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Trump coloca o próprio rosto em passaporte, prédios e programas do governo

Desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retornou ao cargo no início de 2025, o governo americano tem estampado o nome e o rosto do republicano em vários símbolos públicos do país.

O exemplo mais recente são os passaportes da edição comemorativa dos 250 anos de independência dos Estados Unidos, que levarão uma imagem do rosto de Trump.

A Casa da Moeda dos EUA também anunciou planos para uma moeda de ouro comemorativa com a imagem de Trump para marcar o aniversário da fundação do país. E o Departamento do Tesouro afirmou que as cédulas de papel-moeda terão a assinatura de Trump, sendo esta a primeira vez que um presidente em exercício assina dinheiro americano.

Mas Trump também buscou deixar sua marca em edifícios proeminentes em Washington, em uma nova classe de navios de guerra da Marinha, além de um programa de vistos para estrangeiros ricos, em site de medicamentos controlados pelo governo e em contas de poupança federais para crianças.

Trump-Kennedy Center

O conselho administrativo do centro cultural John F. Kennedy, designado pelo Congresso em 1964 como um memorial ao presidente democrata, votou para renomear o local em homenagem a Donald Trump em dezembro de 2025.

Trump, que foi eleito presidente do conselho no início do ano passado, disse que estava “honrado” e “surpreso” com a votação. “Essa questão foi levantada por um dos membros mais ilustres do conselho, e eles votaram sobre isso, e são muitos membros do conselho, e a votação foi unânime”, disse ele. Em seguida, o cabeçalho do site do centro foi atualizado para exibir “The Trump Kennedy Center”.

Críticos questionam se o conselho tem autoridade legal para renomear a instituição artística, já que a lei federal aprovada pelo Congresso exige que o conselho “assegure que, após 2 de dezembro de 1983, nenhum memorial ou placa adicional com caráter memorial seja designado ou instalado nas áreas públicas do Centro de Artes Cênicas John F. Kennedy”.

A medida também encontrou forte reação negativa da família Kennedy. “O Kennedy Center é um memorial vivo a um presidente falecido e foi nomeado em homenagem ao presidente Kennedy por lei federal”, disse Joe Kennedy III, ex-congressista e sobrinho-neto do falecido presidente, no X. “Ele não pode ser renomeado, assim como ninguém pode renomear o Lincoln Memorial, não importa o que digam.

Instituto de Paz Donald J. Trump

O nome do presidente Donald Trump foi fixado no edifício do Instituto da Paz dos Estados Unidos em Washington, D.C., em dezembro de 2025. A mudança ocorreu um dia antes de Trump receber os presidentes de Ruanda e da República Democrática do Congo no prédio, para a assinatura de um acordo de paz mediado pelos EUA.

O Departamento de Estado de Trump disse que renomeou o prédio, acrescentando o nome de Trump acima do Instituto da Paz dos EUA no exterior, “para refletir o maior negociador da história de nossa nação“.

Obrigado por colocar um determinado nome naquele edifício”, disse Trump ao secretário de Estado, Marco Rubio, no evento de assinatura, acrescentando que foi uma “grande honra”.

No início do governo Trump, o (DOGE) Departamento de Eficiência Governamental, na época liderado por Elon Musk, demitiu funcionários da organização sem fins lucrativos e instalou sua própria liderança. A medida foi considerada ilegal por um juiz, mas a decisão foi suspensa por um tribunal de apelações.

O instituto não é uma agência federal e foi criado em 1984 como uma organização independente sem fins lucrativos.

Navios de guerra da “classe Trump”

Trump anunciou planos para construir uma nova “classe Trump” de navios de guerra – maiores, mais rápidos e “100 vezes mais poderosos” do que qualquer outro anterior – com o objetivo de consolidar o domínio naval dos EUA, começando com dois navios como parte de uma “Frota Dourada” expandida.
Ele disse que o projeto acabaria sendo ampliado para abranger de 20 a 25 novos navios.

A construção planejada de navios de guerra resultará em “mais tonelagem e poder de fogo em construção do que em qualquer momento da história”, disse o então secretário da Marinha dos EUA, John Phelan, acrescentando que os componentes seriam construídos em todos os estados dos EUA.

Phelan afirmou que os navios não apenas apresentariam os “maiores canhões” já transportados em um navio de guerra dos EUA, mas também transportariam mísseis de cruzeiro com armas nucleares lançados pelo mar. O primeiro dos novos navios de guerra será batizado de USS Defiant.

Além da nova classe de navios de guerra, a Frota Dourada prevê um aumento no número de outros tipos de navios de guerra, incluindo uma classe de fragatas menor e mais ágil, anunciada anteriormente pela Marinha dos EUA, disse Trump.

Trump Gold Card

Donald Trump também lançou o programa de vistos “Trump Gold Card”, que permite aos solicitantes pagar uma taxa de US$15.000 ao Departamento de Segurança Interna para processamento rápido.

Após uma verificação de antecedentes, os candidatos devem então fazer uma “contribuição” de US$ 1 milhão para obter o visto, semelhante a um green card, que lhes permite viver e trabalhar nos Estados Unidos.

Até agora, o governo aprovou apenas um visto Trump Gold Card, disse o secretário de Comércio, Howard Lutnick.

Em dezembro, Lutnick disse à Reuters que cerca de 10.000 pessoas se inscreveram no Gold Card durante um período de pré-registro e que ele esperava que muito mais pessoas se inscrevessem. “Eu espero que, com o tempo, vendamos milhares desses vistos e arrecademos bilhões, bilhões de dólares”, acrescentou ele na época.

TrumpRx.gov

Em fevereiro, Trump apresentou TrumpRx.gov, um site destinado a oferecer aos consumidores americanos acesso a medicamentos com desconto.

Trump tem promovido a iniciativa como um passo importante para reduzir os custos de saúde dos norte-americanos, fechando acordos com pelo menos 16 empresas farmacêuticas para listar certos produtos no portal.

Esses acordos incluem pactos com a Eli Lilly e a Novo Nordisk para reduzir drasticamente os preços de medicamentos populares para perda de peso à base de GLP-1. O governo afirmou que essas medidas reduziriam os preços para uma média entre US$ 149 e US$ 350 por mês para os americanos.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse em uma publicação no X que o site de vendas diretas ao consumidor seria “de última geração” e “economizará dinheiro para milhões de americanos”.

Contas Trump de investimento

O governo lançou recentemente as “Trump Accounts”, contas de investimento para bebês nos Estados Unidos. A Casa Branca está criando essas contas de investimento para recém-nascidos nos próximos três anos, com verbas iniciais do governo.

Daqui a algumas décadas, acredito que as Trump Accounts serão lembradas como uma das inovações políticas mais transformadoras de todos os tempos“, disse Trump. As contas – que levam o nome do presidente – foram criadas no ano passado ao abrigo da Lei “One Big Beautiful Bill” , a principal legislação tributária e de gastos do partido do presidente.

O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou que depositará US$ 1.000 em contas de investimento para todas as crianças nascidas entre 2025 e 2028, sendo que cerca de 25 milhões de famílias são consideradas elegíveis.

As contas entrarão oficialmente em funcionamento no dia 4 de julho deste ano, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que mais de 500 mil famílias já se cadastraram.

Arquivos secretos dos EUA sobre OVNIs serão revelados “em breve”, diz Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (29) que o governo americano está bem perto de revelar os arquivos secretos sobre vida alienígena e extraterrestre, fenômenos aéreos não identificados e OVNIs (objetos voadores não identificados).

Divulgaremos o máximo de informações possíveis sobre OVNIs em um futuro próximo”, prometeu o presidente dos EUA.

A declaração ocorreu durante encontro de Trump com os astronautas que participaram da missão Artemis II, que sobrevoou a órbita lunar no início do mês. Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen estiveram ao lado do presidente no Salão Oval.

Trump também comentou que considera algumas partes dos arquivos sobre OVNIs “interessantes”.

Alliens.gov

Como mostrou a CNN Brasil, o governo dos Estados Unidos registrou o domínio de site “aliens.gov”. O registro atual modificado em 17 de março deste ano está atrelado ao “Executive Office of the President” (Gabinete Executivo do Presidente, tradução livre), conforme informação checada pela reportagem.

A Casa Branca respondeu ao pedido de explicação do motivo com um emoji de alien e a frase: fique ligado!

Não é de hoje que o tema é destaque, principalmente nos Estados Unidos. No passado, o Projeto Livro Azul, do governo americano, investigava casos envolvendo OVNIs, muitos até hoje sem explicação.

Afinal, o que são OVNIs

Cientificamente, um OVNI é um objeto voador não identificado. Ou seja, não significa que é algo ligado a “extraterrestres”. Manchas no céu, eventos meteorológicos, aeronaves estranhas (militares) e outros tipos de fenômenos se enquadram nessa descrição.

O Brasil, por exemplo, mantém em seu Arquivo Nacional um registro de todas as ocorrências de OVNIs em território nacional que computa eventos que não necessariamente são relacionamentos a discos voadores e seres de outros planetas.

Esta denominação serve para designar qualquer objeto voador que não teve sua origem identificada de maneira imediata. Ou seja, podem ser satélites, drones, balões, fenômenos naturais, entre outros“, diz o órgão em seu site.

A Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, por outro lado, mudou a nomenclatura que usa para tratar de fenômenos desse gênero. Desde 2022, eles usam a sigla UAPs, que em português significa fenômenos anômalos não-identificados.

Ex-diretor do FBI é acusado de ameaçar a vida de Trump

Ex-diretor do FBI James Comey e o presidente dos EUA, Donald Trump/TASOS KATOPODIS / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP  e BRENDAN SMIALOWSKI / AFP

O ex-diretor do FBI James Comey, um crítico ferrenho do presidente Donald Trump, foi acusado de ameaçar a vida do mandatário, informou nesta terça-feira (28) o procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche.

No ano passado, Comey fez uma publicação no Instagram — agora eliminada — que mostrava os números “86 47” formados com conchas marinhas.

À época, Trump assegurou em uma entrevista à emissora Fox News que “86” era um jargão para “matar” e que “47” se referia a ele, como o presidente de número 47 dos Estados Unidos.

Ele sabia exatamente o que isso significava“, afirmou Trump. “Significa assassinato, e ele disse isso alto e claro.”

Comey, por sua vez, garantiu que não teme as novas acusações e que vai enfrentá-las.

Bom, eles estão de volta, desta vez por causa de uma foto de conchas tirada há um ano em uma praia da Carolina do Norte, e isso não será o fim dessa história“, declarou, em um vídeo publicado nas redes sociais.

Continuo sendo inocente, sem medo e acreditando no Judiciário federal independente. Então, vamos em frente“, acrescentou.

A acusação assegura que a referência “86 47” é uma “séria expressão de uma intenção de causar dano ao presidente dos Estados Unidos”.

Blanche disse que Comey enfrenta uma acusação por “fazer deliberadamente uma ameaça de tirar a vida e infligir danos” a Trump, e outra por fazer uma ameaça interestadual.

Cada uma dessas acusações acarreta uma pena de até dez anos de prisão.

É justo dizer que ameaçar a vida de alguém é perigoso e potencialmente um crime“, disse Blanche.

Comey explicou que havia publicado a foto de conchas que tinha visto durante um passeio na praia.

Não me dei conta de que algumas pessoas associam esses números à violência. Isso nunca passou pela minha cabeça, mas sou contra qualquer tipo de violência, por isso apaguei a mensagem“, afirmou.

A acusação contra Comey chega três dias depois que um homem foi preso por supostamente tentar assassinar Trump durante um jantar de gala em Washington, organizado pela Associação de Correspondentes da Casa Branca.

Caso arquivado

Comey, de 65 anos, foi acusado formalmente em setembro de fazer declarações falsas ao Congresso, no que muitos consideraram parte de uma campanha de represália do presidente Trump contra seus adversários políticos.

Essa acusação foi apresentada dias depois de Trump instar publicamente a então procuradora-geral Pam Bondi a tomar medidas contra o ex-diretor do FBI.

A juíza Cameron Currie desconsiderou o caso com o argumento de que a promotora designada por Trump que apresentou a denúncia, Lindsey Halligan, havia sido nomeada de maneira ilegal.

Bondi foi demitida no início de abril, em parte devido a seu fracasso em conseguir acusações contra adversários políticos de Trump.

Comey foi indicado para dirigir o FBI, a polícia federal investigativa dos Estados Unidos, em 2013 pelo então presidente Barack Obama, e foi demitido por Trump em 2017.

O magnata republicano o removeu do cargo em meio a uma investigação para determinar se algum integrante de sua campanha presidencial havia conspirado com Moscou para fraudar as eleições que venceu em 2016.

No mesmo dia da nova acusação contra o ex-diretor do FBI, um juiz determinou que sua filha Maurene Comey pode proceder com uma ação na qual ela alega que sua demissão como procuradora federal no ano passado foi politicamente motivada.

Trump diz que Irã ‘não consegue se acertar’ nas negociações e precisa ‘ficar esperto logo’

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos/JIM WATSON / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (29) que o Irã “não consegue se acertar”, em meio ao impasse nas negociações para encerrar a guerra entre os dois países.

Eles não sabem como assinar um acordo não nuclear. É bom que eles fiquem espertos logo“, acrescentou Trump em postagem na Truth Social.

A publicação veio acompanhada de uma foto de Trump segurando um fuzil, com explosões ao fundo, e a legenda “Chega de Sr. Cara Legal!”.

No começo da semana, o Irã apresentou aos EUA uma proposta para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, caso Washington adie conversas sobre o programa nuclear de Teerã e suspenda o bloqueio a portos iranianos. A oferta foi recebida com ceticismo pelo governo Trump, segundo o The Wall Street Journal.

Rei Charles e rainha Camilla trocam peças históricas e joias com os Trumps

O rei Charles e a rainha Camilla trocaram presentes de história entre o Reino Unido e os Estados Unidos com o presidente Donald Trump e a primeira-dama Melania Trump, além de uma peça de joalheria futuristicamente elaborada.

Charles está apresentando ao presidente “uma cópia emoldurada dos planos de design de 1879 para a Resolute Desk”, de acordo com um comunicado do Palácio de Buckingham. A escrivaninha, que fica no Salão Oval, foi feita a partir do navio de exploração britânico H.M.S. Resolute.

Trump está dando ao rei “uma cópia personalizada de uma carta escrita por John Adams a John Jay em 1785”, conforme o mesmo comunicado.

Na carta, Adams descreve sua recepção como o primeiro embaixador dos EUA no Reino Unido, onde o rei George III disse que “embora ele fosse ‘o último a consentir com a separação’, seria o primeiro a aceitar a amizade dos EUA.”

A rainha está presenteando a primeira-dama com um broche da designer de joias britânica Fiona Rae, cujo trabalho, segundo o palácio, é uma “fusão de habilidades artesanais tradicionais com os mais recentes avanços em tecnologia e design auxiliado por computador”, uma possível alusão ao interesse de Melania Trump em IA e tecnologias avançadas.

E a primeira-dama está dando à rainha seis colheres de chá Tiffany’s da coleção “English King Sterling Silver”, junto com um pote de mel da Casa Branca, um reflexo do interesse de Camilla pela apicultura. A Blair House escolheu esse padrão de talheres em 1987 para receber chefes de Estado e dignitários.

Trump afirma que Irã está em “estado de colapso” e pede a reabertura do Estreito de Ormuz

Presidente norte-americano discursa em frente à Casa Branca, nesta terça-feira/Foto: Mandel Ngan/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que as autoridades iranianas se encontram em um “estado de colapso”, razão pela qual teriam solicitado a ele a abertura do Estreito de Ormuz, enquanto resolvem uma suposta crise interna de liderança que Washington vem apontando há dias, em meio às tensões no processo de negociações iniciado para tentar chegar a um acordo após a ofensiva lançada de surpresa em 28 de fevereiro pelas forças israelenses e americanas contra o país asiático.

O Irã acaba de nos informar que se encontra em um ‘estado de colapso’. Eles querem que ‘abramos o estreito de Ormuz’ o mais rápido possível, enquanto tentam resolver sua situação de liderança (o que acredito que conseguirão!)“, declarou o chefe da Casa Branca em suas redes sociais.

O porta-voz do Ministério da Defesa iraniano, Reza Talaei-Nik, havia destacado horas antes, em declarações divulgadas pela emissora de televisão pública iraniana IRIB, que “os Estados Unidos devem aceitar que precisam abandonar suas exigências ilegais e irracionais” e destacou que “hoje em dia, todo mundo considera os Estados Unidos e o regime sionista – em referência a Israel – como símbolos do terrorismo de Estado”.

Washington e Teerã estão imersos em um processo de diálogo, mediado pelo Paquistão, para tentar chegar a um acordo para o fim do conflito no Oriente Médio. No entanto, as divergências nas posições têm impedido, até o momento, a realização de uma segunda reunião na capital paquistanesa, Islamabad, que sediou um primeiro encontro presencial após o acordo de cessar-fogo de 8 de abril, prorrogado desde então sem prazo determinado pelo presidente dos Estados Unidos.

Irã vai tomar decisão sobre negociações com os EUA, diz chanceler a Putin

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou no encontro com o presidente russo Vladimir Putin desta segunda-feira (27) que o país “tomará a decisão apropriada em relação ao atual processo diplomático” à luz do conflito no Oriente Médio.

O encontro também incluiu discussões detalhadas sobre “a guerra e a agressão” dos Estados Unidos e de Israel.

Araghchi informou Putin sobre um processo diplomático mediado pelo Paquistão, cujo objetivo é encerrar completamente o que ele chamou de “guerra imposta” e estabelecer paz e segurança na região do Golfo Pérsico, incluindo o Estreito de Ormuz, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores do Irã.

O Irã está reavaliando como proceder com a diplomacia para pôr fim à guerra, disse Araghchi, citando a ação militar dos EUA e de Israel contra o Irã e o que ele descreveu como a abordagem desestabilizadora de Washington nas negociações.

Araghchi atribuiu o progresso lento ao que chamou de “hábitos destrutivos” de Washington. Ele afirmou que esses hábitos incluem insistir em “exigências descabidas”, mudar de posição frequentemente, usar retórica ameaçadora e violar repetidamente compromissos.

A viagem de Araghchi à Rússia ocorre após visitas recentes a Omã e ao Paquistão. Anteriormente, ele entregou a autoridades paquistanesas uma lista de “linhas vermelhas” para transmitir aos EUA, incluindo questões nucleares e o Estreito de Ormuz.

Enquanto isso, o ministro da Defesa russo, Andrei Belousov, reuniu-se nesta segunda-feira (27) com o vice-ministro da Defesa iraniano, Brigadeiro-General Reza Talaei-Nik.

Belousov afirmou em comunicado que a Rússia apoia a resolução do conflito “exclusivamente por meios diplomáticos”, defende a soberania e a integridade territorial do Irã e está “pronta para fazer todo o possível” para ajudar a resolver a situação.

Jornalistas seguem proibidos de acessar a sede do governo argentino

Associações expressaram preocupação diante da medida tomada pelo presidente Javier Milei/Tânia Rêgo/Agência Brasil

Jornalistas credenciados continuavam, nesta segunda-feira (27), sem poder entrar na Casa Rosada, sede do governo argentino, quatro dias depois de o governo de Javier Milei ter bloqueado seu acesso sob a acusação de espionagem, medida que levou a um apelo ao diálogo por parte da Igreja Católica.

Monsenhor Jorge Lozano, responsável pela Comunicação Social do Episcopado, esteve nesta segunda-feira na Praça de Maio, em frente à sede do governo, para se solidarizar com os jornalistas que não puderam entrar em seu local habitual de trabalho.

Estamos surpresos com a decisão de cancelar a autorização de todos os que estão credenciados“, disse Lozano à AFP. “Da nossa parte, vamos continuar promovendo o diálogo, estamos dispostos a viabilizar encontros ou o que for necessário“, acrescentou.

No local, alguns dos jornalistas credenciados na Casa Rosada evitaram se expor às câmeras por medo de represálias. “Agora somos ‘credenciados da Praça de Maio’, é lamentável“, disse um deles, sob condição de anonimato.

A medida inédita foi adotada na quinta-feira passada (23), quando cerca de 50 jornalistas credenciados foram impedidos de entrar na Casa Rosada “de maneira preventiva”, segundo informou então o governo.

O jornal Ámbito Financiero apresentou na sexta-feira um pedido de amparo judicial, e o sindicato de imprensa de Buenos Aires (Sipreba) prepara medidas semelhantes.

“São vários os direitos que estão sendo violados, e isso nos preocupa muito. De um lado, a liberdade de expressão dos jornalistas, o direito que eles têm de informar e o direito que a sociedade tem de conhecer as questões relacionadas aos atos de governo”, disse o religioso.

Em comunicado também nesta segunda-feira, a Igreja católica, por meio do Episcopado, pediu “diálogo e entendimento” e a “erradicação dos discursos de ódio”.

O governo não se pronunciou sobre o tema.

A Casa Militar, responsável pela segurança da Casa Rosada, impulsionou uma investigação judicial contra dois jornalistas do canal Todo Noticias por terem filmado em locais supostamente restritos e sem autorização.

Os jornalistas alegaram que tinham permissão e que os locais filmados costumam ser visitados até mesmo por crianças em excursões escolares.

Milei mantém uma relação áspera com a imprensa, que costuma desqualificar com insultos e, nas redes sociais, com a sigla NOLSALP: “Não odiamos os jornalistas o suficiente“.

A Associação de Jornalistas da República Argentina (Apera), a Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa) e o Fórum de Jornalismo Argentino (Fopea) expressaram preocupação.

A decisão adotada afeta diretamente a liberdade de expressão e o direito à informação, pilares fundamentais do sistema democrático“, afirmou a Adepa.

Rei Charles III chega aos EUA para reforçar vínculos com Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, a primeira-dama Melania Trump, o rei Charles III da Grã-Bretanha e a rainha Camilla da Grã-Bretanha durante visita dos monarcas ingleses aos EUA/Foto: AFP

O rei Charles III iniciou nesta segunda-feira (27) uma visita de Estado aos Estados Unidos destinada a reforçar os laços com Donald Trump, em meio a fortes medidas de segurança após um ataque durante um jantar ao qual o presidente americano comparecia.

A viagem estava prevista para comemorar o 250º aniversário da independência dos Estados Unidos dos antepassados do monarca britânico. Mas as tensões em torno da guerra com o Irã abalaram a chamada “relação especial” entre os dois países.

Charles e a rainha Camilla aproveitarão agora sua visita de quatro dias — a primeira em solo americano desde que ele assumiu o trono em 2022 — para realizar uma ofensiva de charme diplomático dirigida a Trump, conhecido por seu interesse pela realeza.

O casal real chegou à Base Conjunta Andrews, perto de Washington, D.C., em um avião com a bandeira britânica pintada na cauda, e desceu por uma escada coberta por um tapete vermelho.

Esta é a primeira viagem do monarca britânico aos Estados Unidos desde que se tornou rei em 2022.

A visita “honrará a relação especial e de longa data entre os Estados Unidos e o Reino Unido”, disse nesta segunda-feira a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.

Trump e a esposa, Melania Trump, receberão Charles e Camilla na Casa Branca nesta segunda-feira, antes de convidá-los para tomar chá e fazer uma visita guiada a uma nova colmeia instalada pela primeira-dama.

Na terça-feira, os Trump se reunirão com Charles e Camilla no Salão Oval e oferecerão um jantar de Estado. Charles também se tornará o primeiro monarca britânico a discursar no Congresso desde que sua mãe, a falecida rainha Elizabeth II, o fez em 1991.

Os reis chegarão a Nova York na quarta-feira, onde visitarão o memorial do Atentados de 11 de setembro de 2001, antes de partir na quinta-feira para Bermudas, na primeira visita de Charles III a um território britânico ultramarino como monarca.

“Não é Churchill”

O Palácio de Buckingham informou que a visita de Estado aos Estados Unidos seria mantida apesar do ataque a tiros no jantar anual de correspondentes da Casa Branca, ao qual Trump compareceu, no sábado em Washington.

Charles ficou “imensamente aliviado” ao saber que Trump e outros convidados saíram ilesos, acrescentou o palácio.

Christian Turner, embaixador britânico nos Estados Unidos, afirmou em uma coletiva em Washington no domingo à noite que, após amplas discussões, “todos estamos muito seguros de que todas as medidas de segurança apropriadas foram adotadas” para a visita de Estado.

No entanto, a ofensiva do presidente americano contra o Irã abriu uma fissura incomum entre Londres e Washington, e a visita provocou forte polêmica.

Trump criticou repetidamente o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, por sua oposição à guerra, assim como pelas políticas de imigração e energia de seu governo.

O presidente americano destacou que Starmer “não é Winston Churchill”, em referência ao primeiro-ministro em tempos de guerra que cunhou a expressão “relação especial” entre os dois países.

Starmer criticou publicamente a guerra, mas defendeu a visita de Estado.

Para Trump, a visita do rei Charles pode ajudar a reparar as relações transatlânticas.

Ele é meu amigo há muito tempo, então vem aqui e vamos nos divertir muito”, declarou no domingo à Fox News o presidente de 79 anos, que por sua vez visitou o Reino Unido em setembro.

Craig Prescott, especialista em monarquia da Royal Holloway, University of London, afirmou que é provável que Charles aborde a guerra — “o grande elefante na sala” — de forma indireta na terça-feira diante do Congresso dos Estados Unidos.

A viagem representa um desafio pessoal para Charles, de 77 anos, que tem lutado contra o câncer nos últimos anos.

Enquanto isso, o escândalo envolvendo o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein ameaça ofuscar a turnê.

Charles enfrentou uma grave crise por causa da amizade de seu irmão, o ex-príncipe Andrew, com o bilionário, que morreu na prisão em 2019.

Irã apresenta nova proposta aos EUA para reabrir o Estreito de Ormuz

Estreito de Ormuz/Foto: SAHAR AL ATTAR / AFP

Nesta segunda-feira (27), o portal Axios noticiou que o Irã apresentou aos Estados Unidos uma nova proposta para reabrir o Estreito de Ormuz e terminar à guerra, mas adiando as negociações sobre o programa nuclear do país.

A mídia cita que fontes revelaram, sob anonimato, que o presidente dos EUA, Donald Trump, estuda com a sua equipe o atual impasse nas conversações, que incluiu a possibilidade de retomar ou não os ataques apos ter prorrogado recentemente o cessar-fogo. Trump também cancelou as viagens dos seus principais enviados, Steve Witkoff e Jared Kushner, para o Paquistão, onde realizariam mais uma rodada de negociações no fim de semana com a delegação iraniana. No entanto, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi abandonou Islamabad sem dialogar com os enviados.

Mas, Araghchi apresentou na capital paquistanesa aos principais mediadores do conflito, o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, e o chanceler paquistanês, Mohammad Ishaq Dar, um plano para contornar a questão nuclear, propondo que a trégua se prolongue ou que ambas as partes acordem o fim definitivo da guerra, deixando as negociações nucleares para mais tarde, após a reabertura do estreito e a suspensão do bloqueio. No entanto, fontes diplomáticas indicam que a liderança iraniana não tem consenso sobre como responder às exigências norte-americanas para suspender o enriquecimento de urânio durante pelo menos uma década e retirar o urânio enriquecido do país.

Araghchi ainda esteve no fim de semana em Omã e a declarou que discutiu sobre os interesses partilhados no Estreito de Ormuz. “A passagem segura pelo Estreito de Ormuz é agora uma questão global importante e, naturalmente, devemos dialogar com os Estados costeiros deste estreito para que os nossos interesses comuns possam ser assegurados e nos mantenhamos coordenados em quaisquer ações tomadas”, disse.

Já o líder norte-americano alegou que o cancelamento da ida dos seus enviados se deveu a Teerã não apresentar uma proposta de acordo satisfatória e, que por sua vez não tem pressa em alcançá-lo.

Mas, Trump determinou a manutenção do bloqueio naval dos EUA aos portos do Irã que, segundo o Departamento do Tesouro, afeta 90% do comércio marítimo iraniano. O Comando Central confirmou no domingo que já impediu a passagem de 38 embarcações na zona, cujo objetivo é sufocar a economia do país por meio das suas exportações de petróleo e eliminar a sua capacidade operacional.

Entretanto, o governo de Teerã afirma que a maioria dos navios que atravessaram o Estreito de Ormuz nos últimos dias seguiu uma rota designada pelas autoridades iranianas, e cerca de metade fez cargas em portos iranianos. Estes dados recentes forma admitidos pela empresa de informações marítimas Kpler. A Kpler informou que 17 navios foram identificados como tendo atravessado o estreito entre sexta-feira e domingo, entre eles, quatro grandes petroleiros carregados. Dois destes petroleiros partiram de portos iranianos e outros dois dos Emirados Árabes Unidos.

O tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz nos últimos dois meses tem se mantido em cerca de 5% da média diária pré-guerra, causando escassez de produtos refinados e fertilizantes, especialmente na Ásia. O Irã garante que manterá o controle sobre o estreito, enquanto o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse na semana passada que o Irã teria em breve de deixar de produzir crude por falta de armazenamento e de rotas de exportação. Enquanto isso, os meios de comunicação estatais iranianos negaram que o país não tenha capacidade de armazenamento para o seu petróleo.

Com o bloqueio de Ormuz, o preço do barril de petróleo Brent mantém a tendência de alta e subiu hoje cerca de 2,66%, chegando à média de 109,09 dólares, em decorrência da falta de avanços concretos nas negociações entre Washington e Teerã.

Julgamento de Netanyahu por corrupção é novamente adiado

Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu/ALEX KOLOMOISKY / POOL / AFP

O depoimento do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que estava previsto de ser retomado hoje (27) após um adiamento relacionado com a guerra de Israel contra o Irã, foi suspenso uma hora antes do início, por causa de “preocupações de segurança” argumentadas pelo advogado, Amit Hadad.

Segundo publicação das mídias israelenses Canal 12 e Ynet, que citaram o advogado de Netanyahu, não foi ainda anunciada uma nova data para a continuação do julgamento do premiê.

Netanyahu também solicitou formalmente um indulto ao presidente de Israel, Isaac Herzog, em novembro do ano passado. Mas, no último domingo, Herzog disse que não analisará o pedido até que as tentativas de se chegar a um acordo extrajudicial com a acusação se esgotem.

Antes do começo da guerra contra o Irã, o primeiro-ministro israelense comparecia ao tribunal três vezes por semana para o julgamento dos casos em que é acusado de corrupção. Netanyahu enfrenta três processos judiciais; dois casos por fraude e abuso de confiança, e um caso de corrupção considerado grave. Este último é referente a alegados favores concedidos pelo premiê, quando ainda era ministro das Comunicações, ao empresário Shaul Elovich, que controlava a empresa de telecomunicações Bezeq e o portal Walla News, em troca de uma cobertura midiática favorável.

Irã apresenta proposta para reabrir Ormuz e encerrar a guerra, diz agência

Irã apresenta proposta para reabrir Ormuz e encerrar a guerra, diz agência  | CNN Brasil

O Irã, por meio de mediadores paquistaneses, apresentou aos Estados Unidos uma nova proposta para a reabertura do Estreito de Ormuz e encerrar a guerra. Já as negociações sobre o programa nuclear iraniano foram adiadas para uma etapa posterior, informou a agência Axios no domingo (26), citando um funcionário americano e duas fontes com conhecimento do assunto.

O presidente dos EUA, Donald Trump disse no domingo que o Irã poderia telefonar se quisesse negociar o fim da guerra que já dura dois meses e enfatizou que o país jamais poderá ter uma arma nuclear, após Teerã afirmar que o governo americano deveria remover os obstáculos a um acordo, incluindo o bloqueio aos portos iranianos.

As esperanças de retomada dos esforços de paz diminuíram no sábado (25), quando Trump cancelou a visita de seus enviados, Steve Witkoff e Jared Kushner, a Islamabad, no Paquistão. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, viajou entre o Paquistão e Omã, países mediadores, no domingo, antes de seguir para a Rússia, onde deve se encontrar com o presidente Vladimir Putin.

Os preços do petróleo subiram, o dólar teve uma leve alta e os futuros das ações americanas recuaram no início do pregão asiático desta segunda-feira (27), após o impasse nas negociações de paz, que deixou o transporte marítimo no Golfo bloqueado.

Se eles quiserem conversar, podem vir até nós ou podem nos ligar. Sabe, temos um telefone. Temos linhas seguras e confiáveis”, disse Trump ao programa “The Sunday Briefing” da Fox News.

“Eles sabem o que precisa constar no acordo. É muito simples: eles não podem ter armas nucleares, caso contrário não há motivo para se reunirem”, disse Trump.

O Irã há muito exige que Washington reconheça seu direito de enriquecer urânio, algo que Teerã afirma buscar apenas para fins pacíficos, mas que as potências ocidentais dizem ter como objetivo a construção de armas nucleares.

Embora um cessar-fogo tenha interrompido os combates em grande escala no conflito, que começou com ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, nenhum acordo foi alcançado sobre os termos para encerrar uma guerra que matou milhares de pessoas, elevou os preços do petróleo, alimentou a inflação e obscureceu as perspectivas de crescimento global.

Suspeito de ataque em jantar com Trump deve ir ao tribunal hoje (27)

Cole Tomas Allen, a suspect in the shooting incident at the White House Correspondents' Association dinner, lies on the floor after being detained by law enforcement personnel, in Washington, D.C., U.S., April 25, 2026, in this screengrab from a video. Bill Frischling/ CQ Roll Call/Handout via REUTERS THIS IMAGE HAS BEEN SUPPLIED BY A THIRD PARTY. NO RESALES. NO ARCHIVES. MANDATORY CREDIT. VERIFICATION Reuters was able to verify the location from flooring, lights, television, and windows that match corroborating footage. Reuters was able to confirm the date from file data. The armed man fired at a Secret Service agent, an FBI official told Reuters.

Cole Tomas Allen, de 31 anos, identificado por fontes como o suspeito do ataque a tiros durante o jantar de correspondentes da Casa Branca, em Washington no sábado (25), deve comparecer ao tribunal nesta segunda-feira (27) para ser formalmente acusado.

Ele enfrenta duas acusações: porte de arma de fogo durante um crime violento e agressão a um agente federal com arma perigosa. O motivo da ação ainda não foi esclarecido.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-dama Melania estavam no local no momento do ataque e foram retirados às pressas. Outras autoridades do governo, como o vice-presidente JD Vance, também estavam no evento e foram escoltadas para outro lugar.

O procurador-geral interino, Todd Blanche, afirmou que o suspeito não está cooperando com as autoridades.

O suspeito estava armado com uma espingarda, uma pistola e várias facas e “trocou tiros” com policiais quando foi interceptado e levado sob custódia, disse o chefe interino da Polícia de Washington, DC, Jeffery Carroll, aos repórteres.

Carroll disse que o agressor parecia ser “um indivíduo solitário” e acredita-se que ele tenha se hospedado no Washington Hilton, onde o jantar aconteceu. A polícia isolou o quarto do hotel e está examinando o que há dentro.

Durante a madrugada, agentes do FBI se reuniram em frente a uma casa ligada a Allen em Torrance, um subúrbio de Los Angeles. Fitas policiais foram colocadas ao longo de parte da rua e um holofote foi apontado para a casa.

Segundo registros públicos, o suspeito trabalhava como professor e desenvolvedor de videogames no sul da Califórnia. Ele estudou engenharia e se formou no Instituto de Tecnologia da Califórnia, segundo informações compartilhadas com a CNN.

Um agente do Serviço Secreto foi baleado durante o jantar. A bala atingiu o equipamento de proteção. Segundo Anthony Guglielmi, chefe de comunicações da agência governamental norte-americana, já recebeu alta.

Trump falou durante uma coletiva de imprensa realizada após ser retirado às pressas do jantar. “Parece que eles acham que ele era um lobo solitário. E eu também acho isso”, disse ele sobre o atirador.

Trump diz que “não estava preocupado” com som de tiros durante jantar

Em entrevista ao programa “60 Minutes” da rede de televisão americana CBS, exibida no domingo (26), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discutiu o ataque a tiros ocorrido na noite de sábado (25) durante o Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, em Washington, D.C.

Trump disse que “não estava preocupado” com a possibilidade de haver feridos após o som de tiros ter sido ouvido no Washington Hilton.

Eu não estava preocupado. Eu entendo a vida. Vivemos em um mundo louco”, declarou ele.

Durante a conversa, Trump detalhou como ele e a primeira-dama Melania Trump perceberam a gravidade da situação durante o evento, descrevendo como a atmosfera começou a mudar.

À medida que a situação se agravava, o presidente afirmou que tanto ele quanto a primeira-dama perceberam que o caso era mais sério do que se acreditava inicialmente.

Questionado se Melania estava com medo, ele respondeu: “Bem, eu não quero dizer, e as pessoas não gostam que se diga que elas estavam com medo, mas certamente, quero dizer, quem não estaria numa situação dessas?”

Naquele momento, acho que ela percebeu que aquilo era mais uma bala do que uma bandeja”, acrescentou Trump, referindo-se aos ruídos que se ouviram. “Ela parecia muito chateada com o que tinha acabado de acontecer”.

O líder americano disse que pode ter retardado a resposta do Serviço Secreto dos Estados Unidos quando tiros foram disparados no jantar, porque “queria ver o que estava acontecendo“.

Durante a conversa, Trump acusou membros da imprensa de serem “quase a mesma coisa” que o Partido Democrata quando questionado se o tiroteio mudaria seu relacionamento com a mídia.

Depois que a jornalista Norah O’Donnell, da CBS, leu para ele trechos dos manifestos do suspeito do ataque, o presidente adotou uma postura defensiva, chamando-a de “uma vergonha”.

Quem é Cole Allen, suspeito de ataque a tiros em jantar com Trump

O suspeito do tiroteio em um jantar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi identificado como um homem chamado Cole Tomas Allen, de 31 anos, segundo fontes policiais a par das últimas informações.

O homem seria residente de Torrance, na Califórnia, uma cidade costeira que faz parte da área de South Bay, adjacente a Los Angeles e banhada pela Baía de Santa Mônica.

Segundo informações do chefe do departamento de polícia do Distrito de Columbia, Allen estava hospedado no hotel Washington Hilton, onde acontecia o jantar do líder norte-americano com jornalistas. Até o momento, não está claro o motivo do tiroteio.

Em uma coletiva de imprensa após ter sido retirado às pressas do evento, Trump afirmou que a suspeita é de que o atirador seja um “lobo solitário”.

“Parece que eles acham que ele era um lobo solitário. E eu também acho isso”, disse o presidente. Ele também descreveu o suspeito como “um cara que parecia bem malvado quando estava caído”.

Um perfil do LinkedIn com o nome de Allen o descreve como “engenheiro mecânico e cientista da computação por formação, desenvolvedor de jogos independente por experiência e professor por vocação“.

Ele obteve o diploma de bacharel em engenharia mecânica pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) em 2017 e o título de mestre em ciência da computação pela Universidade Estadual da Califórnia em Dominguez Hills em 2025, de acordo com o perfil. O Caltech afirmou em um comunicado que uma pessoa com esse nome se formou em 2017.

De acordo com informações desse perfil, o suspeito trabalhou nos últimos anos como professor em tempo parcial na C2 Education e como desenvolvedor de jogos autônomo. Anteriormente, trabalhou como engenheiro mecânico na empresa IJK Controls em South Pasadena por um ano e, antes disso, como assistente de ensino no Caltech.

Há também uma publicação sobre um artigo de jornal local “sobre uma competição de robótica que minha equipe venceu” no Caltech em 2016.