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Exclusivo da COP30: Cláudio Ademar destaca urgência de ações para enfrentar a crise hídrica e as mudanças climáticas

Diretamente de Belém do Pará, durante a COP30, o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, Cláudio Ademar, concedeu entrevista exclusiva ao correspondente especial Elias Silva, que também é coordenador do Comitê e membro do Comitê do Projeto de Integração do São Francisco (PISF). A entrevista foi realizada para o Programa A Tarde é Sua, da Rádio Pajeú, e para o Blog Alyson Nascimento.

Durante a conversa, Cláudio Ademar destacou que a COP30 é a Conferência da execução, e não mais apenas do planejamento. “Passou da hora de planejar. Agora é a hora, é a COP30, é a COP da execução. Nós precisamos executar”, afirmou.

O presidente ressaltou a importância da água no contexto das mudanças climáticas, afirmando que ela está no centro de toda a discussão ambiental. “A água está no princípio, ela norteia toda mudança climática. Temos uma perspectiva de aumento de 30% no consumo de água nos próximos anos. Precisamos encontrar soluções urgentes para evitar o agravamento dessa crise”, alertou.

Cláudio também chamou atenção para os impactos da irregularidade das chuvas na vida do produtor rural. “O trabalhador do campo, que antes conseguia planejar seus ciclos, hoje já não sabe mais quando vai chover. Isso é resultado direto das mudanças climáticas”, observou.

O representante do Comitê afirmou ainda que está em Belém com Elias Silva, fundador do Submédio São Francisco, promovendo debates e buscando compromissos concretos do governo brasileiro. “Queremos ações efetivas de combate à desertificação, que já afeta nossa região, e políticas reais para enfrentar os efeitos do clima”, concluiu.

COP30: manifestantes tentam invadir área da ONU e espaço é isolado após tumulto

Uma confusão terminou em correria e quebra-quebra no acesso à Zona Azul da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP30), em Belém nesta terça-feira (11).

Um grupo de indígenas tentou acessar a área restrita a pessoas credenciadas e foi contido pela segurança. Os manifestantes conseguiram ultrapassar o sistema de Raio-X, mas foram parados por um bloqueio de segurança antes de acessarem o local. Portas da entrada foram quebradas. Ao menos um segurança ficou ferido durante o incidente.

Os indígenas protestavam com uma bandeira “Palestina livre” e contra a exploração de petróleo na Margem Equatorial, na foz do Rio Amazonas.

O Estadão questionou a assessoria de imprensa da COP no Brasil, que respondeu que questões de segurança devem ser tratadas diretamente com a UNFCCC, braço de clima da ONU. A reportagem procurou a entidade, mas ainda não obteve resposta.

De acordo com informações preliminares, os manifestantes participavam de uma marcha, mas, em vez de seguir o trajeto, se separaram do grupo principal e foram para o Parque da Cidade tentar entrar na Zona Azul.

Em nota, a organização da “Marcha pela Saúde e Clima” afirmou que “os atos que ocorreram após a marcha não fazem parte da organização do evento e que respeita as instituições organizadoras da COP30 e “o compromisso com uma Amazônia viva, saudável e sustentável para todos.”

Vídeos mostram os manifestantes gritando palavras de ordem em defesa da taxação de grandes fortunas, enquanto seguranças tentam retirá-los da Zona Azul. Alguns manifestantes subiram em mesas com faixas de protesto. Outros empunhavam bandeiras, bastões, megafones, arcos e flechas.

A invasão durou alguns minutos. Após a expulsão dos manifestantes, seguranças fecharam a Zona Azul e pediram que os participantes credenciados da COP que estivessem na área deixassem o local. Foi formado um cordão de isolamento e a segurança foi ampliada no local, inclusive com homens fortemente armados.

Na COP30, Raquel Lyra apresenta ações do Governo de Pernambuco voltadas à transição energética

Governadora Raquel Lyra na COP30/Divulgação

A governadora Raquel Lyra participou nesta terça-feira (11) da 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30), que acontece em Belém. Durante passagem pelo encontro das Nações Unidas para discussão das mudanças climáticas, a gestora apresentou os eixos estratégicos da gestão estadual a respeito do tema, sobre os quais estão ancoradas ao menos 90 iniciativas das mais diversas áreas do governo.

“A COP30 nos dá a oportunidade de falar para o Brasil e o mundo sobre as soluções que Pernambuco tem desenvolvido para ajudar a combater as mudanças climáticas. Mas tão importante quanto isso é garantir que a transição energética e o enfrentamento às mudanças climáticas estejam conectados à geração de oportunidades, pois de nada adianta falarmos de economia verde sem que isso esteja relacionado com a possibilidade de desenvolvimento do nosso chão. A justiça social precisa estar presente em qualquer decisão que fale sobre nova economia”, declarou a governadora.

Raquel Lyra iniciou o dia participando do painel “Oportunidades de Powershoring no Nordeste brasileiro: como acelerar investimentos sustentáveis e a cadeia industrial de baixo carbono”. Na ocasião, ela detalhou como Pernambuco tem se colocado como protagonista regional da transição energética justa, consolidando o Porto de Suape como um hub de combustíveis sustentáveis e investindo em ações como a distribuição de gás natural no polo gesseiro do Araripe, antes inteiramente dependente da lenha da Caatinga.

À tarde, após prestigiar a inauguração do Espaço Nordeste do Consórcio Nordeste no evento, a gestora participou do “Painel de Alto Nível Sobre Soluções Verdes no Transporte Marítimo Internacional” ao lado da rainha da Dinamarca, Maria Donaldson, e de representantes da European Energy e AP Moller-Maersk. Neste encontro, a governadora reafirmou o compromisso do Estado com a transição de combustíveis no setor marítimo e debateu o futuro dos portos sustentáveis.

Ainda nesta terça-feira, Raquel Lyra formalizou um Acordo de Cooperação Técnica entre o Estado e o Instituto Clima e Sociedade (iCs), organização filantrópica que apoia o enfrentamento das mudanças climáticas. A ideia da iniciativa é a “execução de ações de interesse recíproco nas áreas de desenvolvimento sustentável, transição energética justa, atração de investimentos, diplomacia climática e mobilização de recursos de filantropia para projetos prioritários do Governo de Pernambuco”.

Na COP30, a ONU lança plano que pretende reduzir emissões poluentes em mais de 60%

30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas/MAURO PIMENTEL / AFP

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente lançou hoje, na cúpula mundial do clima no Brasil, na cidade de Belém, um plano de arrefecimento sustentável para combater o calor extremo e que poderá reduzir em 64% as emissões de gases poluentes até 2050.

“A procura por arrefecimento pode triplicar nos próximos 25 anos devido ao aumento da população, a ondas de calor extremas mais frequentes e ao aumento de famílias de baixos rendimentos”, indica o projeto da ONU.

O programa propõe uma rota de arrefecimento sustentável que ajude a refrigerar os espaços sem agravar a crise climática. “Soluções energeticamente eficientes e baseadas na natureza, como telhados e espaços verdes, e tecnologias de baixo consumo, através de ventiladores e sistemas híbridos de ar condicionado, poderão ajudar nesta tarefa, reduzindo as emissões poluentes em 64%, e evitando até 37 bilhões de euros em custos de energia e infraestruturas, além de melhorar o acesso ao arrefecimento para três bilhões de pessoas, segundo divulgou a ONU na COP30.

Mas, o Programa da ONU para o Meio Ambiente também assinalou que somente 54 países possuem políticas abrangentes sobre refrigeração sustentável, sendo que as maiores lacunas se localizam na África e na região Ásia-Pacífico, onde se prevê o maior crescimento da busca elo arrefecimento.

De acordo com as Nações Unidas, as ondas de calor são os eventos climáticos mais mortíferos, causando e milhares de mortes todos os anos, especialmente em áreas urbanas onde o efeito de “ilha de calor” pode elevar as temperaturas em 5 a 10 graus. O fenômeno é provocado, entre outros fatores, pela falta de vegetação, substituída por superfícies que absorvem e retêm o calor, como o asfalto e o betão, pela falta de sombra e pela liberação do calor produzido pelos veículos e pelo ar condicionado.

Afonso Cavalcanti critica o “capitalismo verde” e alerta para impactos das energias renováveis no Semiárido

ARTIGO | A falácia do capitalismo verde

Durante o segundo dia do quadro “Pajeú Paralelo à COP30”, no programa A Tarde é Sua, o engenheiro florestal Afonso Cavalcanti, da Cáritas Brasileira, participou diretamente de Belém, onde acontece a Conferência das Partes da ONU sobre o Clima (COP30).

Em sua fala, Afonso trouxe uma reflexão crítica sobre a chamada transição energética e o conceito de “capitalismo verde”, que, segundo ele, tem sido usado para disfarçar novas formas de exploração.

“A transição energética do carbono nos combustíveis fósseis para as energias renováveis está sendo apresentada como algo dentro do chamado capitalismo verde. Fala-se muito em crédito de carbono, economia verde, energia limpa — mas, na verdade, isso é mais uma iniciativa do capitalismo para ganhar dinheiro, sem escutar as comunidades tradicionais, como agricultores familiares, indígenas e quilombolas”, afirmou.

O engenheiro destacou que, apesar do discurso de sustentabilidade, muitos empreendimentos de energia solar e eólica têm causado impactos negativos nos territórios e nos modos de vida das populações locais.

“Essas iniciativas, ditas verdes, quando chegam aos territórios, vêm para explorá-los. A energia solar e a eólica têm destruído o bioma Caatinga, desapropriado terras e afetado a saúde e o modo de vida das pessoas. A gente está aqui para questionar isso, para colocar outra discussão na pauta”, destacou Afonso.

Ele ressaltou, no entanto, que o posicionamento não é contra as energias renováveis, mas contra a forma como elas têm sido implantadas.

“Não somos contra a energia renovável. Somos contra a forma como ela está chegando nos territórios”, concluiu.

Pajeú Paralelo à COP: “Foi quase impossível, mas conseguimos”, diz vice da COOMUPA sobre regularização da cooperativa

O segundo dia do quadro “Pajeú Paralelo à COP30”, no programa A Tarde é Sua, abordou o tema “Retirada da madeira e do saibro: o preço do progresso”.

Entre os convidados, o vice-presidente da COOMUPA (Cooperativa de Mineração União do Pajeú), Márcio Victor, destacou o esforço e a persistência do grupo para conquistar a regularização da cooperativa, um marco inédito na região.

Segundo ele, o processo foi marcado por muitas dificuldades e momentos de desmotivação. “Foram muitos desafios, até porque estamos falando de três anos, né? Nesse meio tempo, a gente chegou a se desmotivar bastante, porque, quando íamos aos órgãos competentes, ouvíamos: ‘Olha, isso aí é quase impossível de conseguir’”, afirmou.

Márcio lembrou que, apesar das barreiras burocráticas, o trabalho coletivo fez toda a diferença. “Não existem outras cooperativas regularizadas — até pessoas da iniciativa privada tentaram legalizar grandes comércios em Serra Talhada, em Sertânia, e não conseguiram, por conta das muitas exigências. Encontramos muita dificuldade, principalmente para nos enquadrar em todo esse processo de legalização. Só que, como a causa da cooperativa é uma causa coletiva, isso fez diferença”, disse.

Pajeú Paralelo à COP: CPRH aponta boa qualidade da água do Rio Pajeú, com exceção de trecho em Serra Talhada

O diretor-presidente da CPRH, Anchieta Santos, participou do segundo dia do quadro “Pajeú Paralelo à COP30”, no programa A Tarde é Sua.

Ao falar sobre o monitoramento do Rio Pajeú, Anchieta destacou:

“Posso adiantar para você: é um rio que apresenta uma boa qualidade da água. Apenas um trecho está com a qualidade ruim; o restante varia de regular para boa.”

Questionado sobre qual seria esse trecho, ele explicou:

“Apenas um trecho está com a qualidade ruim, o do reservatório de Serrinha II, em Serra Talhada. Mas é uma questão temporária. Acreditamos que, com as ações que temos tomado, vamos conseguir melhorar”, afirmou.

COP30 começa com consenso e clima de otimismo

A COP30 começou nesta segunda-feira (10) com um raro sinal de unidade entre as quase 200 delegações que participam da conferência do clima da ONU.

Logo no primeiro dia, os países chegaram a um consenso sobre a agenda oficial de negociações, um feito incomum em relação a edições anteriores, em que esse processo costumava se estender por vários dias. A decisão foi celebrada pela CEO da COP30, Ana Toni.

Nas últimas quatro COPs, não fomos capazes de abrir a agenda no primeiro dia. Então, isso é uma grande notícia para nós, porque fomos capazes, neste presente momento geopolítico, de abrir a agenda“, disse Toni em coletiva de imprensa.

São 145 tópicos da agenda, sendo 20 considerados os mais “substantivos” pela presidência brasileira.

O presidente da conferência e embaixador brasileiro André Corrêa do Lago também comemorou o resultado. Segundo ele, a aprovação rápida da agenda “permitirá que o trabalho intenso comece de imediato”, garantindo mais tempo para avançar nos debates.

A definição da pauta foi confirmada ainda na noite de domingo (9), após mais de seis horas de reuniões e consultas entre representantes dos países. O gesto foi interpretado como um indicativo de disposição política para cooperação.

Com a agenda aprovada, a conferência avança agora para discussões sobre os pontos centrais das negociações: o financiamento climático — com foco em como os países ricos vão apoiar nações em desenvolvimento —, a transição para energias limpas e as políticas de adaptação frente a eventos extremos.

O governo brasileiro espera usar o evento em Belém para reforçar o papel do país como articulador de consensos e vitrine da proteção da Amazônia.

A expectativa é que, até o encerramento da conferência, em 21 de novembro, haja anúncios de novos aportes financeiros nos fundos ambientais e avanços no desenho de mecanismos de implementação das metas climáticas.

A largada com consenso foi vista pela presidência da COP30 como um “sinal de maturidade” do processo de negociação multilateral. Agora, a atenção se volta para os próximos dias, que devem definir se o espírito de cooperação inicial se manterá diante das decisões mais complexas.

Metas de emissão abrem conflito entre países no início da COP30

Baixas ambições dos países com suas metas de redução de gases do efeito estufa, aliada a falta de apresentação dessas metas por parte, até agora, de 84 dos 195 países integrantes do Acordo de Paris, abriram o primeiro conflito entre as delegações logo no primeiro dia da conferência em Belém.

Segundo fontes envolvidas nas negociações, um grupo de países se insurgiu para que esses dois temas entrem oficialmente na pauta de debates da COP, mas a inclusão é contestada por outro grupo que entende que esta agenda só poderia entrar por consenso.

Isso porque, pela Convenção do Clima, as chamadas NDCs — metas nacionalmente determinadas de redução de emissões — são definidas por cada país de forma soberana, sem espaço para avaliação direta por outros membros.

Esses países defendem que a distância entre os compromissos anunciados e o limite de 1,5°C de aquecimento global exige uma resposta política mais contundente, ainda que fora das negociações formais. Hoje, as estimativas indicam aquecimento próximo de 2,4°C até o fim da década.

O embate levou o Brasil a comandar uma reunião, na noite desta segunda-feira (10), primeiro dia da COP30, com países insatisfeitos com o baixo nível de ambição nas metas de descarbonização apresentadas por outras nações.

A presidência brasileira da COP atua para mediar o impasse e buscar consenso sobre como a conferência pode avançar nesse debate, sem romper o formato atual das negociações.

As novas NDCs, que começam a ser atualizadas por diversos países para cumprir o Acordo de Paris, estão mais abrangentes e detalhadas do que nos ciclos anteriores, com metas setoriais e estimativas de investimento em transição energética. No entanto, especialistas apontam que, no caso de algumas potências mais poluidoras, as metas são insuficientes.

Marina Silva diz que fome e crise climática devem ser combatidas juntas

Evento reuniu autoridades de diferentes países, além de outros membros do governo brasileiro/ANTONIO SCORZA

Fenômenos climáticos extremos, como o tornado que atingiu o Paraná na última sexta-feira, provocam destruição, mortes e maior vulnerabilidade social. A partir dessa premissa, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, disse nesta segunda-feira (10) que fome, pobreza e crise climática devem ser combatidas de forma conjunta. Ela participou de um evento na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém, que reuniu autoridades de diferentes países, além de outros membros do governo brasileiro.

“As pessoas perdem seus sistemas alimentários, locais de trabalho, quando tem uma enchente, quando tem um tufão ou um furacão, agravado pela mudança do clima, como aconteceu agora no Paraná, onde uma cidade inteira foi arrasada com perdas de vida. Elas ficam mais vulneráveis”, apontou Marina.

Marina defendeu a necessidade de pensar a mudança do clima em paralelo ao combate às desigualdades.

“Pensar o enfrentamento da desigualdade junto com o enfrentamento da mudança do clima é algo perfeitamente possível, e é o único caminho para lidar com os dois problemas com eficiência”, complementou.

O evento teve a participação do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil, Wellington Dias. Ele destacou a necessidade de fortalecer redes de proteção social para respostas às emergências climáticas, e reforçou a importância dos povos tradicionais no cuidado da terra, além dos agricultores familiares.

“Não há segurança alimentar nem resiliência climática sem aqueles que cuidam da terra, das águas e das sementes, da produção. A agricultura familiar fornece a maior parte dos nossos alimentos”, disse Dias. “Ao mesmo tempo, povos tradicionais agem como guardiões de técnicas tradicionais de plantio e da diversidade genética de nossos alimentos. A floresta produtiva é um caminho que integra o social, o ambiental e o ecológico”, complementou.

No último dia 7 de novembro, durante a Cúpula do Clima, 43 países e a União Europeia aprovam a Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas. O compromisso coloca a agenda do combate à fome e à pobreza no centro das discussões climáticas globais.

No evento desta segunda-feira, a ministra da Cooperação e Desenvolvimento da Alemanha, Reem Alabali Radovan, elogiou a iniciativa brasileira em desenvolver a Declaração de Belém e iniciativas de combate à fome.

“Esta declaração representa um passo pioneiro na articulação entre ação climática, proteção social e segurança alimentar. Reconhece que a proteção do planeta e a proteção das pessoas devem caminhar juntas. A agricultura sustentável e o desenvolvimento rural inclusivo são essenciais para enfrentar o desafio climático global e garantir que ninguém seja deixado para trás. Além disso, a declaração deixa claro que a proteção social é um pilar da ação climática nacional e global”, disse a ministra alemã.

Pajeú Paralelo à Cop: “Eu acho que esse tema, na Igreja, não pode mais sair”, diz Pe. Luisinho

“Eu acho que esse tema, na Igreja, não pode mais sair.”

A afirmação é do Pe. Luís Marques (Pe. Luisinho), durante o primeiro dia do quadro “Pajeú Paralelo à COP30”, no programa A Tarde é Sua, com @_alysonnascimento .

Ao refletir sobre a pergunta “Na sua visão, cuidar da Casa Comum é também uma forma de evangelizar?”, o padre destacou a importância de manter viva, na Igreja e na sociedade, a mensagem do cuidado com o meio ambiente e com a vida em todas as suas formas.

Pajeú Paralelo à Cop: “Temos que insistir. A educação é o caminho para essa mudança de sociedade”, destaca ambientalista

O ambientalista @augustomartinsf também participou do primeiro dia do quadro “Pajeú Paralelo à COP30”, no programa A Tarde é Sua, da Rádio Pajeú.

Ao falar sobre o desmatamento desenfreado, Augusto chamou atenção para a realidade local, citando casos em Afogados da Ingazeira, onde algumas pessoas sacrificam árvores apenas para deixar a fachada de suas lojas mais visível.

“Temos que insistir. A educação é o caminho para essa mudança de sociedade”, destacou o ambientalista

Sem Trump, EUA têm delegação informal na COP30 com ex-gestão Obama e governadora

Homem de cabelos grisalhos e óculos finos veste terno preto, camisa branca e gravata azul. Ele apoia o queixo na mão direita fechada, com anel de casamento visível, em ambiente interno com fundo neutro.

Por Folha de São Paulo

Sem o presidente Donald Trump ou outros representantes oficiais do governo, os Estados Unidos contarão com uma espécie de delegação informal na COP30, que começou nesta segunda-feira (10) em Belém (PA).

A lista de participantes que confirmaram presença inclui a democrata Michelle Lujan Grisham, governadora do Novo México, e o ex-enviado especial para o clima Todd Stern, que chefiou a equipe americana nas negociações do Acordo de Paris durante a gestão de Barack Obama (2009-2017).

Além disso, esteve presente no encontro de líderes locais da COP30, no Rio de Janeiro, a americana Gina McCarthy, que dirigiu a Agência de Proteção Ambiental dos EUA durante o governo Obama e foi conselheira ambiental da Casa Branca na gestão de Joe Biden (2021-2025).

O grupo faz parte da coalizão America Is All In, que reúne mais de 20 estados americanos, além de centenas de cidades e empresas, que mantêm compromissos de redução de emissões. Eles pretendem representar o país nas negociações climáticas mesmo sem o apoio do governo federal.

Stern afirma que é preciso separar o governo Trump do restante do país. “Os países ficaram decepcionados quando os EUA se retiraram [do Acordo de Paris], mas sabem distinguir o governo federal da nação. Os estados e cidades continuarão a participar [dos debates]”, disse Stern.

Segundo Grisham, essas jurisdições continuam no caminho de cumprir as metas de 2025. “Mostramos que a liderança local pode sustentar o que o governo central abandona”, afirmou.

Trump já havia anunciado a saída dos EUA do Acordo de Paris em 2017, durante seu primeiro mandato —movimento revertido em 2021 por Biden, no primeiro dia de governo. O republicano voltou a sinalizar que pretende novamente retirar o país do pacto climático, o que seria concretizado em 2026.

Os integrantes da America Is All In minimizaram o risco de interferência do novo governo nas negociações da COP30. “Não há muito que possam fazer para atrapalhar”, disse Stern.

Marina Silva pede que a COP30 faça a ‘pororoca da implementação’

A ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática, Marina Silva

Por Folha de São Paulo

A ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática, Marina Silva, foi ovacionada ao subir ao palco do auditório Sumaúma, durante o evento de abertura do pavilhão brasileiro na COP30. A plateia estava lotada, com pessoas ocupando todas as cadeiras disponíveis, aglomeradas em pé e até sentadas no chão.

Em seu discurso, a chefe da pasta ambiental reforçou a mensagem de que essa tem que ser a COP em que são definidas estratégias para colocar em prática as promessas climáticas.

“O nosso compromisso é de implementar aquilo que foi decidido. Nós já decidimos muita coisa ao longo desses quase 33 anos, mas infelizmente não temos implementação suficiente”, disse, dando as boas-vindas aos presentes. “Sejam bem-vindos (e que a gente possa agora fazer a pororoca da implementação)”.

A ministra elogiou o TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre) lançado pelo Brasil, afirmando que todos os países reconhecem que a arquitetura do mecanismo é inovadora e inteligente, e lembrou as vítimas do tornado que devastou cidades do Paraná no último final de semana.

“Nós já estamos vivendo a emergência climática na intensificação dos tufões, dos furacões e dos ciclones, como o que aconteceu no Paraná, deixando vítimas”, disse, acrescentando que governos, empresas e o mercado financeiro precisam fazer mais para impedir que essas tragédias continuem se repetindo. (Jéssica Maes)

Abertura da COP30 é marcada por alagamentos, filas em restaurantes e calor em pavilhões

Homem com mochila e carrinho de compras branco caminha em rua alagada em frente a tenda da Receita Federal. Água cobre parte do asfalto sob céu nublado.

Por Folha de São Paulo

o primeiro dia da COP30, que começou nesta segunda (10), um temporal causou transtornos em Belém. A chuva alagou algumas áreas da cúpula climática da ONU, como o corredor que liga os pavilhões dos países ao espaço de refeições.

O mesmo aconteceu na calçada de acesso para os pontos de ônibus na saída do Parque da Cidade, sede do evento.

Enquanto os agentes de mobilidade da COP impediam a passagem dos participantes, eles diziam que não era possível passar pela poça. “Bem-vindo a Belém”, disse um dos agentes ao ouvir a reclamação sobre o alagamento.

Também houve problemas nas áreas cobertas. Em uma entrevista coletiva por volta das 15h, o alto comissário da Acnur, agência da ONU para refugiados, Filipo Grandi, reclamou que não conseguia escutar as perguntas da imprensa devido ao barulho da chuva. Formado por tendas, o espaço não consegue abafar o som dos temporais.

A abertura da conferência também foi marcada por longas filas nos espaços de alimentação. A reportagem observou pessoas comendo sentadas no chão por conta da falta de cadeiras na zona azul, o espaço oficial da cúpula.

Alguns pavilhões, como são chamados os estandes das nações e entidades participantes da COP30, ainda estavam em obras nesta segunda-feira. Muitos dos espaços tinham equipamentos eletrônicos, como televisores, ainda dentro de caixas. Em outros, a própria montagem da estrutura estava em andamento.

Pavilhões de países registraram problemas técnicos na manhã e no início da tarde. O espaço no qual as nações realizam palestras e apresentações ficou sem energia em algumas tomadas.