernambuco, para as quais eu precisaria de R$ 4 bilhões. Estamos trabalhando com recursos próprios e também buscando parcerias junto ao governo federal.

A sra é a primeira mulher a governar Pernambuco, mas infelizmente a gente tem visto um número alto de feminicídio. A sociedade civil e parlamentares denunciam que menos da metade das delegacias da mulher estão funcionando 24 horas. Houve alguma falha nesse enfrentamento? E como a população deve acreditar que um segundo mandato será capaz de entregar uma rede de proteção mais estruturada?

Eu sou mulher e tenho a responsabilidade de ser a primeira governadora de Pernambuco. Eu sei que a violência contra a mulher se pratica dentro de casa, pelo companheiro ou ex-companheiro. Nós abrimos todas as delegacias da mulher na Região Metropolitana do Recife para funcionar 24 horas, além de Caruaru e Petrolina. Abrimos 39 salas lilás em delegacias da Polícia Civil. Dobramos a quantidade de centros de referência para mulheres, abrindo novos 30 centros.

Nós entregamos viaturas, computadores, mesas, cadeiras e reformamos as casas-abrigo do Estado, que antes eram locais vergonhosos e inabitáveis. Colocamos qualificação profissional, prioridade na distribuição de casas pelo programa Morar Bem em Pernambuco e programas de crédito para dar independência financeira às mulheres. Além disso, implementamos o monitoramento com tornozeleira.

Na área da cultura, um dos estandartes do seu mandato é o Festival Pernambuco Meu País. No entanto, há críticas de profissionais de que continua acontecendo o fenômeno do atraso de cachês. Como planeja fortalecer o segmento nos próximos anos?

Nós mudamos o padrão junto à Empetur e à Fundarpe em relação aos governos anteriores, em que artistas diziam que receber do Estado era como uma “poupança” que demorava anos. A gente mudou o padrão de forma que as pessoas se emocionam ao receber direto na conta rapidamente.

Eu gostaria de ter acesso a essa informação específica para entender se há algum tipo de problema orçamentário pontual e solucioná-lo, mas esse não é o nosso padrão. O festival Pernambuco Meu País é um sucesso absoluto, que movimenta a cena cultural, a economia, o turismo e a gastronomia.

Nós privilegiamos e fortalecemos o circuito do Carnaval, Semana Santa, São João e agora o festival multicultural, garantindo respeito total aos fazedores de cultura.

O adversário da sra. afirmou que “todo o bolsonarismo” estaria no seu entorno. São citados exemplos de nomes como Clarissa Tércio, Eduardo Moura e Mendonça Filho. A senhora rejeita esse rótulo de bolsonarista?

Vão querer me rotular o tempo inteiro. Tentam me colocar de uma cor ou um sufixo que não seja o de amar Pernambuco e colocar o nosso estado acima de qualquer discussão. Diziam que eu não ia conseguir construir pontes com o governo federal, mas os investimentos estão acontecendo. O presidente Lula me acolheu desde a primeira vez.

Fui mais de 100 vezes a Brasília para levar projetos e resgatar a credibilidade do governo estadual. O governo anterior brigou com três presidentes da República: Dilma, Temer e Bolsonaro. Quem perdeu foi Pernambuco, por falta de capacidade de diálogo.

Nós temos uma relação institucional forte com o governo federal, entregando 26 mil casas, retomando o canal do Fragoso e obras do Minha Casa, Minha Vida. Em meu palanque, há pessoas que pensam diferente, mas estão unidas em torno de um propósito: a virada de chave em Pernambuco.

O candidato João Campos prometeu o trecho da Transnordestina em Pernambuco até 2030. Sendo reeleita, a sra vai tirar esse trecho do papel?

Na verdade, a obra vai ser entregue antes disso. Essa é uma obra do governo federal, retomada por uma decisão do presidente Lula após uma mobilização nossa. Em dezembro de 2022, assistiram calados à retirada da Transnordestina do braço de Pernambuco no governo anterior.

O presidente Lula me pediu três prioridades para Pernambuco: o metrô do Recife, a adutora do Agreste e a Transnordestina. A obra está sendo recomeçada com dinheiro público e sob o meu ponto de vista de gestora e procuradora do Estado, sabemos que ela garante a ligação de Pernambuco ao Brasil e ao mundo através de Suape.

Além disso, recuperamos 1,6 mil km de estradas, temos mais de 1,5 milkm em execução e licitamos mais R$ 2 bilhões em obras rodoviárias, como o Arco Metropolitano e a duplicação da BR-232 até Belo Jardim.”

No seu novo plano de governo, a sra promete a conclusão de 250 creches que já foram prometidas no primeiro plano. O eleitorado quer saber: ao final de um possível segundo mandato, essas creches estarão prontas?

A gente quer entregá-las todas até o ano que vem. Não é uma tarefa simples; são R$ 960 milhões de investimento. Quando cheguei ao governo, apenas 22% das crianças sabiam ler e escrever na idade certa. O problema está na origem.

Cuidar das crianças em creches em tempo integral, com alimentação e estímulos adequados, é fundamental. Cada obra dessas custa em torno de R$ 6 milhões, entregando a creche equipada com ar-condicionado e cozinha industrial, além de custearmos o primeiro ano de funcionamento.

Já estamos inaugurando várias unidades e vamos chegar a 100 até o final do ano, avançando para concluir o restante no próximo mandato. Hoje, o percentual de crianças alfabetizadas na idade certa no estado subiu de 22% para 64%, fruto do maior investimento em educação da nossa história através do programa Juntos pela Educação.

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MP Eleitoral pede impugnação da candidatura de 8 ex-prefeitos em PE

Prédio do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE)
/Foto: Reprodução/Google Street View

O Ministério Público Eleitoral de Pernambuco (MPE-PE) pediu, nesta quarta-feira (26), a impugnação de dez candidaturas, por supostas irregularidades, para as eleições deste ano em Pernambuco. Do total, oito são referentes a ex-prefeitos que teriam falhas no processo de prestação de contas do período em que atuavam como gestores municipais.

As Ações de Impugnação de Registro de Candidatura (AIRC), movidas pela Procuradoria Regional Eleitoral (PRE-PE), envolvem oito postulantes ao cargo de deputado federal e outros dois para estadual. Os pedidos ainda não foram julgados.

A lista inclui os nomes de Keko do Armazém (PSDB), ex-prefeito do Cabo de Santo Agostinho); Izaias Regis (PSD), ex-prefeito de Garanhuns; Yves Ribeiro (MDB), ex-prefeito de Paulista, e Luciano Duque (Podemos), ex-prefeito de Serra Talhada.

Também foram alvo de pedido de impugnação as candidaturas de Judite Botafogo (PSD), ex-prefeita de Lagoa do Carro; Humberto Mendes, (Republicanos), ex-prefeito de Santa Maria da Boa Vista; Joamy Alves, (PSD), ex-prefeito de Araçoiaba.

Entre os gestores, apenas Luciano Duque tenta uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), enquanto os demais concorrem a federal.

Impugnação

O MP Eleitoral também solicita a impugnação da candidatura de Betinho Gomes (Republicanos), que não pagou a multa estabelecida pela Justiça Eleitoral após ser condenado por propaganda eleitoral ilícita, e de Sargento Nadelson (Republicanos), demitido da Polícia Militar após processo administrativo disciplinar.

Ambos buscam uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília. A candidata a deputada estadual Jacy Modas (Avante) também teve o registro questionado, mas renunciou ao pleito antes do julgamento.

De acordo com o calendário eleitoral deste ano, o resultado dos julgamentos deve ser anunciado até 14 de setembro, 20 dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. O prazo limite é estabelecido em função da Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas Eleitorais pelo TSE, quando não é possível realizar alterações posteriores nas candidaturas registradas.

A análise sobre as impugnações ficará a cargo do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), que também ouvirá os argumentos apresentados pelas defesas.

Além de deferir ou indeferir a candidatura, o tribunal também pode classificar o registro como “sub judice”, quando os prazos iniciais são ultrapassados. Neste caso, o candidato participa do pleito, mas o julgamento permanece em andamento na corte.

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Haddad rebate Tarcísio sobre caso do filme Dark Horse: “Não tem nada explicado'”

Haddad disse ainda defender que suspeitas sejam investigadas independentemente de partido ou alinhamento político/Divulgação/MF

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, rebateu nesta quarta-feira (26) a declaração do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de que Flávio Bolsonaro (PL) já deu explicações suficientes sobre o caso envolvendo o filme Dark Horse. Em entrevista ao portal de notícias Assiscity, em Assis, Haddad afirmou que “não tem nada explicado” e acusou Tarcísio de tentar “abafar” o episódio. “Tá tudo explicado. O que ele quer? Abafar a investigação da Polícia Federal?“, afirmou.

Mais cedo, Tarcísio havia afirmado considerar suficientes as explicações apresentadas por Flávio até o momento. “Acho que ele já deu explicações. Se nenhum fato novo aparecer, eu acho que está tudo esclarecido”, disse, após participar de evento de campanha na zona sul de São Paulo.

Ao comentar a declaração, Haddad mencionou a entrada da Polícia Federal na investigação e questionou a posição de Tarcísio. O petista questionou se o governador estaria tentando encerrar o assunto antes da conclusão das investigações.

Na sequência, o petista fez uma série de questionamentos sobre o caso e citou outras acusações contra integrantes da família Bolsonaro. As afirmações foram feitas por Haddad durante a entrevista.

Aquele telefonema do Vorcaro tá explicado? Os R$ 61 milhões que o Vorcaro botou de dinheiro público, roubado de fundo de pensão, para financiar um filme vagabundo, tá explicado? Como explicaram as rachadinhas, como explicaram a compra de 50 imóveis com dinheiro vivo, como explicaram a mansão, tá tudo explicado? Não tem nada explicado“, afirmou.

Haddad disse ainda defender que suspeitas sejam investigadas independentemente de partido ou alinhamento político. “O País precisa de explicação, e é de todo mundo, viu? Eu não sou desses. Quem tem que explicar, tem que se explicar. PT, PL, Republicanos, fez alguma coisa que inspira atenção, explica“, afirmou.

O petista também usou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como contraponto à postura que atribuiu a Tarcísio. Segundo Haddad, a conduta adequada é permitir a investigação inclusive quando ela envolve aliados ou familiares: “Olha a diferença dele para o Lula. Quando o Lula fala, pode investigar meu filho, que eu quero saber a verdade. Não vou mudar ministro, não vou mudar delegado, não vou fazer o que o Bolsonaro fez para proteger o Flávio“, pontuou.

Dark Horse

Quando o episódio do financiamento do filme Dark Horse veio à tona, em maio, Tarcísio afirmou que o aliado precisava se explicar. Na ocasião, Flávio prometeu apresentar uma prestação de contas detalhada sobre o financiamento do filme, o que ainda não ocorreu. Em 19 de maio, disse ter pedido à produtora Go Up, responsável pelo longa, que organizasse uma prestação de contas “a todo mundo”, de forma transparente, em até 30 dias.

Em 19 de agosto, o assunto ganhou força na campanha eleitoral após o PT cobrar publicamente os “90 dias sem explicações“. A assessoria do senador respondeu que a produtora teria prestado contas à Justiça dentro do prazo. O laudo com gastos apresentado pela produtora fala em R$ 75 milhões, mas sem detalhar quem foram os financiadores.

A falta de uma prestação de contas pública virou, assim, um ponto de desgaste político para Flávio. Nos últimos dias, o senador tentou encerrar o assunto. Em 20 de agosto, afirmou considerar o caso “página virada” e disse que a prestação de contas já teria sido realizada. Quatro dias depois, ao ser questionado novamente por jornalistas, reagiu: “Vocês estão parados no tempo?”.

Em paralelo a essa disputa retórica pública, as apurações avançam no Supremo Tribunal Federal (STF) e também no Tribunal de Contas da União (TCU). No Supremo, há investigação instaurada para apurar possível direcionamento de emendas parlamentares a entidades ligadas à produção do filme, sobre relatoria do ministro Flávio Dino.

No TCU, foi sorteado relator – o ministro Benjamin Zymler -, para uma representação que pede apuração de indícios de irregularidades e cita, entre outros pontos, contraste entre os valores mencionados em diálogos e captações de declarações de Flávio de que haveria “zero de dinheiro público” na produção.

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Campanha de Lula diz que tarifa zero no transporte público é complexa, mas que governo a olha “com carinho”

O assessor disse ainda que há um compromisso com a ampliação dos investimentos em infraestrutura e na operação dos serviços no/MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

O assessor na Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Giancarlo Gama, que representava a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em evento da ANPTrilhos, afirmou nesta quarta-feira, (26) que a discussão sobre a adoção da tarifa zero no transporte público poderá avançar em um eventual quarto mandato, embora reconheça que a medida é complexa do ponto de vista operacional e fiscal.

Segundo ele, o governo tem estudado alternativas para ampliar o financiamento do transporte coletivo e acompanha com atenção o debate sobre gratuidade universal.

“A gente está falando da tarifa zero. Ela é uma política tão complexa quanto estruturante. Estruturar isso tem uma complexidade muito grande, mas, com certeza, o governo do presidente Lula tem olhado para isso com muito carinho”, disse.

Segundo Gama, o tema não foi incorporado explicitamente ao plano de governo por exigir uma discussão mais aprofundada sobre fontes permanentes de financiamento para custear a operação dos sistemas de transporte público.

O assessor ressaltou, contudo, que há um compromisso da campanha com a ampliação dos investimentos no setor, tanto em infraestrutura quanto no financiamento da operação dos serviços.

Gama mencionou a possibilidade de utilizar receitas oriundas da tributação de externalidades associadas ao transporte individual para financiar o transporte coletivo. Ele citou ainda a reformulação do vale-transporte e a destinação de recursos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre combustíveis para o setor.

Segundo ele, a reformulação do vale-transporte também é uma das discussões mais relevantes para a construção de uma fonte estável de financiamento do sistema. Modelos em avaliação incluem contribuições vinculadas ao número de trabalhadores ou à folha salarial das empresas.

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Dark Horse: perícia diz que mais de 70% dos recursos foram gastos nos EUA

A perícia contratada pela produtora Go Up Entertainment aponta que, dos R$ 75 milhões gastos na realização do longa Dark Horse, mais de R$ 54 milhões foram utilizados nos Estados Unidos. O valor representa 72% do custo total da produção. No Brasil, os gastos somaram R$ 20,92 milhões.

O relatório foi entregue em junho deste ano à Polícia Civil de São Paulo no inquérito que apura o financiamento do filme “Dark Horse” e aponta que 100% do aporte para a realização da obra vieram da Havengate Development Fund LP, mas não especifica quais foram os investidores responsáveis. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo e confirmadas pela CNN Brasil.

Segundo o laudo, os gastos nos Estados Unidos incluem US$ 383,1 mil em desenvolvimento do projeto, US$ 2,66 milhões em pré-produção, US$ 1,97 milhão em filmagens e US$ 1,95 milhão em pós-produção, entre outras despesas.

Outro ponto analisado pela Polícia Civil foi uma eventual conexão entre os recursos do filme e projetos do Instituto Conhecer Brasil. A ONG, que firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de Wi-Fi em comunidades da capital paulista, é vinculada a Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment.

Entretanto, o perito contratado pela produtora, Anisio Castelo Branco, afirmou à CNN que não identificou transferências entre os recursos destinados à produção e projetos públicos do Instituto.

Não, a movimentação do filme acontece em conta exclusiva para a finalidade da obra. Não existe nenhum pagamento relacionado a projetos públicos na empresa ou em suas contas bancárias”, disse Castelo Branco. Segundo ele, apesar de as duas entidades pertencerem a Karina, não houve transferências de recursos do Instituto Conhecer Brasil para o filme.

No início de junho deste ano, a Polícia Federal deflagrou uma operação contra o Instituto Conhecer Brasil para verificar se o contrato firmado com a prefeitura foi devidamente cumprido, se houve licitação e se os recursos repassados foram encaminhados a outras entidades ligadas a Karina.

No âmbito da investigação da Polícia Civil de São Paulo, a empresária teve de apresentar relatórios financeiros detalhando receitas e despesas das entidades sob sua responsabilidade.

O inquérito também busca rastrear cerca de R$ 61 milhões que teriam sido repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa e apurar se houve irregularidade nos pagamentos ou eventual contrapartida relacionada ao pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL). O inquérito tramita sob sigilo.

Na segunda-feira (24), o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), atendeu ao pedido da PF e autorizou que a corporação federal tenha acesso aos dados da operação contra a produtora. A Polícia Federal recebeu as informações da Polícia Civil de São Paulo, na noite desta quarta-feira (26).

Quase R$ 19 milhões movimentados por Pix, diz perícia

Segundo os dados analisados pela perícia, dos R$ 20,92 movimentados no Brasil, R$ 18,47 milhões (88,29%) foram feitos via Pix, enquanto R$ 2,34 milhões (11,18%) foram pagos por boleto.

A perícia afirma que examinou os extratos bancários e os documentos financeiros disponibilizados pela produtora. O trabalho, contudo, não traz no laudo a identificação nominal de todos os recebedores finais, segundo a justificativa apresentada pelo responsável pelo documento, em respeito a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

Segundo o laudo, os gastos no Brasil envolveram uma equipe binacional com 11 atores americanos, mais de 800 figurantes e cerca de 350 profissionais ao longo de dois meses de filmagens.

As despesas incluem contratação de elenco e figurantes, equipe técnica e direção, locação de câmeras e equipamentos de filmagem, cenografia, figurino e efeitos especiais, passagens aéreas e transporte, hospedagem, catering/alimentação, infraestrutura de bases técnicas e geradores, segurança privada e escoltas, suporte administrativo/jurídico e contratação de fornecedores locais.

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Campanha de Lula aciona Justiça contra ataques de Caiado e Renan Santos

Da esquerda para direita, Renan, Caiado e Cury durante o debate da TV Bandeirantes, no último domingo (23)/Reprodução

A Coligação “Brasil Pronto Pra Mais”, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acionou a Justiça Eleitoral contra Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) por declarações feitas contra o petista durante o debate da TV Bandeirantes, no último domingo (23).

As duas ações foram protocoladas nesta quarta-feira (26) e pedem a retirada das redes sociais dos candidatos de conteúdos com cortes do debate, a proibição de novos impulsionamentos e multa de R$ 30 mil para cada um.

Para a campanha do presidente, os dois candidatos transformaram o debate em um espaço de ataques a Lula, com afirmações consideradas falsas e ofensivas, numa tentativa de influenciar o eleitorado e atingir a reputação do chefe do Executivo.

O jurídico da coligação sustenta que as declarações não podem ser enquadradas como “crítica republicana voltada ao debate sobre a gestão pública”. Segundo os advogados, a estratégia teve como objetivo “induzir o eleitorado a erro, ultrapassando as balizas da liberdade de expressão para ingressar no campo da desinformação”.

Durante o debate, Caiado tentou relacionar Lula aos episódios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e as suspeitas em torno do filme Dark Horse, biografia de Jair Bolsonaro. Para a coligação, a estratégia buscou vincular o presidente a acusações de lobby ilegal e tráfico de influência.

Os advogados afirmam que a acusação de prática de lobby “não possui qualquer tipo de vínculo à produção audiovisual Dark Horse”. A campanha também considera mais grave a posterior divulgação dos trechos nas redes sociais, o que teria ampliado o alcance das acusações.

O escândalo do filme Dark Horse, amplamente divulgado pela mídia, não guarda qualquer tipo de vínculo com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não obstante, o representado utiliza-se de um trocadilho para criar uma falsa associação e, consequentemente, confundir o eleitorado”, aponta a peça.

Caiado e Renan não podem usar a liberdade de expressão como justificativa para “imputações que podem caracterizar crime de calúnia, injúria ou difamação ou que não observem a garantia constitucional da presunção de inocência”, continua.

Na ação contra Renan Santos, a campanha lista seis declarações que considera ofensivas à honra de Lula. O candidato do Missão chamou o presidente de ladrão, bêbado e safado, além de afirmar que o PT seria inimigo das polícias.

Para os advogados, houve uma estratégia deliberada para extrapolar os limites do debate eleitoral e atingir a imagem do presidente.

Inequívoca, assim, a manobra perpetrada pelo candidato e pelo partido político para, extrapola os limites do debate político legítimo, atingir a honra e a reputação de Luiz Inácio Lula da Silva na medida em que lhe foram dirigidas imputações, imputações essas depois replicadas nas redes sociais, que consistem em calúnia, em difamação e em injúria”, argumenta o time jurídico do petista.

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Evangélicos progressistas declaram apoio à reeleição de Lula e criticam Flávio

Grupo cita a atuação de Lula na defesa da soberania nacional diante do tarifaço/AFP

A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, movimento que reúne pastores e teólogos de diferentes regiões do país, declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em carta aberta, o grupo afirma que a permanência do petista no Palácio do Planalto está alinhada a valores cristãos e faz críticas à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL).

No documento, a Frente associa a candidatura de Flávio a um projeto de “autoritarismo” e de “benefícios dos mais ricos”. O movimento também afirma que não é possível tratar como normais iniciativas políticas que, segundo os integrantes, representem ameaças às instituições democráticas e aos direitos fundamentais.

Não podemos normalizar forças políticas que atacam as instituições, questionam o resultado das urnas, estimulam a violência e ameaçam os direitos fundamentais. A Bíblia nos ensina que ‘Deus não é Deus de desordem, mas de paz’”, destaca a carta.

O grupo também cita a atuação de Lula na defesa da soberania nacional diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. Para a Frente, a experiência recente reforçou a importância da liderança do presidente na defesa da democracia e na resistência a movimentos que poderiam ameaçar a ordem constitucional.

A experiência recente demonstrou a importância da liderança do presidente na articulação da consciência democrática e na resistência às forças que ameaçaram romper definitivamente a ordem constitucional. E isso não apenas no âmbito nacional, mas também na esfera global”, afirma o documento.

Apesar da declaração de apoio ao petista, a Frente ressalta que a decisão não representa abandono de sua independência. Segundo o movimento, o posicionamento eleitoral não retira sua “autonomia” nem sua “capacidade de diálogo”.

Aproximação

O apoio anunciado ocorre em meio à tentativa de Lula de ampliar sua presença entre os eleitores evangélicos. As pesquisas eleitorais citadas no contexto da campanha apontam vantagem de Flávio Bolsonaro sobre o presidente entre o segmento religioso.

Para tentar reduzir essa diferença, a campanha de Lula iniciou uma estratégia de aproximação com o eleitorado evangélico. A primeira-dama Rosângela Silva, a Janja, lançou um comitê voltado aos evangélicos e um jingle de inspiração gospel para a campanha de reeleição do marido.

Lula também pretende realizar um encontro com pastores evangélicos e se reunir com o deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ), que já declarou apoio ao presidente em uma eventual disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro.

A movimentação reforça a tentativa do candidato petista de avançar sobre um segmento do eleitorado no qual enfrenta resistência e que se tornou um dos focos da estratégia eleitoral para a reeleição.

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Raquel Lyra diz que Pernambuco vive “melhor momento” na segurança

Candidata à reeleição, governadora Raquel Lyra (PSD), em sabatina do Diario/Foto: Karol Rodrigues/DP Foto

Durante a sabatina promovida pelo Diario de Pernambuco nesta quarta-feira (26), a governadora Raquel Lyra (PSD), que é candidata à reeleição, fez um balanço das ações em diferentes áreas da gestão estadual e afirmou que Pernambuco vive atualmente o “melhor momento” da segurança pública.

Na avaliação da governadora, os resultados do seu governo são consequência de um processo de reconstrução, iniciado no começo do mandato, que envolve áreas como saúde, infraestrutura, abastecimento de água e geração de emprego e renda.

Ao abordar os principais eixos da administração, Raquel citou obras de recuperação e ampliação de hospitais, além da reconstrução e implantação de rodovias. A governadora também mencionou os esforços para ampliar o abastecimento de água no estado e os indicadores relacionados à geração de empregos.

Começamos um processo de reconstrução, na reforma dos hospitais, na ampliação dos nossos serviços, na reconstrução e implantação de novas estradas, no olhar focado para garantir água na torneira da casa do povo de Pernambuco, na geração de emprego e renda, batendo recordes que não se viam em Pernambuco nos últimos 12 anos.”

Na segurança pública, Raquel afirmou que o estado registra reduções nos índices de criminalidade. Uma das principais metas do governo para a área era reduzir 30% o número de homicídios. “Estamos vivendo o melhor momento da segurança pública no nosso estado, com redução histórica, desde que se começou a medir.”

A governadora ressaltou, porém, que os resultados não são obtidos de forma imediata e atribuiu os avanços a um trabalho contínuo. Para ela, a condução da gestão exige articulação política, planejamento e diálogo com a população.

A gente sabe que não se resolve da noite para o dia, mas tem que ter gente séria, comprometida, capacidade de diálogo, de construção de pontes, de fazer projeto, de ouvir as pessoas.” Raquel ainda afirmou que o objetivo é transformar as ações planejadas em entregas para a população pernambucana.

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Raquel Lyra rebate acusação de gabinete do ódio contra João Campos: “Eu quero ver prova”

A governadora Raquel Lyra (PSD) afirmou, durante sabatina no Diario de Pernambuco, nesta quarta-feira (26), que está tomando medidas jurídicas após reportagem da TV Record trazer que a Polícia Federal apura a existência de um suposto ‘gabinete do ódio’ responsável por ataques a adversários políticos.

“As pessoas me conhecem muito de perto. Eu sou uma pessoa que você pode falar o que quiser, mas não vai dizer que eu sou uma pessoa desonesta, que utiliza de jogo sujo. Eu tenho sido vítima disso o tempo inteiro. Isso está na Justiça para ser avaliado”, disse.

Raquel também falou sobre o ex-servidor citado pela Record, Amisadai Andrade da Silva, que foi exonerado do cargo no Governo de Pernambuco nesta quarta (26), dia seguinte à exibição da reportagem. “Querer dizer que ele conversou comigo, ele vai estar muito distante disso. Eu quero ver provar. Eu quero ver prova“, afirmou.

Amisadai ocupava o posto de superintendente de Operações da Arena de Pernambuco, na Secretaria de Turismo e Lazer. A governadora afirmou que a existência de milhares de servidores efetivos e comissionados não significa que haja participação do governo em eventuais ações individuais.

A gente tem um governo. Ele é composto por não sei quantos mil cargos comissionados e cargos efetivos. Essa é uma área especificamente, neste caso, sob o comando hoje de Roberto Asfora, Robertinho; antes, de Kaio Maniçoba. Na Arena Pernambuco, a gente tem um trabalho sendo feito lá.”

Raquel afirmou ainda que não aceita ser associada a práticas que considera desonestas e disse ser alvo de ataques desde a eleição de 2022. Segundo ela, a situação também envolve o que classificou como violência política contra mulheres que ocupam espaços de poder.

Acusações de ataques virtuais

Na sabatina, Raquel também afirmou que sua campanha já denunciou mais de 430 perfis que classificou como ‘robotizados’ ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE). A governadora disse ainda ter denunciado um suposto ‘gabinete do ódio’ formado por mais de 40 perfis.

A reportagem da Record também provocou reação de João Campos. O candidato afirmou que o conteúdo reforça denúncias que, segundo ele, vêm sendo feitas há mais de um ano sobre uma estrutura voltada contra sua candidatura, aliados e familiares.

Raquel, por sua vez, afirmou que pretende manter a campanha baseada no confronto de propostas e na prestação de contas à população, sem se deixar envolver pelas acusações.

Eu estou aqui como filha da democracia, como sobrinha de Fernando Lyra, filha de João Lyra. As pessoas com quem eu aprendi são pessoas que sempre dedicaram a sua vida a fazer o bem sem olhar a quem e a não usar de expediente para além do jogo das quatro linhas.”

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Lula diz querer “pacificar o Brasil” e critica polarização política

Lula ao lado dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, em Brasília/Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (26), que pretende “pacificar o Brasil” e deixar de lado a polarização política para concentrar o debate em problemas que considera prioritários para o país.

Em pronunciamento no Palácio da Alvorada, após o almoço, Lula falou sobre relatos apresentados por ex-comandantes das Forças Armadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito de pressões e discussões sobre uma possível ruptura institucional durante o governo de Jair Bolsonaro.

O presidente fez uma comparação com episódios da história brasileira e citou o ex-presidente Juscelino Kubitschek. “Os mesmos que Juscelino Kubitschek fez agora há 50 anos atrás, dia 22 agora da morte de Juscelino Kubitschek”, afirmou.

Na sequência, Lula disse que sua prioridade é governar e criticou o ambiente de polarização política. “O que eu quero é governar. Ninguém aguenta mais essa polarização”, declarou.

O petista também mencionou episódios de contestação ao governo de Juscelino Kubitschek e relacionou o período histórico às discussões atuais sobre democracia e instituições.

Parte daqueles anistiados por Juscelino Kubitschek, oito anos depois, ajudaram a promover o golpe de 64. Você teve a tentativa de Jacareacanga, a Aeronáutica Brasileira rebelou, tentou derrubar Juscelino Kubitschek”, disse.

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Número de mortos em enchente no Nepal chega a 157

Ao menos 157 corpos foram recuperados após inundações torrenciais nas áreas fronteiriças do Himalaia, entre o Nepal e a região do Tibete, na China, nesta quarta-feira (26). As informações são das polícia nepalesa.

Do lado da China, autoridades confirmaram três mortos e 265 desaparecidos após um deslizamento de terra.

Quase 400 viajantes, incluindo centenas de estrangeiros, foram dados como desaparecidos. “Um registro preliminar por agência, recebido de empresas de turismo e viagens, identificou 384 viajantes, incluindo 291 estrangeiros e 93 cidadãos nepaleses, que foram dados como desaparecidos nas áreas afetadas”, publicou o conselho de turismo do Nepal em um comunicado no X.

As nacionalidades das pessoas listadas como desaparecidas incluem viajantes da Índia, Austrália, Países Baixos, África do Sul, Reino Unido e Malásia.

As enchentes torrenciais destruíram estradas, pontes e estruturas de energia. Casas e estradas foram arrastadas, enquanto autoridades no Tibete expressaram temor de “grandes perdas humanas”, com relatos de desaparecidos no condado de Gyirong após um deslizamento de lama atingir uma passagem terrestre entre os dois vizinhos.

Helicópteros de resgate não conseguiram pousar nas áreas afetadas de Syapru Besi e Timure, no distrito montanhoso de Rasuwa — que possui uma população de cerca de 50 mil habitantes —, pois o rio estava transbordando de seu curso normal, informaram as autoridades.

Imagens de televisão mostraram casas desmoronadas em meio às águas da enchente, carros sendo levados pela correnteza e uma ponte de metal sendo arrastada, enquanto testemunhas relataram à Reuters que as águas inundaram vilarejos inteiros.

Pode haver um grande número de vítimas ou perdas materiais”, disse o administrador distrital Narendra Pariyar, que instou os moradores das margens do rio Bhote Koshi a buscarem áreas mais elevadas, após relatos de vilarejos e canteiros de obras sendo varridos pela água.

Há devastação por toda parte“, disse à Reuters Tula Bahadur BK, um agente de saúde em Rasuwa. “Os assentamentos próximos ao rio foram completamente destruídos e levados pela água. Cinco parentes meus estão desaparecidos.”

Os helicópteros de resgate do Nepal não conseguiriam pousar nas áreas afetadas até que as águas baixassem, afirmou o porta-voz do exército, Raja Ram Basnet.

A causa da inundação não ficou imediatamente clara, mas uma enchente repentina e fatal ocorrida no mesmo rio no ano passado foi atribuída, posteriormente, ao esvaziamento de um lago glacial.

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Servidor acusado de integrar suposto “gabinete do ódio” é exonerado do Governo de Pernambuco

O Governo de Pernambuco exonerou, nesta quarta-feira (26), Amisadai Andrade da Silva do cargo em comissão de Superintendente de Operações da Arena de Pernambuco, da Secretaria de Turismo e Lazer. A exoneração foi feita um dia após o servidor ser citado em reportagem exibida em rede nacional pela TV Record, que apontou a existência de uma suposta estrutura de páginas e perfis nas redes sociais utilizada para ataques políticos contra o candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB).

A exoneração consta na Portaria nº 5003, publicada na edição desta quarta-feira do Diário Oficial do Estado. Amisadai é servidor da Caixa Econômica Federal cedido ao Governo de Pernambuco.

Segundo a reportagem da Record, ele teria relatado a existência de uma rede de perfis utilizada para produzir conteúdos contra João Campos. O servidor estava lotado na Secretaria de Turismo e Lazer, pasta responsável também pela gestão da Arena de Pernambuco, onde ocupava o cargo de Superintendente de Operações.

A reportagem exibida na terça-feira (25) apresentou Amisadai como um dos envolvidos na suposta estrutura de comunicação digital. De acordo com o conteúdo, a rede seria formada por páginas e perfis que atuariam de maneira coordenada para criticar João Campos e favorecer a imagem da governadora Raquel Lyra (PSD).

Na matéria da Record, Amisadai teria relatado como funcionaria a suposta estrutura de páginas e perfis. O conteúdo também levantou a suspeita de que os pagamentos relacionados à atuação dessas páginas seriam realizados por meio de contratos de publicidade firmados com o Governo de Pernambuco.

Entre os veículos citados está o Portal de Prefeitura. Segundo a reportagem, a página teria recebido mais de R$ 600 mil em publicidade e estaria entre os perfis utilizados na estratégia de comunicação contra João Campos.

A publicação também relacionou Amisadai ao Portal de Prefeitura. O servidor, no entanto, não integra atualmente o quadro societário da empresa. Em nota divulgada após a reportagem, o portal afirmou que ele deixou a sociedade em 2024 e que, desde então, não representa nem responde pela empresa.

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Após reportagem da Record, João Campos promete medidas sobre suposto “gabinete do ódio”

O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) se pronunciou, na manhã desta quarta-feira (26), sobre a reportagem exibida pelo Jornal da Record que apontou a suposta existência de uma rede de perfis utilizada para atacar adversários políticos da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD).

Em vídeo publicado nas redes sociais, João afirmou que denuncia há mais de um ano a existência do que classifica como um “gabinete do ódio” em Pernambuco. Segundo ele, a suposta estrutura teria como alvos adversários políticos, aliados e integrantes de sua família.

O candidato repercutiu um dos trechos apresentados pela Record, no qual Amizaday Andrade da Silva, funcionário da Caixa Econômica Federal cedido à Secretaria de Turismo de Pernambuco, fala sobre reuniões com integrantes do Governo do Estado e utiliza o termo “desidratar” ao mencionar adversários políticos.

“Não vale tudo na política ou numa eleição. Nossos advogados vão tomar todas as medidas necessárias”, afirmou João Campos.

O candidato também classificou a suposta estrutura como uma “milícia digital” e disse que pretende continuar sua campanha debatendo temas como saúde, infraestrutura, creches, geração de empregos e desenvolvimento de Pernambuco.

O que mostrou a reportagem

Exibida pelo Jornal da Record, a reportagem apontou a existência de uma rede que teria mais de 300 perfis nas redes sociais. Segundo a emissora, essas contas seriam utilizadas para promover conteúdos favoráveis ao Governo de Pernambuco e atacar adversários políticos.

A reportagem também apresentou informações sobre pagamentos de publicidade do Governo do Estado a uma empresa ligada ao Portal de Prefeitura e informou que o material reunido sobre o caso foi encaminhado à Polícia Federal.

As acusações apresentadas na reportagem ainda precisam ser apuradas pelas autoridades competentes.

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Reportagem da Record aponta rede com mais de 300 perfis; material foi encaminhado à Polícia Federal e suspeitas estão sob investigação.

Uma reportagem exibida pelo Jornal da Record, na noite desta terça-feira (25), revelou a existência de uma suposta rede formada por centenas de perfis nas redes sociais que seria utilizada para divulgar conteúdos contra adversários políticos da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), principalmente João Campos (PSB). O material foi encaminhado à Polícia Federal, que investiga o caso.

Entre as gravações apresentadas pela emissora está uma reunião no Recife com a participação de Amizaday Andrade da Silva, funcionário da Caixa Econômica Federal cedido à Secretaria de Turismo de Pernambuco.

No encontro, Amizaday fala sobre a atuação de canais digitais e afirma que houve uma reunião com integrantes do Governo do Estado. Em determinado momento, ao tratar da estratégia, utiliza o termo “desidratar” ao se referir a adversários políticos.

Segundo a reportagem da Record, a estrutura contaria com mais de 300 perfis. Parte dos conteúdos seria difundida a partir do Portal de Prefeitura, ligado à empresa Portal Comunicação e Marketing Ltda., da qual Amizaday já foi sócio.

Empresa recebeu mais de R$ 500 mil em publicidade

Outro ponto apresentado pela reportagem envolve recursos de publicidade institucional. De acordo com a Record, a empresa responsável pelo portal recebeu **mais de R$ 500 mil em publicidade do Governo de Pernambuco desde 2023.

Somente entre março e julho de 2026, os pagamentos teriam ultrapassado R$ 186 mil.

Amizaday informou que deixou a sociedade da empresa em setembro de 2024 e afirmou que não responde por atos praticados pelo veículo após sua saída.

Governo explica distribuição da publicidade

Em resposta à reportagem, a Secretaria de Comunicação de Pernambuco informou que a publicidade do Estado é distribuída por agências contratadas por meio de licitação e que a definição dos veículos segue critérios técnicos, como audiência, alcance e custo.

Segundo o Governo de Pernambuco, os valores destinados ao veículo em 2026 correspondem a aproximadamente 0,3% do investimento permitido ao Estado em publicidade no período.

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