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Helder Barbalho entrega a Lula carta para reconhecimento dos Estados na agenda climática

O governador do Pará, Helder Barbalho, entregou nesta quarta-feira (19) uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a assinatura dos 27 Estados do Brasil, para que a participação efetiva e o envolvimento dos entes subnacionais sejam reconhecidos nos resultados das negociações multilaterais da COP30. O grupo quer a materialização desse reconhecimento nos textos finais da Conferência.

Helder mencionou, especificamente, as responsabilidades dos Estados e dos governos locais na implementação das agendas de resiliência, de adaptação e de outras soluções sustentáveis para cumprir as metas climáticas do Brasil. Em Belém desde 10h50 da manhã, Lula teve um encontro com o setor produtivo e entes subnacionais.

Participaram, pelo lado da administração pública, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, o ministro das Cidades, Jader Filho, o governador Helder Barbalho, o presidente da COP30, Embaixador André Aranha Corrêa do Lago.

O governador do Pará também disse, após o encontro, que o embaixador Corrêa do Lago sinalizou para os ajustes finais nos textos da negociação. “Há uma expectativa muito otimista de que até sexta-feira, 21, no final do dia, nós possamos ter um encerramento oficial do evento com resultados efetivos sob o aspecto da redação final do documento”, pontuou.

O chefe do Executivo paraense também reforçou que o presidente Lula continuará “dialogando para conseguir novos anúncios de parcerias de financiamento”, em referência ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Helder falou, inclusive, que a Alemanha poderá anunciar o valor antes do fim da COP30 em Belém, previsto para 21 de novembro.

“Ele (Lula) sinalizou que, até o final da COP, devem fazer novos anúncios, que estão em fase de concretude, inclusive com a Alemanha. E um outro ponto é de que ele vai à África e lá deve continuar este trabalho, esta tratativa para arregimentar mais investimentos e adesões para a agenda que o Brasil está propondo”, afirmou o governador do Pará.

Papa Leão 14 pede ‘ações concretas’ sobre mudanças climáticas e critica ‘falta de vontade’

Papa Leão 14 (ANDREAS SOLARO / AFP)

O papa Leão 14 pediu nesta segunda-feira (17) “ações concretas” diante da mudança climática e lamentou a falta de “vontade política de alguns” líderes em uma mensagem em vídeo dirigida a responsáveis religiosos à margem da COP30.

Ele acrescentou que o Acordo de Paris “impulsionou um progresso real e continua sendo nossa ferramenta mais poderosa para proteger as pessoas e o planeta”.

A mensagem do papa às Igrejas do hemisfério sul foi divulgada pelo Vaticano enquanto elas se reuniam paralelamente às negociações climáticas da ONU em Belém do Pará.

“Mas devemos ser honestos: não é o Acordo que está falhando, mas nossa resposta. O que está falhando é a vontade política de alguns”, declarou o papa.

Leão 14 descreveu na mensagem a região amazônica como um “símbolo vivo da criação com uma necessidade urgente de cuidado”.

“A criação clama em inundações, secas, tempestades e um calor implacável. Uma em cada três pessoas vive em grande vulnerabilidade devido a essas mudanças”, acrescentou.

“Para elas, a mudança climática não é uma ameaça distante. Ignorar essas pessoas é negar nossa humanidade compartilhada. Ainda há tempo para manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5°C, mas a janela está se fechando.”

As negociações climáticas da ONU entram em sua fase final esta semana, já que os países seguem divididos em torno de pontos-chave, enquanto ministros começaram a chegar na segunda-feira.

O histórico Acordo de Paris de 2015, do qual o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou pela segunda vez a retirada de seu país, busca manter o aquecimento global abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais e, se possível, a 1,5°C.

Desde que foi eleito em maio, o papa Leão 14, nascido em Chicago e que viveu cerca de vinte anos como missionário no Peru, exorta os governos a tomar medidas corajosas diante da mudança climática.

Chanceler alemão diz que comitiva do país ficou contente de deixar Belém após viagem à COP30: ‘Todos ficaram felizes por termos voltado’

O chanceler alemão, Friedrich Merz, comparou o Brasil com a Alemanha durante um discurso realizado no Congresso Alemão do Comércio no dia 13 de novembro.

Merz disse que seu país era um dos “mais bonitos do mundo” e que todos os jornalistas alemães que estiveram na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, ficaram felizes de ir embora da cidade.

“Senhoras e senhores, nós vivemos em um dos países mais bonitos do mundo. Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: ‘Quem de vocês gostaria de ficar aqui?’ Ninguém levantou a mão. Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, a noite de sexta para sábado, especialmente daquele lugar onde estávamos.”

O discurso foi transcrito e disponibilizado pelo governo alemão e publicado no site e no canal do YouTube do Congresso Alemão do Comércio, organizado pela Handelsverband Deutschland (HDE), a principal federação do varejo na Alemanha.

Segundo a Deutsche Welle (DW), emissora internacional pública da Alemanha, na ocasião, Merz pedia aos presentes para valorizarem o ambiente comercial próspero e livre da Alemanha.

O chanceler alemão esteve na Cúpula dos Líderes em Belém, onde participou de um encontro bilateral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ele anunciou a participação da Alemanha no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês).

“Vamos contribuir com quantia considerável”, disse Merz, durante entrevista coletiva. O valor, contudo, não foi confirmado.
O fundo é uma das apostas do governo brasileiro em relação ao financiamento de ações para o combate às mudanças climáticas.

O lançamento oficial do fundo foi feito na última semana e a expectativa do governo é de que ele possa, no longo prazo, arrecadar até US$ 125 bilhões.

Reta final da COP30: entenda em cinco pontos o que está em jogo

A COP30 entra nesta segunda-feira (17) na sua fase política, com a chegada de ministros de Estado de quase 160 países a Belém.

Depois de uma primeira semana marcada por textos travados, tensões discretas e interesses distintos entre países ricos, emergentes e nações vulneráveis, a expectativa é de que a presença do alto escalão ajude a destravar acordos.

A presidência brasileira reconhece que os negociadores técnicos chegaram perto do limite e aposta na política para avançar.

A possível vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Belém, nesta terça-feira (18), também é vista por diplomatas como um gesto capaz de reforçar articulações brasileiras, embora ainda não haja confirmação. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) deve participar da conferência já nesta segunda.

A seguir, veja cinco pontos centrais que entrarão na mesa dos ministros — e nos bastidores — a partir de hoje.

1. Financiamento climático segue sendo o maior impasse

O tema domina a COP30 e segue como o ponto mais difícil de conciliar. Países vulneráveis cobram recursos novos e em maior escala, tanto para adaptação quanto para a transição energética.

Já economias desenvolvidas resistem a assumir custos adicionais — cenário acentuado pela ausência dos Estados Unidos nesta edição.

Sem os Estados Unidos à mesa, a pressão tem recaído principalmente sobre a União Europeia, mas também sobre China, Arábia Saudita e outros grandes emissores que evitam compromissos financeiros numéricos mais robustos.

O pano de fundo é conhecido: o financiamento é considerado o motor para qualquer avanço real do Acordo de Paris. Sem clareza sobre como países vão pagar medidas de adaptação, proteção de populações vulneráveis, transição de matriz energética e redução de emissões, boa parte do pacote climático perde tração política.

2. Pacote de adaptação: prioridade brasileira, mas com divisões

O Brasil tenta colocar adaptação no centro da agenda. O objetivo é entregar um Pacote de Adaptação que organize financiamento, governança e métricas para que países possam aumentar resiliência a eventos extremos.

Negociadores brasileiros minimizam tensões e afirmam que há textos em discussão, mas admitem que falta convergência sobre a escala de recursos.

Na COP29, em Baku, foram definidos US$ 300 bilhões para adaptação, vindos inclusive por empréstimos. A meta, agora, é triplicar o valor e transformar a maior parte em doações, não em dívidas. Países vulneráveis insistem que empréstimos não resolvem o problema estrutural da adaptação em regiões já sobrecarregadas.

3. Metas de descarbonização e ambição climática dividem países

Outro ponto sensível é a diferença de ambição entre países sobre como e quando reduzir emissões. Nações ricas pressionam emergentes a assumir metas mais agressivas, enquanto países em desenvolvimento argumentam que precisam de apoio financeiro e tecnológico para acelerar sua curva de descarbonização.

Nos bastidores, diplomatas afirmam que esse é um dos temas que mais travaram conversas na primeira semana. A sensação é de que ninguém quer “ceder primeiro” e o debate pode subir de temperatura com a chegada dos ministros.

4. Transparência e critérios de dados também travaram

Parte dos textos segue aberta por falta de consenso sobre como medir, reportar e verificar avanços na implementação do Acordo de Paris.

Há divergências sobre quais informações devem ser obrigatórias, como harmonizar metodologias e o nível de detalhamento necessário para garantir comparabilidade. É um tema menos visível, mas que costuma consumir horas de negociação e é fundamental para dar credibilidade aos compromissos climáticos.

5. O “roadmap do petróleo” — e o papel da Arábia Saudita

O debate sobre combustíveis fósseis entrou de vez na COP30. O Brasil tenta articular apoio ao roadmap do petróleo, iniciativa que mira limitar e reduzir drasticamente o uso de combustíveis fósseis nas próximas décadas.

Sem os EUA no evento, o bloco dos grandes produtores perdeu força relativa, e o roadmap já recebeu o apoio de mais de 20 países, entre eles Alemanha e Reino Unido.

Ainda assim, a Arábia Saudita mantém capacidade de frear avanços mais contundentes. Para parte das delegações, o que emerge em Belém é menos um acordo final e mais uma coalizão política.

O que esperar da semana

Com ministros chegando, a expectativa da presidência brasileira é que o tom político ajude a aproximar posições e acelerar decisões.

Diplomatas ouvidos pela CNN Brasil afirmam que a segunda semana costuma redefinir o ritmo das COPs, mas reconhecem que o conjunto de temas pendentes é amplo e que divergências estruturais permanecem.

Ao encerrar Cúpula dos Povos, Cacique Raoni pede que luta continue

Cacique Raoni Metuktire durante encerramento da cúpula dos povos/Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A Cúpula dos Povos, evento paralelo à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), terminou neste domingo (16), com palavras de encorajamento do cacique Raoni Metuktire. Em uma mensagem aos participantes, a liderança indígena lembrou que vem chamando atenção do mundo há décadas para a destruição do meio ambiente, das florestas e dos modos de vida de povos originários e ancestrais.

“Há muito tempo, eu vinha alertando sobre o problema que, hoje, nós estamos passando, de mudanças climáticas, de guerras”, disse Raoni.

“Mais uma vez, peço a todos que possamos dar continuidade a essa missão de poder defender a vida da Terra, do planeta. Eu quero que tenhamos essa continuidade de luta, para que possamos lutar contra aqueles que querem o mal, que querem destruir a nossa terra”, completou.

Raoni também criticou os conflitos e guerras ao redor do mundo e cobrou mais amor e defesa da vida. “Há muito tempo, eu venho falando para que possamos ter respeito um com o outro e possamos viver em paz nessa terra”, conclamou.

Após os cinco dias de debates, mobilizações e manifestações que marcaram Belém, a cúpula termina com um “banquetaço”, na Praça da República, no centro da capital paraenses, com a distribuição de comida, feita pelas cozinhas comunitárias e celebração cultural aberta ao público.

No ato encerramento da Cúpula dos Povos, foi lida uma carta final, criticando o que os participantes classificaram como “falsas soluções” para o enfrentamento da emergência climática.

“Nossa visão de mundo está orientada pelo internacionalismo popular, com intercâmbios de conhecimentos e saberes, que constroem laços de solidariedade, lutas e de cooperação entre nossos povos”.

“As verdadeiras soluções são fortalecidas por esta troca de experiências, desenvolvidas em nossos territórios e por muitas mãos. Temos o compromisso de estimular, convocar e fortalecer essas construções”, diz o documento.

O documento foi entregue ao presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, que prometeu apresentá-lo nas reuniões de alto nível da COP, que serão realizadas a partir desta segunda-feira (17).

Cúpula dos Povos repudia falsas soluções e critica modelo capitalista

Encerramento da cúpula dos povos/Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

A Cúpula dos Povos terminou neste domingo (16) na Universidade Federal do Pará, em Belém (PA), se opondo a “falsas soluções” para o clima e com um apelo às autoridades mundiais por uma transição dos modos de produção global que garanta justiça, soberania e participação popular.

O encontro reuniu, desde o dia 12 de novembro, cerca de 20 mil participantes em uma programação paralela à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).

Além dos painéis, mesas redondas e atividades coletivas, a cúpula teve início com uma barqueata na Baía do Guajará, com a participação de 5 mil pessoas em 250 embarcações. O encontro também foi marcado por uma passeata que agregou outros movimentos e alcançou uma participação de 70 mil pessoas, afirmam os organizadores.

“As pessoas viram nessa mobilização popular a possibilidade de gritar mais alto, de gritar coletivamente perante o processo que está acontecendo no espaço oficial da COP30, de onde nós não podemos esperar as soluções que estão demorando demais”, diz Darcy Frigo, integrante da Comissão Política da Cúpula do Clima.

“Nós gritamos aqui que quem tem a solução são os povos. E os povos dizem: ‘nós somos a solução’”.

Uma declaração construída ao longo de dois anos por povos de todo o mundo (leia aqui) e assinada por 1.109 organizações sociais e movimentos políticos foi lida neste domingo e entregue ao presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago.

Impasse gera defesa de programa de trabalho pós-COP sobre financiamento

O impasse nas negociações da COP30 levou um grupo de países a defender que o ponto mais difícil dos quatro que estão sendo tratados seja objeto de um programa de trabalho de três anos.

Trata-se da regulamentação do artigo 9.1 do Acordo de Paris, que prevê que os países ricos devam financiar a transição energética dos países pobres e em desenvolvimento.

A ideia lançada pelo chamado Grupo Árabe foi de que as discussões para implementar o financiamento durem três anos e inclua também indenizações por prejuízos já causados pelo aquecimento global, o que no contexto da COP se chama de “perdas e danos“.

Ele é um dos três pilares quando se trata de medidas de combate ao aquecimento global, ao lado de mitigação e de adaptação.

O Grupo Árabe é formado por 22 países que integram a Liga Árabe e é um dos blocos que integram as negociações da COP.

A ideia do programa de trabalho foi acatada por outros dois blocos, o chamado Grupo Africano, formado por 54 países do continente, e os LMDC, sigla para “Like-Minded Development Countries”, integrado pelos países do Sul Global.

A proposta chama a atenção porque a regulamentação do artigo 9.1 é a principal demanda desse grupo de países e ao propor que seja criado um programa de trabalho de três anos, mostra o tamanho do impasse em Belém.

Em um comunicado na noite deste sábado, o secretário-executivo da UNCC, Simon Stiell, pediu diálogo entre as delegações.

O tempo está se esgotando. Eu disse isso no ano passado, mas para receber, é preciso dar. E, sendo honesto, precisamos dar mais. As questões que podem não ser prioridades para você são claramente questões e prioridades para outras nações. O processo apresentou resultados expressivos em todas as COPs recentes, e esta deve fazer o mesmo. E isso significa ouvir e compreender as questões que são mais importantes para outras nações e grupos neste processo. Se você não se alinhar e encontrar um terreno comum em questões importantes para os outros, a COP30 não apresentará resultados que demonstrem que Paris está funcionando. É hora de buscar o outro. De nos encontrarmos nos corredores“, afirmou.

A CNN mostrou nesta semana como justamente essas divergências entre países ricos e países em desenvolvimento se acentuaram já nos primeiros dias da COP.

Também mostrou como a presidência brasileira tem buscado uma solução intermediária para os quatro pontos divergentes justamente para evitar que a COP de Belém seja um fiasco.

Chefe do Clima da ONU cobra avanço urgente para reta final da COP30

O secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), Simon Stiell, fez um apelo aos países participantes da COP30 no sábado (15) para que intensifiquem seus esforços e busquem consensos cruciais nos momentos finais da conferência climática em Belém.

“Sei que estão cansados, mas mais uma vez peço que avancem ainda mais. Afinal, o Acordo de Paris é de vocês para preservar e colocar em prática. São suas populações que se beneficiarão”, afirmou Stiell, reforçando o senso de urgência diante do avanço das negociações.

Com a chegada iminente dos ministros de Estado de diversos países, Stiell ressaltou a necessidade de concluir o trabalho técnico e consolidar avanços em todas as áreas das negociações para facilitar o trabalho político a partir de agora.

“Para receber, é preciso dar, e honestamente, precisamos dar mais. Questões que talvez não sejam prioridade para vocês são evidentes para outras nações. O processo tem entregue resultados fortes nas últimas COPs, e esta não pode ser diferente”, destacou.

O secretário enfatizou, ainda, que o sucesso da COP30 depende da capacidade dos países em ouvir e compreender as prioridades alheias, buscando convergências para garantir resultados concretos que demonstrem a eficácia do Acordo de Paris.

Corrêa do Lago: Estou impressionado com engajamento do setor privado na COP

Corrêa do Lago: Estou impressionado com engajamento do setor privado na COP | CNN Brasil

O presidente da COP, embaixador André Correia do Lago, disse estar “muito impressionado” com o comprometimento do setor privado na Conferência em Belém, especialmente da indústria.

A presidência da COP30 fez, neste sábado, um balanço do avanço do plano de ação durante a primeira semana do evento em Belém. Para Corrêa do Lago, o resultado tem sido melhor que o esperado.

“Os setores trouxeram visões sobre a transição nos diversos segmentos, como transportes, agropecuária, mineração… E eu estou muito impressionado com os reports que recebi, especialmente da Confederação Nacional da Indústria”, disse o embaixador.

A CNI tem liderado uma iniciativa do setor privado na COP, a chamada SB COP30 (sigla em inglês para Negócios Sustentáveis). A iniciativa atraiu o setor privado de 46 países que, juntos, representam milhões de empresas.

Fico muito grato que a CNI tenha liderado e organizado todas essas 40 milhões de empresas. É um dos achados maravilhosos da COP30 e também mostra como países em desenvolvimento estão engajados”, disse o presidente da COP30.

O presidente da Conferência também exaltou a iniciativa dos centros tecnológicos das Universidades da Amazônia, que pesquisaram, debateram e também trouxeram propostas para Belém.

Semana termina com impasse e Brasil propõe reflexão aos países na COP30

As diferenças não foram resolvidas, e a primeira semana da COP30 termina com impasse em quatro pontos de grande diferença entre países ricos e pobres. Assim, a discussão segue nos próximos dias com a chegada de ministros de Estado a Belém. A esperança da presidência brasileira é que a política possa resolver as diferenças.

A divergência continua em quatro pontos:

-financiamento climático;
-proteção comercial com argumento ambiental;
-diferença na ambição dos países com relação às metas climáticas; e
-dúvidas sobre a transparência e critérios dos dados.

Sem avanço nesses quatro tópicos, o Brasil tenta uma nova abordagem – quase filosófica. Aos países, a presidência de André Correa do Lago sugeriu a reflexão em três pontos relacionados ao Acordo de Paris, que completou uma década.

Aos países, foram propostas três pensatas:

-estamos de acordo com as diretrizes do Acordo de Paris?
-as negociações para a implementação das políticas do Acordo de Paris estão funcionando?
-estamos respondendo à urgência do tema, acelerando ações e temos solidariedade internacional?

Corrêa do Lago entende que, com essa reflexão, será possível diminuir as diferenças entre os países que, terminaram o fim de semana, com grande e antiga divergência.

Além disso, ele aposta na política para aproximar nações. “Na semana que vem, teremos os ministros de Estado. Eles vão ajudar na discussão. Isso começa na segunda-feira”, disse o presidente da COP.

Sobre a possibilidade da presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Belém, Corrêa do Lago disse que a participação pode ajudar nas negociações. “Se (ele) vier, ótimo”, disse, ao informar que ainda não há uma definição sobre o tema.

Ao mesmo tempo em que o Brasil propõe a reflexão dos países e aposta na presença de negociadores de nível ministerial, a presidência do Brasil também se comprometeu a publicar no domingo (16) um resumo da discussão até agora.

A partir desse documento, os países decidem como proceder diante do impasse. “E a presidência vai reagir ao que está sendo proposto”, disse o presidente da COP30.

Corrêa do Lago e a CEO da COP30, Ana Toni, defenderam que a próxima semana deverá ser marcada pelo “espírito de mutirão” na Conferência. “Vamos tentar construir coisas juntos, da melhor maneira possível. As delegações estão com esse espírito”, disse.

Manifestantes marcham em Belém para ‘pressionar’ negociadores da COP30

Marcha em Belém /PABLO PORCIUNCULA / AFP

Dezenas de milhares de manifestantes, incluindo muitos indígenas, marcharam neste sábado (15) em Belém para “pressionar” os negociadores da COP30, reunidos a poucos quilômetros dali, a tomarem medidas urgentes contra o aquecimento global, como preservar a Amazônia e abandonar os combustíveis fósseis.

O governo brasileiro, anfitrião da conferência da ONU, continua em consultas com as delegações para tentar destravar temas de discórdia, como quem deve pagar a conta da crise climática.

A marcha partiu de um mercado local e deve chegar até um ponto próximo ao Parque da Cidade, sede da COP30 e protegido neste sábado por dezenas de militares e barreiras com grades.

Os organizadores estimaram em “50.000” o número de manifestantes.

“A gente tá aqui tentando fazer pressão para que não só essas promessas feitas pelos países sejam cumpridas, mas como também a gente não possa aceitar o retrocesso” na luta climática, disse à AFP a ativista brasileira Txai Suruí, o rosto visível do movimento indígena nas últimas COPs.

Afogados da Ingazeira apresenta metodologia de reúso de águas na COP30, em Belém

A presença de Afogados da Ingazeira na COP30, em Belém do Pará, ganhou ainda mais força ao longo da semana com a atuação destacada de Elias Silva, coordenador do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco.

Representando o Sertão do Pajeú, Elias circulou por diversos espaços de debate, apresentando experiências do Semiárido e articulando conexões estratégicas com instituições nacionais e internacionais.

Durante a programação, Elias participou de encontros com pesquisadores, gestores públicos, lideranças de povos tradicionais e representantes de organismos multilaterais.

As conversas giraram em torno de temas como gestão hídrica, adaptação climática, inovação social e estratégias de convivência com a seca — áreas em que o Sertão brasileiro desponta como referência global.

Além dos painéis oficiais, Elias esteve em espaços de diálogo técnico, onde aprofundou a discussão sobre o papel dos Comitês de Bacia na governança das águas e na implementação de políticas que fortalecem a resiliência das comunidades.

Negociações da primeira semana continuam neste sábado, diz presidente da COP30

COP30: negociações começam após acordo sobre a Agenda de Ações - Jornal Da  Max

O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, afirmou nesta sexta (14) que as negociações da primeira semana vão continuar neste sábado (15) pela manhã. Ele disse e que o relatório com a conclusão sobre as consultas feitas aos países acerca de quatro itens que ainda disputam espaço na agenda deve ser divulgado no mesmo dia, a partir das 16h.

A CEO da COP30, Ana Toni, afirmou que o número de países que atualizaram suas NDCs (metas ambientais) subiu para 115. A declaração foi seguida por aplausos de observadores que acompanham as entrevistas de imprensa na plateia.

Presidente Lula ligou para Sônia Guajajara preocupado com manifestações indígenas, diz Marina Silva

Sônia Guajajara será ministra dos Povos Indígenas de Lula - Fundação  Astrojildo Pereira

Após semana marcada por protestos indígenas, incluindo uma que invadiu a zona azul da COP30 e levou a ONU a pedir maior segurança, o embaixador André Correia do Lago, a ministra do Meio Ambiente Marina Silva e a ministra dos Povos Indígenas Sônia Guajajara realizaram reuniões com manifestantes.

Segundo Marina Silva, foi o presidente Lula quem pediu para que houvesse maior diálogo com os povos indígenas que protestaram. Ele teria ligado para a ministra Sônia Guajajara na manhã desta sexta-feira, após um novo protesto do povo Munduruku impedir a entrada na zona azul.

As ministras e o presidente da COP30 cancelaram as agendas para conversar com os manifestantes. Ao final da reunião, da qual Correia do Lago saiu mais cedo, Marina Silva afirmou que teria que reportar ao presidente o que foi conversado.

Durante a conversa, Silva disse aos participantes reiteradas vezes que o presidente se preocupava com eles.

“Quero entender por que ele assinou a privatização do rio Tapajós então”, perguntou um dos presentes.

Sem saber responder, a ministra afirmou que levaria a questão a outros ministérios e prometeu resposta.

COP30 encerra 1ª semana sem consensos e com críticas da ONU à organização

A primeira semana da COP30, em Belém, termina com impasses importantes ainda sem solução. Os principais temas avançaram pouco, alimentando o temor de que a conferência tenha dificuldade para entregar resultados concretos.

As divergências entre países ricos e em desenvolvimento seguem no centro do bloqueio. Enquanto as nações desenvolvidas cobram compromissos mais contundentes e maior regularidade na apresentação de dados sobre emissões, os países do Sul Global insistem que só poderão elevar suas ambições se houver garantia dos recursos prometidos pelas economias mais ricas.

Nos corredores da conferência, diplomatas relatam que o clima das negociações endureceu ao longo da semana. Delegações de países em desenvolvimento afirmam que nações ricas não vêm cumprindo as promessas de financiamento e alertam que a crise climática não pode ser enfrentada às custas dos países mais vulneráveis.

O Brasil, como país-sede, tenta ocupar o papel de mediador, buscando aproximar os dois blocos e destravar a agenda. A presidência da COP promete intensificar conversas bilaterais neste sábado, quando uma nova plenária foi convocada para atualizar o estado das discussões.

Organização

Na quinta-feira (13), a ONU (Organização das Nações Unidas) enviou uma carta ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, ao presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, e ao governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), criticando a organização do evento pelo Brasil e cobrando ajustes imediatos.

Segundo apurou a CNN, trata-se de uma movimentação incomum: embora a ONU seja responsável pela gestão da “Blue Zone”, área oficial de negociação, ela raramente formaliza insatisfações dessa forma durante conferências climáticas.

O episódio que motivou a reação foi a invasão de manifestantes na noite de terça-feira (11) à Blue Zone, rompendo o controle de acesso e interrompendo parte da programação. A ONU apontou falhas de segurança e pediu reforço urgente.

Além disso, delegações têm relatado problemas desde o primeiro dia, como falhas na refrigeração dos pavilhões, falta de água em banheiros e dificuldades operacionais consideradas atípicas para um evento dessa escala.

Após o envio da carta, a Casa Civil divulgou a seguinte nota:

A Casa Civil não esteve envolvida na tomada de decisão das forças de segurança pública referente aos protestos de 11 de novembro. A segurança interna da Blue Zone está a cargo da UNDSS, que define como serão protegidas todas as áreas em seu interior. Destacamos que todas as solicitações da ONU têm sido atendidas e, ontem (12), os Governos Federal e Estadual, juntamente com o Departamento das Nações Unidas para Segurança e Proteção (UNDSS, na sigla em inglês), realizaram a reavaliação dos meios e quantitativos policiais para preservação dos perímetros de segurança Laranja e Vermelha da COP30, que também foram ampliados.”