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Trump sofre quarta ameaça armada em dois anos após tiroteio e lockdown na Casa Branca

Donald Trump, presidente dos EUA/AFP

Agentes do Serviço Secreto dos Estados Unidos trocaram tiros com um homem que abriu fogo próximo à Casa Branca no final da tarde deste sábado (23), por volta das 18h locais (19h de Brasília). O atirador, identificado no início da madrugada pelo The New York Times como Nasire Best, sacou de uma arma que trazia numa mochila e disparou entre 20 a 30 tiros. Baleado pelos agentes na resposta, o homem foi levado para o hospital, onde acabou por morrer.

Um pedestre também foi atingido durante a troca de tiros e encontra-se em estado crítico, segundo fontes informaram à CNN. Nenhum dos agentes de segurança ficou ferido. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que se encontrava na residência oficial no momento do incidente, também não sofreu quaisquer ferimentos.

Devido ao tiroteio, a Casa Branca acionou um protocolo de isolamento (lockdown) que durou cerca de 40 minutos para garantir a proteção do presidente e dos funcionários. Autoridades disseram à agência Reuters que o atirador sofria de “distúrbios emocionais” e que já existia uma medida preventiva emitida contra ele anteriormente.

O caso está sob investigação das autoridades americanas. Esta é a quarta ameaça armada sofrida por Trump em menos de dos anos. Na principal delas, durante a campanha de 2024, o governante sobreviveu a duas tentativas de assassinato, incluindo o episódio em julho desse ano, no qual uma bala lhe atingiu de raspão a orelha enquanto discursava em Butler, no Estado da Pensilvânia.

Detalhes de acordo entre EUA e Irã começam a surgir após Trump anunciar avanços

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos/JIM WATSON / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que um acordo com o Irã sobre a guerra no Oriente Médio, incluindo a reabertura do Estreito de Ormuz, foi “em grande parte negociado” após conversas, no fim de semana, com Israel e outros aliados na região.

Mas outras autoridades recomendaram cautela neste domingo. O secretário de Estado, Marco Rubio, observou que “houve progresso significativo, embora não progresso final” nas negociações.

Rubio, em uma visita de quatro dias à Índia para reuniões com autoridades indianas, australianas e japonesas, disse esperar que haja boas notícias nas próximas horas.

As negociações conseguiram atender a um dos principais objetivos de Trump, disse Rubio: “um mundo que não precise mais temer ou se preocupar com uma arma nuclear iraniana”.

Trump afirmou no sábado (23), que falou com líderes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia e Bahrein e, separadamente, com Israel.

“Os aspectos finais e os detalhes do acordo estão sendo discutidos neste momento e serão anunciados em breve”, disse Trump nas redes sociais, sem dar detalhes.

O anúncio encerrou uma semana em que os EUA avaliaram uma nova rodada de ataques contra a República Islâmica, que quebraria um frágil cessar-fogo.

O possível acordo incluirá o compromisso do Irã de não buscar uma arma nuclear, e Teerã concordou em abrir mão de seu estoque de urânio altamente enriquecido, segundo duas autoridades regionais.

Uma delas, com conhecimento direto das negociações, disse que a forma como o Irã abrirá mão do urânio altamente enriquecido será tema de novas negociações ao longo de um período de 60 dias.

É altamente provável que parte do material seja diluída, enquanto o restante seja transferido para um terceiro país, possivelmente a Rússia, afirmou.

O Irã possui 440,9 quilos (972 libras) de urânio enriquecido a até 60% de pureza, um passo técnico curto em relação aos níveis de 90% considerados grau militar, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica.

O Estreito de Ormuz será reaberto gradualmente, em paralelo ao fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos, afirmou essa autoridade.

Os EUA também permitirão que o Irã venda seu petróleo por meio de isenções às sanções, disse a segunda autoridade, informada sobre as negociações. Alívio de sanções e a liberação de fundos iranianos congelados serão negociados dentro do prazo de 60 dias disse ela.

As duas autoridades disseram que o rascunho do acordo inclui o fim da guerra entre Israel e o Hezbollah, além de um compromisso de não interferir nos assuntos internos dos países da região. Elas falaram sob condição de anonimato para discutir deliberações a portas fechadas.

Homem que efetuou disparos contra agentes perto da Casa Branca foi morto

Agentes do Serviço Secreto mataram a tiros um indivíduo que, segundo a agência, se aproximou de um posto de segurança próximo à Casa Branca na noite deste sábado (23) e atirou contra eles, de acordo com um porta-voz da agência.

Pouco antes das 18h, horário local (19h, em Brasília), um indivíduo se aproximou de um posto de segurança nos arredores do complexo e começou a atirar contra os agentes, disse o porta-voz, citando uma investigação preliminar.

Os agentes revidaram e atingiram o suspeito, que morreu posteriormente em um hospital da região, disse o porta-voz.

Durante o tiroteio, um pedestre também foi atingido por disparos. Ainda não está claro se o pedestre foi atingido pelos disparos iniciais do suspeito ou durante a troca de tiros subsequente”, acrescentou o porta-voz.

Os agentes do Serviço Secreto não ficaram feridos, e o presidente americano, Donald Trump, estava na residência e não foi afetado, disse o porta-voz. Ele foi informado sobre a ocorrência pelo Serviço Secreto, disse um funcionário da Casa Branca.

O pedestre está em estado crítico, de acordo com um agente da lei.

Repórteres da CNN ouviram o que pareciam ser dezenas de tiros perto da Casa Branca no momento, o que levou a um lockdown de aproximadamente 40 minutos para a imprensa no local e a uma rápida resposta do Serviço Secreto.

Os sons dos tiros começaram quase uma hora depois do toque de recolher para a imprensa ter sido decretado às 17h06 — um sinal de que os repórteres não esperavam ver Trump novamente pelo resto do dia. A essa altura, muitos jornalistas e funcionários da imprensa da Casa Branca já haviam deixado o complexo.

Membros da imprensa no gramado norte foram levados às pressas para a sala de imprensa da Casa Branca. Dentro da Casa Branca, os repórteres foram instruídos a se abrigarem enquanto agentes do Serviço Secreto gritavam “abaixem-se” e alertavam sobre “tiros disparados”.

Agentes do Serviço Secreto portando fuzis foram vistos circulando pela área do gramado norte após o incidente e bloqueando a sala de imprensa da Casa Branca. O bloqueio foi suspenso pouco depois das 18h45 (19h45, em Brasília).

A CNN entrou em contato com a Casa Branca, a Polícia Metropolitana de Washington D.C. e o Departamento de Bombeiros e Serviços Médicos de Emergência de Washington D.C. para obter comentários.

O diretor do FBI, Kash Patel, disse que a agência “está no local e apoiando o Serviço Secreto na resposta aos disparos perto da Casa Branca – atualizaremos o público assim que possível”.

Ebola: dez países africanos estão sob alto risco, diz agência

Dados da OMS mostram que, até o momento, 82 casos de ebola foram confirmados na República Democrática do Congo/Foto: SEROS MUYISA/AFP

Dez países africanos estão sob alto risco em meio aos surtos de ebola registrados na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda. A avaliação é do Centro de Controle e Prevenção de Doenças do continente (CDC Africa, na sigla em inglês).

Temos dois países afetados e 10 países com alto risco”, disse o presidente da entidade, Jean Kaseya, durante entrevista coletiva, citando: Sudão do Sul, Ruanda, Quênia, Zâmbia, República Centro-Africana, Tanzânia, Etiópia, Angola, Congo e Burundi.

Segundo Kaseya, fatores como a proximidade com áreas afetadas pelo ebola e a existência de rotas de viagem ou rotas comerciais, além de fronteiras com baixo monitoramento de casos suspeitos contribuem para a classificação de alto risco.

Os demais países do continente, de acordo com o presidente do CDC Africa, foram classificados como em risco de registrar casos importados da doença. “Dependendo da forma como os surtos evoluírem, podemos reconsiderar essa classificação”.

República Democrática do Congo

Na sexta-feira (23), a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou de “alto” para “muito alto” o risco imposto pelo surto de ebola na República Democrática do Congo. O anúncio foi feito pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O surto de ebola da República Democrática do Congo está se espalhando rápido. Anteriormente, a OMS havia avaliado o risco como alto nos níveis nacional e regional e como baixo a nível global”, disse, em pronunciamento.

Dados da OMS mostram que, até o momento, 82 casos de ebola foram confirmados na RDC, além de sete mortes. “Mas sabemos que a epidemia no país é muito maior. Há quase 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas”, destacou o diretor-geral.

Uganda

O Ministério da Saúde de Uganda reportou neste sábado (23) mais três casos confirmados no país, incluindo um profissional de saúde, um motorista e uma mulher congolesa que havia visitado a província de Ituri, na República Democrática do Congo.

Com isso, a OMS atualizou para cinco o número de casos confirmados de ebola em Uganda. “Neste momento crítico da resposta ao surto, é vital que as autoridades mantenham alta vigilância para controlar a expansão do vírus”, avaliou Tedros.

Acordo provisório sobre a guerra no Irã está na fase final, diz autoridade

Um acordo provisório para acabar com a guerra no Irã está em sua fase final e é “bastante abrangente“, disse uma autoridade paquistanesa envolvida nas negociações à Reuters neste sábado (23).

Nunca acaba até que seja concluído”, disse a autoridade.

Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou, em entrevista à CBS News, que os negociadores dos Estados Unidos e do Irã estão “chegando muito amis perto” de finalizar um acordo para encerrar a guerra iniciada no fim de fevereiro.

Ele disse que um acordo final impedirá Teerã de obter uma arma nuclear e garantirá que o urânio enriquecido do Irã seja “tratado de forma satisfatória“, segundo a CBS.

Só assinarei um acordo se conseguirmos tudo o que queremos“, disse Trump.

Progresso nas negociações

O Irã, os Estados Unidos e o mediador Paquistão disseram neste sábado que houve progresso nas negociações para pôr fim a quase três meses de guerra.

Trump disse que discutirá o mais recente esboço de acordo com assessores neste sábado (23), e que pode tomar uma decisão sobre se irá retomar a guerra no domingo (24), disse ele ao Axios em uma entrevista separada.

O presidente americano tem oscilado entre os dois polos da diplomacia e do ataque militar desde que um cessar-fogo foi declarado há seis semanas para permitir que os lados cheguem a um acordo sobre o programa nuclear do Irã e sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, uma rota crítica de fornecimento de petróleo e gás agora controlada por Teerã.

Trump descreveu as chances de chegar a um acordo com o Irã como “um sólido 50 a 50”, em entrevista por telefone ao Axios.

Explosão em mina de carvão na China deixa ao menos 82 mortos

Veículos de emergência chegando à mina de carvão de Liushenyu após uma explosão / AFP

Ao menos 82 pessoas morreram em uma explosão de gás em uma mina de carvão no norte da China, o pior desastre desse tipo no país em 17 anos, o que levou o governo a prometer castigos “severos” contra as atividades de mineração ilegal.

O incidente deixou 82 mortos. Duas pessoas continuam desaparecidas e as buscas em larga escala prosseguem. Outras 128 pessoas ficaram feridas e foram hospitalizadas”, disse Chen Xiangyang, prefeito da cidade de Changzhi, na província de Shanxi, segundo a emissora estatal CCTV.

As autoridades chinesas haviam anunciado anteriormente um número de 90 mortos, mas esse número foi revisado para baixo.

Um total de 247 trabalhadores estavam na mina em Liushenyu quando o incidente ocorreu às 19h29 (08h29 de Brasília) na sexta-feira (22), segundo a agência de notícias Xinhua.

A maioria foi resgatada e levada para a superfície, informou a mesma fonte. Quase 350 socorristas foram mobilizados para o local.

Imagens divulgadas pela emissora estatal CCTV mostram socorristas no local usando capacetes e carregando macas, com várias ambulâncias ao fundo.

Um total de 123 pessoas precisaram de hospitalização, quatro delas em estado grave ou crítico, segundo a emissora estatal CCTV.

O minerador Wang Yong, ferido no incidente, disse à CCTV que de repente viu uma nuvem de fumaça e sentiu cheiro de enxofre. Ele viu várias pessoas ao seu redor sufocando com a fumaça e, em seguida, desmaiou.

Fiquei no chão por cerca de uma hora e acordei sozinho. Gritei para as pessoas ao meu lado e saímos da mina juntos“, disse Wang à CCTV.

Este incidente é o pior desastre em minas na China desde 2009, quando outra explosão matou 108 trabalhadores na província de Heilongjiang, no nordeste do país.

As autoridades prometeram uma investigação “minuciosa” e que “os responsáveis serão severamente punidos, de acordo com a lei“, segundo a agência Xinhua.

O governo também ordenou que “todas as regiões e autoridades competentes (…) tomem uma posição firme contra atividades ilegais e ilegítimas” no setor de mineração e que investiguem e punam os responsáveis, de acordo com a Xinhua.

O presidente chinês, Xi Jinping, pediu que “todos os recursos” fossem mobilizados para cuidar dos feridos e solicitou uma investigação completa do incidente, segundo a agência de notícias estatal.

Xi enfatizou que “todas as regiões e departamentos devem aprender com este acidente, permanecer constantemente vigilantes em relação à segurança no local de trabalho (…) e prevenir e conter com determinação a ocorrência de acidentes e desastres graves”.

Protocolos de segurança frouxos

Uma pessoa “responsável” na empresa envolvida na explosão foi “colocada sob controle de acordo com a lei”, informou a agência Xinhua.

A mídia estatal indicou que níveis de monóxido de carbono, um gás tóxico e inodoro, foram registrados na mina e “ultrapassaram os limites“.

Um relatório inicial indicava quatro mortes e dezenas de pessoas presas nos escombros, algumas em “estado crítico“. O número de mortos rapidamente subiu para dezenas.

Essa mina está localizada a 500 quilômetros a sudoeste de Pequim, na província de Shanxi. A província é uma das mais pobres da China, mas também um importante centro de mineração de carvão.

A segurança nas minas chinesas melhorou nas últimas décadas, assim como a cobertura midiática de incidentes graves, que antes eram frequentemente silenciados. No entanto, acidentes continuam frequentes em um setor onde os protocolos de segurança são muitas vezes frouxos.

Em 2023, 53 pessoas morreram no desabamento de uma mina de carvão a céu aberto na região norte da Mongólia Interior.

Apesar da rápida expansão das energias renováveis, a China é o maior emissor de CO2 do mundo e o maior consumidor de carvão, recurso que considera uma solução confiável para o fornecimento intermitente de energias renováveis.

Só as minas de carvão empregam mais de 1,5 milhão de pessoas neste país asiático.

Novo caso de hantavírus é confirmado em tripulante do MV Hondius

Cruzeiro MV Hondius onde foi registrado um surto de hantavírus/AFP

Um membro da tripulação do navio de cruzeiro MV Hondius, que desembarcou na ilha espanhola de Tenerife e foi repatriado para os Países Baixos, testou positivo para hantavírus, anunciou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, nesta sexta-feira (22).

Os Países Baixos confirmaram hoje um novo caso em um membro da tripulação que desembarcou em Tenerife, foi repatriado para os Países Baixos e está em quarentena desde então“, disse Tedros.

Com isso, o número total de casos suspeitos e confirmados de hantavírus chega a 12, incluindo três pessoas que viajaram a bordo do navio de cruzeiro Hondius e morreram.

Em reunião da OTAN, ministro da Polônia agradece envio de soldados pelos EUA

Ministros dos Negócios Estrangeiros da OTAN/OTAN

Nesta sexta-feira (22), o ministro das Relações Exteriores polonês, Radoslaw Sikorski, agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o anúncio do envio de cinco mil soldados norte-americanos para a Polônia.

Quero agradecer ao presidente Trump pelo anúncio e pelo fato da presença de tropas norte-americanas na Polônia se manterem mais ou menos nos níveis pré-pandemia. Tudo está bem quando acaba bem“, saudou Sikorski, na reunião da Organização do Tratado do Atlântico Norte que ocorre na Suécia.

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, também parabenizou a medida, apesar de ter destacado que a Europa deve continuar a reforçar as suas defesas para reduzir dependências. “Congratulo o anúncio. Mas sejamos claros: o caminho que seguimos é o de uma Europa mais forte e de uma OTAN mais forte, garantindo que, com o tempo, passo a passo, dependamos menos de um único aliado, como temos feito há tanto tempo, que são os Estados Unidos“, disse Rutte, antes do início do encontro dos ministros das Relações Exteriores da aliança militar.

Enquanto a ministra sueca Maria Malmer Stenergard considerou que os sinais e as constantes mudanças de Washington são confusas. “É, de fato, confuso. Mas temos que continuar a fazer o que é preciso. Precisamos ter os Estados Unidos a bordo“, acrescentou.

A reunião da OTAN, em Helsingborg, é uma preparação para a cúpula de julho em Ancara, na Turquia. Na agenda de hoje está o apoio à Ucrânia, os impactos da guerra no Oriente Médio, os orçamentos nacionais de Defesa, cuja meta foi revista no ano passado, para 5% do Produto Interno Bruto até 2035. Assim como será discutida a saída de milhares de efetivos norte-americanos da Alemanha. Rutte diz que embora haja impacto destas movimentações, assegurou que o compromisso dos EUA com a segurança transatlântica se mantém inalterado.

Após meses de críticas à OTAN e avisos sobre reduzir os contingentes americanos nos países europeus da Aliança Atlântica, Trump surpreendeu ontem à noite com a informação do deslocamento dos militares para o território polonês. “Após a bem-sucedida eleição do atual presidente da Polônia, Karol Nawrocki, a quem tive a honra de apoiar, e dada a nossa relação com ele, tenho o prazer de anunciar que os EUA enviarão mais 5 mil soldados para a Polônia“, escreveu na sua rede social, Truth Social.

Além disso, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, havia dito no começo dessa semana que este envio estava adiado, e não cancelado, ao mesmo tempo em que defendeu uma maior autonomia europeia na defesa. “Precisamos de mais soberania e que a Europa se sustente por si só. Esta continua a ser a nossa estratégia na Europa” afirmou.

Trump também já tinha ameaçado suspender a ajuda militar aos aliados europeus que não o apoiassem na guerra contra o Irã. Em maio, o Pentágono inclusive indicou a retirada de cinco mil soldados da Alemanha, que está programada para acontecer em um prazo de seis meses a um ano. A decisão se deve a uma crise diplomática entre os dois países depois do chanceler alemão, Friedrich Merz, dizer que os EUA estavam sendo humilhados por Teerã nas negociações para terminar o conflito no Oriente Médio.

Trump ainda adiantou que esta diminuição do efetivo norte-americano poderia ser até maior e recentemente apontou que avaliava retirar tropas da Itália, após a primeira-ministra Giorgia Meloni ter defendido o Papa Leão XIV dos ataques do presidente dos EUA. Uma vez que o pontífice condenou as ameaças de Trump de eliminar a civilização iraniana caso o país não reabrisse o Estreito de Ormuz, apelando a paz, a desescalada do conflito na região, o diálogo e o respeito aos direitos humanos.

Trump diz que EUA enviarão mais 5 mil soldados para a Polônia

Os Estados Unidos enviarão mais 5 mil soldados para a Polônia, afirmou o presidente americano Donald Trump nesta quinta-feira (21).

Em publicação na rede social Truth Social, Trump citou seu relacionamento com o presidente nacionalista da Polônia, Karol Nawrocki, como a razão por trás de sua decisão de enviar tropas adicionais.

O anúncio foi feito dois dias depois que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, disse a repórteres que o envio de tropas norte-americanas para a Polônia havia sido adiado.

Os EUA vinham revisando a presença de suas tropas na Europa e há muito tempo se esperava que ela fosse reduzida após as exigências de Trump de que a Otan assumisse um papel maior na defesa da Europa.

Com base na eleição bem-sucedida do atual presidente da Polônia, Karol Nawrocki, que tive o orgulho de apoiar, e em nosso relacionamento com ele, tenho o prazer de anunciar que os EUA enviarão mais 5 mil soldados para a Polônia“, disse Trump na publicação.

Trump recebeu Nawrocki na Casa Branca em maio do ano passado e o apoiou em um momento crucial antes da eleição polonesa, na qual Nawrocki derrotou o candidato do partido pró-europeu e centrista do primeiro-ministro polonês, Donald Tusk.

Ele se encontrou com Nawrocki novamente na Casa Branca em setembro e disse, na ocasião, que os EUA poderiam aumentar sua presença de tropas na Polônia e prometeu garantir a defesa do país.

Líder supremo do Irã ordena que urânio permaneça no país

Mojtaba Khamenei/Reprodução/X

Segundo revelaram duas fontes iranianas de alto nível a imprensa, o Líder Supremo do Irã ordenou que o urânio quase apto para fabricação de armas permaneça no país. As fontes disseram que esse posicionamento reflete ainda um consenso entre as principais instituições iranianas sobre a gestão do material.

Em contrapartida, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu nesta quinta-feira (21) que a sua administração não vai deixar que o Irã mantenha o urânio que enriqueceu. “Não. Vamos obtê-lo. Não precisamos dele. Não o queremos. Provavelmente vamos destruí-lo depois de o conseguirmos, mas não vamos deixar que eles fiquem com ele“, declarou.

Trump reiterou que Teerã não vai ter uma arma nuclear e que os EUA vão conseguir satisfazer as suas intenções de uma maneira ou de outra. “Neste momento, estamos em negociações e vamos ver, mas vamos conseguir de uma forma ou de outra. Eles não vão ter uma arma nuclear“, afirmou, acrescentando que se o Irã obtiver uma arma nuclear haverá uma guerra nuclear no Oriente Médio e essa guerra vai chegar aos EUA e na Europa.

O líder norte-americano ainda enfatizou que não vai aliviar a pressão sobre o governo iraniano enquanto não houver um acordo de paz, entretanto não excluiu a hipótese do conflito recomeçar em poucos dias. “A situação esta no limite e as respostas devem ser 100% boas“, frisou.

Por sua vez, o chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio, considera que há sinais positivos de que um acordo com o Irã pode ser alcançado. Porém, considerou não querer ser demasiado otimista. “Vamos ver o que acontece nos próximos dias. A preferência do presidente é chegar a um bom acordo, é essa a sua prioridade. Sempre foi essa a sua preferência. Se conseguirmos chegar a um bom acordo seria ótimo. Mas se não conseguirmos chegar a um bom acordo, o presidente deixou claro que tem outras opções. Não vou entrar em pormenores sobre quais são, pois todos sabem”, completou.

No entanto, o secretário de Estado norte-americano, avaliou que se o Irã decidir cobrar portagens no Estreito de Ormuz, chegar a um acordo se tornará mais difícil.

EUA e Irã trocam mensagens diplomáticas

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Ismail Bagaei, anunciou que o seu país analisa uma nova proposta dos EUA para pôr fim à guerra, em meio às exigências de Trump que o Irã forneça as “respostas certas” sobre as conversações.

O diplomata iraniano confirmou que a troca de mensagens entre os representantes dos dois países decorreu em várias rodadas, sendo que as opiniões dos negociadores norte-americanos estão sendo avaliadas. Bagaei explicou que as duas partes trabalham num texto de 14 pontos apresentado anteriormente pelo Irã e que foram realizadas várias trocas em busca de uma fórmula que satisfaça ambos os lados.

A versão mais recente do texto foi informada a Teerã pelo ministro do Interior paquistanês, Mohsin Naqvi, que chegou na quarta-feira à capital iraniana, na segunda deslocação ao Irã em menos de uma semana. A mídia iraniana diz que o governo pediu a Washington o fim da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, a suspensão das sanções, além da liberação de bens iranianos congelados e a indenização por danos de guerra.

Também o reconhecimento da soberania do Irã sobre o Estreito de Ormuz e o adiamento das negociações sobre o seu programa nuclear foram assuntos solicitados por Teerã, de acordo com fontes da agência France Presse.

Recentemente, o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, garantiu que o país está pronto para enfrentar o que quer que seja. “O adiamento de novos ataques por parte dos Estados Unidos acabam por mascarar uma ameaça de oportunidade para a paz. O Irã, unido e resoluto, está preparado para enfrentar qualquer agressão militar. Para nós, a rendição não tem qualquer significado; ou triunfamos ou nos tornamos mártires”, apontou.

Governo Trump prepara terreno para ação militar com acusação contra Castro

A acusação formal contra o ex-presidente cubano, Raúl Castro, pelo governo Trump visa pressionar ainda mais o regime a aceitar um acordo para abrir sua economia — deixando claro que a ação militar agora é uma opção, caso o presidente americano assim o deseje.

As acusações feitas nesta quarta-feira (20) contra o Castro significam que os EUA agora têm o pretexto necessário para uma operação de captura, semelhante à operação na Venezuela que depôs o ditador Nicolás Maduro e instaurou uma liderança mais amigável.

Mas, com a Casa Branca já ocupada com a guerra contra o Irã, há pouca crença de que outra operação militar seja iminente, pelo menos por enquanto, disseram ex-diplomatas e pessoas próximas à Casa Branca.

O governo não quer realmente prosseguir com a ação militar neste momento, mas obviamente está preparando o terreno para isso”, disse Ricardo Zúñiga, ex-funcionário sênior do Departamento de Estado durante o governo Biden.

Isso potencialmente cria poder de barganha“, acrescentou Zúñiga.

Em vez disso, as autoridades de Trump têm procurado forçar Cuba a um acordo, pressionando cada vez mais sua economia e liderança, na esperança de que a nação seja finalmente forçada a fazer concessões que enfraqueçam o domínio de décadas do regime de Castro.

Isso ainda não produziu um avanço, para frustração de Trump e sua equipe. Mas o presidente continua insistindo que as táticas de linha dura dos EUA acabarão gerando resultados.

Cuba é uma nação falida […] E vamos resolver isso”, disse Trump na terça-feira (19).

Entenda a acusação dos EUA contra Raúl Castro

Os Estados Unidos continuam aumentando a pressão contra Cuba e autoridades do país caribenho. Nesta quarta-feira (20), o governo de Donald Trump revelou acusações criminais contra o ex-presidente Raúl Castro.

Ele é acusado de conspiração para matar cidadãos americanos, destruição de uma aeronave e assassinato. Há outros réus na denúncia, que foi apresentada em 23 de abril.

O atual presidente de Cuba afirmou que as acusações contra Castro são uma “manobra política” sem nenhuma base legal.

Entenda abaixo o caso que levou ao processo dos EUA contra Raúl Castro.

Aviões abatidos por Cuba em 1996

Em 24 de fevereiro de 1996, jatos cubanos abateram dois pequenos aviões pilotados por um grupo conhecido como Irmãos ao Resgate. Os quatro homens a bordo morreram, incluindo três cidadãos americanos.

Uma terceira aeronave da organização conseguiu escapar.

Cuba afirmou que as aeronaves estavam em seu espaço aéreo, enquanto os Estados Unidos alegaram que estavam sobre águas internacionais.

O regime cubano defendeu a ação, declarando que era legítima defesa de seu espaço aéreo.

Mas a posição dos EUA foi posteriormente corroborada pela Organização da Aviação Civil Internacional, que concluiu que o ataque ocorreu sobre águas internacionais.

Quem eram os “Irmãos ao Resgate”?

Durante o regime de Fidel Castro, prisões arbitrárias, repressão brutal à dissidência, intimidação e vigilância eram comuns. Muitos dos que tentavam fugir da ilha não sobreviviam à travessia do Estreito da Flórida.

O grupo tinha sede em Miami e foi fundado por cubano-americanos. Ele afirmava que sua missão era procurar cubanos que fugiam da ilha governada pelo regime comunista em jangadas no Estreito da Flórida.

Assim, faziam voos rotineiros pela costa cubana.

No início de 1996, autoridades cubanas acusaram o grupo de lançar dezenas de milhares de panfletos sobre Havana. O líder do grupo, José Basulto, disse que os panfletos foram lançados sobre espaço aéreo internacional e levados pelo vento até Cuba.

Resposta de Cuba

Fidel Castro, então presidente de Cuba, afirmou após o caso que deu ordens gerais para interromper os voos, mas não ordenou especificamente que fossem abatidos.

Castro pontuou que os militares agiram de acordo com “ordens permanentes” e que seu irmão Raúl, que na época supervisionava os serviços de segurança do país como ministro da Defesa, também não deu uma ordem específica para abater os aviões.

Juan Pablo Roque, ex-integrante do Irmãos ao Resgate, alegou na televisão cubana que o grupo de pilotos havia sobrevoado o espaço aéreo cubano para coletar informações antes de um possível ataque e que planejava contrabandear armas para o país.

Autoridades americanas alegaram que essas acusações eram propaganda e disseram que ele provavelmente era um agente cubano.

Resposta dos EUA após aviões serem abatidos

O então presidente dos EUA, Bill Clinton, ordenou sanções, incluindo a suspensão de voos fretados e a restrição da circulação de diplomatas cubanos, e buscou a cooperação do Congresso para o endurecimento do embargo comercial americano contra Cuba.

No entanto, o governo Clinton não apresentou acusações criminais contra nenhum dos irmãos Castro. O Departamento de Justiça apresentou acusações contra três oficiais militares cubanos em 2003, mas eles nunca foram extraditados.

Trump diz que EUA estão nos “estágios finais” com o Irã

Trump diz que EUA estão nos "estágios finais" com o Irã | CNN Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os EUA estão nos “estágios finais” com o Irã, enquanto busca um acordo que ponha fim à guerra.

Estamos nos estágios finais com o Irã. Veremos o que acontece“, disse Trump na Base Aérea Conjunta Andrews, nesta quarta-feira (20).

Ou chegaremos a um acordo ou teremos que tomar medidas um pouco desagradáveis. Mas espero que isso não aconteça“, continuou.

Trump suspendeu novos ataques contra o Irã que estavam planejados para esta semana, após aliados do Golfo afirmarem que as negociações diplomáticas estavam avançando.

Mas as declarações públicas do Irã não demonstraram grandes mudanças em sua posição de negociação.

De toda forma, o presidente dos EUA indicou não ter “pressa” para chegar a um acordo sobre a guerra.

Vamos tentar desta vez. Não tenho pressa. Idealmente, gostaria de ver poucas pessoas mortas, em vez de muitas. Podemos fazer de qualquer maneira“, comentou.

Mais tarde, em declarações em uma formatura na Academia da Guarda Costeira dos EUA, Trump reforçou a possibilidade de retormar os ataques caso não haja um entedimento.

Acabou tudo. A Marinha deles acabou. A força aérea deles acabou. Quase tudo. A única questão é: vamos lá e terminamos o serviço? Eles vão assinar algum documento? Vamos ver o que acontece“, disse.

Rússia e China criticam sistema Domo de Ouro de Trump e chamam de “ameaça”

A Rússia e a China afirmaram nesta quarta-feira (20) que os planos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o escudo antimíssil Domo de Ouro ameaçam a estabilidade estratégica e que Washington foi irresponsável ao não trabalhar em uma alternativa para o histórico tratado nuclear.

A repreensão foi emitida em uma declaração conjunta após o presidente Xi Jinping receber o presidente Vladimir Putin com uma guarda de honra e uma salva de tiros no Grande Salão do Povo, em Pequim, enquanto crianças agitavam bandeiras chinesas e russas.

O Domo de Ouro prevê a expansão das defesas terrestres, como mísseis interceptores, sensores e sistemas de comando e controle, além da adição de elementos espaciais destinados a detectar, rastrear e potencialmente abater ameaças vindas da órbita. Isso incluiria redes de satélites avançadas e armas orbitais.

As partes acreditam que o projeto ‘Golden Dome’ dos EUA, que visa construir um sistema de defesa antimíssil ilimitado, multinível, multiesfera e global para destruir todos os tipos de mísseis, incluindo todos os tipos de mísseis de ‘adversários equivalentes’, em todos os estágios de seu voo e antes de serem lançados, representa uma ameaça óbvia à estabilidade estratégica“, afirmaram os países em uma declaração.

“Esses planos contradizem completamente o princípio fundamental da manutenção da estabilidade estratégica, que exige a interconexão entre armas ofensivas e defensivas estratégicas.”

A China e a Rússia também lamentaram a “política irresponsável” dos Estados Unidos, que permitiu que o Tratado Novo START de 2010 expirasse sem um substituto no início deste ano.

Moscou declarou apoiar a posição de Pequim de não participar de potenciais negociações sobre o controle de armas nucleares entre EUA e Rússia.

Os críticos americanos da prorrogação do tratado nuclear argumentam que Washington precisa se libertar dos controles para levar em conta o rápido desenvolvimento nuclear chinês.

A Rússia e a China também afirmaram que certas potências nucleares não identificadas planejavam implantar mísseis de alcance intermediário e curto baseados em terra, o que representaria uma ameaça para outros Estados.

Os países disseram que as tentativas de alguns Estados de realizar “ataques preventivos ou proativos com mísseis, a fim de decapitar e desarmar o inimigo, são altamente desestabilizadoras e representam uma ameaça estratégica“.

Nesta quarta-feira (20), a Rússia divulgou o que alegou serem imagens de tropas entregando ogivas nucleares a sistemas móveis de lançamento de mísseis Iskander-M, carregando-as e transportando-as para locais de lançamento como parte de um grande exercício nuclear na Rússia e em Belarus.

China anuncia negociação com EUA para reduzir tarifas

Presidente da China, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump/ AFP

A China concordou em trabalhar com os Estados Unidos para reduzir as tarifas que afetam dezenas de bilhões de dólares em produtos das duas partes, segundo um comunicado do governo chinês publicado nesta quarta-feira (20), poucos dias após a visita do presidente Donald Trump a Pequim.

As duas maiores economias do mundo passaram boa parte de 2025 envolvidas em uma guerra comercial intensa, até que os dois presidentes, Trump e Xi Jingping, estabeleceram uma trégua de um ano durante um encontro na Coreia do Sul, em outubro.

Como resultado da reunião de cúpula na semana passada, os países criaram um conselho comercial, no qual “as partes concordaram, em princípio, em debater um acordo-quadro para a redução recíproca de tarifas sobre produtos de escala equivalente“, segundo o comunicado divulgado pelo Ministério do Comércio chinês.

Os cortes tarifários previstos afetarão mercadorias no valor de “30.000 dólares ou mais para cada parte”, acrescenta o documento publicado na internet e atribuído a um funcionário sob anonimato.

A China espera que “a parte americana cumpra o compromisso” assumido durante a recente rodada de negociações, acrescentou a pasta, que pediu uma prorrogação dos acordos de trégua comercial estabelecidos no ano passado.

O Ministério do Comércio também informou que o país restabelecerá os registros de alguns exportadores de carne bovina dos Estados Unidos, após sua expiração no ano passado, no momento de maior tensão com Washington.

Ao confirmar outro resultado da reunião entre Xi e Trump, o ministério afirmou que a China comprará 200 aviões do grupo americano Boeing, mas não citou o modelo.

A imprensa americana informou nos últimos meses que Pequim estava prestes a fazer um grande pedido ao grupo Boeing que incluiria 500 aviões de corredor único 737 MAX e quase 100 modelos 787 Dreamliners e 777 de maior porte.

A respeito das terras raras, um setor crítico dominado pela China e alvo de severas restrições às exportações implementadas no ano passado, o comunicado não revela muitos detalhes.

As partes trabalharão juntas para estudar e resolver as preocupações legítimas e legais de cada uma“, afirma.

Sobe para 131 o número de mortes relacionadas ao Ebola na RD Congo

Pelo menos 26 mortes suspeitas por Ebola foram registradas em 24 horas no leste da República Democrática do Congo, informaram autoridades nesta terça-feira (19), e o chefe da Organização Mundial da Saúde expressou profunda preocupação com a disseminação do surto.

As novas mortes elevaram para 131 o número total de óbitos associados ao surto no leste da RD Congo. Há 516 casos suspeitos e 33 casos confirmados no país, conforme boletim diário publicado pelas autoridades de saúde, e dois casos confirmados em Uganda, nação vizinha.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou o surto da rara cepa Bundibugyo do vírus uma emergência de saúde pública de interesse internacional no sábado, a primeira vez que um chefe da OMS o faz antes de convocar um comitê de emergência.

O surto alarmou os especialistas porque conseguiu se espalhar por semanas sem ser detectado em uma área densamente povoada e devastada pela violência armada generalizada.

Um surto ocorrido entre 2018 e 2020 no leste da República Democrática do Congo foi o segundo mais mortal já registrado, com quase 2.300 mortes.

Butembo, uma cidade com centenas de milhares de habitantes, registrou seus dois primeiros casos confirmados na segunda-feira (18), relatou Jean-Jacques Muyembe, diretor do INRB do Congo (Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica), à agência de notícias Reuters.

As autoridades ugandenses começaram a restringir a circulação na fronteira entre Ishasha e Kyeshero, afirmou Ambrose Amanyire Mwesigye, um funcionário do governo local, à Reuters, embora tenha afirmado que a fronteira não foi formalmente fechada.

Mais ao sul, congoleses que tentavam cruzar para Ruanda pelas cidades de Goma e Bukavu estavam sendo impedidos na fronteira, informaram repórteres da Reuters. Não foi possível contatar imediatamente autoridades ruandesas para comentar o assunto.

A OMS havia instado os países no sábado a não fecharem suas fronteiras, afirmando que isso poderia levar a travessias informais que não são monitoradas.

Americanos serão levados para a Alemanha

O Ebola, que se espalha por contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, tem uma taxa de mortalidade média de cerca de 50%, explica a OMS.

“Estou profundamente preocupado com a escala e a velocidade da epidemia”, disse Tedros aos membros da Assembleia Mundial da Saúde em Genebra, nesta terça-feira.

A representante da OMS na República Democrática do Congo, Anne Ancia, afirmou que a identificação de casos foi dificultada pela capacidade limitada de diagnóstico para a cepa Bundibugyo, com apenas seis testes possíveis por hora.

Especialistas dizem que os atrasos na detecção do surto mostram lacunas na preparação após cortes nos investimentos dos Estados Unidos e de outros grandes doadores para o financiamento da saúde global.

“Parece que desperdiçamos uma pandemia porque todos voltaram a fazer o que faziam antes”, declarou o ministro da Saúde de Serra Leoa, Austin Demby, em Genebra.

Um americano testou positivo para Ebola, informou o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) na segunda-feira (18).

O indivíduo, identificado como dr. Peter Stafford por sua organização missionária cristã, e outros seis americanos que foram expostos ao vírus foram transferidos para a Alemanha para tratamento e monitoramento, relatou o CDC.

Washington suspendeu a entrada de viajantes que estiveram na República Democrática do Congo, Uganda ou Sudão do Sul nos últimos 21 dias, com algumas exceções, por um período de 30 dias e recomendou que os americanos não viajem para esses países por nenhum motivo.

Em um comunicado divulgado nesta terça-feira, o Africa CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África), principal agência de saúde do continente, afirmou que tais restrições podem prejudicar as economias, dificultar a transparência e complicar as operações humanitárias.

Especialistas tentam desenvolver tratamentos e vacinas

Ao contrário da cepa Zaire, mais comum, não existem terapias ou vacinas específicas aprovadas para a cepa Bundibugyo.

Os EUA, que afirmaram ter mobilizado inicialmente US$ 13 milhões para responder ao surto, estão trabalhando no desenvolvimento de uma terapia com anticorpos monoclonais como possível tratamento, segundo o CDC.

Um painel de especialistas liderado pela Organização Mundial da Saúde se reuniu nesta terça-feira (19) para discutir opções de vacinas que possam ajudar a combater o surto.

Ancia, da OMS, disse que a Ervebo, da Merck & Co. (MRK.N), era uma das candidatas, mas que levaria dois meses para estar disponível.

O presidente americano Donald Trump retirou formalmente os Estados Unidos da OMS em janeiro, após criticar a gestão da pandemia de COVID-19 pela organização.

Ancia afirmou que a organização vinha trabalhando “muito bem” com o governo americano no surto de Ebola, mas que os cortes no financiamento da saúde tiveram um “impacto enorme” na capacidade da organização de combater a doença.