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“Deus poupou minha vida por um motivo: salvar os EUA”, diz Trump

Donald Trump discursa para apoiadores após resultados favoráveis na eleição presidencial americana

O ex-presidente Donald Trump celebrou nesta quarta-feira (6) a previsão de vitória nas eleições presidenciais americanas de 2024, destacando que foi alvo de dois atentados contra ele durante a campanha eleitoral.

Em discurso a apoiadores em Palm Beach, na Flórida, o republicano ainda disse que pretende fazer uma reviravolta política ao lado do seu vice, o senador JD Vance.

Muitas pessoas me dizem que Deus poupou minha vida por uma razão e essa razão foi para salvar nosso país”, afirmou Trump.

Donald Trump discursa e anuncia vitória: ‘Essa vai ser a era de ouro da América’

O candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, discursou em tom de vitória como novo presidente Estados Unidos, na madrugada desta quarta-feira (6). O republicano se reuniu em um evento com apoiadores em Palm Beach, na Flórida.

A apuração dos votos ainda estava em andamento quando Trump subiu ao palco. Ele liderava a disputa no Colégio Eleitoral e no voto popular. Além disso, o jornal “The New York Times” estimava chance de vitória para ele acima de 95%.

Trump começou seu discurso agradecendo o apoio do público, da família e de amigos. O republicano classificou a própria vitória como o “maior movimento político de todos os tempos”.

“Eu não vou descansar até devolver essa América segura e próspera que merecemos. Essa vai ser a era de ouro da América.”

Ainda durante o discurso:

Trump falou sobre imigração ilegal
Afirmou que seu slogan será: ‘Promessas feitas serão cumpridas’
Prometeu uma virada na economia dos Estados Unidos
Pregou a união entre todos os americanos
Agradeceu o vice na chapa, J.D. Vance, e disse que amava Elon Musk

Até a última atualização desta reportagem, Trump liderava em todos os estados-chave considerados decisivos para vencer a eleição presidencial, segundo a Associated Press.

Trump comentou a votação expressiva nos estados-chave e disse que estava vivenciando um sentimento de amor maravilhoso.

O republicano comentou ainda o fato de o partido ter retomado o controle do Senado.

Durante a fala, Trump não citou a adversária Kamala Harris. A expectativa é que a democrata faça um discurso ao longo desta quarta-feira.

Kamala Harris pede a eleitores para ‘trazer uma nova geração de liderança’ aos EUA

Candidata democrata Kamala Harris faz ligação para apoiadores enquanto aguarda fechamento das urnas nas eleições americanas de 2024

“Trata-se de virar a página e trazer uma nova geração de liderança para a América” disse a candidata democrata Kamala Harris, em um dos vários telefonemas que faz na tarde desta terça-feira (5), na sede do Comitê Nacional Democrata, em Washington.

Kamala conversa com apoiadores para agradecer e pedir mais votos. Ela diz que planeja ficar no telefone até o fechamento das urnas, na intenção de conseguir o máximo de votos possível.

Trump vence em 17 estados, e Kamala vence em 9, projeta AP

Até o momento, a projeção eleitoral da agência de notícias Associated Press indica que o candidato republicano Donald Trump venceu em 17 estados, enquanto a democrata venceu em 9 estados.

Trump venceu em:

Tennessee
Florida
Oklahoma
Carolina do Sul
Mississippi
Alabama
Indiana
Virgínia Ocidental
Kentucky
Arkansas
Louisiana
Wyoming
Dakota do Norte
Dakota do Sul
Nebraska
Ohio
Texas

Kamala venceu em:

Vermont
Rhode Island
Maryland
Massachusetts
Nova Jersey
Delaware
Illinois
Nova York

Kamala Harris diz que Trump está “cheio de vingança e queixas” em entrevista

Enquanto Donald Trump foi às urnas depositar seu voto nesta terça-feira (5), a vice-presidente e candidata democrata à Casa Branca, Kamala Harris, deu várias entrevistas de última hora em rádios dos chamados estados-chave, onde há o maior número de indecisos.

Ela falou sobre imigração, como superar a divisão do país, políticas de assistência e outros temas, e disse que quer vencer para ajudar os americanos comuns, enquanto Trump quer voltar à Casa Branca para atacar os inimigos.

“Ele entrará no Salão Oval se for eleito com sua lista de inimigos. Ele está cheio de vingança, ele está cheio de queixas. É tudo sobre ele mesmo. Quando eu entrar em 20 de janeiro, entrarei com minha lista de afazeres em nome do povo americano”, afirmou.

FBI alerta para vídeos falsos

FBI tem sistema invadido e usado para envio de alertas de ataques falsos -  Canaltech

O FBI foi a público para alertar os eleitores sobre vídeos falsos que estão circulando nesta terça-feira (5), dia das eleições nos Estados Unidos.

Um deles, que usa indevidamente a insígnia da instituição, diz aos eleitores que eles devem votar remotamente devido à grande ameaça terrorista nas seções eleitorais.

O outro mostra um comunicado de imprensa que teria sido enviado pelo FBI alegando que a administração de prisões em vários estados-chave fraudou a votação de presos e conspirou com um dos partidos políticos.

O FBI ainda não identificou quem pode ser responsável pelos vídeos fabricados.

Nas últimas duas semanas, a agência culpou atores de influência russos por uma variedade de postagens e vídeos fabricados na internet que autoridades dizem ter sido divulgados como parte de uma campanha de desinformação mais ampla.

Eduardo Bolsonaro se junta a Gilson Machado e filho nos EUA em apoio a Trump: “reforço de peso”

 (Reprodução/Redes sociais)

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se juntou ao ex-ministro do Turismo Gilson Machado (PL-PE) e ao vereador eleito no Recife Gilson Filho (PL-PE) nos Estados Unidos em apoio ao ex-presidente Donald Trump, que disputa novamente as eleições no país.

O encontro foi registrado nas redes sociais do candidato derrotado à Prefeitura do Recife.

“Fecha tudo, é ‘pra tapar com barro’. Chegou o reforço de peso amanhã, para a vitória de quem?”, pergunta Machado, em tom de brincadeira, para o filho ‘03’ do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Do nosso Trump”, responde Eduardo Bolsonaro, revelando boné vermelho característico da campanha do ex-presidente estadunidense.

“Aqui pode, aqui é vermelho”, ironiza Gilson Filho sobre o adereço.

Enquanto a cor vermelha é comumente associada aos movimentos de esquerda em diversos países, incluindo o Brasil, é a marca do partido Republicano nos EUA.

Relação com Trump

Gilson Machado afirma ter boas relações com Donald Trump, amizade que teria surgido no período em que o recifense compunha o corpo ministerial de Jair Bolsonaro.

Ao longo da campanha à Prefeitura do Recife, o então candidato chegou a declarar que o ex-presidente estadunidense ajudaria a capital pernambucana.

Ao fim das eleições municipais, tanto Machado quanto seu filho, eleito vereador, foram aos EUA acompanhar a disputa.

Aborto e imigração são determinantes à eleição dos EUA, indicam eleitores

Eleitor americano confirma voto em urna eletrônica de Ohio

Após meses de campanha, a eleição presidencial desta terça-feira (5) pode ter se resumido às duas questões marcantes que definiram a democrata Kamala Harris e o republicano Donald Trump desde o início: direitos ao aborto e imigração.

Em mais de 65 entrevistas nos últimos dias, os eleitores retornaram a esses temas para explicar sua escolha para presidente. Para muitos, experiências pessoais – como pai, vizinho ou amigo – moldaram suas visões sobre o que era mais importante.

Embora a amostra tenha sido muito pequena para basear quaisquer conclusões concretas, ela fornece uma fotografia de como os americanos podem ter pensado nos últimos dias da campanha.

Para os apoiadores de Trump, a necessidade de conter a imigração ilegal – um tema central de sua presidência – foi a razão número 1 para votar no republicano, de acordo com os entrevistados. Preocupações econômicas e alta inflação foram frequentemente mencionadas como outras questões que motivaram os apoiadores de Trump, embora a economia dos EUA continue a crescer e a taxa de desemprego permaneça baixa.

Conheço muitas pessoas que sofreram pessoalmente sob o governo Biden”, disse Justin Newhouse, 23, um conservador de Milwaukee.

Para muitos apoiadores de Harris, sua promessa de proteger os direitos ao aborto depois que a Suprema Corte dos EUA anulou a decisão histórica de 1973 que reconheceu um direito constitucional ao procedimento foi o motivo mais convincente para votar na vice-presidente democrata. A percepção de que Trump, que frequentemente fazia comentários racistas e ofensivos, era racista também estava frequentemente em mente.

As entrevistas foram conduzidas nos estados-campo de batalha onde se espera que a campanha seja vencida ou perdida: Pensilvânia, Carolina do Norte, Geórgia, Nevada, Arizona, Michigan e Wisconsin. Aqui está uma amostra do que os eleitores disseram sobre sua escolha:

“As fronteiras estão uma loucura”

Heather Thomas, uma funcionária de loja de conveniência de 49 anos perto da Las Vegas Strip em Nevada, disse que a questão-chave por trás de seu voto em Trump foi a imigração ilegal e o que ela descreveu como a devastação econômica e social que isso trouxe.

A fronteira aberta significa o fim do nosso país”, disse Thomas. “E com Biden e os outros democratas, as fronteiras ficaram uma loucura, simplesmente abertas”.

Thomas, que ganha US$ 13 por hora, disse acreditar que os democratas fizeram pouco sobre a imigração ilegal, embora o governo Biden tenha tomado medidas para coibir as travessias de fronteira.

Como o país deve cuidar de milhões de pessoas ilegais que vêm para cá quando nem estamos cuidando de tantos americanos que estão lá fora vivendo nas ruas, que estão lutando para comer?”, perguntou Thomas.

Thomas disse que em suas interações diárias com pessoas pobres e sem-teto em sua loja, ela viu muito sofrimento.

Mudança de coração

Myesha Parks, da Carolina do Norte, apoiou Harris principalmente por causa da posição da candidata sobre o aborto e porque ela “nunca foi fã de Trump”.

Parks é uma batista praticante de 27 anos que cresceu se opondo ao aborto. Mas suas opiniões começaram a mudar depois que duas amigas foram estupradas. “Se isso acontecesse comigo, acho que não seria forte o suficiente para carregar um filho sozinha”, disse ela.

Parks acredita que Harris, como mulher, é mais adequada para abordar uma questão como o aborto: “Os homens não deveriam ter permissão para dizer às mulheres o que fazer com seus corpos”.

“Eu quero um muro”

Judy Boyce, uma comissária de bordo aposentada de Marietta, Geórgia, votou em Trump, como fez em 2016 e 2020, citando a segurança da fronteira e a economia. Ela vê as questões como interligadas.

Estamos dando muito dinheiro para estrangeiros ilegais. Estou sendo politicamente incorreta, mas é isso que eles são, eles não são americanos”, disse ela. Boyce, 79, disse que o dinheiro deveria ir para os cidadãos dos EUA.

Eu quero um muro e quero que a imigração ilegal seja reduzida a zero. Quero que essa economia volte a ser a de quando Donald Trump era presidente”.

“Meu próprio corpo”

Sarah Weigel, uma coordenadora de eventos de 46 anos da cidade rural de Franklin, Pensilvânia, diz que não é muito engajada politicamente, mas que votará este ano em Kamala Harris para proteger os direitos ao aborto.

Ela disse que a decisão da Suprema Corte dos EUA em 2022 anulando a decisão Roe v. Wade que protegia os direitos ao aborto a levou a votar.

Para mim, é, eu acho, poder escolher o que quero fazer com meu próprio corpo”, disse Weigel. “Então, se uma mulher quisesse fazer um aborto ou não, ela deveria ter o direito de tomar essa decisão por conta própria”.

“Traição”

Terry Balko, um arrecadador de fundos de caridade de meio período de Marietta, Geórgia, votou cedo em Donald Trump, sua escolha nas duas eleições anteriores.

Durante o café da manhã em um café perto de sua casa, Balko disse que queria “menos inflação, um país mais seguro” e deportar imigrantes ilegais imigrantes.

Balko se animou ao discutir o assunto, citando o caso de Laken Riley, um estudante de 22 anos que foi assassinado em fevereiro, um caso ao qual Trump frequentemente se refere em seus discursos de campanha. O suspeito, um venezuelano ilegalmente nos EUA, declarou-se inocente das acusações de assassinato.

Biden e Harris são totalmente negligentes em proteger nossos cidadãos”, disse Balko. “Eles deveriam ser presos sob acusação de traição”.

Medo de ser alvo

Stephanie Lopez Gilmore, 39, que trabalha em um centro de bem-estar e saúde mental em Detroit, disse que estava votando em Harris para proteger os direitos reprodutivos das mulheres. Ela também espera ter uma mulher negra no Salão Oval.

Sendo uma mulher negra, é muito inspirador ver alguém que se parece com você e que talvez tenha alguns dos mesmos interesses que você que estará liderando o país”, disse ela.

Lopez Gilmore, que tem ascendência latina e negra, disse que temia que uma vitória de Trump levasse a um aumento na discriminação que ela sofre rotineiramente.

Noel Soto, um motorista de caminhão de 32 anos, natural do México, disse que deu seu primeiro voto como cidadão americano para Harris com um objetivo claro: tomar uma posição contra o racismo.

Não gosto do lado de Trump por causa do racismo. Fiz isso pela minha família mexicana”, disse Soto em espanhol em um rodeio de Phoenix organizado por democratas para atrair o voto latino.

Soto disse que estava preocupado com o que sentia ser mais racismo ao seu redor, especialmente de apoiadores de Trump. Ele contou um episódio em que disse que um apoiador de Trump perguntou a ele enquanto ele estava pedindo doces no Halloween se ele estava vestido como “um imigrante latino”. Soto se vestiu de fazendeiro para fazer par com seu filho de um ano, que foi vestido de vaca.

Seções eleitorais abrem nos EUA; Trump votará na Flórida e Kamala seguirá apuração em universidade

As seções eleitorais abriram nos Estados Unidos nesta terça-feira (5). Os eleitores escolhem o próximo presidente, que vai governar o país pelos quatro anos. A vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, do Partido Democrata, e o ex-presidente Donald Trump, do Partido Republicano, disputam o cargo.

Se Kamala vencer, ela faria história, tornando-se a primeira mulher, a primeira americana de origem asiática e a primeira mulher negra a ser presidente.

Já uma vitória de Trump também seria histórica. Ele se juntaria a Grover Cleveland como os únicos presidentes a cumprir mandatos não consecutivos. Ele também seria o único presidente americano a passar pelo processo de impeachment duas vezes e o único que já foi condenado criminalmente.

As urnas fecham nos primeiros estados americanos a partir das 21h no horário de Brasília. A CNN projeta quem vencerá as eleições conforme os dados estiverem disponíveis

Além da Presidência, os eleitores americanos também escolherão legisladores para o Congresso, para estados e opinarão sobre algumas leis propostas nesta terça-feira.

Agenda de Kamala e Trump para o dia da eleição

Kamala Harris passará o dia da eleição em Washington, DC, e participará de entrevistas de rádio, de acordo com seu gabinete. Durante a noite, haverá um evento na Howard University sediado pela vice-presidente para acompanhar a apuração e contagem dos votos no país. Kamala se formou na universidade Howard em 1986.

A vice-presidente anunciou que já votou antecipadamente.

Já Trump vai para West Palm Beach, na Flórida, nesta terça-feira, onde deve votar pessoalmente.

Cenário acirrado

Os candidatos precisam garantir pelo menos 270 votos no Colégio Eleitoral – metade mais um – para ganhar a Presidência dos EUA. Contudo, as pesquisas mostram eles empatados nos principais estados americanos que devem definir o resultado

A última pesquisa nacional feita da CNN, conduzida pelo SSRS, mostra que Kamala e Trump possuem exatos 47% de apoio cada um entre os prováveis eleitores — nos EUA, o voto não é obrigatório, e fazer as pessoas irem às urnas é um dos principais desafios para os candidatos.

Acredita-se que há sete estados que poderiam ser vencidos por qualquer um dos candidatos, os chamados estados-pêndulo. São eles, Pensilvânia, Michigan e Wisconsin — conhecidos como “Blue Wall” — e Arizona, Geórgia, Nevada e Carolina do Norte — os quatro campos de batalha do Cinturão do Sol.

Eleições Estados Unidos 2024: urnas abrem em alguns estados da Costa Leste

Em partes de Vermont e Kentucky os eleitores também iniciaram a votação às 8h (Crédito: Allison Joyce / AFP
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As urnas abriram cedo nesta terça-feira (5/11) em pelo menos sete estados da Costa Leste dos Estados Unidos, entre eles Nova York, Nova Jersey, Maine, Connecticut e Virgínia, locais onde a votação começou às 8h de Brasília (6h no horário local). Os norte-americanos vão às urnas para decidir quem será o próximo ocupante da Casa Branca.

Em partes de Vermont e Kentucky os eleitores também iniciaram a votação às 8h, mas como ambos os estados têm dois fusos horários, o restante da população vota a partir das 9h (horário de Brasília).

O cenário de empate nas eleições dos Estados Unidos, apontado pelas pesquisas até mesmo no dia inicial do pleito, se confirmou com o resultado da primeira urna, apurada na pequena comunidade de Dixville Notch, em New Hampshire, nesta terça. No local, Kamala Harris e Donald Trump empataram, com três votos cada.

Trump e Kamala disputam uma das eleições mais tensas da história

Donald Trump dança durante comício em Reading, na Pensilvânia, ao implorar aos eleitores: "Temos que sair amanhã (5/11) e votar, votar e votar"  (Crédito: Ed Jones/AFP)

Em uma das eleições mais imprevisíveis das últimas décadas, o republicano Donald Trump, 78 anos, e a democrata Kamala Harris, 60, chegam em igualdade de condições na disputa pela Casa Branca. “É bem provável que quem levar os 19 delegados da Pensilvânia ganhará as eleições“, admitiu ao Correio Rogers M. Smith, professor de ciência política da Universidade da Pensilvânia. Um dos sete estados-pêndulo (que alternam a preferência entre os dois principais partidos dos Estados Unidos), a Pensilvânia foi escolhida por Kamala para encerrar a campanha ao lado de dois nomes de peso da música pop: Katy Perry se apresentou em Pittsburgh e Lady Gaga e Ricky Martin, na Filadélfia. Antes, a ex-senadora visitou Allentown, no mesmo estado.

Por sua vez, Trump fez comício em Reading, também na Pensilvânia, em Raleigh (Carolina do Norte) e em Grand Rapids (Michigan). Uma pesquisa realizada pela NPR, PBS News e Marist Poll mostra que Kamala tem 51% dos votos contra 47% para o adversário, em âmbito nacional.

No último dia de campanha, prevaleceu a cautela. Conselheiros imploraram a Trump que adotasse um tom mais conciso e evitasse insultar Kamala. Em comício diante de dezenas de eleitoras que ostentavam cartazes na cor rosa com a inscrição “Mulheres por Trump“, em Reading, o republicano clamou: “Temos que sair amanhã (5/11) e votar, votar e votar“. “Vocês construíram este país e também podem salvá-lo“, disse.

Vou fazer a vocês uma pergunta muito simples: vocês estão melhores agora do que quatro anos atrás?“, questionou Trump, antes prometer deter a inflação, impedir a entrada de “criminosos” no país e devolver o “sonho americano“. “Espero por isso há quatro anos! Você também!“, declarou. Mais uma vez, o republicano jogou as fichas na retórica contra a imigração ilegal: “Temos gente incrível neste país. Não podemos deixar que esses selvagens venham de outros países.” Em outro evento, em Raleigh, insistiu: “Se formos todos votar, não haverá nada que possam fazer“.

Apesar dos apelos da campanha, Trump voltou a dizer que “Kamala quebrou o país” e que ele irá consertá-lo. Nos Estados Unidos, o voto é facultativo. Ele também ameaçou a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, ao avisar que vai impor “imediatamente uma tarifa de 25% a tudo o que enviarem aos Estados Unidos“, caso o México não interrompa o que classificou de “investida de criminosos e drogas” pela fronteira. “O México se tornou nosso parceiro comercial número um, e eles estão nos enganando a torto e a direito, é ridículo. Se 25% não derem resultado, vou impor 50%. Se isso não funcionar, 75%“, advertiu.

Pelo menos 77 milhões de americanos votaram com antecedência. Nas eleições de 2020, o número registrado havia sido de 110 milhões. Como o voto nos Estados Unidos é facultativo, o desafio dos candidatos é o de convencer o eleitor a sair de casa e depositar seu voto na urna.

Porto Rico

De acordo com Smith, durante boa parte do outono (primavera no Hemisfério Sul), Trump estava se saindo um pouco melhor do que Kamala na Pensilvânia. “Isso porque a classe trabalhadora culpava o governo Joe Biden pela inflação e não se comovia com suas propostas econômicas de escala relativamente pequena”, disse. “No entanto, existe uma parcela importante de votos dos porto-riquenhos, e muitos ficaram ofendidos com a piada feita por um humorista durante o comício de Trump no Madison Square Garden, em Nova York. O republicano se recusou a pedir desculpas”, lembrou, ao citar o episódio em que Tony Hinchcliffe disse que Porto Rico é uma “ilha flutuante de lixo“.

Smith ressaltou o fato de que Kamala deixou de atacar Trump e se apresentou como a candidata que promoverá a unidade, ao aproximar-se dos oponentes. “Esta é uma mensagem que tem atraído muitos eleitores independentes e indecisos cansados de campanhas políticas desagradáveis e amargas.”

Em Allentown, na Pensilvânia, Kamala fez questão de agradecer pela presença dos líderes da comunidade de porto-riquenhos — cerca de 460 mil em todo o estado. “Estou aqui, orgulhosa do meu compromisso de longa data com Porto Rico e com seu povo, e serei uma presidente para todos os americanos“, prometeu. “É hora de uma nova geração de líderes nos EUA“, acrescentou, repetindo um mote usado em muitos de seus discursos. Ela defendeu que os americanos devem ver o outro não como um inimigo, mas como um vizinho.

No sábado, uma pesquisa do instituto Selzer feita em Iowa, estado historicamente republicano, colocou Kamala à frente de Trump — 47% a 44% das intenções de votos. Em 2016 e em 2020, o candidato conservador venceu no estado.

Sistema eleitoral

Depois de uma campanha nervosa, em que o republicano escapou da morte depois de ser baleado de raspão na orelha, os Estados Unidos deverão conhecer o próximo presidente até amanhã (6/11) ou nos próximos dias. Nas eleições norte-americanas, vence o partido que conseguir 270 dos 538 votos de delegados do Colégio Eleitoral.

Cada estado tem tantos delegados quanto congressistas na Câmara de Representantes (número determinado pela população) e no Senado (dois por estado). A Califórnia, por exemplo, tem 54 e o Texas, 40. Vermont, Alasca, Wyoming e Delaware têm apenas três. Em todos os estados, exceto em dois (Nebraska e Maine, que decidem por representação proporcional), o candidato mais votado leva todos os votos dos delegados.

PERSONAGENS DA NOTÍCIA

Um ex-presidente de estilo polêmico

Donald Trump, 78 anos, o 45º presidente dos EUA (2017-2021), ensaia o retorno à Casa Branca sem se preocupar com arroubos antidemocráticos. Durante a campanha, avisou que usará militares contra os “inimigos internos“, disse que não se importaria se atiradores disparassem contra os “fake news” (jornalistas) e sinalizou a rejeição do resultado das urnas. Também prometeu a maior deportação em massa da história dos EUA, medida que seria assinada em 20 de janeiro de 2025, logo depois da posse, caso eleito hoje. Dono de uma fortuna avaliada US$ 6,2 bilhões, ocupa a 319ª posição entre os mais ricos do mundo, segundo a revista Forbes.

Trump chega à disputa marcado pelo fantasma da invasão ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. Na Justiça, responde a vários processos, como pela interferência nas eleições de 2020; pela falsificação de documentos contábeis e pagamento de suborno à ex-atriz pornô Stormy Daniels para ocultar um caso extraconjugal; e pelo motim no Congresso.

Timothy Hagle, professor de ciência política da Universidade de Iowa, afirmou à reportagem que Trump tem sido alvo de críticas desde que entrou na arena política. Ele lembrou que isso ocorreu durante as eleições de 2016, quando muitos americanos não estavam acostumados com o fato de um político ser tão direto e, às vezes, ofensivo em seu estilo. “Alguns gostaram desse estilo por ser mais honesto e, com o tempo, se acostumaram com a abordagem de Trump. Também acho que Trump não tem sido tão divisivo em seus comentários como no passado. Em 2016, posso me lembrar de várias vezes em que ele disse algo ultrajante, que teria afundado qualquer outro candidato“, explicou.

Para Hagle, o empresário republicano chega às eleições de hoje com chances reais de vitória por vários motivos. “Como ex-presidente, os eleitores têm uma ideia muito boa do que ele fará se for presidente novamente. Além disso, as coisas estavam melhores durante seu governo, em comparação com a gestão de Joe Biden, pelo menos em termos de economia (por exemplo, inflação mais baixa, preços mais baixos de gás e alimentos) e relações exteriores (nenhuma guerra na Ucrânia ou no Oriente Médio)“, afirmou.

O estudioso crê que Trump reedita a campanha de reeleição de Ronald Reagan em 1984. “Naquela campanha, Reagan perguntou aos eleitores se eles estavam melhores do que quatro anos atrás. Foi uma alusão a Jimmy Carter, que sofria com inflação, juros altos e elevado índice de miséria“, disse Hagle. (RC)

Dos tribunais ao núcleo do poder

O mantra foi repetido em quase todos os comícios pela candidata democrata Kamala Harris, a primeira mulher negra e de ascendência asiática a ocupar o posto de vice-presidente dos Estados Unidos. “Enfrentei criminosos de todos os tipos — que abusaram de mulheres, fraudadores que enganaram os consumidores, trapaceiros que quebraram as regras para seu próprio ganho. Então, ouçam-me quando digo: conheço o tipo de Donald Trump”, declarou a ex-procuradora-geral da Califórnia e ex-senadora. Aos 60 anos, Kamala é filha de imigrantes — a mãe indiana, uma cientista que lutou pela cura do câncer, e o pai jamaicano, ativista dos direitos civis. Casada com o também advogado Douglas Emhoff, 60, ela não tem filhos e é madrasta de Ella, 25, e de Cole Emhoff, 30.

Para os muitos eleitores que ficaram descontentes com uma disputa entre dois idosos que se atacavam, Kamala Harris se beneficia por ser mais jovem e por não ser Joe Biden“, afirmou ao Correio Rogers M. Smith, professor de ciência política da Universidade da Pensilvânia. “Ela tentou avançar em uma mensagem, além de uma visão positiva e edificante para o futuro dos Estados Unidos.

Ainda segundo Smith, os eleitores indecisos e independentes consideram essas características atraentes, embora muitos cobrem mais detalhes e uma especificidade maior do que ela forneceu. “Sua habilidade em projetar bom humor, sua inteligência e sua energia entusiasmada são ativos reais“, admitiu o professor. Kamala levou para a campanha eleitoral o dom da oratória nos tribunais. De retórica incisiva, durante o único debate que travou com Donald Trump, fitou o adversário diretamente nos olhos e teve respostas diretas.

Kamala fez do direito ao aborto uma das bandeiras da campanha eleitoral. Envolveu-se diretamente quando a Suprema Corte revogou a decisão Roe vs. Wade, que protegia o direito federal à interrupção da gestação. A democrata sustenta que o governo não tem poder sobre a capacidade da mulher de decidir em relação ao próprio corpo.

Logo depois da desistência de Joe Biden, pressionado pelo Partido Democrata após o fraco desempenho no debate com Trump, Kamala assumiu a cabeça de chapa, fez comícios empolgantes, arrecadou mais de US$ 1 bilhão e injetou entusiasmo em uma campanha apagada. De acordo com a biografia publicada no site da Casa Branca, Kamala segue à risca um conselho da mãe: “Você pode ser a primeira a fazer muitas coisas, mas tenha a certeza de que não será a última“. (RC)

Eleições nos EUA: ao menos 9 estados mudam regras para dificultar voto de alguns eleitores

Eleições nos EUA: por que país usa colégio eleitoral em vez de voto direto  para escolher presidente | Eleições nos EUA 2020 | G1

Na Geórgia, que está na lista dos estados decisivos, autoridades estão criando dificuldades para a votação de terça-feira (5).

Em Atlanta, o outdoor convida o eleitor. Mas a ativista Débora Scott afirma que as dificuldades para votar aumentaram na Geórgia desde a última eleição.

“Eles têm tentado suprimir nosso voto de todas as maneiras que podem”, diz ela.

O Legislativo do estado aprovou uma lei que permite, por exemplo, que um cidadão conteste a lista de eleitores inscritos em uma zona de votação. Toni precisou confirmar o cadastro e disse que isso é uma tentativa de supressão do direito ao voto.

Milhares de títulos foram cancelados com iniciativas semelhantes no Alabama, Virgínia, Indiana e Texas, que são governados pelo Partido Republicano, de Donald Trump.

Segundo o instituto Brennan Center, em pelo menos nove estados, as regras de votação estão muito diferentes de quatro anos atrás, incluindo os sete que serão decisivos, porque podem pender para Donald Trump ou para Kamala Harris.

Uma das principais motivações para essas mudanças de regras eleitorais aconteceu na terra natal do ativista dos direitos civis Martin Luther King. Ele nasceu em uma casa em Atlanta, na Geórgia. Lutou pela igualdade entre os americanos, inclusive no direito ao voto. Os negros representam cerca de 30% da população do estado e, em 2020, ajudaram a eleger Joe Biden, com uma pequena vantagem. Fazia 30 anos que um candidato democrata não vencia na Geórgia. Depois disso, aliados de Donald Trump começaram a colocar em prática estratégias que podem impedir o acesso de alguns grupos ao voto. Uma lei aprovada por parlamentares republicanos reduziu o número de caixas para o voto antecipado em condados que têm mais eleitores negros e democratas.

Na Carolina do Norte, junto com a cédula, agora o eleitor tem que colocar uma cópia do documento de identidade com firma reconhecida ou as assinaturas de duas testemunhas. A novidade deve prejudicar eleitores de Kamala, já que os democratas são os que mais votam pelo correio.

Pelo menos 22 estados dificultaram esse tipo de voto, e 17 criaram leis de identificação novas ou mais rigorosas. Como os Estados Unidos não têm um documento único nacional, cada estado decide o que vai aceitar. E esta escolha define quem vai conseguir chegar às urnas.

O Texas permite que o cidadão use o porte de arma para votar, mas não a carteira de estudante, aceita em outros 20 estados. O documento mais aceito é a carteira de motorista, que também é considerada restritiva. Na faixa etária entre 18 e 29 anos, 30% dos negros não têm este documento, enquanto entre os brancos, apenas 5% não têm.

Mas uma peculiaridade americana tem atraído os eleitores: o voto antecipado. Na Geórgia, ele bateu recorde. Matthew diz que fez questão de ir pela importância da eleição.

“Ela vai ter implicações para meus filhos, meus três netos e os que ainda virão”, afirma.

Após campanha turbulenta, EUA vão às urnas nesta terça em eleição que terá resultado inédito

Um tiro na orelha, uma desistência, uma condenação, outra tentativa de assassinato, um empate histórico.

Os norte-americanos vão às urnas nesta terça-feira (5) diante de uma das campanhas mais singulares da história recente dos Estados Unidos. O resultado também será inédito: dele, sairá a primeira presidente mulher dos EUA ou o primeiro presidente condenado pela Justiça do país.

Frente a frente estão Kamala Harris, uma ex-procuradora-geral que é a atual vice-presidente do país e reinjetou ânimo entre o eleitorado democrata ao assumir o lugar de Joe Biden na briga pelo comando da Casa Branca, gerando um clima de euforia que foi comparado ao causado por Barack Obama em 2008.

E Donald Trump, o ex-magnata do mercado imobiliário de luxo e ex-presidente dos EUA que tenta voltar ao posto após conseguir mobilizar e reorganizar seu eleitorado mesmo depois de virar réu em quatro processos e ser condenado em um deles.

As pesquisas de intenção de votos apresentaram ao longo da campanha o cenário mais apertado já registrado, o que fará com que a eleição provavelmente seja definida por uma margem muito estreita de votos.