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Minha boca anunciará vossa justiça

Cor Litúrgica: Roxo

Semana Santa| Terça-feira


Naquele tempo, estando à mesa com seus discípulos, 21 Jesus ficou profundamente comovido e testemunhou: “Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará”. 22 Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem Jesus estava falando. 23 Um deles, a quem Jesus amava, estava recostado ao lado de Jesus. 24 Simão Pedro fez-lhe um sinal para que ele procurasse saber de quem Jesus estava falando. 25 Então, o discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: “Senhor, quem é?” 26 Jesus respondeu: “É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho”. Então Jesus molhou um pedaço de pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. 27 Depois do pedaço de pão, Satanás entrou em Judas. Então Jesus lhe disse: “O que tens a fazer, executa-o depressa”. 28 Nenhum dos presentes compreendeu por que Jesus lhe disse isso. 29 Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam que Jesus lhe queria dizer: “Compra o que precisamos para a festa”, ou que desse alguma coisa aos pobres. 30 Depois de receber o pedaço de pão, Judas saiu imediatamente. Era noite. 31 Depois que Judas saiu, disse Jesus: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. 32 Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. 33 Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Vós me procurareis, e agora vos digo, como eu disse também aos judeus: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir'”. 36 Simão Pedro perguntou: “Senhor, para onde vais?” Jesus respondeu-lhe: “Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas me seguirás mais tarde”. 37 Pedro disse: “Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei a minha vida por ti!” 38 Respondeu Jesus: “Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes”. (Jo 13,21-33.36-38)

Estimados irmãos,

No Evangelho desta Terça-feira Santa, encontramos um momento de grande dor no coração de Jesus. Durante a ceia com seus discípulos, Ele revela que será traído e negado. É uma antecipação do que viveremos na Quinta-feira Santa: o amor sendo rejeitado por aqueles que estavam mais próximos.

Jesus não se entristece apenas pela sua morte, mas, principalmente, ao perceber até onde pode chegar um coração dominado pela ganância e pela falta de amor. Mesmo sabendo de tudo, Ele diz a Judas: “O que tens a fazer, faze-o depressa.” Judas, porém, não volta atrás. Ele escolhe seguir adiante.

Isso nos leva a uma pergunta importante: por que Judas fez isso? Porque, embora estivesse ao lado de Jesus, não vivia verdadeiramente o amor. Seu coração estava preso aos interesses materiais e a expectativas erradas. Ele esperava um Messias poderoso, político, e se decepcionou ao encontrar um Senhor manso, que pregava o amor, a paz e a justiça.

Na mesma noite, vemos também Pedro, que afirma fidelidade, mas acaba negando Jesus três vezes. Aqui percebemos algo muito humano: tanto Judas quanto Pedro falharam, mas de formas diferentes.

E nós? Quantas vezes também traímos ou negamos Jesus? Quando escolhemos o egoísmo, quando colocamos interesses acima do amor, quando nos afastamos da verdade, também fazemos o mesmo caminho.

Por isso, mais do que julgar Judas ou Pedro, somos convidados a olhar para dentro de nós: o que tem nos afastado de Deus? Como reagimos quando erramos? E, quando somos feridos ou traídos, conseguimos agir como Jesus?

A grande esperança está no fato de que Jesus nos conhece profundamente. Ele conhece nossas fraquezas, nossas quedas e, mesmo assim, nos ama. Ele não quer que nos percamos. Se errarmos, como Pedro, sempre há um caminho de volta. Basta reconhecer, arrepender-se e pedir perdão.

Tenham todos uma abençoada Terça-feira Santa!


Rosa Amélia

Catequista da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

Cor Litúrgica: Vermelho

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor | Domingo


Anúncio do Evangelho (Mt 27,11-54 – Forma breve)

Narrador 1: Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo Mateus: Naquele tempo, 11Jesus foi posto diante de Pôncio Pilatos, e este o interrogou:

Ass.: “Tu és o rei dos judeus?”

Narrador 1: Jesus declarou:

Pres.: “É como dizes”.

Narrador 1: 12E nada respondeu, quando foi acusado pelos sumos sacerdotes e anciãos. 13Então Pilatos perguntou:

Leitor: “Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?”

Narrador 1: 14Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o governador ficou muito impressionado. 15Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar o prisioneiro que a multidão quisesse. 16Naquela ocasião, tinham um prisioneiro famoso, chamado Barrabás. 17Então Pilatos perguntou à multidão reunida:

Ass.: “Quem vós quereis que eu solte: Barrabás, ou Jesus, a quem chamam de Cristo?”

Narrador 2: 18Pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja. 19Enquanto Pilatos estava sentado no tribunal, sua mulher mandou dizer a ele:

Mulher: “Não te envolvas com esse justo, porque esta noite, em sonho, sofri muito por causa dele”.

Narrador 2: 20Porém, os sumos sacerdotes e os anciãos convenceram as multidões para que pedissem Barrabás e que fizessem Jesus morrer. 21O governador tornou a perguntar:

Ass.: “Qual dos dois quereis que eu solte?”

Narrador 2: Eles gritaram:

Ass.: “Barrabás”.

Narrador 2: 22Pilatos perguntou:

Leitor: “Que farei com Jesus, que chamam de Cristo?”

Narrador 2: Todos gritaram:

Ass.: “Seja crucificado!”

Narrador 2: 23Pilatos falou:

Leitor: “Mas, que mal ele fez?”

Narrador 2: Eles, porém, gritaram com mais força:

Ass.: “Seja crucificado!”

Narrador 1: 24Pilatos viu que nada conseguia e que poderia haver uma revolta. Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse:

Leitor: “Eu não sou responsável pelo sangue deste homem. Este é um problema vosso!”

Narrador 1: 25O povo todo respondeu:

Ass.: “Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos”.

Narrador 1: 26Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus, e entregou-o para ser crucificado. 27Em seguida, os soldados de Pilatos levaram Jesus ao palácio do governador, e reuniram toda a tropa em volta dele.

Ass.: 28Tiraram sua roupa e o vestiram com um manto vermelho;

Narrador 1: 29depois teceram uma coroa de espinhos, puseram a coroa em sua cabeça, e uma vara em sua mão direita. Então se ajoelharam diante de Jesus e zombaram, dizendo:

Ass.: “Salve, rei dos judeus!”

Narrador 2: 30Cuspiram nele e, pegando uma vara, bateram na sua cabeça. 31Depois de zombar dele, tiraram-lhe o manto vermelho e, de novo, o vestiram com suas próprias roupas. Daí o levaram para crucificar. 32Quando saíam, encontraram um homem chamado Simão, da cidade de Cirene, e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus. 33E chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer “lugar da caveira”.

Narrador 1: 34Ali deram vinho misturado com fel para Jesus beber. Ele provou, mas não quis beber. 35Depois de o crucificarem, fizeram um sorteio, repartindo entre si as suas vestes. 36E ficaram ali sentados, montando guarda. 37Acima da cabeça de Jesus puseram o motivo da sua condenação:

Ass.: “Este é Jesus, o Rei dos Judeus”.

Narrador 1: 38Com ele também crucificaram dois ladrões, um à direita e outro à esquerda de Jesus. 39As pessoas que passavam por ali o insultavam, balançando a cabeça e dizendo:

Ass.: 40”Tu, que ias destruir o Templo e construí-lo de novo em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!”

Narrador 2: 41Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, junto com os mestres da Lei e os anciãos, também zombavam de Jesus:

Ass.: 42”A outros salvou… a si mesmo não pode salvar! É Rei de Israel… Desça agora da cruz! e acreditaremos nele. 43Confiou em Deus; que o livre agora, se é que Deus o ama! Já que ele disse: Eu sou o Filho de Deus”.

Narrador 1: 44Do mesmo modo, também os dois ladrões que foram crucificados com Jesus o insultavam. 45Desde o meio-dia até as três horas da tarde, houve escuridão sobre toda a terra. 46Pelas três horas da tarde, Jesus deu um forte grito:

Pres.: “Eli, Eli, lamá sabactâni?”

Narrador 1: Que quer dizer:

Pres.: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”

Narrador 1: 47Alguns dos que ali estavam, ouvindo-o, disseram:

Ass.: “Ele está chamando Elias!”

Narrador 1: 48E logo um deles, correndo, pegou uma esponja, ensopou-a em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara, e lhe deu para beber. 49Outros, porém, disseram:

Ass.: “Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!”

Narrador 1: 50Então Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o espírito. (Todos se ajoelham.)

Narrador 2: 51E eis que a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as pedras se partiram. 52Os túmulos se abriram e muitos corpos dos santos falecidos ressuscitaram! 53Saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, apareceram na Cidade Santa e foram vistos por muitas pessoas. 54O oficial e os soldados que estavam com ele guardando Jesus, ao notarem o terremoto e tudo que havia acontecido, ficaram com muito medo e disseram:

Ass.: “Ele era mesmo Filho de Deus!”. 

Estimados irmãos,

Aprendemos muito durante esta nossa caminhada quaresmal, mas ainda há muito a aprender. Temos uma missão importante pela frente: levar a muitos corações sombrios a luz de Cristo ressuscitado.

O caminho percorrido ao longo destes quarenta dias da Quaresma nos aproximou de Deus, despertou em nós a necessidade de conversão e nos trouxe a certeza de que temos tudo para sermos felizes: um Pai que nos ama, que não leva em conta nossas ingratidões, que não desiste de nós e que enviou seu Filho para nos ensinar o caminho da vida.

A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém foi uma forte proclamação da chegada do Messias, o Rei esperado pelos pequenos. As multidões que iam à frente e as que o seguiam gritavam: “Bendito o que vem em nome do Senhor!”. Essa aclamação despertou a ira de seus adversários, que, sentindo-se ameaçados, apressaram-se em tirar-lhe a vida.

Durante as celebrações da Semana Santa, nos comovemos com a Paixão e morte de Jesus e reconhecemos a injustiça cometida contra Ele. Mas é importante refletir: será que, ainda hoje, não continuamos a fazer o mesmo, de alguma forma, na pessoa do nosso irmão? Será que nossas atitudes do dia a dia não continuam a crucificá-lo?

Rasguemos, pois, as vestes do homem velho para nos revestirmos do homem novo, que aprende com Jesus a partilhar a vida e a ser presença viva na vida do outro.

Celebrar a Páscoa é celebrar a vida. É resgatar valores muitas vezes esquecidos, como o amor e a justiça. Anunciemos com alegria: Jesus ressuscitou, Ele vive entre nós!

Que este dia seja um recomeço de esperança e confiança.

Tenham todos um abençoado domingo!


Rosa Amélia

Catequista da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Ouvi, Senhor, e escutai minha oração e chegue até vós o meu clamor

Cor Litúrgica: Roxo

5ª Semana da Quaresma | Terça-feira


Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 21 “Eu parto e vós me procurareis, mas morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir”. 22 Os judeus comentavam: “Por acaso, vai-se matar? Pois ele diz: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir?’ ” 23 Jesus continuou: “Vós sois daqui de baixo, eu sou do alto. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. 24 Disse-vos que morrereis nos vossos pecados, porque, se não acreditais que eu sou, morrereis nos vossos pecados”. 25 Perguntaram-lhe pois: “Quem és tu, então?” Jesus respondeu: “O que vos digo, desde o começo. 26 Tenho muitas coisas a dizer a vosso respeito, e a julgar também. Mas aquele que me enviou é fidedigno, e o que ouvi da parte dele é o que falo para o mundo”. 27 Eles não compreenderam que lhes estava falando do Pai. 28 Por isso, Jesus continuou: “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que eu sou, e que nada faço por mim mesmo, mas apenas falo aquilo que o Pai me ensinou. 29 Aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou sozinho, porque sempre faço o que é de seu agrado”. 30 Enquanto Jesus assim falava, muitos acreditaram nele. (Jo 8,21-30).

Estamos na quinta semana da Quaresma, já caminhando para viver intensamente a entrada triunfal de Jesus no Domingo de Ramos, bem como sua Paixão, Morte e Ressurreição.

No Evangelho de hoje, Jesus diz aos fariseus:
“Eu parto e vós me procurareis, mas morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir.”

Mesmo abrindo os olhos deles, os fariseus não compreendiam suas palavras. Morrer no pecado é desconhecer e rejeitar a salvação que Jesus oferece. Como Ele mesmo afirma: “Vós sois daqui de baixo, eu sou do alto.”

A mentalidade do mundo é diferente do modo de pensar de Deus. Somente quando cultivamos intimidade com Ele conseguimos compreender o mistério da salvação. Só Jesus Cristo pode nos libertar da morte do pecado, pois veio, em nome do Pai, revelar ao mundo a Sua misericórdia.

Assim como os fariseus, muitas vezes também precisamos de provas para sustentar nossa fé, e acabamos alimentando a incredulidade ao esperar sinais que não chegam. No entanto, a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus são a maior prova de que Ele veio para nos salvar.

Por isso, não podemos viver com a mentalidade do mundo, mas sim com a do alto. O primeiro passo é a fé: fé em Jesus Cristo, que já foi elevado na cruz, ressuscitou e nos concedeu vida nova, vida em abundância.

Mesmo diante das tribulações e incertezas, somos chamados a confiar. Não podemos cair nas armadilhas do inimigo, que tenta nos prender às coisas deste mundo. Não somos daqui; estamos de passagem.

Na perspectiva de Deus, não são os castigos nem a intolerância que vencem o mal e o pecado, mas sim o amor e a misericórdia, que geram vida nova e fazem nascer o homem novo.

É essa lógica de Deus que somos convidados a viver, especialmente em nossa relação com os irmãos.

Tenham todos uma abençoada terça-feira!


Rosa Amélia

Catequista da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Conosco está o Senhor do Universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó

Cor Litúrgica: Roxo

4ª Semana da Quaresma | Terça-feira


1 Houve uma festa dos judeus, e Jesus foi a Jerusalém. 2 Existe em Jerusalém, perto da porta das Ovelhas, uma piscina com cinco pórticos, chamada Betesda em hebraico. 3 Muitos doentes ficavam ali deitados — cegos, coxos e paralíticos —. 4 De fato, um anjo descia, de vez em quando, e movimentava a água da piscina, e o primeiro doente que aí entrasse, depois do borbulhar da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse. 5 Aí se encontrava um homem, que estava doente havia trinta e oito anos. 6 Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: “Queres ficar curado?” 7 O doente respondeu: “Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina, quando a água é agitada. Quando estou chegando, outro entra na minha frente”. 8 Jesus disse: “Levanta-te, pega a tua cama e anda”. 9 No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou a sua cama e começou a andar. Ora, esse dia era um sábado. 10 Por isso, os judeus disseram ao homem que tinha sido curado: “É sábado! Não te é permitido carregar tua cama”. 11 Ele respondeu-lhes: “Aquele que me curou disse: ‘Pega tua cama e anda’ “. 12 Então lhe perguntaram: “Quem é que te disse: ‘Pega tua cama e anda?’ ” 13 O homem que tinha sido curado não sabia quem fora, pois Jesus se tinha afastado da multidão que se encontrava naquele lugar. 14 Mais tarde, Jesus encontrou o homem no Templo e lhe disse: “Eis que estás curado. Não voltes a pecar, para que não te aconteça coisa pior”. 15 Então o homem saiu e contou aos judeus que tinha sido Jesus quem o havia curado. 16 Por isso, os judeus começaram a perseguir Jesus, porque fazia tais coisas em dia de sábado. (Jo 5,1-16).

A piscina com cinco pórticos, chamada Betesda habitualmente tinha muitos doentes: cegos, coxos e paralíticos, na esperança da cura.

O evangelho de João 5,1-16, é também baste extenso e rico em detalhes, o texto de hoje relata a cura de um homem que estava doente havia 38 anos.

Jesus ao ver aquele homem sofrendo por tanto tempo, pergunta se ele quer ficar curado. O homem explica que nunca consegue entrar na água quando ela se agita, porque não tem ninguém que o ajude. Então Jesus simplesmente diz: “Levanta-te, pega a tua maca e anda.” Imediatamente ele fica curado.

Esse milagre revela, antes de tudo, a misericórdia e a compaixão de Cristo. O Senhor vê a dor humana e se aproxima daqueles que muitas vezes são esquecidos ou abandonados. O homem doente simboliza também a humanidade ferida pelo pecado e pela incapacidade de salvar-se sozinha, e, é Jesus quem traz a verdadeira cura.

O texto também mostra o conflito com alguns líderes religiosos, pois a cura aconteceu em dia de sábado. Em vez de se alegrarem com o milagre, eles criticam o homem por carregar sua maca. Assim, o evangelho ensina que a lei deve estar a serviço da vida e da misericórdia, e não ser usada para endurecer o coração.

Para nossa vida, essa passagem convida-nos a confiar no poder de Cristo, mesmo quando parece que já esperamos há muito tempo por uma graça. Jesus continua dizendo a cada um de nós: “Levanta-te.” Ele nos chama a sair da paralisia espiritual, abandonar o pecado e caminhar em uma vida nova.

Jesus cura, liberta e nos chama a uma transformação verdadeira, lembrando que a misericórdia de Deus é sempre maior que nossas limitações.

Tenham todos uma abençoada terça feira!


Rosa Amélia

Catequista da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma

Cor Litúrgica: Rosa

4º Domingo da Quaresma | Domingo


Naquele tempo, 1 ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. 2 Os discípulos perguntaram a Jesus: “Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os seus pais?” 3 Jesus respondeu: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele. 4 É necessário que nós realizemos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia. Vem a noite, em que ninguém pode trabalhar. 5 Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo”. 6 Dito isto, Jesus cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego. 7 E disse-lhe: “Vai lavar-te na piscina de Siloé” (que quer dizer: Enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando. 8 Os vizinhos e os que costumavam ver o cego – pois ele era mendigo – diziam: “Não é aquele que ficava pedindo esmola?” 9 Uns diziam: “Sim, é ele!” Outros afirmavam: “Não é ele, mas alguém parecido com ele”. Ele, porém, dizia: “Sou eu mesmo!” 10 Então lhe perguntaram: “Como é que se abriram os teus olhos?” 11 Ele respondeu: “Aquele homem chamado Jesus fez lama, colocou-a nos meus olhos e disse-me: ‘Vai a Siloé e lava-te’. Então fui, lavei-me e comecei a ver”. 12 Perguntaram-lhe: “Onde está ele?” Respondeu: “Não sei”. 13 Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido cego. 14 Ora, era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama e aberto os olhos do cego. 15 Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus como tinha recuperado a vista. Respondeu-lhes: “Colocou lama sobre meus olhos, fui lavar-me e agora vejo!” 16 Disseram, então, alguns dos fariseus: “Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado”. Mas outros diziam: “Como pode um pecador fazer tais sinais?” 17 E havia divergência entre eles. Perguntaram outra vez ao cego: “E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?” Respondeu: “É um profeta.” 18 Então, os judeus não acreditaram que ele tinha sido cego e que tinha recuperado a vista. Chamaram os pais dele 19 e perguntaram-lhes: “Este é o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como é que ele agora está enxergando?” 20 Os seus pais disseram: “Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego. 21 Como agora está enxergando, isso não sabemos. E quem lhe abriu os olhos também não sabemos. Interrogai-o, ele é maior de idade, ele pode falar por si mesmo”. 22 Os seus pais disseram isso, porque tinham medo das autoridades judaicas. De fato, os judeus já tinham combinado expulsar da comunidade quem declarasse que Jesus era o Messias. 23 Foi por isso que seus pais disseram: “É maior de idade. Interrogai-o a ele”. 24 Então, os judeus chamaram de novo o homem que tinha sido cego. Disseram-lhe: “Dá glória a Deus! Nós sabemos que esse homem é um pecador”. 25 Então ele respondeu: “Se ele é pecador, não sei. Só sei que eu era cego e agora vejo”. 26 Perguntaram-lhe então: “Que é que ele te fez? Como te abriu os olhos?” 27 Respondeu ele: “Eu já vos disse, e não escutastes. Por que quereis ouvir de novo? Por acaso quereis tornar-vos discípulos dele?” 28 Então insultaram-no, dizendo: “Tu, sim, és discípulo dele! Nós somos discípulos de Moisés. 29 Nós sabemos que Deus falou a Moisés, mas esse, não sabemos de onde é”. 30 Respondeu-lhes o homem: “Espantoso! Vós não sabeis de onde ele é? No entanto, ele abriu-me os olhos! 31 Sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aquele que é piedoso e que faz a sua vontade. 32 Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. 33 Se este homem não viesse de Deus, não poderia fazer nada”. 34 Os fariseus disseram-lhe: “Tu nasceste todo em pecado e estás nos ensinando?” E expulsaram-no da comunidade. 35 Jesus soube que o tinham expulsado. Encontrando-o, perguntou-lhe: “Acreditas no Filho do Homem?” 36 Respondeu ele: “Quem é, Senhor, para que eu creia nele?” 37 Jesus disse: “Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo”. Exclamou ele: 38 “Eu creio, Senhor!” E prostrou-se diante de Jesus. 39 Então, Jesus disse: “Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem, vejam, e os que veem se tornem cegos”. 40 Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isto e lhe disseram: “Porventura, também nós somos cegos?” 41 Respondeu-lhes Jesus: “Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis: ‘Nós vemos’, o vosso pecado permanece”. (Jo 9,1-41 ).

Estamos no 4º Domingo da Quaresma, e a cada dia nos aproximamos mais da Páscoa da Ressurreição de Jesus.

O Evangelho de Jesus, segundo Evangelho de João (9,1–41), nos traz uma profunda reflexão sobre a fé, a luz e a cegueira espiritual.

Nem toda cegueira está nos olhos. Muitas vezes ela está no coração fechado, na falta de humildade para reconhecer a verdade e acolher a ação de Deus. O homem simples, antes marginalizado, foi capaz de perceber a presença divina em sua vida. Já aqueles que se consideravam sábios não conseguiram enxergar a luz que estava diante deles.

Neste texto tão rico, Jesus Cristo se revela como a Luz do mundo. Ele também nos ensina que os sofrimentos e as dificuldades da vida não são castigos de Deus, mas oportunidades para que a graça divina se manifeste.

Ao curar o cego, Jesus não apenas devolve a visão física, mas desperta nele uma nova maneira de ver: a visão da fé.

Cristo continua passando em nossa vida como luz que ilumina nossos caminhos. Por isso, somos convidados a nos perguntar: estamos realmente vendo com os olhos da fé ou permanecemos presos às nossas próprias certezas?

Quem se abre ao encontro com Jesus começa a enxergar a vida, os acontecimentos e as pessoas de uma maneira nova, com mais amor, esperança e verdade.

Tenham todos um abençoado domingo!


Rosa Amélia

Catequista da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Recordai, Senhor, a vossa compaixão!

Cor Litúrgica: Roxo

3ª Semana da Quaresma | Terça-feira


Naquele tempo, 21 Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?’ 22 Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24 Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25 Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26 O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo! e eu te pagarei tudo’. 27 Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. 28 Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’. 29 O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo! e eu te pagarei’. 30 Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31 Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32 Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33 Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ 34 O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35 É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”. (Mt 18,21-35).

Estimados leitores,

No Evangelho de hoje, Pedro pergunta a Jesus Cristo quantas vezes deve perdoar alguém que o ofende. Jesus responde: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”, mostrando que o perdão não deve ter limites.

Para que todos compreendam melhor, Jesus conta uma parábola: um servo recebe o perdão de uma dívida enorme, mas não consegue perdoar a pequena dívida de outro servo. A mensagem é clara: quem experimenta a misericórdia de Deus também precisa ser misericordioso com os outros.

Deus nos perdoa muito mais do que conseguimos imaginar. Por isso, somos chamados a ter um coração que saiba perdoar, recomeçar e agir com misericórdia. Se Deus nos perdoa tantas vezes, por que nós teríamos dificuldades em perdoar o nosso irmão?

Sabemos que não é fácil perdoar quem nos ofendeu, mas, se recorrermos a Deus, com certeza Ele nos ajudará a vencer esse desafio.

Tenham todos uma abençoada terça-feira!


Rosa Amélia

Catequista da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor!

Cor Litúrgica: Roxo

3º Domingo da Quaresma | Domingo


Naquele tempo, 5 Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José. 6 Era aí que ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço. Era por volta do meio-dia. 7 Chegou uma mulher da Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: “Dá-me de beber”. 8 Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. 9 A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato, os judeus não se dão com os samaritanos. 10 Respondeu-lhe Jesus: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber`, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva.” 11 A mulher disse a Jesus: “Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde vais tirar a água viva? 12 Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais?” 13 Respondeu Jesus: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. 14 Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. 15 A mulher disse a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la”. 16 Disse-lhe Jesus: “Vai chamar teu marido e volta aqui”. 17 A mulher respondeu: “Eu não tenho marido”. Jesus disse: “Disseste bem, que não tens marido, 18 pois tiveste cinco maridos, e o que tens agora não é o teu marido. Nisso falaste a verdade”. 19 A mulher disse a Jesus: “Senhor, vejo que és um profeta! 20 Os nossos pais adoraram neste monte mas vós dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar”. 21 Disse-lhe Jesus: “Acredita-me, mulher: está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22 Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. 23 Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. De fato, estes são os adoradores que o Pai procura. 24 Deus é espírito e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade”. 25 A mulher disse a Jesus: “Sei que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar. Quando ele vier, vai nos fazer conhecer todas as coisas”. 26 Disse-lhe Jesus: “Sou eu, que estou falando contigo”. 27 Nesse momento, chegaram os discípulos e ficaram admirados de ver Jesus falando com a mulher. Mas ninguém perguntou: “Que desejas?” ou: “Por que falas com ela?” 28 Então a mulher deixou o seu cântaro e foi à cidade, dizendo ao povo: 29 “Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Será que ele não é o Cristo?” 30 O povo saiu da cidade e foi ao encontro de Jesus. 31 Enquanto isso, os discípulos insistiam com Jesus, dizendo: “Mestre, come”. 32 Jesus, porém disse-lhes: “Eu tenho um alimento para comer que vós não conheceis”. 33 Os discípulos comentavam entre si: “Será que alguém trouxe alguma coisa para ele comer?” 34 Disse-lhes Jesus: “O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. 35 Não dizeis vós: ‘Ainda quatro meses, e aí vem a colheita!’ Pois eu vos digo: Levantai os olhos e vede os campos: eles estão dourados para a colheita! 36 O ceifeiro já está recebendo o salário, e recolhe fruto para a vida eterna. Assim, o que semeia se alegra junto com o que colhe’. 37 Pois é verdade o provérbio que diz: ‘Um é o que semeia e outro o que colhe’. 38 Eu vos enviei para colher aquilo que não trabalhastes. Outros trabalharam e vós entrastes no trabalho deles”. 39 Muitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus, por causa da palavra da mulher que testemunhava: “Ele me disse tudo o que eu fiz”. 40 Por isso, os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. 41 E muitos outros creram por causa da sua palavra. 42 E disseram à mulher: “Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos, que este é verdadeiramente o salvador do mundo”. Palavra da Salvação. (Jo 4,5-42).

Estimados leitores, hoje no domingo dia do Senhor, celebramos a força, a coragem e a sensibilidade da mulher. Que nunca faltem respeito, oportunidades e reconhecimento. Sim, temos muito a comemorar, e ainda mais a conquistar.

Continuamos na caminhando quaresmal. O evangelho de hoje, nos convida a um encontro pessoal com Jesus, chegar ao seu coração e nos deixar inundar com água viva que nos purifica, que mata a nossa sede, que nos liberta. É o amor que nos faz reconhecer Jesus como o Nosso Salvador, o enviado do Pai, o Deus vivo que veio morar conosco.

Observamos também um belíssimo diálogo entre Jesus e a samaritana, é algo extraordinário que nos enche de alegria e esperança. Podemos perceber como Jesus se comportava diante dos preconceitos morais, de raça, das discriminações sociais, religiosas, existentes na humanidade, Jesus reprovava todo tipo de exclusão.

Podemos tirar várias lições deste belíssimo encontro de Jesus com a samaritana, foi um encontro de libertação que transformou a vida de uma mulher marginalizada.

É Jesus quem dirige a ela e lhe pede água de beber:” Dê-me de beber.” A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de bebera mim, que sou uma mulher samaritana?”

Isso nos mostra a natureza humana de Jesus: querer depender do outro. É assim que todos nós deveríamos sentir: dependentes uns dos outros. No desenrolar do diálogo, a mulher redescobre a si mesma, sente-se liberta, restaurada diante do Messias tão esperado. Jesus escuta, acolhe, promove aquela mulher sem nome, fala com ela, de uma água que transborda de seu coração. Jesus encontra fé, onde para os judeus, parecia impossível encontrar.

Graças ao testemunho da samaritana, muitos outros puderam fazer uma experiência pessoal com Jesus, bebendo da única água que verdadeiramente mata a sede. A samaritana acolhida por Jesus, representa o povo excluído, seja por motivo de pobreza, gênero, raça ou religião.

Quem faz a experiência de Jesus em sua vida, bebendo da água viva que brota do seu coração, não continua o mesmo, pois esta água viva, tem o poder de nos purificar de nos modificar por inteiro, de nos tornar parecidos com Ele.

A cada dia, desta nossa caminhada quaresmal, vamos mergulhando cada vez mais no oceano do amor do Pai, firmando os nossos passos no exemplo de Jesus.

Tenham todos um abençoado domingo!


Rosa Amélia

Catequista da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

A todos que procedem retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus

Cor Litúrgica: Roxo

2ª Semana da Quaresma | Terça-feira


Naquele tempo, 1 Jesus falou às multidões e a seus discípulos e lhes disse: 2 “Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. 3 Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. 4 Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo. 5 Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Eles usam faixas largas, com trechos da Escritura, na testa e nos braços, e põem na roupa longas franjas. 6 Gostam de lugar de honra nos banquetes e dos primeiros lugares nas sinagogas; 7 Gostam de ser cumprimentados nas praças públicas e de serem chamados de Mestre. 8 Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos. 9 Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10 Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é o vosso Guia, Cristo. 11 Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. 12 Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”. (Mt 23,1-12).

Estimados leitores continuamos no nosso retiro espiritual rumo a pascoa do Senhor Jesus.

O evangelho de hoje, Jesus faz duras críticas aos líderes religiosos do passado, que mesmo tendo o conhecimento da palavra de Deus, viviam um contraste do que ensinavam.

A hipocrisia, criticada por Jesus, é um mal bem antigo, mas que infelizmente ainda existe em nossas comunidades. Hipocrisia é um mal terrível, que afeta pessoas que poderiam aproveitar o seu saber para o bem, ao invés de transformá-lo em poder.
Precisamos tomar consciência de que ser líder não é nenhum privilégio e muito menos poder, ser líder, é missão, é serviço, é doação de vida.

Jesus nos sugere o melhor remédio para nos livrar das vaidades, Ele é o Mestre que não impõe, mas que propõe, que se inclina humildemente aos pés dos discípulos, confirmando que veio para servir e não para ser servido.

Aprendamos com Ele a viver na humildade, eliminando de vez, toda e qualquer tipo de vaidade que tanto atrapalha a vida de nossas comunidades. A riqueza de um grupo está na diversidade de dons colocados a serviço de um todo.

Movimento frutuoso é aquele em que ninguém se destaca e que a palavra é partilhada. A função de coordenador de um movimento, ou pastoral, é tentadora para quem deseja ser elogiado por todos. Mas, como portador e anunciador da palavra de Deus, não podemos deixar ser levados pelas vaidades, pela alta suficiência.

O nosso grupo não deve ser parecido com uma escola, em que nós somos os professores. Queremos ser elogiados sim, mas pelo incenso da graça de Deus, que nos coloca no lugar de servidor e não de mestre, pois só um é nosso mestre: Jesus.

Tenham todos uma abençoada terça feira!


Rosa Amélia

Catequista da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

O Senhor liberta os justos de todas as angústias

Cor Litúrgica: Roxo

1ª Semana da Quaresma | Terça-feira


7 Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras. 8 Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais. 9 Vós deveis rezar assim: Pai Nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; 10 venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus. 11 O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. 12 Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. 13 E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. 14 De fato, se vós perdoardes aos homens as faltas que eles cometeram, vosso Pai que está nos céus também vos perdoará. 15 Mas, se vós não perdoardes aos homens, vosso Pai também não perdoará as faltas que vós cometestes”. (Mt 6,7-15).

Estimados leitores, Disse Jesus: “Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras”.

No evangelho de hoje, Ele nos ensina a rezar, mas nos deixa também livres para fazermos as nossas escolhas, Ele não nos obriga a nada, simplesmente nos propõe uma vida feliz em sintonia com o Pai, através deste contato íntimo e diário com Ele, que é a oração. Se colocarmos em prática cada palavra do Pai Nosso, estaremos trilhando o caminho da santidade, indo ao encontro do Pai.

A oração do Pai Nosso é a oração mais completa que existe, porque ela nos leva ao louvor, a fazer a vontade do Pai, a recorrer a Ele em nossas necessidades do dia a dia, a pedir-lhe perdão com o compromisso de também perdoar os irmãos que nos ofenderam, ela nos motiva, a pedir ao Pai, que nos ajude a não cairmos nas tentações e que Ele nos livre de todos os males.

Como vemos, nós não precisamos enfrentar as nossas dificuldades sozinhas, se temos um Pai que nos ama, que está sempre pronto para nos socorrer. Rezemos a oração que Ele nos ensinou:

“Pai Nosso que estais nos Céus, santificado seja o vosso Nome, venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mal.”

Amém

Tenham todos uma abençoada terça feira!


Rosa Amélia

Catequista da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Piedade, ó Senhor, tende piedade, pois pecamos contra vós

Cor Litúrgica: Roxo

1º Domingo da Quaresma | Domingo


Naquele tempo, 1 o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. 2 Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, teve fome. 3 Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!”. 4 Mas Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus'”. 5 Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo, 6 e lhe disse: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra'”. 7 Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus!'” 8 Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória, 9 e lhe disse: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”. 10 Jesus lhe disse: “Vai-te embora, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor teu Deus e somente a ele prestarás culto'”. 11 Então o diabo o deixou. E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus. (Mt 4,1-11),

Estimados leitores,

Estamos no início da Quaresma, um tempo forte na vida da Igreja e de todos os que se dispõe a caminhar com o Cristo vencedor.

O evangelho deste primeiro Domingo, nos faz refletir, sobre que Jesus na sua condição humana, foi tentado a desistir da sua missão, a trocar o projeto de Deus por bens materiais, mas a sua resposta foi taxativa: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. Jesus foi tentado a aceitar e a confiar no poder do demônio, mas Ele respondeu com firmeza: “Não tentarás o Senhor teu Deus.”

Assim como aconteceu com Jesus, acontece também conosco, a tentação do TER, do PODER, está sempre a nos rondar, precisamos estar vigilantes o tempo todo, para não sermos pegos de surpresa, pois a tentação é oportunista, ela surge inesperadamente, principalmente quando nos propomos a mudar de vida ou quando estamos enfraquecidos na fé.
Para nos seduzir, o mal chega até a nós, disfarçado do bem, por isto, precisamos estar sempre atentos para não tornarmos presas fácies do inimigo deixando-nos enganar pelas aparências.

Ninguém está livre das tentações, elas estão presentes em toda parte, principalmente onde existe o bem. É importante estarmos sempre em sintonia com Deus, perseverantes na fé, munidos da arma mais poderosa que temos ao nosso alcance, que é a oração.

Que o Espírito Santo de Deus, que fortaleceu Jesus nas tentações, nos fortaleça também e que nenhuma proposta do mundo, nos convença a trocar o SER pelo o TER.

Tenham todos um abençoado domingo da quaresma!


Rosa Amélia

Catequista da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Quão amável, ó Senhor, é vossa casa!

Cor Litúrgica: Branco

Santa Escolástica, virgem, Memória | Terça-feira


Naquele tempo, 1 os fariseus e alguns mestres da Lei vieram de Jerusalém e se reuniram em torno de Jesus. 2 Eles viam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as terem lavado. 3 Com efeito, os fariseus e todos os judeus só comem depois de lavar bem as mãos, seguindo a tradição recebida dos antigos. 4 Ao voltar da praça, eles não comem sem tomar banho. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre. 5 Os fariseus e os mestres da Lei perguntaram então a Jesus: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?” 6 Jesus respondeu: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. 7 De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. 8 Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”. 9 E dizia-lhes: “Vós sabeis muito bem como anular o mandamento de Deus, a fim de guardar as vossas tradições. 10 Com efeito, Moisés ordenou: ‘Honra teu pai e tua mãe’. E ainda: ‘Quem amaldiçoa o pai ou a mãe, deve morrer’. 11 Mas vós ensinais que é lícito alguém dizer a seu pai e à sua mãe: ‘O sustento que vós poderíeis receber de mim é Corban, isto é, Consagrado a Deus’. 12 E essa pessoa fica dispensada de ajudar seu pai ou sua mãe. 13 Assim vós esvaziais a Palavra de Deus com a tradição que vós transmitis. E vós fazeis muitas outras coisas como estas”. (Mc 7,1-13).

Estimados leitores,

O que agrada a Deus é um coração livre das maldades e das ambições desordenadas.

O Evangelho de hoje narra o encontro dos fariseus e de alguns mestres da Lei com Jesus. Eles vieram de Jerusalém com um único objetivo: descobrir que tipo de ensinamento Jesus transmitia a seus discípulos e se Ele os incentivava a não observar a Lei. Pelo que haviam ouvido, os ensinamentos de Jesus não se enquadravam nos padrões religiosos da época, e suas orientações pareciam romper com o sistema religioso já estabelecido.

Para os fariseus, religião era o cumprimento rigoroso de preceitos, normas e rituais vazios que, aos olhos de Deus, nada acrescentavam. Eles seguiam as regras externamente, mas não praticavam a misericórdia; suas atitudes eram, muitas vezes, contrárias à vida e ao amor.

O texto nos convida a um questionamento sobre a nossa fé e a nossa vivência religiosa. Precisamos ser coerentes entre o que falamos e o que vivemos. Deus não nos olha apenas externamente. Para Ele, não importa nossa cor, posição social ou até mesmo a religião que dizemos ter; o que realmente importa é o bem que cultivamos em nosso interior, ou seja, a pureza do coração.

Aos olhos de Deus, as práticas exteriores só encontram seu verdadeiro sentido quando são expressão sincera daquilo que se crê e se vive. Do contrário, tornam-se atitudes vazias, que não significam nada, pois mostram algo que, na verdade, não somos e não vivemos.

Enquanto observamos os pontos fracos dos nossos irmãos, deixamos de cuidar do nosso próprio interior, esquecendo que não somos modelos de perfeição. Não é verdade?

Tenham todos uma abençoada terça-feira!


Rosa Amélia

Catequista da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Uma luz brilha nas trevas para o justo, permanece para sempre o bem que fez

Cor Litúrgica: Verde

5º Domingo do Tempo Comum | Domingo


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 13 “Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. 14 Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 15 Ninguém acende uma lâmpada, e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim, num candeeiro, onde brilha para todos que estão na casa. 16 Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”. (Mt 5,13-16).

Estimados leitores, o Evangelho de hoje fala sobre a importância de darmos testemunho de Jesus no mundo, deixando que a sua luz brilhe em nós.

“Vós sois o sal da terra e a luz do mundo.” Com essa afirmação, Jesus revela o caráter da nossa missão e nos oferece bases muito claras para a nossa caminhada missionária.

Jesus nos diz algo profundamente significativo ao nos chamar à responsabilidade de continuadores do anúncio do Reino. “Vós sois o sal da terra.” Ser sal da terra significa ser uma presença discreta, porém essencial, no meio em que vivemos. O sal não aparece, mas é indispensável no cotidiano, pois é ele que dá sabor ao alimento.

Como continuadores da presença de Jesus no mundo, precisamos estar no ponto certo, nem sem sal nem salgado demais. Quando nos omitimos diante das injustiças, assumindo uma postura de meros espectadores dos acontecimentos, tornamo-nos pessoas sem sal, ou seja, passivas e indiferentes.

Por outro lado, quando queremos impor nossos pontos de vista, considerando-nos donos da verdade e desconsiderando a opinião do outro, tornamo-nos pessoas salgadas demais, a ponto de nossa presença se tornar indesejável.

“Vós sois a luz do mundo.” Ser luz no mundo é dar testemunho da verdade que liberta, que é Jesus. Diante da luz, a mentira não tem vez, pois a luz revela a realidade tal como ela é. Sem a luz, nada se vê e a vida perde a cor.

Em muitas situações, ser luz pode implicar grandes riscos. No entanto, o pior risco é não aceitar o desafio de ser luz, o que pode nos afastar de Jesus.

Será que a nossa presença está dando o sabor de Jesus no meio em que vivemos? Ou será que estamos salgados demais, a ponto de afastar as pessoas? Estamos irradiando a luz de Cristo que brilha em nós? Ou estamos sendo uma luz forte demais, ofuscando os olhos do outro?

Jesus não nos pede para sermos sal da terra e luz do mundo. Ele afirma que já o somos. “Vós sois o sal da terra, a luz do mundo.” Portanto, deixemo-nos temperar pelo sabor de Jesus e iluminar pela luz do seu Espírito, dando continuidade à sua presença no mundo, sendo sal e luz no meio em que vivemos.

Tenham todos um abençoado domingo!


Rosa Amélia

Catequista da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Inclinai vosso ouvido, ó Senhor, e respondei-me!

Cor Litúrgica: Verde

4ª Semana do Tempo Comum | Terça-feira


Naquele tempo, 21 Jesus atravessou de novo, numa barca, para a outra margem. Uma numerosa multidão se reuniu junto dele, e Jesus ficou na praia. 22 Aproximou-se, então, um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Quando viu Jesus, caiu a seus pés, 23 e pediu com insistência: “Minha filhinha está nas últimas. Vem e põe as mãos sobre ela, para que ela sare e viva!” 24 Jesus então o acompanhou. Uma numerosa multidão o seguia e o comprimia. 25 Ora, achava-se ali uma mulher que, há doze anos, estava com uma hemorragia; 26 tinha sofrido nas mãos de muitos médicos, gastou tudo o que possuía, e, em vez de melhorar, piorava cada vez mais. 27 Tendo ouvido falar de Jesus, aproximou-se dele por detrás, no meio da multidão, e tocou na sua roupa. 28 Ela pensava: “Se eu ao menos tocar na roupa dele, ficarei curada”. 29 A hemorragia parou imediatamente, e a mulher sentiu dentro de si que estava curada da doença. 30 Jesus logo percebeu que uma força tinha saído dele. E, voltando-se no meio da multidão, perguntou: “Quem tocou na minha roupa?” 31 Os discípulos disseram: “Estás vendo a multidão que te comprime e ainda perguntas: ‘Quem me tocou?'” 32 Ele, porém, olhava ao redor para ver quem havia feito aquilo. 33 A mulher, cheia de medo e tremendo, percebendo o que lhe havia acontecido, veio e caiu aos pés de Jesus, e contou-lhe toda a verdade. 34 Ele lhe disse: “Filha, a tua fé te curou. Vai em paz e fica curada dessa doença”. 35 Ele estava ainda falando, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, e disseram a Jairo: “Tua filha morreu. Por que ainda incomodar o mestre?” 36 Jesus ouviu a notícia e disse ao chefe da sinagoga: “Não tenhas medo. Basta ter fé!” 37 E não deixou que ninguém o acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e seu irmão João. 38 Quando chegaram à casa do chefe da sinagoga, Jesus viu a confusão e como estavam chorando e gritando. 39 Então, ele entrou e disse: “Por que essa confusão e esse choro? A criança não morreu, mas está dormindo”. 40 Começaram então a caçoar dele. Mas, ele mandou que todos saíssem, menos o pai e a mãe da menina, e os três discípulos que o acompanhavam. Depois entraram no quarto onde estava a criança. 41 Jesus pegou na mão da menina e disse: “Talitá cum” — que quer dizer: “Menina, levanta-te!” 42 Ela levantou-se imediatamente e começou a andar, pois tinha doze anos. E todos ficaram admirados. 43 Ele recomendou com insistência que ninguém ficasse sabendo daquilo. E mandou dar de comer à menina. (Mc 5,21-43).

Estimados leitores,

Celebramos hoje, em nossa comunidade, a festa do glorioso São Brás. Senhor, pelos méritos de São Brás, pedimos por nossa saúde e, especialmente, que nos liberte dos males da garganta.

O Evangelho de hoje chega até nós como um convite a refletirmos sobre a necessidade da fé. A narrativa nos apresenta dois belíssimos testemunhos, vindos de realidades bem diferentes, mas que foram agraciados pela intervenção amorosa de Deus.

O primeiro é o da mulher que, há anos, vinha sofrendo de uma enfermidade que atingia não somente o seu corpo, mas também a sua alma: uma hemorragia que a atormentava há doze anos. O segundo é o da filha de Jairo, um dos chefes da sinagoga, que não hesitou em enfrentar todos os obstáculos para chegar até Jesus.

Por medo de represálias daqueles que cercavam Jesus, a mulher não ousava sequer lhe dirigir a palavra. Com fé e humildade, apenas toca em suas vestes, na certeza de que seria curada. Jesus, ao perceber o toque de fé, volta-se para ela e diz:
“Filha, a tua fé te curou. Vai em paz e fica curada desta doença.”

Enquanto Jesus ainda falava, chegaram alguns dos chefes da sinagoga e disseram a Jairo:
“Tua filha morreu. Por que ainda incomodas o Mestre?”
Ao ouvir essa notícia, Jesus tranquiliza aquele pai aflito:
“Não tenhas medo. Basta ter fé.”

Jesus segue com Jairo até sua casa e, ali, devolve a vida à sua filha.

Esses milagres nos mostram claramente o poder da fé. A fé nos devolve aquilo que o mundo já considera perdido. A mulher com hemorragia já havia gastado todo o seu dinheiro com médicos e não fora curada. A filha de Jairo já estava morta. Humanamente falando, eram duas situações sem solução.

Mas, pela fé, é possível alcançar a cura. São palavras do próprio Jesus:
“Tua fé te curou.”
E, mesmo que não recebamos a cura física, devemos nos alegrar, pois com certeza recebemos de Jesus a cura interior.

A fé nos possibilita vencer todos os obstáculos que nos impedem de nos aproximar de Jesus, de tocá-Lo e de sermos tocados por Ele. É a fé que nos leva ao encontro de Cristo. É n’Ele que encontramos força e coragem para enfrentar as dificuldades da vida.

O que seria de nós sem a fé?
Quem acolhe o dom da fé e o desenvolve caminha sem temer os problemas, pois tem em Jesus o seu porto seguro.


Rosa Amélia

Catequista da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus

Cor Litúrgica: Verde

4º Domingo do Tempo Comum | Domingo


Naquele tempo, 1 vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2 e Jesus começou a ensiná-los: 3 “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. 4 Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. 5 Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. 6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8 Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9 Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10 Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. 11 Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. 12a Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”. (Mt 5,1-12a).

Estimados leitores, a meta do cristão é deixar-se orientar pelos ensinamentos do Senhor para traçar boas ações e, assim, cumprir sua missão na terra. Esse serviço já foi plenamente vivido pelo Filho do Altíssimo, que nos deixou um legado a ser continuado e consumado.

Na montanha, Jesus está diante da multidão que seguia seus passos para ouvir palavras de libertação. Seu objetivo começava a se concretizar. O povo, de pé, encontra um Mestre cujas palavras vêm na medida certa, palavras que se encaixam perfeitamente na realidade vivida por cada um. A montanha possui um simbolismo profundo. Ela representa a proximidade com o céu. É ali que Jesus começa a pregar à multidão e aos discípulos, proclamando: “Bem-aventurados”.

Para refletirmos melhor, qual bem-aventurança mais fala ao seu coração hoje? Em qual delas sentimos maior dificuldade? Onde Deus está nos chamando a confiar mais n’Ele? As Bem-aventuranças revelam o modo de ser de quem caminha com Deus e, ao mesmo tempo, viram de cabeça para baixo a lógica do mundo.

“Bem-aventurados os pobres em espírito.” Aqui não se fala apenas de pobreza material, mas de humildade. É reconhecer que precisamos de Deus e que não damos conta sozinhos. A verdadeira felicidade nasce quando deixamos o orgulho e confiamos.

“Bem-aventurados os aflitos.” São aqueles que sofrem, que sentem a própria dor e a dor do mundo. Deus não despreza lágrimas. Chorar não é fraqueza, é espaço para o consolo de Deus.

“Bem-aventurados os mansos.” Mansidão não é passividade. É força com domínio, é não responder ao mal com o mal. Quem é manso confia que Deus faz justiça.

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça.” É desejar profundamente o que é correto, verdadeiro e justo diante de Deus e das pessoas. É não se acomodar com a injustiça, nem fora, nem dentro de nós.

“Bem-aventurados os misericordiosos.” Quem reconhece as próprias falhas aprende a perdoar. A misericórdia que oferecemos retorna para nós.

“Bem-aventurados os puros de coração.” Trata-se de um coração inteiro, sem duplicidade, com intenções limpas. Ver Deus começa por purificar o olhar.

“Bem-aventurados os que promovem a paz.” Não são aqueles que evitam conflitos a qualquer custo, mas os que constroem pontes, mesmo quando isso é difícil. Onde há paz, Deus habita.

“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça.” Seguir Jesus nem sempre traz aplausos. Muitas vezes traz rejeição. A fidelidade vale mais do que o conforto.

Quando Jesus diz “Bem-aventurados sois vós”, Ele não está afirmando que é bom sofrer. Ele está dizendo que vocês não estão errados nem sozinhos. Deus vê, Deus sustenta e Deus transforma a dor em algo que não se perde. O mundo pode ferir nossa reputação, mas não pode tocar nossa dignidade diante de Deus.

O caminho está aberto para quem deseja seguir os passos de Jesus. Seja humilde, encantado com a beleza das maravilhas do Criador. Ame de todo o coração a plenitude da justiça e seja um servo fiel do nosso Deus.

Tenham todos um domingo abençoado.


Rosa Amélia

Catequista da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.

Meu coração se alegrou em Deus, meu Salvador

Cor Litúrgica: Verde

1ª Semana do Tempo Comum | Terça-feira


Estando com seus discípulos em Cafarnaum, Jesus, num dia de sábado, entrou na sinagoga e começou a ensinar. Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da Lei. Estava então na sinagoga um homem possuído por um espírito mau. Ele gritou: “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus”. Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!” Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu. E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: “O que é isto? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!” E a fama de Jesus logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia. (Mc 1,21b-28)

Estimados leitores, o Evangelho de hoje nos fala de um Deus comprometido com a vida em toda a sua dimensão. Um Deus libertador, que se revelou plenamente na pessoa de Jesus.

Jesus, em um dia de sábado, entra na sinagoga de Cafarnaum junto com seus discípulos e começa a ensinar. O povo ficava encantado com o seu modo diferente de ensinar, pois Jesus falava com autoridade. Ele falava daquilo que conhecia e vivia, daquilo que ouvia do Pai, diferente dos líderes religiosos, que não viviam aquilo que anunciavam.

Na sinagoga, havia um homem possuído por um espírito mau, cuja simples presença de Jesus o atormentava. Diante dele, o espírito gritou: “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Viestes para nos destruir? Eu sei quem tu és: o Santo de Deus.” Jesus o repreendeu dizendo: “Cala-te e sai dele.”

A partir desse momento, aquele homem sente-se completamente livre das correntes do mal, da escravidão que o impedia de ser ele mesmo. Esse homem representa todas as pessoas que vivem na escuridão, aquelas que são impedidas de falar, de agir e de se reconhecerem como sujeitos da própria história.

A Palavra do Santo Evangelho nos convida a conhecer a verdade que liberta e a viver essa verdade no nosso dia a dia. Somente assim poderemos também falar com autoridade e nos tornar caminho de libertação para o outro.

Deus nos deu a vida e todas as condições para sermos felizes. No entanto, Ele respeita a nossa liberdade e nos deixa livres para fazermos as nossas escolhas.

Tenham todos uma abençoada terça-feira.


Rosa Amélia

Catequista da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira.