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Dai-lhes vós mesmos de comer!

Cor Litúrgica: Branco

São João Maria Vianney, presbítero – Memória | Segunda-feira


Naquele tempo, quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu e foi de barco para um lugar deserto e afastado. Mas quando as multidões souberam disso, saíram das cidades e o seguiram a pé. Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes. Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram: “Este lugar é deserto e a hora já está adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida!” Jesus porém lhes disse: “Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer!” Os discípulos responderam: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes”. Jesus disse: “Trazei-os aqui”. Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama. Então pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção. Em seguida partiu os pães, e os deu aos discípulos. Os discípulos os distribuíram às multidões.  Todos comeram e ficaram satisfeitos, e dos pedaços que sobraram, recolheram ainda doze cestos cheios. E os que haviam comido eram mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças. (Mt 14,13-21)

MEU IRMÃO, MINHA IRMÃ! LOUVADO SEJA DEUS!

Hoje, 4 de agosto, a Igreja celebra a memória do padroeiro dos padres, São João Maria Vianey. Que ele proteja e dê firmeza e coragem a todos aqueles que renunciaram à própria vida, para assumir o ministério presbiteral.

No Evangelho de hoje, texto bem conhecido nosso, o evangelista antepõe o “banquete da morte” promovido por Herodes, ao “banquete da vida” realizado por Jesus. A Palavra proclamada tem início com Jesus se retirando para um lugar afastado. Assim como em outros momentos, Jesus, imbuído de um sentimento profundamente humano, fica triste com a morte de João Batista.

Jesus nos dá uma grande lição de solidariedade, quando rejeita a sugestão dos discípulos para que mandassem o povo ir embora com fome. Muitas vezes nós agimos assim também: queremos nos ver livres daquelas pessoas que atravessam o nosso caminho e vêm à nossa procura, muitas vezes precisando de uma ajuda, de um apoio, e nós fazemos vista grossa e não somos capazes de ajudá-las. Jesus diz: “Dai-lhes vós mesmos de comer” e, em seguida, manda que todos sentem na relva. É preciso sentar, refletir e partilhar os dons que recebemos.

Ao tomar os cinco pães e dois peixes nas mãos e dar graças ao Pai, Jesus nos deu o exemplo de como devemos agradecer ao Pai e a Ele oferecer os nossos dons em favor dos irmãos. Ao multiplicar os pães, Jesus antecipa e prefigura o Banquete Eucarístico, que será instituído na véspera da sua paixão. Ergue os olhos, abençoa, parte e distribui. São gestos que nos remetem à Eucaristia.

Há dois mil anos, Jesus olhou a multidão, teve compaixão dela e agiu. Com certeza Ele olha hoje a situação de tantos irmãos e irmãs e pede que os seus seguidores façam algo para mudar a situação. Paira sobre nós, cristãos do fim do milênio, o desafio do texto de hoje: “Dai-lhes vós mesmos de comer!”

O cristão, sustentado pela Eucaristia, a Mesa da Palavra e a Mesa do Pão, deve se comprometer com uma visão cristã da sociedade, que exige que a gente faça o que é possível para a construção de um mundo de justiça e fraternidade.


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

Vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo !

Cor Litúrgica: Verde

17ª Semana do Tempo Comum | Segunda-feira


Naquele tempo, 31 Jesus contou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. 32 Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fazem ninhos em seus ramos.” 33 Jesus contou-lhes ainda uma outra parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”. 34 Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, 35 para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo”. (Mt 13,31-35)

MEU IRMÃO, MINHA IRMÃ! LOUVADO SEJA DEUS!

O Evangelho que nos é dirigido hoje nos convida a olhar, a partir de outra ótica, para aquilo que a nós parece pequeno, insignificante ou invisível. Jesus nos fala sobre o Reino dos Céus usando duas imagens simples, mas profundamente impactantes: a semente de mostarda e o fermento na massa. Ele não fala de grandes conquistas ou de gestos extraordinários, mas daquilo que cresce, do que está escondido, que transforma e se expande.

Muitas vezes queremos e pensamos em coisas grandiosas. Vivemos numa sociedade imediatista e intimista, que só dá valor àquilo que aparece rapidamente, querendo que tudo aconteça de imediato. Em contraste com isso, Jesus nos ensina que o Reino de Deus começa nas coisas pequenas, nos pequenos gestos como o grão de mostarda e o fermento. Coisas pequenas que crescem e transformam com força e com entrega.

É nesse sentido que Jesus quer agir em nós: no interior, no que está oculto, na missão. Muitas vezes achamos que, para o Reino acontecer, são necessárias coisas grandiosas; no entanto, ele começa na pequenez e depois se torna grande, como a semente de mostarda que, plantada, torna-se uma grande árvore que abriga os passarinhos. Também como o fermento que leveda a massa e a faz crescer. É preciso não temer a humildade dos pequenos passos e confiar no fermento que se mistura com a massa e, lentamente, a faz crescer.

Para que o Reino de Deus cresça, é preciso que ele seja fortalecido a partir das pequenas ações e que, assim, possa crescer no acolhimento, na essência do verdadeiro amor a Deus, aceitando-o como Pai de todos nós, seres humanos, e reconhecendo que somos todos irmãos. Dessa forma, o seu Reino será implantado no meio de nós!


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

O sinal será dado através de Jesus Cristo

Cor Litúrgica: Verde

16ª Semana do Tempo Comum | Segunda-feira


Naquele tempo, 38 alguns mestres da Lei e fariseus disseram a Jesus: “Mestre, queremos ver um sinal realizado por ti”. 39 Jesus respondeu-lhes: “Uma geração má e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas. 40 Com efeito, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem estará três dias e três noites no seio da terra. 41 No dia do juízo, os habitantes de Nínive se levantarão contra essa geração e a condenarão, porque se converteram diante da pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas. 42 No dia do juízo, a rainha do Sul se levantará contra essa geração, e a condenará, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão, e aqui está quem é maior do que Salomão”. (Mt 12,38-42).

Irmãos e irmãs em Cristo!
Os mestres da Lei, os fariseus, estavam sempre colocando Jesus à prova. Para testar Jesus, eles pedem um sinal. Ora, o sinal mais autêntico é o que Ele nos dá através da firme esperança de sermos salvos pelo Corpo e Sangue de Cristo.

Há quem ache que a salvação se dá através das boas obras. No entanto, elas são uma consequência, uma resposta que Deus, através da sua misericórdia, nos dá. Mas a obra sem fé é morta.

Os sinais do amor de Deus são percebidos por quem está em verdadeira sintonia com Deus. É preciso buscar a Deus e ao próximo, pois só assim podemos viver a experiência de sentir Deus agindo em nossa vida. O sinal proposto por Jesus é Ele mesmo, pela sua paixão, morte e ressurreição. Este é o sinal mais verdadeiro, que é a entrega total de amor por nós.

Jesus cita como exemplo a experiência de Jonas, que passou três dias na barriga da baleia, para fazer alusão à sua própria ressurreição, após três dias da sua morte.

Nesse sentido, não podemos ficar esperando, acomodados, indiferentes ao chamado. Precisamos buscar pelo Deus dos sinais, e não pelos sinais de Deus.


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira.

Vem e segue-me

Cor Litúrgica: Verde

13ª Semana do Tempo Comum | Segunda-feira


Naquele tempo, vendo uma multidão ao seu redor, Jesus mandou passar para a outra margem do lago. Então um mestre da Lei aproximou-se e disse: “Mestre, eu te seguirei aonde quer que tu vás”. Jesus lhe respondeu: “As raposas têm suas tocas e as aves dos céus têm seus ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. Um outro dos discípulos disse a Jesus: “Senhor, permite-me que primeiro eu vá sepultar meu pai”. Mas Jesus lhe respondeu: “Segue-me, e deixa que os mortos sepultem os seus mortos”. (Mt 8,18-22)

IRMÃOS E IRMÃS EM CRISTO JESUS!

Nestes dias, celebramos com alegria as Solenidades do Corpo e Sangue de Cristo, bem como a de São Pedro e São Paulo, os grandes pilares da nossa Igreja. Hoje, o evangelista Lucas nos apresenta Jesus em sua caminhada rumo a Jerusalém. Nesse percurso, algumas pessoas se aproximam dele manifestando o desejo de segui-lo, e Jesus responde com algumas exigências.

A um que dizia querer segui-lo aonde quer que fosse, Jesus afirma: “O Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça.” Ou seja, Ele é um missionário peregrino, sem moradia fixa, totalmente entregue à missão. A outro, Jesus dirige um chamado direto: “Segue-me!”, exigindo dele o desapego das seguranças materiais e dos laços familiares.

Essas exigências podem parecer radicais, mas revelam algo essencial: para entrar no Reino de Deus é necessário ter prioridade absoluta. Trata-se de uma radicalidade que nasce do amor a Deus e se realiza na adesão plena à pessoa de Jesus Cristo, seu Filho Unigênito.

Renunciar para seguir Jesus significa adotar uma nova forma de viver, guiada pelo Espírito, colocando-se a serviço dos irmãos e irmãs. Em um mundo tão materialista como o nosso, onde nos apegamos facilmente a coisas e pessoas, este chamado exige de nós coragem e decisão.

Seguir o Senhor é assumir a liberdade interior que rompe com os vínculos terrenos e nos faz colocar o Reino em primeiro lugar. Que tenhamos a ousadia de escutar o seu chamado, deixar de lado as seguranças passageiras e caminhar na certeza de que, com Ele, encontramos a verdadeira vida.


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

Dar a outra face é mostrar o contrário

Cor Litúrgica: Verde

11ª Semana do Tempo Comum | Segunda-feira


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 38 “Ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ 39 Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! 40 Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! 41 Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! 42 Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado”. (Mt 5,38-42).

Irmãos e irmãs em Cristo Jesus,

A passagem do Evangelho de hoje nos apresenta um grande desafio: viver de maneira diferente do que as pessoas costumam pensar e viver nos dias atuais, quando o ódio e a violência tomam conta do coração e da vida de tantos.

Jesus, ao citar a lei do talião — um princípio de justiça de sua época que buscava limitar a violência, mas que, na prática, muitas vezes gerava um ciclo de vingança — nos ensina algo novo. Ele nos convida a buscar a justiça através do amor e do serviço ao próximo, construindo um mundo mais justo e fraterno, no qual o amor prevaleça sobre a violência e a vingança.

Esse ensinamento deve nortear nossas ações enquanto caminhamos neste mundo. É muito fácil e cômodo fazer o bem àqueles que nos tratam bem. Difícil, porém, é demonstrar o verdadeiro e autêntico amor, aquele que se baseia em gestos concretos de perdão, compreensão e paciência.

Oferecer a outra face é agir de forma diferente do que o mundo espera: é dialogar em vez de atacar, é promover a paz em vez da discórdia.

Jesus nos convoca a fazer o bem sem olhar a quem, a não negar ajuda — mesmo àqueles que, aos nossos olhos, “não merecem”. A piedade é um dom de Deus que nos impulsiona à compaixão, à fraternidade, à caridade e à amizade desinteressada.

Não podemos, nem devemos, fazer justiça com as próprias mãos ou usar a autoridade que temos para humilhar, discriminar ou impor a nossa vontade. Muitas vezes, nos apegamos demais às coisas terrenas — cargos, objetos, posição social, sucesso — e entramos em conflito com aqueles que nos desejam o mal ou que nos fazem mal.

Esta passagem do Evangelho nos convida a uma transformação radical em nossos relacionamentos, superando a lógica da vingança e da retaliação com a força do amor e do perdão. Jesus nos ensina a não resistir ao mal, mas a oferecer a outra face, a ceder o manto, a ir além do que é exigido, demonstrando uma atitude de generosidade e misericórdia.

Essa postura não é fraqueza. Ao contrário, é força interior e sabedoria. É a capacidade de desarmar o coração do agressor e construir a paz.


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira.

Mulher, eis aí o teu filho

Cor Litúrgica: Branco

Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja – Memória | Segunda-feira


Naquele tempo, perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: “Mulher, este é o teu filho”. Depois disse ao discípulo: “Esta é a tua mãe”. Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo. Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que a Escritura se cumprisse até o fim, disse: “Tenho sede”. Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus. Ele tomou o vinagre e disse: “Tudo está consumado”. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. Era o dia da preparação para a Páscoa. Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene. Então pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas aos crucificados e os tirasse da cruz. Os soldados foram e quebraram as pernas de um e depois do outro que foram crucificados com Jesus. Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. (Jo 19,25-34)

Irmãos e irmãs em Cristo Jesus,

Com a solenidade de Pentecostes, encerra-se o tempo pascal, quando celebramos solenemente a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e Maria, sendo, assim, por excelência, um dom pascal.

Nos Evangelhos Sinóticos de Mateus e Marcos, há o registro de que, na crucifixão de Jesus, um grupo de mulheres observava de longe. No Evangelho de João, ele próprio é testemunha ocular do que aconteceu, porque não fugiu com os outros, permanecendo firme junto à cruz com as quatro mulheres: Maria, mãe de Jesus; a sua irmã; Maria de Cléofas; e Maria Madalena, representando a Igreja fiel, que acompanha Jesus até o fim, até a cruz.

O texto narra que Jesus volta um olhar para sua mãe e o discípulo amado e, num gesto extremo de ternura e amor, quer assegurar para sua mãe a solicitude filial do apóstolo João: “Eis aí tua mãe!” E, ao mesmo tempo, quer também garantir para João, que representa a Igreja, a presença maternal de Maria: “Eis aí o teu filho!” A partir daí, o discípulo a acolheu em sua casa. Percebe-se, assim, a maternidade espiritual de Maria para com os que creem em Jesus.

Numa ótica humana, vemos o cuidado pelas viúvas desamparadas, representadas por Maria como a escolhida para gerar o Verbo encarnado e sua importância na geração do Corpo de Cristo, como a Mãe da Igreja — título a ela atribuído no Concílio Vaticano II pelo Papa Paulo VI.

Somos filhos de Maria quando acolhemos a Palavra de Deus, assim como ela mesma acolheu quando se colocou a serviço, para ser templo do Espírito Santo, gerando aquele que seria o Salvador da Humanidade. Maria torna-se a nova Eva, mãe dos viventes. A mãe do Redentor confirma-nos na fé, na missão e na vocação com seu exemplo de humildade e disponibilidade à vontade de Deus, e contribui para o fortalecimento de nossa fé no anúncio do Evangelho. Ela é a presença materna de Deus para a humanidade.


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

Tende coragem! Eu venci o mundo!

Cor Litúrgica: Branco

7ª Semana da Páscoa | Segunda-feira


Naquele tempo, os discípulos disseram a Jesus: 29 “Eis, agora falas claramente e não usas mais figuras. 30 Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus”. 31 Jesus respondeu: “Credes agora? 32 Eis que vem a hora – e já chegou – em que vos dispersareis, cada um para seu lado, e me deixareis só. Mas eu não estou só o Pai está comigo. 33 Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo, tereis tribulações. Mas, tende coragem! Eu venci o mundo!”. (Jo 16,29-33).

Meu irmão, minha irmã na fé,

Encerramos o mês mariano e iniciamos o mês de junho. Neste domingo, celebramos a Ascensão do Senhor ao Céu, já nos aproximando da grande solenidade do Espírito Santo: Pentecostes.

Nesta segunda-feira, o Evangelho nos apresenta a continuidade do discurso de despedida de Jesus.

Os apóstolos estavam convencidos de que já estavam firmes na fé, afirmando crer que Jesus veio da parte de Deus. No entanto, Ele os questiona e duvida de sua firmeza, pois nunca podemos nos considerar plenamente convictos de possuir uma fé inabalável. Somos humanos, e a fragilidade faz parte da nossa condição.

Jesus conhece profundamente cada um de nós e, ciente das limitações dos apóstolos, afirma que eles se dispersarão e o deixarão só. Ainda assim, declara que não está só, porque o Pai está com Ele.

As palavras de Jesus tinham um alcance que os discípulos ainda não conseguiam compreender. Ele estava prestes a voltar para o Pai por meio de sua paixão e morte. Esse retorno é um mistério que transforma toda a natureza humana, para que os homens possam verdadeiramente crer.

Quando Jesus realizar, através do sofrimento e da morte, essa transformação, enviará o Espírito Santo, que fará dos apóstolos uma nova criação. Então, eles poderão crer plenamente e compreender toda a verdade.

Acolhamos, em todos os momentos e situações, o Espírito Santo com os Seus dons.

Somente Ele nos permitirá conhecer cada vez mais a pessoa de Cristo e o mistério do Seu Coração. Jesus conhece profundamente a nossa humanidade e sabe até onde conseguimos ir sem o Seu auxílio. Ainda assim, nos encoraja a vencer o mundo, mesmo em meio às tribulações.

Não tenhamos medo! Jesus é o vencedor do mundo. O Espírito Santo nos ajudará a superar as adversidades. Tenhamos, pois, a paz em Jesus.


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira.

Se eu não for, não virá até vós o Defensor

Cor Litúrgica: Branco

6ª Semana da Páscoa | Terça-feira


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 5 “Agora, parto para aquele que me enviou, e nenhum de vós me pergunta: ‘Para onde vais?’ 6 Mas, porque vos disse isto, a tristeza encheu os vossos corações. 7 No entanto, eu vos digo a verdade: É bom para vós que eu parta; se eu não for, não virá até vós o Defensor; mas, se eu me for, eu vo-lo mandarei. 8 E quando vier, ele demonstrará ao mundo em que consistem o pecado, a justiça e o julgamento: 9 o pecado, porque não acreditaram em mim; 10 a justiça, porque vou para o Pai, de modo que não mais me vereis; 11 e o julgamento, porque o chefe deste mundo já está condenado”. (Jo 16,5-11).

VIVENDO A PALAVRA

Estimados irmãos e irmãs na fé,

No Evangelho de hoje, Jesus lembra aos discípulos que sua partida deveria ser, na verdade, motivo de alegria. Eles receberiam o Espírito Santo — o Defensor — e, com Ele, a clareza e a força para continuar a missão. Essa palavra nos chama a atenção para a importância de nos abrirmos à ação do Espírito Santo em nossas vidas.

Quando permitimos que o Espírito Santo atue em nós, passamos a enxergar os acontecimentos de forma diferente. Até mesmo dos sofrimentos conseguimos extrair aprendizados e frutos bons. Como nos diz Jesus: “É bom para vós que eu parta; se eu não for, não virá até vós o Defensor; mas, se eu me for, eu vo-lo mandarei.”

Os discípulos tiveram dificuldade para entender os mistérios que Jesus revelava sobre o fim de sua trajetória terrena. Mas, com o envio do Espírito, tudo se esclareceu. O Espírito Santo os transformou, e Ele também pode transformar a mim e a você.

É essencial permanecermos atentos às mensagens de Jesus. Sua missão aqui na terra não terminou com sua morte — ela continua nos discípulos de ontem e continua em nós, discípulos e discípulas de hoje. Nosso testemunho cristão deve ser baseado no amor que Deus infundiu em nossos corações. Por esse amor, Ele nos oferece uma vida nova em Jesus.

A vida de união e comunhão com Deus — na Pessoa do Pai, do Filho e do Espírito Santo — vai transformando, aos poucos, a vida daquele que se abre à graça. Essa transformação nos ensina a interpretar os acontecimentos políticos, sociais e religiosos sempre à luz de Deus.

O Espírito Santo é uma força iluminadora tão intensa que nos permite enxergar aquilo que está oculto aos olhos do mundo.

Tenham todos uma abençoada e iluminada terça-feira!


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira.

Quando vier o Defensor que eu vos mandarei da parte do Pai

Cor Litúrgica: Branco

São Filipe Néri, presbítero – Memória | Segunda-feira


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 26 “Quando vier o Defensor que eu vos mandarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim. 27 E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o começo. 16,1 Eu vos disse estas coisas para que a vossa fé não seja abalada. 2 Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que aquele que vos matar julgará estar prestando culto a Deus. 3 Agirão assim, porque não conheceram o Pai, nem a mim. 4a Eu vos digo isto, para que vos lembreis de que eu o disse, quando chegar a hora”. (Jo 15,26-16,4a).

Irmãos e irmãs,

Estamos já na sexta semana da Páscoa, nos aproximando da Festa de Pentecostes, a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos.

O Evangelho de hoje nos apresenta Jesus fazendo referência à descida do Espírito Santo Paráclito, como defensor e advogado dos apóstolos e de todos os que, ao longo da história, dão testemunho de Jesus e assumem uma missão na Igreja — especialmente nos momentos de maior dificuldade.

Jesus também adverte seus discípulos sobre as perseguições que sofrerão por causa do seu nome. No entanto, oferece-lhes palavras de esperança ao afirmar que não devem se preocupar, pois o Espírito Santo estará sempre com eles. É Ele quem falará por meio deles e lhes dará a força necessária para testemunhar Jesus e sua Palavra.

Assim, às primeiras comunidades foi dado, no dia de Pentecostes, o poder do alto, que lhes permitiu cumprir a missão evangelizadora da Igreja. Nessa mesma perspectiva, também hoje nossa fé é reavivada pelo sopro do Espírito, para que ela encontre direção mesmo diante das dificuldades e perseguições que marcam a História da Salvação.

Cada um de nós deve estar atento e deixar que arda em nosso coração a chama viva que animava os primeiros discípulos. Só assim poderemos viver, de fato, no Espírito, como cristãos em missão.

Que, pela força do Espírito Santo, acendamos em nós a chama do amor, da fé, da fraternidade e da solidariedade.


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira.

Se alguém me ama, guardarás minha Palavra

Cor Litúrgica: Branco

5ª Semana da Páscoa | Segunda-feira


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 21 “Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele”. 22 Judas – não o Iscariotes – disse-lhe: “Senhor, como se explica que te manifestarás a nós e não ao mundo?” 23 Jesus respondeu-lhe: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. 24 Quem não me ama, não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou. 25 Isso é o que vos disse enquanto estava convosco. 26 Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito. (Jo 14,21-26 ).

Irmãos e irmãs, em Cristo nossa Páscoa

Amar Jesus significa guardar os seus mandamentos, o que, por sua vez, leva à manifestação de Deus e à morada do Espírito Santo em nós. A obediência à Palavra de Deus é, portanto, um sinal de amor e um caminho para a presença divina em nossa vida.

Se dizemos que amamos a Deus, mas não seguimos o que Ele nos ensina através da sua Palavra, trata-se de um amor falso, inconsequente e infiel. Jesus nos alerta sobre esse amor que demonstramos, muitas vezes, da boca para fora. Para correspondermos ao amor de Deus, precisamos guardar e seguir seus ensinamentos.

Jesus veio ao mundo para manifestar a todos a glória de Deus, no entanto, nem sempre acolhemos os seus ensinamentos, rejeitamos o seu amor de Pai, rompendo com a sua misericórdia. Em alguns momentos, os ensinamentos de Jesus vão de encontro ao que pensamos e vivenciamos, daí por que é difícil para nós corresponder a esse amor.

Porém, é o Espírito Santo quem nos ensina tudo e nos recorda o que o Pai tem para nos revelar. E é também o Espírito Santo quem nos ajuda a permanecer fiéis a Jesus e aos seus ensinamentos. A nossa obediência ao Espírito Santo também é uma prova de que amamos a Deus e acolhemos os seus mandamentos.

Nesses tempos difíceis, precisamos nos firmar no amor verdadeiro e autêntico de Deus por nós, pois é o que dá sentido à nossa vida. O Evangelho de hoje nos convida a refletir sobre a nossa resposta ao amor de Deus, que se manifesta através do nosso compromisso e da nossa fé.


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira.

Precisamos nascer da água e do Espírito

Cor Litúrgica: Branco

2ª Semana da Páscoa | Segunda-feira


Havia um chefe judaico, membro do grupo dos fariseus, chamado Nicodemos, que foi ter com Jesus, de noite, e lhe disse: “Rabi, sabemos que vieste como mestre da parte de Deus. De fato, ninguém pode realizar os sinais que tu fazes, a não ser que Deus esteja com ele”. Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nasce do alto, não pode ver o Reino de Deus”. Nicodemos disse: “Como é que alguém pode nascer, se já é velho? Poderá entrar outra vez no ventre de sua mãe?” Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus”. Quem nasce da carne é carne; quem nasce do Espírito é espírito. Não te admires por eu haver dito: Vós deveis nascer do alto. O vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito”. (Jo 3,1-8)

Irmãos e irmãs no Cristo Ressuscitado!

Este texto nos apresenta a conclusão do diálogo de Jesus com Nicodemos, que é um convite à conversão e coloca em confronto duas opções: aquele que crê e o que não crê. Ser cristão é deixar que o Espírito sopre e nos leve para onde Ele quer. Muitas vezes, ficamos acomodados e não sabemos — ou não queremos — ir aonde o Espírito nos conduz, pois nos falta a verdadeira confiança em Deus.

Nascer do alto é assumir uma nova vida, guiada por Deus e pelo Espírito Santo. É deixar-se conduzir por uma nova consciência, uma nova maneira de pensar e agir, procurando a salvação. Isso é nascer de novo. Muitas vezes, somos levados por nossos próprios interesses, duvidando e questionando, como fez Nicodemos. No entanto, precisamos nos abandonar nas mãos de Deus e permitir que Ele nos conduza. Só assim poderemos nascer da água e do Espírito e entrar no Reino de Deus, conforme nos afirma Jesus.

Não há conversão sem transformação. Quem crê e foi batizado pela água e pelo Espírito, mas não muda de vida, não se reconhece como pecador, não pode alcançar a salvação, pois ela exige de nós uma profunda mudança.

Nascer de novo é permitir que o Espírito entre em nós e nos guie. E assim, livres, com essa liberdade do Espírito — que nunca sabemos onde nos levará — seremos conduzidos ao caminho da vida verdadeira.


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

Jesus foi ao encontro delas, e disse: “Alegrai-vos!”

Cor Litúrgica: Branco

Oitava da Páscoa | Segunda-feira


Naquele tempo, 8 as mulheres partiram depressa do sepulcro. Estavam com medo, mas correram com grande alegria, para dar a notícia aos discípulos. 9 De repente, Jesus foi ao encontro delas, e disse: “Alegrai-vos!” As mulheres aproximaram-se, e prostraram-se diante de Jesus, abraçando seus pés. 10 Então Jesus disse a elas: “Não tenhais medo. Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão”. 11 Quando as mulheres partiram, alguns guardas do túmulo foram à cidade, e comunicaram aos sumos sacerdotes tudo o que havia acontecido. 12 Os sumos sacerdotes reuniram-se com os anciãos, e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, 13 dizendo-lhes: “Dizei que os discípulos dele foram durante a noite e roubaram o corpo, enquanto vós dormíeis. 14 Se o governador ficar sabendo disso, nós o convenceremos. Não vos preocupeis”. 15 Os soldados pegaram o dinheiro, e agiram de acordo com as instruções recebidas. E assim, o boato espalhou-se entre os judeus, até ao dia de hoje. (Mt 28,8-15) 

Irmãos e irmãs! “Alegremo-nos: Jesus está no meio de nós!”

Nesta segunda-feira de Páscoa, o texto nos apresenta as mulheres que foram testemunhas
da ressurreição e partiram depressa para dar a boa notícia aos seus amigos de que o túmulo
estava vazio, com o coração transbordando de alegria, mesmo estando com medo. Nosso
coração também deve estar cheio de grande alegria, dando o sinal de que temos fé e
esperança na ressurreição.

Maria Madalena e a outra Maria, quando viram o túmulo vazio e escutaram a notícia dada
pelo anjo, ficaram assustadas, mas não se intimidaram e foram correndo anunciar a
ressurreição. Entre o medo e a alegria, esta venceu, porque elas acreditaram, sustentadas
pela fé e pelo amor incondicional ao Mestre.

Diante disso, foram recompensadas, pois o próprio Jesus as encontrou, pois elas, alegres,
movidas pela fé e pela esperança, foram tranquilizadas por Jesus: “Vós não precisais ter
medo!”. O amor superou o medo, mesmo assustadas, mas confiantes, elas foram anunciar
o Cristo ressuscitado. O que não aconteceu com os guardas, que apesar de terem visto
tudo, foram contar tudo aos chefes, e a coragem chegou através do dinheiro que receberam
em troca para não anunciar a verdade.

São duas reações: a fé na ressurreição e a coragem de proclamá-la com alegria; o silêncio
por amor ao dinheiro. A alegria é o sinal da fé, da esperança no Cristo ressuscitado. O medo
é a consequência da nossa incapacidade de dominar as nossas emoções, quando não nos
apoiamos na fé e na esperança.

Ainda hoje, Jesus nos diz: “Alegrai-vos, não tenhais medo; Ide anunciar!” Esses três
ensinamentos fazem de nós autênticos cristãos: alegrar-se, não ter medo e ir, pois
anunciar a boa nova é nossa missão. Alegremo-nos: Jesus ressuscitou e está no meio de
nós, vitorioso para nos fazer também vencedores.


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

Pobres, sempre os tereis convosco, enquanto a mim, nem sempre me tereis

Cor Litúrgica: Roxo

Semana Santa | Segunda-feira


Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi para Betânia, onde morava Lázaro, que ele havia ressuscitado dos mortos. Ali ofereceram a Jesus um jantar; Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. Maria, tomando quase meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo. Então, falou Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de entregar: “Por que não se vendeu este perfume por trezentas moedas de prata, para as dar aos pobres?” Judas falou assim não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão; ele tomava conta da bolsa comum e roubava o que se depositava nela. Jesus, porém, disse: “Deixa-a; ela fez isto em vista do dia de minha sepultura. Pobres, sempre os tereis convosco, enquanto a mim, nem sempre me tereis”. Muitos judeus, tendo sabido que Jesus estava em Betânia, foram para lá, não só por causa de Jesus, mas também para verem Lázaro, que Jesus havia ressuscitado dos mortos. Então, os sumos sacerdotes decidiram matar também Lázaro, porque, por causa dele, muitos deixavam os judeus e acreditavam em Jesus. (Jo 12,1-11).

Irmãos e irmãs: Eis o tempo favorável!

Iniciando a Semana Santa deste ano de 2025, somos chamados a refletir sobre os acontecimentos decorrentes do Domingo de Ramos, quando celebramos a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém, aclamado por todos.

O Evangelho desta segunda-feira nos apresenta Maria, irmã de Lázaro, que acolhe Jesus ungindo seus pés com um precioso perfume — um gesto de gratidão, doação, amor e fé. Com esse sinal, Maria entrega a Jesus o que há de mais valioso, o melhor que possuía, mesmo diante da reprovação de Judas, que, com falsidade, afirmava que seria melhor vender o bálsamo para ajudar os pobres.

Jesus, ciente de que sua hora estava chegando e de que vivia seus últimos momentos aqui na terra, já se despedia dos amigos. Por isso, responde a Judas: “Pobres sempre tereis convosco, mas a mim nem sempre tereis.”

Com isso, o Senhor nos faz compreender a efemeridade da vida. Precisamos estar atentos para perceber os sinais da misericórdia de Deus nos momentos difíceis e acolher, com gratidão, as dádivas que Ele nos concede.

Devemos aprender com Maria a oferecer o que há de mais precioso em nossa vida: o perfume da oração, os gestos concretos de caridade, o amor pelos mais necessitados. Também devemos cultivar a prática do perdão e da reconciliação com as pessoas com quem convivemos, dedicando-nos às causas do Reino.

Que nesta Semana Santa tenhamos a oportunidade de derramar aos pés de Jesus os nossos bens mais preciosos: nossa gratidão, nosso amor e, sobretudo, nossa fé. Assim, poderemos celebrar dignamente os mistérios da sua Paixão, Morte e Ressurreição.


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

Eu sou a Luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas

Cor Litúrgica: Roxo

5ª Semana da Quaresma | Segunda-feira


Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”. Então os fariseus disseram: “O teu testemunho não vale, porque estás dando testemunho de ti mesmo”. Jesus respondeu: “Ainda que eu dê testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é válido, porque sei de onde venho e para onde vou. Mas vós não sabeis donde venho, nem para onde vou. Vós julgais segundo a carne, eu não julgo ninguém, e se eu julgo, o meu julgamento é verdadeiro, porque não estou só, mas comigo está o Pai, que me enviou. Na vossa Lei está escrito que o testemunho de duas pessoas é verdadeiro. Ora, eu dou testemunho de mim mesmo e também o Pai, que me enviou, dá testemunho de mim”. Perguntaram então: “Onde está o teu Pai?” Jesus respondeu: “Vós não conheceis nem a mim, nem o meu Pai. Se me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai”. Jesus disse estas coisas, enquanto estava ensinando no Templo, perto da sala do tesouro. E ninguém o prendeu, porque a hora dele ainda não havia chegado. (Jo 8,12-20)

Irmãos e irmãs,

Louvado seja Deus por estarmos concluindo o nosso retiro espiritual nesta Quaresma, pois no próximo domingo, dia 13 de abril, estaremos iniciando a Semana Santa, com o Domingo de Ramos.

No Evangelho de hoje, Jesus dá o testemunho de que Ele é a luz que veio para dissipar as trevas do pecado. É um testemunho autêntico, de alguém que transforma vidas. Ele dá o testemunho da verdade: é a luz de Deus que vem para revelar, mostrar, propagar e iluminar o nosso caminho. Viver nas trevas é viver na ignorância, na desesperança, afastado do amor de Deus.

Jesus é o luzeiro que ilumina o caminho que nos leva ao Pai. Ele nos dá entendimento para que possamos transformar nossas vidas e encontrar o verdadeiro sentido de viver, a partir da realidade do Mistério de Cristo. É preciso viver essa experiência, sendo guiados pelo Espírito Santo, para também darmos testemunho de Jesus, que reafirma: “Se me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai.”

Assim, para sairmos das trevas da escuridão, é preciso buscar a verdadeira Luz da vida: Jesus, que nos conduz ao Pai. Conduzidos por Seu amor, sairemos das sombras e encontraremos o sentido pleno da vida, que é Jesus, o Filho diletíssimo do Pai. Pois não chegaremos a Deus senão por meio de seu Filho, Jesus Cristo.

Como discípulos, o Senhor nos convida também a sermos luz para o mundo, levando esperança, amor e caridade a quem mais precisa, neste mundo tão conturbado, cheio de violência, dúvidas, medos e desconfiança.

Uma Santa Semana para todos!


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira

Podes ir, teu filho está vivo

Cor Litúrgica: Roxo

4ª Semana da Quaresma | Segunda-feira


Naquele tempo, Jesus partiu da Samaria para a Galileia. O próprio Jesus tinha declarado, que um profeta não é honrado na sua própria terra. Quando então chegou à Galileia, os galileus receberam-no bem, porque tinham visto tudo o que Jesus havia feito em Jerusalém, durante a festa. Pois também eles tinham ido à festa. Assim, Jesus voltou para Caná da Galileia, onde havia transformado a água em vinho. Havia em Cafarnaum um funcionário do rei que tinha um filho doente. Ouviu dizer que Jesus tinha vindo da Judeia para a Galileia. Ele saiu ao seu encontro e pediu-lhe que fosse a Cafarnaum curar seu filho, que estava morrendo. Jesus disse-lhe: “Se não virdes sinais e prodígios, não acreditais”. O funcionário do rei disse: “Senhor, desce, antes que meu filho morra!” Jesus lhe disse: “Podes ir, teu filho está vivo”. O homem acreditou na palavra de Jesus e foi embora. Enquanto descia para Cafarnaum, seus empregados foram ao seu encontro, dizendo que o seu filho estava vivo. O funcionário perguntou a que horas o menino tinha melhorado. Eles responderam: “A febre desapareceu, ontem, pela uma da tarde”. O pai verificou que tinha sido exatamente na mesma hora em que Jesus lhe havia dito: “Teu filho está vivo”. Então, ele abraçou a fé, juntamente com toda a sua família. Esse foi o segundo sinal de Jesus. Realizou-o quando voltou da Judeia para a Galileia.  (Jo 4,43-54)

Irmãos e irmãs em Cristo Jesus!

Chegamos ao final do mês de março, na 4ª semana da Quaresma, aproximando-nos da grande festa da Igreja: a Páscoa de Cristo!

O Evangelho de hoje nos apresenta Jesus chegando a Cafarnaum, cidade onde viveu e era conhecido por todos. No entanto, nem sempre foi compreendido por seus compatriotas. Dessa vez, porém, foi bem recebido, pois muitos haviam testemunhado o que Ele dissera e fizera em Jerusalém, durante a festa da Páscoa. Aquele povo, no entanto, ainda duvidava de Seus milagres e palavras, pois necessitava de sinais e provas para acreditar.

Nesse contexto, um funcionário do rei, cujo filho estava doente, recorreu a Jesus para que Ele o curasse. Esse gesto demonstrava a confiança daquele homem em Cristo e em Sua promessa. Pela fé na Palavra empenhada por Jesus, ele teve sua vida e a vida de sua família transformadas.

É isso que Jesus espera de nós: um sinal de fé. Somente assim Ele realizará os prodígios e sinais que tanto necessitamos. Hoje, Cristo nos diz: “Vai, teu filho está vivo!” Isso nos prova que, através da fé, podemos alcançar aquilo que tanto desejamos. Precisamos sair do comodismo e buscar nossos objetivos, pois muitas vezes o milagre que esperamos depende de uma decisão importante que precisamos tomar.

O funcionário do rei obedeceu à ordem de Jesus, acreditou e voltou para casa, pois confiava que a Palavra do Senhor se cumpriria. Ele demonstrou fé, e sua família também experimentou essa graça.

Precisamos abrir os olhos para perceber que Jesus vive no meio de nós e que, assim como curou o filho do funcionário do rei, Ele tem o poder de nos curar e alcançar para nós os milagres que tanto desejamos. Que possamos abraçar a fé em Cristo e dar testemunho dela dentro de nossas casas, para que Suas maravilhas também aconteçam em nossas famílias!


Fátima Oliveira

Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira