Cor Litúrgica: Roxo
Semana Santa| Terça-feira
Naquele tempo, estando à mesa com seus discípulos, 21 Jesus ficou profundamente comovido e testemunhou: “Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará”. 22 Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem Jesus estava falando. 23 Um deles, a quem Jesus amava, estava recostado ao lado de Jesus. 24 Simão Pedro fez-lhe um sinal para que ele procurasse saber de quem Jesus estava falando. 25 Então, o discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: “Senhor, quem é?” 26 Jesus respondeu: “É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho”. Então Jesus molhou um pedaço de pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. 27 Depois do pedaço de pão, Satanás entrou em Judas. Então Jesus lhe disse: “O que tens a fazer, executa-o depressa”. 28 Nenhum dos presentes compreendeu por que Jesus lhe disse isso. 29 Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam que Jesus lhe queria dizer: “Compra o que precisamos para a festa”, ou que desse alguma coisa aos pobres. 30 Depois de receber o pedaço de pão, Judas saiu imediatamente. Era noite. 31 Depois que Judas saiu, disse Jesus: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. 32 Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. 33 Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Vós me procurareis, e agora vos digo, como eu disse também aos judeus: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir'”. 36 Simão Pedro perguntou: “Senhor, para onde vais?” Jesus respondeu-lhe: “Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas me seguirás mais tarde”. 37 Pedro disse: “Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei a minha vida por ti!” 38 Respondeu Jesus: “Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes”. (Jo 13,21-33.36-38)
Estimados irmãos,
No Evangelho desta Terça-feira Santa, encontramos um momento de grande dor no coração de Jesus. Durante a ceia com seus discípulos, Ele revela que será traído e negado. É uma antecipação do que viveremos na Quinta-feira Santa: o amor sendo rejeitado por aqueles que estavam mais próximos.
Jesus não se entristece apenas pela sua morte, mas, principalmente, ao perceber até onde pode chegar um coração dominado pela ganância e pela falta de amor. Mesmo sabendo de tudo, Ele diz a Judas: “O que tens a fazer, faze-o depressa.” Judas, porém, não volta atrás. Ele escolhe seguir adiante.
Isso nos leva a uma pergunta importante: por que Judas fez isso? Porque, embora estivesse ao lado de Jesus, não vivia verdadeiramente o amor. Seu coração estava preso aos interesses materiais e a expectativas erradas. Ele esperava um Messias poderoso, político, e se decepcionou ao encontrar um Senhor manso, que pregava o amor, a paz e a justiça.
Na mesma noite, vemos também Pedro, que afirma fidelidade, mas acaba negando Jesus três vezes. Aqui percebemos algo muito humano: tanto Judas quanto Pedro falharam, mas de formas diferentes.
E nós? Quantas vezes também traímos ou negamos Jesus? Quando escolhemos o egoísmo, quando colocamos interesses acima do amor, quando nos afastamos da verdade, também fazemos o mesmo caminho.
Por isso, mais do que julgar Judas ou Pedro, somos convidados a olhar para dentro de nós: o que tem nos afastado de Deus? Como reagimos quando erramos? E, quando somos feridos ou traídos, conseguimos agir como Jesus?
A grande esperança está no fato de que Jesus nos conhece profundamente. Ele conhece nossas fraquezas, nossas quedas e, mesmo assim, nos ama. Ele não quer que nos percamos. Se errarmos, como Pedro, sempre há um caminho de volta. Basta reconhecer, arrepender-se e pedir perdão.
Tenham todos uma abençoada Terça-feira Santa!
Rosa Amélia
Catequista da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.


