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Kamala e Trump chegam empatados à véspera da eleição nos EUA; veja últimas pesquisas

Kamala e Trump chegam empatados à véspera da eleição nos EUA; veja últimas pesquisas

Kamala Harris e Donald Trump chegam tecnicamente empatados à véspera da eleição presidencial dos Estados Unidos de 2024 — tanto no cenário nacional quanto nos estados-pêndulo, aqueles que decidirão o pleito.

A última pesquisa nacional feita da CNN, conduzida pelo SSRS, mostra que a democrata e o republicano possuem exatos 47% de apoio cada um entre os prováveis eleitores — nos EUA, o voto não é obrigatório, e fazer as pessoas irem às urnas é um dos principais desafios para os candidatos.

Em setembro, os prováveis eleitores ​​se dividiram em 48% para Kamala e 47% para Trump; e uma pesquisa da CNN logo após o presidente Joe Biden ter desistido da disputa revelou que 49% dos eleitores registrados tinham intenção de voto no republicano, e 46% na democrata.

Entretanto, avaliar o cenário nos estados também é importante, por causa do sistema do Colégio Eleitoral. Nele, um número específico de “delegados” é alocado para cada estado. Apenas conquistando o voto de 270 delegados que um dos dois candidatos será eleito presidente.

A média de pesquisas feita pela CNN, levando em consideração o período entre 10 de outubro e 2 de novembro, mostra uma disputa acirrada da mesma maneira entre prováveis eleitores em três estados-pêndulo:

  • Arizona: 49% para Trump x 47% para Kamala
  • Carolina do Norte: 48% para Trump x 47% para Kamala
  • Geórgia: 49% para Trump x 47% para Kamala

Em outros três, a média de pesquisas feita pela CNN, levando em consideração o período de 16 de outubro até 2 de novembro, revela os seguintes resultados de intenção de voto:

  • Michigan: 48% para Kamala x 46% para Trump
  • Pensilvânia: ambos com 48% de apoio
  • Wisconsin: 49% para Kamala x 46% para Trump

No estado de Nevada, a última pesquisa da CNN revelou que Trump tem 48% das intenções de voto, enquanto Kamala possui 47%.

Outros levantamentos também indicam empate

A pesquisa final do New York Times/Siena College também mostra um cenário empatado, dentro da margem de erro, em seis estados-pêndulo, levando em consideração levantamentos que também incluem outros candidatos nas cédulas:

  • Carolina do Norte: 48% para Kamala x 45% para Trump
  • Geórgia: 46% cada
  • Michigan: 45% cada
  • Nevada: 48% para Kamala x 46% para Trump
  • Pensilvânia: 47% cada
  • Wisconsin: 48% para Kamala x 45% para Trump
  • No Arizona, o levantamento indica que Trump tem 48% das intenções de voto, e Kamala, 44%.

Além disso, uma nova pesquisa da NBC News mostra que Kamala Harris e Donald Trump estão empatados nacionalmente entre os eleitores registrados. Em um levantamento que inclui outros candidatos, 47% dos eleitores apoiam Trump, e 46%, Kamala.

Em um confronto direto com aqueles que originalmente disseram que votariam em outros candidatos ou estavam indecisos e se inclinaram para Kamala ou Trump, a disputa está empatada com 49% de intenção de voto para cada um.

O agregador de pesquisas da FiveThirtyEight também indicava empates técnicos no domingo (3):

  • Arizona: 49% para Trump x 46,5% para Kamala
  • Carolina do Norte: 48,4% para Trump x 47,2% para Kamala
  • Geórgia: 48,5% para Trump x 47,1% para Kamala
  • Michigan: 47,8% para Kamala x 47% para Trump
  • Nevada: 47,8% para Trump x 47,3% para Kamala
  • Pensilvânia: 47,9% para Trump x 47,7% para Kamala
  • Wisconsin: 48,1% para Kamala x 47,4% para Trump

Pesquisa em Iowa chama atenção

Um levantamento do Des Moines Register com a Mediacom no estado de Iowa chamou a atenção. Isso porque os dados indicaram uma mudança em direção a Kamala Harris em um estado que Donald Trump venceu os pleitos de 2016 e 2020.

Entretanto, a diferença ainda está dentro da margem de erro, não indicando um líder claro no estado: 47% para a democrata e 44% para o republicano.

O ex-presidente rechaçou a pesquisa e afirmou que ela não é precisa.

Bolsonaro reforça apoio à eleição de Trump: ”Certeza de um mundo melhor”

Ao longo do vídeo de endosso ao republicano Donald Trump, Jair Bolsonaro enaltece bandeiras políticas como defesas de pautas religiosas e de temas relacionados a à liberdade expressão, livre mercado e propriedade privada  (Crédito: ALAN SANTOS/AFP)

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) publicou, neste domingo (3/11), um vídeo em apoio à candidatura do republicano Donald Trump nas eleições norte-americanas. No pleito dos Estados Unidos, previsto para ocorrer na terça-feira (5/11), Trump concorre com a democrata Kamala Harris.

No vídeo (confira abaixo), Bolsonaro justifica ser necessária uma vitória de Trump porque traria a “certeza de um mundo melhor. Sem guerras, sem terrorismo e um retorno à liberdade em sua forma mais pura“.

Ao longo do vídeo de apoio ao republicano Donald Trump, Jair Bolsonaro enaltece bandeiras políticas como a defesas de pautas religiosas e de temas relacionados a à liberdade de expressão, livre mercado e propriedade privada.

Trump diz que não deveria ter saído da Casa Branca após ter perdido eleição de 2020 e zomba de repórteres em seu comício

Donald Trump fez um discurso em tom conspiracionista e sarcástico neste domingo (3), dois dias antes da eleição presidencial nos EUA. Em certo momento, ele afirmou que “não deveria ter deixado” a Casa Branca após a eleição de 2020, a qual ele perdeu para Joe Biden — derrota que ele nunca admitiu.

Em uma fala que durou 90 minutoso candidato republicano observou que havia lacunas nas vidraças à prova de balas ao seu redor. Alguns dos membros da imprensa que acompanhavam Trump no evento em Lititz, Pensilvânia, tinham uma linha de visão através de uma das lacunas.

“Para me pegar, alguém teria que atirar nos ‘fake news’ [jornalistas] e eu não me importo muito com isso”, disse, para seus apoiadores.

Uma das marcas de sua passagem pela Presidência, entre 20217 e 2020, foi o desrespeito com os profissionais da mídia.

Em julho, Trump foi alvo de um atentado durante um comício. Ele foi atingido na orelha por um tiro de um fuzil AR-15 na cidade de Butler, também na Pensilvânia. Na ocasião, um homem que assistia o comício morreu e outros dois foram socorridos em estado grave. O atirador, identificado como Thomas Matthew Crooks, de 20 anos, foi morto pelo Serviço Secreto.

Como costuma fazer, o ex-presidente lançou dúvidas sobre a integridade do processo eleitoral e ressuscitou antigas queixas sobre ter sido processado depois de tentar anular a sua derrota em 2020.

Trump intensificou os seus ataques verbais contra o governo Biden, chamando-o de “grosseiramente incompetente”, e contra os veículos de comunicação norte-americanos, direcionando o seu comício na Pensilvânia, a certa altura, para o tema da violência contra membros da imprensa.

A menos de 48 horas da eleição, Trump disse que só poderá perder para a democrata Kamala Harris se as eleições forem fraudadas, embora as sondagens sugiram uma disputa acirrada entre ambos.

Segundo a agência de notícias Associated Press, alguns dos seus aliados, em especial o ex-estrategista-chefe Steve Bannon, aconselharam Trump a declarar vitória prematuramente na terça-feira, mesmo que os resultados da contagem de cotos ainda sejam inclonclusivos. Foi o que Trump fez em 2020, dando início a um processo de combate aos resultados eleitorais que culminou na invasão do Capitólio por seus apoiadores, em Washington, em 6 de janeiro de 2021.

Kamala Harris diz que votou pelo correio nas eleições presidenciais dos EUA

A candidata democrata à Presidência dos EUA Kamala Harris disse neste domingo (3) que já votou por correio nas eleições presidenciais.

Ela divulgou um vídeo em suas redes sociais em que incentiva seus eleitores a votar.

“Acabei de preencher minha cédula de votação pelo correio”, declarou Kamala a jornalistas no estado-chave de Michigan, a dois dias do pleito. Ela disse, ainda, que a cédula está “a caminho da Califórnia”.

As eleições presidenciais nos EUA acontecem na próxima terça-feira, dia 5, mas diversos estados permitem que os eleitores votem antecipadamente pelo sistema postal.

Kamala Harris vota na Califórnia, estado onde nasceu e onde fez carreira, primeir como promotora de Justiça, e depois como senadora.

Reta final

Neste domingo, o republicano Donald Trump fez uma última campanha na Pensilvânia, o maior dos sete Estados que devem decidir a eleição presidencial dos EUA nesta semana, enquanto a rival democrata Kamala Harris concentrou sua energia em Michigan.

Kamala discrusa em uma igreja em Detroit, a maior cidade de maioria negra dos EUA, antes de ir para East Lansing, uma cidade universitária em um estado industrial que é visto como crucial para a democrata.

Ela enfrenta o ceticismo de alguns dos 200 mil árabes americanos do estado, que estão frustrados por Kamala não ter feito mais para ajudar a acabar com a guerra em Gaza e reduzir a ajuda a Israel. Trump visitou Dearborn, o coração da comunidade árabe-americana, na sexta-feira e prometeu acabar com as guerras no Oriente Médio.

Harris, que se reuniu a portas fechadas com líderes árabes americanos e muçulmanos, concentrou sua energia nos bairros negros no domingo.

As pesquisas de opinião mostram que Trump e Kamala estão em uma disputa acirrada, com a vice-presidente Kamala, de 60 anos, com forte apoio entre os eleitores do sexo feminino, enquanto o ex-presidente Trump, 78 anos, ganha terreno com os eleitores hispânicos, principalmente homens.

De modo geral, os eleitores têm uma opinião desfavorável sobre os dois candidatos, de acordo com a pesquisa Reuters/Ipsos, mas isso até agora não os dissuadiu de votar.

Mais de 76 milhões de americanos já votaram antecipadamente, de acordo com o Laboratório Eleitoral da Universidade da Flórida, aproximando-se da metade do total de 160 milhões de votos recebidos em 2020, que registrou o maior comparecimento dos eleitores dos EUA em mais de um século. O voto não é obrigatório no país.

A Carolina do Norte, outro Estado decisivo, relatou ter estabelecido um recorde quando seu período de votação antecipada terminou no sábado.

A três dias das eleições, troca de acusações entre Trump e Kamala se intensifica

Candidatos continuam em empate técnico nas pesquisas  (foto: David Becker, KAMIL KRZACZYNSKI / AFP)

Kamala Harris e Donald Trump trocaram acusações neste sábado (02) em estados muito disputados na busca pelo voto dos indecisos para as eleições presidenciais da próxima terça-feira nos Estados Unidos.

A vice-presidente democrata e seu rival, o ex-presidente republicano, continuam em empate técnico nas pesquisas enquanto 73 milhões de pessoas já votaram antecipadamente.

Ambos focam nos estados decisivos, onde os candidatos geralmente vencem por uma margem estreita, ao contrário de outros que são tradicionalmente republicanos ou democratas.

Em Atlanta, a capital do estado da Geórgia, a ex-senadora, que almeja se tornar a primeira presidente mulher do país, acusou o rival de considerar “inimigo” todo aquele que discorda dele.

Mas também de ter “nomeado a dedo três membros da Suprema Corte” durante seu mandato (2017-2021) com a intenção de enfraquecer o direito federal ao aborto e de querer reduzir os impostos dos bilionários.

“Machões”

Em um comício na cidade de Scranton, na Pensilvânia, um estado-chave nessas eleições, o presidente Joe Biden insistiu nesse ponto, afirmando que “Trump e seus amigos republicanos querem outro gigantesco corte de impostos para os ricos”.

Sei que alguns de vocês estão tentados a pensar que esses caras são machões”, mas esse “é o tipo de gente que você gostaria de dar um tapa no traseiro“, disparou.

Na Carolina do Norte, Trump voltou a atacar a rival.

Ela fala de unidade e depois me chama de Hitler“, queixou-se de Kamala.

Na verdade, a vice-presidente o chamou de “fascista”, mas não de Hitler.

Ela também citou recentemente uma declaração feita pelo ex-chefe de gabinete da Casa Branca, John Kelly, que afirmou que Trump disse que Adolf Hitler “também fez algumas coisas boas”.

Ela também citou recentemente uma declaração feita pelo ex-chefe de gabinete da Casa Branca, John Kelly, que afirmou que Trump disse que Adolf Hitler “também fez algumas coisas boas”.

O magnata deseja recuperar as chaves da Casa Branca. Se conseguir, ele se tornaria o primeiro presidente com uma condenação penal e quatro acusações criminais em seu histórico.

Trump desenhou um panorama sombrio em que os Estados Unidos se encaminham para uma “depressão“, enquanto a maioria dos economistas acredita que o país goza de boa saúde econômica.

“Vou deixar a pele”

Deveriam dar uma olhada nesses números, são terríveis“, declarou o magnata na Virgínia. “Eu vou deixar a pelo por vocês, e não precisava disso” porque poderia estar “na praia“, acrescentou.

Em uma entrevista à Fox News, Trump criticou um anúncio de televisão democrata que mostra esposas de seus apoiadores votando secretamente em Kamala. “Vocês conseguem imaginar uma esposa que não diz ao marido em quem vai votar?“, questionou ele.

O republicano de 78 anos sabe que, segundo as pesquisas, as mulheres preferem Kamala e os homens, ele.

E é difícil que a tendência tenha mudado depois que Trump comentou que protegerá as mulheres “gostem elas ou não“. “Vou protegê-las“, insistiu neste sábado, omitindo a segunda parte da frase.

Muitas mulheres estão irritadas.

Em sempre fiquei à margem disso, mas hoje há coisa demais em jogo“, declarou em Washington Sheridan Steelman, uma professora de 74 anos que segura um cartaz rosa com a frase: “Avó irritada“.

Em relação à economia, o magnata pretende defender o setor industrial do país, se necessário, com guerras comerciais agressivas e tarifas de até 200%.

Trump endureceu ao extremo sua retórica.

Se Kamala vencer, “cada cidade dos Estados Unidos se tornará um campo de refugiados sórdido e perigoso“, afirmou neste sábado.

Os Estados Unidos agora são um país ocupado” pelos migrantes, disse ele, ressaltando que, se vencer, lançará “o maior programa de deportação da história” do país.

A política internacional está muito presente.

Em Charlotte, na Carolina do Norte, Kamala foi interrompida por manifestantes descontentes com o apoio dos Estados Unidos a Israel na guerra em Gaza.

Uma das razões por estarmos aqui é porque lutamos por nossa democracia e o direito das pessoas dizerem o que pensam, mas agora eu estou falando“, respondeu a candidata.

Todos queremos que a guerra no Oriente Médio acabe, queremos que os reféns voltem para casa e, quando eu for presidente, farei tudo em meu poder para que seja assim“, acrescentou.

Na reta final da campanha, o medo de um possível surto de violência caso Trump perca e se recuse a reconhecer sua derrota, como fez em 2020, vem crescendo.

Trump alega que houve fraude e “trapaças” em estados-chave como a Pensilvânia.

Que trapaceiem porque é isso que fazem, e fazem muito bem, são muito profissionais, mas acredito que temos grandes chances de ganhar no voto popular“, afirmou o republicano na Virgínia.

‘Vote para acabar com a era Trump’: ‘The New York Times’ publica novo editorial contra republicano

Editorial do 'New York Times' pede para eleitores não votarem em Donald Trump — Foto: Reprodução/NYT

O jornal “The New York Times” publicou neste sábado (2) um novo editorial pedindo para os eleitores norte-americanos votarem contra Donald Trump nas eleições presidenciais que acontecem na terça-feira (5).

A publicação, que já havia declarado apoio à candidata democrata, Kamala Harris, no fim de setembro, divulgou um curto texto intitulado “Vote para acabar com a era Trump”. No texto de hoje, que aparece em destaque na homepage do “NYT”, Kamala não é citada.

Ao apontar as críticas no texto, o “New York Times” inclui links para outros artigos do jornal que explicam ou detalham os comportamentos de Trump mencionados no editorial deste sábado.

O jornal diz que o ex-presidente “não é apto para liderar”, “tentou subverter uma eleição e é uma ameaça à democracia”.

O “NYT” também fala que Trump teve participação na decisão da Suprema Corte de junho de 2022 que derrubou o direito ao aborto – um caso conhecido como ‘Roe contra Wade’.

Por fim, o jornal afirma que Trump “mente sem limites”, perseguirá adversários políticos e será responsável por causar prejuízos aos pobres, aos cidadãos de classe média e ao clima.

“Os americanos devem exigir melhor. Vote”, finaliza o texto.

A posição do “NYT” contrasta com a de outro grande jornal norte-americano, o “Washington Post”. Há uma semana, a publicação, que tradicionalmente apoiava os democratas na eleição presidencial, disse que não mais endossaria candidatos a presidente.

A decisão de não apoiar Kamala Harris fez com que o “Post” perdesse mais de 200 mil assinantes, segundo a agência Associated Press.

Veja o editorial do “The New York Times”

Você já conhece Donald Trump. Ele não é apto para liderar. Observe-o. Ouça aqueles que o conhecem melhor. Ele tentou subverter uma eleição e continua sendo uma ameaça à democracia. Ele ajudou a derrubar Roe contra Wade, com consequências terríveis.

A corrupção e a ilegalidade do Sr. Trump vão além das eleições: é todo o seu ethos. Ele mente sem limites. Se for reeleito, o Partido Republicano não o conterá.

O Sr. Trump usará o governo para perseguir oponentes. Ele buscará uma política cruel de deportações em massa. Ele causará estragos para os pobres, para a classe média e para os empregadores.

Um outro mandato de Trump prejudicará o clima, destruirá alianças e fortalecerá autocratas. Os americanos devem exigir melhor. Vote.

Para Kamala, retórica violenta de Trump o desqualifica para a Presidência

Kamala e Trump seguem empatados nas pesquisas de intenção de voto  (foto: ANGELA WEISS, LOREN ELLIOTT / AFP)

Kamala Harris criticou Donald Trump, nesta sexta-feira (1º), por ter insinuado que deveriam apontar rifles “na cara” de uma ex-congressista americana crítica a ele, a quatro dias de eleições presidenciais americanas extremamente acirradas.

A vice-presidente democrata e o ex-presidente republicano percorrem sem descanso os estados mais disputados às vésperas de uma votação que poderá ser decidida em algumas dezenas de milhares de votos.

Mais de 66 milhões de pessoas já votaram antecipadamente, em um sinal de uma participação elevada depois de dois meses de sobressaltos.

Trump parece sobreviver a tudo: uma condenação criminal, quatro indiciamentos e duas tentativas de assassinato.

Os democratas também tiveram sua parcela de surpresas, sobretudo com a desistência do presidente Joe Biden de disputar a reeleição, e suas múltiplas gafes.

Às vésperas das eleições, Kamala e Trump seguem empatados nas pesquisas de intenção de voto e as polêmicas se sucedem.

A última foi protagonizada pelo republicano.

“Vamos colocá-la diante de um rifle”

Vamos colocá-la diante de um rifle, com nove canos atirando contra ela, OK? Vamos ver como ela se sente a respeito. Quando mirarem na cara dela“, disse Trump na quinta-feira referindo-se a Liz Cheney, execrada no Partido Republicano por criticar a recusa de Trump de admitir sua derrota nas eleições presidenciais de 2020.

Nesta sexta-feira, Trump chamou Liz e seu pai, o ex-presidente Dick Cheney, já falecido, de “falcões da guerra“.

Querem recrutar seus filhos para morrerem em guerras e eles nunca vão lutar”, criticou Trump. “Não têm coragem para lutar“, acrescentou.

Kamala Harris, ex-procuradora, contra-atacou: “Isto deve ser desqualificativo. Alguém que queira ser presidente dos Estados Unidos e que use esse tipo de retórica violenta está claramente desqualificado” para o cargo.

Na rede social X, Liz Cheney descreveu Trump como um “homem mesquinho, vingativo, cruel e instável, que quer ser um tirano”.

É assim que os ditadores destroem as nações livres. Ameaçam de morte aqueles que falam contra eles“, escreveu.

Faltam quatro dias para as eleições e os candidatos pedem insistentemente aos americanos para votarem o quanto antes.

Vocês têm que sair e votar porque é agora ou nunca. Se não o fizermos, nunca voltará a acontecer“, disse Trump em um comício em Michigan, no qual criticou os “lunáticos da esquerda radical“, como se refere aos democratas, aos quais culpa pela inflação e a “invasão de migrantes” nos Estados Unidos.

Na cidade de Dearborn, em Michigan, ele se reuniu com a população de origem árabe, um eleitorado que se distanciou dos democratas pelo apoio da Casa Branca à guerra travada por Israel em Gaza.

Em declarações à imprensa, Trump disse que, se vencer, Robert F. Kennedy Jr., herdeiro do clã político mais famoso dos Estados Unidos e um ativista antivacinas, terá “um papel importante” em seu governo “no cuidado com a saúde“.

Mais tarde, o republicano irá a Milwaukee, onde em julho foi escolhido como o candidato de seu partido à Presidência na Convenção Nacional Republicana, com uma orelha enfaixada após ter sido ferido em uma tentativa de assassinato.

“Um homem irritado”

A vice-presidente deu dois comícios em Wisconsin. Trump é “um homem irritado“, disse ela, que “passa o tempo todo tramando vingança“.

Diferentemente de Donald Trump, não acredito que as pessoas que não estão de acordo comigo sejam o inimigo“, afirmou.

À noite, ela dará outro comício em Milwaukee, onde terá o apoio da rapper Cardi B, após ter obtido o respaldo de Beyoncé, Bruce Springsteen, Jennifer Lopez e do superastro do basquete LeBron James.

O estado de Wisconsin se inclinou por Trump em 2016 e por seu sucessor, Joe Biden, em 2020, com menos de um ponto percentual de diferença a cada vez.

A equipe de Trump já começou a aventar nas redes sociais a ideia de que há irregularidades nas operações de votação.

No estado da Geórgia, no sul do país, as autoridades alertaram que um vídeo em que um migrante haitiano afirma ter votado várias vezes é falso. Especialistas o atribuem a uma campanha de desinformação russa.

Teme-se que, em caso de derrota, Trump se negue novamente a aceitar o resultado, ao ponto de muitos anteverem uma explosão de violência.

Os americanos têm viva na memória as imagens da multidão de apoiadores de Trump invadindo e vandalizando o Capitólio, sede do Legislativo, em 6 de janeiro de 2021, na tentativa de impedir a certificação da vitória de Biden um ano antes.

A quatro dias das eleições, Lula diz que Kamala é melhor para os EUA: ‘Estou torcendo’

Kamala Harris e Luiz Inácio Lula da Silva em montagem feita pelo g1 — Foto: Hannah McKay/Reuters e TON MOLINA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (1º) que uma vitória da candidata Kamala Harris nas eleições dos Estados Unidos (EUA) representa um caminho mais “seguro para fortalecer a democracia”.

As eleições norte-americanas estão marcadas para a próxima terça-feira (5). A candidata democrata, que conta com a torcida de Lula, vai enfrentar o ex-presidente Donald Trump, do partido Republicano.

“Com Kamala Harris é muito mais seguro para a gente fortalecer a democracia. Nós vimos o que foi o presidente Trump […], aquele ataque ao Capitólio. Uma coisa que era impensável acontecer nos EUA, porque se apresentavam ao mundo como modelo de democracia. E esse modelo ruiu”, disse.

Lula deu a declaração durante entrevista ao canal francês TF1, nesta tarde. O petista alegou que evita dar palpites sobre as eleições em outros países, mas que, como “um amante da democracia”, apoia a atual vice-presidente norte-americana.

“Temos as mentiras destiladas todo santo dia. Não apenas nos Estados Unidos, mas na Europa, na América Latina, em vários países no mundo. É o nazismo e o fascismo voltando a funcionar com outra cara”, disse o petista.

“E, como eu sou amante da democracia, acho a democracia a coisa mais sagrada que nós conseguimos construir para bem governar os nossos países, eu, obviamente, fico torcendo para a Kamala ganhar as eleições”, concluiu o petista.

Planalto preocupado com chance de vitória de Trump

O Palácio do Planalto vê com receio a possibilidade de Donald Trump vencer o pleito norte-americano.

Pesquisas mais recentes de intenção de voto nos Estados Unidos apontam uma disputa acirrada, com possibilidade de vitória do candidato republicano – o que tem deixado o núcleo duro do governo Lula pessimista.

A preocupação no Planalto tem duas perspectivas: a política e a econômica.

No campo da política, o receio brasileiro é de que a vitória de Trump gere um efeito dominó em vários países, em especial nos latino-americanos, a exemplo do Brasil.

Esses integrantes do governo lembram que em 2016, o republicanos saiu vitorioso na disputa contra a democrata Hillary Clinton e, dois anos depois, Jair Bolsonaro venceu a corrida contra Fernando Haddad (PT) e foi eleito presidente brasileiro.

A avaliação é de que o discurso de extrema direita de Trump tem potencial para influenciar o xadrez político internacional.

Esse receio é externado, principalmente, pelo presidente Lula, que já fez vários discursos em fóruns mundiais sobre o que considera perigos do avanço da extrema-direita no mundo, como o crescimento de discursos de ódio e da xenofobia.

A outra preocupação é com a economia brasileira. O Palácio do Planalto projeta que, com a vitória do republicano, a tendência nos Estados Unidos é de valorização da moeda. E o reflexo do dólar valorizado é a pressão inflacionária no Brasil.

Antevendo essa possibilidade, a equipe econômica brasileira tem reforçado o discurso pela necessidade de uma revisão de gastos públicos, com um pacote robusto de medidas, para que o governo possa fazer o seu dever de casa e cumprir as metas previstas no arcabouço fiscal.

Economist defende voto em Harris e diz que Trump coloca economia global em risco

Kamala Harris em evento na cidade de Las Vegas

A revista britânica The Economist, uma das maiores defensoras do pensamento liberal, publicou um editorial nesta quinta-feira (31) defendendo o voto em Kamala Carris nas eleições dos Estados Unidos que acontecem na semana que vem.

A revista, que se autodefine como “de centro radical”, diz que muitos de seus leitores podem estar inclinados a votar em Donald Trump por considerar Harris uma “marxista radical”, mas alerta que esses eleitores podem estar subestimando os riscos de uma gestão de Trump.

A publicação, que é acompanhada de perto pelo mercado financeiro, questiona a crença de americanos liberais que defendem que “os piores instintos do Sr. Trump” seriam restringidos por sua equipe, pela burocracia, pelo Congresso e pelos tribunais.

E afirma que o país pode até “passar muito bem por mais quatro anos de Sr. Trump, assim como o fez nas presidências de outros homens falhos de ambos os partidos”, mas ao eleger Trump como líder do mundo livre, os americanos estariam colocando “a economia, o Estado de direito e a paz internacional” em risco.

Não podemos quantificar a chance de algo dar terrivelmente errado: ninguém pode. Mas acreditamos que os eleitores que minimizam isso estão se iludindo”, afirma a The Economist.

A revista prossegue dizendo que alguns podem tachá-la de alarmista e admite que seus piores temores sobre o primeiro mandato de Trump não se concretizaram. Mas a publicação pondera que “hoje os riscos são maiores”.

E isso porque as políticas do Sr. Trump são piores, o mundo é mais perigoso e muitas das pessoas sóbrias e responsáveis ​​que frearam seus piores instintos durante seu primeiro mandato foram substituídas por verdadeiros crentes, bajuladores e oportunistas”, afirma.

A revista argumenta que Trump defende medidas como: aplicação de tarifas de 20% sobre importações e de até 500% sobre carros fabricados do México; deportação de milhões de imigrantes irregulares, muitos com empregos e filhos americanos; e cortes de impostos, “embora o déficit orçamentário esteja em um nível geralmente visto apenas durante guerras ou recessão”.

Segundo a Economist, essas políticas seriam inflacionárias, criariam um conflito com o Federal Reserve, o Banco Central americano, e poderiam desencadear uma guerra comercial que acabaria empobrecendo os Estados Unidos.

O editorial afirma que a economia americana “causa inveja no mundo” por ser um mercado aberto, que abraça a destruição criativa, a inovação e a competição e diz que Trump parece querer voltar ao século XIX.

O texto menciona ainda preocupações sobre política externa, alegando que o candidato republicano faz promessas superficiais de trazer paz à Ucrânia, incentiva as ofensivas de Israel e despreza alianças, “que são a maior força geopolítica dos Estados Unidos”. “Arrogância e ameaças podem ajudar o Sr. Trump, mas também podem destruir a Otan”, diz.

Por fim, a revista defende que perto de Trump, Kamala Harris representa a estabilidade. Apesar de dizer que Harris “é uma máquina política decepcionante” e que “parece indecisa e insegura”, a Economist diz que a candidata democrata “abandonou os ideias mais esquerdistas dos democratas” e está fazendo campanha perto do centro.

“Presidentes não precisam ser santos e esperamos que uma segunda presidência de Trump evite o desastre. Mas o Sr. Trump representa um risco inaceitável para a América e o mundo. Se The Economist tivesse um voto, nós o daríamos para a Sra. Harris”, finaliza o editorial.

Biden sugere que eleitores de Trump são ‘lixo’ ao rebater fala sobre porto-riquenhos; fala pega mal e presidente se explica

Presidente dos EUA, Joe Biden. — Foto: REUTERS/Kevin Lamarque

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fez críticas aos apoiadores de Donald Trump nesta terça-feira (29) e sugeriu que eles seriam “lixo” durante tentativa de rebater uma polêmica fala sobre Porto Rico ocorrida em comício marcado por insultos. No entanto, o comentário de Biden pegou mal e ele se retratou horas depois.

Durante discurso ao grupo Voto Latino, Biden disse que os porto-riquenhos são “pessoas boas, decentes e honradas”, e fez o ataque aos trumpistas.

“O único lixo que vejo flutuando por aí são os apoiadores dele (Trump). A demonização dos latinos por ele é inconcebível e antinorte-americana. É totalmente contrária a tudo o que fizemos, tudo o que somos”, afirmou Biden.

O presidente dos EUA se referia a uma fala do humorista Tony Hinchcliffe, que afirmou que Porto Rico é uma “ilha flutuante de lixo no meio do oceano” no domingo (27), durante comício de Trump no Madison Square Garden, em Nova York. Os comentários causaram polêmica em todo o país e podem ter influência na eleição dos EUA.

Horas após o comentário, Biden se explicou e disse que chamou de “lixo” a retórica de ódio entoada pelos apoiadores de Trump, e não as pessoas. “Mais cedo, eu me referi à retórica de ódio sobre Porto Rico proferida pelo apoiador de Trump em seu comício no Madison Square Garden como ‘lixo’ — essa é a única palavra que consigo pensar para descrevê-la. Sua demonização dos latinos é inconcebível. Isso é tudo o que eu queria dizer. Os comentários feitos naquele comício não refletem quem somos como nação”, afirmou o presidente em publicação no X.

Candidato republicano à Casa Branca, Trump utilizou a seu favor o comentário de Biden, para afirmar que a campanha republicana traz “soluções positivas” aos EUA, diferentemente da dos democratas, e que ele lidera uma coalizão com minorias –que ele criticou durante o ciclo eleitoral.

“Agora, além de tudo, Joe Biden chama nossos apoiadores de ‘lixo’. Você não pode liderar os Estados Unidos se não ama o povo americano. Kamala Harris e Joe Biden demonstraram que ambos são inaptos para serem presidentes dos EUA”, disse o republicano nas redes sociais.

Em Washington, Kamala diz que Trump é candidato do ‘caos e da divisão’ e promete ser presidente ‘para todos os americanos’

Kamala Harris faz discurso de campanha em Washington, DC, nos EUA, em 29 de outubro de 2024 — Foto: Hannah McKay/Reuters

Kamala Harris subiu ao púlpito nesta terça-feira (29) em Washington para o comício que marca o ato final de sua campanha para a Presidência dos Estados Unidos.

Em seu discurso, ela classificou seu adversário, Donald Trump, como o candidato do “caos” e da “divisão”, enquanto ela se coloca como a escolha de quem quer a união do país: “Prometo ser a presidente para todos os americanos”, disse a democrata.

A candidata democrata optou por um local na capital chamado Ellipse, logo ao Sul da Casa Branca. A escolha é carregada de simbolismo, visto que foi lá que seu adversário, Donald Trump, fez um discurso para inflamar seus apoiadores no dia 6 de janeiro de 2021, culminando na invasão do Capitólio.

Baseando-se em falsas acusações, Trump não aceitou a derrota para Joe Biden, e seus apoiadores buscavam impedir que os congressistas, reunidos na sede do Legislativo dos EUA, validassem os resultados do colégio eleitoral que confirmaram a vitória do candidato democrata.

“Esta eleição é mais do que apenas uma escolha entre dois partidos e dois candidatos diferentes”, disse Kamala, em seu discurso. “É uma escolha entre termos um país enraizado na liberdade para todos os americanos ou governado pelo caos e pela divisão.”

“Donald Trump passou uma década tentando manter o povo americano dividido e com medo um do outro. Ele é assim, mas América, estou aqui esta noite para dizer que não somos assim. Não somos assim”, discursou Harris, para a multidão.

Ela também aludiu a seu rival à Presidência como “traidor mesquinho” e “projeto de ditador”.

Ao falar sobre suas propostas, Harris defendeu os direitos reprodutivos das mulheres, um assunto pouco abordado por Trump, que escolheu juízes conservadores para a Suprema Corte, que acabaram votando pela derrubada do direito ao aborto no país.

Sobre a imigração, ela disse que vai “remover rapidamente aqueles que chegam aqui fora da lei” — a campanha republicana tem investido na narrativa de uma “invasão” de imigrantes ilegais nos EUA, possibilitada pelo governo democrata.

Kamala faz argumento final contra Trump a uma semana das eleições

Vice-presidente dos EUA e candidata democrata à Casa Branca, Kamala Harris  (foto: Drew ANGERER / AFP)

Kamala Harris vai apelar nesta terça-feira (29) aos americanos para que virem a página e recuperem o otimismo, no local onde Donald Trump discursou a seus apoiadores antes do ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

A ideia é que a vice-presidente e candidata presidencial democrata atue como uma procuradora, sua antiga profissão, e o público como júri.

Ao sul da cerca da Casa Branca, na Elipse, o parque onde se coloca a tradicional árvore de Natal, Kamala destacará que seu rival é “alguém totalmente absorvido por seu infinito desejo de vingança” que não está interessado “nas necessidades do povo americano”, segundo sua equipe de campanha.

A polícia de Washington prevê a presença de mais de 50.000 pessoas.

‘Duas abordagens’

Aquela que pode se tornar a primeira mulher negra presidente dos Estados Unidos enfatizará as “duas abordagens diferentes” para o país. Lembrará que Trump está focado em sua “lista de inimigos” e ela, em uma “lista de tarefas”.

Quando entrou na campanha após a desistência do presidente Joe Biden, a vice-presidente acelerou, permitindo que o partido levantasse o ânimo e assumisse a dianteira nas pesquisas nacionais, mas, com o passar das semanas, a vantagem caiu.

Agora os dois estão nivelados nas pesquisas, com um empate técnico nos sete estados-pêndulos que decidirão o resultado das eleições.

Trump fará um comício à noite em Allentown, na Pensilvânia, talvez o mais importante desses estados decisivos.

A Pensilvânia conta com meio milhão de porto-riquenhos, furiosos com os republicanos desde que, no domingo, um humorista os insultou em comício de Trump em Nova York.

“Há uma ilha flutuante de lixo no meio do oceano neste momento, acho que se chama Porto Rico”, declarou o comediante Tony Hinchcliffe, além de zombar dos latinos dizendo que “adoram fazer bebês”, parodiar judeus e palestinos e debochar de um homem negro, com o estereótipo de que afro-americanos gostam muito de melancia.

A equipe de campanha do magnata republicano tentou se distanciar do humorista, mas, nesta terça-feira, Trump chamou o evento de “festival do amor”.

“Os políticos que fazem isso há muito tempo – 30, 40 anos – disseram que nunca houve um ato tão bonito. Foi como um festival do amor, um absoluto festival do amor, e foi uma honra para mim participar”, afirmou o ex-presidente em um ato de campanha em sua mansão na Flórida.

‘Salvar os Estados Unidos’

Em um discurso mais uma vez marcado por uma feroz retórica anti-inimigração, Trump prometeu “lutar como loucos nos próximos sete dias”.

“Vamos salvar os Estados Unidos, não temos outra opção”, disse, e acusou sua adversária de contar “mentiras” e proferir “calúnias […] muito vergonhosas e realmente imperdoáveis”.

Trump está na defensiva devido às acusações de seu ex-chefe de gabinete na Casa Branca, que afirma que ele se encaixa na definição de fascista e que no passado elogiou Adolf Hitler.

“Eu não sou um nazista”, defendeu-se Trump na segunda-feira em um comício.

O medo de que o caos de quatro anos atrás se repita e Trump volte a se recusar a aceitar o resultado caso perca pesa muito sobre essas eleições.

Steve Bannon, ex-assessor de Trump que foi preso por se negar a depor diante do Congresso sobre o ataque ao Capitólio, foi libertado nesta terça.

Muita coisa mudou na política desde que esse influente podcaster de direita foi preso em 1º de julho. Trump sobreviveu a duas tentativas de assassinato, enquanto Kamala substituiu Biden na corrida à Casa Branca.

A vice-presidente prometeu que os Estados Unidos “não voltarão” à era Trump

Joe Biden vota nas eleições presidenciais dos EUA de forma antecipada em Delaware

Biden esperando na fila de local de votação antecipada — Foto: REUTERS/Craig Hudson

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, votou antecipadamente na eleição presidencial, que acontece no dia 5 de novembro, nesta segunda-feira (28), em seu estado natal, Delaware.

Biden, que desistiu de sua candidatura à reeleição em julho, foi a um local de votação antecipada em New Castle, onde ajudou uma idosa em cadeira de rodas e esperou na fila por sua vez de ir à cabine.

Questionado por jornalistas sobre as preocupações em torno do possível uso de tropas norte-coreanas pela Rússia no conflito com a Ucrânia, o presidente americano disse que o cenário é “muito perigoso”.

Sobre o fato de Elon Musk estar doando cheques de US$ 1 milhão através de um sorteio realizado através do comitê America PAC em estados-pêndulo, Biden classificou: “Inapropriado”.

Insultos a Porto Rico em comício de Trump acabam por beneficiar Kamala

Candidato republicano Donald Trump durante comício no Madison Square Garden, em Nova York, em 27 de outubro de 2024. — Foto: REUTERS/Brendan McDermid

Donald Trump queria fazer do Madison Square Garden um marco apoteótico de sua campanha e recriar no lendário estádio novaiorquino a atmosfera messiânica que o consagrou candidato republicano em julho na convenção de Milwaukee. Deu errado.

A maré vermelha que inundou neste domingo (27) o território democrata de raízes profundas presenciou um festival de barbaridades racistas e xenófobas, que excederam os limites já normalizados pela torcida republicana.

O discurso de uma hora e 20 minutos do ex-presidente foi ofuscado por um de seus convidados, o comediante e podcaster Tony Hinchcliffe, que aquecia a plateia e, com um bombardeio de estereótipos, buscou ser mais realista do que o rei. Descreveu Porto Rico, lar de 3,2 milhões de cidadãos americanos, como “uma ilha de lixo flutuante”, zombou dos hispânicos, “que adoram fazer bebês”, dos judeus, que são mesquinhos, e dos palestinos, que gostam de atirar pedras.

Hinchcliffe coleciona em sua biografia um histórico de clichês racistas, mas os proferidos no domingo foram um presente para a campanha de Kamala Harris, que estava justamente na Pensilvânia, onde residem meio milhão de porto-riquenhos e tornou-se o mais decisivo dos sete estados-pêndulos.

A vice-presidente dos EUA havia visitado redutos da comunidade em Filadélfia, anunciou uma força-tarefa e incentivos para Porto Rico e criticou o adversário pela má gestão dos estragos causados pelo furacão Maria, em 2017, que deixou três mil mortos.

O domingo transcorria como um rotineiro dia de campanha democrata até Hinchcliffe torpedear o território americano, que não vota para presidente, mas dá a seus cidadãos residentes num dos 50 estados americanos o direito de fazê-lo. O périplo de Kamala passou a fazer sentido.

Celebridades porto-riquenhas reagiram com fúria, enquanto Trump discursava na arena do Madison Square Garden. Com 18 milhões de seguidores, o cantor Ricky Martin escreveu: “É isso que eles pensam de nós. Vote em @kamalaharris.”

Vencedor de três Grammy, o rapper Bad Bunny compartilhou um vídeo de Kamala para seus 45 milhões de seguidores, em que ela criticava a atuação de Trump durante o furacão, seguido por Jennifer Lopez e Luis Fonsi.

A reação negativa veio também de líderes republicanos, especialmente os vinculados à comunidade latina, que tentaram reparar o estrago do comediante. O senador Rick Scott disse que a “piada” de Hinchcliffe fracassou por um motivo. “Não é verdade, não é engraçada. Os porto-riquenhos são pessoas incríveis e americanos incríveis”.

A congressista Maria Salazar, da Flórida, se declarou enojada: “Essa retórica não reflete os valores do Partido Republicano. Porto Rico enviou mais de 48.000 soldados para o Vietnã, com mais de 345 Purple Hearts concedidos. Essa bravura merece respeito. Eduque-se!”

Assim como o comediante, outros oradores no Madison Square Garden reforçaram a retórica de ofensas misóginas e racistas contra Kamala Harris, chamada de anticristo e comparada a uma prostituta. O apresentador de extrema direita Tucker Carlson inventou uma identidade racial para a candidata, chamando-a de “a primeira ex-promotora da Califórnia samoana-malaia e de baixo QI a ser eleita presidente.”

Lotar o Madison Square Garden era uma questão de honra para Trump, que perdeu em seu estado natal em 2016 e 2020 e, na atual campanha, está 15 pontos atrás de Kamala.

Quando o ex-presidente subiu ao palco, seus convidados já tinham feito o trabalho sujo, embora, desta vez o efeito tenha sido o de um bumerangue. Reverberou em um terreno sensível, o da Pensilvânia. A oito dias do dia eleição, conforme resumiu o estrategista David Plouffe, um dos principais conselheiros da vice-presidente, “o momento certo é tudo”.

Michelle Obama faz 1º comício em apoio a Kamala Harris

Kamala Harris e Michelle Obama fazem comício no Michigan

A ex-primeira-dama Michelle Obama disse neste sábado (26) que a eleição presidencial nos Estados Unidos está “muito disputada” e incentivou as pessoas a votar durante o primeiro comício em apoio a Kamala Harris, no Michigan.

Agora, como você sabe esta eleição está disputada. Está muito disputada para o meu gosto. E eu vim para cá, para Michigan porque sou alguém que leva seu próprio conselho a sério”, disse Michelle no evento em Kalamazoo.

Ela continuou: “Eu sei que se queremos ajudar este país a finalmente virar a página sobre a política de ódio e divisão, não podemos apenas nos sentar e reclamar. Não, temos que fazer algo.”

O evento, que promove a participação eleitoral em Michigan, marca a primeira vez que a ex-primeira-dama se juntou a Kamala, já que a vice-presidente busca ganhar a Casa Branca no próximo mês.

Em um vídeo do Instagram postado no sábado (26), Michelle disse: “Nesta fase final, temos que dar tudo o que temos. Precisamos votar como se nossas vidas dependessem disso e aparecer em números que não podem ser negados.

Michelle, junto com seu marido, o ex-presidente Barack Obama, endossou Kamala em julho, em meio a uma pressão para a vice-presidente substituir o presidente Joe Biden depois que ele desistiu de sua candidatura à reeleição. A ex-primeira-dama também fez um apoio vigoroso e enérgico a Kamala em seu discurso durante a segunda noite da Convenção Nacional Democrata.

Direitos reprodutivos

A ex-primeira-dama Michelle Obama fez um apelo para os americanos levarem a sério os direitos reprodutivos e “não colocar nossas vidas nas mãos de políticos”.

“Então estou pedindo a todos vocês, do fundo do meu ser, para levarem nossas vidas a sério por favor”, disse Obama. “Não coloquemos nossas vidas nas mãos de políticos, principalmente homens que não têm ideia ou se importam com o que nós, como mulheres, estamos passando, que não entendem plenamente as implicações de saúde de grande alcance que suas políticas equivocadas terão sobre nossos resultados de saúde.”

Ela continuou: “As únicas pessoas que têm o direito de tomar essas decisões são as mulheres com o conselho de seus médicos. Nós somos os que temos o conhecimento e a experiência para saber do que precisamos.

Michelle implorou para que a multidão “não entregue” seus destinos a Trump e enfatizou as apostas da eleição.

Por favor, não entregue nossos destinos a pessoas como Trump, que não sabe nada sobre nós, que demonstrou profundo desprezo por nós, porque um voto para ele é um voto contra nós”, disse Michelle.