Cor Litúrgica: Verde
7º Semana do Tempo Comum | Segunda-feira
Naquele tempo, descendo Jesus do monte com Pedro, Tiago e João e chegando perto dos outros discípulos, viram que estavam rodeados por uma grande multidão. Alguns mestres da Lei estavam discutindo com eles. Logo que a multidão viu Jesus, ficou surpresa e correu para saudá-lo. Jesus perguntou aos discípulos: “O que discutis com eles?” Alguém da multidão respondeu: “Mestre, eu trouxe a ti meu filho que tem um espírito mudo. Cada vez que o espírito o ataca, joga-o no chão e ele começa a espumar, range os dentes e fica completamente rijo. Eu pedi aos teus discípulos para expulsarem o espírito. Mas eles não conseguiram”. Jesus disse: “Ó geração incrédula! Até quando estarei convosco? Até quando terei que suportar-vos? Trazei aqui o menino”. E levaram-lhe o menino. Quando o espírito viu Jesus, sacudiu violentamente o menino, que caiu no chão e começou a rolar e a espumar pela boca. Jesus perguntou ao pai: “Desde quando ele está assim?” O pai respondeu: “Desde criança. E muitas vezes, o espírito já o lançou no fogo e na água para matá-lo. Se podes fazer alguma coisa, tem piedade de nós e ajuda-nos”. Jesus disse: “Se podes!… Tudo é possível para quem tem fé”. O pai do menino disse em alta voz: “Eu tenho fé, mas ajuda a minha falta de fé”. Jesus viu que a multidão acorria para junto dele. Então ordenou ao espírito impuro: “Espírito mudo e surdo, eu te ordeno que saias do menino e nunca mais entres nele”. O espírito sacudiu o menino com violência, deu um grito e saiu. O menino ficou como morto, e por isso todos diziam: “Ele morreu!” Mas Jesus pegou a mão do menino, levantou-o e o menino ficou de pé. Depois que Jesus entrou em casa, os discípulos lhe perguntaram a sós: “Por que nós não conseguimos expulsar o espírito?” Jesus respondeu: “Essa espécie de demônios não pode ser expulsa de nenhum modo, a não ser pela oração”. (Mc 9,14-29)
Irmãos e irmãs em Cristo,
O Evangelho de hoje nos apresenta Jesus descendo da montanha com alguns de seus discípulos e encontrando uma grande multidão reunida ao redor dos demais discípulos. Havia muitos rumores e, ao se aproximar para entender o que estava acontecendo, um homem da multidão expressa seu desespero: seu filho estava possuído por um espírito mudo.
O evangelista Marcos nos conduz a uma profunda reflexão sobre a importância da fé e da oração. Para que a cura e a libertação aconteçam em nossa vida, é necessário que tenhamos uma fé sustentada pela oração. Jesus, ao perceber que os discípulos não conseguiram curar o menino, os chama de incrédulos.
Marcos descreve com detalhes a situação daquele menino atormentado pelo espírito, a angústia de seu pai e a incapacidade dos discípulos. De um lado, vemos a confusão e inoperância daqueles que seguiam Jesus; do outro, testemunhamos o poder do Senhor, diante do qual o mal perde toda a sua influência.
O pai da criança, tomado pelo sofrimento, clama: “Se o Senhor puder fazer alguma coisa, tenha compaixão de nós!” Essa súplica expressa a realidade de muitos de nós: uma fé enfraquecida pelos desafios da vida, mas ainda desejosa de encontrar a graça de Deus. Quem nunca se sentiu assim?
Marcos nos faz perceber o contraste entre a fé vacilante dos discípulos e a fé humilde do pai. Jesus lamenta a falta de fé, mas, ao mesmo tempo, busca fortalecê-los, assim como faz conosco. O que torna a atitude do pai admirável é sua oração simples e sincera: ele reconhece sua fragilidade e pede ao Senhor que fortaleça sua fé. Eis o verdadeiro caminho para uma fé sólida: a humildade e a confiança.
Quando os discípulos questionam Jesus sobre sua incapacidade de expulsar aquele espírito mau, Ele responde que esse tipo de mal só pode ser vencido pela oração. Essa lição é essencial para nossa vida cristã: sem oração, não podemos agir verdadeiramente em nome de Jesus. Sem oração, nossa fé se enfraquece e perde sua força.
A fé é um dom de Deus, mas precisa ser cultivada. E o meio mais eficaz para isso é a oração. É na intimidade com Jesus que nossa fé se fortalece e se renova a cada dia.
Que possamos, assim como aquele pai aflito, reconhecer nossa fragilidade e clamar: “Senhor, eu creio, mas aumenta a minha fé!”
Fátima Oliveira
Ministra da Palavra da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios – Afogados da Ingazeira