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COP30: segurança é reforçada no Parque da Cidade após carta da ONU

A segurança no Parque da Cidade, em Belém (PA), onde ocorre a COP30, foi reforçada nesta sexta-feira (14), após a ONU (Organização das Nações Unidas) enviar uma carta ao presidente da COP30, ao governo federal e ao governo do Pará citando falha de estruturas e exigindo plano para lidar com a segurança da conferência.

O perímetro do evento amanheceu com maior policiamento e nova disposição de bloqueios. Gradis foram colocados na Avenida Duque de Caxias, na altura do cruzamento com a Doutor Freitas, com o objetivo de dificultar a passagem de grupos maiores de pessoas.

O trajeto de acesso ao hangar, a partir da Avenida Brigadeiro Protásio, foi alterado com uma nova configuração dos gradis, que foram prolongados. Além da presença dos militares do Exército, uma viatura da Polícia Militar do Pará estava de prontidão.

Militares do Exército também faziam plantão do lado de dentro do portão no espaço que dá acesso ao pavilhão, diferentemente do que acontecia nos dias anteriores, seja na COP30 ou na Cúpula de Líderes na semana passada.

A presença de seguranças da empresa privada contratada para reforçar a proteção do evento também pode ser notada no controle de acesso ao evento por volta das 5h. A eles se somaram os agentes do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência da República.

Carta enviada pelo secretário-executivo da UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), Simon Stiell, cita “falha das autoridades de segurança em se posicionar nos pontos de entrada, saída e locais vulneráveis ao redor da Zona Azul”.

O documento menciona ainda “fragilidade do perímetro de segurança física, incluindo má qualidade de portas e portões que não puderam ser trancados; e falha do País Anfitrião [Brasil] em fornecer o número de pessoal de segurança acordado para apoiar a operação de segurança do UNDSS dentro da Zona Azul”.

Com a segurança já reforçada na manhã desta sexta-feira (14) um grupo de indígenas protestou pacificamente do lado de fora do local onde são realizadas as negociações sobre mudança climática.

Com faixas em que se lia “a nossa floresta não está à venda, nós não negociamos a mãe natureza” e “território indígena Munduruku é sagrado!; chega de invasão e desrespeito!”, o grupo pretendia falar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lula está em Brasília.

Já estamos aqui há cinco dias tentando com que alguém nos ouça. As negociações acontecem de portas fechadas, no ar-condicionado, e nunca querem nos ouvir. Porque nós temos que aceitar nossos locais sagrados serem destruídos? Queremos as terras demarcadas, que não tenha petróleo que prejudique os povos indígenas“, disse a líder indígena Alessandra Munduruku.

Assim que o grupo chegou ao portão do hangar, o novo esquema de segurança foi colocado em ação. Tropas do Exército Brasileiro, da Força Nacional de Segurança Pública e da Polícia Federal ficaram de prontidão dentro do perímetro. Do lado de fora, o Batalhão de Polícia de Choque da PM foi acionado.

Do lado de dentro do hangar, o pavilhão onde ficam localizados os estandes dos países foi esvaziado. Bombeiros civis evacuaram com seguranças a área e ficaram perfilados no local. Toda a ação durou pouco mais de uma hora. Às 6h45 o acesso ao evento foi liberado.

Para Marina Silva, COP30 marca um novo ciclo de integração ambiental

Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva/José Cruz/Agência Brasil

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou nesta quinta-feira (13/11), que a retomada da Comissão de Ministros de Meio Ambiente da Amazônia marca um novo ciclo de integração sustentável entre os países da região. A declaração foi dada durante coletiva de imprensa na Zona Azul da COP30, em Belém.

Marina destacou que o grupo, que estava há 25 anos sem se reunir, voltará a operar guiado pela agenda pactuada nas cúpulas de Belém e de Bogotá. Segundo ela, “o primeiro eixo de ação será o painel técnico-científico para monitoramento contínuo da Amazônia“, considerado essencial para embasar políticas sobre clima, biodiversidade, recursos hídricos e pesca.

Ela também citou medidas em andamento, como iniciativas de combate à criminalidade ambiental.

O Brasil inaugurou recentemente uma base avançada da Polícia Federal com recursos do Fundo Amazônia, preparada para atuar inclusive de forma transfronteiriça“, disse.

Marina ressaltou que a expectativa é de ampliar ações conjuntas entre áreas protegidas dos países amazônicos, “criando corredores e sinergias que fortaleçam a proteção da biodiversidade”.

Não é só meio ambiente estrito. Queremos apostar numa agenda de desenvolvimento sustentável, em infraestrutura verde e resiliente“, afirmou.

Segundo a chefe da pasta, diferentemente de outros anos, a agenda da COP foi aprovada nas primeiras horas, o que significaria um avanço no ritmo das negociações. “Quem tem cultura de COP sabe que isso não é trivial. Já passamos uma semana só para definir a pauta“, observou.

Em meio às discussões, a palavra “soberania” foi repetida diversas vezes, tema sensível diante das tensões recentes envolvendo Venezuela e Estados Unidos. Marina Silva enfatizou que “a cooperação internacional deve sempre respeitar acordos vigentes“.

Debate

Questionada sobre a possibilidade de a COP30 entregar em 2025 um caminho para a transição global, Marina disse ver avanços importantes. Ela lembrou que o consenso de Dubai estabeleceu metas ambiciosas, como não ultrapassar 1,5°C, financiar adaptação, avançar na transição energética e eliminar o desmatamento.

Por outro lado, reforçou que “decisões precisam vir acompanhadas de meios de implementação”. “Não basta decidir. É preciso dizer como vamos fazer“, disse. A ministra citou a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que os países elaborem um roteiro de transição “tanto para o fim do desmatamento quanto para o abandono gradual dos combustíveis fósseis“.

Ministra da Cultura diz que protesto de indígenas na COP é democracia

Esta tarde, na zona azul, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, disse que o protesto dos indígenas no segundo dia da COP30 “é importante, é democracia, a gente tem que ouvir todo mundo“.

Ela disse que está achando a conferência “uma maravilha”. “Esses eventos que trazem pessoas de todos os lugares mudam a nossa perspectiva, a nossa visão. E não é qualquer país que tem o poder de congregar essa quantidade de pessoas como o Brasil fez agora“, opinou.

Para ela, é um momento de protagonismo do país. “O presidente Lula consegue trazer o Brasil para esse lugar de liderança também, de país a ser escutado, e é isso que está acontecendo aqui, abrindo uma escuta franca.”

A ministra disse que a natureza é sagrada. “Para mim, hoje, uma árvore, o mar, o rio são uma religião para mim.”

Presidente da COP30 diz que preocupação com segurança não é um problema agora

O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, afirmou nesta quinta-feira (13) que as preocupações com segurança no evento, levantadas pela própria ONU (Organização das Nações Unidas) em carta aos representantes do governo brasileiro, foram superadas.

Durante entrevista coletiva, ao ser perguntado sobre o tema, ele disse também que o ar-condicionado nas dependências do evento passou por problemas técnicos, mas que nesta quinta parecia ter sido mitigado.

Você [jornalista] viu que o UNFCCC [bracço da ONU sobre clima] já disse que todas as preocupações levantadas sobre segurança foram sanadas completamente. Então é um não problema agora“, disse. “E devemos dizer que o ar-condicionado está bem melhor hoje. Todos concordamos. Houve problemas técnicos que acredito que estão sendo superados”.

Após o incidente com uma invasão durante um protesto de indígenas na COP, a segurança foi reforçada. A vistoria na estrada ficou mais rígida, de acordo com parte dos próprios seguranças. Nesta quinta, várias viaturas da polícia faziam o patrulhamento na área de acesso.

Na COP30, Sérgio Xavier propõe modelos econômicos que gerem emprego e regenerem a Caatinga

No terceiro dia da cobertura especial Pajeú Paralelo à COP, o correspondente da Rádio Pajeú e do blog, Elias Silva, acompanhou de perto uma das discussões mais prestigiadas do evento: a implementação de um modelo de pagamento por serviços ambientais (PSA) destinado a pequenos agricultores e comunidades catingueiras no Nordeste brasileiro.

A mesa reuniu nomes de peso. Entre eles, Sérgio Xavier, ex-secretário de Meio Ambiente de Pernambuco, assessor especial da COP30 e coordenador executivo do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima. Também participaram o secretário de Meio Ambiente do Estado de Alagoas e o secretário adjunto de Produção Familiar do Estado do Pará, além de representantes de países interessados em soluções hídricas e socioambientais aplicáveis a regiões áridas, como Omã.

Durante o encontro, Sérgio Xavier destacou os desafios e as oportunidades de um novo modelo econômico que concilie geração de renda com preservação ambiental. Em sua fala, enfatizou a importância de reconhecer e valorizar as comunidades que mantêm a Caatinga viva:

“A gente está aqui discutindo como criar novos modelos econômicos que possam gerar emprego, renda e fortalecer negócios na região, ao mesmo tempo em que regeneram a Caatinga e protegem nossas áreas preservadas. Estamos debatendo pagamento por serviços ambientais, especialmente para agricultores familiares que conservaram sua vegetação nativa e agora podem ser remunerados por isso.”

Xavier ressaltou ainda que o debate tem abrangência internacional, reunindo lideranças do Brasil e de outros países que enfrentam desafios semelhantes aos do Sertão do Pajeú:

“Hoje à tarde contamos com a presença de lideranças do Brasil inteiro, do Nordeste e até de fora do país. Estamos discutindo crédito de carbono para a agricultura familiar e como fazer com que quem preserva receba por isso. Essa pauta certamente chegará ao Pajeú, e ficamos muito felizes com os avanços que estamos construindo aqui.”

Brasil recebe doação de US$ 300 milhões para plano de saúde climática

 /Bruno Peres/Agência Brasil

Instituições filantrópicas globais anunciaram nesta quinta-feira (13) a doação de US$ 300 milhões para o Plano de Ação de Belém para a Saúde, lançado pelo governo brasileiro durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém.

A iniciativa busca adaptar os sistemas de saúde aos impactos causados pelo aquecimento do planeta.

“Estou muito feliz que hoje pudemos anunciar, comprometendo US$ 300 milhões para ações integradas para combater as causas das mudanças climáticas e suas consequências para a saúde. Essa iniciativa é chamada de Coalizão para o Clima e o Bem-Estar da Saúde. Ela inclui 35 milhões de pessoas no mundo”, disse o diretor de Clima e Saúde da Welcome Trust, Alan Dangour.

A instituição beneficente inglesa é uma das integrantes da Coalizão para o Clima e o Bem-Estar da Saúde que realizou a doação.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o plano é uma estratégia global a ser adotada em todos os países que tenham interesse em se tornar signatários na forma de um compromisso de adaptar os seus sistemas de saúde. Atualmente, a proposta já recebeu a adesão de 40 países e outras 40 instituições e organizações sociais interessadas em participar.

“Nós temos países de todos os continentes, países que têm sistemas nacionais públicos de saúde importantes, tradicionais, como o Brasil. O país do Reino Unido, por exemplo, tem um sistema nacional público universal mais tradicional, países de várias dimensões”, disse o ministro.

De acordo com Padilha, entre os países que já aderiram estão o Reino Unido, que preside o G20, grupo das 20 maiores economias globais e que apoiará o Brasil na busca por mais assinaturas ao plano.

“Nós consideramos hoje a mudança climática como um dos principais determinantes sociais da saúde. Utilizaremos a parceria do Brics para mobilizar mais países nesse plano. E como missão, o Brasil assume a sua responsabilidade regional no continente americano”, disse o ministro.

Segundo ele, países de todo o continente americano estão aderido, como Canadá e México, na América do Norte, além de vários países da América do Sul como Colômbia e Uruguai.

No Brasil, o Plano de Ação de Belém para a Saúde será implantado na infraestrutura de todo o sistema de saúde, adaptando as construções de acordo com a realidade de cada região, seja na construção das infraestruturas de saúde ou na forma de transportar insumos e de coletar dados.

“O que nós estamos dizendo é que as mudanças climáticas não afetam todas as populações da mesma forma”, reforça Padilha.

O ministro destaca que os recursos serão empregados de forma prioritária às populações mais vulneráveis, seja pela região em que vivem ou pelo grupo social que estão inseridas.

“Vulnerabilidades sociais, como acesso aos serviços de saúde , vulnerabilidades que são marcas da desigualdade no Brasil, como o racismo às populações negra, indígena, a desigualdade de gênero, em relação às mulheres, então um dos eixos do plano é exatamente priorizar os recursos para cuidar dessas populações”, diz.

Em carta, ONU critica organização da COP e pede melhorias

A ONU (Organização das Nações Unidas)encaminhou ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, ao presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, e ao governador do Pará, Helder Barbalho, uma carta na qual critica a organização do evento pelo Brasil e exige melhorias.

“Eu agradeceria se nós pudéssemos receber a confirmação de que as medidas apropriadas de segurança serão colocadas em prática até o final do dia”, disse no documento Simon Stiell, secretário-executivo da UNFCC, braço da ONU que organiza a COP.

O episódio que deflagrou a reação da ONU na carta foi a invasão de manifestantes na noite de terça-feira (11) da Blue Zone, a área oficial de negociação na COP.

Exclusivo da COP: Governador do Piauí defende canal do Piauí como esperança para o semiárido

Durante o quadro Pajeú Paralelo à COP, o correspondente da Rádio Pajeú, Elias Silva, conversou com o governador do Piauí e presidente do Consórcio Nordeste, Rafael Fonteles, direto de Belém (PA), onde acontece a COP30.

Em entrevista exclusiva à Rádio Pajeú, ao programa “A Tarde é Sua” e ao Blog do Alyson Nascimento, Rafael Fonteles destacou a importância dos estudos sobre o Canal do Piauí, projeto que pretende levar as águas do Rio São Francisco até o semiárido piauiense — uma das grandes esperanças do povo da região.

“Estamos aguardando a conclusão dos estudos, que devem demorar alguns meses, mas é uma grande esperança do povo do Piauí — sobretudo da região da Serra da Capivara e de todo o semiárido piauiense — para ter a solução definitiva para o abastecimento de água a partir desse canal vindo do nosso querido Rio São Francisco. Aguardamos esses estudos, fazendo o envolvimento do ponto de vista da integração e do movimento regional, acompanhando e dando todo o suporte para que eles sejam concluídos em breve e a gente possa pensar nas obras logo em seguida”, afirmou o governador.

Fonteles também participou do lançamento do Espaço Nordeste, iniciativa que reúne os estados da região durante a COP30, fortalecendo pautas conjuntas sobre integração hídrica, sustentabilidade e desenvolvimento regional.

Exclusivo da COP: Prefeito de Parauapebas critica a Vale e denuncia contaminação por metais pesados

Durante o quadro Pajeú Paralelo à COP, em entrevista exclusiva à Rádio Pajeú, ao programa “A Tarde é Sua” e ao Blog do Alyson Nascimento, o prefeito de Parauapebas (PA), Aurélio Goiano, fez duras críticas à mineradora Vale S.A. e denunciou o que chamou de “mentira mundial” sobre as práticas ambientais da empresa.

O gestor, que participou do programa em meio à repercussão nacional de suas declarações, afirmou que comunidades do município vivem os impactos diretos da mineração e da contaminação por metais pesados.

“Eu não quis agredir ninguém. O que eu tento é mostrar ao mundo que a Vale é uma mentira. Recentemente, a empresa foi condenada em uma ação judicial movida pelo Ministério Público Federal, que reconheceu a contaminação por metais pesados — uma tragédia que tem custado vidas, principalmente de povos indígenas”, afirmou o prefeito.

Ainda durante a entrevista, Aurélio Goiano destacou que rios como o Parauapebas e Cacaiunas sofrem os impactos da mineração e criticou a postura da Vale, que, segundo ele, se apresenta ao mundo “como símbolo de sustentabilidade”, enquanto “esconde metais preciosos e críticos” do território.

A fala do prefeito ganhou repercussão nacional nesta semana, após ele reafirmar que a empresa não paga devidamente pelos danos ambientais causados à região.

Brasil lança na COP plano para adaptação do SUS às mudanças climáticas

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha/Bruno Peres/Agência Brasil

O Ministério da Saúde vai lançar nesta quinta-feira (13), durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, o primeiro plano internacional de adaptação climática dedicado exclusivamente à saúde.

Segundo o titular da pasta, Alexandre Padilha, o documento apresenta ações concretas para que os países possam preparar os seus sistemas de resposta aos efeitos das mudanças climáticas na saúde das populações, especialmente as mais vulneráveis.

De acordo com Padilha, o Brasil liderou a construção do plano junto com outros quatro países que realizaram as últimas cinco COPs: Reino Unido, Egito, Azerbaijão e Emirados Árabes, o chamado grupo de Baku.

Nós apresentamos a primeira formulação desse plano em maio, na reunião da Assembleia Geral da Organização Mundial de Saúde, em Genebra. E, de lá para cá, foram feitas consultas públicas, reuniões temáticas e colaborações. Então, a expectativa é que dezenas de países anunciem formalmente o compromisso de implementar esse plano de ação nos seus países também“, destacou em entrevista à Agência Brasil.

Na avaliação da pasta, eventos climáticos extremos, como enchentes e secas, estão cada vez mais frequentes e têm sido um desafio crescente para os sistemas de saúde. O aumento das temperaturas também impacta na proliferação de doenças, como a dengue, e na mortalidade por calor extremo ou outras doenças relacionadas à qualidade do ar, como as doenças respiratórias. Há ainda fatores relacionados ao aumento da desigualdade e redução da qualidade de vida.

O plano internacional de adaptação climática dos sistemas de saúde será lançado durante o dia oficial da saúde da COP, em uma reunião na Zona Azul, a área oficial de negociações da conferência, como parte de uma agenda da presidência brasileira no evento. A adesão, segundo Padilha, é voluntária, mas o Ministério da Saúde vai seguir pautando o assunto em fóruns internacionais.

A nossa expectativa é que as resoluções finais da COP coloquem a saúde como tema central. A integração saúde e clima é um tema central do enfrentamento das mudanças climáticas. Nós estamos dizendo que é a saúde é a principal face, a face mais crítica, que pode inclusive a adaptação de sistemas ajudar a mobilizar a sociedade“, afirmou.

Um exemplo de aplicação desse novo plano pode ser dar na reconstrução dos serviços de saúde de Rio Bonito do Iguaçu, cidade do Paraná devastada por um tornado no último fim de semana.

Nós já tomamos essa decisão, vai ser um demonstrativo desse plano de adaptação reconstruir as unidades de saúde lá [Rio Bonito do Iguaçu] com característica que a gente está chamando de unidade de saúde resiliente. Ou seja, que o padrão construtivo dela sobreviva a situações como essa, que a estrutura, por exemplo, de conexão, seja uma conexão adaptável para que, se tiver uma quebra do sistema de conexão, você tenha situações adaptáveis para manter os sistemas de informação de saúde. Manter, por exemplo, o sistema de informação da Farmácia Popular, que é muito importante para garantir a medicação“, explicou.

No fim de semana, o governo federal mobilizou equipes de diferentes áreas, incluindo a Força Nacional do SUS, composta por médicos sanitaristas, enfermeiros e especialistas em saúde mental, para atuar na cidade paranaense, em apoio às forças locais.

Linhas de ação

O plano internacional de adaptação em saúde possui três linhas de ação. Uma é o monitoramento de dados, como o aumento da temperatura e seus impactos graduais no perfil de adoecimento das populações. A segunda é a construção de estruturas de sistema de saúde resistentes a desastres e com capacidade de operar em situações críticas, com estoques de água, energia e conectividade.

Por fim, o terceiro eixo aborda a necessidade de atenção à saúde das populações mais vulneráveis nos territórios, com capacidade de realizar exames, cirurgias e acompanhamento permanente.

Para que os planos possam ser concretizados na prática, Padilha apontou que haverá redirecionamento de recursos já existentes no orçamento para priorizar esse tipo de ação. O ministro também citou a atração de recursos privados e financiamento em bancos multilaterais.

O Brasil já vem fazendo ações de adaptação que captam recursos internacionais. Cerca de US$ 160 milhões foram destinados para o Brasil em ações de adaptação do serviço de saúde. E, com esse plano e com a liderança brasileira, a gente acredita que a gente vai poder captar mais recursos ainda, de financiadores internacionais, alguns que estão na COP, bancos, agências de desenvolvimento“, citou.

Segundo Alexandre Padilha, o governo brasileiro está trabalhando em um pedido de financiamento no banco dos Brics, o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), para obter mais de US$ 350 milhões a serem investidos na construção dos chamados hospitais inteligentes. “São hospitais para urgência e emergência, que são resilientes às tragédias de mudanças climáticas“.

Estudo inédito revela como o clima extremo transforma a floresta e a vida de quem depende dela

Um estudo divulgado nesta quarta-feira (12) na COP30 revela como o clima extremo está transformando a floresta e a vida de quem depende dela. Quem conta é a Sônia Bridi.

O planeta mais quente se manifesta. E a cada evento extremo, em qualquer parte do planeta, famílias são despedaçadas, desalojadas, perdem suas safras, seu meio de vida, perdem a vida.

Na Amazônia, os eventos climáticos foram medidos. Os números são impressionantes: 5.792 eventos climáticos extremos na Amazônia entre 2000 e 2022. Os prejuízos somados chegam a R$ 5,7 bilhões; 1,8 milhão de pessoas afetadas todos os anos – a maioria indígenas e ribeirinhos. A economia da região inteira foi afetada.

A Amazônia perdeu o referente a, vamos dizer, quase 6% do crescimento do PIB com desastres climáticos na região“, afirma Patrícia Pinho, cientista do IPAM.

Deixou de crescer 6%. E isso dificultou o apoio às vítimas e novo crescimento econômico.

As pessoas vão empobrecendo. A mudança climática, na realidade, é um fator de empobrecimento crônico na região“, diz Patrícia Pinho.

Edite mora em Belém, na mesma casa há 25 anos:

Eu acho que nós passamos uns 7, 8 anos, uma maravilha, como diz, paraíso“, conta.

Agora, a casa alaga várias vezes no ano.

Esse piso aqui, eu já vou fazer… Esse é o segundo. O primeiro era de madeira, era de assoalho. Depois fizemos um piso, esse aqui é o segundo. Eu vou fazer o terceiro piso“, conta Edite.

A Nobel de Economia Esther Duflo está em Belém defendendo uma ideia que pode ajudar gente como a Edite. A proposta sequer está na mesa de negociações, mas Duflo está buscando apoio. Dinheiro direto para vítimas do aquecimento global, sem intermediação dos governos. O PIX do clima. Uma ajuda pontual.

Temos um princípio. É um princípio moral. Chama-se ‘quem polui paga’. São principalmente as emissões nos países ricos que estão prejudicando pessoas nos países pobres”, afirma Esther Duflo.

E esses países ricos não estão apoiando nem o financiamento de adaptação, nem a transição energética nas nações pobres. Em contrapartida, os governos dos países pobres fariam mais para combater o aquecimento.

Aqui, todo mundo contribui um pouco, mas recebe algo. E o planeta sai ganhando”, diz Esther Duflo.

Países assinam na COP30 um compromisso inédito para combater a desinformação climática

30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30)/Divulgação

Na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, no Brasil, diversos países presentes na cúpula assinaram hoje uma declaração com compromissos internacionais compartilhados para combater a desinformação climática e promover informações precisas e baseadas em evidências. Dentre as nações que apoiaram a declaração estão o Brasil, França, Alemanha, Espanha, Canadá, Chile, Dinamarca e Finlândia. Pela primeira vez que a integridade da informação é uma prioridade numa conferência da ONU sobre o clima.

O documento foi apresentado pela Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre Alterações Climáticas e compromete os signatários a promover a integridade das informações relacionadas com as alterações climáticas nos níveis internacional, nacional e local, de acordo com o direito internacional dos Direitos humanos e os princípios do Acordo de Paris. O documento, além disso, destaca ainda que a mobilização de todos os atores da sociedade requer acesso a informações coerentes, confiáveis, precisas e baseadas em evidências sobre as alterações climáticas, o que é indispensável para sensibilizar, promover a participação pública, permitir a prestação de contas e gerar confiança pública nas políticas e medidas climáticas urgentes.

A declaração insta os governos, o setor privado, a sociedade civil, o mundo acadêmico e os financiadores a tomarem medidas concretas para combater o impacto crescente da desinformação, da informação errada, do negacionismo e dos ataques deliberados contra jornalistas, defensores, cientistas e investigadores ambientais, que minam a ação climática e ameaçam a estabilidade social.

Os signatários se comprometem com esses princípios de promoção da integridade da informação e desenvolvimento do acesso equitativo a informações precisas, baseadas em evidências e compreensivas para todos, assim como proteger os que informam e investigam as alterações climáticas.

A declaração também incentiva os governos a garantirem fundos para investigar a integridade das informações climáticas e insta o setor privado a se comprometer com a integridade das informações nas suas práticas comerciais e publicitárias.

Na abertura da conferência do clima, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, já havia afirmado que era preciso combater e derrotar o negacionismo. O secretário-geral da ONU também alertou nas vésperas da COP30 para a luta contra a desinformação e a informação errada, além do greenwashing, uma estratégia de marketing enganosa onde uma empresa se apresenta como ecologicamente responsável para melhorar sua reputação e atrair consumidores preocupados com o meio ambiente, sem que suas práticas sejam realmente sustentáveis.

Enquanto isso, o Fundo Global para a Integridade da Informação sobre as Alterações Climáticas, lançado em junho deste ano, já recebeu mais de 400 propostas e já começou a apoiar projetos, principalmente do Sul Global.

Exclusivo da COP: Ministro Waldez Góes reafirma compromissos do governo Lula durante a COP30

Diretamente de Belém, onde acontece a COP30, o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, enviou uma mensagem especial à população do Sertão do Pajeú.

Em sua fala, o ministro destacou o compromisso do governo federal com o combate às desigualdades sociais, a inclusão e a soberania nacional, temas que têm guiado as discussões do Brasil durante a conferência climática.

“Alô, galera do Pajeú! Um grande abraço! Estamos aqui na COP30 reafirmando os compromissos do presidente Lula com o combate às desigualdades, com a inclusão social e com a soberania do Brasil. Um grande abraço!”, afirmou o ministro.

A fala foi registrada dentro da cobertura especial “Pajeú Paralelo à COP30”, do programa A Tarde é Sua, da Rádio Pajeú e do Blog Alyson Nascimento.

Exclusivo da COP: Giuseppe Souza destaca a força da Comitê do São Francisco na gestão dos Recursos Hídricos

Diretamente da COP30, em Belém do Pará, Giuseppe Souza, secretário nacional de Recursos Hídricos do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, destacou a importância do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco na eficiência da gestão dos recursos hídricos e na articulação com os entes públicos.

A entrevista foi concedida com exclusividade ao correspondente especial Elias Silva, coordenador do Comitê do São Francisco e membro do Comitê do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), que representa a Rádio Pajeú e o Blog Alyson Nascimento na cobertura da conferência.

Giuseppe iniciou destacando o papel essencial do comitê no equilíbrio da gestão hídrica:

“Para todo o Comitê da Bacia do São Francisco, é de grande importância a eficiência na gestão dos recursos hídricos.”

Em seguida, reforçou a importância da união entre as instituições envolvidas:

“Através dessa parceria, da união e da atuação forte do Comitê, conseguimos garantir que as áreas do São Francisco possam se manter cada vez mais integradas, mesmo em estados mais distantes — como é o caso agora do Rio Grande do Norte, que está sendo beneficiado pela transposição do Velho Chico.”

Giuseppe também ressaltou a necessidade de continuidade e comprometimento das ações:

“As ações do Comitê da Bacia do São Francisco, junto aos entes públicos e ao Ministério da Integração, precisam ser constantes e efetivas, com portas sempre abertas para todos os integrantes da bacia.”

E concluiu com entusiasmo sobre a participação na COP30:

“É isso aí, gente. Obrigado! Estamos aqui na COP30 trabalhando bastante.”

Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú participa da Cúpula dos Povos na COP30 e cobra visibilidade para a Caatinga

A Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú está participando da Cúpula dos Povos, evento paralelo à COP30, que acontece em Belém (PA), a convite do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). A rede leva ao espaço internacional as experiências e saberes das mulheres do Sertão do Pajeú, destacando a importância da agricultura familiar, da economia solidária e da convivência com o semiárido.

De acordo com as representantes da Rede, o evento reúne experiências de várias partes do mundo, mas ainda há um grande distanciamento entre os espaços de debate e a realidade dos povos. O espaço foi dividido em duas áreas: a chamada zona azul, onde estão líderes mundiais, grandes empresas e organizações; e a zona verde, que concentra as experiências populares e comunitárias.

As participantes destacaram que as discussões nos painéis estão concentradas nos biomas Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia, enquanto a Caatinga, bioma essencial para o equilíbrio climático e ambiental do planeta, segue invisibilizada.

Elas reforçam que a Caatinga é estratégica e fundamental para a manutenção da casa comum que é o planeta, mas não aparece nas discussões. As políticas públicas de preservação e conservação praticamente não acontecem, em especial pela falta de financiamento voltado a essa finalidade. A Caatinga também precisa estar no centro do debate climático para que mudanças reais aconteçam”, destacaram as representantes da Rede.