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Aplaudida de pé, Marina Silva se emociona em plenária no fim da COP30

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, protagonizou um dos momentos mais emocionantes do encerramento da COP30, em Belém. Aplaudida de pé após seu discurso final, ela fez um balanço dos avanços alcançados.

Além disso, reconheceu os impasses que ainda persistem e reforçou o compromisso do Brasil em liderar a construção de dois novos “mapas do caminho” um para deter e reverter o desmatamento e outro para a transição dos combustíveis fósseis de maneira justa e equitativa.

A fala da ministra ocorreu após uma plenária tensa e temporariamente suspensa devido a questionamentos de países latino-americanos sobre trechos da carta final da conferência, o que levou o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, a interromper os trabalhos por cerca de uma hora.

Durante o intervalo, delegações tentaram esclarecer pontos do documento e responder às preocupações das nações da região, que afirmaram não ter tido suas posições suficientemente consideradas. Após negociações, Lago retomou a sessão afirmando que “todas as decisões foram marteladas e são consideradas adotadas”.

A cena foi seguida por um embate diplomático quando um representante da Rússia criticou os questionamentos e sugeriu que os latino-americanos “não deveriam se comportar como crianças”, provocando aplausos e uma reação imediata da Argentina, que exigiu respeito e denunciou a postura como antiética.

As objeções latino-americanas foram registradas, mas não impediram a aprovação dos documentos-chave da COP30 entre eles o Mutirão Global (CMA.6), o fortalecimento do Programa de Trabalho de Transição Justa, a continuidade do Balanço Global, avanços no Artigo 2.1(c) e novas medidas para o Fundo de Perdas e Danos e o Fundo de Adaptação.

Também foi aprovada a inédita estrutura de indicadores do Objetivo Global de Adaptação (GGA). A ministra agradeceu à equipe liderada por André Corrêa do Lago, ao secretariado da ONU e cumprimentou Austrália, Turquia e Etiópia, que irão presidir as próximas COPs. Ao final ainda foi abraçada pela equipe.

A ministra chegou a fazer uma ponte histórica com a Rio-92: “Se pudéssemos voltar no tempo e conversar com nós mesmos na Rio 92, certamente diríamos que sonhávamos com muito mais dados, que esperávamos que a virada ambiental fosse mais rápida e que a ciência seria suficiente para mover decisões.”

A ministra citou o presidente Lula ao reforçar que ainda falta consenso para incorporar plenamente o chamado sobre combustíveis fósseis nas decisões oficiais, mas assegurou que o Brasil seguirá dedicado à pauta:

Precisamos de mapas do caminho para reverter o desmatamento e superar a dependência dos combustíveis fósseis.”

Marina destacou que realizar a COP no “coração da Amazônia” foi simbólico e essencial para fortalecer o protagonismo de povos indígenas, comunidades tradicionais e populações afrodescendentes. Celebrando o lançamento do TFF — mecanismo que valoriza quem conserva florestas tropicais — ela afirmou que a transição justa “ganhou corpo e voz” durante a conferência.

A ministra reconheceu avanços ainda modestos na adaptação, mas celebrou a aprovação inédita de indicadores globais e o compromisso de países desenvolvidos em triplicar o financiamento até 2030.

Segundo ela, os resultados reforçam o multilateralismo climático, embora muito mais esforço seja necessário para honrar a meta de 1,5°C assumida em Dubai.

Encerrando, emocionou-se ao agradecer a presença das delegações no Brasil: “Muito obrigada por visitarem a nossa casa, o coração do planeta. Talvez não tenhamos recebido como vocês merecem, mas recebemos como achamos que é nosso gesto de amor à humanidade e ao equilíbrio do planeta.”

COP30 encerra com metas de 122 países definidas e nova sede oficializada

Imagem noturna mostra logo da COP30

A COP30 terminou em Belém com ganhos significativos para a arquitetura climática global e um salto importante no número de NDCs, as Contribuições Nacionalmente Determinadas previstas no Acordo de Paris.

Segundo a CEO da conferência, Ana Toni, o evento começou com 94 NDCs entregues e foi concluído com 122 NDCs, reforçando o compromisso internacional de limitar o aquecimento a 1,5°C.

Ao final da sessão, também foi confirmada a próxima sede das negociações: a Turquia, sob organização da Austrália.

Apesar do encerramento oficial, o Brasil segue à frente da presidência da COP30 por mais 11 meses, período em que deverá liderar a preparação do mapa do caminho para acelerar a transição dos combustíveis fósseis e fortalecer políticas de desmatamento zero.

Segundo o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, o país terá agora um papel técnico e estratégico:

Vamos desenvolver um trabalho com o que há de mais qualidade de análise desse esforço de se afastar dos combustíveis fósseis. Uma ideia que saiu de Dubai. Vamos começar convidando as maiores entidades de energia do mundo e organizar essas informações, para que em um período curto de 11 meses possamos entregar um documento substantivo, neutro e equilibrado, que coloque os dados com uma nova maneira de observar a economia.”

O que foi aprovado?

A COP30 encerrou com a aprovação de 29 textos, resultado construído pelo consenso de 129 países, incluindo pontos centrais sobre adaptação, mitigação, financiamento climático e implementação.

Também houve avanço na Agenda de Ação, com o registro de 120 planos de aceleração, que irão orientar políticas públicas e ações setoriais para reduzir emissões e fortalecer a resiliência climática.

Um dos eixos mais celebrados do evento foi o salto na Agenda de Adaptação, destacada por Ana Toni como “muito superior às conferências anteriores”.

Com a adoção de indicadores globais inéditos, os países terão agora uma ferramenta comum para medir vulnerabilidades, impactos climáticos e progressos de adaptação.

A expectativa é que as próximas COPs apresentem planos de adaptação mais robustos, com monitoramento claro e metas verificáveis.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ressaltou os avanços, mas afirmou que a ambição poderia ter sido maior diante da urgência climática. Segundo ela, ainda há barreiras políticas e financeiras que limitam o ritmo da transformação necessária.

Principais acordos aprovados

Mesmo com momentos de tensão, como a suspensão temporária da plenária após questionamentos de países latino-americanos, a COP30 avançou em temas estruturantes. Entre as aprovações:

  • Mutirão (CMA.6): Documento central que reafirma o compromisso com a transição global de baixas emissões e a aceleração das metas nacionais alinhadas ao limite de 1,5°C.
  • Programa de Trabalho de Transição Justa: Criação de mecanismo para apoiar políticas que garantam geração de empregos e inclusão durante a transição energética.
  • Balanço Global (Global Stocktake): Continuidade da avaliação das ações do Acordo de Paris, considerando recomendações da COP28 em Dubai.
  • Artigo 2.1(c): Reafirma o alinhamento dos fluxos financeiros internacionais a economias de baixa emissão e maior resiliência.
  • Medidas de Resposta: Aprovação de fórum dedicado aos impactos socioeconômicos da transição energética, com foco em emprego e competitividade.
  • Fundo de Perdas e Danos: Diretrizes aprovadas para operacionalização do fundo, com modalidades de Barbados permitindo financiamento direto em 2025 e 2026.
  • Fundo de Adaptação: Aumento do teto de financiamento por país de US$ 10 milhões para US$ 25 milhões.
    Objetivo Global de Adaptação (GGA): Primeira estrutura global de indicadores para medir vulnerabilidades e ações de resiliência.

Chanceler da Alemanha se reúne com Lula após fala polêmica sobre Belém e diz que conversa ‘foi agradável’

Foto mostra Lula e chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, em evento preparatório para a COP30, em Belém, em 7 de novembro de 2025 — Foto: Reuters/Anderson Coelho

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, que passou a última semana no centro de um mal-estar com o Brasil por dizer que sua comitiva ficou feliz em deixar Belém, no Pará, se reuniu neste sábado (22) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na semana passada, após deixar a COP, Merz — que é o chefe de governo da Alemanha — afirmou ter ficado feliz ter retornado ao país europeu, “especialmente daquele lugar“. A fala gerou repercussões dentro e fora do Brasil, e o presidente Lula retrucou o alemão, dizendo que “Berlim não oferece 10% da qualidade que oferece Belém“.

À equipe da TV Globo, Merz disse que a conversa com Lula “foi boa, agradável“, mas não informou se conversaram sobre o mal-estar. Lula e Merz se reuniram durante a cúpula do G20, que começou neste sábado em Johanesburgo, na África do Sul. Eles fizeram um encontro bilateral privado.

O governo brasileiro também não disse se a fala sobre Belém esteve na pauta do encontro. Em nota, o Itamaraty afirmou que os dois líderes “concordaram em fortalecer a relação comercial, social, cultural e tecnológica ente os dois países, lembrando os laços de proximidade desde o início da migração alemã ao Brasil ainda no século XIX“.

Ainda segundo o comunicado, Lula convidou Merz a fazer uma visita de Estado ao Brasil e aceitou convite do chanceler alemão para ir a Hanover, na Alemanha, em abril de 2026 para a inauguração de uma feira de tecnologia industrial na cidade da qual o Brasil será um “país parceiro”.

Na sexta-feira (21), ao se manifestar pela primeira sobre a repercussão de sua fala, o chanceler alemão disse que esperava ter uma conversa “amena” e “sem constrangimentos” com Lula. Ele também ironizou as críticas, dizendo achar que o brasileiro concorda com sua fala:

Eu disse que a Alemanha é um dos países mais belos do mundo, e o presidente Lula provavelmente concordará com isso“, declarou Merz.

COP 30: Ruas de Belém começam a ser liberadas, após semanas fechadas para evento da Onu

Tanques de guerra estão auxiliando no bloqueio de ruas em Belém — Foto: Valéria Martins/g1

As vias de Belém que estavam bloqueadas há três semanas para Conferência do Clima (COP30) começaram a ser liberadas neste sábado (22). Mesmo com a continuidade de algumas reuniões entre lideranças na Blue Zone, as Avenidas Doutor Freitas e Duque de Caxias, por exemplo, tiveram trechos liberados.

O cruzamento entre as duas avenidas era um dos pontos totalmente bloqueados e que tinha até tanque de guerra compondo o bloqueio.

Após a Cúpula de Líderes, o tanque deu espaço a grades e tendas na via, onde militares reforçavam a segurança no acesso aos credenciados durante toda a COP 30.

Também neste sábado (22), os dois navios cruzeiros que estavam sendo usados de hospedagem deixaram Belém e junto deles, alguns participantes da COP, foram embora. Muitos participantes procuraram o aeroporto de Belém que estava com movimento intenso na tarde deste sábado.

Segundo o Ministério do Turismo, ao menos 9 mil estrangeiros estiveram em Belém e a Blue Zone, espaço da COP que exigia credenciamento, teve 42 mil participantes de 195 países. Mesmo com a despedida da COP, muitos turistas conseguiram visitar pontos turísticos de Belém.

Alteração no trânsito

Neste sábado (22), o cruzamento das Avenidas Doutor Freitas e Duque de Caxias estava parcialmente liberado e com agentes de trânsito no local orientando os motoristas.

O trecho da Avenida Dr. Freitas, entre a avenida Rômulo Maiorana e a avenida Visconde de Inhaúma, e o cruzamento das avenidas Duque de Caxias com a Alferes Costa também foram liberados.

A Avenida Júlio César, que passa ao lado do Parque da Cidade, espaço da COP 30, também foi liberada.

No entanto, alguns bloqueios ainda seguem neste fim de semana: A Avenida Brigadeiro Protásio, que passa em frente à Blue Zone, pode permanecer fechada até segunda-feira (24), segundo a prefeitura de Belém

O decreto que autoriza Garantia da Lei e da Ordem (GLO)na capital paraense vai até este domingo (23) e na segunda-feira (24) começam a ser retomadas as aulas na Grande Belém, após férias escolares.

Belém entra na fase final de reorganização viária após sediar um dos maiores eventos ambientais do planeta. A liberação progressiva das vias permitirá que a cidade retome sua rotina de mobilidade de forma planejada, segura e alinhada“, informou a Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (Segbel).

A rotina de quem mora na Grande Belém estava diferente por causa da segurança reforçada nas ruas para a Cúpula do Clima e a COP 30. Havia tanques de guerra em algumas ruas e constantes sobrevoos de helicópteros.

Havia pelas ruas de Belém agentes da Polícia Federal da PRF próximos ao local do evento e em hoteis onde delegações estão hospedadas, além de reforço de guardas e agentes de trânsito nas ruas.

A atuação militar faz parte da articulação com os órgãos de segurança federais e estaduais durante a COP30. A PF, por exemplo, tem fiscalizado para evitar, uso de drones e ao menos 300 drones irregulares foram identificados. A FAB também mobilizou aeronaves para atuar na COP.

Além disso, o Governo Federal autorizou o emprego das Forças Armadas para atuar na Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Até o fim do evento da ONU, helicópteros das Forças Armadas podem ser usados em diferentes missões, como operações de busca, salvamento e infiltração de tropas, o que pode exigir voos em baixa altitude.

Em discurso na COP30, Marina Silva diz que vê avanços, mas que ambição falhou: ‘sonhávamos com mais resultados’

Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, discursa na plenária final da COP30 — Foto: Reprodução

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou neste sábado (22) que a COP30 encerra seus trabalhos com avanços relevantes, mas ainda aquém da urgência exigida pela crise climática.

A avaliação foi feita durante o discurso de encerramento da plenária final, em Belém. Ao fim da sua fala, a ministra foi aplaudida de pé pelos participantes da Conferência do Clima.

Segundo a ministra, temas centrais — como o “mapa do caminho” para deter o desmatamento e viabilizar a transição para longe dos combustíveis fósseis — não entraram nas decisões oficiais devido à falta de consenso entre os países. Ainda assim, ela afirmou que a Presidência brasileira da conferência vai elaborar dois roadmaps próprios, guiados pela ciência e construídos de forma inclusiva.

‘Sonhávamos com muito mais resultados’

No discurso, Marina fez um exercício histórico ao comparar os resultados da COP30 com as ambições da Rio-92. Segundo ela, se os negociadores de três décadas atrás avaliassem o cenário atual, diriam que “sonhavam com muito mais resultados” e que esperavam uma virada ambiental mais rápida, baseada na ciência e na urgência climática.

Marina citou declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dizendo que é preciso construir caminhos “justos e planejados” para superar a dependência dos combustíveis fósseis, reverter o desmatamento e mobilizar recursos compatíveis com a dimensão do problema.

Roadmaps ficam fora das decisões

A ministra confirmou que o apoio expressivo recebido por diversos países e pela sociedade civil não foi suficiente para garantir que os roadmaps, os mapas do caminho, fossem incorporados ao texto final da COP30.

Ela afirmou, porém, que a Presidência brasileira vai apresentar dois documentos próprios:

  • um roadmap para deter e reverter o desmatamento;
  • outro para a transição “justa, ordenada e equitativa” para longe dos combustíveis fósseis.

Segundo Marina, ambos serão ancorados na ciência.

Avanços reconhecidos: indígenas, transição justa e TFFF

Marina destacou que realizar a conferência “no coração da Amazônia” permitiu um avanço simbólico e político na inclusão de povos indígenas, comunidades tradicionais e afrodescendentes nas negociações.

Ela ressaltou:

  • maior presença desses grupos na agenda de transição justa;
  • o lançamento do Tropical Forests Forever Facility (TFFF), mecanismo voltado a valorizar quem conserva florestas tropicais;
  • a promessa de países desenvolvidos de triplicar o financiamento para adaptação até 2035, incluída no texto do Mutirão Global;
  • a criação do Acelerador Global de Implementação, voltado a enfrentar a lacuna de ambição das NDCs e alinhar metas nacionais a políticas de desenvolvimento e investimento.

De acordo com Marina, 122 países apresentaram novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) com metas de redução de emissões até 2035 — um resultado que ela classificou como “fundamental para o multilateralismo climático”, embora reconheça que ainda faltam compromissos.

Adaptação avança, mas ‘missão 1.5’ ainda exige mais

A ministra afirmou que houve progresso na área de adaptação, com a definição de um conjunto inicial de indicadores globais — algo inédito. No entanto, reforçou que esses instrumentos precisarão ser aprimorados para que os países possam enfrentar a missão de manter o aquecimento global dentro de 1,5°C, compromisso reafirmado na COP28, em Dubai.

Progredimos, ainda que modestamente”, declarou.

Continuidade entre Rio-92 e COP30

Ao final do discurso, Marina fez uma defesa enfática da persistência das negociações multilaterais. Para ela, mesmo diante de atrasos, contradições e disputas entre os países, há uma continuidade entre a ambição que emergiu na Rio-92 e o esforço diplomático atual.

Ela agradeceu a presença das delegações internacionais em Belém e afirmou que o Brasil buscou recebê-las “como gesto de amor à humanidade e ao equilíbrio do planeta”.

“Talvez não os tenhamos recebido como vocês merecem, mas recebemos da forma como achamos que é o nosso gesto de amor à humanidade e ao equilíbrio do planeta“, disse Marina.

COP30 fecha acordo sem consenso sobre fósseis e com avanço em adaptação

A COP30 divulgou neste sábado (22) o conjunto de decisões finais que será levado à plenária de encerramento, marcada para o fim da manhã em Belém. Os documentos estão finalizados, mas ainda precisam ser formalmente aprovados pelo martelo — etapa que deve apenas chancelar, formalmente, os acordos costurados na última madrugada.

O balanço mostra que o “mapa do caminho” para a transição fora dos combustíveis fósseis, apresentado pelo Brasil e apoiado por mais de 80 países, não entrou no texto principal da Conferência. A proposta enfrentou forte resistência de produtores de petróleo, especialmente a Arábia Saudita.

A presidência brasileira deve lançar o roadmap como iniciativa própria, fora da decisão consensual. Além disso, um texto paralelo sobre fósseis será formalmente anunciado, conforme antecipado pela CNN Brasil na noite de sexta-feira.

No financiamento, os países aprovaram a estrutura que guiará a próxima etapa das negociações rumo ao novo objetivo coletivo de financiamento climático para depois de 2025, com reforço à trajetória que mira chegar a US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para países em desenvolvimento. O texto reconhece a necessidade de aumentar recursos públicos, concessões e financiamento altamente concessionário para adaptação.

A decisão também confirma o compromisso de triplicar o financiamento de adaptação até 2035, fortalecendo pedidos antigos de países vulneráveis. O pacote inclui ainda a criação de um programa de trabalho de dois anos sobre finanças climáticas e um ciclo de avaliações ministeriais periódicas.

Em adaptação, o acordo marca um avanço considerado estruturante: a conclusão de indicadores globais do Global Goal on Adaptation (GGA), uma definição aguardada desde o Acordo de Paris. Os países deverão iniciar a implementação em 2026, com apoio técnico e possibilidade de revisão de planos nacionais ao longo do próximo ciclo.

A COP30 também acordou os detalhes do “Diálogo dos Emirados Árabes”, mecanismo criado no GST-1 para monitorar a implementação das metas do Acordo de Paris — uma etapa técnica que deve orientar a preparação das próximas NDCs em 2026 e 2027.

No plano geral, o texto afirma que a transição para economias de baixas emissões é “irreversível”, destaca que as metas atuais ainda não são suficientes para manter 1,5ºC viável e cria novas iniciativas multilaterais, como o Global Implementation Accelerator e a Belém Mission to 1.5, que integrarão o ciclo de implementação até 2026.

Marina Silva diz que tempo ‘não pode ser impedimento’ para debater temas polêmicos

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva/ Mauro PIMENTEL / AFP

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, comentou nesta sexta-feira, 21, que “o tempo não pode ser o impedimento” para o debate dos temas mais sensíveis nas tratativas durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30). “O esforço é alcançar o melhor resultado”, comentou ao ser abordada por jornalistas nos corredores da Conferência em Belém (PA).

São quatro os temas ainda não consensuais. O primeiro trata de como os países desenvolvidos podem financiar ações climáticas em países em desenvolvimento. O segundo busca metas mais ambiciosas para combater o aquecimento global. O terceiro diz respeito às restrições unilaterais ao comércio por questões ambientais, como barreiras tarifárias. O quatro pede mais transparência em relatórios sobre emissões de gases poluentes.

Os quatro itens foram os chamados temas “fora da pauta oficial” – pelo menos no primeiro momento. Isso porque, já no início da primeira semana, para evitar qualquer trava, a presidência da COP30 articulou para tirar os principais pontos sensíveis da discussão formal e abordá-los paralelamente. Marina Silva disse que os quatro temas mais polêmicos voltam à discussão na reunião das 17h.

A poucas horas do fim da COP30, negociações prosseguem em Belém

COP30 (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil)

As negociações em torno do documento final da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) ainda não se encerraram, mesmo faltando poucas horas para o término do evento, às 23h50 desta sexta-feira (21). Caso os países não cheguem a consenso até este horário, as negociações poderão se estender durante a madrugada ou retornar neste sábado (22).

No início da manhã, foram divulgados os rascunhos dos textos que estão em discussão, o chamado Pacote de Belém. Representantes da sociedade civil criticaram a falta de ambição das nações para buscar as metas climáticas previstas no Acordo de Paris, que procura conter o aumento da temperatura do planeta em até 1,5ºC, como limite para que o planeta não entre em um ciclo grave de catástrofes ambientais.

Um dos principais pontos de frustração é a ausência do mapa do caminho para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, como petróleo e carvão mineral, os principais responsáveis pelas emissões dos gases que causam o aquecimento global. O governo brasileiro, e especialmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, insistiu muito na aprovação de um texto que abordasse alguma proposta de cronograma de implementação dessa transição energética, o que acabou não se concretizando.

Para o Observatório do Clima, rede que articula centenas de entidades da sociedade civil, a proposta de texto neste tópico acabou contemplando mais o interesse dos países produtores de petróleo.

“Não há menção a combustíveis fósseis em nenhum dos textos, o que torna qualquer resposta aqui insuficiente. Na parte sobre financiamento, [o rascunho] cria um programa de dois anos sobre financiamento público. Mas como faz uma conexão com o artigo 9º [do Acordo de Paris] como um todo, a gente tem que esperar para ver a reação dos países árabes para ver isso vai ser suficiente”, apontou Stela Herschmann, especialista em política climática do Observatório.

Ao longo de todo o dia, grupos negociadores, que são articulações de países que costumam negociar em conjunto, como Grupo Africano, União Europeia, países árabes, o bloco China+77, entre outros, passaram o dia em tratativas e disputas sobre os rumos dos documentos.

Um grupo de 29 países, entre eles Colômbia, Alemanha, França, Reino Unido e nações insulares como Ilhas Marshall e Vanuatu, estas últimas fortemente ameaçadas pela subida dos oceanos, reagiu pedindo revisão imediata do texto em análise.

“Não podemos apoiar um resultado que não inclua o roteiro de implementação de uma transição justa, ordenada e equitativa”, afirmou o grupo que propõe a realização, no ano que vem, de uma conferência internacional para tratar justamente sobre a eliminação dos combustíveis fósseis.

“A gente não pode sair daqui com esse gosto amargo na boca”, afirmou Carolina Pasquali, diretora-executiva do Greenpeace Brasil.

“Tem um grupo de países que sempre se coloca contra, a Arábia Saudita, por exemplo, a Índia, e outros que estão reclamando que não vieram para cá com esse mandato de discutir combustíveis fósseis. Ontem, a gente teve um pequeno incêndio aqui que só não virou uma grande tragédia porque ele foi lidado com urgência, os bombeiros e os profissionais trataram o fogo com a urgência que eles demandam de nós e a gente está aqui hoje trabalhando”, acrescentou.

Renomados cientistas também publicaram uma carta em que criticam a ausência de menções a combustíveis fósseis nos documentos da COP30 e alertam para um cenário em que a temperatura média global poderá escalar acima de 2ºC, o que seria uma ameaça existencial à vida humana no planeta.

Em meio a divergências, tanto o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, quanto o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, se manifestaram ao longo do dia pedindo por consenso e instando os países a alcançarem resultados concretos.

COP30 prolonga negociações devido à falta de acordo

André Correa do Lago, presidente da COP30/Foto por PABLO PORCIUNCULA / AFP

A conferência climática de Belém (COP30) ultrapassou seu horário de encerramento programado nesta sexta-feira (21) às 18h diante da falta de acordo sobre a declaração final, que não contém nenhuma referência à eliminação gradual dos combustíveis fósseis.

Os negociadores permaneciam reunidos a portas fechadas para tentar superar as divergências e alcançar um acordo que reafirme o multilateralismo diante da emergência climática.

Presidente da COP30 convoca países a buscar consenso em reta final

André Corrêa do Lago, presidente da COP30/Tânia Rêgo/Agência Brasil

Enquanto as negociações chegam ao ponto decisivo na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), o presidente do evento, André Corrêa do Lago, convocou na manhã desta sexta-feira (21) os países a chegarem a um consenso pelo bem comum do planeta.

Corrêa do Lago disse que o momento é de cooperação internacional e que os países não devem pensar os resultados da COP em termos de vitória ou derrota.

“Sabemos o quanto há de obstáculos para colocar palavras em prática e como é muito difícil chegar a consensos. Mas nós nunca podemos esquecer que o mesmo consenso que às vezes nos exaspera — analistas, delegados, tantas pessoas — fortalece este regime. Temos que mostrar que esta é a COP em que consenso é força”, disse o embaixador.

“Não podemos nos dividir no contexto do Acordo de Paris. Temos aqui a percepção de divisão que vem de vários negociadores da convenção. Essa noção de divisão nós tentamos reduzir durante esta negociação, com transparência e soluções verdadeiras que vêm das delegações”, complementou.

Para o embaixador, pelo menos três objetivos colocados como centrais para a presidência brasileira serão alcançados: fortalecer o multilateralismo; conectar os debates da COP à vida das pessoas; e acelerar a implementação do Acordo de Paris (que busca reduzir emissões de gases do efeito estufa e limitar o aquecimento do planeta a 1,5ºC).

O presidente da COP30 também destacou que realizar o evento em Belém, na Amazônia, foi essencial para a mensagem de preservação do bioma.

“Ao organizar esta COP na Amazônia, o presidente Lula quis que o mundo visse não apenas a beleza forte desse bioma incrível, mas também os desafios que nós temos que desenvolver”, disse Corrêa do Lago.

“Eu acredito que mudamos a percepção da relação entre natureza e clima. Obrigado pelos momentos que todos vocês passaram aqui e pela sensibilidade em relação às nossas florestas, que é algo que nem todos instintivamente entendem que é preciso proteger”, complementou.

Incêndio

Durante a abertura da plenária informal na Zona Sul, espaço oficial onde ocorre a COP30, o embaixador também lembrou o incêndio que destruiu parte dos pavilhões nesta quinta-feira (20).

Ele disse que, apesar de todos os aspectos negativos do ocorrido, houve demonstração de apoio coletivo, que poderia ser levado para a mesa de negociação da carta final do evento.

“Estamos aqui juntos depois do fogo. Isso foi rapidamente controlado e contido. Isso nos lembrou da nossa vulnerabilidade compartilhada e de como instintivamente agimos juntos em momentos de crise. Eu gostaria de agradecer a todos pelo profissionalismo e solidariedade. Recebemos muitas mensagens de apoio. Muitas delas foram realmente muito fortes, amigáveis e sensíveis”, disse o Corrêa do Lago.

COP30: Retirada de plano sobre combustíveis fósseis do texto amplia tensões

Imagem noturna mostra logo da COP30

A presidência da COP30 divulgou nesta sexta-feira (21) um novo rascunho da decisão final da conferência. O texto retirou a proposta de criação de um plano de transição para a eliminação gradual do uso de combustíveis fósseis, que havia sido defendido por cerca de 80 países, segundo o governo brasileiro.

A retirada do tema gerou desconforto entre os países que apoiavam o plano. Representantes desses países afirmam que o novo texto, que se limita a mencionar a necessidade de “uma economia de baixo carbono”, reduz a ambição climática e pode afetar o andamento das negociações em outras áreas.

Diplomatas indicam que os países favoráveis ao roadmap devem endurecer suas posições em discussões paralelas.

A decisão de excluir o compromisso veio após críticas de nações fortemente dependentes da exploração de petróleo, gás e carvão. Esses países argumentaram que a proposta anterior colocava pressão excessiva sobre suas economias e pedia uma transição considerada, por eles, desproporcional.

Críticas

A nova versão do texto também recebeu críticas de organizações subnacionais. Mark Watts, diretor-executivo da rede C40 Cities, afirmou que o rascunho mais recente do chamado Belém Political Package demonstra falta de ambição em áreas centrais da agenda climática.

Segundo Watts, “os textos sugerem que várias partes estão tentando deixar o mutirão global em cinzas”. Ele afirma que não há avanço suficiente em combustíveis fósseis, transição justa e cooperação multinível. Para ele, “ainda é possível corrigir o rumo”, desde que a COP adote a visão brasileira de uma conferência voltada para implementação.

Temas ainda em aberto

Além da disputa em torno dos combustíveis fósseis, seguem sem consenso questões como o financiamento climático e as regras para lidar com medidas comerciais unilaterais, conhecidas como “protecionismo verde”. Esses pontos são considerados essenciais para que a conferência avance para um acordo equilibrado entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Incêndio deixou prazo de acordo mais apertado, diz presidente da COP à CNN

O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, confirmou que o incêndio causado na Blue Zone da conferência afeta as negociações, uma vez que o bloqueio da área tornou reuniões inviáveis ao longo desta quinta-feira (20).

Afetar [as negociações], sem a menor dúvida, porque ficou mais apertado o tempo que teremos. A negociação está muito difícil, tem muitas coisas pendentes, mas acredito que vamos conseguir amanhã em um esforço dos delegados estrangeiros que querem trabalhar por um bom resultado“, disse Correa do Lago, em entrevista exclusiva à CNN.

Na tarde desta quinta, chamas de grandes proporções foram vistas na Blue Zone, causando uma evacuação da área, que voltou a ser liberada após pelo menos cinco horas, às 20h40 da noite.

Corrêa falou ainda sobre as resistências com relação a transição energética. Para o presidente da COP30, apesar da complexidade do tema, o essencial é buscar caminhos que respeitem a circunstância de cada país.

Esse é um tema importante a absolutamente central na COP, mas é um tema que divide muitos países. Têm muitos produtores, muitos consumidores e muitos preocupados com o custo dessa transição. […] Isso é um tema que vai se tornar cada vez mais forte e temos que encontrar esses caminhos, respeitando a circunstância de cada país. Mas acho que foi lançada uma discussão que terá um impacto muito grande“, explicou.

O presidente da COP30 exaltou ainda a presença do setor privado na conferência e disse que o encontro mostrou muitas alternativas para a questão dos comestíveis fósseis.

Investigação

Como informou a CNN, a PF (Polícia Federal) abriu uma investigação para apurar o incêndio na Blue Zone da COP 30 de Belém. Uma vistoria inicial pelos peritos da PF já foi feita e nesta sexta-feira deve ser feita perícia completa.

Também serão ouvidas testemunhas, como integrantes do pavilhãp que pegou fogo e dos pavilhões laterais.

Uma das principais linhas de investigação que se trabalha é de que um forno micro-ondas não compatível com a rede elétrica do local gerou um curto-circuito que levou ao incêndio.

Incêndio atinge Pavilhão dos Países na COP30; organização diz que fogo foi controlado e não deixou feridos

Um incêndio foi registrado nesta quinta-feira (20) no Pavilhão do Países, uma das áreas da Zona Azul da COP30, em Belém (PA). No VÍDEO acima, veja o momento em que o fogo começa.

Os primeiros relatos do problema aconteceram pouco depois das 14h e a situação foi controlada em cerca de 30 minutos. Ninguém ficou ferido.

Todas as pessoas que estavam na Zona Azul receberam ordem da segurança para deixar o espaço. A medida significa a paralisação dos trabalhos da COP30.

A UNFCCC, entidade da Organização das Nações Unidas responsável pelo evento, informou que os bombeiros realizavam uma checagem de segurança e NÃO há previsão de reabertura antes das 20h.

A Zona Azul, também chamada de Blue Zone, é o principal espaço da Conferência do Clima. Ela é a área onde estão as salas onde se reúnem os negociadores e ministros.

Também é o espaço onde países montam seus stands para divulgar projetos e iniciativas. Foi nesta região que o fogo foi registrado.

‘Nunca houve, em 30 anos de COP, uma Zona Azul pegando fogo’, diz coordenador do Observatório do Clima

O coordenador do Observatório do Clima, Claudio Angelo, afirmou que o incêndio que atingiu o Pavilhão da Índia na Blue Zone da COP30, nesta quinta-feira, é algo inédito na conferência. Após as chamas, a Convenção das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) informou que as instalações atingidas estão, agora, sob a autoridade do Brasil, e não são mais consideradas um território da ONU.

— Nunca houve, em 30 anos de Convenção do Clima, uma Zona Azul pegando fogo. A relação da ONU com a Casa Civil não poderia ficar pior do que já está — disse Angelo.

Segundo o governo do Pará, o incêndio já foi controlado. Ainda conforme a UNFCCC, o Corpo de Bombeiros do Pará ordenou a evacuação do local e realizará “verificações de segurança completas”. Uma nova atualização será publicada às 16h.

O ministro do Turismo, Celso Sabino, disse que o episódio “poderia ter sido em qualquer lugar” do planeta. Segundo ele, a estrutura da conferência foi erguida com material antichamas. A energia elétrica foi cortada em uma parte da estrutura da COP, e ainda não se sabe a razão do incêndio. É possível que tenha sido um curto-circuito num estande ou em algum gerador, segundo a Globonews.

‘Nossa luz ficou piscando e a fumaça subiu’, relata ambientalista
O ambientalista Marcelo Rocha, diretor-executivo do Instituto Ayika, testemunhou o incêndio que atingiu o Pavilhão da Índia. De acordo com ele, a técnica de som do Ayika já havia relatado que as instalações elétricas estavam ruins e poderiam ocasionar incêndios:

— Eu iria fazer uma mesa no Climate Live, o que pegou fogo foi o East Africa Community. Foi instantâneo: nossa luz ficou piscando, e depois a fumaça subiu — afirmou Rocha. — Nossa técnica de som, inclusive, disse que já tinha avisado que isso poderia acontecer, porque a instalação estava ruim.

Foi possível ver fotos de chamas indo até o teto. Como a estrutura do pavilhão é inflamável, com lonas e carpetes, o fogo correu rapidamente. Os seguranças da ONU fizeram um cordão de isolamento para evitar que as pessoas não voltem ao interior do pavilhão.

Lula diz que cada país deve abandonar dependência de energias fósseis em seu próprio ritmo

Presidente Lula na COP30/ PABLO PORCIUNCULA / AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira (19) na COP30 em Belém do Pará que cada país deve abandonar a dependência das energias fósseis em seu próprio ritmo.

No momento em que a conferência climática entra em sua reta final para alcançar acordos sobre temas-chave como a transição energética, Lula defendeu que “cada país seja dono de determinar as coisas que ele pode fazer dentro do seu tempo, dentro das suas possibilidades”.